História Sublime desejo - Capítulo 5


Escrita por:

Postado
Categorias Voltron: O Defensor Lendário
Personagens Acxa, Allura, Coran, Ezor, Hunk, Keith, Lance, Narti, Personagens Originais, Pidge Gunderson, Takashi "Shiro" Shirogane, Zethrid
Tags Klance, Multi-histórias, Vida Escolar
Visualizações 36
Palavras 4.691
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Comédia, Drama (Tragédia), Esporte, Famí­lia, Ficção, Ficção Adolescente, Fluffy, Lemon, LGBT, Mistério, Musical (Songfic), Romance e Novela, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Suspense, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


saiu nova tempora e mds, eu não sei o que diabos dizer sobre. Mas cada vez que me lembrava de minha fanfic e como as coisas eram GRITANTES de tão diferente eu ria, por que foi o que restou a se fazer. De qualquer modo a gente supera e bem talvez eu poste outro capitulo amanhã mesmo por que o enrredo ta ficando muito lega

Capítulo 5 - The Nutcracker


A viajem foi pacifica, assim que entramos na SUV preta de Lotor a garota monopolizou o radio para si tentando encontrar algo bom para escutarmos, mas em qualquer estação de radio tudo o que tocava eram musicas natalinas, situação que deixou Pidge inconformada, restando apenas o Spotify. Passamos o resto da viajem ouvindo o álbum do Fall Out Boy e a Lance que puxava assunto a todo momento, quando se dirigia a mim ou eu apenas ignorava ou acabávamos em uma discursão. Depois daquilo que ele disse no apartamento resolvi ir pela melhor estratégia, afasta-lo antes que tente sugerir algo a mais, cada vez que eu ouvia sua voz minha vontade era de me esconder e esquecer sua existência pelo resto da vida. Mas seus malditos olhos azuis servem como um imã que a todo o momento me leva a olhar em sua direção, como se eu estivesse procurado reconhecimento, o mesmo que ele deixou implícito minutos antes. Quando finalmente chegamos ao parque sinto o alivio de não estar no mesmo espaço reduzido que Lance.

O parque tinha quase que enfeites naturais com suas arvores sem folhas e neve em seus galhos, tudo ao nosso redor estava branco pela neve recém-caída, se nosso lado da cidade estava uma bagunça graças ao temporal esse bairro parecia ter sido coberto com uma dócil camada de açúcar de confeiteiro. Quando estávamos próximo ao ringue de patinação Lance não para de falar como foi um ótimo patinador em sua primeira experiência e Hunk retrucava se lembrando das quedas do amigo enquanto ria com Pidge. Só naquele momento eu percebi um detalhe importante, nunca em toda a minha vida tive contato com patinação no gelo.

 Todos se aproximam de um posto para alugar os patins, já que ninguém trouxe seu próprio, os modelos são coloridos com cores vividas. Pego o meu vermelho com desenhos de chamas no fundo com a pintura já desgastada pelo tempo e uso.

Fico meio receoso ao sentar num banquinho e colocar os apetrechos com dificuldade, vejo Lance se aproximar de mim enquanto os outros partem para a pista. Ele segura a parede de segurança tentando se equilibrar nos patins já em seus pés na terra firme e cheia de atrito, o ignoro por um tempo ao fingir demorar mais que o necessário para me calçar, não vou mostrar para ele minhas faltas de habilidade, o plano era ficar aqui ate que todos se cansassem, com sorte nem notariam, já sou um penetra em todo esse passeio mesmo.

-quer ajuda? – pergunta ele já se abaixando para tirar os seus e vim me ajudar

-não é nada – finjo que só terminei agora, mesmo que isso tenha acontecido dez minutos atrás – era só o feixe que não queria fechar

-então vamos – Lance avança e me puxa pelas mãos mesmo que ainda se sustente sobre os patins

Levanto de modo forçado e me desequilibro quase caindo sobre meus joelhos na neve, mas Lance é mais rápido e tenta me estabilizar o que não dá certo já que seu equilíbrio também esta comprometido, no final nos dois acabamos embolados no chão de uma forma constrangedora. Mão pra lá, perna pra cá, gritos com ordens e xingametos, só complicamos a situação, um tinha que parar de se mexer pra deixar o outro se levantar primeiro, minutos se passam até que Lance perceba isso permitindo que eu me levante. Me seguro na parede tremendo e solto um suspiro já cansado pelo embate indireto, em seguida surge Lance ao meu lado gargalhando.

-como fomos parar nessa situação? – ele diz tentando se limpar da neve suja, estamos parecendo mendigos que literalmente rolaram em uma poça de lama

-acho que tem algo haver com você me puxar do nada – minha resposta sai claramente mal humorada, contrastando com seu bom humor, limpo a neve de minha pulseira toda molhada graças à confusão  

-qual é a sua relação com essa coisa? – ele pega meu pulso analisando o acessório roxo de perto

-não é de sua conta – respondo ríspido, seu toque é gelado em minha pele exposta, o que arrepia meu braço, mesmo que este esteja protegido pelo casaco roxo e preto

-por que não avisou antes? – de repente o latino fica serio me encarando, fico confuso por um momento até perceber de que ele fala sobre patinar no gelo – a gente podia pensar em outro lugar para ir

-não pensei nisso até... – dou de ombros sem completar a frase, nesse meio tempo que ficamos conversando os outros já estavam se divertindo patinando ao longe – eu não queria atrapalhar de qualquer forma

-sem problemas – sinto sua mão em meu ombro, mantenho meu olhar no ringue vendo os movimentos graciosos de Pidge e Matt que agem quase como uma dupla de patinadores profissionais, mas sem aqueles movimentos super elaborados, é claro – vem, eu vou te ensinar a patinar, é fácil    

-que? Não, eu preferia... – começo a tentar negar sua oferta, tarde de mais, ele já tinha pego minha mão e começado a me puxar, com leveza dessa vez – calma, quer ir parar no chão novamente? – faço que não com a cabeça e reviro os olhos, dessa vez o acompanho devagar sob os patins, ou eu sigo o fluxo da sua caminhada ou paro bruscamente e caio de cara no chão – e nesse caso você iria cair sozinho, não vou tentar te ajudar de novo – Lance sugere com um sorriso travesso, um maldito sorriso de lado

Chegamos na pista sem maiores dificuldade, isso se não contarmos as vezes que quase escorreguei sobre os patins. Aos poucos fui pegando o jeito de andar sob os finos calçados, até que chagamos no gelo escorregadio e o progresso foi por terra.

-calma, se conseguiu andar até aqui com eles é por que esta preparado para a primeira lição – agora o cubano esta em pé sem dificuldade, diferente de mim que só me mantenho em pé por que ele me segura pelos ombros

-e essa seria? – pergunto impaciente, a cada segundo que ele mantem contato com meu corpo algo meu foco é turvo e bagunçado em relação ao mundo alheio

-se equilibrar – ele simplesmente me solta ao terminar a frase

-esse método não me parece nada promissor – falo me balançando para a frente e para trás na tentativa de obter equilíbrio

-desculpa, vou pegar as rodinhas para você – a ironia em sua voz me irrita – não tem como voce aprender se não tentar sozinho – aos poucos vou recuperando o controle sobre meus movimentos

-não parece tão difícil assim – falo após alguns segundos estabilizado

-não é possível – Lance lança um olhar avaliador cético, não entendo o motivo – isso foi rápido de mais, tente permanecer assim por mais uns minutos e...

-não – exclamo sem paciência – quero patinar logo, ficar que nem eles – aponto para Hunk e Matt que andam em círculos por toda a pista sem problemas

-primeiro que voce vai levar muita queda até lá – ele explica como se eu fosse uma criancinha de cinco anos – segundo, eu terei que te guiar por hoje

Depois de muita relutância aceito minha sina, assim que tentei dar o primeiro passo sozinho meus joelhos se depararam com o gelo e fui levantado por um Lance reclamando em espanhol. O latino me ajudou de uma forma desconfortável, suas mãos começaram em minha cintura, reclamei sobre o fato dele estar tentando tirar uma casquinha de mim, ele ironizou que essa era a ultima de suas intensões. No final de longos minutos após muitas quedas dolorosas ele só me segurava pela mão e dávamos lentas voltinhas em dupla, vez ou outra seus dedos se encontravam com meu pulso e acariciava minha pulseira, como se soubesse que não devia fazer isso diretamente em minha pele. 

-por que diabos estão fazendo isso? – se assustaram com a pergunta súbita de Pidge, não viram a garota se aproximando – esta muito gay  

-estou ensinando esse cabeça dura a patinar – Lance responde antes que eu tenha a oportunidade – e algum problema com muito gay minha querida? – ele pergunta o que faz meu rosto ficar vermelho na hora

-na verdade eu to adorando – ela da uma gargalhada, encolho meus ombros e afasto minha mão da de Lance – não se acanhe por mim, serio, a cara fechada de alguns adultos vendo a cena não tem preço – não olho ao redor para confirmar, nunca é a melhor opção – afrontar a sociedade tradicional é um prazer  

-não é bem assim – não sei se estou me defendendo da fala de Lance ou da de Pidge, o cubano pega minha mão novamente, peço para largar, mas só resulta numa discursão sobre não se importar com a opinião alheia, se fosse fácil assim

-se resolvam sozinhos – a menina diz sem jeito, incomodada por ter nos metido nessa discursão – de qualquer formas estamos indo comer, Hunk viu um carrinho de cachorro quente e não parou de falar sobre querendo comer

-mas já? – Lance pergunta, fazia no mínimo uma hora que estávamos ali no ringue

-Lotor e Matt viram um cara tocando violino e resolveram que tinha de conferir de perto – ela da de ombros imparcial – acho que é um cara que vai tocar na apresentação se preparando

-o que esse dois tem para gostar tanto de música clássica? – o cubano balança a cabeça, como se gostar da ideia de gostar do estilo fosse estranha

-sei lá, mesmo por que eu acho que aquele consegue tocar pop – com essa ultima declaração ela se vai

-ficamos só nos dois garotão – os olhos azuis de Lance me encara com melancolia, a situação ainda esta meio estranha depois que reparamos nas pessoas ao nosso redor, mas ele faz o máximo para desviar meus pensamentos disso

-não me chame assim, parece que esta falando com um animal – o repreendo, de algum modo esse olhar me lembrou de como ele parecia apenas gentil no metro, não um completo babaca

-desculpa gatinho – a que ótimo, ganhei um apelido – de qualquer forma esta pronto para tentar algumas manobras? – ele me segura pelas mãos novamente e eu só o acompanho

-quem te ensinou a patinar? – pergunto no meio de um movimento giratório

-minha mãe – ele responde sorrindo em seguida, como se eu tivesse despertado boas lembranças

-ela mora aqui em Seattle? – pergunto curioso

-na verdade ela morreu há uns cinco anos atrás, também era de Cuba como meu pai – de repente ele responde sem jeito

-me desculpe, eu não sabia – me sinto mal por deixar sua expressão sempre tão feliz e irritante, triste por um momento

-ia descobrir uma hora ou outra mesmo – acho que foi uma declaração de que eu podia me juntar ao grupo mais vezes – voce é menos nariz empinado do que eu achei que alguém da Da Vince poderia ser     

-nisso terei de concorda – digo rindo da minha infeliz realidade – mas qual seu problema com a academia? 

Pergunto curioso, Lance era o tipo de pessoa que sempre parecia aberto para não demonstrar o que escondia algo por baixo, exatamente o contrário de minha estratégia, acho que duas pessoas que tem muito a esconder se conseguem se reconhecer        

-além de ter tido o desprazer de ter conhecido uns idiotas de lá? – ele ri da própria piada e desvia o olhar para fora da pista, o azul cristalino em seus olhos parece ficar mais obscuro – Pidge já estudou lá, eles foram ruins para ela e se foram ruins para ela isso significa que foram ruins comigo – só quando viro a cabeça para trás percebo a pequena ao longe, ela esta distraída mexendo no celular

Permaneço calado por um longo tempo na tentativa de absorver as informações. Se ela já estudara lá significava que foi há dois anos, antes da minha chegada, por que com toda a certeza eu não me lembro dela. Isso também quer dizer que a menina não era só uma nerd boa em cálculos como parecera no começo, ela também tinha uma habilidade artística e isso era novo aos olhos de Keith. Por que se tem uma coisa que importa mais do que dinheiro naquela escola, essa coisa é o dote artístico. 

-é bonito isso – desvio o olhar para a estrela pendurada pelo acessório roxo em meu pulso, percebo que pensei alto de mais a respeito disso

-o que? – ele retorna os olhos para mim genuinamente curioso

-a forma como se preocupa com seus amigos – dou de ombros sem saber de que modo responder

-essas pessoas são importantes para mim, é o mínimo que posso fazer – Lance dá um sorriso caloroso – infelizmente não posso tomar suas dores para mim, ou fazer algo a respeito delas, só apoia-los – com essa declaração seu sorriso vacila um pouco, meu estomago sente um pontada, eu entendo seu sentimento, me sinto assim em relação a Shiro também – além do mais, sou apenas um garoto de Cuba    

Eu queria responder algo do tipo “voce não é só um menino de Havana”, mas como eu podia falar algo assim só para conforta-lo se não sei nada sobre sua vida? Então permaneço calado e logo após esse dialogo que de uma forma incrível não acabou em uma discursão besta saímos da pista e devolvemos os patins.  

Seguimos na direção de nossos amigos, assim que nos aproximamos vejo um casal dançando em frente ao artista do violino. É só quando Lance para de andar no meio do caminho que percebo que o casal se trata de Pidge e Lotor, mesmo com a discrepância de tamanhos eles se dão bem com os passos seguindo o ritmo do violino que tocava Dance of the sugar plum fairy, era como se tivessem saído de um musical do Quebra nozes.

-impossível – Lance murmura para si mesmo com uma expressão de surpresa, então sai correndo até Hunk e Matt que observa a dança de um banquinho – como isso aconteceu? Foi um milagre natalino? – o acompanhei correndo, mas fiquei para trás no meio da conversa, era só uma dança até onde eu saiba, tudo bem essa pequena demonstração que parece bem profissional – e o principal, por que com ele? – o cubano aponta confuso

-ela simplesmente me chamou para dançar quando o violinista começou a tocar, eu levei na brincadeira e disse não, ai ela apenas pediu pro Hunk que apontou o obvio, ele não sabe dançar bale, em seguida só sobrou o Lotor para acompanha ela – Matt justifica com um rosto pensativo, como se calculasse algo no ar

-o que convenhamos, foi bizarro – Hunk dá sua opinião ao analisar os dançarinos novamente – é bizarro      

-antes que pergunte – Lance se vira para mim explicando, mesmo que eu não tenha pedido explicação – ela não dança em público desde que saiu da Da Vince – fico em silencio, claro que esse devia ser o talento dela, se ela foi do nosso grupo de dança posso ver que foi uma das melhores dançarinas – no casso dança clássica, mas depois de muita insistência ela vem tendo aulas de salsa e jazz com o professor aqui – ele aponta o dedo para si mesmo

-insistência suas por sinal – Matt acusa o cubano com um olhar reprovador

-qual é – ele dá de ombros – ela ficou até mais comunicativa depois de entrar para o grupo, foi um passo importante depois de tudo sabe.... – provavelmente esta se referindo ao mesmo acontecimento que comentou com Hunk mais cedo

-tecnicamente ela não entrou para o grupo, Pidge só deixa eu e voce vê ela treinando – o grandão aponta, meu coração se retrai, para ela ter ficado assim deve ter acontecido algo horrível com ela e Pidge parece tão espontânea, do seu jeito meio travado, mas espontânea

-achei que voce jogava futebol – olho confuso para Lance, acabei considerando graças ao relato de como a primeira vez que encontrou Shiro

-mas eu também sou jogador – ele responde cheio de si – só que assim que a época do campeonato municipal interescolar acaba o torneio de dança começa

-não sei nada sobre essas datas direito, mas sei que ainda tem o campeonato regional de futebol – tento entender como ele se concilia nas atividades escolares até me lembrar tarde de mais que sua escola esta fora graças a Da Vince

-meio que esse ano não vamos participar – ele se explica sem entrar em detalhes – e outra, ano passado dei preferencia ao futebol e não participei, mas poxa, esse é meu ultimo ano, tenho que deixar minha marca naquele lugar

-e vai entrar – levamos um susto ao perceber que Pidge tinha acabado sua performance e estava ali ao nosso lado, essa menina parecia ter um dom ou uma capar da invisibilidade, não é possível – no caso como o cubano que se achava pertencer ao elenco de Glee – ela enfatiza a piada com as mãos     

-e voce fadinha? Vai participar esse ano ne? – de repente seu rosto esta cheio de esperança com a possibilidade da amiga participar da competição  

-não começa a me encher o saco agora – do nada ela da um murro, forte por sinal, nas costelas de Lance – e não me chama no diminutivo por causa do meu tamanho

-conselho recebido com sucesso, oh grande fada – ele ri da agressão de Pidge e se curva para ela como se fosse uma superior

-cale a boca, todos nos sabemos que as maiores das fadas ainda são minúsculas – ela resmunga e é iniciada uma discursão sobre a verdadeira forma das fadas e suas diferenças com os elfos, se é que existe alguma

 

Muitas horas depois voltamos para casa, de alguma forma Pidge e Matt nos convenceram a passar no único cinema aberto da cidade em pleno natal e ver o novo Star Wars. Lance reclamava sobre ser a quinta vez dos dois irmãos assistindo o mesmo filme, Hunk apoiava os Holt já que era tão fã da saga quanto os Pidge e Matt. A verdade é que não entendi nada, só assisti a trilogia original e mesmo assim dormi durante todo O império contra-ataca. Acabou que nem vimos a apresentação na praça.

Tive que voltar ao apartamento com eles para pegar minha bolsa, Lotor nos deixou no prédio e disse que tinha de resolver algo, mas voltaria mais tarde para falar com Allura. Assim que chegamos ao imóvel nos deparamos com algo inesperado na cozinha. Inclinados sobre o balcão estava Shiro e quem eu supunha ser Allura dividindo uma lasanha de micro-ondas, ambos conversavam como adultos civilizados rindo de algo que Shiro acabou de falar. A mulher de pele morena apresenta um coque sobre a cabeça com seus cabelos de cor platinada e Shiro apenas balança a cabeça enfatizando uma mecha acinzentada na ponta frontal de seu cabelo negro. Quando dera conta da volta de seus inquilinos voltou do passeio Allura comprimento a todos de forma dócil, foi meio difícil distingui-la, mas eu sabia que já tinha visto aquela mulher antes e quando a conheci ela não estava com uma cara nada amigável.

-finalmente chegaram – Shiro se levanta, cumprimenta os meninos e dá um abraço apetado em Pidge que reclama pela falta de ar enquanto seus enormes braços malhados esmagam a menor, em seguida se vira mim com um sorriso – eu estava te esperando, encontrei Allura no aeroporto por acaso quando pousei, ela foi acompanhar o pai que estava com voo marcado

-coincidência legal – concordo sem mais comoções – mas como sabia que eu estava aqui e não em casa?

-Allura me chamou para jantar aqui – ele aponta para minha bolsa na mesa de jantar – reconheci sua assinatura ao deixar sua bolsa cair e espalhar seus desenhos

-não esperava menos de voce – dou uma risada imaginando seu gesto desastrado

-espera, como ainda não conhecíamos Keith? – Lance de repente entra no meio da conversa – voce é basicamente de casa – ele aponta para Shiro e se vira para mim desconfiado, tentando entender como meu irmão foi amigo deles por tanto tempo e estavam me conhecendo só hoje

-eu como um bom alienígena abduzi Shiro ontem a noite só para obter a confiança da sua família, pretendo começar a destruir a humanidade utilizando vocês de bode expiatório – ironizo revirando os olhos para a desconfiança de Lance

-o que não seria difícil – Pidge entra na brincadeira – só Lotor e Allura são herdeiros de duas das maiores empresas de tecnologia e biomedicina dos Estados unidos

-e é? – pergunto realmente impressionado, não fazia a menos ideia que eu estava lidando com a alta nata da elite de Seattle

-estou surpreso – Shiro exclama rindo – nunca pensei em apresentar Keith para vocês, por que sempre que o chamo para sair de casa ele nega ou esta trabalhando em uma de suas telas

-bom saber que tiramos mais um antissocial da toca – Matt diz cutucando Pidge que ri e o cutuca de volta, obviamente não sou o único com problemas de socialização

– eu até entendo Keith não vim nas suas rara visitas – Hunk questiona também o motivo de nunca termos nos conhecido antes – mas e as festas de fim de ano? Ao menos nos últimos dois Anos novos

-não nasci colado em Shiro sabia? – murmuro já irritado com o rumo da conversa

-ele passou os últimos fins de ano no Texas com meus pais – lá vem – e o ultimo foi por motivos de ter se acidentado com a maldita moto, nossa mãe ficou louca de preocupação e o obrigou a voltar para casa nas férias de inverno                      

-falando no assunto, nós dois já estávamos conversando sobre esse ano novo – Allura fala após ter escutado a discursão, ela explica animada se levantando para jogar a bandeja vazia da lasanha no lixo – e não custa nada passarmos juntos novamente, o ano novo será daqui seis dias mesmo

-sem querer desapontar, mas o do ultimo ano foi um desastre – Matt diz receoso e olha para sua irmã que fez uma careta ao ouvir a ideia de sair no Ano novo

-esse ano não terá nada de festa publica da empresa – Allura se adianta e eu apenas escuto  

O que diabos aconteceu ano passado? É irritante a forma como eles se conhecem, durante toda a minha vida conheci Shiro e nunca me incomodei em lhe perguntar sobre sua vida pessoal, éramos próximos, é verdade, mas não ao nível de nos interessarmos pelas atividades um do outro. E ai esse bando de gente que conheci a menos de 24 horas fez minha cabeça borbulhar com perguntas sobre suas vidas, é estranho isso, faz com que eu me sinta perdido e deslocado.

-na verdade foi bem legal – Lance diz e todos se viram para ele assustado – tirando a parte que Collen fingia não reconhecer os próprios filhos ou quando Allura e Honerva se encavam de um modo nada amistoso

-minha mãe não se deu muito bem com o sumiço de meu pai ou com o fato de Pidge ter desistido da carreira de bailarina – então eles são os filhos dessa Collen, de repente não ter minha mãe por perto parece muito melhor que essa situação

-não precisamos recordar disso – Allura balança a mão desviando o foco da conversa pela segunda vez – o fato é que Shiro nos convidou e pronto

-imagino que vá ser lá em casa sendo assim – tento adivinhar e fico não entendo quando Shiro nega, onde mais seria?

-eu ia te dizer hoje – nossa, ai vem bomba – vai ser na minha nova cobertura e eu queria todos meus amigos mais próximos lá, tenho algo importante a anunciar

-vai com calma – levo minha mão a cintura batendo o pé de forma inconsciente, caralho, virou festa da uva agora – primeiro voce me diz do nada que vamos mudar de endereço e em seguida fazer suspense – tentei me conter, mas porra, tenha piedade

-não adianta reclamar – Shiro diz pegando minha bolsa – agora vamos, tchau pessoal, a gente se vê dia 31 – resmungo um tchau e começo a seguir o outro pelo corredor, até que Allura chama minha atenção

-Keith, espera, quero conversar com voce em particular – congelo no meio do caminho, todos olham para mim e não dizem nada, Shiro diz que me espera no carro e entra no elevador, em silencio sigo Allura até a varanda – teve noticia do colégio durante esse recesso de inverno? – já até imagino qual é o assunto

-ela não respondeu minhas mensagens durante esses dias – respondo ríspido e avalio a vista dali, o vento frio balança meus cabelos enfatizando a da cidade com seus pontinhos coloridos das luzes de natal em meio à neve branca – sinceramente, por que fui inventar de te ajudar? Romelle me avisou para deixar quieto

Foi assim que reconheci Allura logo de cara. Ela foi responsável por conseguir uma bolsa integral para Romelle, uma das minhas poucas amigas na Da Vince, e Allura vinha demostrando preocupação com a menina visto que Romelle esta num relacionamento com o babaca do Stephen, um filhinho de papai com quem Mel vive num apartamento nessa zona nobre da cidade. Seis meses atrás entrei em contato com Allura, poucos meses depois que virei amigo de Romelle, quer dizer, o máximo que eu podia ser com aquele idiota de seu namorado sempre por perto.

Esse era o problema de toda a questão, a forma como Stephen, leia-se o aluno popular e jogador de futebol, monopolizou logo de cara a menininha do interior da Califórnia para si, Romelle se transformou em seu novo brinquedinho, quero dizer, namorada, e ele é muito possessivo, mesmo que viva a traindo com quase todas as meninas a um raio de dois quilômetros da escola. Como um bom amigo identifiquei de cara sinais muito claros de um relacionamento abusivo, tentei ajudar muitas vezes, mas só sai como o vilão da historia, típico.  Estou basicamente servindo como bode expiatório para Allura, uma vez que eu não sabia, não sei, como ajudar Romelle nessa situação, mas não deu em nada até agora ter pedido ajuda a mulher

-e o que voce quer que eu faça, obrigue a menina a terminar com o namorado? – Allura responde em seu típico tom gelado e centrado, mas esta mais para algo intimidante no meu ver, fazia com que ela tivesse sempre razão mesmo não sendo o caso   

-eu já te falei milhares de vezes como Stephen a humilha na frente dos colegas e acredite cada vez que eu tento ajudar ele age como se eu fosse lhe tomar a namorada – bato na mesma tecla de sempre, cara doente – mas tudo o que voce faz é agir segundo sua logica de recém formada em medicina psiquiátrica, ou seja, deixar ela exposta a desenvolver um problema mental fodido – sempre me assusta o fato de todos com quem me importo estarem distante de mim a todo o instante, seja por uma barreira geográfica ou comportamental

-sou a responsável por ela não confiar em ninguém e se falo para deixar ela ver isso por si só é por que já tentei inúmeras vezes convence-la a morar sozinha ou comigo aqui na cobertura – Allura responde perdendo a paciência

-de qualquer forma voce só queria conversar sobre isso? – pergunto impaciente, essa conversa já deu para mim de qualquer forma

-acho que sim – com essa resposta me viro para ir embora – Keith – ela chama poucos segundos depois – a verdade é que Shiro não me encontrou por acaso, ele teve mais uma crise ontem e me chamou ao aeroporto assim que chegou – a mensagem não respondida, eu devia ter previsto – fique de olho nele nesses próximos dias, por favor 

-acho que para voce sou só um espião e não irmão ou amigo das pessoas – ironizo seu pedido de cuidado, a verdade é que nunca fui com a cara de Allura e desconfio de que ela não goste muito de mim também, ou talvez eu só esteja descontando minha raiva nela       

Ela permanece calada, essa foi minha deixa para embora ir de vez. Quando voltamos para a sala percebo que Shiro esqueceu o maldito envelope com sua autorização seja lá do que for encima do balcão, pego o documento e ando em direção ao elevador. Lotor já havia chegado e estava sentado no sofá, Allura se senta ao seu lado e antes que eu possa entrar no elevador escuto um trecho de sua conversa.

-vai passar o ano novo com a gente? – foi à voz da mulher

-dessa vez não vai dar, tenho que ir para New York, foi mais uma decisão das meninas... – a porta do elevador se fecha e só me resta o silencio mais uma vez, este meu eterno companheiro 


Notas Finais


esse foi bem longo mesmo, o proximo sera quase metade desse e acredite eu não vejo a hora de postar ele, a medida que a historia avança vou ficando mais animada para continuar. Mas me digam, voces ainda estão animadas continuar a ler fics de bem... Voltron?


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...