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História Stripper (Malec Lemon) - Capítulo 6


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Capítulo 6 - O Que Eu Escondo por Baixo de Todo o Meu Sarcasmo


Fanfic / Fanfiction Stripper (Malec Lemon) - Capítulo 6 - O Que Eu Escondo por Baixo de Todo o Meu Sarcasmo

 Magnus passou a semana inteira observando Alec à distância.

 Ele espiava o rapaz saindo para trabalhar de manhã cedo, através de uma pequena fresta aberta da porta. Depois ia para o próprio trabalho e ficava pensando nele o dia todo.

 À noite, quando voltava para casa, Alec já tinha voltado do banco, então Magnus ficava mais uma vez de tocaia, esperando que a porta do apartamento dele se abrisse a qualquer momento e pudesse vê-lo lá dentro.

 Depois do fiasco do último domingo, Alec não tinha mais lhe dirigido a palavra. O vizinho pareceu ficar muito ofendido com sua atitude e ele precisava admitir que tinha razões para isso. Alexander deve ter se sentido usado, como se fosse descartável e o único interesse que Magnus visse nele fosse o sexual.

 Ele queria ter ido atrás dele, tê-lo impedido de sair de lá antes que se explicasse, contasse tudo que sentia. Porém simplesmente não teve coragem. Ficou congelado, arrependido e amedrontado demais para tomar alguma atitude.

 Depois passou todos os dias ensaiando bater na porta dele, para pedir desculpas e uma chance de justificar o que fez. Só que mais uma vez ficou paralisado pelo medo.

 Se Alec soubesse o que Magnus escondia por baixo de todo aquele sarcasmo e aquela pose de homem descontraído... Talvez o compreendesse melhor, talvez ficasse assustado e se afastasse de vez. Mas ao menos ele teria tentado.

 Magnus sentia vontade de bater na própria cara cada vez que pensava no assunto. Estava indo tudo bem, por que ele tinha que estragar tudo? Por que não podia agir como um adulto normal, superar o passado e seguir em frente?

 Sua mãe costumava dizer que os traumas eram como pedras em seu caminho: você tropeçava, se erguia, cuidava dos machucados e seguia em frente. Não fazia diferença o tanto de tempo que levasse todo o processo, a única coisa que importava era não apanhar a pedra do chão e passar a carrega-la no bolso.

 Bem, o seu bolso estava bastante carregado de pedras naquele momento. E já tinha se tornado um pouco pesado demais levá-las consigo.

 Ele sabia que não era certo depositar o peso de suas experiências passadas em Alec, que o rapaz não tinha nada a ver com o que tinha lhe acontecido. Mas, mesmo assim, era tão difícil não se retrair, não ter medo de se machucar outra vez.

 “Argh, Magnus. Você merece o troféu de Ser-Mais-Confuso-e-Idiota-do-Universo”.

 Como será que Alec estava? Será que sentia sua falta ou sequer pensava nele? Será que ainda sofria com a solidão, depois que a irmã foi embora? Será que estava com ódio dele?

 De tão perdido em todas essas questões, uma tarde ele acabou dando o troco errado para um cliente e precisou cobrir o prejuízo do próprio bolso. Os funcionários da loja já estavam comentando o quanto o gerente andava distraído e irritadiço. Magnus sempre foi muito profissional e nunca deixou que seus problemas pessoais atrapalhassem seu desempenho, portanto estava bastante irritado com o fato.

 Nesse mesmo dia, ao voltar para casa no fim do expediente, encontrou um homem desconhecido batendo à porta do apartamento de Alec. Ele nunca o tinha visto antes por ali. Era alto, magro, tinha a pele bastante pálida e cabelos negros, como seu vizinho, mas tinha feições muito mais delicadas que as de Alexander.

 Ao vê-lo do outro lado do corredor, se virou em sua direção, sorridente.

 — Oi. Por acaso você conhece o rapaz que mora aqui? – perguntou.

 Uma pontada de ciúmes atingiu subitamente o peito de Magnus e ele se surpreendeu com a sensação. Tentou disfarçar o incômodo antes de respondê-lo.

 — Conheço o Alexander, sim.

 — Ah, que bom. – o outro abriu o zíper da bolsa carteira que carregava cruzada sobre o peito e tirou um envelope pardo lá de dentro. – Será que você poderia fazer o favor de entregar isso a ele? – pediu, o estendendo em sua direção.

 Outra pontada, dessa vez muito mais forte, fisgou seu peito de novo. Magnus piscou, atônito, mas assentiu.

 — Claro, posso entregar para o Alec, sim. – afirmou, apanhando o envelope.

 — Muito obrigado. – agradeceu o rapaz, ainda sorrindo. – Eu mesmo faria isso, mas tenho um compromisso e não posso ficar esperando até que ele chegue. Parece que não tem ninguém em casa. Diga que foi o James que lhe pediu esse favor.

— Ok. – respondeu ele, sentindo uma vontade urgente de se ver sozinho dentro do próprio apartamento e não precisar mais encarar o rosto sorridente dele.

 — Bem, agora eu tenho que ir. Obrigado mais uma vez... Qual o seu nome?

 — Magnus. Meu nome é Magnus.

 — Então, obrigado Magnus. – disse James, estendendo a mão, que ele educadamente apertou.

 O rapaz saiu descendo as escadas do prédio pulando de dois em dois degraus. Ele olhou para o envelope em suas mãos: parecia bastante cheio e na frente estava escrito: “Para Alec Lightwood”.

 Magnus abriu a fechadura com os dedos trêmulos, entrou em casa, bateu a porta atrás de si e atirou o envelope sobre a mesinha ao lado da entrada. Depois começou a circular pela sala, passando as mãos pelos cabelos em um gesto nervoso.

 “Será que Alexander já estava saindo com outra pessoa?”

 “Será que o vizinho fez tudo isso de propósito? Fingiu que não estava em casa só para esfregar na sua cara que tinha partido para outra?”

 “Será que Alec e James armaram tudo e agora estavam falando ao telefone, comemorando o sucesso do plano e rindo da cara dele?”

 Magnus não sabia ao certo o que pensar. Se sentia confuso, irritado, decepcionado. Agitado, não conseguia parar de andar de um lado para o outro, com os pensamentos girando em sua mente como abelhas no mel.

 Após alguns instantes ouviu passos no corredor. Correu para a porta e abriu apenas uma fresta para espiar, então viu Alec chegando em casa. O rapaz abriu a porta, entrou e voltou a fechá-la atrás de si.

 Magnus pegou o envelope de cima da mesa e saiu, depois atravessou o corredor e começou a esmurrar a porta do vizinho com força.

 

                                                     *

 

 Alec tinha acabado de chegar em casa quando ouviu batidas fortes ecoando da porta. Ele franziu a testa, sem entender o motivo de tamanha urgência.

 Quando atendeu, ficou surpreso ao dar de cara com Magnus, que parecia um tanto irritado.

 — Aqui está sua encomenda. Quer dizer que você já está saindo com outras pessoas? É isso?

 Ele se viu sem palavras, absolutamente confuso com a reação dele. Deu um passo à frente e segurou o envelope que o outro sacudiu em sua direção. Seu nome estava escrito na frente, em uma caligrafia conhecida.

 — Essa é a letra de James. Como você conseguiu isso?

 — O rapaz entregou em minhas mãos, há menos de uma hora. Estava batendo insistentemente em sua porta quando cheguei do trabalho, mas não havia ninguém em casa. Então pediu que eu te entregasse isso quando chegasse.

 Alec apenas assentiu, percebendo que dentro do envelope deviam estar os documentos de que precisava.

 — Mas você não me respondeu. – continuou Magnus. – Já está saindo com outras pessoas?

 O tom irritado dele fez com que Alec também sentisse a raiva crescendo dentro de si. Como o outro ousava agir assim com ele, quando havia praticamente o expulsado do próprio apartamento há menos de uma semana?

 — Do que Diabos você está falando? – perguntou.

 — De você e James. Vocês dois estão saindo juntos?

 Agora Alec estava tão ou mais irritado do que o vizinho. Ele estava praticamente gritando quando começou a falar.

 — O quê? Da onde você tirou uma ideia absurda dessas? James trabalha comigo no banco e precisava me entregar uma documentação importante antes de sair para a sua viagem de férias. Além do mais, não te devo satisfações! Nós não temos nenhum tipo de compromisso um com o outro!

 Magnus parecia estarrecido com a sua reação indignada e permaneceu em silêncio. Com a fúria crescendo dentro de si, Alec foi em frente.

 — Você quase me expulsou do seu apartamento há poucos dias e agora quer ter algum direito sobre mim? Eu faço o que quiser da minha vida! Foi você que disse para a gente recomeçar, partindo do zero depois da noite da despedida de solteiro. Foi você que me convidou para almoçar na sua casa na manhã seguinte, que aceitou me ajudar a comprar roupas e ir ao casamento da minha irmã.

 Ele fez uma pausa para respirar, atordoado e sem fôlego, depois continuou:

 — Foi você Magnus, que me trouxe bêbado para casa e passou a noite aqui comigo. Que me ajudou a curar minha ressaca e, mais uma vez, me chamou para almoçar na sua casa. Eu achei que a gente estava se conhecendo, como duas pessoas normais. Sem nenhum compromisso sério, mas voluntariamente. Achei que nós dois queríamos passar uma parte do nosso tempo juntos. Mas de repente você surtou com a possibilidade de dividir sua cama comigo, quando já tinha passado duas noites sobre o meu colchão. Como acha que eu me senti, hein? Usado, um joguete nas suas mãos. Foi assim que eu me senti. Eu não sei qual é o seu problema, mas seja lá o que for, você não tem nenhum direito sobre mim, nem sobre o que eu faço ou deixo de fazer da porra da minha vida!

 O outro permaneceu um tempo boquiaberto, parecendo em choque com tudo que ele tinha acabado de dizer. Alec sentia o coração batendo forte dentro do peito e a respiração acelerada. Não era do seu feitio se alterar daquele jeito, mas o vizinho realmente tinha lhe tirado do sério. Ele estava cansado de toda a situação dos dois.

 De repente Magnus pareceu se recuperar e a irritação tomou conta do rosto dele. Quando falou, a raiva transpareceu em sua voz.

 — Quer saber qual é o meu problema? O meu problema é você!

 — Eu??!? Você me trata como um brinquedinho sexual e eu sou o problema? – rebateu Alec, irado. – Vai me dizer o quê agora? Que eu fiquei provocando meu pobre vizinho e o coitadinho não conseguiu resistir?

 Ele sentiu uma fisgada no peito ao perceber uma sombra de mágoa passando pelos olhos de Magnus. Dessa vez ele falou em um tom mais calmo, parecendo um tanto abalado.

 — Não, seu idiota. O meu problema é você ter me despertado coisas que eu não queria sentir. Não sou o tipo de cara que prepara o almoço, que cuida da ressaca do outro, que até cozinha um caldo verde. Não sou o tipo de cara que quer dormir de conchinha, que aprecia o calor de outro corpo encostado no seu. Que quer ver filmes juntos ou só bater um papo jogado no sofá. Eu já fui esse tipo de cara, só uma vez na minha vida, e tudo terminou muito, muito mal. Então prometi para mim mesmo que nunca mais voltaria a ser assim, que nunca mais permitiria me colocar naquela situação de novo. Mas aí você apareceu, Alexander. Com esses malditos olhos azuis e esse cabelo preto, justo a minha combinação favorita, porra! Com essa mistura de timidez e luxúria na cama, e todo esse seu jeito fofo e aberto de ser e... Droga, você tornou tudo muito mais difícil!

 Alec não sabia o que dizer. Magnus se aproximou, ficando dois passos de distância á sua frente. Ele conseguiu ver que os olhos dele brilhavam com a umidade.

 — Pronto! Você não queria saber qual é o meu problema? Agora viu o que se esconde embaixo de todo o meu sarcasmo e minha pose debochada! Está feliz? Espero que nos considere quites depois dessa. Porque não importa o quanto tenha se sentido mal com o que eu fiz no domingo, garanto que nesse momento estou me sentindo tão mal quanto, ou até pior.

 Dito isso, o vizinho saiu de lá, batendo a porta com força atrás de si.

 Com as pernas bambas e o cérebro girando, Alec despencou sobre o sofá, ainda tentando processar o que tinha acabado de acontecer ali.

 

                                                      *

 

 Magnus entrou no próprio apartamento com os olhos ardendo e um nó na garganta. Sentia aquela peculiar sensação de estar exposto, de ter revelado mais do que gostaria de si mesmo.

 Ficou sentado no sofá, remoendo toda a discussão que acabara de ter com Alexander, até perder a noção do tempo. De repente ouviu batidas na porta e foi atender, já imaginando quem seria.

 O vizinho estava em pé do outro lado, parecendo tão constrangido quanto ele.

 —Posso entrar? – perguntou.

 Magnus apenas assentiu, dando um passo para o lado e permitindo que entrasse. Depois voltou a se sentar no sofá, de cabeça baixa e sem coragem de encará-lo.

 — Magnus. – começou Alec, sentando ao seu lado. – Deveria ter me dito que era difícil para você ter outra pessoa dormindo na sua casa por motivos pessoais. Eu teria respeitado sua vontade e tentado entender. Não sei o que fizeram com você no passado e se quiser me contar, vou escutar com toda a atenção. Mas se não se sentir à vontade para isso, também não vou te forçar. Só quero que saiba que eu não sou do tipo de cara que goste de manipular ou usar os outros. Nunca tive e continuo não tendo nenhuma intenção de fazer isso com você.  Com ninguém, aliás. Eu me senti usado quando você praticamente me mandou embora daqui. Sei que nós fizemos o caminho inverso, partindo direto para a parte física, mas eu já te contei que não costumo agir dessa maneira. Então é difícil me sentir como se eu só servisse para uma trepada sem compromisso.

 Ele permaneceu calado, somente escutando o outro. Não sabia direito o que dizer e também tinha medo de não conseguir mais conter as lágrimas se ousasse abrir a boca.

 Diante do silêncio dele, Alec levantou e seguiu até a porta.

 — Bem, era só isso que eu queria dizer. Já estou indo. – avisou, já se virando e pousando a mão na maçaneta.

 — Espere! – gritou Magnus.

 O vizinho se virou novamente para ele, que pulou do sofá e se aproximou. Depois envolveu o corpo do outro nos braços e o beijou com vontade.

 O beijo foi intenso, mas suave ao mesmo tempo. Magnus se permitiu simplesmente fechar os olhos e aproveitar. Ergueu uma das mãos e entrelaçou os dedos nos fios grossos e escuros da nuca dele. Pousou a outra no centro das costas de Alexander, o puxando para mais perto de si.

 Alec correspondeu, colocando o próprio peito no seu e colocando as mãos nas laterais do seu pescoço, acariciando a linha de sua mandíbula com os polegares. O gesto carinhoso enviou uma corrente elétrica que percorreu todas as terminações nervosas do seu corpo.

 Quando finalmente se separaram, estavam sem fôlego, com os lábios inchados e brilhantes como uma cereja. Por um segundo, o outro permaneceu apenas lhe encarando, como se temesse sua reação. Mas então Magnus abriu um sorriso luminoso e Alec sorriu de volta.

 — Desculpe pela minha atitude no último domingo. Eu realmente não devia ter agido daquela maneira. – disse ele.

 Alexander balançou a cabeça, com as mãos ainda pousadas em seu pescoço.

 — Tudo bem. Já entendi que você teve razões para fazer aquilo.

 Ele engoliu em seco antes de finalmente perguntar.

 — Você gostaria de dormir aqui em casa amanhã? A noite toda?

 Alec suspirou.

 — Magnus, não precisa se sentir obrigado a me convidar. Podemos deixar as coisas caminharem devagar, sem pressa.

 — Não estou me sentindo obrigado. – interrompeu ele. – Na verdade, acho que isso vai me ajudar a superar meus medos.

 O outro deu um sorriso de lado, meio torto, que fez seu rosto ficar ainda mais adorável e Magnus sentiu uma pontada do lado esquerdo do peito.

 — Se você pensa assim, tudo bem. Eu aceito o convite.

 Essa era a hora em que ele sentia um pavor absoluto tomar conta do seu coração e o sangue gelar. Essa a hora em que Magnus devia se arrepender amargamente de ter feito a proposta e revirar sua mente à procura de uma desculpa para cancelar tudo. Mas ele se surpreendeu ao, dessa vez, ficar realmente animado e ansioso com a ideia de passar a noite ao lado de Alexander.

 



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