História Suas lágrimas no meu sangue - Capítulo 1


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Categorias DAY6
Personagens Jae, Young K
Tags Domingo Sangrento, Jaehyungparkian, Jaek
Visualizações 59
Palavras 1.294
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Shonen-Ai, Slash, Universo Alternativo
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


eu mesma a q agr ficou louca com fanfic relacionada a urss/revolução russa
não betado então perdoem qualquer erro

Capítulo 1 - Capítulo único


7 de Janeiro de 1905 – Calendário Juliano

 

Vestindo um sobretudo preto levemente surrado, suas botas de couro e uma calça que parecia rasgada mas que ele não havia dado atenção, Aleksandr Sergeevich Kang, nascido Kang Younghyun, corria pela estreita e mal iluminada viela de São Petersburgo. A neve levemente derretida fazia um som incômodo cada vez que ele pisava, além de respingar sobre sua roupa já judiada. Chegou em frente a tão conhecida casa e invadiu-a sem nem bater na porta, estava com pressa demais para tal.

–Por Deus Aleksandr Sergeevich.– a mais velha da casa assustou-se com a entrada repentina do rapaz. A senhora até sorrira para o mais novo, mas parou assim que percebeu a feição séria deste, parado na soleira da porta.– Oh meu senhor. Que Deus tenha piedade do Leonid Denisovich.– lamentou-se encostando na fria parede.

–Não se preocupe Clara Ivanovna, não irei fazer nada com ele.– tentou confortá-la, sem desviar o olhar das escadas, mesmo que seu tom de voz indicasse o contrário do que ele falava.– Ele está em cima?

–Está.

E então o recém-chegado subiu pelas tábuas de madeira, com cuidado para não quebrá-las, não eram lá muito resistentes. Deu duas batidas na segunda porta da direita e entrou, deparando-se com o procurado no meio de uma conversa com um homem que aparentava estar nos seus trinta anos. Ambos possuíam feições cansadas, mesmo que, de alguma forma, exalassem uma certa alegria e vividez.

–Yuri Maksimovich, se não se importa, poderia nos deixar a sós?– o “dono” da casa comentou, olhando sem muito interesse para o visitante.

O homem de aparência eslava apenas assentiu, levantando-se e acenando com a cabeça para o Kang, antes de deixar o quarto e a casa.

Sem levantar-se da poltrona onde estava, Leonid encarou o maior, esperando que algo dele viesse.

–Por que é tão úmido aqui, Jaehyung?– Younghyun perguntou por fim, chamando o outro pelo seu nome de nascença.

–É frio e úmido.– pontuou.– E é porque essa casa é um lixo e eu não posso ter uma melhor, você sabe. Foi por isso que você veio?

–Não.– sentou-se sobre a dura cama do operário, secando a testa que sequer havia notado que suara.– Temos oitenta e sete mil e novecentos e vinte e seis operários em greve Jaehyung, o que me diz disso?– jogou uma carta no colo do mais novo, olhando-o, buscando respostas.

–Eu digo que é ótimo.– sorriu para o Kang.– E que é uma bela carta.– aproximou o pedaço de papel da vela que iluminava o cômodo.– Seria mais interessante ainda se eu soubesse ler.– riu sem humor.– Mas tudo bem, oitenta por cento da população não sabe. Oitenta.– suspirou, jogando a carta de volta ao visitante.

–Um número meio preocupante...

–Meio?– devolveu irônico.– Me fala logo o que está escrito aí.

–É uma ordem dos superiores. Uma ordem para atirarmos em caso de manifestação.

–Não me surpreende.

Instalou-se o silêncio. Younghyun levantou-se, indo até o Park, pousando sua mão no ombro alheio, sem quebrar o contato do olhar entre ambos.

–Desiste disso, por favor.– sussurrou para o operário, ao mesmo tempo que era puxado para o colo deste.

–Desistir? Younghyun você só pode estar louco!– elevou o tom de voz.– Quer dizer, não você não está. Para você é óbvio que a nossa luta não faz sentido. Você faz parte dos vinte por cento alfabetizados, daquela minoria que se pode dar ao luxo de ir eventualmente par Moscou assistir aos espetáculos apresentados no Bolshoi. Faz parte daqueles que não precisam se preocupar pois sempre terão comida na mesa. Aqueles que são protegidos pelo czar que concentra todo o poder em suas mãos e pisa nos operários. Você tem voz, não sofre repressão de ninguém, até porque você é a repressão. Você é um dos que oprimem naqueles como eu por simplesmente quererem horas fixas de trabalho, por exemplo. E isso porque você não é um dos que se matam de trabalhar numa indústria durante doze horas por dia, às vezes até treze. Então para você é fácil falar em desistir.– concluiu baixando, finalmente, o seu tom de voz. Younghyun já estava de pé novamente, olhando o Park com uma certa pena.

–Mas meu amor...

–Meu amor é o caralho Kang. Você sabe quantas pessoas morrem de fome? Morrem de esgotamento por conta do trabalho? Quantas pessoas morrem por causa de vocês, soldados? Por que não desiste você de ir, hein? Por que você não inventa que está doente e não vai lá depois de amanhã atirar em pessoas como eu?

–São ordens, Jaehyung, eu devo cumpri-las.

–Ah bom, então pode ir lá, me mata de uma vez cacete. Vai ser uma manifestação pacífica, pelo amor de Deus, a que ponto chegamos?

–A que ponto chegamos digo eu. Você vai realmente arriscar sua vida numa passeata atrás do czar que nem em São Petersburgo está?

–Como assim não está? Para de mentir Younghyun, você não vai me fazer dar pra trás.

–Eu te juro Jaehyung, por favor, não vai, não corra esse risco.

–Não posso não ir.

–Eu muito menos. Se eu não cumprir o que me é mandado eu posso perder tudo.

–Digamos que se você cumprir você vai me perder. Eu sei que sou só um operário de merda que não tem nem onde cair vivo...– algumas lágrimas silenciosas começaram a cair.– Mas se você insiste em se opor a mim, se opor a minha liberdade, se você continua achando que é certo matar aqueles que são meus iguais, então pode ir embora e não voltar mais. Vá daqui a dois dias e atire contra todo mundo, seja um bom soldado.

–Jae...– começou com a voz trêmula.– Não precisa ser assim, olha, só não vá, certo?– pegou as mãos do menor que olhava-o com certo ódio.– Eu não vou conseguir viver em paz caso você vá e algo aconteça contigo.

–E eu não consigo viver em paz sabendo que a sua função é me matar. Não vá você, Younghyun.

O soldado mordeu os lábios e abaixou a cabeça.

–Não posso.– murmurou.

–Então adeus. Saia por aquela porta e não volte mais.

E ele saiu, deixando o mais novo largado em meio as lágrimas na cama fria.

 

9 de Janeiro de 1905 – Calendário Juliano

 

Em cima do cavalo inquieto, as mãos de Younghyun tremiam, enquanto ele segurava sua arma. Viu ao longe a multidão se aproximar, em quietude, munida de imagens e frases religiosas. Liderados pelo padre George Gapon, chegaram em frente ao Palácio de Inverno, achando que poderiam falar com o czar, mas este, como havia dito o coreano anteriormente, nem encontrava-se na cidade. Então o primeiro tiro foi dado. E vários outros. “Atirem”, era o grito que ecoava em meio aos outros de medo e desespero dos manifestantes. O Kang engoliu em seco, vendo as crianças serem pisoteadas, homens e mulheres escorrendo sangue e o caos de todo mundo correndo.

–Você não ouviu?– berraram do seu lado.– Atire!

O coreano fechou os olhos e acatou a ordem, disparando fogo contra quem quer que fosse. Partindo para cima da multidão, passou a atirar sem dó nem piedade, sentindo o arrependimento crescer dentro de si.

Restava apenas um tiro, não que tivesse muitos, mas era o último. Mirou em um grupo que fugia, acertando as costas de um rapaz que, na correria, havia tropeçado e caído. Cavalgou até o corpo, para certificar-se que estava de fato morto. O tronco do rapaz estava deitado sobre as pernas, obrigando Younghyun a descer do cavalo para deitar o jovem de lado, quase desmaiando ao deparar-se com Jaehyung dando seus últimos suspiros.

–Eu te falei... Que você me perderia.– sorriu ao pronunciar a frase num fio de voz.

Chorando, o Kang berrou que amava o operário, mas este jamais ouviria isso.


Notas Finais


obg a vc q leu sz


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