História Strawberry and Cigarettes. - Capítulo 3


Escrita por:

Postado
Categorias Boku no Hero Academia (My Hero Academia)
Personagens Dabi, Enji Todoroki (Endeavor), Fuyumi Todoroki, Hitoshi Shinsou, Izuku Midoriya (Deku), Kai Chisaki (Overhaul), Kurogiri, Kyoka Jiro, Mei Hatsume, Muscular, Shouto Todoroki, Stain, Tetsutetsu, Toga Himiko, Tomura Shigaraki
Tags Shigadabi, Tododeku
Visualizações 202
Palavras 3.604
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Fluffy, Lemon, LGBT, Musical (Songfic), Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Shoujo-Ai, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 3 - You use your heart as a weapon and it hurts like heaven


DABI

Dabi não estava bravo, irritado ou incomodado. Claro que não! Por que diabos ele estaria incomodado com aquela ceninha ridícula... quer dizer, com aquela cena da praia? Ele não tinha nada com Midoriya Tomura e com certeza ele poderia beijar quem quisesse! Não era só porque talvez ele quisesse por suas mãos naquelas coxas finas, ver o que a calça escondia ou talvez, bem talvez mesmo, achasse que Tomura ficasse uma gracinha quando corasse que ele estava incomodado com aquilo. Claro que não. Não mesmo. Se alguém estivesse incomodado, não era ele.

Certo.

Talvez, ele estivesse um pouquinho incomodado.

Com o rosto sendo sufocado pelo travesseiro, a imagem de Tomura no palco, radiante, com as bochechas coradas e o sorriso animado no rosto, encantando com a plateia, se mesclava com a cena de Chisaki segurando seu queixo, com a língua literalmente em sua garganta.

Jogando o travesseiro pro outro lado do quarto, ele se virou pro lado da parede, encontrando o Dakimakura que Jin tinha feito de si mesmo deitado de lado com a blusa levantada e os botões da calça abertos, com uma das mãos em sua boca, como se estivesse envergonhado. Dabi riu um pouco, abraçando o travesseiro. Aquele tinha sido seu presente de aniversário de dezessete anos e era realmente uma dádiva que seu velho não entrasse no seu quarto, ou então, ele teria que jogar o presente fora e provavelmente sairia dali com os olhos roxos.

Por um instante, achou que finalmente seria capaz de parar de relembrar a cena da praia e fechou os olhos, apenas para vê-la com mais clareza do que antes.

Virou-se novamente, pegando o outro travesseiro e sentado na cama, começou a socá-lo. Um rosnado fraco vinha do fundo de sua garganta e ele imaginava que o coitado do travesseiro era Chisaki Kai.

— Haru, o que você tá fazendo?

A voz de Shouto o fez parar com o punho levantado. Ele estava imaginando que aquele seria o soco final, bem no nariz, que começaria a sangrar instantaneamente. Depois disso, ele poderia ir embora com Tomura.

Talvez, ele fosse mesmo o pancada da história.

— Ah, nada — mentiu com um sorriso amarelo e abaixou o braço, se ajeitando na cama. — O que você quer?

Os olhos heterocromáticos de seu irmão estavam faiscando com deboche, mas ele apenas deu de ombros e entrou no quarto, fechando a porta.

— Preciso te contar algo.

Dabi observou enquanto Shouto sentava do seu lado. Por um longo tempo, nenhum dos dois nada disse.

Às vezes, era fácil esquecer que estava do lado de Shouto. Ele ficava tão silencioso que parecia que nem existia. Dabi também tinha essa mania, apesar de não transparecer. Apenas em casa, quando não precisava colocar uma máscara em cima de seu rosto e coração, ele deixava-se cair no barulho de seus pensamentos, enquanto a casa continuava quieta, como se não houvesse habitantes.

— Então, o que tinha pra me contar? — Dabi quebrou o silêncio, olhando para Shouto, que estava com os olhos fechados.

— Você conhece Midoriya Izuku, não conhece? O de cabelo verde? Criador do clube de amantes de super heróis? — perguntou baixinho, ainda de olhos fechados.

Dabi suspirou.

Ele só queria tirar o nome Midoriya da cabeça e Shouto vem falar logo do irmão do Midoriya que ele queria esquecer.

— Conheço. O com sardinhas, né? Ele é fofo, o que tem ele?  

— Bom... — ele abriu os olhos e Dabi arqueou uma sobrancelha quando as bochechas de Shouto se tingiram de vermelho. — Nós estamos namorando.

O cérebro de Dabi girou.

Certo.

Midoriya Izuku namora seu irmão, Shouto, o que, o faz ser cunhado do garoto que ele queria dar uns beijos.

Ok. Certo. Ótimo.

— Oh! — foi tudo o que conseguiu dizer.

— Haru, você está bem? Sério, essa reação parecia mais com Natsuo do que com uma reação sua.

— Só com coisas da banda na cabeça... — ele balançou a mão e depois cutucou seu irmão com o cotovelo. — Meu irmãozinho tá crescendo, estou muito emocionado!

Fingiu que limpava uma lágrima e Shouto revirou os olhos, mas soltou uma risadinha.

Dabi, como o bom irmão que era, se inclinou e abriu a gaveta da cômoda e pegou um pacotinho.

Ele jogou em Shouto que o pegou com curiosidade e depois corou tanto que até seu pescoço ficou vermelho.

Dabi caiu na risada com a reação de seu irmão com um pacote de camisinha. Aquela foi a primeira vez que o viu tão vermelho e era óbvio que não deixaria passar esse momento único.

— Vai se foder, Haru! — falou ainda vermelho e jogou o pacotinho na cara do irmão que ainda ria.

Dabi puxou o irmão para um abraço.

— Estou feliz por você, Shouto.

— Idiota.

— É verdade, pimpolho.

— Haru, já falei pra você parar de me chamar assim.

— Por quê? Quando você era menor, adorava esse apelido... — Dabi o apertou mais e Shouto riu.

— Eu não sou mais uma criança.

Dabi não respondeu, apenas encostou a testa no ombro de seu irmão. As lembranças do passado o pegaram desprevenido. Seu pescoço ardeu novamente, quase como se tivesse voltado há anos antes, quando sua mãe quase jogou água quente no pequeno Shouto e ele se colocou na frente, recebendo a queimadura em seu lugar.

— Haru?

— Hm?

— Eu amo você.

Dabi riu e desencostou-se do irmão.

— O que foi isso, Shouto? Por que essa declaração de amor do nada? — perguntou sorrindo.

— Apenas senti que você precisava ser lembrado que... — ele desviou o olhar. Era difícil para os Todoroki falarem sobre sentimentos. — você tem pessoas que te amam.

Dabi assentiu e se jogou na cama, puxando seu irmão junto.

— Como antes, ok? — perguntou enquanto puxava a coberta pra cima dos dois.

— Carente. — Shouto debochou, mas logo se aconchegou no irmão, como quando faziam antes.

— Olha quem fala, Senhor Abraço de Urso.

— Cale a boca.

Os dois riram de leve e logo caíram em um silêncio agradável, que em instantes, os levaram para o mundo dos sonhos.

♪♪♪

TOMURA

— Ei, Kai, por que você me beijou?

Os dois estavam andando de volta pra casa, sendo iluminados pela agora luz da lua. Um vento fresco passava por eles, fazendo os cabelos azulados de Tomura se movimentarem.

Depois do acontecimento na praia, os amigos seguiram sua conversa, quase como se nada tivesse acontecido. Todas as vezes que Tomura tentava tocar no assunto, Kai o distraia com outra coisa.

Porém, agora, eles não estavam falando e apenas o barulho da rua não o faria parar de pensar no beijo.

Não tinha sido horrível. Claro que não deve ter sido o melhor do mundo, já que Tomura não sabia muito bem o que estava fazendo, mas a forma que Kai segurou seu queixo e movia seus lábios, foi estranhamente agradável.

— Porque eu quis. — respondeu dando de ombros e levantou os olhos pra lua.

— Isso nem resposta é!

Um déjà-vu o fez tremer.

— Você disse que não tinha beijado ninguém e eu quis ser uma pessoa legal — ele sorriu para o amigo. — Se fosse qualquer outra pessoa, teria dito que foi horrível e que você não sabe o básico de como mexer a língua, mas eu, Tom-chan, não farei isso com você!

O rosto de Tomura se esquentou e ele chutou as pernas de Kai, que soltou uma risada alta.

— Vai se foder.

— Eu te dei uma aula grátis de como beijar e é assim que você me agradece?

— Aquilo nem aula foi!

— Oh, então você quer mais?

— Vai se foder!

Tomura chutou Kai novamente que ainda ria e puxou seu braço, fazendo-os ficar cara a cara, próximos demais. O rosto de Kai estava cada vez mais perto e a mão dele em sua cintura parecia queimar.

— O que está queimando? — perguntou virando o rosto para o corredor do prédio.

— Meu desejo por você...

— Não, Kai, é sério. — ele se soltou e correu até a porta de seu apartamento.

Assim que entrou, encontrou Izuku chorando segurando a mão de sua mãe que estava deitada no sofá.

— O que aconteceu aqui? — perguntou frenético e correu para o lado da mãe. — Mãe, você está bem?

— Sim, sim! Vocês não precisam se preocupar, garotos, está tudo bem.

— Mãe, você desmaiou na cozinha! — Izuku falou entre os soluços do choro.

— Não é melhor levarmos ela em um médico? — Kai perguntou. Seu rosto estava preocupado e ele estava com as mãos no sofá.

— Ah, Kai-kun! — Inko virou-se, sorrindo gentil. — Que bom vê-lo novamente!

— É ótimo ver a senhora também, Inko-san, mas ficaria mais feliz em vê-la saudável.

Inko sorriu.

— Estou bem, mesmo. Não se preocupe.

— Mãe, vou ligar pra uma ambulância...

— Não! — ela gritou e sentou-se no sofá. Izuku arregalou os olhos. — Já disse, Tomura, estou bem. Você também, Izuku. Só preciso ter uma boa noite de sono, certo? Meus meninos, vai ficar tudo bem.

Ela afagou o cabelos dos irmãos e sorriu novamente, se levantando e indo para o quarto, deixando-os confusos.

— Por que não me ligou?

— Fiquei tão nervoso que não consegui. — Izuku fungou.

Tomura o abraçou e fez carinho em seu braço.

— Tom-chan, eu vou indo. Amanhã, eu passo aqui pra ver como Inko-san está.

Tomura não respondeu, apenas acenou e Kai se foi, deixando os irmãos Midoriya ainda amedrontados no chão da sala.

♪♪♪

Três meses passaram muito rápido.

Em um final de semana, Tomura estava se despedindo de Kai no aeroporto e agora, ele já estava a uma semana de distância das férias de verão.

Como todo final de semestre, a escola tinha a amostra de talentos. Vários grupos se apresentavam, mostrando variados tipos de artes e no final, apenas dez passariam para a segunda fase, que começaria nas férias.

Os grupos que ganhassem, tinham desafios para completar. Cada um ganharia um site montado pelos próprios integrantes e lá, a cada semana, teria um desafio novo. No final, quem conseguissem completar todos e na primeira semana de aula apresentasse algo único e criado por eles, conseguiria passar para a segunda fase, onde apenas cinco passavam.

Ao longo do ano, várias outras apresentações aconteceriam, assim como os desafios. O penúltimo show e aquele que definiria os três finalistas acontecia no final de setembro, para então, a competição pegar fogo.

No final de dezembro, duas semanas antes da formatura, o último show seria exibido para todo o Japão. Quem recebesse mais votos e tivesse mais número de desafios cumpridos, ganhava.

O prémio era cinco milhões de reais e uma viagem para a Europa, além de o troféu e os olhos de milhares de pessoas que poderiam os fazer famosos.

Aquele era o primeiro dia das apresentações e como sempre, Tomura foi arrastado por Izuku. O menor o puxava por entre a multidão de adolescentes animados e suados, que gritavam bem no seu ouvido e te davam cotoveladas.

Tomura tinha certeza que já tinha no máximo dez hematomas quando eles finalmente chegaram a seus acentos.

O garoto meio-a-meio estava sentado perto de Izuku e eles sorriram quando se viram.

— Tommy, esse aqui é o Shouto. Shouto, esse é meu irmão, Tomura. — ele os apresentou e depois de um aperto de mãos, Tomura se sentou e observou como Shouto passou a mão para debaixo do acento, onde ele e Izuku entrelaçaram os dedos.

Revirando os olhos, ele olhou para o palco. Como sempre, o auditório estava iluminado e o palco estava com as cortinas vermelhas abertas. Atrás, um grande painel dourado anunciando a amostra de talentos daquele ano estava pregado. O piano não mais estava no lado esquerdo.

— Será que seu irmão vai conseguir, Shouto?

— Ele já conseguiu antes, por que não agora?

Os dois continuaram a conversar, mas o irmão mais velho se desligou, olhando para algumas faces conhecidas e outras desconhecidas. Avistou Jirou passando correndo com uma face de terror e acenou, mas ela estava apressada demais para ver, ou ele pensou que fosse por isso.

Tetsutetsu estava sentado com uma garota de cabelos laranjas e eles riam de leve. Shinsou não parecia estar por ali, mas Tomura logo avistou Muscular que o mostrou o dedo do meio.

— Senhoras e senhores, sejam bem vindo à quinta amostra de talentos do colégio UA! — uma garota com cabelos de dreads rosas pulou para dentro do palco. Ela usava um terno preto e gravata borboleta, o que totalmente não combinava com a touca azul marinho. — Eu sou Hatsume Mei, sua apresentadora!

Ela fez uma dancinha animada e Izuku bateu palmas. Tomura a achava animada demais.

— Como todos os anos, devemos agradecer nosso diretor, Kurogiri-san, por nos proporcionar essa diversão! — ela apontou para o homem com o rosto novo e calmo, com cabelos roxos e olhos pretos. Ele era novo demais para usar ternos todos os dias e ainda mais ser diretor de uma escola, mas como seu pai tinha falecido, ele tomou seu lugar.

— Nosso primeiro concorrente é o grupo de dança, As Garotas... — Hatsume começou a apresentar o primeiro grupo, mas Tomura ignorou e começou a olhar para o teto.

Quando as garotas entraram, eram cinco, todas usando roupas rosas e dançaram hip hop. Elas eram boas, e arrancaram grandes aplausos da plateia.

Na metade do segundo grupo, um garoto tocando flauta, uma mão tocou seu ombro, fazendo o pular e soltar um gritinho que fez várias pessoas o olharem e Izuku parecer preocupado.

Dabi estava ali, usando um casaco preto enorme, — até seus joelhos — com detalhes prateados nas mangas, uma blusa branca larga que mostrava grande parte de seu peitoral, um jeans escuro e botas pretas.

— Preciso que você venha comigo. — sua voz estava desesperada e sem pensar muito, Tomura se levantou.

— Tommy? — Izuku perguntou confuso. Ele se virou pra encontrar as orbes verdes brilhando com curiosidade e outra coisa que não reconheceu.

— Eu já volto, prometo. Só preciso resolver algo rapidinho.

Shouto falou algo no ouvido de Izuku que o fez desviar o olhar para Dabi. Seja lá o que ele disse, fez seu irmão sorrir e assentir.

Dabi puxou sua mão de leve e ele passou pelo meio do corredor e logo desceram para até o palco.

Lá dentro, milhares de pessoas estavam aglomeradas. Tomura não teve tempo de olhar direito, já que Dabi estava correndo e fazendo com que eles parecessem estar em um shoujo muito mal feito — não que ele lesse shoujos...

Uma lona preta estava pregada para dividir os grupos, Tomura supôs, e Dabi a puxou para o lado, revelando o resto dos The Villains.

Diferente do que pensou que eles estariam, todos pareciam desesperados.

Jirou, usando um vestido preto com uma meia arrastão cheia de flores e botas também pretas, estava encostada em uma garota alta com rabo de cavalo, chorando.

Toga estava maravilhosa. Ela usava uma saia preta que batiam bem no começo de suas coxas, uma blusa listrada preto e branca de manga cumprida estava por baixo da saia, um colete acinzentado descia até um pouco abaixo de sua cintura e suas botas pretas vinham até suas coxas.

Seu cabelo estava com os mesmos coques de sempre.

Do seu lado, Jin usava uma calça jeans preta, uma blusa também preta e um casaco listrado azul e preto, em seus pés, um tênis branco.

— O que está acontecendo? — Tomura perguntou confuso e um pouco tonto.

— E-Eu... estou com um problema nas cordas vocais. — Jirou explicou, colocando a mão na garganta. Sua voz estava totalmente rouca. A garota alta a abraçou carinhosamente pela cintura.

Tomura ficou quieto.

Eles só podiam ter o chamado ali por um motivo.

— Por favor, To-chan! — Toga falou com os punhos fechados, os balançando, como sempre.

— Não podemos o obrigar! — Jin falou e logo colocou a mão na cintura. — Não vou te perdoar caso diga não!

A cabeça de Tomura começou a rodar e ele olhou para Dabi que o encarava com expectativa.

— Como vou saber a música? Não tem como! Vou estragar tudo! — falou nervoso. Apesar de não estar calor, suor brotava em sua testa.

— Você conhece The 1975, não conhece? — Toga perguntou. Ela passou os braços pelos ombros dele e sussurrou. — It’s just you and I tonight, why don’t you figure my heart out?

Tomura se arrepiou. Ele conhecia aquela música, óbvio que conhecia, mas, não sabia se seria capaz de cantar.

Ele olhou novamente para Dabi e o olhar em seu rosto pareceu uma faca rasgando seu coração. Nunca tinha visto Dabi tão pra baixo. Era como se ele já tivesse desistido, e Tomura não podia deixar que o garoto que o perseguiu pela escola e depois se sentou perto, que não desistiu dele, desistisse de seu sonho.

— Ok, eu vou cantar.

Dabi levantou o olhar e seus olhos turquesas voltaram a brilhar. Tomura o encarou e percebeu como tinha tempo que não olhava para ele.

Seu rosto esquentou e ele desviou o olhar. Todas as vezes que se encaravam por muito tempo, ele acabava corando como um idiota. Óbvio que culpava os olhos bonito de Dabi, mas no fundo, algo gritava que não era só isso.

— To-chan, você é incrível! — Toga gritou e o abraçou. Ela cheirava perfume caro e doce.

— Mas ele não pode usar essa roupa — Jin começou, balançando a cintura. — Dabi é muito alto pra ele, e eu também. Toga é muito baixa, então, o que faremos?

— Eu posso emprestar algo pra ele. — Shouto apareceu do nada com uma mochila azul.

— Shou-chan! — Toga falou animada.

Shouto sorriu e jogou a mochila pra Tomura. Ele não fazia ideia de como ele poderia saber o que ia acontecer, mas não teve tempo de perguntar, já que Toga o empurrou para o banheiro.

Lá, ele descobriu que a roupa não era nada estranha. Uma calça jeans preta e uma blusa de manga cumprida também preta. Era algo que ele usaria e ficou feliz.

Para seu espanto, a roupa coube, não perfeitamente, ficou um pouco apertado em alguns lugares, mas ficou melhor do que ele imaginou que ficaria.

Continuou com seu Vans vermelho e saiu do banheiro, encontrando Toga lhe esperando. Ela o levou de volta e tirou um pente da bolsa, começando a ajeitar seu cabelo.

Tomura estava sentado em uma cadeira com os olhos fechados e a cara vermelha quando Hatsume começou a falar novamente.

— Em alguns minutos, depois da arrumação do palco, teremos The Villains! — deu pra ouvir o grito da plateia.

— Eles estão animados. — Tomura comentou.

— É nossa estreia.

— Não é não.

— Bom — Toga deu uma risada e levantou seu queixo, fazendo com que ficassem com os narizes quase se tocando. — É a sua estreia.

— Toga, para de seduzir o garoto. — Dabi falou.

Tomura desviou o olhar e percebeu que ele estava observando toda a cena em silêncio. Jin não estava por perto.

— Ei, qual vai ser seu nome artístico? — ele perguntou enquanto eles andavam para perto do palco. Jin estava ali, ajudando a montar a bateria.

— Eh?

— Nome artístico. Eu sou Dabi, Toga é Himeko, e Jin é Twice.

— Himeko?

— É uma mistura de hime, que significa princesa com Himiko, que é seu nome. — Dabi revirou os olhos. — Twice é porque ele muda de personalidade rápido, se já percebeu.

Tomura assentiu.

— Então?

— Eu não sei.

— Hmmm — Dabi se apoiou na perna esquerda e colocou a mão no queixo, pensativo. — Acho que kitten combina muito com você.

Tomura o encarou, chocado. Ele achava que depois de todo aquele tempo, Dabi desistiria de flertar, mas ele estava errado.

— K-Kitten?

— É. Você parece um gatinho raivoso. A gente encosta em você, e você se arriça inteiro, pronto pra morder... — ele riu baixinho. — É fofo.

— Vai se foder.

Dabi ia começar a falar algo quando sua face saiu de provocativa pra quase decepcionada.

— Mas sério, você precisa escolher.

— Decay. — falou sem pensar muito e Dabi assentiu e foi para perto de Hatsume que estava com uma prancheta.

Jin chegou do seu lado e colocou seu braço em seu ombro, fazendo força.

— E ai, pequenino, nós vamos todos começar virados, ok? Quando for o começo da letra, você vira e depois, nós viramos também, certinho?

Tomura assentiu, um pouco confuso.

Estava ansioso. Sua barriga girava e ele ainda suava, sentindo suas mãos pegajosas e nojentas.

— E agora, The Villains! — Hatsume gritou e eles entraram no palco.

Virado de costas e com os olhos fechados, Tomura respirou fundo.

Ele ouviu as cortinas sendo abertas e então, o começo da música.

Abrindo os olhos, viu que Toga fazia os barulhos do fundo. Uma luz azul escura e sensual estava os iluminando e ele se virou.

I’m rushing in a small town, I forgot to call you, running low on know how this beats made for two 'cause I remember that I like you no matter what I found, she said it’s nice to have your friends round, we're watching a television with no sound... — olhando para o teto, sem focar na plateia, deixou sua voz sair e se misturar com a guitarra, contrabaixo e bateria.

Sem que percebesse, deixou a euforia da música o levar e seu corpo começou a se mover. Continuou a cantar, passeando pelo palco, parecendo mais a vontade do que no seu quarto, jogando vídeo-game.

Cantar a música era muito diferente de ouvir, e Tomura achou estranhamente prazeroso quando a letra da música, em algumas partes, o lembrava Dabi.

Ele o olhou por um bom tempo e o encontrou sorrindo, com os olhos brilhando. Seu coração se acelerou e nessa hora, havia uma pausa da letra para só o musical até os dois últimos refrãos.

Tomura dançou desengonçado pelo palco e pode jurar que Dabi riu de leve.

Quando a música terminou, novamente, a plateia se levantou e aplaudiu.

Os olhos avermelhados estavam maravilhados, como na primeira vez que cantou e foi aplaudido assim.

Dabi o observava com um olhar carinhoso no rosto, e quando Tomura virou para ele, os dois garotos coraram, percebendo o quão encrencados estavam.

 



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...