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História Suayeon Soulmates - Capítulo 63


Escrita por: MathWhelin

Capítulo 63 - Uma Jornada


[ SuA ]

 

Cruzo os braços e continuando assistindo entristecida o combate que acontece lá fora. A mata em volta do castelo está em chamas e isso é extremamente perigoso. Se piorar um pouco mais do que isso, temo que o fogo se torne incontrolável. Além disso, muitos homens, de ambos os lados, já alcançaram a margem desse rio e eu assisti muitos deles sendo mortos a troco de nada, tudo por causa de uma rivalidade estúpida que não vai levar a lugar algum.

Entretanto, o máximo que consigo fazer no momento é ficar escondida nessa caverna e esperar que o pior passe... isso se passar.

Ouço passos se aproximando e me viro apenas para notar a presença de Siyeon, logo depois olhando novamente para a água da cachoeira que desagua à frente e o pouco que posso enxergar do desastre do lado de fora.

— Ficar lamentando não vai ajudar muito, Bora. — Ouço Siyeon dizer ao parar do meu lado. — Se quiser, podemos trabalhar juntas para bolar um plano de acabar com essa rixa ridícula.

Essa garota continua me surpreendendo.

— Gostei disso. — Falo em meio a uma risada. — Pode começar a colocar na mesa as suas ideias.

— Bem, eu acabei de pensar nisso agora, não tenho nada planejado.

A cara de pensativa que a Siyeon fez foi extremamente hilária, o que foi o limite para mim. Acabo caindo na gargalhada até sentir meu estômago doer com isso. Tudo que ela faz é apenas me assistir divertida.

— Desculpe, eu não consegui controlar, você ficou muito engraçada. — Revelo ao respirar fundo e obter o controle de mim.

— Está tudo bem, sinto-me bem por saber que te divirto. — Ouço-a falar, vendo-a caminhar até uma das laterais da caverna e se sentando ali, encostada na parede de pedra úmida.

Em silêncio eu vou e fico ao seu lado, sentando-se também, tão próximo que nossos ombros se tocam.

Ficamos em silêncio por um tempo e eu me sinto melhor com isso. Sabe, a presença dela me acalenta de uma forma que eu não consigo explicar. Faz-me lembrar da época em que mamãe não trabalhava tanto e me dava mais atenção. Costumava deitar-me em seu colo e ouvi-la contar sobre diversas histórias, uma mais fantasiosa que outras, mas eu adorava. Minhas favoritas sempre se remetiam aos momentos dela com o papai, quando se conheceram, se apaixonaram e enfrentaram suas famílias para poderem ficar juntos.

Desde então eu me via vivendo algo assim, encontrando alguém para mim ao qual eu pudesse ter a coragem e determinação, além do grande amor, para rebelar-se contra tudo e todos, só para poder estar com essa pessoa para sempre.

Meros desejos inocentes de uma criança tola, mas que eu não a culpo por isso. Na verdade, até hoje eu ainda anseio viver algo assim.

Reparando melhor na garota ao meu lado, será que ela pode ser essa pessoa? Bem, alguns critérios se encaixam, como sermos de famílias rivais, além de que se for algo romântico, teríamos que lutar por isso também. No meu reino, relações entre pessoas do mesmo sexo não é bem visto.

— No que está pensando? — Siyeon volta a perguntar.

— Em como nós duas poderíamos nos unir com as demais garotas e lutarmos juntas para mudar essas regras estúpidas que nossas famílias estipularam.

Soltei sem temer a reação de Siyeon. Não tenho porque esconder isso de ninguém, é algo que alimenta e cresce dentro de mim faz muito tempo. O retorno da guerra entre as duas famílias só serviu para me fazer ter a certeza do que realmente quero, independente do que viemos a enfrentar.

— Está me dizendo que jogará tudo que tem contra o fogo em busca de um mundo melhor, mesmo que alcançar essa utopia seja algo quase impossível?

— Fico feliz por ter entendido.

Siyeon ri pelo nariz e me obriga a olhar em sua direção. Ela me encara enigmática, pensativa, mas não receosa. Antes mesmo que ela falasse algo, consigo enxergar através de seu olhar que ela também tem os mesmos sentimentos que eu tenho perante essa situação.

— Eu gosto da ideia das princesas Lee, Kim, Yontarak, Yeh e Song, se todas aceitarem isso, criar um grupo, fraco, despreparado e com altas chances de dar errado e todas nós morrermos ou sermos torturadas, para destruir esse império ao qual não gostamos de suas leis e virtudes.

— Você falando assim, não sei dizer se é algo bom ou ruim.

Rimos juntas quanto a isso, mas já percebo que há um bom clima entre nós duas. Na verdade, desde que nos conhecemos eu me sinto atraída por ela, tão forte que quase não consigo me conter.

Siyeon se levanta e me estende a mão para que eu a segure. Assim que eu faço, ela me ergue. Puxara com mais força que eu esperava e eu vou direto em seus braços. Sinto-a tocar-me pela cintura e meu corpo inteiro reage a isso. Tudo que consigo fazer no momento é encara-la e apreender cada detalhe de seu rosto perfeitamente desenhado.

— Por que você me atrai tanto? — Siyeon questiona, aproximando-se lentamente de meu rosto, sua respiração amaciando minha pele. — Por que não consegui parar de pensar em você desde que a vi ontem? Qual é a magia que está usando para me prender a ti dessa maneira?

— Você não é a única assim, Siyeon. — Respondo em um torpor, trocando meu olhar entre seus lindos olhos e seus lábios atrativos. — Desde que minha mente conheceu sua face, observou cada traço bem definido de seu rosto, é somente nele que ela se foca desde então. Não será você aquela que usa algum feitiço para me puxar em sua direção?

Nossos narizes se tocam e eu fechei os olhos já esperando que ela me beijasse.

Beijo esse que poderia acontecer se não fosse por uma pessoa surgir no nada e nos interromper.

Maldita garota!

— Então, será que vocês podem fazer isso enquanto eu não estiver presente? — Ouvimos a voz dela e rapidamente nos separamos envergonhadas.

Ela está parada próxima à queda d’água, mas logo noto que ela não está realmente presente em corpo físico conosco. A sua transparência, o que lhe lembra um fantasma, mostra que viera até aqui usando seu astral em poder.

— Lili! — Exclamo frustrada e até mesmo furiosa com ela. — Por que não esperou mais um tempo para aparecer? O que infernos você quer?

— Ei, calma princesa, não estava esperando que duas concorrentes a trono das famílias rivais estivessem a ponto de se beijarem. — Lili ainda provoca com seu tom de voz, deixando-me ainda mais injuriada. — Desde que fiquei sabendo da invasão de uma parte do exército Lee nas terras do castelo Kim, estive tentando encontrar vocês e somente agora senti a presença espiritual das duas nessa caverna.

— Eu nem sequer sabia que você também conhecia aa Siyeon. — Solto, por perceber que ela está sempre falando de nós duas com uma certa intimidade.

— Vocês duas são minhas únicas discípulas, mas decidi manter segredo uma da outra porque até então eu acreditava que vocês nunca teriam uma relação próxima, e também porque se alguém do alto escalão de ambas as famílias descobrirem que trabalho nos dois lados, vou ser caçada e ser queimada viva.

— Ah, então Bora e eu estamos aprendendo a arte da bruxaria com a mesma discípula, isso é interessante. — Ouço Siyeon dizer, aproximando-se de mim novamente e colocando um de seus braços por minha cintura com tanta naturalidade que até mesmo me impressiona. — Posso ficar assim com você?

— Eu iria detestar se você não ficasse. — Solto, piscando para ela, enquanto ouvimos Lili fazer um som esquisito com a garganta e chamando nossa atenção.

— Então pombinhos, posso dar o recado e ir embora? Mesmo em corpo estral, eu sinto meu corpo reagir a esses toques entre vocês. — Siyeon e eu rimos dela, mas pedimos para que ela prossiga. — Bem, no instante em que essa batalha sangrenta estourou nas terras Kim, tive um presságio horrível que envolve a morte de muitas pessoas, incluindo a de vocês duas. Só que eu também senti que pode ser evitado e para isso necessitamos trabalhar melhor a força interna de vocês. Vamos nos encontrar exatamente daqui a três noites no vale da eternidade, por favor, não faltem, é de extrema importância para todas nós.

Sem dizer mais nada, ela some, deixando a mim e a Siyeon desnorteadas com suas palavras.

— Droga, ela só veio nos dizer que iremos morrer se não fizermos algo, como se já não soubesse disso. — Siyeon diz, respirando fundo e se virando em minha direção. — Vamos descansar, dormir um pouco. O vale da eternidade é distante e fica em território neutro. Se não nos apressarmos não chegaremos em três dias. Vamos dormir e sair durante a madrugada, acredito que será o melhor horário para evitar encontrar pessoas indesejadas pelo caminho.

— Tudo bem, concordo com você, precisamos manter nossas energias em alta.

Retornamos para a parte mais adentro da caverna. Surpreendendo-me, ela se alonga por setenta metros para dentro da serra, terminando em uma cúpula com cerca de cinco metros de altura. Um local incrível que eu não fazia ideia que existia bem próximo ao castelo.

Quem descobriu esse lugar foi Cho Miyeon em suas explorações pelo terreno. Eu não a conhecia, mas minha irmã Minji sim. Apresentara a mais nova como a filha dos proprietários de terra ao sul do castelo. Uma família humilde, que vive da agricultura, mas que possuem um bom coração. Segundo Minji contara e eu não sabia dessa história, o papai contara uma vez a ela que, quando ainda era um príncipe inconsequente, acabara se enviando no meio de uma gangue de assaltantes e assassinos e só conseguiu escapar porque um jovem rapaz, da humilde família Cho, ajudara-o a se esconder e posteriormente fugir. Desde então meu pai criara um laço muito forte com ele e lhe dera, de graça, as boas terras para cultivo ao sul do castelo.

Fico me perguntando porque ele nunca me contara isso. Nem mesmo para Yoohyeon. Será que tinha algum motivo? E ainda tem?

Miyeon se mostrou uma garota meiga e caridosa. Logo que percebera o estado de Shuhua, pois fora alvejada por uma flecha em um dos ombros, logo tratou de cuidar dela juntamente com Soojin, sem pedir nada em troca. Ela possui conhecimentos médicos básicos, mas o suficiente para cuidar de pequenos e médios ferimentos.

Eu gostaria de ter podido conhecer ela antes.

Antes de ir para frente e ter o desenrolar da conversa com Siyeon, puxei Minji para um canto e perguntei sobre a relação que ela tinha Miyeon. Pressionei até que me contasse a verdade. Segundo ela, como a grande pegadora de mulheres da cidade, ela também dera em cima de Miyeon, entretanto, foi a primeira a rejeita-la mais de uma vez e nunca cedeu a seus encantos. Por incrível que possa parecer, as insistências quase que diárias de Minji na verdade surtiu um efeito não esperado... elas se tornaram boas amigas e até mesmo Minji desistiu da ideia que ter algum lance com ela.

Essa Miyeon realmente tem um gênio forte, pois é a primeira que conheço ao qual resistiu aos encantos de Minji. Se ela não fosse minha irmã e viesse dar em cima de mim, com certeza eu aceitaria.

Ao chegarmos na cúpula, Soyeon, guarda pessoal das Lee, avisa que ela, Soojin e Handong entraram em um consenso. Vão ficar reversando uma por uma para que possam vigiar as restantes, enquanto outras duas descansam esperando por sua vez de ficar de guarda.

Felizes por elas estarem se empenhando bastante para nos proteger, Siyeon e eu a agradecemos e sorrimos ao vê-la ficar vermelha de timidez.

Realmente sentindo-me cansada, pois o dia acabara sendo bem diferente do que eu esperava, sento-me no chão de pedra encostada à parede, próxima à Yoohyeon, que dorme com a cabeça descansado no colo de Minji, que adormecera sentada com uma das mãos no cabelo da mais nova.

Acho essa cena muito fofa.

Surpreendo-me com Siyeon sentando ao meu lado e dizendo:

— Quer deitar sua cabeça em meu colo também?

Eu a encaro esperando vê-la rir e explicar que é só uma brincadeira, mas ela me observa extremamente séria.

Ela realmente não está brincando.

— Não precisa de tanto, se você me ceder seu ombro já me sentiria satisfeita. — Acabo por dizer, esperando por uma reação dela.

Foi bem melhor que eu esperava.

Ela cruzou seu braço esquerdo pela minha cintura e me puxou para perto de ti, dando-me conforto mesmo estando em uma caverna escura iluminada pela pouca luz que vem de alguns mini lampiões que por sorte Soyeon tinha em sua bagagem. Devo dizer que isso está parecendo muita conveniência de roteiro para nos ajudar, então eu diria que alguém está facilitando os momentos para nós, seno que mais a frente as coisas vão ficar muito feias.

Será que sou a única que pensa assim?

Aconchego-me em Siyeon e sinto seu doce perfume.

Nossa, isso está me embriagando. Tanto que sinto meu corpo relaxar instantaneamente e bocejar, ouvindo Siyeon me desejar uma boa noite e eu respondo... foi a última coisa que fiz antes de pegar no sono.

 

Sou desperta pela Siyeon, que me balança gentil até que eu abrisse os olhos.

— Acorde Bora, está na hora de irmos. — Ouço ela dizer.

Ainda estou um pouco confusa, baleada de sono. Levanto-me lentamente e a vejo se preparar para partir. Eu realmente dormi feito pedra ao seu lado, algo que eu não esperava que fosse acontecer por estarmos em uma caverna de maneira desconfortável.

— Não vamos chamar as meninas? — Questiono, notando que ela fazia cada movimento em completo silêncio.

— Não precisamos envolver elas nessa nossa jornada, é para ser algo apenas nosso. — Abaixa o tom de voz, aproximando-se de mim para conversar. — Elas vão ficar mais seguras sem se envolverem nessa loucura toda.

Não discordo de Siyeon. Não há razão para envolver tantas pessoas nisso. Ao menos, apenas nós duas, serão princesas a menos arriscando a vida por algo ainda incertoo.

Ajeito meu vestido, passando a lâmina da espada de Siyeon para que fique na altura do joelho – para uma melhor mobilidade – e seguimos em direção à entrada da cachoeira.

— Não era para alguém estar vigiando? — Pergunto ao notar que nem Handong, nem Soojin e nem Soyeon estão acordadas.

— A garota chamada Soojin estava em seu turno. — Siyeon diz quando chegamos na queda d’água. — Acordei alguns minutos antes de te acordar e fiquei conversando com a Soojin. No momento certo, quando ela estava bem concentrada em nossa conversa, apliquei um golpe em sua nuca, de forma certeira, para desacorda-la imediatamente. Não precisa ficar preocupada, eu apenas coloquei ela para dormir, assim poderíamos partir sem chamar a atenção de ninguém.

— Sabe, você resolve as coisas sempre na violência? — Pergunto.

— Normalmente sim, não tenho muita paciência em mudar o pensamento de alguém.

Extremamente bruta. Ela não demonstra ter nenhum ponto que se esperam de uma princesa.

Eu adorei isso, para ser sincera.

Caminhamos para fora da caverna, observando atentamente em volta, em busca de algum inimigo que possa nos atacar. Estamos por conta própria e qualquer movimento em falso, poderemos ser capturadas ou mortas.

Ao menos, temos algumas vantagenzinhas que eles não esperam.

— Vamos seguir sempre às escondidas, nas sombras, o máximo possível de estradas óbvias e terrenos abertos. — Siyeon fala baixo, ficando ao meu lado, enquanto seguimos para longe da cachoeira e rumo ao sul.

— Vamos usar de nossas habilidades no caminho? — Acabo perguntando.

— Só se for necessário, usarmos isso chamaria bastante a atenção.

— É, eu sei.

Logo adentramos a mata e seguimos por entre as árvores mais densas, atentas a cada movimento à nossa volta. Ao longe eu poderia enxergar chamas ferventes devorarem a parte da floresta próxima ao castelo, mas por onde seguimos não vamos conseguir ver a enorme estrutura de pedra.

Espero que o papai e a mamãe estejam bem.

Espero também que minhas irmãs possam me perdoar por estar agindo tão impulsivamente e ao lado de uma garota que pouco conheço. Se eu morrer, que seja rápido e que meu corpo se perca em algum canto. Não gostaria de ter minhas irmãs e família, além de amigos importantes encarando meu corpo sem vida e provavelmente em mau estado.

Tudo que consigo imaginar é que terei uma morte horrível, bem mais cruel do que poderia desejar. Não sei, parece-me uma sensação que se apoderara de mim e não me larga.

— Não vou permitir que você morra, Bora.

Olho abismada para Siyeon. Ela me encara bem séria e convicta, virando-se para frente logo em seguida e mantendo o nosso ritmo. É impressão minha ou ela acabou de ler meus pensamentos?

— Como você pode saber disso? — Indago, seguindo o ritmo de seus passos, cautelosos e silenciosos – o máximo possível – afastando-nos da estrada de terra que leva a uma área afastada do centro da cidade.

— Porque eu vou te proteger. — Ela responde com tamanho naturalidade que sempre me surpreende. — E saiba que quando eu prometo algo, eu farei o que for possível, até mesmo o impossível, para cumpri-la.

— Por que você quer me proteger, Siyeon? Acabamos de nos conhecer, não temos tanta intimidade e ligação uma com a outra, estou errada?

— Não está errada, tudo que eu sei é que quero proteger você.

Paramos no alto de um morro quando notamos um movimento abaixo. Ficamos escondidas atrás de algumas moitas densas. Havia um grupo de homens de armadura e armas na mão conversando pela trilha, rindo um do outro, falando asneiras e se divertindo com o número de mortos que eles cometeram, como se fosse um tipo de competição esportivo.

Logo percebo que são soldados da família Lee, o que me faz entender que eles estão se gabando por terem matado homens que protegem o meu reino.

Sinto uma fúria crescer em meu ser e meu corpo tremer. Se não fosse por Siyeon perceber isso e cruzar seus braços em volta de meu corpo, tranquilizando-me aos poucos, eu teria feito uma grande loucura e avançado na direção deles. Com toda certeza eu me daria muito mal se isso viesse a acontecer.

— Não entre na pilha deles, por favor. — Siyeon pede em sussurro, provocando-me arrepios por estar com seus lábios bem próximos de minha nuca.

— Eu estou me segurando. — Falo, também baixo, respirando fundo e permitindo que meu corpo vá relaxando. — O problema é você me tocar dessa forma, mexe demais com meu sistema.

— Então eu mexo com você? — Ela questiona provocativa.

— Assim como sei que mexo com você. — Retruco, beijando-lhe o canto da boca e deixando-a desconcertada. — Viu só? Agora vamos indo.

Ao reparar que os homens já sumiram pela trilha, sigo pelo nosso caminho, atravessando a pequena estrada para o outro lado da mata, com uma Siyeon bufando de frustração atrás de mim.

— Isso não é justo! — Ela reclama enquanto seguro-me para não rir bem alto.

— Quando você é afetada por suas próprias artimanhas, você vem me dizer que é injusto?

— Claro que sim, eu não estou acostumada a ser deixada sem jeito dessa forma.

— Pois se acostume, eu sempre vou te provocar dessa forma.

— Está me dizendo que vai estar comigo por um longo tempo?

Viro-me para trás surpresa com sua pergunta. Na verdade, eu não tinha nem sequer percebido o que eu mesma tinha falado para ela. Fico envergonhada ao extremo e nem respondo a sua pergunta, pedindo apenas que ela fique em silêncio.

Infelizmente, ela não deu bolas para meu pedido.

— Vamos Bora, não é tão difícil responder essa pergunta, ou é?

— Se é para você parar de me encher, sim Siyeon, gostaria de estar ao seu lado por muito tempo. — Acabo por dizer e nem dou atenção a sua risada de vitória.

Essa mulher, apesar de pouco tempo comigo, já mexe mais com meu ser do que minhas irmãs em todos esses anos de convivência. É algo que não consigo compreender muito bem, mas que também não ficarei por isso mesmo. Não sou de desistir tão facilmente. Ainda descobrirei o que isso que cresce dentro de mim significa.

Caminhamos por mais alguns minutos até que sentimos a chuva cair com força. Isso complica um pouco a situação. A visibilidade, que já era pouca, pois apenas dependíamos da luz refletida pela lua, agora torna tudo à nossa volta um breu quase que completo. Fomos obrigadas a parar próxima a uma estrutura e nos abrigarmos da chuva, esperando que ela passe e que as nuvens voltem a abrir o céu novamente.

Enquanto Siyeon enxuga sua camisa ensopada, eu reparo em nossa volta. Essa estrutura de madeira me parece familiar. Na verdade, é claro que é, pois trata-se de uma cabana no meio da floresta. E o pior é que não parece estar vazia.

Há luzes lá dentro e consigo ouvir alguns passos em algum dos cômodos.

Eu já estava me virando para alertar Siyeon, quando luzes são jogadas em nossas direções e eu grito, protegendo-me da claridade repentina.

— Não se mexam! — Ouço um homem gritar.

Ao me acostumar com a luz, engulo seco ao notar dois guerreiros segurando suas espadas em nossa direção.

Olho para Siyeon e vejo sua feição também assustada.

Agora estamos na pior. Nossa jornada mal começou e já pode terminar. O que nós podemos fazer agora?



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