1. Spirit Fanfics >
  2. Stripper (Malec Lemon) >
  3. Contando Toda a Verdade

História Stripper (Malec Lemon) - Capítulo 12


Escrita por: BaneStan_88

Capítulo 12 - Contando Toda a Verdade


Fanfic / Fanfiction Stripper (Malec Lemon) - Capítulo 12 - Contando Toda a Verdade

Ai, caralho.

 — Não estou usando essa parte do corpo... ainda. – respondeu Magnus, erguendo a cabeça do meio das suas pernas.

 — Não me faça rir agora. – retrucou Alec, fechando os olhos. – Vai acabar cortando o clima.

 — Duvido que você volte ao estado de repouso depois do que eu estou fazendo. – rebateu o outro, dando uma longa e molhada lambida sobre a pele delicada da sua glande.

 Magnus não mentiu quando disse que era muito bom em jogos de tabuleiro. Eles jogaram sete partidas e o vizinho ganhou quatro. Conforme o combinado, Alec se comprometeu a lhe ceder um pedido. Lembrando da expressão maliciosa que o outro assumiu quando fecharam o “acordo”, ele não se surpreendeu quando o vizinho pediu um boquete como prêmio.

 — Devo interpretar esse pedido como um lembrete de que eu não te faço sexo oral o suficiente? – ele questionou, irônico e provocador.

 — Muito pelo contrário. – respondeu Magnus, maliciosamente. – Esse é um sinal de que você é tão bom nisso a ponto de me deixar sempre querendo mais.

 Então Alec deu risadas e o arrastou para o quarto. Depois que havia pagado sua dívida, o outro fez questão de retribuir e agora ali estava ele, sentado na beirada da cama e gemendo, enquanto Magnus usava a boca para deixá-lo louco.

 À essa altura da relação deles, o vizinho conhecia muito bem o que Alec gostava e fazia exatamente o que sabia que o levaria à mais pura loucura.

 Magnus abocanhou somente a metade de sua ereção quente e pulsante, ao mesmo tempo deslizando agilmente as pontas dos dedos sobre a parte livre, os roçando na penugem macia que cobria sua virilha. Então o deslizou inteiro para fora da boca, sugando com força e dando uma chupada final na cabeça sensível.

 — Ai, caralho. – repetiu Alec, tombando a cabeça para trás.

 Mas dessa vez o outro estava ocupado demais trabalhando com a língua para se dar ao trabalho de fazer alguma piadinha de duplo sentido.

 Magnus beijava toda a extensão do seu membro, encostando os lábios quentes e úmidos por apenas um segundo em cada beijo, o provocando com selinhos suaves. Ele se remexeu na cama em agonia, erguendo os quadris.

 — Ah, vejo que você está no ponto. – disse o vizinho, ainda ajoelhado sobre o piso, entre as suas pernas afastadas.

 Então o outro se levantou, sentando-se ao seu lado e em seguida deu batidinhas nas próprias coxas. Ele entendeu imediatamente o gesto e sentou no colo dele, sentindo o parceiro entrando fundo dentro de si.

 Enquanto Alec plantava a sola dos pés bem firmes no chão, para poder tomar impulso enquanto subia e descia em cima do membro dele, Magnus deslizava as mãos e os lábios por toda a extensão da pele das suas costas.

 Passou as palmas pelos ossos salientes das omoplatas e desceu, as deslizando pela musculatura definida e bem trabalhada, que saltava conforme Alec arqueava o corpo e inclinava o pescoço para trás.

 O outro segurou seus ombros com firmeza e deslizou para baixo, sentindo a firmeza dos bíceps e o calor morno dos seus braços. Com as pernas já cobertas de suor, as coxas de Alec estavam deslizando sobre as do vizinho e ele não conseguia se equilibrar direito sobre o colo dele. Magnus percebeu e enlaçou sua cintura com os próprios braços, para ajudá-lo a se apoiar.

 Os dois gemiam, arquejavam e suavam ao mesmo tempo. Alec apertava a beirada do colchão com os dedos, fazendo tanta força que as juntas se embranqueceram. Magnus passou as mãos pelo seu peito, brincando com os mamilos entre o indicador e o polegar, e ele gemeu mais alto com a onda de prazer causada pelo gesto.

 — Alexander. – murmurou o outro. – Não estou aguentando mais.

 — Eu também não. – respondeu ele.

 E então Alec se deixou levar, sentindo o corpo inteiro queimando, vibrando e pulsando. Na escuridão por baixo de suas pálpebras cerradas, surgiu um ponto de luz branca e brilhante, que foi crescendo cada vez mais, conforme o orgasmo se aproximava.

 Embaixo dele, Magnus também tremia com os espasmos intensos que lhe atingiam. Apertou mais os braços envolta do seu tronco, e enterrou o rosto na curva do seu pescoço, gemendo. Alec podia sentir a respiração quente e ofegante dele sobre a pele do ombro, e os mamilos entumecidos roçando em suas costas, enquanto o vizinho puxava seu corpo para mais perto do próprio peito.

 Os dois atingiram o ápice com poucos segundos de diferença, tremendo, arquejando e ofegando. Depois despencaram sobre o colchão, exaustos e quase sem conseguir respirar, ainda um por cima do outro e com as pernas penduradas na beirada da cama.

 Se passaram vários minutos até que eles estivessem recuperados o suficiente para subirem direito sobre os lençóis, se ajeitando com as cabeças pousadas nos travesseiros. Alec ainda sentia a cabeça leve, como se estivesse flutuando, e fechou os olhos. Ficou calado, apenas se concentrando em respirar, por um bom tempo, até que Magnus rompeu o silêncio.

 — Posso saber o que você pediria se tivesse ganhado mais partidas do que eu? – perguntou.

 Ele hesitou, querendo ser absolutamente sincero, mas também sentindo medo de assustá-lo. Como era algo da sua natureza, a honestidade acabou ganhando.

 — Eu pediria você em namoro. – respondeu, direto.

 “Ótimo, Alec. Vocês vão ganhar o troféu ‘Pillow Talks Mais Estranhas e Inapropriadas do Universo’.”

 Alec olhou de canto de olho para o outro, temendo que o tivesse pressionado, e viu que Magnus lhe encarava seriamente.

 — Você está falando sério? Era isso mesmo que ia pedir?

 Ele respirou fundo, antes de desatar a falar.

 — Sim, era. Mas você não precisa se sentir pressionado por causa disso, foi uma ideia boba e sem cabimento. Eu prometi que seria paciente e que entenderia completamente sua situação e...

 Então Magnus o interrompeu:

 — Eu aceito. – disse.

 Alec sentiu o coração despencar até os pés.

 — O quê? – foi tudo que encontrou forças para dizer.

 — Eu aceito. – repetiu o outro. – O seu pedido de namoro. Quer dizer, se você realmente tem certeza de que quer isso...

 Dessa vez foi ele quem o interrompeu, rolando por cima do corpo dele e cobrindo o seu rosto de beijos.

 — É claro que eu quero! – afirmou. – Como você pode pensar o contrário?

 Magnus passou as pontas dos dedos pela bochecha dele, deslizando até o queixo com suavidade.

 — É que... Eu sou todo um pacote de sentimentos, Alec. E nem todos eles são bons. Têm muitas coisas ruins guardadas dentro de mim, coisas que podem ser bem degradáveis de se ver. Só quero que você tenha certeza absoluta que aceita tudo isso.

  Ele saiu de cima do outro, sentando ao lado dele na cama e puxando os lençóis até a cintura. Passou as mãos nos cabelos, preocupado em achar as palavras certas para fazê-lo entender o que pensava e como se sentia.

— Magnus, todos nós carregamos coisas boas e ruins no interior. Isso é normal. Que tipo de homem eu seria, se quisesse só a parte boa de alguém e me afastasse na primeira dificuldade que surgisse? Você age como se eu fosse perfeito, mas também tenho defeitos, dúvidas, medos. Não pense que está estragado porque tem traumas e mágoas. Isso só faz de você um ser humano. Além do mais, eu não queria mesmo namorar um robô. – brincou, cutucando o braço dele.

 Magnus sorriu e também levantou, pousando a cabeça sobre o seu ombro. Ficou quieto por um bom tempo, até que disse:

 — Obrigado.

 - Não precisa me agradecer por te aceitar. – respondeu Alec, com sinceridade. – Eu quero ficar com você por que é bom para mim. Eu gosto disso... De nós dois. Juntos. Na verdade, se você for pensar bem, é até uma atitude egoísta.

 Magnus suspirou, ainda com a cabeça apoiada na curva do pescoço dele. Quando falou, sua voz estava carregada de sinceridade:

 — Meu “obrigado” não é por me aceitar. Eu estou te agradecendo por existir, Alexander.

 — Também não precisa me agradecer por isso. Na verdade, os responsáveis por esse acontecimento foram os meus pais.

 O outro riu do comentário.

 — Adoro quando faz piadas. – contou. – Você é sempre tão certinho... Quando se permite ser mais descontraído perto de mim, me sinto lisonjeado. Como se eu te fizesse ficar mais à vontade.

 — E faz mesmo. – concordou Alec. – Pode ter certeza de que nenhum dos meus amigos, nem mesmo meus pais ou Izzy, me ouvem falando tantas bobagens quanto você.

 Magnus riu mais uma vez e eles ficaram calados por alguns instantes, até que ele tomou coragem para tocar no assunto.

 — É... Você prefere ficar sozinho essa noite ou...

 — Alexander. – atalhou Magnus. – Vamos combinar o seguinte: você não precisa mais ficar pisando em ovos quanto a dormir aqui. Pode ficar sempre que quiser. Se algum dia eu não estiver me sentindo à vontade para isso, te deixo saber. Ok?

 — Ok. – concordou Alec, aliviado e feliz ao mesmo tempo.

 — Então, vem cá. – pediu o outro, se acomodando deitado de lado sobre o colchão e puxando o seu corpo até que se encaixasse no dele.

 Alec beijou o ombro moreno e quente de Magnus, cheirando o pescoço e sentindo o cheiro de sândalo do vizinho, que ele não sabia se vinha do sabonete, do xampu ou do próprio perfume mesmo. Os dois ficaram assim, abraçados e relaxados, até acabarem pegando no sono.

                                                      *

 

 Magnus acordou sozinho na própria cama na manhã seguinte. O Sol brilhava fraco contra as cortinas, indicando que ainda era cedo.

 Ele levantou e foi até o banheiro. Quando saiu de lá, estranhou o silêncio absoluto no apartamento e seguiu para a cozinha, já ficando nervoso.

 O cômodo estava vazio, assim como a sala. Cada vez mais tenso, ele chegou até a área de serviço, que também estava vazia.

 “Ai, meu Deus.”

 Magnus começou a andar de um lado para o outro sobre o tapete da sala, tentando raciocinar de forma racional, mas seu cérebro tinha se entregado ao pânico de lembranças antigas. Quando deu por si, já estava abrindo a porta e saindo para o corredor, vestindo somente o short do pijama.

 Começou a bater no apartamento da frente, provavelmente mais alto do que deveria bater àquela hora da manhã, porém ninguém atendeu. Seu coração retumbava dentro do peito e ele já começava a ofegar quando ouviu passos subindo pelas escadas do prédio.

 Ao se virar, viu Alec aparecendo no último degrau, carregando uma sacola plástica com a beirada de um saco de papel pardo escapando por cima. Ao vê-lo, sorriu.

 — Você já acordou! Eu fui até a padaria. O que está fazendo aqui fora?

 Magnus foi invadido por um sentimento profundo de vergonha e se sentiu absolutamente ridículo. O outro olhou para ele, deixando o sorriso de lado ao perceber sua expressão.

 — Magnus, o que aconteceu? Você parece tão pálido! Está se sentindo mal? – disse, se aproximando. Tentou tocar seu rosto, mas ele se esquivou.

 — Estou bem. Agora preciso ficar sozinho. – respondeu, já entrando no próprio apartamento e tentando se trancar lá dentro.

 Porém o vizinho colocou o pé na frente da porta, impedindo que a fechasse.

 — Não. – disse Alec. – Me desculpe, mas não vou te deixar sozinho nesse estado. Você obviamente não está bem. Não precisa dizer nada, mas ao menos me deixe ficar com você.

 A voz dele soava tão sincera e genuinamente preocupada, que ele acabou cedendo e permitindo que entrasse. Os dois sentaram no sofá, lado a lado. O outro continuava lhe olhando com preocupação.

 — O que houve? – perguntou. – Alguém esteve aqui ou telefonou, te dando uma má notícia?

 — Não. – ele respondeu. Engoliu em seco, antes de admitir, bem baixinho: – Eu pensei que você tinha ido embora.

 Alec franziu o rosto inteiro, chocado.

 — Como assim? Embora para onde? E por que Diabos eu faria isso, ainda mais agora?

 Ele não respondeu, desconcertado e envergonhado pela maneira como se comportou.

 — Magnus. – continuou Alexander. – Eu disse ontem que quero você com as partes boas e as ruins. Por que não me conta o que aconteceu para te fazer se fechar desse jeito? Vou fazer tudo que for possível para ajudar.

 — Você não pode me ajudar. Ninguém pode. – ele disse, cada vez com mais dificuldade para conter as lágrimas.

 — Então apenas converse comigo. Às vezes é bom só desabafar com alguém.

 Talvez tenha sido a confiança que Alec passava, seu jeito doce, sua sinceridade. Ou talvez Magnus só estivesse muito cansado de precisar esconder as coisas. Mas, seja como for, de repente ele começou a contar:

 

 “ Quando eu fiz 20 anos, fui morar sozinho, mas ainda na mesma cidade que a minha mãe.

 Eu trabalhava como vendedor em uma loja, ganhava muitas comissões, tinha um imenso grupo de amigos, todos jovens e cheios de ânimo. Nossa vida era só diversão, vivíamos enfiados uns nas casas dos outros, saíamos juntos o tempo todo, muitas festas, bebidas. Só farra e curtição.

 Eu sempre fui bastante extrovertido, animado, desinibido. Não tinha namorado ou namorada, estava vivendo por minha conta, me sentindo livre... Então quis aproveitar. Saía com muitas pessoas diferentes, casos de uma noite, curtindo a vida de solteiro.

 Sempre fui cuidadoso, me prevenindo e tomando o cuidado de não levar qualquer um para casa. A maioria dessas pessoas eram conhecidas de amigos meus, não era nenhuma grande irresponsabilidade da minha parte. E eu deixava sempre bem claro minhas intenções, então tudo estava certo.

 Mas o tempo foi passando, eu fui ficando mais velho e aquilo começou a me cansar. Muitos dos meus conhecidos começaram a namorar e me peguei desejando ter alguém por perto, me comprometer de verdade. Só que eu tinha ganhado uma ‘fama’ e ninguém parecia considerar a possibilidade de ter alguma coisa séria comigo. Todo mundo que acordava na minha cama já ia tratando logo de se vestir e dar o fora. Nas festas, ninguém que quisesse algo além de sexo chegava perto, achando que era só isso que eu desejava de qualquer um.

 De repente eu conheci um cara. Nós tivemos uma conversa agradável e ele demonstrou a vontade de passar a noite comigo. Já bastante interessado nele, aceitei, mesmo tendo quase certeza que ele daria no pé na manhã seguinte.

 Mas isso não aconteceu.

 Ele acordou antes de mim e me preparou um café da manhã, que levou até a minha cama. Fiquei tocado com o gesto e pensei que talvez finalmente tivesse encontrado alguém que quisesse me conhecer melhor.

 Seu nome era Woolsey Scott, mas todos o chamavam apenas de Scott. Começamos a sair juntos com frequência e ele era sempre muito gentil, carinhoso. Parecia interessado em mim, na minha vida e fazia muitas perguntas. Eu respondia todas elas com a maior boa vontade e confiança.

 Quanto mais o tempo passava, mais apaixonado eu ficava. Scott vivia enfiado no meu apartamento, as pessoas começaram a brincar que nós praticamente já morávamos juntos. Eu não me importava em tê-lo sempre comigo, pelo contrário. Não interessava quanto tempo passássemos um com o outro, para mim nunca parecia suficiente.

 Cinco meses depois de termos nos conhecido eu recebi a notícia de que meu pai havia morrido há algum tempo. Como já contei, nunca fomos ligados, e o fato não me abalou. O que me deixou surpreso foi saber que ele tinha deixado uma parte da sua herança para mim.

 Meu pai tinha muito mais dinheiro do que eu e minha mãe jamais imaginamos e a quantia deixada em meu nome era razoavelmente grande. Daria para comprar uma boa casa, um carro simples e ainda guardar uma sobra para emergências.

 É claro que eu fui correndo contar tudo para Scott. Estava feliz, pensei que talvez pudéssemos escolher um lugar bem bonito para comprar e ir morar juntos. Eu não queria nenhuma colaboração dele, não pensei em pedir que dividíssemos os gastos, nada. Só queria a sua companhia e o seu amor.

 Scott pareceu muito feliz e animado também. Ficamos uma semana falando dos nossos planos, de como iriamos ter um jardim bonito, uma horta, cozinhar jantares para os amigos. Secretamente, eu pensava até em adotar uma criança dali há alguns anos. Tudo parecia perfeito, como sempre sonhei.

 Uma manhã, depois de dormirmos juntos, acordei sozinho no meu pequeno apartamento. A princípio não fiquei preocupado, achei que ele tinha ido para a própria casa, para cuidar das suas coisas. Afinal, quase não ficava mais lá.

 O dia passou sem que eu tivesse notícias de Scott e aí comecei a ficar receoso. Telefonei diversas vezes para o seu celular, mas a ligação sempre caía na caixa postal. Meu cérebro passou a inventar cenários trágicos, onde ele tinha sofrido algum acidente, sido sequestrado ou algo pior, e entrei em pânico com essas possibilidades.

 Fui até seu prédio no dia seguinte, um lugar que eu tinha visitado apenas duas vezes. O quarto que alugava estava trancado e a proprietária do imóvel disse que ele tinha ido embora na manhã anterior. Perguntei se sabia seu novo endereço, mas a mulher afirmou que não fazia ideia.

 Fiquei chocado, sem entender nada. Nós não tínhamos brigado recentemente. Aliás, durante todos aqueles meses não tivemos nenhuma discussão séria. Eu não sabia o que pensar. Fiquei atormentado, sem dormir nem comer direito, só pensando no que tinha acontecido.

 Só fui saber a verdade depois de três dias.

 Decidi passar no mercado depois do trabalho, para comprar algumas coisas. Chegando ao caixa, percebi que não tinha levado dinheiro na carteira e pedi para passarem as compras no meu cartão de débito, mas a atendente disse que não havia saldo suficiente.

 Aquela era a conta onde eu tinha guardado a herança do meu pai, então era impossível que não houvesse dinheiro para cobrir meia dúzia de itens no mercado. Abandonei as coisas lá e corri até um caixa automático, para tirar um extrato.

 E qual não foi a minha surpresa ao perceber que o saldo estava zerado.

 Imediatamente comecei a juntar as coisas e a entender os fatos. Além de mim, só havia uma outra pessoa que sabia a senha do cartão: Scott.

 Eu tinha lhe dado a senha do meu cartão de crédito, que ele usava regularmente, e também comentei que usava a mesma senha para todos os outros cartões.

 Quando a ficha caiu, analisei todo o nosso relacionamento e percebi claramente os sinais: ele não compartilhava fatos pessoais comigo. Jamais conheci seus amigos. Só fui à sua casa duas vezes, e isso porque insisti muito. Scott disse que tinha vergonha, que o lugar era muito apertado, mal conservado, e eu inocentemente acreditei.

 Toda vez que eu tentava marcar para apresentá-lo a minha mãe ou Catarina, ele inventava uma desculpa para não ir. E nunca pagava nada. Dizia sempre que estava sem dinheiro, mas escolhia restaurantes caros para a gente ir, pegava produtos importados no supermercado. Vivia se queixando que precisava de uma roupa, um tênis ou não sei mais o quê, e eu, sendo totalmente trouxa, ainda comprava tudo de presente para ele.

 Scott nunca me amou de verdade. Era tudo parte de um golpe. “

 

 — Eu fiquei muito envergonhado depois disso tudo. – continuou Magnus, já com lágrimas escorrendo pela bochecha. – Me senti muito burro e ingênuo. Só contei para a minha mãe e para a Catarina. Elas sabiam da herança e eu tinha que justificar o sumiço do dinheiro. Caí em depressão, não queria mais sair da cama, larguei meu emprego. Se não fosse por as duas, por todo o apoio e cuidados que me ofereceram, não sei se estaria vivo até hoje. Quando melhorei um pouco saí da minha cidade e vim morar aqui, no bairro que eu vivia antes de vir para esse prédio. Isso foi há três anos.

 Alec escutou tudo em silêncio, mas o rosto dele estava estampado com a solidariedade. Segurou a mão de Magnus e ele quase não conseguiu terminar, entre soluços.

 — Ninguém ficava. Ninguém. Só Scott que ficou. E nem era verdade.

 O outro se aproximou mais e o envolveu em seus braços, enquanto ele molhava a manga da sua camiseta com as próprias lágrimas.

 — Não tem nada de errado com você. – afirmou Alec. – Esse cara era um meu caráter, um manipulador. Não tem nada mais baixo do que trair a confiança que alguém depositou em você.

 — Mas eu acreditei nele. Estava tão carente que fui burro. – disse ele, com a voz abafada pelo tecido das roupas dele.

 — Você não estava carente, Magnus. Só queria amar e ser amado. Todo mundo quer isso. E não foi burro, apenas confiou na pessoa errada. – garantiu o outro.

 Ele ergueu o rosto do ombro dele, enxugando as lágrimas.

 — E agora? – perguntou, tenso.

 Alec segurou seu rosto entre as mãos. Depois disse:

 — E agora... Você tem aquilo que desejava na época. Alguém para ficar ao seu lado e cuidar de você. Eu vou cuidar de você.

 

 



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...