1. Spirit Fanfics >
  2. Stronger >
  3. Sou descolado demais pra não me encostar aqui

História Stronger - Capítulo 25


Escrita por:


Capítulo 25 - Sou descolado demais pra não me encostar aqui


Já havia se passado uma semana desde toda aquela palhaçada com a Debrah. Castiel faltou a semana toda.

É engraçado como pessoas apaixonadas são tão dementes. Não fui a mesma a semana toda, sentia falta dele. Chegava a me sentir doente, até.

Eu adoraria vomitar, aliás, fico com muita vontade de faze-lo quando vejo o quão idiota eu sou. Quero muito que isso passe. As vezes fico me perguntando quando que eu vou me desencantar (o que já deveria ter acontecido). E pensar que, eu, nunca senti vontade de namorar ninguém em nem quis aproximidade humana movida por pura tensão física, sempre ficou na cara que eu só ficaria com alguém que eu me apaixonasse e nunca fui movida por esses impulsos físicos já que pra mim beleza não é tudo e que também sou muito insegura. O sexo masculino é (não acredito que deixou de ser) muito repulsivo pra mim.

Não que eu odeie os homens. Não é pra tanto. Nem estou ofendendo os homens nem nada. A questão é que, quando se cresce num lugar sendo rodeada por pessoas que te falam e te dão exemplos de como homens são ruins e que você não pode nunca se deixar ser manipulada por um deles, você fica com medo. Claro que seus pais precisam te alertar, mas isso é chega a ser exagerado quando te ensinam isso desde quando você tem cinco anos.

"Nunca se relacione com ninguém. Ninguém é confiável."

Obrigada, pai.

Parece que isso ficou marcado na minha mente. Acho que eu nunca vou confiar em ninguém nesse sentido, e me lembrar disso me dá vontade de chorar. Mesmo que eu goste do Castiel e se o Castiel gostasse de mim, eu sei que vou ser insegura o suficiente pra que qualquer tipo de chance de uma relação entre nós exista culmine.

E esses pensamentos, claro, não são nada depressívos.

E parece que a Debrah chegou em momento de abrir os meus olhos. Ele dormiu com ela. Sim, sim, bom pra ele, não posso julga-lo e nem vou. Mas isso é uma prova básica de que ela ainda tem (ou tinha) espaço na vida dele, ou que ele realmente não tem interesse em mim.

Mesmo se ele estivesse somente sendo movido pelo ato puro de instinto carnal isso não melhora as coisas.

- Terra chamando Natália.

Rosalya estalou os dedos na frente do meu rosto.

- Anh... oi?

- No mundo da batatinha frita, como sempre, hum?

- Nem me diga.

Ela se sentou mais próxima de mim na minha cama. Nós decidimos estudar juntas um pouco de física, embora eu me perca em pensamentos a cada trinta segundos.

Eu não estou nem um pouco feliz com as minhas notas, eu poderia ser capaz de bater em mim mesma se pensasse muito tempo sobre o quanto estou sendo desleixada com a escola. Mas me bater não vai me trazer notas melhores nem um pouco mais de entendimento das matérias, então decidi estudar.

Eu posso não ter nenhum transtorno de déficit de atenção, mas a ansiosidade não me ajuda. Sempre parece que tem uma peça faltando, algo que está fora do lugar. O que eu não sei, talvez seja alguma peça faltando na minha vida ou algo incabado. Isso me desconcentra e me distrai.

Seriamente desconfio que estou certa.

E também não estou muito contente com a minha equipe de dança. A professora ficou doente e pediu para uma de suas amigas formada no mesmo ramo a substituísse por algumas semanas. Aquela mulher é uma megera em formato de pessoa. Meu grupo não tem um ritmo nem estilo de dança específico, mas aquela mulher quer nos fazer engolir o que não nos desce pela garganta. Ela nos humilha e adora nos atingir, e parece que ela tem uma implicância comigo. Sei que todos meus colegas me adoram e me acham a melhor dentre eles (o que é muito relativo e confuso, já que eu disse que nós não temos um estilo fixo. Ter uma pessoa perfeita entre tantos diferentes é impossível), mas aquela mulher me odeia. Ela é tipo uma crítica bullying da quarta série, separa minha forma e minha técnica, separaria até minha pele dos meus ossos se pudesse.

O olhar de Rosalya me chamou a atenção. Nós ficamos no mínimo uns trinta segundos nos encarando, transmitindo mais com o olhar do que eu seria capaz de falar com a voz. Ela levantou-se e recolheu as coisas dela, colocando-as na mochila, depois jogou a mochila sobre o ombro e puxou meu pulso. Eu só segui ela, somente escapando de seu aperto carinhoso para trancar a casa. Não sabia pra onde iríamos, mas confiei nela pra guiar meus próximos passos.

Imaginei meu alter-ego rindo da minha cara na minha mente.

"Você só nasceu pra ter amigos, só confia em gente da sua família, não é?"

[...]

Eu basicamente fiquei até as onze da noite jogando video game com o Armin e cantando aberturas de animes enquanto Alexy e Rosalya faziam as unhas, eu fiquei um pouco desconfiada, mas não falei nada. Sei que pode parecer algo normal entre esse dois, no entanto, eu sempre sabia quando meus amigos estavam aprontando.

Estavamos comendo pizza em volta da mesa (por insistência minha, não queria sujar de gordura os controles de video game do Armin), Alexy e Rosalya se mantinham em um silêncio nada normal, eu sei que eles não estariam nem aí pra etiqueta que exige não falar de boca aberta, então minha desconfiança aumentou.

- Natália, eu queria perguntar uma coisa. - por incrível que pareça, Armin foi quem quebrou o silêncio. - O que aconteceu depois daquele lance com a Debrah? Você ficou muito retraída em vez de... saltitante, como eu achava que ia ficar.

Armin não foi envolvido no plano de ação contra Debrah, mas todos nós sabíamos que Alexy estava mantendo ele a par de tudo e que ele estava desejando sorte pra nós.

- As coisas não melhoraram muito depois que a Debrah foi embora. - Respondi.

- Você gosta do Castiel, não é?

Cerrei os olhos para Alexy, não estava repreendendo, só fazendo uma pergunta muda: Você não contou?

Alexy respondeu dando de ombros, como se dissese: "Não, mas eu achava que meu irmão teria a mesma perspicácia que eu."

- É.

- Mas gosta... gosta?

- Sim, eu gosto gosto.

Eu estou cercada por imbecis imbecis.

- Dê tempo para o cara. - Armin parecia estar entendendo tudo agora, eu estava começando a me irritar com o tom de pena que tinha na voz dele. - Ele precisa pensar, você sabe. Talvez você precise pensar um pouco também. Dê tempo ao tempo.

Armin tinha esses poucos momentos demasiadamente filosóficos no qual sempre respondemos vaiando e arremessando coisas em seu rosto. Desta vez foram guardanapos amassados e batatas fritas.

- Não é como se eu tivesse insistindo e alguma coisa, senhor "Mensageiro da Morte". - Citei o nickname dele no Counter Strike. - Você quer ser o meu psicólogo agora?

- Tudo bem, não está mais aqui quem falou.

Terminamos as nossas pizzas em um silêncio desconfortável.

- Então, mocinha... - começou Alexy.

Lá vem.

- Você vai, sem pestaneajar e nem falar um "A" sequer, entrar naquele banheiro e tomar um banho bem demorado, porque nós... - Alexy ressaltou o "nós", indicando que Armin não estava livre dessa. - vamos fazer aquela boate ficar tão agitada que vão fazer homenagens e sacrifícios em nosso nome e nós vamos ficar para sempre na memória de todos os adolescentes que passarem por lá.

- Nossos nomes vão ser lapidados em tábuas sagradas e para sempre seremos venerados. Seremos considerados deuses. - Rosalya completou, olhando para o nada de maneira como se estivesse enxergando o que dizia.

Esses dois idiotas estão pegando o hábito que eu e Viktor temos, será que devo me assustar? Porque preocupada eu já estou.

[...]

Eu, Rosalya, Alexy e o senhor Mensageiro da Morte estávamos na fila para entrar na boate, uma diferente desta vez. Graças ao incidente que ocorreu na que fomos no meu aniversário, fomos "convidados" a nunca mais dar as caras lá.

Eu tentava conter o tremelique na pernas e afastar essa ansiedade para lá. Eu finalmente me acostumei a usar shorts, mas sempre que ia sair de casa com um aparecia uma vozinha na minha cabeça dizendo que talvez não fosse uma boa idéia. Eu nem sei porque me sinto tão nervosa, já que é normal pessoas usarem shorts o tempo todo, ainda mais na frança em dias em que o clima está mais quente, as pessoas se esbaldavam. Eu devia ter algum probleminha.

E eu não queria entrar na boate, todos os meus instintos diziam para que eu desse meia volta e voltasse para casa, para os meus cobertores quentinhos e livros com cheiros de terra molhada (o que me agradava muito). Mas eu continuava ali, com um nervosismo demasiado grande, já que algo me dizia que algo ia acontecer. Não algo ruim, mas algo grande. Se não ruim, porque eu queria correr?

Na verdade, eu só estava ali por causa dos meus amigos. Porquê eles queriam.

A voz da minha mãe soou na minha cabeça: "Natália, sua idiota! Se todos os seus amigos entrassem em um antro minúsculo com cheiro de cigarro e bebida barata, você também entraria?"

Coloquei os pés porta adentro da boate.

O cheiro que atingiu as minhas narinas não foi bem o de cigarro e bebida barata, era mais como bebida estragada e vômito. Eu me perguntei como que as pessoas pagavam pra querer estar ali. Graças a deus que as pessoas que me arrastaram pra cá que tiveram o prazer de desperdiçar o dinheiro delas aqui, porque meudeusninguémmerece.

A primeira coisa que eu fiz foi arrastar os meus pés para o barzinho. Uma dica valiosa pra quando você está sendo obrigado a estar num lugar onde não queria era ficar bebada nesse lugar.

Ah. Eu nem fico mais bebada. O merda.

Não foi com surpresa que eu notei que já tinha me perdido dos meus amigos sendo que não tinha dado dez passos entre todas aquelas pessoas que lotavam o lugar. Sorte. Pelo menos posso ficar de carranca em paz.

Mas eu até que fiquei feliz ao notar que tocava uma música eletrônica bem legalzinha e era bacana imaginar uma coreografia nela. A bebida não era tão ruim e a bartender loira era divertida.

Depois de um tempo o trio parada dura decidiu se unir a nós (Minha mais nova melhor amiga Beatrice e eu). Eu estava cantando desafinadamente uma versão de Wannabe (só depois de alguns copos, num inglês ótimo pra quem queria aprender grego, tentando cantar como se fosse uma das Spice Girls, um pecado meu) e Beatrice tentava nos ensinar a dancinha. Fiquei feliz. Não sabia da dancinha.

- O Natália. - Armin me chamou, ele parecia pensativo.

Um bebado pensativo, que lindo.

- Fala meu querido Armin. - eu respondi jogando um braço no ombro dele, e com a outra mão apertando as bochechas brancas fazendo o mesmo ficar com boca de peixe. - Não me esconda nada!

E por incrível que pareça eu estava sóbria.

- Você tem ossos no seu corpo? - ele perguntou inocentemente, o que me causou uma careta confusão. - Quando você dança você parece ser tão mole, mexe todo corpo. Tem certeza que tem osso nesse corpo?

Me desvenciliei dele tratando o assunto com mais seriedade do que precisava.

- Se eu pareço não ter osso, eu não sei se isso é uma coisa boa.

- É muito incrível.

Mas eu não conseguia parar de imaginar como que pareceria eu dançando se não tivesse nenhum osso.

Depois de mais algumas boas risadas entre bebidas, fomos para a pista. Eu realmente me soltei sem vergonha alguma de dançar, embora tenha demorado pra tomar uma atitude. Não sou ignorante nem boba, recebi tantos olhares bons quanto ruins, felizmente mais bons do que ruins (e o que mais me irritou foram os olhares de alguns homens), mas depois de um tempo eu consegui desligar a parte do meu cérebro que se importava com o que as pessoas pensavam. Me soltei sem medo de parecer ridícula, e isso é um grande feito.

- Beatriiiiiice. - Me atirei de volta na cadeira ali do bar. Os patetas estavam totalmente bêbados atrás de mim. - A Rosalya está fazendo errado!

- Estou nada. Você que não sabe a dancinha. - E ela começou a dançar novamente a dancinha que Beatrice havia nos ensinado.

- Não, é assim. - Foi minha vez de fazer a dancinha, que sinceramente não tinha diferença nenhuma da de Rosalya.

- Eu posso tirar uma foto de vocês pra pôr no quadro? - A bartender realmente queria eternizar aquele momento.

Alexy falou quando eu pedi mais uma bebida: - Natália, amada. Certamente você não tem mais capacidade pra ficar bêbada, mas você ainda pode ficar presa em um coma alcoólico.

Copiei seu sorriso gentil e natural como se não estivéssemos discutindo sobre minha saúde: - Alexy, você não é o mesmo que diz pra mim sempre superar os meus limites?

Eu temia que a face escandalizada dele não fosse apenas de exagêro teatral.

Depois de um tempo eu apenas fiquei de preguiça ainda sentada nas cadeiras do bar enquanto meus amigos se divertiam na pista. Eu estava ali já devia fazer algumas horas, mas tudo parecia passar tão rápido pra mim. Comecei a conversar de novo depois de um tempo, e chegamos a um tópico bastante repassado na minha cabeça sempre que eu acabava sozinha, sem nada para me distrair dos meus pensamentos.

- Então, Beatrice. Eu só estou falando tudo isso porque tudo parece estar saindo muito... nos conformes, sabe? Eu sinto que alguma hora o destino vai me sabotar, ou eu vou me auto sabotar...

- Olha só quem eu achei aqui. - Uma voz conhecida falou perto de mim.

Me virei de volta para Beatrice, mantendo os olhos nela.

- Era exatamente isso que eu estava falando. - Nem fiz questão de responder a pessoa ao meu lado que eu sabia que me encarava. - É por essas e outras que eu odeio viver minha vida em uma fanfic de merda.

- O que? - Perguntou Beatrice, subitamente perdida.

Eu graciosamente fingi demência, já que a maior graça de quebrar a quarta parede é não ter que explicar como nem porquê você faz isso.

- Aí, garota. Eu falei com você.

Ihh. 'Garota', não 'garotinha'. Castiel está irritado.

Mandei o meu melhor olhar debochado para ele. Ele sabia da minha filosofia de vida: Ninguém deve nada à mim, ninguém é obrigado a nada, assim como eu não devo nada a ninguém e não sou obrigada a nada. Por isso eu adorava quando ele cobrava atenção de mim, porque mostrava que ele tinha uma lado nele que eu mesma tenho o meu sob controle.

Para simplificar melhor: Ele sabia que eu não era obrigada a responde-lo se eu não queria.

E ver que ele estava pensando exatamente nisso quando eu lancei aquele olhar para ele me fez questionar se eu tinha habilidades telepáticas.

- O que foi, gatinho? - Não pude deixar de pronunciar o substantivo diminutivo com certo deboche.

- Não me chame assim. - Ele se sentou ao meu lado nas cadeiras do balcão e se apoiou igual a mim.

- Assim como? Gatinho? Porque? Acho tão fofinho... - Beberiquei a bebida que havia no meu copo, o gosto quase havia se perdido por causa que fiquei tagarelando com Beatrice e não percebi que o gelo estava derretendo.

- Achei que você odiava esse apelido. - Ele disse, apenas.

- Eu nunca disse isso. Eu mal conversei com você desde quando Debrah havia chegado. - Isso era verdade, mas ele estava certo quando eu disse que odiava esse apelido

O silêncio reinou entre nós dois, não o silêncio cômodo e acolhedor que havia entre nós antes, quando eramos amigos ('eramos'?). Ambos sabiamos que precisavamos conversar, ainda mais ele, que previsava me pedir desculpas, porque eu realmente acho que mereço um pedido. Eu esperava ele tomar uma atitude.

Cade o bad boy na hora de admitir a culpa? Era tão fácil assim para ele fazer piadas obscenas mas era tão difícil assim admitir que errou?

Que maravilha de homem que eu me apaixonei.

Decidida a não ficar esperando por nada dele quando ele perdia a oportunidade perfeita para tentar se redimir, eu levantei a cadeira e girei os calcanhares para ir para a pista de dança, onde provavelmente encontraria Alexy e Rosalya. Mas uma mão no meu braço me impediu.

A puta que...

- Eu vou quebrar o seu pulso, Castiel. - Foi com satisfação que eu senti ele desfazer o aperto no meu braço com certa rapidez.

- Eu ainda acho que você vai fazer isso um dia. Mas acho que precisamos conversar antes.

Então a princesa tomou coragem?

- Ah, é mesmo? Quando que você chegou a essa conclusão? - Foi impossível segurar a irônia, não quando eu estava frustrada com ele por ele ser tão frouxo.

Nem raiva eu sentia mais. A única coisa que eu sentia era frustração. Ainda mais lembrando do beijo que ele me deu e do jeito que ele me agarrou, pra seguir sã durante todos esses dias eu tive que fingir demência de um jeito que nem eu sabia que era capaz de fazer.

O momento que Castiel me segurou foi, tipo, Uau. Mas não no sentido bom, pois ele escolheu o PIOR momento possível para fazer isso. Não correspondi mesmo e não me arrependo disso, eu não sou nenhuma boneca que ele pensa que ele tem para ele me agarrar desse jeito e me beijar como se eu tivesse disponível à todo momento pra isso. Eu posso ser uma idiota apaixonada sem auto-estima alguma, mas tenho meu orgulho e os meus princípios.

Talvez em outro momento eu estivesse com mais paciência para enfrentar Castiel. Mas agora não, não agora que eu tinha muito alcool circulando pelo meu corpo fazendo meu auto-controle ficar baixo. Eu poderia simplesmente sair chorando dali sentindo auto-piedade ou dar um soco nele e tentar desovar seu corpo em algum esgoto.

Eu senti raiva no princípio. Toda a situação com a Debrah era estressante e eu sentia nojo do ser humano horrível que ela é. Então eu fiquei cansada até de sentir raiva e me tranquei no meu mundo perfeito cheio de livros e músicas depois que toda aquela situação acabou. Então eu comecei a me sentir magoada e sobrecarregada, mas infelizmente eu não cheguei no ponto em que minha mágoa vira raiva e finalmente eu posso seguir com a minha vida.

Não.

- Eu me arrependo do jeito que eu te tratei quando a Debrah chegou aqui. Eu fui um babaca, como sempre, e vou continuar sendo. 

Oh! Ele finalmente fez.

Eu não estou satisfeita.

- Certamente você o faz. - Meu tom não teve muita diferença nessa frase, nem a alegria que eu achava que sentiria quando ele confessou isso.

Vamos, garotão. Está faltando mais alguma coisa, você sabe.

- Eu não vou me desculpar por ter te beijado. Pra se desculpar eu deveria estar arrependido, e eu não estou. - lá estava ele, com os braços cruzados e postura erguida. Como se ele tivesse alguma razão em alguma coisa.

Ah, eu não deveria estar esperando algo diferente disso, deveria?

- Imaginei que você diria algo assim. - leve decepção pintou o meu tom, e eu rapidamente me sacudi de volta.

Porque meu deus esse é o Castiel, ele não se importa com isso, ele não se importa comigo. Ele não é obrigado a se importar com o que eu sinto e muito menos com o que as palavras dele causam em mim, se for apenas a verdade. Eu não sou iludida suficiente pra achar que ele sabia que tinha passado dos limites fazendo algo que me deixou horrivelmente magoada.

Decidindo que eu não queria mais que ficassemos igual a dois bocós ali se encarando, eu dei um último olhar e me afastei. Ou tentei, já que Castiel agarrou meu pulso de novo.

A audácia desse filho da...

- Agora você só sabe fugir de mim? - me perguntou com aquela cara de imbecil dele.

Respiração tântrica para não rasgar a garganta das pessoas com os dentes, 1, 2, 3...

- Você se dá importância demais, Cassy. Você já não disse o que tinha para dizer? - sem paciência para esse drama, vou jogar indiretas nele como a adulta de dezoito anos que eu sou. - Se você quer agarrar do nada uma garota, eu garanto que a Ambre adoraria ser sua candidata.

O idiota bufou com raiva e me encarou por alguns segundos antes de falar.

- Você poderia me escutar por dois segundos antes de me responder? - um, dois. - Eu vim aqui pra tentar enfiar nessa sua cabeça teimosa que aquilo não foi o que você pensa.

Ele veio aqui só pra tentar? Isso quer dizer que alguém disse que eu estaria aqui? Ah, olha só, não importa.

- Já me convenceu, agora vai embora.

Vi que o Castiel se segurou pra não gritar comigo. Era bom ver que ele tinha aprendido que eu podia ser cretina no nível dele, e era lindo ve-lo tão irritado.

- Eu não tentei me aproveitar de você, quantas vezes eu preciso dizer? Você vai sempre ficar com isso na cabeça!?

- Olha, eu realmente acho que você me pegando a força e me forçando a sua vontade é um indicativo de que você queria se aproveitar de mim. - Falei. - Indica muitas coisas, mas não...

- Eu entendi, você não gosta de ser pega de surpresa. - Me interrompeu, seco.

Ah, se não fosse só disso que eu não gostasse. Devo indicar que foi um péssimo momento pra isso? Estávamos brigando! Discutindo sério. Ele não tinha direito de tentar me reivindicar como se eu fosse uma boneca à mercê de suas vontades, não mesmo.

- Pois é. E eu estou vendo você tentando me convencer do que não foi, mas não estou vendo nenhum pedido de desculpas.

Ele respirou profundamente e passou a mão pelo cabelo. Isso tudo, eu via, somente pra se acalmar.

- Eu já disse, eu não estou arrependido disso para me desculpar.

- Eu entendo. - O que eu não entendia era como eu esperava que esse idiota entendesse porque eu estava furiosa. Rí com rancor. - Obviamente, é esperar muito de você que você peça desculpas por invadir o espaço de uma pessoa e a tocasse de maneira que ela não quer.

- Eu não te beijei pra me aproveitar de você. - Falou em um tom lento e perigoso.

Que disco repetitivo. Pela insistência dele, é capaz até de eu me convencer que foi isso mesmo.

- Então o que foi aquilo? Um pico de fúria dos seus hormônios? - Me sentei de volta na cadeira do bar e brinquei com o copo da minha bebida.

Ele riu e chegou mais perto, se escorandoao lado de mim no balcão do bar em uma pose 'sou descolado demais pra não me encostar aqui'.

- Pensei que você fosse mais inteligente. - Cuidado, Castiel, muito cuidado. - Eu te beijei porque eu queria faz bastante tempo.

Meu coração teve a ousadia de quase sair pela minha boca. Senti meu estômago se revirar no que eu acho que seria as famosas 'borboletas' e eu aposto que meu sangue não escorreu pelas minhas bochechas porque, bom, eu tenho probleminhas. Eu me perguntei como ele conseguia ser sincero assim.

Ele riu do jeito atordoado que eu fiquei, mas o que ele queria? Eu não tinha resposta pra isso! Se ele queria brigar, eu brigaria, mas se ele quer admitir coisas assim com essa cara de pau, o que eu faço? Eu não estou acostumada com esse tipo de situação.

Desviando da minha súbita onda de vergonha e atordoamento (sem falar esperança que brilhou bem no fundo da minha mente), eu lembrei que estavamos discutindo sobre algo bem sério antes de haver esse tipo de desvio na conversa.

Eu não me sentia tão frustrada quanto antes, o Castiel me convenceu, tudo bem. Ele podia sentir vontade de beijar qualquer outra, assim como ele fez com a Debrah. Ele fez muito mais com a Debrah.

- Diga logo o que você quer, Castiel. - O tom baixo da minha voz fez parecer aquilo um murmúrio, mas era alto o suficiente para que ele ouvisse acima do som alto da balada.

- O que eu quero? - Em alguma outra linha do tempo eu riria dele, mas eu queria mais do que nunca colocar um ponto final nessa história.

- O que você quer? - Repeti. - Eu passei o dia todo estudando e forçando o meu cérebro, apenas tive uma folga antes de vir para cá e beber e dançar igual a uma condenada, estou cansada e não tenho mais energia pra brigar. - Mentira, ele que apertasse o botão errado nessa conversa pra ver o que acontecia. - Seja direito e diga exatamente o que você quer.

Ele me olhou com a cara de banana dele e quando foi responder Rosalya se materializou bem ali do meu lado.

- Cassy! Você veio! - Disse ela com um sorriso de mil sóis e vi muito claramente Castiel contendo a vontade de esganar alguém. - O que você estão fazendo parados aqui? Não ouviram essa música perfeita para dançar? Vamos, vamos!

De algum jeito ela tirou a gente dali e nos enviou para a pista, e de algum jeito eu consegui pedir uma garrafa de cerveja para Beatrice, que me respondeu em tempo récorde. Reconheci a música lenta ao mesmo tempo que vi a mão de Castiel pegando a minha

- Podemos dançar esaa música antes que voltemos a brigar? - Ele perguntou.

Não reconheci nada na sua frase, ou pelo menos nada maldoso, então assenti com hesitação e ele colocou as mãos na minha cintura, me puxando para perto ao mesmo tempo em que nossos peitos e quadris ainda não se tocavam. A única opção que tive foi passar os braços ao redor de seu pescoço, o que eu fiz com um pouco de cautela, e tomei a liberdade de me aproximar um pouco até estarmos os dois colados e se mexendo devagar, no ritmo da melodia lenta.

Demorei pra perceber que ele tinha pego a garrafa de cerveja da minha mão e só o fiz quando ele se desaproximou de mim o suficiente pra tomar um gole.

- Você é escroto mesmo. - Foi uma constatação minha.

- Sabe, essa é a nona que eu tomo. - Ele me ignorou.

- Você estava bebendo aqui antes?

- Não, em casa.

Sim, ele provavelmente veio para cá bêbado e está tendo essa conversa comigo bêbado, ele nem vai se lembrar disso no dia seguinte.

- Eu não sei como faz isso. - Ele mudou de assunto.

- Faz o que? - Perguntei. - Precisa que eu te ensine a dançar? - Brinquei, embora houvesse um sentimento precoce de abandono rastejando no meu peito.

- Não falo da dança. - Ele confessou. - To falando que não sei mais como se age com a garota que to afim. - Falou simplesmente. - Eu só queria uma desculpa para ficar perto.

Boquiaberta.

Eu entendi algo errado?

Óbvio que não! Ele tinha dito que me beijou por que queria beijar antes, mas... Por que que aquilo parecia diferente? Agora parece que, sei lá, que ele está falando que gosta de mim.

Ele gosta de mim? Tanto quanto eu gosto dele?

Fiquei gritando em confusão internamente enquanto uma parte de mim estava concentrada na maneira que o Castiel olhava pra mim, o jeito que os olhos dele se desviavam pra analisar meus olhos, nariz, bochechas, lábios.

Castiel sempre parecia querer fazer contato visual comigo quando podia, eu também não tinha medo de corresponder, exceto quando estava descontraída demais e com energia demais pra me fixar queita olhando pra somente um lugar durante toda uma conversa. Dessa vez parecia que ele queria analisar todo o meu rosto, como se não pudesse conseguir pegar tudo o que queria de mim.

Meu coração pulsante deu uma volta intera pelo país e voltou para o meu peito quando Castiel colocou a mão na minha bochecha e se aproximou. Meu estômago se contorceu com antecipação, ansiedade e nervosismo, tudo junto, enquanto uma parte de mim queria aquilo e a outra achava que aquilo era uma péssima idéia, que eu iria me machucar mais, que ele não iria lembrar de nada depois.

Nossas respirações se misturaram e outras preocupações encheram a minha mente. Meus lábios estavam secos e rachados, e se o meu hálito cheirasse mal-

Mal tive tempo pra adivinhar antes de boca de Castiel estar escovando minha. Eu não sabia como fazer isso. Macio e desajeitado. Sua boca se moveu ternamente contra a minha, e eu não sei detalhar o que eu senti que me fez derreter contra ele. Tentando imita-lo, dancei os dedos na nuca dele, seus lábios eram macios e macios, e seu gosto era menta apesar dele ter dito o tanto de cerveja que havia tomado. Nunca pensei em viver pra presenciar Castiel choramingar contra mim e me puxar ainda para dentro de seu abraço, mas certamente aconteceu.

Me afastei do beijo mesmo com uma parte de mim não querendo fazer isso de jeito nenhum. Embora fosse maravilhoso e eu achasse que nunca fosse sentir algo assim na minha vida, as coisas não estavam todas certas entre nós, e ele estava bêbado se eu estivesse certa sobre ele não ter uma resistência muito boa.

- Você quer ir pra minha casa conversar? - Ele disse antes que eu pudesse falar algo.

- Conversar, sei. - Bufei com humor, ofegante. - Castiel, eu não sou tão fácil, me leve para um encontro primeiro.

Apesar de tudo o que eu disse, puxei ele em direção à saída pra que saíssemos dali. Iríamos para a casa dele como ele queria, mas eu não o deixaria fazer nada que ele fosse se arrepender depois. Iria alimenta-lo e se ele estivesse sóbrio o suficiente poderíamos colocar as cartas na mesa.

Talvez tudo possa ficar bem.


Notas Finais


Não prometo atualizações rápidas, mas acho que provavelmente não vou demorar tanto quanto já fiz.


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...