História Stranger Feelings - Capítulo 7


Escrita por: ~

Postado
Categorias Stranger Things
Personagens Eleven (Onze), Mike Wheeler, Will Byers
Tags Bobby, Brown, Fillie, Finn, Mileven, Millie, Nillie, Noah, Schnapp, Wolfhard
Visualizações 263
Palavras 2.672
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Todos com suas armas empunhadas, prontos pra conhecer a ruiva?
Esse é longo, vai na fé...

Capítulo 7 - Glória


Fanfic / Fanfiction Stranger Feelings - Capítulo 7 - Glória

Algo dentro de Millie desmoronou. E agora que desmoronou, ela percebeu o quanto era grande. Se sentia estúpida por ter se deixado levar desse jeito. Até o dia anterior eles eram amigos, por que isso teria mudado agora? Aliás, quando Finn propôs ficar com ela foi justamente uma preocupação de amigo, isso ficou bem claro em cada palavra que ele disse logo antes do primeiro beijo.

Aquele primeiro beijo que fez ela viciar no seu gosto logo que o sentiu, que não deixou sequer ela decidir se queria relutar com esse sentimento ou não. Obviamente era um sentimento unilateral. Obviamente ela era uma garotinha idiota iludida. Obviamente...


- Vem comigo.


Finn se levantou de repente, segurou as mãos de Millie e puxou-a pra que se levantasse. Ele saiu da cabana e ela o seguiu, em silêncio, ainda abalada com a última resposta que ele deu. Foram até os fundos da casa e Finn pegou uma bicicleta, sentou e deu um tapinha no cano, indicando pra ela se sentar.


- Como nos velhos tempos, vem.


Millie não queria ir a lugar algum, mas não ia dar o braço a torcer e admitir que estava chateada, então sorriu de lado, fingindo que estava tudo bem e foi.


- Você tem noção que eu ainda morro de medo de andar de bicicleta com você, né?

- Achei que confiasse em mim. - ele colocou as duas mãos no guidão e seu rosto se aproximou do dela.


Eu confiava.


- Eu confio.


Ele deu impulso e começou a pedalar, andando devagar pra não atropelar ninguém, atravessaram o quintal pelas beiradas. Ao chegar no portão, Nick surgiu aparentemente do nada na frente deles, segurando o guidão.


- São 5 horas da manhã, onde você pensa que vai?!

- Não vou longe, não se preocupa.

- Isso não responde a minha pergunta, Finn.

- Eu... Nós vamos até a casa da Glória.


Vai me levar aonde??

A expressão de Nick mudou, ficou olhando de Millie pra Finn de um jeito confuso.


- Tem certeza?

- É. Tipo... Eu preciso resolver isso uma hora ou outra, né? Acho que não dá mais pra fugir.

- Ok... Se cuidem... Vocês três...


Ele soltou a bicicleta e saiu da frente, e Finn recomeçou a pedalar, rápido o suficiente pra Millie não ter coragem de pular. Rápido demais. Assustadoramente rápido.


- Finn... Devagar!

- Hey... O que aconteceu com a confiança toda que você tinha em mim? Eu não sou o melhor parceiro de cena que você podia ter? Lembra disso? Você disse "eu não poderia pensar em alguém em quem eu confio mais". VOCÊ disse.

- Eu confio em você, Finn. Só não confio muito na gravidade ou nas pedras no caminho. - suas mãos apertaram com força o guidão, seu corpo ficou tenso e Finn só pedalava cada vez mais rápido. - Finn, você ficou maluco? PARA COM ISSO!

- Posso parar, mas... Só se você disser que me ama.


Millie virou um pouco o rosto pra encará-lo e viu que ele estava sorrindo.

Ele realmente quer me humilhar assim?


- Não! Não vou dizer isso! - Não pôde impedir que a raiva transparecesse a sua voz.

- Qual é, Mills... São só três palavrinhas...


Ela percebeu com um pânico crescente que eles estavam numa leve inclinação, subindo. E tudo que sobe...


- Finn, por favor!

- Fala, Millie! Não vai doer!


Estava com medo demais, queria que aquilo parasse, e também queria colocar pra fora aquelas palavras de algum jeito.


- Eu te amo, Finn! Seu estúpido, chantagista, egoísta! Eu nunca tive tanta raiva de alguém, mas eu te amo! - Ela disse mais alto e claro (e com mais sinceridade) do que gostaria.

- Tarde demais. - ele sussurrou em seu ouvido ao mesmo tempo em que veio a queda.


Millie gritou em pânico enquanto o mundo se tornava desfoque, frio na barriga e vento no rosto. Finn também gritava, mas era mais um "Woohoo", como quem está numa montanha-russa. 

A queda durou pouco e foi se dissolvendo numa rua plana de novo, e a velocidade da bicicleta diminuiu até parar. Millie saltou assim que pôde, atordoada, irritada. Finn largou a bicicleta na calçada e veio ao seu encontro.


- Seu imbecil! Por que você fez isso comigo? Qual é o seu problema? - Ela começou a enchê-lo de tapas, e ficou ainda mais irritada ao perceber que ele estava rindo. - Eu te odeio, seu idiota!

- Não me odeia não, você me ama! Acabou de admitir isso. - Ele segurou seus braços e lhe deu um beijinho na ponta do nariz.


Millie se soltou dele e virou-se pronta pra gritar de ódio, mas ao invés disso olhou ao redor, pra onde haviam chegado. Era lugar nenhum. A rua acabava ali, e a última casa estava alguns metros atrás. Onde estavam agora era cercado de pasto. Havia um caminhozinho de terra entre o mato que levava a uma casinha de madeira, Finn envolveu seus ombros com um braço e arrastou-a pra lá.

Espera... A Glória vive ali? Isso não é um tipo de celeiro?

Começou a pensar se por acaso Glória não seria alguém que Finn sequestrou, se deveria sair correndo e gritando por socorro, mas seus pés continuaram caminhando ao lado dele em direção à casinha. Ao se aproximarem ele virou pra Millie e disse:


- Olha, eu... Eu acho melhor eu ir na frente e conversar com ela primeiro, tá? Tipo... talvez seria um choque muito grande se você chegasse junto comigo assim. Pode ser?


Millie não estava entendendo absolutamente nada, apenas concordou vagamente com a cabeça. Finn chegou entrando na casinha e acendendo a luz. Ele sorriu ao olhar pra dentro, murmurando um "oi, princesa... como vai?" e então sumiu. Menos de um minuto depois voltou a sair, e em seu encalço, alguém que foi difícil pra Millie processar que estava ali.


- Millie, essa é a Glória. Glória, essa é a Millie. - Finn introduziu, sorrindo.

- Oi... Glória... - Millie disse, perplexa, incerta.

- Muuuuuuu. - Glória só disse, simpática.


Isso é algum tipo de pegadinha?


- Vamos, meninas. Não precisam ser tímidas.


Finn puxou Glória por uma corda amarrada em seu pescoço até Millie, que acariciou um tanto nervosa o focinho dela. 

Glória era uma vaca. Isso mesmo, uma vaca.

Mas era diferente de uma vaca comum, tinha uns chifres maiores e mais deitados, um focinho fofinho e uma pelagem longa com direito a franjinha, na cor castanho avermelhado. Tinha a pelagem ruiva. Ainda não era adulta, era praticamente uma vaca adolescente. 


- Finn... - Millie não sabia se sentia desconfiança, raiva, alívio, curiosidade ou vontade de rir. - Quer explicar alguma coisa?

- Deixa eu pensar... Digamos que a Glória apareceu na minha vida por acaso. Eu nunca planejei ter uma vaca. Especialmente essa, que é uma vaca escocesa, eu nem sabia que elas existiam aqui. Quer dizer, na verdade não existem. Tipo... Aaah, eu tô me enrolando. Vou começar do começo.


Flashback ON


(Voz do Finn)

"Noah, Caleb, Jack e Josh estavam na minha casa, umas duas semanas atrás. A gente tava entediado e resolveu pegar os skates e bicicletas e ir dar uma volta pela cidade à noite, e acabou se enfiando em alguns lugares que meus pais não iam gostar muito de saber..."


Os meninos andavam conversando e rindo por uma rua ladeada por casas menores amontoadas, podia-se ouvir som alto e muito barulho. Havia pichações em prédios e pessoas paradas nas calçadas conversando umas com as outras ou apenas observando o movimento, todas olhando torto os garotos estranhos.

Finn e Josh andavam de skate, acompanhando Jack, Noah e Caleb que estavam de bicicleta. Haviam colocado bonés, tocas e roupas diferentes do usual pra evitar serem reconhecidos. Em certa altura, encontram um senhor de aproximadamente 60 anos, com roupas simples e um olhar carrancudo, carregando uma vaca escocesa vermelha por uma corda, puxando-a de forma não muito gentil. Josh e Finn, que não tem muito juízo, foram imediatamente em direção ao curioso animal, intrigados, querendo saber mais sobre ele.


- Eu não sei de nada sobre esse bicho não, garoto. Só me pediram pra levar ele pra madame. - Seu tom de voz era ríspido.

- Madame? Que Madame? - Indagou Finn, não indicando o menor interesse em deixar o senhor em paz.

- A Madame que quer um tapete novo. - Um sorriso perverso surgiu enquanto ele respondia.


Os olhos de Finn se arregalaram.


"Basicamente descobrimos que a Glória foi contrabandeada num navio de carga pra uma maluca exótica de LA que queria fazer um tapete com a pele dela. Aquele senhor buscou ela no porto e deixaria ela passando a noite em um galpão, pra que no outro dia um caminhão viesse buscá-la."


- Hey, que tal isso... Eu pago a mais do que o preço que ela pagaria. Você evita de pagar o próximo frete, fica com essa diferença pra você, paga seu fornecedor e avisa a madame que infelizmente a encomenda dela não sobreviveu. 


Finn sugere demonstrando segurança, todos ao redor encaram o senhor apreensivo. Logo em seguida os meninos estão voltando pra casa puxando a vaca atrás de si.


(Voz da Millie)

"Então vocês... Salvaram ela?"


(Voz do Finn)

"Isso, acho que é isso. Mas eu não tinha pensado direito no que fazer depois. Tipo... Eu ia chegar em casa e dizer 'Hey, mãe, olha só a vaca contrabandeada que eu comprei ali naquele bairro que você me disse pra nunca ir! Ela pode ficar no porão?'. Não seria a melhor das ideias... Aí eu acabei chamando o Nick pra me ajudar. Eu sabia que ele ia surtar, mas teria feito a mesma coisa que eu no meu lugar."


Nick seguiu para os fundos da casa atrás de um Finn ansioso. Ao chegar na porta, olhou para frente e arregalou os olhos perplexo.


- MAS QUE PORRA É ESSA, FINN?


Os garotos estavam todos ao redor da vaca, acariciando-a com olhar de cãozinho sem dono.


"Ele ficou furioso na hora, mas entendeu, e me ajudou a esconder tudo dos nossos pais. Foi ele que arrumou esse lugar pra Glória. Esse celeiro tava servindo de depósito de velharias pra um senhor que mora logo ali pra cima. Esse terreno costumava ser um sítio, mas agora não passa de um pasto abandonado com uma lagoa, então é perfeito pra ela. Nós demos um trato no local e colocamos ela aqui, e desde então Josh, Nick e eu, quando não estou trabalhando, revezamos pra vir aqui diariamente dar uma olhada nela, mas frequentemente viemos todos juntos, porque a Glória é meio que nosso bichinho de estimação agora.

No dia seguinte que ela chegou aqui, nós estávamos todos empenhados na faxina, eu discuti com o Nick por algum motivo bobo, ainda tava tenso com essa situação, não sabia se as coisas dariam certo, tava preocupado... quando Josh pegou o violão e começou uma canção improvisada."


O celeiro estava lotado de garotos empoeirados, limpando, arrumando, descartando lixo, amontoando velharias. O clima estava um tanto pesado, quando Josh pega o violão, apoia o pé sobre uma lata de tinta e o violão sobre a coxa, toca um acorde e começa a cantar uma canção com uma pegada country.


This is what happens when a cow comes in the scene

And steals the heart of our poor baby Finn

(Isso é o que acontece quando uma vaca entra em cena e rouba o coração do nosso pobre bebê Finn)


He got stressed

But can't live her alone

Cause she needs him

She just can't go on her own

(Ele fica estressado, mas não pode deixar ela sozinha, porque ela precisa dele, ela não consegue se virar por conta própria)


Todos os garotos já estavam com um olhar divertido, dando risinhos enquanto trabalhavam, mas Finn continuava com a cara fechada.


He's sour outside

But his heart is really sweet

He's like a Fini candy

Just need to relax a little bit

(Ele está azedo por fora, mas o coração é realmente doce, ele é como uma bala Fini, só precisa relaxar um pouquinho)


Os garotos deram uma risada divertida e Finn acabou cedendo e dando um sorriso. Glória disse "muuuu", balançando o rabinho, o que provavelmente queria dizer "isso garoto, relaxa, vai dar tudo certo, se diverte um pouco que eu vou ficar bem". Josh começou a tocar com mais empolgação e foi para o refrão da música.


The Fini boy and the redhead cow

This is the sweetest lovestory You'll ever hear about

(O garoto Fini e a vaca ruiva, essa é a história de amor mais doce que você vai ouvir falar)


EVERYBODY

(todo mundo)


Todos entoaram o refrão novamente com Josh e logo estavam dançando, mais se divertindo do que trabalhando.


"E foi assim que surgiu a piada 'Fini e a ruiva'."


(Voz da Millie)

"E por que não quis me contar? Contou até pra Sadie mas não contou pra mim?!"


(Voz do Finn)

"Bom..."


Quando a música acabou, todos ainda estavam rindo. Finn olhou para os amigos com uma seriedade súbita.


- Pessoal, vocês sabem que não podem contar sobre a Glória pra ninguém, né?

- Nem pro grupo Stranger? A Millie ia adorar essa história! - perguntou Noah

- NÃO! Principalmente pra Millie!


Os garotos se entreolharam.


- Ela já me acha esquisito, não quero piorar essa impressão. - disse ele timidamente.


Flashback OFF


- Hey, por que você pensa que eu te acho esquisito? - Millie quase se ofendeu com a suposição.

- Ah, você é toda princesinha da mídia, ouve música pop, é cheia de amiguinhas populares... Eu sou esquisito mesmo, não tenho nada a ver com o seu mundinho.

- Finn, você é diferente de mim, mas é um cara muito legal! Não tem nada de esquisito em você! 


Os dois se encaram um momento, um discordando do outro em silêncio, então Glória diz "Muuuu", que queria dizer algo como "garota, ele tem uma vaca de estimação, ele é esquisito", e os dois caíram na gargalhada.


- Hey... Espera aqui. - ele voltou a entrar no celeiro, pegou um violão e saiu novamente. - A Glória gosta de música.

- Ah... Tá me dizendo que a vaca gosta de música? Acho que não, Finn...


Glória foi até Finn balançando o rabinho e deu uma leve cabeçada em seu braço dizendo "Muuuu", como se dissesse "ignora essa vadia, eu adoro música sim". Millie riu e os dois foram se sentar no chão, recostados em uma árvore grande que tinha ali perto. Glória deitou ao lado de Finn e recostou o queixo no seu colo, prestando atenção.


À frente deles havia um grande descampado, onde era possível ver os primeiros raios de sol colorindo o céu, trazendo nuances de violeta e um leve vermelho surgindo na linha do horizonte. Finn começou a tocar uma melodia bonita e cantar com a voz já bastante cansada de uma noite inteira na festa, o que a fez soar mais suave, apesar de rouca e emotiva como sempre.


Oh baby... Oh man

You're making me crazy...

Really driving me mad...


Millie se pegou hipnotizada pela voz do garoto, observando seu rosto enquanto ele cantava. Seus olhos estavam fechados e a luz da alvorada revelava os detalhes do seu rosto aos poucos. Glória disse um "muuu" tímido, o que provavelmente significava "vou deixar vocês dois à sós" e saiu de fininho.

Millie deu um sorriso e recostou a cabeça no ombro de Finn, fechou os olhos, apreciando o som da sua voz e a luz delicadamente quente que começava a tocar sua pele.

Era loucura pensar nisso tudo, olha quantas vezes o sentimento dela em relação a ele já mudou essa noite... Ele realmente se importava se ela achava ele esquisito? Ela achava ele esquisito, afinal? Não, ela achava ele o ser humano com a alma mais bonita que ela já conheceu. Sabe-se lá quanto dinheiro ele gastou pra salvar a vida de um animal que ele nunca tinha visto, e a dedicação que ele, o irmão e o amigo estavam tendo... Era o tipo de coisa que Millie não estava acostumada a ver as pessoas fazendo, porque estavam sempre preocupadas com obrigações e rotinas e sucesso, e salvar a vida de uma vaca escocesa não estava nos planos de ninguém.

Conforme o sono e a tranquilidade invadiram ela, os pensamentos surgiram sem muitos filtros.

Eu ficaria aqui pra sempre, e seria feliz em poder ouvir essa voz todos os dias, e saber que estou do lado da pessoa mais maravilhosa que já conheci.

Abriu os olhos novamente ao perceber que quase adormeceu. O sol já se mostrava no horizonte e a luz intensa a despertou.


You are my... my... my.... my kind of woman

My... Oh, my... What a Girl...


Notas Finais


3 coisas:
1°- Mac DeMarco - My Kind of Woman
2°- Vou dar um beijo na boca de quem pegar a referência nesse capítulo
3°- Palmas pra ~JullietaWiller , que matou a charada que a Glória na verdade não era um ser humano.

E aí, vocês ainda querem matar a Glória?
Ah, aproveitem esse final de capítulo tranquilo e feliz sem gancho pro próximo, porque não sei quando isso vai acontecer de novo.


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