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História Stupid Wife (Moonsun Version) - Capítulo 39


Escrita por:


Notas do Autor


Olá pessoal, bom aqui vai mais um capítulo. Sobre as outras fanfics, talvez eu demore para atualizar por conta da faculdade. Inclusive, essa fanfic pode ter alterações quanto aos posts por conta do mesmo motivo.


O segundo aviso é que planejo trazer uma short fic Wheesa. Já consegui A autorização da autora e agora é a questão é o meu tempo.

Capítulo 39 - Little Star


Movimentos, rápidos, certeiros e sincronizados, como se ela fosse uma chefe profissional. MoonByul está se saindo melhor do que eu esperava. O bom é que ela aprende com facilidade e sabe fazer do jeito que a ensinei.

— Pode cortar um pouco mais grosso, amor.

MoonByul apenas assente e volta a cortar os morangos. Volto a apoiar meu queixo em seu ombro e agarro seu pescoço, estou em suas costas pendurada como um bebê coala, mas minha esposa não reclamou agora então provavelmente não estou a atrapalhando. É sábado e decidimos fazer uma torta de morango. MoonByul insistiu em ficar encarregada de prepará-la, mas ela queria fazer do jeito que eu faço.

— Toma. – Abro a boca para aceitar o pedaço de morango que MoonByul me oferece. Mordo a ponta de seu dedo antes que ela o retire da minha boca e sorrio, mastigando o morango e quase suspiro ao sentir o gosto maravilhoso. — Canibal.

Termino de mastigar o morango e viro a cabeça para morder o pescoço de MoonByul, ela gargalha e balança um pouco o corpo, como se quisesse me derrubar, mas me agarro nela com mais força.

— Sou canibal mesmo, mas isso é tudo culpa da esposa gostosa que eu tenho. – MoonByul vira a cabeça para me olhar pelo canto do olho e esboça um sorriso como se dissesse "você não vale nada". — Amo você... – Sussurro e aproximo minha boca de sua orelha enquanto desço minhas mãos até os seios dela. — Gostosa.

— Safada. – Ela sussurra em meio a um suspiro quando eu aumento a pressão das minhas mãos em seus peitos. Capturo o lóbulo de sua orelha entre meus dentes e o sugo, lentamente. — Yongsun...

— Viu? Você é irresistível.

— Desse jeito essa torta não vai ficar pronta tão cedo.

— Tudo bem. – Volto a apoiar meu queixo em seu ombro. — Vou me comportar agora.

**

Depois que MoonByul, Dae e eu praticamente devoramos a torta de morango – que eu tenho que confessar, estava tudo maravilhoso, inclusive os beijos que nós duas demos enquanto nosso filho tomava banho. – fomos os três para o quarto do nosso pequeno filho, brincar de astronautas. Por insistência do Dae? Não, quem decidiu que iríamos brincar disso foi minha esposa, sim, ela mesma, a mulher super madura de trinta e um anos de idade.

Mas eu gosto disso nela. Se MoonByul fosse uma daquelas pessoas sérias demais nós duas provavelmente não daríamos tão certo. Porque convenhamos, eu não sou a pessoa mais madura da face da terra. Principalmente quando me junto com meu filho. Somos o trio perfeito.

Porém logo nós seremos um quarteto.

A vida poderia ser mais bela do que isso?

— Mamãe a senhora está roubando!

— Eu não estou. Você que não sabe defender sua nave espacial!

MoonByul e Dae estão debatendo um contra o outro, porque segundo meu filho ela está o roubando, e segundo minha esposa é nosso filho quem não sabe se defender. Eu fiquei tão sem reação ao ver os dois brigando como se fossem irmãos, que nem ao menos consegui rir. Mas a situação está realmente engraçada. Porque é muito incomum ver uma mãe e um filho discutindo dessa maneira por causa de uma brincadeira.

— Não quero mais brincar.

— Nem eu.

MoonByul rebate e cruza os braços da mesma forma que Dae, os dois estão com a cara emburrada e um enorme bico em seus lábios. Boquiaberta eu nego com a cabeça, sem acreditar que isso tudo está realmente acontecendo. Por Deus! Eles parecem duas crianças. E tem mais, minha querida esposa consegue ser pior do que nosso filho no quesito "pirraça".

— Será que vocês vão parar com isso ou terei que colocar os dois de castigo? – Eles nem ao menos me dão ouvidos, continuam trocando olhares raivosos. Eu tenho duas crianças em casa. Estou perdida. — MoonByul e Dae!

— Oi, mommy.

— Oi, amor.

— Era para ser só uma brincadeira e vocês já conseguiram estragar tudo. – Os dois abrem a boca para rebater, mas apenas ergo uma mão, mandando-os se calarem. — Nenhuma palavra mais, vocês já falaram muito para uma noite só. – Deixo a nave espacial que estava em minha mão no chão e o boneco de astronauta também. — Vocês dois limpem toda essa bagunça, eu vou dormir, e se eu ouvir um barulho sequer de vocês...

Deixo no ar e olho fixamente para os dois, os vejo engolir a seco e apenas acenarem com a cabeça antes de levantarem do chão e começarem a arrumar tudo. Sorrio de braços cruzados, os observando. Pelo menos eles são obedientes. Fico me perguntando como será quando MoonByul e eu tivermos mais um filho. Será no mínimo engraçado ver coisas desse tipo acontecerem.

----------------

O dia mal começou e nós três já estamos de pé em pleno domingo, e não é por causa do trabalho ou algo assim. É simplesmente um dos piores dias da minha vida até agora, e o motivo disso? Simples, MoonByul está indo para Dubai hoje, e só voltará daqui a duas semanas e meia.

Eu rezei tanto para o tempo não passar tão rápido, para não chegar esse dia. Mas infelizmente ele chegou, e agora aqui estamos, chegando ao aeroporto. Dae parece tão cabisbaixo quanto eu, MoonByul só está animada por irá receber um bom dinheiro. Mas sei que ela também irá sentir bastante a nossa falta. Eu odeio despedidas, e por mais que já estava adaptada a minha nova vida, não queria ter que me distanciar de MoonByul, não agora. E acho que nem nunca.

Nós duas criamos uma conexão tão forte, é como se eu não fosse capaz de andar sozinha sem ter ela atrás para me segurar caso eu tropece. Eu sei, deveria ser menos dependente dela. Mas como eu poderia ser? MoonByul é incrível, faz tudo parecer fácil. E o melhor de tudo é que ela me passa a maior segurança possível. Não sei como serão essas semanas sem ela ao meu lado.

— Está quase na hora do meu vôo. – MoonByul comentou enquanto tirava sua mala do porta-malas. Suspiro, colocando as mãos no bolso do meu casaco. Dae está parado ao meu lado segurando meu braço e com a cabeça encostada em meu quadril. Ele deve ser o que mais está ressentido com essa viagem de MoonByul. — Com vocês dois me olhando assim fica difícil dizer adeus.

Vejo seus olhos começarem a ficar úmidos, sinto os meus arderem e o nó em minha garganta apertar. Uma vontade absurda de cair em prantos, mas tento ser forte, pelo menos até a hora em que ela tiver que ir.

— Não queremos que a senhor vá, mamãe.

Dae choraminga e mesmo sem olhar para seu rosto, sei que ele já está chorando apelas pelo tom de sua voz. MoonByul respira profundamente, vira-se para fechar o porta-malas e depois se ajoelha na frente do nosso filho. Ele rapidamente me solta e agarra o pescoço de minha esposa. Mordo o lábio para não deixar que meus lábios de tremerem, se isso acontecer, eu não irei conseguir frear o choro.

— Carinha, carinha. – MoonByul murmura contra os cabelos de nosso filho. O choro de Dae é baixo, mas é possível ouvi-lo contra o pescoço de minha esposa. — Não chora, campeão. – Ela acaricia suas costas, levo uma de minhas mãos até a boca para abafar o som dos soluços que querem escapulir de mim. — Mamãe não vai demorar, e quando eu voltar, vou trazer um monte de presentes para você.

— Eu não quero presentes. – Dae diz entre soluços mais violentos, as lágrimas escorrem por minhas bochechas. MoonByul levanta do chão com o pequeno em seus braços. — Eu quero a senhora, mãe. Não vai, fica aqui comigo.

— Nós já conversamos sobre isso. – Olho para o rosto de MoonByul e o vejo marcado pelas lágrimas. Dae começa a murmurar coisas inaudíveis em meio a um choro compulsivo e MoonByul o abraça com mais força. — Não fica assim, carinha. Você está machucando a mamãe.

Aproximo-me dos dois e acaricio as costas do meu pequeno, MoonByul olha para mim por cima do ombro dele e me puxa para mais perto, fazendo-me abraçá-los.

[...]

Acalmar Dae foi um pouco mais difícil do que deveria ter sido, ele não queria de forma alguma se afastar de MoonByul, e estava bem perto da hora do vôo dela. Minha esposa e eu tentamos, de todas as maneiras possíveis e impossíveis, fazê-lo parar de chorar ao menos um pouco. Com muita dificuldade conseguimos fazer com que ele se acalmasse. E agora estamos os três sentados esperando a chamada para o vôo de MoonByul.

— Você vai se cuidar direito?

Pergunto olhando para MoonByul, ela sorri e acaricia minha mão com seu polegar. Dae está sentado em seu colo, de frente para ela, agarrado como se nela como se fosse um filhote de coala.

— Vou sim, pequena. – Puxa minha mão para perto de sua boca e deposita um delicado beijo sobre as costas da mesma. — Espero que você também se cuide, e cuida do nosso carinha. – Afasta um pouco a cabeça para beijar o topo da cabeça de Dae. — Seus pais disseram que você pode ficar na casa deles se quiser.

— Incrível. Você conversa mais com meus pais do que eu mesma. – MoonByul ri. — Mas eu vou saber me virar, além do mais preciso me cuidar sozinha um pouco.

— Acho que isso vai ser bom, sabe? Para você aprender melhor a lidar com essa vida de ser mãe.

— Também acho. – Deito a cabeça em seu ombro livre, já que no outro Dae está usando como travesseiro. — Vou sentir sua falta.

— Eu vou sentir muito mais.

MoonByul usa a mão que estava em meu ombro para erguer meu rosto e beijar-me, de uma maneira calma e totalmente apaixonada. Sua língua parece querer massagear a minha, seus lábios sempre tão macios parecem ainda mais macios agora. E muito mais deliciosos. Sugo seu lábio inferior, sentindo-a suspirar em minha boca. Estico o pescoço para beijá-la com mais vontade. MoonByul segura em meus cabelos e puxa os fios de leve, instigando-me. Arfo ao senti-la sugar minha língua com força para logo em seguida voltar a me beijar, com mais vontade do que antes.

Era como se aquele fosse nosso último beijo. Bem, de qualquer forma esse seria o nosso último beijo.

Pelo menos até ela voltar para casa e eu poder beijá-la até ficar com os lábios dormentes.

**

Despedidas não são e nunca serão fáceis. Não sei dizer se me doeu mais ver MoonByul chorar de joelhos no meio do aeroporto agarrada no nosso filho, ou os clamores de Dae, implorando que ela não fosse. Mas como ela não poderia ir? Era uma coisa a trabalho, MoonByul não estava indo porque queria férias. E sei o quanto ela gosta de fazer isso e de poder cuidar de nós dois.

Na hora que o vôo de MoonByul foi chamado pela última vez, eu pensei que Dae passaria mal de tanto que chorava. Sempre soube que MoonByul e ele eram muito grudados, mas ver aquilo só fez afirmar que é muito mais forte do que eu pensava a ligação que os dois têm. Mesmo durante a volta para casa, ele simplesmente não parava de chorar, chorou tanto que acabou dormindo no banco de trás do carro.

Tudo está silencioso. É estranho chegar em nossa casa e não ouvir as risadas de MoonByul e Dae enquanto eles aprontam alguma coisa ou assistem desenhos. Não faz nem 1 hora que ela embarcou naquele avião e a saudade está começando a machucar. O pequeno em meu colo parece alheio a tudo, perdido em seu sono, não tão tranquilo, em meus braços. Dou um pequeno sorriso para a imagem adormecida do meu filho. Tão bonito e sereno, como um pequeno anjo.

— Agora seremos apenas nós dois; carinha. — Sussurro a última parte, o aperto em meu peito fazendo-me sufocar um pouco. Fecho a porta atrás de mim, pisco os olhos diversas vezes para espantar as lágrimas que começam a se acumular nos cantos. Ainda não é hora de ficar assim, serão somente duas semanas e meia. Vai passar rápido. — Eu espero que passe mesmo.

**

Domingo, dia 22 de Março de 2015

Se eu puder escolher a pior semana da minha vida desde o dia em que acordei sem memória, eu escolho essa última semana. Pensei que acostumaria com a ausência de MoonByul conforme os dias passassem, mas tudo aqui me lembra ela, absolutamente tudo. Se eu sento no sofá para assistir televisão, me lembro dela toda jogada ao meu lado, rindo e fazendo comentários idiotas sobre os comerciais. Se eu vou tomar banho, olho para nossa banheira e me lembro de quantas vezes ela ficou me provocando enquanto eu escovava meus dentes e ela tomava seu banho. Sinto saudade do toque dela, dos beijos, dos carinhos... Do cheiro. Ah! O cheiro dela... Parece que tudo nessa casa tem o perfume natural dela. Nem trocar os lençóis da cama adiantou alguma coisa.

Minha vontade é mandar Dae arrumar as malas e ir para o aeroporto, pegar o primeiro avião para Dubai e ir encontrar meu amor. Mas não posso fazer isso, embora a vontade seja realmente enorme. Nós nos falamos constantemente, MoonByul reclama todos os dias do calor infernal que faz lá. Diz que quando chega ao hotel a primeira coisa que ela faz é arrancar todas as roupas e ficar completamente nua. Eu gostaria muito de estar lá para presenciar esses momentos.

— Mommy, a mamãe já ligou?

— Ainda não, filho. – Empurro a cadeira do computador um pouco para trás, permitindo que Dae suba em meu colo. Hoje nós vamos conversar via Skype com MoonByul, matar um pouco mais da saudade. — Ela disse que iria tomar um banho antes.

Dae apenas balança a cabeça, compreensivo. Aliso seus cabelos, que estão bem maiores agora, tenho que lembrar-me levá-lo ao salão para cortar, mas sem MoonByul saber, obviamente. Ela simplesmente não suporta a ideia de nosso filho cortar os cabelos, ele também, mas apenas não gosta porque MoonByul o influencia.

Em questão de poucos minutos vejo aparecer o nome de MoonByul na tela do computador, atendo-a rapidamente e em segundos a imagem da minha bela esposa, ainda mais bonita com o rosto livre de qualquer maquiagem e os cabelos presos em um coque no alto de cabeça. MoonByul acena para nós dois, um enorme sorriso em seu rosto. Dae se agita em meu colo e começa a chamar por MoonByul e mandar beijos para ela.

3 horas depois.

Agora eu tenho que ir, carinha. Não se esquece do que nós conversamos, ok? E obedeça a sua mãe.

— Tudo bem. – Dae concorda cabisbaixo por ter que se despedir de MoonByul. — Eu te amo muito, mamãe.

— Eu te amo muito mais, pequeno. - Ela manda um beijo para ele, que manda outro de volta. Os dois se despedem e eu digo para Dae ir tomar banho, pois está quase na hora de ir dormir. — Agora só nós duas, Sun.

— Eu pensei que você tivesse que ir.

— E eu tenho. – Bufa, completamente frustrada. — Estou com tantas saudades, amor. É horrível dormir e acordar sem você.

— Acredite, eu sinto sua dor. – Olho cúmplice para ela, MoonByul tem um bico adorável em seus lábios. Sinto vontade de mordê-la, ela fica tão adorável assim. — Ainda faltam doze dias, não sei se vou aguentar esperar todo esse tempo.

— Nem me fale. Não sabe quão difícil é ficar sem você e sem o Dae aqui. Sinto-me deslocada porque a maioria das pessoas aqui fala árabe e eu fico. – Faz uma careta de confusão, acabo rindo. — É bem estranho.

— Eu imagino que sim.

— Quando eu voltar, não irei desgrudar de você nem um segundo sequer.

— Isso não será problema, amor. – Sorrio para ela e me inclino para frente, aproximando-me da tela. — Eu não pretendo reclamar disso de qualquer forma.

Vejo os olhos de MoonByul vacilarem um pouco e seu olhar focar em um ponto fixo, eu olho para baixo e meu sorriso aumenta ainda mais ao ver que ela está vendo meus seios, que por causa do decote da blusa é possível ver.

— Mal vejo à hora de voltar logo para casa.

Sexta-feira, dia 3 de Abril de 2015

Kim MoonByul's Point Of View

Pisar nos Estados Unidos nunca foi tão bom como está sendo agora. Por sorte eu consegui agendar um vôo que chegaria um pouco depois que Dae sai da escola, ou seja, poderei matar a saudade do meu carinha e da minha esposa ao mesmo tempo. É maravilhoso, não é? Acredite; você nem imagina o quanto.

Ao adentrar o aeroporto, logo começa a procurar por Yongsun e Dae, de primeira não os vejo em meio a todas as pessoas que transitam por ali, mas logo os vejo. Minha esposa e meu filho também estão me procurando, não demora muito para que os olhos castanhos achem o meu. Mesmo de bem longe vejo o sorriso quase rasgar a face de Yongsun, ela diz algo para Dae e aponta na minha direção. O pequeno demora um pouco a me achar, aceno para ele e solto a mala quando ele começa a correr em minha direção.

— Uh! – Exclamo assim que o corpo dele colide com o meu, o baque foi tão forte que me desequilibrei um pouco. Sinto como se tudo tivesse voltado a fazer sentido, como se meu coração finalmente estivesse batendo outra vez. Sem dúvidas, não existe coisa melhor que voltar para casa. — Que saudades, meu amor. Meu Deus.

— Nunca mais vai embora, mãe. Nunca mais.

Ouvi-lo implorando desse jeito com tanto desespero na voz faz eu me sentir péssima. Entendo porque ele é muito pequeno para entender minhas razões para ter viajado, mas um dia ele entenderá. Porém, não sei se farei outra viagem dessas, mesmo que o dinheiro seja tão bom assim. Ou quem sabe eu possa ir com eles? Foi horrível ficar sem minha família.

— Eu prometo que nunca mais faço isso.

Dae se afasta um pouco de mim, olho para ele e o vejo erguer a mãozinha com o dedo mindinho levantado. Seus olhos avermelhados e o bico em seus lábios, tão adorável. Parece uma miniatura minha.

— De dedinho?

— De dedinho, carinha. – Entrelaço nossos dedos e sorrio para ele. — Cresceu.

— Mommy disse que já estou do tamanho de um homenzinho.

Empina o nariz e faz uma pose de "homem", acabo rindo disso e bagunço seus cabelos. Impressão minha ou o cabelo dele parece menor?

— Será que tem espaço para mim também?

Afasto-me um pouco de Dae e olho para bela mulher parada um pouco a frente de nós dois. Meu coração dispara dentro do peito, que saudades eu senti de ver minha esposa. Dae dá espaço para mim como se soubesse o que eu iria fazer. Fico de pé, mas antes de ir até Yongsun, meus olhos caem para algo em suas mãos. Simplesmente um buquê enorme de rosas vermelhas.

— Sun... – Sinto meus olhos lacrimejarem, minha esposa sorri e anda em minha direção.

— Bem vinda de volta, amor da minha vida.

Ela me estende o buquê e eu prontamente o pego, levanto até meu nariz em seguida para inalar o aroma das rosas. Volto a olhar para Yongsun, ela me olha com um sorriso apaixonado e os olhos brilhando. Abro os braços e não demora mais que meros milésimos de segundos para que minha esposa agarre meu pescoço.

— Que abraço gostoso. – Murmuro contra seus cabelos. Yongsun está me apertando com mais força do que deveria, tanto que já está doendo um pouco. Mas não me importo, senti tanta saudade dela que realmente não me importo em ser sufocada agora. — Não sabe quantas saudades eu senti disso. – Ela esfrega o rosto em meu pescoço, é possível ouvi-la inalando meu perfume, como se quisesse matar a saudade dele. — Chora não, pequena.

— Eu-eu. – Ela gagueja, apertando-me mais ainda contra ela. Sinto duas mãozinhas em minha mão e sinto alguém pegar o buquê, olho por cima do ombro de Yongsun e faço um sinal de positivo para Dae. — Eu amo você, eu amo você, eu amo você.

Yongsun repete sem parar enquanto começa a distribuir beijos por todo meu rosto, sorrio em meio às lágrimas e a puxo para cima, fazendo-a envolver minha cintura com suas pernas. Minha esposa segura meu rosto com suas mãos e pressiona os lábios contra os meus. Suspiro, sentindo como se uma tonelada saísse do meu corpo. Sinto-me leve e feliz, muito mais do feliz do que um dia imaginei estar.

Tinha tanto tempo que eu não era recebida dessa forma. E por Deus! Quantos anos tinham que Yongsun não me dava flores? Eu nem lembro quando foi a última vez que ela fizera tal coisa. Ano passado, quando não estávamos bem em nosso casamento, eu viaja a trabalho e ela parecia nem se importar tanto. Era meio seca nas despedidas, e ainda mais seca nas minhas voltas.

Mas graças a Deus tudo está melhor agora.

Eu tenho minha vida de volta, e tenho que dizer, é bem melhor do que antes. Parece que Yongsun está muito mais carinhosa e amorosa do que era. Talvez seja o fato de que ela aprendeu a me dar valor.

Bem, de qualquer forma, eu não poderia pedir por mais do que isso. Um filho e uma esposa que me amam.

Tinha como a vida ser melhor do que isso?

Sábado, 11 de Abril de 2015 – Londres, Inglaterra.

É o hoje, o grande dia.

Pode ser que Yongsun esteja mais nervosa do que eu. Quer dizer, ela definitivamente está mais nervosa do que eu. E bem mais atenciosa também. Acho que minha esposa ainda não se deu conta de que eu não estou grávida ainda. Estou lidando melhor com essa situação, acho que a positividade de todo que acredita que dessa vez vai dar certo me fez acreditar nisso também.

Céus! Acho que nunca desejei tanto algo na minha vida.

— Amor? – Olho para trás e vejo Yongsun vir em minha direção já devidamente arrumada. Sorrio para ela. — Está se sentindo bem? Quer comer mais alguma coisa? Bebeu água? — Dispara um monte de perguntas enquanto verifica minha temperatura pela milionésima vez. — Do que está rindo?

— De você. – Confesso, ainda rindo um pouco. Ver Yongsun toda preocupada daquela forma me fazia pensar em como ela será quando eu estiver grávida de verdade. — Amor... – Seguro suas mãos que ainda estavam medindo minha temperatura. — Eu estou bem. – Beijo seus dedos carinhosamente. — E ainda não estou grávida.

— Eu sei, é só que...

— Você está nervosa. – Puxo-a contra mim, Yongsun esconde o rosto entre meus seios e abraça minha cintura. Beijo o topo de sua cabeça e acaricio suas costas. — Fica tranquila. Vai dar tudo certo.

— Tem que dar certo. – Sua voz saiu meio abafada pelo fato dela estar com a cara, literalmente, enterrada entre meus seios. — Eu quero isso, tanto.

— Eu sei, Sun. – Abraço-a com força. — Tudo vai dar certo e aí você poderá cuidar de mim.

— Vou gostar muito disso.

Eu também, amor. Eu também.

[....]

Chegamos à clínica onde ocorreria o processo de fertilização. Yongsun e eu já tínhamos feito tudo que era necessário para que pudesse ser feito. Minha esposa parece mais ansiosa ainda do que antes. Estamos na sala de espera, lodo a Dr. Sterling irá nos atender e poderemos enfim dar início a mais uma tentativa de aumentar a nossa família.

Espero que dê tudo certo.

— Quer comer alguma coisa? Beber água?

— Nope... – Controlo a vontade de rir e sorrio para ela. Está sendo tão adorável vê-la toda preocupada assim. Seguro sua mão sobre minha coxa e entrelaço nossos dedos. — Só estou ansiosa.

— Eu também estou um pouco. – Olho para ela com as sobrancelhas erguidas, dessa vez não consigo evitar a risada. — Tudo bem, um pouco mais do que o normal. – Continuo a encarado, Yongsun revira os olhos e me mostra a língua. — Estou bastante, tanto que poderia sair gritando pelas ruas. Está melhor para você?

— Bem melhor. – Ela me dá um soquinho no braço com a mão livre, rindo.

— Senhoritas . – A doutora Sterling finalmente aparece, Yongsun quase salta da cadeira de espera. Sorrio para Dona, a doutora que irá realizar o processo. — É um prazer revê-las.

— O prazer é nosso, Dra. Sterling. – Yongsun e eu apertamos a mão da Dra.

— Já podemos ir, está no horário de vocês.

Ela nos chama após pegar uma prancheta com sua secretária. Troco um olhar com Yongsun antes de acompanhar a Doutora Sterling pelos corredores da clínica. Acho que agora meu nervosismo está começando a me afetar um pouco, sinto minhas pernas meio bambas, as mãos suando e o coração disparado dentro do peito. Dra. Sterling vai explicando outra vez como irá ocorrer o processo, minha esposa parece bem focada no que a médica está falando enquanto eu me concentro em não passar mal e desmaiar de ansiedade.

1 hora e meia depois, de volta ao hotel.

Finalmente estamos de volta ao hotel, tudo ocorreu perfeitamente bem e agora eu tenho que tomar os remédios que a médica recomendou e ser muito cuidadosa. Eu sou como uma cobaia e esse processo funcionar comigo, então será um grande avanço na medicina. Mas acima de tudo isso, estarei realizando o sonho de finalmente ser mãe e poder dar um filho a minha esposa.

E por falar nela. Tem alguns minutos que Yongsun foi para a cozinha, preparar alguma coisa para eu comer porque segundo ela "Eu estou há muito tempo sem comer". Minha esposa tem sido um pouco sufocante, mas eu jamais irei reclamar disso, fazia tanto tempo que ela não me tratava dessa forma que agora tudo que eu mais quero é ser mimada e cuidada por ela.

— Pronto. – Yongsun adentra o quarto com uma bandeja de madeira em suas mãos, sorrio para ela e prontamente me sento na cama. Minha esposa para ao meu lado na cama e posiciona a bandeja sobre minhas pernas. — Fiz uma sopa de legumes, vai ser bom para te manter forte.

— Hmmmm, parece boa. – Só então eu me dou conta de que estou com fome. Minha boca enche de água ao olhar para o prato com sopa a minha frente. Yongsun dá a volta na cama e senta ao meu lado, pega um pano e coloca pendurado em minha blusa. — Yongsun, eu não sou o Dae.

Brinco rindo por ela estar me tratando como criança. Ela prende a língua entre os dentes e me rouba um selinho.

— Deixe-me cuidar de você, chata. – Levanto as mãos em sinal de rendição, dando total liberdade para que ela faça o que quer. Yongsun retira a colher de minha mão e ela mesma enche a colher com sopa e leva até sua boca para assoprar o liquido quente. Sinto-me completamente mole e tolamente mais apaixonada por aquela mulher. — Abre a boca.

Faço como ela manda e Yongsun enfia a colher em minha boca, capturo o liquido com a boca e automaticamente fecho os olhos ao sentir o delicioso sabor. Por Deus! A comida de Yongsun é maravilhosa demais.

Na verdade ela é demais. Eu devo ter feito algo muito bom em outra vida para ter sido presenteada com Yongsun agora. Passamos por tantas coisas juntas, eu nunca desisti dela porque no fundo eu sabia que ela é a minha pessoa. Quem eu vou compartilhar anos ao lado, até o final, a pessoa que construí uma família e quem eu amo mais do que tudo. Não me arrependo de nada sobre nós duas. Talvez se eu tivesse feito algo diferente às coisas poderiam não ter acontecido dessa forma.

Eu não me vejo sem Yongsun, não existe uma MoonByul sem ela.

Não existe felicidade sem essa mulher, porque ela é a minha felicidade.

Terça-feira, dia 27 de Abril de 2015 – Miami, Flórida.

Termino de acender as velas e ajeito a toalha da mesa. Afasto-me e sorrio para o meu ótimo trabalho. Espero que minha esposa goste.

Consegui convencer Irene de ficar com Dae pelo menos essa noite, é um dia especial, não que seja alguma data comemorativa, apenas quero uma noite romântica com minha esposa e contar-lhe as novidades. Yongsun não faz ideia de que preparei um jantar romântico para nós duas, consegui ser o mais discreta possível, e Wheein me ajudou bastante levando minha esposa para dar uma volta depois que ela saiu do trabalho.

Está quase na hora dela chegar, confiro o horário no relógio, mas não é necessário, do lado de fora da casa é possível ouvir as vozes de Yongsun e Wheein. Desamarro meu avental e o jogo sobre o balcão da cozinha, arrumo minha roupa e vou até a porta de entrada. Não demora mais que alguns segundos para Yongsun abrir a porta, ela está rindo, mas para assim que me vê parada ali.

— Oi? – Me cumprimenta meio confusa enquanto retira a bolsa de seu ombro. Yongsun olha por cima dos meus ombros e em volta da casa, parece desconfiada. — Isso é alguma pegadinha sua e do Dae?

— Não. – Vou até ela e pego sua bolsa, pendurando-a no cabide em seguida. Faço mesmo com seu casaco, Yongsun continua me olhando sem entender nada. — Preparei nosso jantar.

— Graças a Deus, estou com muita fome. Wheein não me alimentou. – Resmunga, um pequeno bico em seus lábios. Seguro em seu queixo e selo nossos lábios algumas vezes. — Nada melhor que voltar para casa e ser recebida assim. – Ela murmura contra meus lábios, abraçando meu pescoço. Trocamos alguns beijos até que ela se afasta, erguendo o nariz, tentando identificar o cheiro que está sentindo. Sorrio para ela. — Você fez Kimchi?

— Fiz.

— Oh meu Deus! Eu te amo, eu te amo, eu te amo. – Me enche de beijos antes de me soltar e correr em direção a cozinha. Nego com a cabeça e sigo o mesmo caminho que ela. Deparo-me com uma Yongsun parada perto da porta, encarando fixamente a mesa. — Me diz que eu não esqueci a data de alguma coisa.

— Você n...

— Cadê o Dae?

— Está com a Irene, amor...

— Oh meu Deus! – Yongsun leva as mãos até a boca e olha para mim com os olhos arregalados. — Hoje é aniversário de alguma coisa, não é?

— Não é não, amor. – Sorrio para acalmá-la. — É sério, amor, eu só quis fazer uma coisa especial para nós duas.

— Okay... – Ela dá dois passos para trás, encarando-me desconfiada. — Você quebrou o que dessa vez? A televisão? O sofá? A porta do banheiro outra vez?

— Amor, não. – Acabo rindo da cara dela de desconfiança. — É sério. Só quis ser romântica um pouco, você tem sido tão carinhosa, só estou retribuindo.

Coloco as mãos para trás e faço minha melhor carinha de anjo. Yongsun mantém o olhar de desconfiança, mas aos poucos sua expressão vai suavizando, dando lugar a um enorme sorriso em seus lábios.

— Sendo assim, eu adorei. – Bate palminhas animadas e dá alguns pulinhos. Parece uma criança no natal. — Vamos comer?

— Sim, vamos.

Ela vem até mim e me puxa pela mão. Nosso jantar foi bem divertido, ela me contou sobre o dia dela e de como Wheein consegue ficar ainda mais chata quando está com dores. O tempo todo eu não conseguia desviar o olhar do sorriso dela, Yongsun estava tão feliz, isso me deixou melhor do que antes.

Após o jantar, eu fui buscar a sobremesa. Torta de morangos, depois que Yongsun me ensinou a fazer do jeito dela, eu simplesmente quero fazer o tempo inteiro. Minha esposa adorou, e confesso, estava realmente boa. Depois de comer a sobremesa, nós duas fomos para a sala assistir alguns filmes enroladas nos cobertores. Mas eu dei uma desculpa e fui até o quarto para buscar meu presente.

— Que demora... – Yongsun diz assim que eu volto, mas se cala ao ver a caixa branca em minhas mãos. — O que é isso? – pergunta sorrindo.

— Uma coisa que eu comprei para você. – Dou de ombros, para fingir que não é grande coisa. Yongsun senta em forma de índio, os olhos brilham de curiosidade. — Eu fui até a galeria hoje cedo e vi isso, pensei logo em você. Então resolvi comprar, espero que goste.

— Amor... Não precisava. – Sento-me ao seu lado e entrego a caixa para ela. — Obrigada. – Yongsun agradece e eu sorrio em resposta. Ela coloca a caixa em seu colo e cuidadosamente desfaz o laço na tampa, após retirá-lo, ela faz o mesmo com a tampa e começa a desembrulhar o presente. — Vamos ver o que é... – Ela me olha sorrindo e depois volta a retirar o papel. Não demora muito para que Yongsun finalmente descubra o que é. Eu prontamente fico de pé, observando seus olhos se arregalarem. — Byul... Isso é...

— Sim, amor. – Meus olhos começam a marejar. Yongsun olha para mim boquiaberta e com as mãos sobre a boca. Pego sua mão direita e levo até minha barriga, por debaixo da blusa. — Nós vamos ser mães.

Yongsun deixa a caixa de lado, por suas bochechas as lágrimas começam a escorrer livremente, comigo não é diferente. Minha esposa ergue minha blusa, expondo minha barriga. Ela alisa devagar, como se estivesse tentando sentir alguma coisa. Em meio as lágrimas observo Yongsun se ajoelhar a minha frente, ela me olha nos olhos antes de depositar um demorado beijo sobre meu ventre. Sorrio para ela, acariciando seus cabelos.

— I-isso é real? – Apenas aceno com a cabeça, meus lábios tremem. Yongsun deixa um soluço escapar antes de ficar de pé e me abraçar com força. — Muito obrigada, muito obrigada.

Ela começa a repetir enquanto seu choro vai se intensificando. Seguro-a com força contra mim. Yongsun continua me agradecendo, apesar de que eu deveria estar agradecendo. Porque eu sou grata por tudo que ela fez por mim, e por não ter me abandonado em momento algum.

Eu acho que sou a mulher mais sortuda do mundo.



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