História Strong Enough - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias The Walking Dead
Personagens Beth Greene, Daryl Dixon
Tags Beth, Bethyl, Daryl, Dixon, Greene, Twd, Whatif
Visualizações 119
Palavras 1.843
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Estupro, Linguagem Imprópria, Sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oláaar! Tô tão feliz com esse tanto todo de comentários e favoritos que não resisti...
Lá vai o primeiríssimo capítulo. Espero que gostem!
Boa leitura. <3

Capítulo 2 - Capítulo I


Fanfic / Fanfiction Strong Enough - Capítulo 2 - Capítulo I

As pernas de Beth estavam trêmulas como o inferno. Se pelo esgotamento físico ou pela ausência de qualquer tipo de proteína em seu corpo, era difícil saber. Qual foi a última vez que ela tinha se alimentado, ou mesmo dormido?

Suas mãos também tremiam muito. O espelho sujo em seu colo lançando um reflexo turvo pelo movimento constante. A tesoura não estava firme o suficiente em suas mãos pequenas e a garota tentava a todo custo esterilizá-la com álcool e gaze.

O errante preso debaixo da prateleira estava agitado, o que deixava Beth muito irritada e ainda mais impaciente. Bufando, enfiou a tesoura recém-limpa na parte exposta da cabeça do corpo pútrido. Suspirou derrotada, voltando a limpá-la.

Nunca tinha tirado pontos em sua vida. Não sozinha, pelo menos. Quando havia cortado seu pulso, no que parecia fazer décadas, seu pai cuidara de tudo. Como ela queria que ele estivesse ali... Mas não estava. Beth estava totalmente sozinha há dias, talvez semanas, não tinha como precisar exatamente.

Ela precisava fazer aquilo. Os ferimentos em sua testa e bochecha estavam completamente curados e a pele ao redor estava seca, coçando e repuxada.

Na sacola ao seu lado havia um spray antisséptico e dois ou três comprimidos de Tylenol. Ela borrifou um pouco do spray sobre as suturas e resolveu guardar os comprimidos para uma emergência.

Com a tesoura de ponta precariamente limpa, cortou o primeiro ponto da linha escura. Sua pele ardeu quando a linha saiu, uma pequena gota de sangue vivo correu por sua bochecha. Se tivesse um pouco mais de prática, talvez fosse mais fácil, mas Beth estava tão irritada com a dor persistente em sua cabeça que apenas arrancou os outros pontos com um pouco menos de cuidado e paciência.

Antes que pudesse trabalhar nas suturas de sua testa, um barulho de motor interrompeu seu raciocínio. Puxando seus materiais consigo a loira esgueirou-se para trás da prateleira, segurando firme sua única arma, a tesoura.

Observando o reflexo que surgia no vidro, Beth reconheceu a farda dos policiais do Grady Memorial em uma mulher morena e alta e no homem que a acompanhava.

"Merda!", ela xingou interiormente. Será que eles estavam procurando por ela?

— De vigia lá fora, Andrew. — A mulher instruiu e o outro retrucou:

— Por que não vai você, Amara? — A voz do homem não parecia indicar repreensão, apenas um comentário ao acaso antes de finalmente se afastar.

A policial começou a revirar as prateleiras, os olhos atentos em um pedaço de papel na mão, possivelmente uma lista de medicamentos ou até produtos de higiene. Quando a mulher abaixou-se ao lado de Beth, totalmente absorta no papel em sua mão, a loira viu a chance de que tanto precisava acender-se como uma lâmpada em sua mente.

— De pé, agora! — Beth murmurou para a morena que se sobressaltou quando sentiu o metal gelado e afiado em sua nuca exposta pelo cabelo preso.

— Por favor, não me machuque! — A mulher tremeu, levantando o mais devagar que podia, deixando a lista caída no chão.

— Me dê a arma e não faça nenhum movimento brusco.

A adrenalina corria feroz pelo sangue de Beth e tudo o que a garota fazia era seguir seus instintos. Algo em seu estômago lhe dizia que deveria estar apavorada, contudo, parecia que outra pessoa havia assumido o controle de seu corpo, deixando-a o mais controlada e fria que a situação permitia.

— Tudo bem. — Amara respondeu. — Tudo bem. — Ela repetiu em uma clara demonstração de nervosismo. Tirando a arma do coldre, a policial lhe estendeu a pistola, segurando-a pelo cano.

Beth sabia que os policiais do hospital, na grande maioria, não eram policiais antes de tudo. Vestir uma farda para controlar alguns poucos fracos e doentes não tinha lhes preparado para reagir aos vivos.

Engatilhando a arma recém-entregue, a Greene encostou-a na cabeça da mais alta, guardando a tesoura no bolso de sua calça.

— Chame seu amigo, mas se ele fizer algo idiota você morre, ok?

Beth não conseguiu se reconhecer naquele momento, mas sabia que precisava daquilo para sobreviver, para seguir em frente e continuar sua busca. Presa em Atlanta sem armas, sem carro e sem um mapa, nunca conseguiria chegar até sua família.

— Andrew! — A policial gritou. — Preciso que me ajude a carregar algumas coisas. — Ela mentiu.

O homem alto entrou prontamente, a arma abaixada, mas ainda em sua mão. Logo que seus olhos cruzaram com os de Beth sua expressão mudou para um misto de terror e descrença, como se tivesse acabado de ver um fantasma.

— Isso é impossível! Você está morta! — o policial exclamou incrédulo. — A Dawn, ela... — Ele continuou a gaguejar como se tentasse convencer a si mesmo do que estava vendo.

— Ela nunca mais vai me ter de volta naquele lugar, entendeu? — Beth esbravejou quando a policial que ela segurava tentou virar seu rosto para ela.

— Ela está morta. Era só ela. Não somos como ela — Amara dizia em um ritmo rápido e desesperado.

— Morta? — A loira testou repetir.

— Seu namorado, aquele cara com a besta nas costas... Quando ela atirou em você, ele revidou tão rápido... Ela caiu morta, menos de trinta segundos depois de você — Andrew respondeu.

A loira tentou encaixar as peças de alguma forma, mas depois que Dawn havia requisitado Noah, Beth se lembrava apenas do ódio cru que sentiu, de ter segurado a tesoura... Depois disso só havia a lembrança do porta-malas. Chacoalhou a cabeça para clarear as ideias, empurrando a arma com mais força contra a têmpora da morena.

— Eu não estou morta. Isso é mentira. Onde está minha família?

Os policiais trocaram um olhar espantado e então o homem começou a falar:

— Quando Dawn disse que queria Noah de volta, você reagiu. Bem você a atacou com a tesoura. Por reflexo, ela atirou em você... Bem na sua cabeça — ele dizia tudo pausadamente, como se ele mesmo estivesse tentando lidar com o que saía de sua boca.

Amara continuou quando Andrew encarou os olhos apavorados de Beth:

— O cara da besta não quis nem saber, ela abriu a boca para explicar e ele apenas atirou de volta. Tudo acabou ali, era tudo ela. Eles nos chamaram para sair dali, tentar viver lá fora, mas recusamos. Noah não.

"O cara da besta estava transtornado, andava de um lado pro outro e não parava de encarar o seu corpo caído no chão. Ele parecia fora de órbita. O doutor se ofereceu para dar uma olhada nele, mas Rick disse para deixá-lo em paz.

"Então ele se abaixou e te pegou no colo, saiu dali carregando seu corpo até o lado de fora e os outros o acompanharam e depois eu não sei o que aconteceu."

— Eles foram embora. — Andrew emendou.  — Todo mundo achava que você estava morta. Você levou um tiro na cabeça!

Muitas lacunas começavam a ser preenchidas na cabeça da garota. Era por isso que havia flores em suas mãos. Por isso que estava naquele lugar fechado e escuro. Provavelmente fora o melhor funeral que puderam lhe dar antes de seguir em frente.

— Se quiser voltar, o doutor pode dar uma olhada em você. Não me leve a mal, mas você não parece bem. — O policial sugeriu, tentando se aproximar.

— Cala a boca! — Beth esbravejou, seus olhos se enchendo de lágrimas. — Pra onde eles foram?

 — Nós não temos certeza. Eles iriam pra comunidade do Noah, talvez. Acho que ouvi isso em algum lugar. — Andrew deu um passo para trás enquanto falava.

— Me dê a arma agora. Joga ela pra mim! — Beth gritou. Quando ele hesitou, ela repetiu baixa e furiosamente: — Agora, ou eu mato ela.

Hesitante, o homem obedeceu.

— As chaves do carro também. — A Greene continuou.

— Mas como vamos voltar pra casa? — Amara gemeu frustrada.

— Vocês têm rádios, peçam ajuda. Não me importo. Agora entrem naquela sala e fechem a porta. — Ela comandou enquanto apontava para o banheiro nos fundos da farmácia, pisando sobre a arma que o homem lhe jogara.

Andrew passou devagar por elas, sem movimentos bruscos. Beth soltou a mulher e os manteve sob a mira. Os policias pareciam assustados com a forma que a loira os tratava, como se esperassem aquilo de qualquer pessoa, exceto dela.

— Eu sinto muito — ela murmurou ao prender a porta com uma cadeira. — Mas preciso encontrar minha família.

Sem olhar para trás, Beth juntou as chaves e a outra arma e então saiu da farmácia. Deu a partida no carro e acelerou, as lágrimas acumulando-se em seus olhos agora que a sensação de bater ou correr da adrenalina deixava seu corpo.

Quando julgou estar longe o suficiente de Atlanta, parou o carro e revirou o porta-luvas encontrando o mapa. Beth lembrava-se claramente das instruções de Noah sobre como chegar a sua comunidade. Abraçando o pedaço de papel com força, ela suspirou aliviada pela primeira vez em muito tempo.

...

Daryl estava cansado de todas aquelas flores amarelas e borboletas a sua frente. Beth gostava disso e tudo lembrava Beth.

Irritado, o arqueiro lançou sua flecha, o inseto alado caindo em silêncio há muitos metros dali. Antes de avançar para recolher a flecha, Daryl desistiu no meio do caminho. Em um acesso de fúria arrancou todas as malditas flores, sem se importar com os espinhos que rasgavam sua pele. Sentir dor era até bom.

— Quer falar? — Carol surgiu às suas costas lhe estendendo uma garrafa d'água meio cheia.

Daryl apenas grunhiu de volta, esmurrando a garrafa e derrubando-a no chão.

— Você não fala uma palavra há dias. — Ela insistiu. — Eu também sinto falta dela, Daryl. Ela não ia querer te ver assim.

— Não importa, merda! —Ele finalmente respondeu. — Ela está morta agora.

Dizer em voz alta sempre doía, precisava doer. Merecia que doesse como nunca havia merecido algo na vida.  Era culpa dele, ele devia protegê-la, porém deixou que a levassem. Devia protegê-la, mas ela morreu bem ali, há meio metro de distância dele.

— Daryl... — Carol tentou se aproximar e afagar seu ombro e Daryl a afastou bruscamente.

— Sai daqui. — Ele gemeu, os olhos ardendo, prevendo as lágrimas que estavam por vir. — Sai daqui, porra! — Ele repetiu mais alto e feroz, então Carol apenas virou as costas e se foi, o deixando sozinho.

Sozinho... Daryl sempre esteve e sempre se sentiu sozinho e deslocado, mas ela o notou. Forçou espaço para dentro de seu coração e fez com que ele sentisse algo e depois se foi.

Ele estava sozinho de novo, só que agora era pior, porque estava sozinho sem ela e agora era escuro e frio, e doía. Doía como o inferno.

-

 

Eu nunca disse que eu deitaria e esperaria para sempre, se eu morresse estaríamos juntos agora. 
Eu não posso simplesmente esquecê-la, mas ela poderia tentar. No fim do mundo ou na última coisa que vejo, você nunca voltará para casa. Nunca voltará para casa...
Eu poderia? Eu deveria? E todas as coisas que você nunca me disse? E todos os sorrisos que sempre, sempre, sempre...

Tenho a sensação que você nunca está, completamente sozinho e eu me lembro agora. Em plenos pulmões nos meus braços ela morreu.

The Ghost Of You - My Chemical Romance


Notas Finais


E aí? O que acharam dessa Beth mais corajosa? Sempre pensei que se ela sobrevivesse ao hospital, sairia de lá diferente.


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