1. Spirit Fanfics >
  2. Suayeon Soulmates >
  3. Nosso Mundinho

História Suayeon Soulmates - Capítulo 3


Escrita por:


Capítulo 3 - Nosso Mundinho


Me mantive presa em pensamentos por tanto tempo que não vi a chegada de SuA. Quando dei conta, estava encarando seus lindos olhos que me observava atenta e preocupada. Precisei piscar algumas vezes e balançar a cabeça com afinco para obrigar meu cérebro a entender que eu não estava mais viajando em lembranças.

— SuA, há quanto tempo está aqui? — Pergunto ainda meio atordoada.

— Acabei de chegar. — Ela diz, sentando ao meu lado. — Bati na porta, mas não obtive resposta. Como notei que estava destrancada, decidi entrar e te peguei aqui sentada, olhando para frente e paralisada. Você está bem? Está sentindo algo? 

Eu deveria estar acostumada com essa preocupação excessiva da SuA, mas é inevitável não me surpreender e ao mesmo tempo adorar tudo isso. Ela é o tipo de pessoa que cuida de mim muito mais do que cuida de si mesma. Vive perguntando se estou com fome ou me alimentando bem, se dormi o tempo necessário, se estou cansada ou se posso continuar nos ensaios, como está minha garganta e se não estou forçando a voz demais, que fica extremamente alarmada quando piso em falso e perco o equilíbrio... SuA demonstra nesses gestos e alguns mais o quanto eu sou importante para ela.

Eu não posso pedir mais do que isso, pois eu já recebo além do que realmente mereço.

Por outro lado, ela também sabe que ajo da mesma forma quando se trata dela. SuA e eu temos um mundo particular dentro dessa empresa, e até mesmo do nosso grupo. É como se, em algum momento tivermos que escolher o que fazer ou cuidar, ela escolheria a mim e eu a ela, mesmo que nós gostemos muito das outras meninas.

Preciso dizer que essa ligação que nós possuímos é algo extremamente bonito e é o que move minha vida?

— Eu só estava pensando um pouco no passado. — Comento, me levantando e esticando os músculos dos braços e pernas. — Vamos indo, ou iremos nos atrasar.

— Tem certeza que quer ir? — SuA indaga, se levantando também e parando em minha frente. — Você não me parecia estar tão bem quando cheguei.

— Eu estou bem BoRa, não precisa ficar tão preocupada. — Tranquilizo-a, tocando e fazendo carinho em seus braços. — Estou louca para saber dos detalhes do relacionamento da Byul com a Solar, então só vamos.

— Tá, tudo bem, mas só se você me contar no que estava pensando para te deprimir daquela maneira.

Eu não posso ir contra esse lado super protetor da SuA. Logo que saímos de meu quarto, eu respirei fundo e decidi me abrir com ela. Nunca lhe escondi nada – a não ser o fato de que a amo e quero namorá-la, ao menos até agora - nem mesmo te contei mentiras, não seria agora que eu faria isso.

— Eu me acordei um pouco sentimental hoje. — Digo, percebendo que vou esconder outra coisa dela... o sonho que tive nessa noite. O melhor será comentar sobre isso se algum dia eu fizer o meu pedido a ela. Qual seria sua reação de eu disse que sonhei ter criado uma música que era basicamente um pedido de namoro a ela? — Enquanto te esperava, recordei daquele dia em que eu quase te perdi.

— Que você quase me perdeu? — Vejo-a perguntar surpresa, sem entender o que eu acabei de dizer. — Como assim? Quando que isso aconteceu?

Me aproximo dela e a paro, erguendo um pouco de seu cabelo no lado direito e vendo a cicatriz que ficou no alto de sua cabeça desde aquele dia.

— Nesse dia.

Não precisei dizer mais nada. O simples fato de ter exposto sua cicatriz a faz entender ao que eu me referia. Vejo-a se entristecer, me deixando arrependida de ter comentado sobre isso.

— Eu pensei que já tínhamos deixado isso para trás. — Ela comenta, colocando seus braços em volta de meu pescoço e unindo nossos corpos. Nossos narizes estão quase se tocando e posso sentir o seu hálito doce me embriagar. Se ela continuar assim, não vou responder por mim mesma, perderei o controle e beijarei ela aqui mesmo, expondo tudo de uma única vez. — Você tinha me prometido que esqueceria esse acontecido, pois passou e eu estou aqui, viva, ao seu lado. Sabe que detesto te ver triste dessa forma e me machuca ainda mais saber que você está assim por lembrar de algo ao qual eu te fiz ficar muito mal.

— Você deveria saber muito bem que tudo que te envolve me afeta. — repreendo-a, abraçando sua cintura e sentindo o calor emanar de nossos corpos. — Não me peça para não me preocupar ou me entristecer por algo que aconteça contigo. Eu já falei isso e vou repetir: eu não saberei viver, nunca, sem ter você comigo. Entendeu bem?

Ficamos em silêncio, abraçadas no meio do corredor de nossos dormitórios. Nossos olhos estavam conectados e eu não podia evitar de querer beijá-la.

Malditos hormônios difíceis de serem controlados!

Juro ter notado SuA molhar seus lábios com a língua, de uma maneira que me pareceu muito sensual. Eu devo ter sentido minha parte íntima umedecer, mas não quis acreditar nisso... seria vergonhoso demais se chegasse a um ponto que não desse para esconder. Sendo paranoia ou não de minha mente, estava realmente querendo sentir o seu sabor...

SuA, me diz de uma vez se posso te agarrar agora mesmo. Estou quase falando isso em voz alta quando ouvimos vozes se aproximar. Imediatamente nos separamos e começamos a prestar atenção.

Levamos um tempo até entender que se trata de Gahyeon e Dami se aproximando. Elas vinham subindo a escada, o que era um problema. Eu vi isso nos olhos de SuA.

Se elas nos verem agora, arrumadas para sair, vão querer saber para onde iremos. Se contarmos, podemos correr o risco de boatos sobre SuA e eu irmos ao app da Yuqi surgirem por aí e rolarem as mais insanas suposições sobre o ocorrido, já que ninguém ainda sabe sobre nossa amizade. E se não contarmos, corremos o risco de ferir o elo que nós possuímos com as meninas, pois estaríamos escondendo algo delas e isso prejudicaria nossa relação.

O que nós podemos fazer?

Eu olho alarmada para SuA, que também não faz ideia de como iremos nos livrar dessa situação... até que um milagre cai para nós. Um milagre em forma de voz da Handong. Ouvimos ela chamando pela Gahyeon e Dami no andar debaixo e atentas, sem fazer qualquer barulho, ouvimos as duas descerem novamente a escada e ir em busca da Han.

Respiramos aliviadas juntas, em uníssono, e sem perder mais tempo descemos o mais rápido e silencioso possível. Vimos as três conversando na entrada para o refeitório e de fininho conseguimos sair sem sermos vistas.

Ainda afônicas e temendo que pudéssemos ser vistas enquanto estivermos aqui, ficamos quietas até o carro de aplicativo que pedimos chegasse. Só quando entramos é que toda a tensão foi liberada e caímos na gargalhada, deixando o pobre do motorista confuso sem entender a razão para estarmos nos acabando na risada dessa forma.

Acho que o coitado acredita ser com ele, pois vi quando deu uma olhada pelo retrovisor e abriu um sorriso estranho, verificando os dentes e cada detalhe do rosto. Será que está achando que estamos realmente rindo dele?

Eu até poderia ser boazinha e falar algo, mas decido não fazer isso. Vou deixar que ele entenda aos poucos que não tem nada a ver com nossa loucura interna.

— Pode dizer, tivemos uma sorte grande hoje, ou seríamos vistas. — Digo, enquanto tento me recuperar do ataque de risos, comentando em uma voz audível o suficiente para o motorista também escutar..

— Lembre-me depois de agradecer a Handong por ser nosso anjo salvador. — SuA brinca, me abraçando pelos ombros.

Aceito seu abraço e deito minha cabeça em seu ombro.

É assim que nós duas somos. Grudentas e carinhosas. Principalmente quando estamos apenas ela e eu, ou quando o nosso mundinho particular entre em ação.

E isso é o tempo todo, mesmo que, com as meninas ou em frente a públicos e câmeras, tentemos não demonstrar tanto.

O que me faz pensar em algo. Estamos praticamente juntas durante as vinte e quatro horas do dia - sei que é um exagero, mas é quase isso. Temos quartos separados, também saímos com as demais meninas que amamos bastante, mas isso não chega nem perto do tempo que SuA e eu dedicamos uma a outra. Na maioria das vezes fazemos refeições no mesmo horário e juntas, estamos invadindo o quarto uma da outra e costumamos fazer muitas coisas unidas, como sair, assistir filme, jogar papo fora, dentre outras coisas.

Acredito que a garota mais próxima de nós que chega um pouco perto de roubar a nossa atenção é a Gahyeon, tanto que virou uma brincadeira feita pela Dami, da Gahyeon ser filha minha e da SuA. Entretanto, ultimamente venho tendo uma cisma da Gah... ela está olhando de maneiras diferentes para SuA. Acho que é só mais uma paranoia em forma de ciúmes de minha parte, então evito pensar nisso.

— Você ainda está emotiva? — Ouço SuA perguntar de repente, seu tom de voz sério e preocupado.

— Estar com você bloqueia qualquer sentimento de negatividade que possa existir em mim. — Falo, sorrindo verdadeiramente, mas sem conseguir esconder que o momento atual está me afetando de uma maneira que não sei se vou conseguir suportar sozinha.

E é óbvio que isso não passaria despercebido por ela.

SuA então pede para o motorista parar o carro ali mesmo no parque. Eu a observo estranhando o seu pedido, enquanto ela explica que o local de chegada é perto dali e que nós iríamos caminhar um pouco, mas que mesmo assim ela pagaria pela viagem completa. Eu até tentei esboçar uma reclamação sobre dividir custos, mas ela não aceitou, dizendo que me convidou a ir com ela, então eu não deveria me preocupar com nada disso.

Esse lado dela me irrita... mas eu amo tanto!

Descemos, agradecemos ao motorista -  que sorria feliz, acredito que adorou ver essa relação que temos entre nós - e começamos a caminhar pelo pequeno e bonito parque que fica há três quarteirões do apartamento onde as meninas do (G)I-dle moram. É um app parecido com o nosso, com apartamentos para cada uma e até para outros membros da empresa em que trabalham. É legal e eu gosto de onde moro.

Não sei se é porque estou muito emotiva, mas logo que começamos nossa caminhada, eu abracei o braço direito de SuA como se ela me pertencesse... e eu gostaria muito que isso fosse verdade.

E aqui está um ponto que sempre me intriga e me frustra. A SuA permite e até inicia muitas vezes esse tipo de contato e carinho entre ela e eu. E apesar de fazer isso com as nossas amigas também, eu sei que ela se sente mais à vontade comigo. São atos assim que me enche de esperança de que talvez ela também me ame e que meu maior desejo possa vir a se tornar real. O problema é quando ela puxa assunto sobre garotos, pois o seu olhar brilha quando comenta sobre meninos que acha bonito e interessante.

É onde minhas esperanças despencam.

A SuA é tão simples, mas também tão complicada. É por isso que não obtenho coragem para revelar tudo de uma vez, de forma séria e convicta.

— Eu tenho a leve sensação de que o relacionamento da Byul com a Solar será o primeiro de muitos que surgirão, e tenho a impressão que pode ser o começo de uma mudança drástica nesse mundo que nós conhecemos. — Ouço-a comentar comigo, seu olhar vagando pelos lados, analisando as pessoas e acenando para elas, sorrindo gentilmente.

Apesar do tema ser sério, mesmo que seja uma suposição, ela irradia uma felicidade que enche meu coração de paz. Não sei dizer se também tinha essa sensação tão certa dessa forma, ou se sua voz cativante me fez concordar com tudo que disse. O que eu sei é que, agora parando pra pensar um pouco, eu também vinha tendo essa sensação.

Imagina só, duas idols assumem um namoro. Claro, escondido pois sabem que se a notícia se espalhar, é adeus grupo, sucesso, fama, prestígio e cairão por muito tempo na boca das pessoas e da mídia. A vida delas viraria um completo inferno. E mesmo assim, elas decidiram tentar. Conhecendo a Byul e a Solar, e também a Hwasa e Wheein, de uma coisa eu tenho certeza em afirmar. Elas não têm medo em encarar o desafio que for. Colocarão a cara a tapa e é exatamente isso que talvez faça a SuA e eu acreditamos que com elas na linha de frente, essas normas ridículas dessa sociedade sul coreana possa enfim mudar para melhor.

Demorou mais até do que esperávamos, mas logo começamos a ser reconhecidas. Estamos caminhando juntas por um parque movimentado, sem seguranças e nem disfarces - como óculos escuros, bonés ou tocas. Era óbvio que em algum momento seríamos vistas por pessoas – em sua maioria jovens – que nos conhecem por ser quem somos. A partir desse momento ficou um pouco mais complicado nos movimentarmos.

Paramos para fotos e autógrafos, tudo, graças a Deus, sem problemas. Mas que essas fotos e algumas filmagens amadoras que obviamente serão jogadas na net chegarão aos olhos de nosso chefe, disso eu não tenho dúvida.

Resumindo, vamos levar um esporro do grande.

E se quer saber, eu não me importo com isso. Se levar bronca for uma consequência de ter um momento querido ao lado do meu amor, conversando e retribuindo o carinho de nossos fãs, é um preço pequeno a se pagar. Para mim, essa é a vida que eu quero. Viver da música, transmitir meus sentimentos pela música, tocar o coração das pessoas e curtir isso ao lado de pessoas que eu amo. Essa é Siyeon... essa sou eu.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...