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História Stuck With You - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Aviso:
A história é contada entre o passado e o futuro, o lugar mencionado na história é fictício, a menções ao estado de morte de alguns personagens, tal caso, será contado em uma história separada, tornando então, essa história parte de uma saga que estou escrevendo.
O capítulo não foi betado, então se tiver erros, perdão. Boa leitura :D

Capítulo 1 - Somos apenas eu e você


Fanfic / Fanfiction Stuck With You - Capítulo 1 - Somos apenas eu e você

 

Fazia-se exatos doze segundos que a jovem estava com os pulsos apoiados na escrivaninha e as mãos suspensas sobre o teclado, apenas esperando as palavras surgirem em sua mente e passá-las para as pontas dos tetos, batendo sobre as teclas do teclado, para enfim, preencher a tela do monitor que continuava branca — exceto pelas palavras; ‘‘capítulo um’’. 

Tamborilava os dedos sobre a madeira branca, suspirando a cada segundo que era adicionado ao topo da tela ‘‘A última edição foi há um minuto atrás’’, o que a incentivou a fechar o documento e desligar o computador e, em seguida um barulho de salto batendo contra o chão fora ouvido, fazendo-a levantar para receber sua visita. 

Caminhou até a sala, vendo a mais velha trajada em um vestido vermelho solto e um casaco branco, que chegava até seus joelhos, sendo posto sobre o sofá menor. Yeon Seo sorriu para a irmã caçula se apressando em abraçá-la. 

— Você vai, não é? — indagou, segurando a irmã pelos ombros, que revirou os olhos, focando sua visão na televisão. 

— Eu não tinha desligado? — sussurrou para si mesma, mas pela proximidade, Yeon Seo ouviu e a empurrou, se chateando.

— Soyoung! 

— Eu vou, menina! Mamãe me fez prometer que iria a festa do seu casamento. E quem é que faz uma festa um dia antes do casamento?! — contestou, sentando-se sobre o sofá, a mais velha logo puxou seu casaco, para que Soyoung não amassasse sentando em cima. 

— Acho bom mesmo.

— Não era pra você estar lá, já? 

— Sim, na verdade, estou indo agora. Tive que comprar umas coisas antes e, aproveitei pra passar aqui — Yeon Seo se dirigiu novamente a entrada da casa, enquanto vestia seu casaco, olhou para a irmã uma última vez. — Não demore pra sair, parece que vai chover bastante. Tem que pegar um desvio ainda, porque a estrada que vai pra lá tá em obra. 

Soyoung assentiu, acenando para a mais velha, como se aquilo expulsa-se a mesma mais rápido. Queria silêncio e sossego, todavia, conhecia a mãe que tinha. Senhora Kang era do tipo de mãe que assim que os filhos completarem dezoito anos, já estava planejando seu casamento e marcando encontros a cega, como ela costuma dizer; quando mais cedo, melhor. Sabia que sua mãe tentará empurrá-la para algum pretendente. 

(...)

Recalculando rota

Recalculando rota

Recalculando rota

— Saco! — rosnou, desligando o GPS do carro. — Era pra mim estar largada sobre o meu sofá, assistindo toda a saga do Crepúsculo que ia passar na tevê, mas não, cá estou eu, indo pra merda de uma festa que eu nem sei onde fica! 

Ao que o carro percorria a estrada esburacada e lamacenta, a chuva que caia se intensificava mais. Os limpadores não estavam dando conta de conter as milhares de gotinhas que caem contra o pára-brisa, dificultando a visão. 

O carro balançou pelos buracos mais fundos, de repente a traseira derrapou, elevando os batimentos cardíacos de Soyoung, que segurava firmemente o volante. Pensou que seria melhor encostar o carro e esperar a chuva diminuir, porém, as chamadas de sua mãe eram encaminhadas diretamente para a caixa postal, pelo sinal ruim que havia naquele trecho. 

— Não, não. Isso não — repetia para si, não acreditando no barulho que ouviu ao lado de fora do veículo. Tirou o sinto, pegando seu celular preso ao suporte acoplado ao pára-brisa e saiu do carro. 

O vento estava frio, a água da chuva doía ao cair em seus braços descobertos, caminhou para o lado direito do carro, iluminando o pneu da frente com a lanterna do celular. Era o que ela temia; o pneu estava furado, não tinha pneu de estepe e estava num lugar deserto sem sinal.

— Perfeito. 

Levou sua destra até a altura dos olhos e olhou ao redor, bateu o pé no chão irritada, fazendo respingos de lama sujar sua calça jeans e seu tênis branco. Balançou o pé esquerdo, a fim de tirar o excesso de lama, olhou para o par de tênis em seus pés, os vendo sujar ainda mais. Tentou abrir a porta do carro, que por sua vez, não abriu, pois o sistema do carro trancava as portas após dois minutos. Procurou pelo painel, com a testa encostada sobre o vidro da janela e as mãos como um escudo da chuva, para visualizar a chave que continha um chaveiro antigo de um coala dormindo, quentinho e protegida lá dentro. 

— Ah, qual é? Eu nem fiquei tanto tempo aqui fora… 

Suas roupas estavam ensopadas a esse ponto, o jeans em seu corpo pesava, o tênis começava a incomodar aos poucos. Estava há uma hora caminhando e a chuva não parecia ter fim, elevou o olhar para frente e, mesmo com os olhos meio fechados por causa da chuva, conseguiu identificar a árvore morta sinistra, isolada em uma parte que um dia foi um belo campo com lindas flores ao redor. A floresta igualmente sinistra a trouxe um arrepio pelo espinha, mais a frente, passando pela árvore seca, tinha um caminho para um antigo hotel — que segundos moradores da região, diziam que o hotel havia sido fechado após um casal e seus dois filhos serem brutalmente assassinados e, até hoje não encontraram o assassino —, a trilha era estreita, ainda mais agora, depois de anos, deve estar difícil o acesso por conta da floresta. 

Pousada Surak, cinco da tarde

28 de Maio, 2013

— So, onde vai? — Bong Sun perguntou, vendo a amiga se levantar. 

— Isso não é pra mim — a outra a encarou séria, não engolindo a desculpa, até porque, já haviam discutido sobre. — Vou ao banheiro, Sun. Ao banheiro.

— Não demore.

— Não prometo nada. 

Caminhou pela trilha D, que ficava ao leste de onde sua turma se encontrava, poderia dizer que errou o caminho, por ser sua primeira vez ali, caso alguém perguntasse. Se aproximou da beira da montanha, pondo suas mãos sobre o primeiro tronco (de três) em horizontal, que servia como barreira. Sorriu extasiada assistindo o sol se pôr. 

Em uma área afastada da pousada, um grupo de cinco garotos se aventuravam pela trilha — essa que não era mencionada no folheto com o mapa e informações do lugar — que levava há um antigo hotel. Um deles, o mais novo, ponderou se valia mesmo a pena estar ali apenas para se juntar ao grupo. O sol começava a sumir no horizonte e Namjoon  percebeu o quão assustador era, tanto a casa como o caminho para chegar até ali, à noite.

— Reza a lenda que um dia, a noite gritos de pavor foram ouvidos pelos hóspedes deste hotel, quando ele ainda funcionava. Mas ninguém foi ver o que era. Porque era virada de ano e todos estavam vendo a queima de fogos — contou Haejin, o mais velho do grupo.

— Os moradores dizem que ainda se ouve os gritos e, eles ficam mais altos quando você chega no corredor do quarto onde aconteceu. 

— O que aconteceu? — inquiriu Namjoon, curioso com a história.

— Naquela noite, um casal e seus dois filhos foram assassinados — continuou Jiwoon, fazendo drama ao revelar. Cobriu a boca com o punho fechado, escondendo o riso da expressão do mais novo. Namjoon  arregalou os olhos, assustado. — Encontraram o corpo das crianças na cama de casal, de mãos dadas e dos pais na banheira… Mais tinha um detalhe, a cabeço do homem foi decapitada e…

— Ah!

— Ah! 

Han Sung e Kyung Seok gritaram, apontando para trás de Namjoon. O menor sentiu um frio passar por todo o seu corpo e seus batimentos aumentaram, deu passos para frente ao mesmo tempo em que olhava para trás, esbarrando em Han Sung, que o empurrou e saiu correndo junto dos outros três. Os meninos, aproveitando a situação, fecharam a porta, puxando uma cadeira velha de um dos quartos, a pondo sob a maçaneta, impedindo que o outro dentro do quarto saísse. 

— Namjoon! 

Gritavam os meninos, fazendo cena, batiam na porta chamando pelo menino que chorava apavorado, revezando em olhar para trás e gritar para abrirem a porta. Jiwoon puxou seu celular do bolso e procurou pelo áudio que havia baixado. De repente, vozes adultas e infantil ecoaram pelo corredor extenso, Namjoon  e os outros se calaram, Namjoon  por um lado para ouvir os gritos de socorro e, por outro, o quarteto que ficaram impressionados com a qualidade do áudio. 

— Meu Deus, tem alguém vindo — teatralmente, Kyung Seok sussurrou próximo a porta. Haejin andou a passos pesados da escada até a porta do quarto, enquanto os meninos agora gritavam, transparecendo medo em suas vozes, as vezes deixando escapar uns risos. 

Namjoon  tapou a boca com suas mãos, fechando os olhos com força e mais lágrimas caíram de seus olhos, se sentia tão arrependido por querer ser amigo desses idiotas e por ter aceitado vir até o hotel abandonado com eles. 

— Namjoon, abre a porta. Merda! — pediu Han Sung, batendo freneticamente na porta. 

— Han Sung! — o mais novo não conseguiu discernir quem tinha gritado o nome do rapaz, deu um pulo de susto ao ouvir o baque contra a porta. 

— Não, por favor, não me mata! — pedia aos soluços, realmente Han Sung era um bom ator, Namjoon  balançou a cabeça para os lados, dando dois passos para trás. 

Logo um líquido vermelho escorreu para dentro do quarto, o garoto se sentia tonto pelo medo e o choro que não cessava. Tropeçou nos próprios pés e se rastejou para longe da porta, se escondendo embaixo da cama. 

— Deus, Buda, qualquer um, por favor me tira dessa — clamou baixinho, se sentindo fraco emocionalmente. — Todo asiático morre nos filmes, assim como os nerds e chorões… E eu sou tudo isso, senhor, eu não quero morrer. Eu ainda vou ficar muito gostoso e rico, não posso morrer assim…

Namjoon  estava mais calmo, ainda se ouvia passos no corredor, porém, tentava se manter calmo, racional, não tinha rota de fuga e depois de tatear os bolsos, também constatou que havia largado o celular dentro da mochila, a pedido de se professor. Após ter o xingado, o garoto apoiou sua cabeça em seus braços a frente de sua cabeça, permaneceu deitado de bruços, esperando algum movimento lá fora. 

Os meninos tiraram a cadeira da porta com todo o cuidado e deixaram o prédio aos risos.

— Como o Nam-otário deve tá em? — Jiwoon perguntou, sentindo dores na barriga, pela risada. 

— Quem se importa? Ele deve tá chorando lá — debochou, Han Sung, passando a destra pelo cabelo. 

Floresta Monte Surak, duas e meia da tarde

01 de Junho, 2020

Soyoung correu assim que avistou a casa, encarou seus braços pálidos pelo frio que continha uns arranhões leves feitos pelos galhos que tinha pelo caminho estreito que passou. Torceu um parte pequena de sua camisa e cruzou os braços, se abraçando, seu queixo tremia assim como seu corpo, que estava com os pelos eriçados. Se virou para a porta da casa, a empurrando com dificuldade, a madeira da porta estava inchada e pesada e, assim que adentrou o primeiro cômodo pôde sentir o cheiro de mofo e poeira molhada. Acompanhou com o olhar, um ratinho pequeno que correu da sala principal para a cozinha, remexeu seus pés sob o tênis ensopado aumentando, consequentemente, a poça que formava debaixo de si. 

Andou para frente, olhando em volta, começou a fazer um tuor pela casa, coisa que da última vez não conseguiu fazer; passou pela cozinha, a sala de estar, a biblioteca e, de longe, ela viu o quintal. O terreno era grande, achava um desperdício deixar o terreno desaparecer por entre os galhos secos e árvores da floresta. A casa era de dois andares, temeu subir as escadas, pois, depois de tantos anos sem nenhum cuidado, a madeira poderia estar podre e quebrar, o pior que poderia acontecer, era ela despencar e, quem sabe, ter um pedaço da madeira da escada fincada em si. 

Achou o lugar digno de um filme de terror adolescente, porque somente adolescente pensaria em entrar aqui por brincadeira.  Os degraus abaixo de seus pés rangia com o peso, ela prendeu a respiração e caminhou mais rápido, sempre tendo cuidado e andando pelos cantos dos degraus. Evitou tocar no corrimão mesmo quando o penúltimo degrau estava quebrado, com todo o cuidado ela pôs os pés no segundo andar, qualquer passo em falso, era um adeus. Caminhou até o corredor a direita, onde ficava o quarto treze — quarto onde a família Jang fora encontrada —, pensou em uma ideia para uma história aquele momento, foi inevitável não pensar em uma história no lugar em que se encontrava.

Imaginou uma detetive novata chegando em Seul, no distrito vinte, no Monte Surak, distante da cidade. Ao ouvir histórias sobre o famoso caso do Hotel Monte Surak, a detetive não conseguia parar de pensar sobre o caso, então resolve investigar, notou furos na investigação anterior, quis entrevistar os policias envolvidos e as testemunhas, mas ou estavam mortas ou sumiram do mapa. Ela decide vir até o hotel, vendo a situação precária que o mesmo se encontrava e…

— O que foi isso? — indagou para si mesma, ficando na defensiva, volta-se para trás encarando o extenso corredor a esquerda, um ratinho parou no meio desde, a olhando, Soyoung deu um passo para frente e então o rato correu, entrando no quarto três. 

Voltou ao seu percurso, adentrando o quarto e vendo ainda manchas de sangue junto ao mofo sobre a cama, o local permanecia uma cena de crime horrível, deixou o quarto sem dar mais um passo adentro, não queria pensar na dor que a família sentiu aquela noite de ano novo. 

— Eu tô ficando com fome — resmungou ela.

Entrou no quarto que o ratinho correu para dentro e observou desde o piso a cama no canto. A mancha vermelha ainda era visível, assim como suas pegadas e de seu ex. Sorriu ao pensar nele. 

Pousada Surak, dez e cinquenta e dois da noite

28 de Maio, 2013

— Era daqui que aqueles meninos estavam vindo? — perguntou-se, olhando a casa abandonada iluminada pela luz da lua, apenas. — Isso é sinistro. Aqueles idiotas estavam rindo tanto. 

Adentrou o prédio, a pouca luz que entrava pelas frestas da casa faziam com que o lugar ficasse ainda mais assustador, pensou em dar meia volta, mas sua curiosidade em andar pela casa era maior. Subiu a passos precisos os degraus até o segundo andar, olhou para trás sentindo ainda mais medo de algo a puxar para baixo, com isso em mente, Soyoung se apressou a andar pelo corredor esquerdo. Os papéis que cobriam a parede, em um azul escuro, estavam descascando mostrando a tintura amarelada original da parede havia poucos quadros ainda pendurados e, apenas dois quartos estavam com as portas abertas, pensou brevemente nos meninos, encarando o chão. 

Uma poça vermelha em frente a porta a assustou por breves segundos, parecia sangue de verdade. Caminhou até o quarto, sujando a sola de seu tênis ao pisar no líquido.

O garoto que antes dormia embaixo da cama, acordou ouvindo passos pelo corredor, seu coração instantaneamente se acelerou e lágrimas aos poucos embaçam sua visão. Namjoon  passou a costa das mãos pelo rosto, encarando a porta, uma sombra cobriu o chão, esticou o braço, sentiu um objeto gélido e grande, pensou em ser um membro do corpo da família que os legistas poderiam ter esquecido ali e logo o soltou, suspirando. Voltou a pegar no objeto e o puxou para uma parte luminosa; era um taco de basebol. Saiu debaixo da cama se pondo de pé ao lado da porta.

Assim que a menina passou pela porta, deu tempo só para dar cinco passos para dentro antes de ser atingida na cabeça e cair no chão empoeirado.

— Que po.. Inferno! Tá maluco, peste? — rugiu ela.

— Meu Deus! Me desculpa! Sério. Pensei que fosse o assassino. 

— O único assassino só pode ser você. Meu Deus, tá sangrando — disse chorosa, passando a mão pela nuca, vendo o vermelho sangue colorir seus dedos. — Vai me bater de novo? Vai me matar ou que?

Namjoon  seguiu o olhar dela até sua mão direita que ainda segurava o bastão e o soltou, por segundos, apenas o barulho do objeto batendo contra o chão fora ouvido, Soyoung se segurava para não chorar pela dor em sua cabeça.

— Me desculpa… 

— Desculpas não vai fazer minha cabeça parar de sangrar — Soyoung o encarou pela primeira vez, usava óculos que tinha um trincado na lente esquerda, tinha cabelo de cuia e seu rosto estava vermelho e inchado. — Você estava chorando antes de eu chegar? 

Ele ficou em silêncio e ela entendeu isso como um sim. Se levantou do chão meio tonta, voltando a olhá-lo.

— Porque achou que tivesse um assassino aqui? 

— O… O Han Sung foi morto por ele. Olha — apontou para a porta, onde o líquido vermelho estava.

— Sinto muito, mas isso aí é de mentirinha. Aqueles idiotas estavam tirando uma com a sua cara — admitiu ela, sentindo pena dele.

— Tirando com a minha cara? — inquiriu para si mesmo, desacreditado e confuso. 

— Olha, é melhor a gente voltar, os professores vão se dar conta logo logo que sumimos e eu preciso cuidar desse machucado — ouviu o garoto balbuciar novamente um pedido de desculpas e sorriu. — Eu te desculpo. Nem sei porque sentiu tanto medo, você tem muita força no braço, seria um excelente jogador de beisebol. 

— Sério? — perguntou sorrindo, finalmente estava mais tranquilo. 

— Sim. Só fique longe de mim quando estiver segurando um taco. 

Deixaram a casa e era quase meia noite quando voltaram para a pousada. Os dois ficaram de castigo junto aos quatro meninos que pregaram uma peça em Namjoon . 

Floresta Monte Surak, três e vinte da tarde

01 de Junho, 2020

— Quem é você? — Soyoung se virou ao ouvir o timbre rouco masculino, levou a mão ao peito, seu coração havia acelerado. Era normal os batimentos cardíacos aumentarem por pequenas situações que aconteciam no predio abandonado. 

— Caramba! — olhou o taco na mão do rapaz e se afastou. — Porque toda vez que eu entro aqui tem um taco de beisebol também? Eu em… — perguntou a si mesma, baixinho. 

— Eu não vou te machucar. Pensei que fosse outra pessoa — baixou o taco, coçando a nuca. Sorriu ladino, lembrando-se do passado.

— Deixa eu ver. Pensava que fosse um assassino? 

— Como…? — indagou ele, surpreso.

— Palpite — esfregou as mãos uma na outra, passando-as pelos braços depois. — Você é dono daqui? É que está chovendo e não está molhado — perguntou, tombando a cabeça levemente para o lado. — Pensando bem, não faz muito sentido, mas você me entendeu. 

— Sim. Quer dizer, entendi sua pergunta. Não sou dono, apenas estava passando aqui perto e vim dar uma olhada.

— Certo. Bem, já veio aqui antes? Dizem que esse lugar é assombrado — Namjoon  riu, lembrando-se do seu tempo de escola, os meninos passaram a chamá-lo de assombrado depois do passeio escolar. — O que foi? Não acredita nessas coisas? 

— Acredito, acredito sim. E já vim aqui quando era mais novo. 

— Certo — Namjoon  mordeu o lábio inferior, sua ex namorada tinha o mesmo habito de dizer ‘‘certo’’ quando entendia algo e ainda estava curiosa sobre. — Entendi.

— E você?

— Ah, eu? Bem, eu já vim aqui e, graças a isso, recebi três pontos na nuca — ela riu lembrando do drama que foi deixar o médico dar os pontos. 

Namjoon  entortou a boca, era coencidencia demais, mais ele reconheceria sua ex. Balançou a cabeça, espantando os pensamentos. 

— Porque veio até aqui nessa chuva? — perguntou Namjoon, retirando seu casaco preto. — Toma.

— Obrigada — vestiu o casaco, sentindo-se aquecida. Estranhou o cheiro impregnado na roupa, era a mesma colônia que seu ex costumava usar. — O pneu do meu carro furou e eu esqueci a chave dentro e, as portas do carro travou. Aí vim pra cá. 

— O carro estava ligado? 

— Sim… Aí caramba, a bateria. 

— Sim. Eu iria te emprestar meu estepe. Mas a essa altura, a bateria do carro já deve ter acabado — concluiu ele, a observando com interesse e curiosidade. — Aliás, você estava indo pra pousada? 

— Sim. Você também? — recebeu apenas um acenar de cabeça como resposta. 

— Qual o seu nome? É que você me lembra alguém. 

— Kang Soyoung, prazer — ele então sorriu de orelha a orelha, feliz e impressionado. — O seu?

— Kim Namjoon, prazer — respondeu, simplista. 

Soyoung sorriu de volta, vendo o quanto ele havia mudado.

— Eu não te reconheci — disseram ambos. — Fala você primeiro.

— Você mudou bastante — Soyoung admitiu, vendo o porte físico do homem à sua frente, corpo de atleta, seu rosto estava mais marcado e agora ele provavelmente usava lentes de contato. Esses três anos o fizeram bem. 

Se perguntou se isso teria acontecido mesmo se tivessem continuado juntos.

— Você também — concordou ele, a olhando de cima a baixo. — Mais ainda continua com as mesmas manias — comentou, lembrando-se de quando Soyoung passava horas escrevendo histórias e no final, sempre dizia que sua escrita era ruim. — Ainda escreve? 

— Eu tento — respondeu, se aconchegando mais dentro do casaco. 

Se passaram apenas três anos desde que eles terminaram e, era como se estivessem se encontrando depois de uns dez anos ou mais. Seus físicos, seua rostos, cabelos, estilo, tudo havia mudado. Apenas suas manias se mantiveram intactas durante o tempo que se passou.

Não é preciso passar um tempo x longe de alguém para ver que ela mudou. Não sabemos o que pode acontecer mesmo se permanecermos um ao lado do outro. Não tem como parar o tempo, não tem como impedir o destino. 

O que é para acontecer, uma hora ou outra, vai acontecer. Não importa o quanto lutamos para impedir. Qualquer esforço será em vão. Pois, nada que acontece é por acaso.

Sentados um ao lado do outro, Namjoon  e Soyoung deixavam apenas o barulho da chuva, que cessava aos poucos, se fazer presentes pela sala principal, nenhum se atreveu a falar após descerem do segundo andar. 

— Eu sei que esse assunto é delicado, mas porque terminou comigo? A gente tava bem, não é? — Namjoon  indagou, tirando o peso que estava sobre os dois.

— Estávamos bem… Mas, eu não sei o porque, Namjoon, apenas aconteceu. 

— Nada acontece por acaso, Soyoung. Olha onde estamos — ela o encarou, as orbes castanhas de Namjoon que a encaravam com atenção e carinho, sentia falta de tê-lo por perto. — Poderia ser um elevador quebrado, poderia ser uma rodovia com tráfego, poderia ser numa prisão, poderia ser qualquer pessoa — citou a olhando fixamente, não queria nem poderia parar de olhá-la. — Existem mais de nove mil setecentos e setenta e seis milhões de pessoas em Seul e, inúmeras possibilidades delas ficarem presas em algum lugar. Mas aqui estamos nós, em uma casa abandonada que coincidentemente, foi onde eu te conheci.

Eles estavam presos, mas não sabiam que eram um no outro. Namjoon estava preso no olhar de Soyoung, e ela, estava presa no amor dele. Amor, ódio e desejo, era o que os prendiam e os mantinham juntos, mesmo quando estavam longe. 

— Namjoon … 

— Eu não te esqueci. Eu te amo demais e nem mesmo três ou dez anos são capazes de me fazer esquecer você. Eu sei que estou bem meloso agora, mais entenda, que assim como eu sei que você sofreu nesse tempo, eu também sofri. Ainda mais por não saber realmente porque nos separamos. Se fosse por mim, já estaríamos casados, com dois, não, quatro filhos ou mais, morando em uma casa na praia. 

— Eu não vou te dar filhos até montar um time, Namjoon  — eles riram, sentados de frente um para o outro. Soyoung segurou as mãos dele, o fitando. — Foram tantas mentiras Namjoon, eu estava cheia delas, pois, eu me sentia uma idiota. Você mentiu pra mim com facilidade, embora eu soubesse. Não falava nada, porque eu não me importava. Mas quando você queria largar uma grande oportunidade por minha causa e ainda mentir dizendo que eles iriam escolher outro, foi meu limite. Desde o início eu deixei claro que não iria interferir em nada na sua vida.

— Só por isso? 

— Só por isso? — riu, desacreditada. Se levantou, o olhando fazer o mesmo, ficando evitante mais uma vez, a diferença de altura entre eles. — Minha mãe não queria que eu namorasse você, porque ela tinha outro pretendente, e sua mãe não gostava de mim por eu não ser mulher o suficiente. Acha mesmo que ela ficaria de boa se ouvisse falar que seu futuro havia ido pro ralo por minha causa? Namjoon, ela me mataria. E eu não iria ficar calada como foi na primeira vez. Eu gosto de sossego, e ficar com você no meio daquelas mentiras estava me tirando isso. Pois eu tinha que mentir também, afinal, era a única "verdade" que eu sabia. 

— Também não é assim. Eu sempre fui verdadeiro com você. Só mentia em relação a faculdade e às vezes sobre minha família, como os almoços. 

— Sua vida inteira, Namjoon. Só era verdadeiro comigo quando estávamos em casa. Era como se só naquele momento você estivesse presente e nos outros momentos você era o Namjoon  que eu conheci na faculdade e não queria aproximação. 

— É sério isso? — Soyoung concordou com a cabeça. Namjoon  se aproximou dela, com lágrimas nos olhos. — Me desculpa. Me desculpa por fazer você passar por tudo isso. Eu fui o motivo, no final de tudo, o Namjoon da faculdade. Me desculpa mesmo, Soyoung. Eu sei que isso não vai consertar cem por cento as coisas, mas eu sinto muito. Sinto por ter arruinando nosso futuro juntos e por ter perdido sua confiança.

— Eu te desculpo, Namjoon. Eu te amo, mas vai achando que eu vou passar pano pra você. Tudo tem limite. 

Namjoon se aproximou mais, segurando o rosto feminino com suas mãos frias, selando os lábios dela os seus, em um beijo calmo e carinhoso. 

— Eu te amo mais — declarou, sorrindo para ela, que limpava o rosto pelas lágrimas com a manga do casaco. — Aceita se casar comigo? 

— Tá maluco? — Namjoon  arregalou os olhos, não entendo. 

— O que? Porquê? 

— Eu não vou me casar com você, Namjoon — o rapaz quis chorar novamente, ficando ainda mais confuso. Eles se amavam, certo? — Não agora. 

— Não faz mais isso, merda. Eu quase que faço uma atrocidade. 

— Tipo? 

— Fazer macumba com sua calcinha que deixou lá em casa, pra fazer você me amar. 

— Assombrado, ainda continua um chorão. 

Namjoon  a puxou para si, selando seus lábios aos dela, matando a saudade e o desejo. Os sentimentos de amar, de odiar, de desejar, os rondavam. Soyoung puxou os fios compridos do cabelo do maior, a deixando extasiada por ver que ele deixou o cabelo crescer, não importava como ele estava, ficava lindo de qualquer forma. Ele a pegou no colo, a encostando na parede, que estalou com o baque, os fazendo rir. 

Desceu os beijos pelo pescoço dela, sentindo seu corpo reagir ao sons que ela emitia. Soyoung apertava suas unhas nos ombros largos sob a camiseta do outro, Namjoon  soltou um gemido abafado ao toque sutil em seu pescoço, descendo pelas costas, ambos se conheciam a níveis altos de amor, eles se encaixavam perfeitamente um no outro. Se sentiam, se amavam, se desejavam naquele momento. O maior a pôs no chão, levando suas mãos a fivela do cinto. 

— Tá mais é besta que eu vou fazer isso aqui, pelo amor — Soyoung contestou prontamente, arrumando o sutiã que estava torto em seu peito — Gente morreu aqui e além disso, estamos numa casa abandonada. 

— Poderia ter recusado antes de eu te pegar no colo, né? 

— Não, não. Você não fazia isso antes. Tinha que aproveitar o momento — sorriu atrevida, se divertindo com ele. — Vamos, a chuva parou.

— Não pode brincar comigo assim, ok? Eu sou mais novo que você, você devia cuidar de mim — protestou ele.

— Sou só cinco meses mais velha que você, para de drama. E minha irmã e minha mãe vão me matar se eu não chegar logo na festa. 

— Festa? Sua família conheci o Jiwoon? Ele vai casar amanhã e me convidou.

— Tá zuando. Que o Jiwoon que minha irmã tá noiva e o mesmo Jiwoon que fez aquela brincadeira idiota com você? — Namjoon  apenas riu, a abraçando de lado pelos ombros. 

— Eu já perdoei ele. Eu amadureci muito — a menina o olhou com deboche, não acreditando. — O que? É sério. 

— Frutas amadurecem, meu amor. Você apenas cresci na altura. Apenas isso — ele a olhou fingindo raiva, mas sorriu e segurou a mão dela. 

Caminharam para fora do prédio e, como da última vez, Namjoon e Soyoung ficaram juntos, se amando e odiando, embora as idas e vindas, eles continuaram juntos. Namjoon  se tornou o melhor rebatedor de beisebol da Coreia do Sul e comprou a casa que tanto queria na praia. Soyoung se formou em direito e lançou um livro baseado na história do hotel, os dois se casaram e tiveram três filhos. 

Ah, e sobre o assassino do Hotel Monte Surak, ele continua a solta, levando mais de vinte e seis casos não solucionados, todos com sua marca registrada. Ruivas, morenas, loiras, não importa o perfil. Seus segredos não estão seguros como acha. 


Notas Finais


Capa e banner feito por @wheeinsplanet

Espero que tenham gostado, gastei umas 12 horas ou mais diretas escrevendo ela. Originalmente, o Jungkook era o principal mas decide por o Namjoon, por não ter escrito uma história somente com ele.

Sobre a saga, não irei postar as histórias em ordem cronológica e, serão três ''livros''.
Um contando um pouco sobre o casal Soyoung e Namjoon, pois, eles tem um papel fundamental no caso (este aqui);
Outro contando sobre a investigação (o enredo foi escrito no capítulo, mas no livro passará por modificações);
E por fim, um contando sobre os assassinatos, focando mais no serial killer.

*Nenhum outro membro do BTS, fora o Namjoon, irá aparecer na saga.


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