História Stupid Cupid - Capítulo 12


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Categorias Wanna One
Personagens Daehwi, Guanlin, Jaehwan, Jihoon, Jinyoung, Jisung, Kang Daniel, Minhyun, Seongwoo, Sungwoon, Woojin
Tags 2sung, Minhwan, Ongniel
Visualizações 327
Palavras 3.791
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Mais rápido do que vocês pensavam, saiu o cap novo ♡ Viram como eu sou boazinha e não deixei vocês muito angustiados? kkkkk

Gente eu pirei quando vi a quantidade de comentários que vocês deixaram no cap passado MUITO OBRIGADA ♡ Eu queria dizer desculpa coletivamente pra todo mundo que comentou dizendo que tava chorando, mas ao mesmo tempo também fico feliz que vocês estejam reagindo tão positivamente a essa fic, obrigada ♡

Sem mais delongas, boa fic (talvez vocês precisem de lencinhos de novo, apenas avisando!)

ps: to amando as teorias de vocês do que vocês acham que vai acontecer, alguns tão no caminho certo ^^

Capítulo 12 - Anjo caído


Fanfic / Fanfiction Stupid Cupid - Capítulo 12 - Anjo caído

                                                          [Ong Seongwu]

 

Abri os olhos e senti a claridade muito forte no meu rosto, sinal de que já era tarde. Me virei pro lado na cama e olhei pro relógio, que marcava 14:36. Caramba... Tudo bem que hoje é domingo, mas, por mais preguiçoso que eu seja, eu pelo menos costumo acordar pra almoçar...

Sentei na cama e me espreguicei, sentindo dor de cabeça. Por que minha cabeça tava doendo?

Olhei pros lados e tive a estranha sensação de que tinha alguma coisa faltando no meu quarto, mas eu não sabia o que.

Levantei e fui até o banheiro, apenas pra notar que meus olhos tavam inchados, como se eu tivesse chorado muito. Isso explicaria também a dor de cabeça, mas por que eu teria chorado? Eu nem era uma pessoa que chorava muito...

O que eu fiz ontem? Eu tinha uma vaga lembrança de ter ido na festa da prima do Minhyun, de ter dançado e me divertido. Também lembro de ter dito a ele que não gostava mais dele, mas por que mesmo eu não gostava mais dele?

Desci as escadas confuso e me deparei com minha mãe dando umas vassouradas no Guanlin, que tinha quebrado um vaso caro que ela tinha na sala. O Guanlin tava ajoelhado gritando que quem tinha quebrado não era ele, era o anjo cupido dele, e então minha mãe deu ainda mais vassouradas nele, pra ele deixar de ser mentiroso.

Anjo cupido? De onde esse menino tira essas coisas?

Fui até a cozinha me esquivando pra não tomar uma vassourada também e peguei um copo de refrigerante. Pelo visto, todo mundo já tinha almoçado e minha mãe tinha guardado alguns pedaços de carne pra mim.

Carne... Carne me lembra alguém... Mas, quem?

Esquentei a comida e sentei pra comer, me perguntando se aquilo era algum tipo de amnésia alcoólica. Eu tinha a sensação de que tinha esquecido diversas coisas, mas não me lembrava o que era, como se sei lá, um pedaço da minha vida tivesse em branco.

Voltei pro meu quarto depois de comer e fiquei andando de um lado pro outro, ainda com a estranha sensação de que tinha algo errado. Foi então que uma brisa soprou da janela e derrubou algumas coisas de cima da minha mesa, dentre elas um desenho. Me agachei e juntei, confuso. Era um desenho meu, muito bem feito, mas parecia inacabado. A parte do rosto tava pronta, assim como o pescoço, mas a camiseta tava pela metade. Aliás, era minha camiseta favorita, uma de banda que eu usava quase todo dia. Quem podia ter desenhado aquilo?

Peguei meu celular em cima da mesa e mandei uma mensagem pro Jaehwan, pedindo que ele me encontrasse. Ele disse que tava no parque compondo, então eu coloquei o desenho dentro da minha mochila e parti ao encontro dele.

 

- É a primeira vez que eu vejo isso – Jaehwan disse enquanto olhava pro desenho – Não faço a menor ideia de quem possa ter feito.

- Isso é estranho... A gente conhece as mesmas pessoas... – suspirei – Eu sinto que tô esquecendo de alguma coisa, mas não sei o que...

- Quanto que você bebeu ontem? – ele riu – Aliás, como foi a festa?

- Foi boa – falei com sinceridade – Mas, eu disse ao Minhyun que não gosto mais dele.

Jaehwan olhou bem sério pra mim, como se eu tivesse ficado maluco de vez. Bom, eu tava, né? Pelo visto.

- Como assim você não gosta mais dele???

- Não sei – dei de ombros – Eu só não gosto mais. Então agora você pode parar de ser um bom amigo e fazer as coisas que você quer fazer, ok?

Eu sei que ele sabia o que eu tava tentando dizer ali nas entrelinhas, que era pra ele dar uma chance pro Minhyun agora que eu tava fora da jogada. E, como se tivesse lendo meus pensamentos, o celular dele tocou naquele exato minuto. Pela forma como o Jaehwan olhou pro número na tela, eu sabia que era ele.

- Dê uma chance pra esse cara, ok? – levantei e sorri pra ele – Ele parece gostar de você de verdade.

- Você não tá fazendo isso por mim, né? – Jaehwan perguntou confuso.

- Não, eu tô fazendo por mim mesmo.

Acenei pra ele sorrindo e ele sorriu de volta, assentindo com a cabeça. Se eu puder ajudar o Jaehwan e o Minhyun a ficarem juntos, então que bom. Eu só queria me lembrar o que me fez pensar assim, o que me fez mudar...

O que foi que eu esqueci?

 

                                                          [Yoon Jisung]

 

- Não acredito que você fez isso.

Sungwoon estava parado de costas para mim, como se fosse incapaz de me olhar nos olhos, enquanto eu sentia meu peito me matar por dentro. Ele não podia ter feito isso, não podia ter desistido de tudo assim, não sem antes falar comigo.

- Desculpe por acabar com os seus sonhos – ele respondeu depois de um tempo, finalmente virando em minha direção – Mas ambos sabemos que eu nunca serei um bom anjo cupido, que dirá um anjo da guarda. Eu só quero viver uma vida pacífica.

- Você tinha potencial para ser um bom anjo cupido, Sungwoon...

- Não, eu não tinha – ele rebateu – Você só estava alimentando o sonho de que nós dois fôssemos ser anjos da guarda juntos um dia, mas não vai rolar. Você precisa ir.

Cada vez que ele falava, eu sentia como se estivesse levando uma apunhalada no peito.

- Ir? Ir pra onde? – perguntei, embora já soubesse a resposta.

Sungwoon suspirou e então pegou em minhas mãos.

- Se tornar um anjo da guarda – ele explicou – Não se preocupe, eu vou ficar por aqui e arranjar um trabalho, talvez abrir meu próprio negócio e viver uma vida calma. E você deve ir para o seu grande destino e ser o anjo da guarda magnífico que sempre mereceu ser.

Soltei as mãos dele com amargura e me virei, incapaz de encará-lo.

Não, como eu poderia? Como eu poderia ir embora e deixar ele para trás? E viver toda uma vida sem ele?

Eu queria poder ter dito todas aquelas coisas a ele, tudo o que eu sentia em meu coração. Eu era um pecador, um pecador fajuto que fingia ser perfeito. Eu o amava e eu o priorizava e nada no mundo era mais importante para mim do que aquele anjo. Mas então, algo muito pior aconteceu.

- Jisung – Woojin entrou subitamente na casa do Sungwoon, ofegante – Eu tava te procurando por todo o canto!

- O que foi? – perguntei, confuso com aquela mudança repentina de cenário.

- Daniel fez merda... E uma merda das grandes.

Ah não...

Ah não.

 

                                                          [Kang Daniel]

 

Olhei para o relógio na parede em frente à cela onde eu estava e percebi que trinta minutos já haviam se passado. Eu estava jogado ali como um pedaço de lixo, enquanto os anjos discutiam o meu destino na sala ao lado. Não era como se algo muito diferente fosse acontecer, todo mundo já sabia como era o julgamento de um pecador que comete o pecado máximo. Em alguns casos, dependendo do pecado, o anjo pode ter o direito de ser apenas exilado. Isso significa ir para a cidade dos anjos exilados, um local que dizem ser bem escuro e com pouca esperança. Porém, o meu pecado era daqueles que eu não poderia lembrar, eu não poderia simplesmente continuar vivendo com ele em um exílio. Não, ou eu teria que esquecer, ou eu teria que sair do reino dos céus. Não havia algo no meio.

Como eu bem esperava, Jisung apareceu aos gritos algum tempo depois, quando a notícia chegou até ele. As coisas eram bem discretas quando alguém cometia o pecado máximo, já que né? Eu agora não era um bom exemplo pra sociedade. Mesmo assim, o Jisung acabou descobrindo rapidinho.

- Eu não acredito que você fez isso, Kang Daniel – ele começou com um tom de voz de quem estava furioso, embora seus olhos estivessem úmidos.

- Desculpe, professor – era a única coisa que eu podia dizer.

- Depois de tudo o que eu te ensinei na escola, depois dos vários exemplos ruins, você foi e fez a mesma coisa...

- Eu não consegui controlar...

- É minha culpa – ele me olhou nos olhos e eu conseguia ver toda a sua dor – É minha culpa, porque você me disse que estava ficando muito íntimo dele, e mesmo assim eu te deixei fazer tudo sozinho... Eu devia ter feito algo enquanto ainda podia...

- Tudo bem – falei e dei um sorrisinho – Eu fui feliz, Jisung. Feliz como nunca antes havia sido. E eu não me arrependo de nada e também não gostaria de viver uma vida sem saber tudo o que eu sei agora.

- Não diga isso...

- É verdade – sorri com sinceridade – Eu estou feliz com a minha decisão.

Jisung ia revidar, quando ouvimos passos se aproximando da cela. Provavelmente já tinha chegado a hora do meu julgamento, já que, quanto mais rápido eu tomasse a minha decisão, mais rápido eles se livrariam do problema.

- Eu vou te ajudar em tudo depois que você passar pela reabilitação, ok? – Jisung falou, apertando a minha mão pela cela – Não tenha medo, eu vou estar aqui por você.

Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, um grupo de anjos entrou na sala e Jisung teve que sair. Eles me olharam como o pedaço de lixo que agora eu era e então abriram a cela, para me carregar para fora dali.

 

Assim que entrei na sala de julgamento, uns vinte minutos mais tarde, vi meus amigos sentados em minha frente parecendo apreensivos, enquanto outros anjos também já aguardavam por lá. Era quase como um julgamento como os dos seres humanos, no qual um bando de desconhecidos iria debater ali sobre a minha vida.

O anjo do juízo começou seu discurso, contando aos presentes sobre o meu crime e dizendo quais eram as minhas duas e nada inesperadas escolhas. O jeito como ele falava fazia com que eu me sentisse doente, enjoado. Era como se eu tivesse cometido algo sujo, algo horrendo, como se tivesse desgraçado todo o reino dos céus. Mas, era isso mesmo? Meu amor pelo Seongwu era um pecado que desgraçaria o mundo?

- Então, Kang Daniel – o anjo do juízo olhou para mim sério, com suas enormes e brilhantes asas estendidas em suas costas e uma longa barba branca de sabedoria descendo pelo queixo – Qual é a sua decisão? Você irá passar pelo processo de reabilitação ou escolherá partir para sempre do reino dos céus?

Ergui meu rosto sem vida e olhei para a frente, onde Jisung, Sungwoon, Jihoon e Woojin me olhavam com os olhos cheios de medo. Voltei minha cabeça na direção do anjo do juízo, sentindo como se não houvesse mais nada, absolutamente nada dentro de mim, e então falei o que eu já havia decidido há muito tempo.

- Eu vou partir – disse e pude ouvir ruídos chocados ao meu redor – Eu decido me tornar um anjo caído.

Jisung deu um grito desesperado do outro lado e, em segundos, a sala de julgamento virou uma grande confusão. Mas, eu não conseguia ouvir mais nada e mais ninguém, e tudo o que pensava era no Samuel e em como eu jamais conseguiria viver daquele jeito.

Era melhor morrer como um ser de puro ódio, do que viver a minha vida inteira sentindo a falta dele. 

- Você não pode fazer isso, Daniel! Você não pode!!! – Jisung gritava e chorava, enquanto Sungwoon tentava segurá-lo e impedir que ele avançasse para cima de mim.

Me desculpe por feri-lo, professor. Me desculpe por não ser aquilo que você esperava que eu fosse. Mas, eu não tomei essa decisão hoje, eu não decidi isso agora. Não, eu percebi que a reabilitação não era para mim quando ouvi a história do Samuel, quando percebi que eu não aguentaria viver daquela forma para sempre. Eu sou egoísta o suficiente para preferir morrer do que arcar com a responsabilidade das minhas escolhas.

Eu nunca fui um herói. Eu poderia ser, poderia ficar e viver uma vida medíocre ao lado dos meus amigos, vê-los vencer e então morrer sozinho naquele asilo. Eu poderia ter escolhido e certamente seria o melhor para todo mundo. Mas, eu sou egoísta. Eu prefiro morrer do que viver assim.

O anjo do juízo assentiu com a cabeça e então disse suas últimas palavras, aquelas que me classificavam como um banido, um anjo caído, um ser de puro ódio.

Um demônio.

Rapidamente, os telões ao nosso redor mostraram o sistema modificando o meu perfil, me tirando de onde eu estava e me colocando em um grupo que piscava em vermelho. Lá estavam os demais anjos caídos, todos com uma cruz preta ao lado da foto.

Mortos. Eles estavam todos mortos.

E eu iria morrer também.

Uma lágrima escorreu do meu rosto enquanto ainda mantinha meus olhos fixos em meus amigos em minha frente. Todos eles estavam chorando agora, até mesmo o Jihoon que nunca chorava. Eu gostaria de poder abraça-los pela última vez, mas nem isso me era mais permitido.

Murmurei um pedido de desculpa sincero na direção deles, enquanto era carregado para fora da sala do julgamento. Ao invés de fazermos o caminho de antes, eu fui carregado por um longo corredor escuro e silencioso, que me levaria ao meu último destino nessa vida.

Eu estava morrendo, eu ainda nem tinha perdido o meu lado angelical e eu já estava morrendo. Eu era um corpo sem vida, sem esperança e sem futuro. A única coisa que ainda me mantinha de pé era o meu amor pelo Seongwu. Era a única coisa que me restava.

Eles me jogaram em uma sala úmida e escura, onde eu já sabia o que ia acontecer. Eles iriam remover as minhas asas, e aquela, de longe, era a maior dor que um anjo podia sentir. Eu lembrava de histórias de terror sobre isso, sobre como essa dor é insuportável, tão insuportável que o anjo perde tudo o que tem, sua essência e todo o seu amor, se tornando um demônio.

A minha camisa foi arrancada do corpo e eu senti a primeira pontada em minhas costas. Dei um grito alto e caí de joelhos, incapaz de aguentar tamanha dor. Quando uma lágrima escorreu pelo meu rosto, eu me lembrei do Seongwu, do seu sorriso, da forma como ele tocava a minha bochecha, tirava o cabelo dos meus olhos e acariciava as minhas asas.

Uma segunda pontada e uma dor ainda mais arrebatadora tomou conta do meu corpo. Eu não conseguia controlar meus gritos e o calor que emanava das minhas costas, como se eu estivesse pegando fogo.

Seongwu. Seus olhos, seus lábios, o som de sua voz em meus ouvidos, a forma como me beijava, como me amava.

Uma terceira pontada e minha consciência já estava se indo, se perdendo em algum lugar. Eu estava deixando de ser eu mesmo.

Nossa dança no quarto, os passeios no shopping, suas mãos apertando com força os meus cabelos. Nosso último beijo.

Uma quarta pontada. Mais um urro de dor. Mais uma parte minha se indo.

Eu estou morrendo, Seongwu. Estou deixando de ser quem eu era.

Me desculpe por não poder levar essas lembranças comigo.

Mas, elas sempre estarão dentro do meu coração, mesmo que escondidas.

Para sempre.

 

Eu te amo, Seongwu. Viva bem.

 

Quando a escuridão e a dor desapareceram, eu ouvi buzinas, vozes de pessoas e senti a claridade do sol no meu rosto. Levantei trôpego e olhei para os lados, me dando conta de que estava no meio da cidade.

Pessoas. Milhares de seres nojentos e repugnantes por todos os lados. E eu odiava todos eles, cada sorriso e cada gesto deles.

Comecei a carregar meu corpo sem vida por um tumultuada rua, na qual ia propositalmente empurrando quem passava por mim com meus ombros. Ouvi umas mulheres comentarem sobre as enormes cicatrizes que eu trazia em minhas costas desnudas, mas nem me importei em retrucar.

Eu sou um demônio e essas são minhas marcas.

 

                                                          [Ong Seongwu]

 

Eu tava sentado na minha cama, ainda olhando pra aquele desenho inacabado, como se sei lá, ficar olhando pra aquilo pudesse magicamente me dar a resposta que eu queria, quando o Guanlin entrou no meu quarto, vestindo uma camisa social e uma calça bonita.

- Que tal, hyung? – ele deu uma voltinha – Comprei essa roupa pra ir a um encontro.

- Oh? – dei um sorrisinho – Quer dizer que você finalmente aceitou aquela garota?

- Também depois de tanta insistência do meu anjo cupido...

- Anjo cupido? – suspirei – Guanlin, você precisa parar de inventar essas coisas.

- Inventar? – ele resmungou – O que você tá falando? Quem começou com isso foi você.

- Eu? – perguntei confuso.

Que diabos? Esse moleque tá maluco?

- Ai que susto! – Guanlin deu um grito e olhou pro lado, para o completo nada – Onde você tava? Sumiu um tempão.

Olhei pra ele ali falando sozinho e comecei a temer pela sanidade do meu irmãozinho.

- Você tava chorando? Eu não acredito que você é capaz de chorar... AIIII!

Guanlin levou a mão ao braço como se sei lá, tivesse levado um tapa, e eu fiquei muito assustado. É isso, ou ele tá vendo fantasmas ou tá maluco de vez.

- O que diabos você tá fazendo, Guanlin? – perguntei sério – Você tá me assustando, não tem graça. Você sabe que eu tenho medo de fantasma...

- Que fantasma? Eu tô falando com o Jihoon, meu anjo cupido – ele disse e então pareceu ter levado outro tapa no braço, porque se enrugou todo – Que? Que história é essa de que ele esqueceu tudo? – ele perguntou pro sei lá o que que ele tava vendo ali.

Porém, antes que eu pudesse entender o que tava acontecendo, pareceu que o Guanlin foi empurrado pra fora do meu quarto e sabe-se lá deus o que que foi que fechou a minha porta, só sei que eu fiquei bem cagado. Ai meu deus e se for mesmo um fantasma???

- Com licença.

- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!

Dei um grito que ecoou pela rua inteira quando vi que tinha alguém parado diante da minha cama. Tinha uma pessoa ali, uma pessoa dentro do meu quarto, mas como???

AI MEU DEUS SERÁ QUE ERA O FANTASMA QUE TAVA FALANDO COM O GUANLIN??? AI MEU SENHORZINHO.

- Por favor, não me mata, por favor, tenha piedade de mim – falei, me escondendo debaixo do lençol.

- Ong Seongwu – o ser falou e eu me tremi todinho – Desculpa, nós não temos muito tempo. Você pode, por favor, olhar pra mim por um instante?

Olhar? Meu deus o fantasma quer que eu olhe pra ele? Será que ele quer me matar com o olhar???

Tentei me esconder ainda mais, mas ele puxou o lençol e me deixou ali totalmente descoberto e desprotegido – não que um lençol fosse me proteger, mas enfim.

Ergui o rosto levemente, ainda tremendo, pra ver o que ele ia fazer. Assim que nossos olhos se cruzaram, ele colocou a mão na minha cabeça e eu quis gritar, mas estranhamente me senti em paz.

- Não tenha medo – ele disse – Eu estou te devolvendo as suas memórias.

Minhas... Memórias?

Como se algo tivesse repentinamente explodido dentro de mim, eu comecei a lembrar de tudo o que tinha esquecido. Daniel, meu anjo cupido... Tudo o que fizemos juntos, como nos apaixonamos, nossa primeira e última noite, o som de sua risada, a maciez de suas asas...

Como eu pude me esquecer???

Olhei para o desenho em cima da minha cama, o desenho que ele fez pra mim, e duas lágrimas finas escorreram pelos cantos dos meus olhos.

Daniel... Meu anjo cupido.

- Pronto – o ser diante de mim disse – Isso é tudo.

- O que aconteceu? – perguntei confuso.

- Eles limparam as suas memórias, para que você vivesse sem se lembrar de tudo o que aconteceu envolvendo um anjo... Seu pecado – ele explicou.

Me senti tão vazio ao perceber o que tinham feito. Alguém decidiu tirar de mim tudo o que eu tinha de mais precioso e eu nem mesmo pude escolher ou sequer me defender. Eles brincaram comigo como se eu fosse uma marionete, como se eu não tivesse nenhum direito sobre minhas memórias.

Mas, eu sabia, o tempo inteiro eu soube que tinha algo errado, que tinha algo faltando, e agora meu coração tava finalmente preenchido de novo.

- Quem é você?

- Eu me chamo Yoon Jisung – ele disse – Eu sou um anjo cupido.

Um anjo cupido? Mas, se eu me lembro bem, eu não posso ver nenhum outro anjo cupido além do Daniel.

- Como...? Como eu posso te ver? – perguntei confuso.

- Ah, criança... – ele suspirou – Eu quebrei tantos protocolos e regras hoje que você não faz nem ideia..

- Por quê? – eu não tava entendendo – Por que você fez essas coisas? Por que trouxe minhas memórias de volta?

Yoon Jisung olhou bem fundo nos meus olhos e disse tudo que eu jamais esperava ouvir.

- Porque o Daniel está morrendo e você é o único que pode salvá-lo.

Morrendo?

Daniel está morrendo?

E como posso ser eu o único que pode salvá-lo???

 

 

 

 

Coloquei meus dois pés dentro da loja de conveniências, com toda a coragem que eu não tinha e o coração saltando pela boca.

E então eu o vi.

Havia sangue em suas mãos, escorrendo pelos braços nus, por conta do enorme caco de vidro que ele trazia em uma delas. Em suas costas, gigantes cicatrizes se moldavam no local onde antes ele tinha asas. Todas as pessoas presentes no local estavam acuadas em um canto, o que incluía uma mulher com um bebê no colo.

Daniel tava diante deles, em uma posição de que iria ataca-los naquele momento. De onde eu tava, eu não conseguia ver o seu rosto, mas pelo olhar amedrontado no rosto das pessoas, eu sabia que não era nem de longe o olhar gentil que ele sempre teve.

- Da... Daniel... – gaguejei, sentindo as lágrimas rolarem pelo meu rosto.

Eu tive que chamar o nome dele duas vezes, e gritar uma terceira vez até que ele finalmente me notasse e não partisse pra cima daquelas pessoas inocentes.

Ele não se lembrava nem de seu próprio nome...

Ele virou o corpo na minha direção, curioso pela fonte daquele grito. E então nós olhamos um para o outro e tudo o que eu conseguia pensar era na última vez em que nos vimos, há menos de 24 horas, quando ele sorriu com gentileza e me aconchegou em seu braços, para que dormíssemos juntos um do outro.

Mas agora, naqueles olhos que me encaravam com tanto ódio e escuridão, não havia mais nem um mero traço do Daniel que um dia ele foi.


Notas Finais


tô incluindo uma previazinha do prox cap no final dos capítulos, espero que estejam gostando~


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