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História Strange Birds - Capítulo 4


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Notas do Autor


"Não vou negar, o pôr-do-sol é bem mais bonito aqui."

Capítulo 4 - Depois de muito tempo


Mesmo com a dor latente em meu peito, levantei-me da cama e fui ao meu guarda-roupa para pegar a única mala de mão que eu tinha, com alguns rasgos e o zíper de um dos bolsos quebrado. Abri a outra porta do guarda-roupa e comecei a colocar para fora as poucas roupas que eu tinha. Dobrei-as uma por uma da melhor forma para que todas coubesse na mala, então me deparei com uma camiseta dos Rolling Stones que Philip me deu. Fiquei olhando-a por alguns instantes e não consegui decidir se levaria ela comigo. Resolvi deixá-la no meu ombro enquanto eu guardava outras peças, felizmente coube sem nenhum problema. Peguei alguns produtos de higiene,  meu chinelo e dois pares de meia e coloquei lá dentro.

De repente minha tia abriu a porta do meu quarto de ímpeto. Nem virei para ela, pois eu já estava acostumada com o seu jeito.

- Agora deu uma animada? – ela perguntou se recostando na parede.

- Não tenho mais nada o que fazer aqui, não é mesmo? –respondi sem olhar.

- É até bom você ir embora. Para evitar represália.

- Represália? – me ergui atônita -  De que?

- Pensa que eu não sei – respondeu Leda pondo a mão na cintura – sobre os furtos que você praticou com seus amigos aqui perto?

Arregalei os olhos quase amassando uma camiseta dos Rolling Stones que agora estava em minhas mãos. Como ela sabia de tudo aquilo? Preferia não saber, já estava farta daqueles vizinhos fofoqueiros. Fui pegar minha mochila menor para guardar as coisas menores e resmunguei:

- Ainda bem que eu vou embora.

- Ainda bem mesmo, pois você pode correr risco continuando aqui.

- Mas o que fariam comigo? – agora eu que estava com a mão na cintura.

- Algum tipo de represália. Mas o bom é que você está empolgada para ir.

Aquele assunto de represália era apenas uma desculpa para encobrir o que havia falar a tarde. Mas para mim isso não importava, eu queria ir embora daquele lugar o mais rápido possível. Depois da traição de Philip, nada mais me prendia ali. Por mais que meu coração estivesse doendo, vi que estava fazendo certo: procurar novos ares. 

 

Norte do Texas, 17h

Eu podia sentir um ar diferente entrando em meus pulmões. Enquanto o ônibus estacionava eu procurava o meu primo entre as pessoas que estavam na rodoviária. Ao encontrá-lo me senti aliviada e surpreendida ao mesmo tempo. Alívio por saber que tinha alguém da família naquele lugar desconhecido e surpreendida, pois a última vez que eu tinha visto Kabal ele era magricela, daqueles que ninguém dava nada por ele. Agora ele estava mais encorpado, o rosto mais viril, um corpo atlético... Não queria, mas veio em minha mente pensamentos não muito puros. Kabal é meu primo não podia pensar essas coisas dele. 

Quando desci do ônibus, meu primo já estava na porta e sorriu a me ver, abriu os braços e disse:

-Quanto tempo mocinha!

Sem titubear abracei meu primo com força. Aquele foi um dos abraços mais gostosos que recebi na vida, sem contar o perfume maravilhoso que seu corpo exalava. Foi inevitável que aqueles pensamentos voltassem dançando em minha mente.

Ele e se afastou e logo perguntou:

- Tem algum problema com moto?

- Nunca tive problema. – respondi com segurança lembrando as poucas vezes que andei na moto de Philip.

Em seguida ele entregou-me o capacete e pegou minha mala. Notei a feição dele surpresa.

- Pela primeira vez eu pego a bolsa de uma mulher que não esteja tão pesada.

- Ah eu não tenho tanta coisa.

- Isso é ótimo! Continue assim.

Acompanhei-o até onde estava sua moto. Ao chegar no estacionamento fiquei de queixo caído ao ver a moto do meu primo. Parece aquelas vindas de filmes, uma modelo da Harley Davidson bem imponente. Eu nem acreditava que estava prestes a montar naquela belezinha.

Peguei logo o capacete e coloquei na cabeça. Em seguida sentei atrás de Kabal que me disse:

- Se quiser pode segurar firme em minha cintura.

Anui com a cabeça e sem pestanejar o enlacei logo que ele ligou a moto. A minha vontade era abraça-lo com mais intensidade, me sentiria mais segura assim. Enquanto corríamos a estrada começava a lembrar da voz daquela garota atendendo ao telefone de Philip. Uma revolta invadiu o meu peito naquele momento, mas ao mesmo tempo me veio um alívio em saber que estou longe daquele lugar tóxico, longe daquela corja de gente encrenqueira. Enfim, estou prestes a começar uma vida nova.

 

A casa que Kabal estava morando não era o das melhores, mas tinha o suficiente para tomar um bom banho e dormir – era tudo o que eu queria naquele momento.

Coloquei minha mochila num canto e fui a janela ver a paisagem. Era uma cidadezinha bem simples, mas aconchegante. De repente o perfume de Kabal invadiu minhas narinas, mas me contive em não virar para olhá-lo. Apenas o senti se aproximando e perguntar:

- E o que achou da vista?

- Não vou negar, o pôr-do-sol é bem mais bonito aqui.

- Ainda mais nessa cidade que parece um cenário daqueles filmes de faroeste.

Concordei e fiquei olhando Kabal sair e pegar um pote onde havia alguns biscoitos amanteigados. Ele abriu e me ofereceu. Peguei um e perguntei:

- Quanto tempo de folga você tem?

- Comecei ontem. Percebi o quanto estou cansado.

- Imagino quanta história você tem para contar, não é?

Ele respirou fundo e concordou. Limpou a calça que estava suja de farelo e disse:

- Ultimamente tenho tido sonhos muito reais, principalmente depois da missão que participei.

- Sério? Como eram?

- São sonhos com guerras, demônios e outras coisas que nunca tinha visto em minha vida.

- Nossa que estranho.

Fiquei ainda alguns instantes ali sentada pensando sobre o que Kabal havia acabado de me falar. Resolvi então pegar a minha mala que ele havia deixado próximo a porta e perguntei:

- Onde eu posso colocar minhas coisas.

- Pode colocar naquele quartinho próximo da janela grande.

A janela que ele se referia era a que eu acabara de ver o pôr do sol. Fui até lá e abri a porta feita de alumínio. Havia um colchão forrado apenas, melhor que nada. Coloquei minha mala ali e abri. Foi então que me deparei de cara com a camiseta que Philip havia me dado.

A lembrança dele veio com tudo.

Senti aquele sentimento sufocante de traição e a vontade de chorar veio. Eu não queria chorar pelo Philip, não merecia uma gota das minhas lágrimas. Vai saber se ele não estava comigo e com aquela menina ao mesmo tempo. O pior que eu estava gostando dele de verdade .

Acabei deixando algumas lágrimas rolarem pelo meu rosto, mas logo as limpei. Então Kabal chegou onde eu estava, ele me chamou e quando me virei o vi  me trazendo um copo de água.

- Você está bem? – perguntou Kabal preocupado e se agachando a minha altura.

- Estou tentando ficar bem – respondi pegando o copo e me sentando no chão.

Kabal se sentou no chão também, deu um sorriso, pousou a mão em meu ombro e perguntou:

- Está com saudade do namorado?

Limpei as lágrimas teimosas que insistiam em cair e falei categoricamente:

- Ex-namorado.

- Por que? O que ele fez?

- Acho que ele estava comigo e com outra ao mesmo tempo.

Ele se endireitou e perguntou:

- Mas você ainda gosta dele, não é?

- Gostava – quis deixar bem claro – meu desejo é esquecê-lo para sempre.

- Mas a tia Leda sabia desse lance?

Dei uma risadinha e respondi:

- Claro que não.

- Sério?

- A tia nunca me deixou fazer nada, se dependesse dela eu viveria em uma bolha.

Kabal sorriu e eu gostava de ver aquele sorriso, me animava e me fazia sentir mais calma. A presença dele me deixava tranquila e se eu pudesse viveria grudada nele.

Ele pegou um dinheiro na carteira e disse:

- Vou comprar alguma coisa para jantarmos, aproveite para tomar um banho e descansar um pouco mais.

Anui e voltei meu olhar para a janela enquanto ele saía. Nesse interím me veio uma ideia na cabeça, uma ideia que ia e voltava enquanto eu morava com a tia Leda.

Em menos de vinte minutos Kabal estava de volta com dois pacotes grandes, um em cada braço. Ajudei-o a colocar as sacolas em cima da mesa. Enquanto ele conferia tudo o que tinha na sacola eu expus minha ideia.

- Kabal, o que você acha de eu entrar no Dragão Negro?

Ele voltou o olhar para mim surpreso.


Notas Finais


Stella sair da casa tia foi uma das melhores coisas que ela fez, principalmente depois de uma traição não é? E agora ela vê uma nova oportunidade que é entrar no Dragão Negro. Mas sua entrada não será nada fácil.

Quero pedir uma coisinha para vocês. Me avisem caso vocês não estão sendo notificados quanto as atualizações dessa fanfic, por favor. Bjos para vocês!


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