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História Sublimata - Capítulo 10


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Capítulo 10 - O Sabugueiro de Prata


Fanfic / Fanfiction Sublimata - Capítulo 10 - O Sabugueiro de Prata

Ele continuou a praticar até o sol começar a recolher-se no horizonte e o crepúsculo surgir, tingindo lentamente o céu de um azul límpido. Não que tenha tido muito sucesso depois da primeira tentativa, Jake ficará tão eufórico de descobrir ser portador de algo tão... Lindo, que sequer conseguiu se concentrar o suficiente, e o máximo que pôde conjurar foram algumas brasas de ouro que saltavam alegremente e dançavam entre seus dedos.

De algum modo, desde que conjurou aquela labareda, suas costas tornaram a doer, e ele se sentia incrível e incompreensivelmente exausto.

Jake agora olhava pela janela, aproveitando a brisa quente que lhe acalentava o rosto, a lua estava cheia no céu, e as estrelas refulgiam alegremente ao seu redor. Ele se sentia de algum modo contente, realizado, pois nunca em toda a sua vida ele iria imaginar que produzir magia seria algo tão... Libertador, encantador, tão belo.

O loiro admirava o jardim enquanto tais pensamentos lhe ocorriam, e desejou estar no meio de tamanha beleza natural, então se pôs a procurar a porta que levava até o terreno.

Após muito procurar novamente - Talvez Jake nunca se acostumasse com tantas portas em uma única casa - Ele finalmente achou a que levava até o exterior da propriedade, e de perto era ainda mais lindo do que de sua janela.

As flores eram de espécies variadas, exóticas e coloridas, de tal maneira que fazia-o se perguntar se essas espécies eram normais.

No centro do jardim havia uma fonte de pedra, que jorrava águas cristalinas, e peixes dourados nadavam nelas.

A macieira se erguia imponente, logo adiante da fonte, e seus frutos pareciam brilhantes e apetitosos aos olhos de Jake, mas seguindo o bom senso de não tocar em plantas de natureza mágica, ele fez o melhor que pôde para resistir às maçãs.

Em um canto mais afastado do jardim, havia uma árvore da qual ele nunca havia visto beleza semelhante.

A árvore lembrava um sabugueiro, e seu tronco possuía uma tonalidade pálida, suas folhas pareciam ser feitas de pura prata, e refletiam o brilho azulado da lua como se fosse uma aura própria.

De fato, a árvore era imensa, e entre suas raízes havia um pequeno lago, quase como uma poça, mas tais águas eram limpas e claras como o vidro, a ponto de ver seu próprio reflexo com clareza.

Ele sentou-se entre as raízes da árvore, de frente para o pequeno lago, onde se podia ver o reflexo da lua acima de si, e inevitavelmente seus pensamentos foram levados para seu antigo trabalho, o senhor Mason, e sobre o quão desapontado ficaria com Jake.

Ele só tinha uma única missão, de um homem que o admirou, mas, o destino sempre foi cruel consigo.

Desde que era uma criança, Jake nunca tinha muito tempo para apreciar as coisas que ama, de transmitir orgulho para aqueles que o queriam bem, e um dia depois que ele provou de tal sensação, seus pais foram arrancados de forma brutal de si.

A lei do reino permitia qualquer órfão se tornar responsável por si a partir da morte de seus pais, então ele decidiu mudar de vida.

Vendeu sua mansão, carros, bens, propriedades e tudo o que lhe lembrava de sua antiga vida. Todas as lembranças de tempos em que fora feliz... Vendeu sua felicidade.achadose mudou para uma cidade pequena, onde ninguém o conhecia, e nunca mais usou o nome do qual sua mãe lhe chamava...  Outrora Jake Aurelius Loyal - Apenas Aurelius para sua mãe - E agora apenas Jake... Jake Loyal.

Ali ele se pôs a procurar dia e noite pelo monstro que havia feito isso com ele. Com eles. Mas sequer sabia ele que nunca ele seria achado.

Enquanto não estava investigando e procurando, o loiro chorava e perdia cada vez mais peso. Ele se isolou, se torturou mentalmente e sua consciência não lhe permitia descanso. Se eu fosse mais forte... Se eu estivesse lá por ela, talvez eu pudesse protegê-la.

E com esse pensamento ele decidiu parar de chorar, parar de se lamentar enquanto um desgraçado como esse continuava a solta, quem sabe quantas mais famílias destruindo...

Jake passou a praticar com a única coisa que não havia vendido, as pistolas que sua mãe lhe disse uma vez que seriam dele, e assim passou a viver como um caçador de recompensas. Assim, ganhando cada vez mais prestígio e fama por onde passava.

Até o dia em que achou o necromante que violava os túmulos de cemitérios locais, nesse dia, ele ganhou respeito e reconhecimento até mesmo da Guarda Arcana, e de seu general, o senhor Mason.

Homem que sempre se importou, que o incentivou e que lhe serviu de inspiração. Homem que confiou a ele uma missão tão importante para ele. Apenas guardar um morto.

Apesar de pensamentos tão sombrios, Jake exibia um pequeno sorriso no rosto, se perguntando como é que apesar de capturar tantos criminosos, conseguiu falhar em proteger apenas um corpo.

Ele fez uma pequena chama dourada dançar na palma de sua mão, sorrindo nostálgico ao lembrar-se de tudo o que passou. Teria ele se tornado quem era se não tivesse sofrido tanto?

- Não sabia que você fazia magia. - Uma voz lhe fez sobressaltar-se, procurando-a ao seu redor.

- Aqui em cima. - Luther pulou de cima da árvore, aterrissando de pé ao seu lado.

- Ah... É você, Luther. Não tinha te visto aí.

- Esse é o problema da humanidade, não enxergam as coisas lindas que a vida põe diante de seus olhos. - Jake arqueou uma sobrancelha para Luther.

- Mas enfim, eu não sabia que Sarah tinha uma árvore dessas no quintal dela, são muito raras.

- Eu também não, eu só vim aqui hoje... Mas afinal, o que há demais com essa árvore? Quero dizer, ela é bonita e tudo o mais mas... O que faz dela ser especial?

Luther sorriu, seus pensamentos já pareciam muito distantes, então se assentou ao lado de Jake.

- Eu me lembro que fiz a mesma pergunta para Aritt há quatro mil anos atrás... Aritt me respondeu que essa árvore só pode ser plantada por uma das encarnações de Ayla, já que ela a criou. Assim como eu, essa árvore é mais do que um rostinho bonito - Jake revirou os olhos -, ela é também um excelente reservatório e canalizador de magia.

- Se a árvore só pode ser plantada por uma encanação de Ayla, como foi que ela plantou uma aqui?

O platinado riu nasalmente.

- Estamos falando de Sarah, eu não duvidaria se ela tivesse descoberto o túmulo de uma das antigas encarnações e roubado um galho. De toda forma, eu acho que essa árvore a fazia se lembrar de mim, por isso a plantou aqui. - Ele finalizou com um sorriso convencido.

- Como você disse que se chamava essa árvore?

- Não disse. Há muitos nomes; Sabugueiro de Argentum é o correto, mas os poucos humanos que tiveram a chance de vislumbrar tamanha glória a chamam de... Sabugueiro de Prata.



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