História Sublime Surrender - Capítulo 1


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Categorias The Exorcist (Series)
Personagens Personagens Originais
Tags Marcus Keane, Marcus X Tomas, O Exorcista, The Exorcist, The Exorcist Série, The Exorcist Slash, The Exorcist Yaoi, Tomarcus, Tomas Ortega
Visualizações 112
Palavras 6.926
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Lemon, Slash, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Como podem ver, esta fic não possui conteúdo original.
A solicitação da criação da categoria "The Exorcist" não foi atendida e a dica que me deram foi postar a fanfic na categoria das originais. Enfim...
-
Ambientei a fic nos primeiros episódios da segunda temporada da série. Tentei não me segurar tanto nos detalhes das personagens citadas, então esta fanfic não possui nenhum spoiler, pode ler sem medo...
Bom divertimento!

Capítulo 1 - Capítulo Único


Fanfic / Fanfiction Sublime Surrender - Capítulo 1 - Capítulo Único

O terror nos olhos de Marcus Keane invocava toda a preocupação que acumulara durante os seis meses em companhia do Padre Tomas Ortega e sua crescente arrogância, comum à sua juventude. Mesmo tendo ouvido do ex-padre todas as razões imagináveis e consideravelmente sensatas sobre os perigos de se deixar o mal penetrar a mente, Tomas continuava dando espaço para tais visitas, insistindo que se o demônio abaixasse a guarda em seu poder, sempre haveria uma saída para se livrar do mal presente dentro da vítima de possessão.

Aquilo não fazia o menor sentido para Marcus. Permitir que sua mente fosse tocada pelo mal, corrompendo todas suas lembranças e esperanças, não poderia levar a mais nada além de uma maldição que corroeria suas almas por toda a eternidade.

Mas lá estava Tomas frente a frente com o corpo possuído de Cindy, com suas pupilas esbranquiçadas denunciando que aquela batalha agora ocorria em seus domínios mentais.

- Não...

Desejou com todas as forças que seu coração entendesse aquela ação como algo bom, que as certezas de Tomas povoassem suas preocupações, e aquele sentimento ruim em seu peito se tornaria algo agradável, talvez até divino... Mas pela primeira vez em anos as esperanças fraquejaram, e intimamente se perguntava se aquela ainda era sua luta pessoal ou Deus havia lhe mandado um substituto ao invés de um parceiro.

E o medo de perder Tomas transformou a preocupação em seu rosto no mais profundo horror.

-----x-----

Marcus preferia que nada daquilo voltasse a acontecer. Não queria tornar a colocar Tomas na posição de expor seu dom para demônios e à Estrela da Manhã. Uma classe maior na hierarquia demoníaca e Tomas seria servido como uma iguaria nos jantares de gala do inferno. Era arriscado demais manter aquilo e não tinha mais forças para argumentar com o mais jovem à respeito disso, mesmo que tenha percebido que o próprio necessitava de um tempo para recompor as forças.

As últimas semanas deixaram óbvio que, ao utilizar seu dom, até então considerado um presente de Deus, Tomas ficava evidentemente esgotado física e mentalmente, e, apesar de terem debatido veementemente sobre como deveriam atuar dali em diante, posicionou-se preocupado para amparar o corpo quase desfalecido do padre, guiando-o para o quarto de hotel que dividiam temporariamente em Montana.

O cansaço também o assolava, mas deixar Tomas em segurança naquele aconchego momentâneo, e o mais agradável possível para um hotel de estrada, era a prioridade. Deixou-o na cama e o viu afundar-se em seu mundo dos sonhos em uma rapidez que deveria ser recorde. Viu a clesma, que simbolizava a pureza e dedicação do padre pela igreja católica, apertar-lhe a garganta devido à posição desconfortável com que o corpo de Tomas caíra na cama, então o endireitou e não ousou tocar o colarinho. Tomas tossiu e franziu o cenho, apertando as mãos no lençol bagunçado daquela cama, ainda inerte em meio ao merecido descanso, e Marcus sentiu o estômago revirar ao notar que o padre precisava que o colarinho branco fosse retirado. Tocou aquela peça comum à padres e a puxou, abrindo alguns botões da roupa negra de Tomas, assim como desafivelou seu cinto e retirou seus sapatos. Respirou fundo e as mãos tocaram os pés desnudos de jovem.

Lembrou-se do mistério que ocasionou o primeiro encontro dos dois e em como Deus esperava que ele reagisse diante uma pessoa como o padre Tomas Ortega. Quando o conheceu sentiu o sangue, antes decepcionado com as perdas de exorcismos passados, pulsar novamente em suas veias, lembrando-o do prazer espiritual que ajudar as boas almas do Senhor lhe proporcionava. Tomas o fazia se lembrar de como ser um instrumento divino na luta contra mal saciava sua curiosidade do mundo, dos prazeres da carne e de uma vida repleta de amor. A luz que o envolvia fazia suas retinas arderem, como se Tomas fosse um presente direto das mãos de Deus.

Fechou os olhos e rezaria ali mesmo, tocando os pés de Tomas, agradecendo por sua presença e dizendo a si mesmo que tudo o que sentia por aquele homem era a mais justa e profunda admiração.

Mas então abriu os azuis e viu o mais jovem solto confortavelmente em cima da cama, braços espalhados e peito à mostra, boca entreaberta e respiração ofegante passando por ela, e algo nada divino surgiu na cabeça do excomungado.

Deixou de tocá-lo e encaminhou-se para o outro lado da cama, sentando-se ali, vigiando o precioso sono de Tomas. Um carinho crescia em seu coração sempre que o observava dormindo. Nada naqueles seis meses o envolvia com tamanha paz de espírito do que presenciar o descanso daquele homem. Nunca questionou esse fato, não precisava pensar muito à fundo naquilo.

Não devia pensar aquilo.

-----x-----

Queria sair.

Precisava sair.

Não podia mais ficar ali sentado velando o sono de Tomas, tomando cuidado para nada despertá-lo antecipadamente. Abaixou o olhar e respirou fundo, produzindo um som característico que poderia ou não ter acordado o mais novo.

- Descanse.

Marcus preparou-se para levantar da cama e sair do quarto quando sentiu Tomas segurar a barra de sua jaqueta preta, impedindo-o de deixá-lo.

Não pode mensurar o tempo que passaram olhando um para outro depois disso, mesmo sabendo que Tomas provavelmente estava em meio ao adormecer e o despertar completo. Mesmo assim, perceber o olhar amendoado do jovem padre sobre si em sua forma mais pura, sem qualquer crítica, continuava lhe transmitindo aquele tão agradável sentimento no peito.

- Obrigado.

Ouviu o homem dizer com alguma dificuldade, não conseguindo limpar a garganta para tornar os sons mais audíveis.

- Pelo o que? – Perguntou, confusamente surpreso.

- Por sempre cuidar de mim... Sempre estar aqui quando preciso.

Marcus gesticulou parecendo lisonjeado, como se apreciasse que sua gentileza estivesse sendo notada e cortejada, como se a adoração quase blasfêmica por aquela pessoa finalmente tivesse rendido alguma atenção.

- Eu não sou responsabilidade sua, mas mesmo assim você...

- Pode parar por aí mesmo. –  Marcus interrompeu. – Eu te tirei de Chicago e da sua igrejinha. Você com certeza é minha responsabilidade.

Viu Tomas abrir um pouco mais os olhos, parecendo tentar ao máximo permanecer acordado.

- Mas...

- Descanse.

Marcus disse, saindo daquele quarto e fugindo daquele clima inconveniente o mais rápido que pode. Era um homem extremamente social e carinhoso com o próximo, porém ainda se sentia encurralado pelo olhar atencioso do parceiro.

Precisava de ares mais agitados, algo barulhento que fizesse sua mente esquecer os interesses desconcertantes causados pela presença de Tomas. Pensou no primeiro bar que entrara desde a chegada ao estado, o único que fora em semanas, na verdade. Talvez ingerir alguma bebida o ajudasse a pensar melhor no próximo passo a seguir, assim como o som da guitarra Gibson Les Paul que ouvira da última vez que Tomas o acompanhara até lá. Ele o havia deixado e apreciara sozinho o som reconfortante daquele instrumento, até se sentir agraciado por um tipo de olhar que ele conhecia muito bem, porque sempre o direcionava para Tomas. Sua presença em locais públicos chamava atenção por ser uma perfeita mistura de charme e maturidade, e Marcus sabia disso. Se ver rodeado por toques gentis de estranhos e segundas intenções vindas dos próprios não era nenhuma novidade para ele. Não sabia se devia se sentir orgulhoso ou não de tirar vantagem dessa situação.

O que acontecia depois, ele trancava em sua memória e impedia que os demônios tivessem conhecimento de tal lado da sua vida. Não sabia bem como fazia isso, mas desde os 12 anos confrontava o mal que possuía corpos humanos, então se esse era um fato, trancar uma parte de si em meio à bagunça que era sua vida, era relativamente fácil.

-----x-----

A farsa que foi o caso da menina Harper Graham fez Marcus repensar a humanidade, o que não fazia há consideráveis anos. Estranhou que o convívio com seres desprovidos de qualquer bondade o fizesse questionar a existência humana em sua plenitude pura empática, mas testemunhar uma mãe exercendo uma influência tão tóxica na própria filha o desgastou espiritualmente. Perdera a paciência com Tomas em alguns momentos durante a espera por notícias da pequena Harper, no hospital, e acabara por dizer que talvez tenha sido um erro eles terem começado aquilo, ou mesmo terem seus caminhos compartilhados.

Arrependeu-se no exato momento em que disse aquelas mentiras.

Comprou-lhe alguns aperitivos industrializados que eram vendidos em máquinas pelos corredores do hospital e, em sua esperança quase infantil, esperava que o padre entendesse que aquele gesto era um pedido de desculpas.

Talvez, se Tomas pensasse um pouco mais com carinho e prestasse atenção no comportamento do ex-padre, ele até mesmo entendesse o presente como uma declaração.

Riu com aquele pensamento e deixou que ele povoasse sua cabeça por mais alguns segundos antes de voltar para a realidade.

Tomas massageou as têmporas e aceitou a comida, sorrindo cansado e agradecido enquanto olhava para o pacote de salgado lhe entregue.

- Obrigado... – Disse, começando a aparecer decepcionado com a comida, talvez por não ser de um sabor que apreciasse.

Marcus se sentou ao lado de Tomas naquela sala de espera e começou a comer do alimento. Pouco tempo se passou até o padre resolver destruir a paz instaurada no lugar.

- Qual o próximo passo?

- Cama.

O mais velho respondeu cansado, não se preocupando em pensar que talvez não tivesse sido a melhor forma de se expressar.

- Minha vontade é dormir por uns dois dias...

Suspirou cansado e percebeu o olhar preocupado de Tomas sobre si. O braço fora tocado pelas mãos geladas do outro e se virou para talvez entender o que aquele ato significava.

- Você está bem?

Percebeu uma pergunta genuína, não aquela que se faz apenas porque os bons modos exigem. Suspirou derrotado de novo e começava a se sentir incomodado quando percebeu que perdera a conta de quantas vezes fizera aquilo durante o dia. Sentia uma quantidade de sentimentos ruins crescendo, causando um mal estar em sua barriga, contrastando com as boas sensações que a presença e companhia de Tomas lhe proporcionavam.

- Eu sou um cântaro vazio...  A graça Dele viaja através de mim, se torna forma, palavra, poder. É assim que sempre foi. Mas não mais.

O olhar de Tomas sobre si pareceu quase chocado, mas entristecido.

- Agora tudo está se esvaziando e nada está enchendo... – Meias verdades. – E o último resquício se vai quando as palavras secam.

- Se as palavras secarem, eu estarei lá.

Marcus o encarou despretensioso, sentindo alguma luz quente acalmar os nervos debilitados.

- Somos parceiros. – Disse decidido, não desviando o olhar.

O cansaço sumiu de imediato e uma nova necessidade invadia seu corpo.

Precisava tocá-lo e isso era quase uma urgência. Permitiu-se tocar seu pescoço, em um conforto carinhoso de agradecimento por aquelas palavras encorajadoras, o que durou dois preciosos segundos. Abaixou o olhar e estalou o pescoço, encostando as costas na cadeira macia daquela sala.

-----x-----

Mais um quarto de hotel e mais uma chegada aterradora e regrada a desolação e dores corporais.

O caminho de exorcistas pelo mundo era marcado por perdas, principalmente. Um lar, amizades, o aconchego que as missas dominicais proporcionavam, o amor concedido pelos fiéis, familiares... Ainda que o desgaste emocional seja deveras imensurável, considerava-se um homem de sorte no meio. Não pensava que Tomas era o grande responsável por tal, apesar de já ter cogitado a possibilidade. Mesmo assim, um bom observador perceberia os sinais, os toques, as intimidades... Dormir em um mesmo quarto de hotel, mesmo que Marcus sempre preferisse dormir no sofá, era completamente aceito por Tomas. Com toda a perseguição da igreja católica e a revolução de integradores ocorrendo em tempo real no Vaticano, eles não poderiam se dar ao luxo de serem pegos separados. Pareciam gostar de dar pequenas desculpas para pequenos atos de intimidade entre si.

- Sente-se na cama.

Tomas disse quando viu Marcus se espreguiçar e se preparar para deitar no sofá vermelho no canto do quarto.

- Foi um dia longo, Tomas, eu preciso dormir...

- Eu sei, mas do jeito que está só vai acordar mais cansado do que está agora...

Pegou uma pequena e desbotada bacia no banheiro e a colocou do lado da cama.

- Coloque os pés aí dentro.

- O que?

- Eu vou esquentar água. Coloque os pés ali.

Apontou para a bacia, gesticulando como se aquilo fosse uma ordem. Esperou o mais velho obedecer, mas o via relutar, dizer que um banho era suficiente, que não precisava se preocupar...

- Faça o que peço, pelo menos uma vez...

Pedir aquilo não era necessariamente justo. Não para Marcus. Ele sempre fazia o que Tomas pedia, mesmo o que não lhe era pronunciado. Na verdade, acreditava que ele mesmo merecia ouvir aquilo de si. Quase se sentiu ofendido, mas resolveu que não era má ideia relaxar os pés cansados em uma humilde poça de água morna.

Sentou na cama e tirou os sapatos, apoiando os braços e erguendo o tronco, sentindo as costas estalarem. Deixou-se cair deitado na cama, apreciando sua maciez, percebendo que Tomas nunca dobrava os lençóis depois de acordar. Sorriu e sobressaltou-se quando sentiu a água quente em contato com a pele dos seus pés e sentou de imediato, vendo que o Padre estava ajoelhado a sua frente, dobrando as mangas da própria camisa e enrolando a barra de suas calças jeans escuras, esfregando um sabonete com as mãos, dentro da água da bacia.

- Não precisa fazer isso.

- Eu quero.

- Uns minutos aqui e eu já vou me sentir melhor, eu não preciso de nada demais.

- Fique quieto, vai molhar todo o chão.

Parou de falar imediatamente e Tomas pareceu agradecido por isso.

Se não estivesse tão preocupado com o barulho que a própria respiração estava fazendo, teria percebido que o mais jovem também parecia respirar forte ante aquela ideia. Tomas fez a maior quantidade de espuma possível devido às condições do sabonete que encontrara no banheiro, e pegou um pé de Marcus, esfregando-o, puxando os músculos, esticando e contraindo seus dedos, providenciando uma massagem interessante aos sentidos do mais velho. Aquilo era bom, era reconfortante...

E era excitante. Deus, era muito excitante.

O nervosismo o consumia, como se estivesse corrompendo o jovem padre ao deixá-lo tocar seus pés, percebendo o simbolismo de se permitir outrem lavá-los para si. A blasfêmia que era aqueles pensamentos, aquela afronta moral e bíblica aos costumes e tradições religiosas, o já claro nervosismo de Tomas praticando aquela ação tão deliciosa... Tudo o deixava à beira de um ataque de nervos. Precisava sair daquela situação, encontrar um refúgio longe de Tomas e aquele comportamento incrível.

E então, relaxou. Tomas desviou o olhar para seu rosto antes nervoso, parecendo admirar cada linha de expressão de sua face. O viu soltar seus pés e as mãos molhadas passaram pelas suas pernas, parando em suas coxas.

- Tomas, você...

- Por favor...

Fora interrompido pela voz firme, mas suplicante do padre.

-... Não diga nada... Ainda não.

O viu afastar a bacia da cama, ficando no lugar do objeto ante Marcus, entre suas pernas. As mãos de Marcus imediatamente encontraram o rosto contraído de Tomas, descansando-as em seu pescoço, vendo-o relaxar junto consigo à medida que o tempo passava e o contato visual se intensificava. O viu se aproximar, continuando a arrastar as mãos pela sua coxa, cintura, até chegar onde queria com seu rosto e ser agraciado pelo beijo daquele anjo em sua vida.

Começou calmo e puro; como o toque brando da luz cálida do sol em uma pele assolada pelo inverno rigoroso. Era como o próprio céu, Marcus tinha certeza de ele fora tocado pela graça divina. Bocas se encostaram e separaram-se como se o encontro tivesse sido inesperado, incerto, mas apreciado, como a troca de olhares mais convictos que se seguiu demonstrou. Marcus respirou fundo, captando toda a mistura de aromas que o perfume doce que Tomas gostava de usar sempre que saíam causava em contato com sua pele. E então o beijo se tornou mais íntimo, curioso e explorador. A maciez da língua do mais jovem em encontro à sua, e os barulhos de apreciação que surgiam em resposta o induziu a continuar e criar esperanças, a ser mais ousado, tentar se aproximar mais do corpo a sua frente.

E Tomas não pareceu se incomodar, deixando espaço para que as mãos de Marcus explorassem sua silhueta e o puxasse com alguma urgência para mais perto de si, abraçando-o forte, aproveitando ao máximo aquele sonho enquanto o mais novo permitisse. Era algo importante ficar atento às reações de Tomas diante de tudo aquilo. Se o padre se sentisse contrariado ou inseguro, queria ter a certeza de interromper tudo o mais rápido que conseguisse fazer seus sentidos se controlarem. Tanta era a preocupação, que não chegara a perceber que Tomas havia tomado a liderança ali, segurando seu rosto, parecendo impaciente ante aquele comportamento deveras atencioso do parceiro. Suspirou forte durante o beijo, produzindo um ruído de apreciação, interrompendo o ato e olhando ofegante e sério para Marcus.

- Eu não... – Tomou fôlego. –... Quero te forçar a nada.

Marcus o olhou confuso, parecia que Tomas havia falado em grego, como quando conhecemos algumas palavras em outro idioma, mas ao ouvi-las em uma frase completa, nada parecia ter conexão. Viu que Tomas esperava por uma resposta direta vinda de si quando este se afastou do seu corpo, inclinando o tronco para focalizar melhor seu rosto.

- Marcus! – Usou um tom mais alto para chamar o ex-padre, querendo dar um fim naquela expressão insuportavelmente desconexa.

- Me desculpe... – O inglês sorriu, não parecendo acreditar no que estava presenciando. -... Só estou um pouco surpreso.

Falou a verdade e Tomas pareceu se aliviar.

Na cabeça de Marcus ele era quem estaria preocupado com uma possível recusa por parte do padre. Ele sempre tão centrado nos deveres para com Deus e sua igreja, o provável seria algo do tipo nunca ter transpassado o imaginário do mais velho. Passou a mão pelos braços de Tomas, que ainda as apoiara em seu pescoço, maravilhado por finalmente poder tocar e conhecer os músculos que sabia que o jovem padre tinha por debaixo daquela roupa. Suspirou sonhador enquanto olhava para o amigo, e Tomas o sacudiu de leve, percebendo sua adoração.

- O jeito que me olha sempre me deixou nervoso. – Passou os dedos pelo maxilar de Marcus, seguindo o caminho do queixo para a boca com olhos atentos.

- Você é maravilhoso... – Disse enfim. – Uma benção para aplacar meu cansaço. Não posso evitar te admirar.

- Não fale assim.

- É a verdade em meu coração, Tomas. – Encostou a testa na do mais novo. – Estive perdido por anos, seguindo meu destino e me decepcionando com a humanidade a cada passo que dava. Esses meses ao seu lado me trouxeram tanta fé quanto os anos na vocação. Você me salvou e sei que sabe disso. Está na hora de aceitar, não é?

O padre pigarreou e gesticulou nervoso, para deleite de Marcus. Vê-lo abaixar a guarda e agir de forma encabulada só acrescentou mais alguns itens na lista mental do mais velho que enumerava os comportamentos e reações do parceiro diante as mais diversas situações. Iluminava-o presenciar sua convicção lidando com o mal encarnado e possuidor, tanto que o incentivava a lutar lado a lado contra a escuridão no coração do mundo. Mas estar diante de um Tomas à sua mercê como naquele momento... Era prazeroso.

Deslizou as mãos pelo pescoço de Tomas e enroscou os dedos na clesma, voltando a respirar fundo e descompassado. O padre segurou as mãos de Marcus com uma agilidade que o outro conhecia bem, pois já o observara se exercitando vezes o suficiente para saber de suas capacidades, e o viu sorrir para si. Sorriu de volta, mas se sobressaltou quando Tomas o puxou para ficarem em pé e se posicionou à sua frente, de costas para si.

- Aqui.

Tomas guiou os dedos de Marcus para o colarinho branco e o ajudou a retirá-lo, jogando-o na cama, aproximando-se do corpo do mais velho e fazendo-o abraçá-lo por trás. O rosto de Marcus afundou-se na curvatura do pescoço do padre, adorando seu odor, seu gosto, provocando movimentos de apreciação por todo o corpo de Tomas. Sentiu seu pescoço ser segurado e um carinho subir pela cabeça e fora puxado para um beijo torto que o desconcertou, pois Tomas se empurrava com mais força contra seu corpo, deixando óbvio que precisava de mais contato físico. Passou os braços por entre os de Tomas e sentiu seu abdômen e tórax, apertando-o quando sentiu o volume dos músculos, desabotoando botão por botão da blusa social preta do outro. Tomas cortou o beijo e suspirou de olhos fechados ao mesmo tempo em que sentia as mãos de Marcus passearem por seu torso, conhecendo e decorando cada sensação que aqueles toques proporcionavam.

Marcus inclinou os quadris para frente, em um movimento praticamente involuntário, buscando por algum contato mais íntimo, temendo alguma represália pelo ato, mesmo que Tomas tivesse soltado um leve gemido em resposta. Continuou a instigá-lo, desafivelou seu cinto e as mãos foram finalmente seguradas.

Quando pensou que aquele era o fim das descobertas preciosas daquela noite, viu-o virar para si e apressadamente retirar sua jaqueta de couro preta já lhe característica, e teve dificuldades em acompanhar os movimentos decididos do mais novo. Riu daquela urgência, sentindo uma felicidade diferente brotar em seu peito. Pensaria sobre como aquilo era inusitado mais tarde, se Tomas permitisse assim.

A camiseta escura que usava por debaixo da jaqueta foi do mesmo jeito eliminada da vista e, tão rápido quanto foram retiradas, Marcus se viu atacado novamente pelos lábios quentes de Tomas, dessa vez um pouco mais vorazes, com abraços mais intensos e contato mais provocativo. As mãos do mais velho deslizavam pelos ombros de Tomas e a camiseta de botão que este utilizava caiu lentamente no chão, selando assim aquele momento fora da cama. O desejo despontou forte em Marcus quando Tomas o empurrou com alguma urgência para o colchão, ajoelhando-se entre suas pernas, posicionando-se em cima de si para sentar em seu colo e o encarar como se estivesse lançando um desafio.

O corpo de Tomas estava ali, seminu acima de si, mostrando-se sem vergonha e praticamente sem pudor, de uma maneira que só ocorria nos sonhos mais profundos de Marcus, e que agora revelava ser uma realidade intensamente melhorada. As mãos percorreram cada linha divisória dos músculos do mais novo, que deixava os braços soltos ao lado do torso, permitindo que o parceiro o tocasse e explorasse cada pedaço da sua carne, deleitando-se com a entrega no olhar de Marcus para si. Então pegou uma mão do ex-padre e a beijou, e Marcus sentiu o coração apertar de um jeito que nunca sentiu antes.

- Te quiero, Marcus.

A atenção de Marcus fora desviada para as palavras na língua materna de Tomas, palavras essas que ele conhecia muito bem. As viagens pelo mundo combatendo o mal o agraciaram com uma notável assimilação de novas línguas, e os olhos miraram o do padre acima de si, tão apaixonantes, lhe transmitindo toda uma coragem de prosseguir o que quer que estivesse pensando.

- Te quiero mucho, y hace tanto tiempo... Estoy esperando por ti hace meses, eso aquí es el cielo para mí.

O silêncio iniciado depois foi algo que pareceu sugar todo o ar daquele quartinho aconchegante de hotel. Marcus não pareceu tão chocado quanto Tomas esperava que parecesse. Na realidade, ele demonstrava algum desconcerto e estremecimento, como se aquelas palavras há tanto proferidas no íntimo do padre, tivesse ferido seus sentimentos. Pensar naquilo lhe causou um mal-estar momentâneo, e esperava uma recusa iminente, que logo foi transformada em uma esperança renovada quando Marcus ergueu-se, e tão rápido quanto se pudesse esperar, colocou Tomas deitado no colchão, ficando por cima do mais novo, invertendo as posições. As mãos depositadas estrategicamente ao lado da cabeça do exorcista, visão mais uma vez provocante para seu rosto, e um sorriso brotou em sua face.

- Eu tive uma visão. – Tomas disse.

- Sim, você tem muitas delas. – Marcus sussurrou, inclinando a cabeça para mais perto do rosto de Tomas, vendo suas mãos o puxar pelo cinto da calça, desafivelando o objeto, deixando a calça mais folgada e confortável, devido às circunstâncias.

- Nela você me deixava eu te tocar do mesmo jeito que eu quero que você me toque...

Marcus engoliu seco, mas não deixou de se inserir no falatório de Tomas.

- E como exatamente isso seria?

O rosto fora puxado para outro beijo, mais necessitado, quase roubado por parte de Tomas, que parecia realmente empolgado para levar aquilo adiante.

O exorcista mais velho não havia criado muitas expectativas sobre até onde o parceiro gostaria de ir naquela situação. Considerando sua posição como representante da igreja católica e de uma jovialidade e energia para o bem que, de certa forma, fazia Marcus acreditar que aquele homem era praticamente imaculado, imaginou que o encontro romântico terminaria tão logo houvesse começado. Mas eles continuavam se instigando, sendo ambíguos e suscetíveis a ideias de como a união seria selada naquela noite.

E Tomas passava a língua pelo seu queixo, parando em seu pescoço, beijando e sugando aquela parte sensível aos carinhos de Marcus enquanto sua mão lhe abaixava um pouco as calças, o suficiente para tomar conhecimento do tipo de cueca que o mais velho usava (boxer) e sua cor (cinza). A língua subiu o caminho inverso novamente, encontrando a orelha de Marcus.

- Assim...

Aquele sussurro não podia ser de Tomas. Marcus pensou algo sobre o quanto a voz do padre lhe soava diferente e intensa quando dita ao pé do ouvido. Por pouco não considerou que Tomas estivesse possuído e um sentimento de tristeza passou resvalando em sua mente.

Teria sido horrível passar por isso, mas olhou-o nos olhos e viu que era Tomas.

O seu Tomas.

E seu Tomas abria as pernas e empurrava os quadris de Marcus para baixo, buscando aquela necessitada fricção íntima que os preencheria de volúpia enquanto se beijavam e conheciam cada ponto sensível, cada marca de pele ou ruga de tempo e expressão dada pelos anos. Sentiu os cabelos curtos serem acariciados, e, se fossem mais longos, certamente Tomas os puxaria, e isso seria tão excitante quanto ter o sexo do padre tocando o seu. Os gemidos começaram abafados, pelos beijos, por lábios crispados que ainda pregavam que a boa convivência em hotéis os impedia de gritarem e pedirem por mais.

- Eu te amo, Tomas. – Marcus apoiou um cotovelo na cama e a outra mão apertou uma perna de Tomas, acariciando-a em meio ao estímulo preliminar, erguendo-a e movimentando-se com um ímpeto mais revigorado em seus quadris.

Tomas gemeu mais alto e fora perfeito, do jeito que Marcus havia há muito imaginado. Mordeu-lhe o pescoço, como também esperava há tempos, passou a língua pela marca vermelha que deixou naquela pele deliciosa aos seus sentidos, e sussurrou-lhe as mais diversas declarações, esvaziando o coração apaixonado de todas as promessas de amor e estratégias para o futuro dos dois enquanto aquele ato de carinho mútuo ocorria.

E em toda sua convicção de que a realização de quaisquer desejos seria algo mais do que aceitável, Marcus o soltou, inclinando-se sobre aquele corpo que parecia ter se sentido abandonado pelos três segundos que se seguiram, até aquecer novamente com o contato dos lábios do mais velho pelo abdômen, em uma caminhada que traçava sua rota até o umbigo do padre, se demorando em beijos e carícias em seu ventre quando tentava desabotoar cegamente a calça. Tomas o ajudou, ofegante e com olhos atentos às ações decididas do parceiro, um meio sorriso quase vitorioso nos lábios. O peito subia e descia rápido conforme acompanhava a necessidade de Marcus lhe tirar as calças com urgência, levando seus sapatos para o mesmo canto isolado do quarto. O viu parar e encarar seu corpo trêmulo por segundos que pareceram horas e o segurou forte pelo queixo, trazendo-o de volta àquela realidade, instigando-o a continuar. Marcus apoiou a palma de uma mão no tórax de Tomas, olhando-o com carinho e volúpia, em um pedido mudo que dizia para não perder nem um detalhe do que viria a seguir:

O ex-padre sorriu ao sentir o cheiro da peça íntima de Tomas, e passou os lábios de leve pela sua virilha, sentindo-o estremecer à menor aproximação. Riu abertamente e a mão no tórax do padre o apertou, acariciando seus mamilos enquanto a outra mão abaixava a roupa de baixo de Tomas e segurava o sexo ao padre. Pareceu ficar surdo por um momento, e então percebeu que o coração batia com tanta força e rapidez que os demais sentidos não conseguiam acompanhar toda a evolução daquelas imagens.

- Estonteante. – Sussurrou para si mesmo, no seu mais carregado sotaque britânico enquanto a boca se entreabria e recebia o falo desperto do amante.

- Deus... – Tomas apertou os olhos e arqueou as costas em resposta a tal contato, agarrando a mão de Marcus em seu peito, respirando pesadamente pela boca.

Obrigou-se a abrir os olhos e acompanhar o crescimento de seu desejo por aquele homem despontar mais e mais à medida que Marcus subia e descia pela extensão de seu sexo, devorando-o com tanta delícia em sua expressão, notando um sorriso constante no canto dos lábios do mais velho. Outra mão escorregou pelo próprio corpo até a cabeça de Marcus, acariciando-o, encorajando-o a prosseguir e deixá-lo completamente maluco em meio à tamanha loucura.

Um temor divino pode ter passado pela cabeça do casal, mas se alguma vez existiu, seria questionado depois de toda demonstração de amor que seguia firme, já que nada mais que a satisfação do prazer físico preenchia aquele espaço. Era um local de adoração sem julgamentos, onde existia apenas um objetivo a ser conquistado. E Tomas contorceu-se na boca de Marcus, com a mão arranhando o próprio corpo, sentindo o prazer chegar ao seu ápice ao ser lambido e lambuzado com a saliva do mais velho.

Marcus gemeu ao sentir a viscosidade do gozo de Tomas em sua boca, deixando escapar um pouco pelos cantos, limpando o que deslizava pelo queixo sem demora antes de ajoelhar-se entre as pernas do mais novo, segurando suas pernas, ajudando-o a dobrá-las, já que o padre ainda parecia entorpecido demais para prestar atenção em seus movimentos tão rápidos e decididos. Viu-se observado por olhos semicerrados e um corpo que ainda parecia sofrer espasmos pós-orgasmo, e inclinou-se para beijar aquele homem lindo que se permitia ser tocado e desejado daquele jeito impuro.

Tomas apreciou o gosto peculiar na boca de Marcus e aproveitou o quanto pode, abraçando-o pelo pescoço, descendo as mãos pelas costas denudas do ex-padre, passando os dedos por ela em um carinho gostoso e carente de alguém que só deseja proporcionar tanta satisfação e alegria quanto possível. O britânico voltou a se erguer, acariciando as coxas de Tomas enquanto posicionava-se em uma posição de completa dominância naquela relação. Os braços de Tomas se esticaram querendo tocar Marcus e inclinou o tronco para alcançá-lo, sentando-se na cama, beijando-o novamente, descendo os lábios pelo pescoço do mais velho, as mãos trabalhando em abrir-lhe completamente a calça e buscar o membro excitado de Marcus para si, brincando em uma massagem sensual que fez o parceiro pender a cabeça para o lado de olhos fechados e boca sussurrando palavras desconexas, como se Marcus estivesse arranjado um lugar em sua mente para orações naquele momento.

Quando os murmúrios misteriosos cessaram, Tomas fora interrompido de seu entretenimento pessoal, sendo empurrado abruptamente para deitar-se novamente na cama. Gargalhou surpreso e mordeu o lábio inferior quando testemunhou Marcus passar saliva no próprio pênis e ofegar ante a visão do padre segurando as pernas, convidando-o para concretizar aquele ato mútuo de contemplação.

- Ven aquí...

Negar um pedido daqueles vindo de um homem tão exageradamente agraciado com uma beleza estonteante, ainda mais em meio à excitação, era provavelmente um dos testes impostos pelo bem maior, para averiguar se a luta contra seus desejos reprimidos seguia vitoriosa. Mas o quanto amar Tomas era errado? Era realmente um pecado tão mortal deixar-se levar por um sentimento que preenchia seu coração de tamanha felicidade e satisfação? Não necessitava de mais anda além do olhar suplicante do jovem abaixo de si, que pedia tão graciosamente para ser possuído pura e completamente. Era o paraíso, estava sendo recompensado pelos anos de horror e solidão, agonia e desespero. Encontrar a ternura do toque de Tomas àquela fase da vida, só poderia ser interpretado como milagre na mente de Marcus.

- Tomas...

O padre excomungado deslizou os dedos pela cama, pelos cantos do corpo de Tomas, passando as mãos por debaixo de seus ombros, em um abraço que a posição permitia, fazendo o mais novo suspirar ao sentir o pênis excitado de Marcus encostar-se com o seu, instigando-o a acordar novamente e fazer parte daquela nova etapa que se iniciava. Sentiu Tomas se movimentar abaixo de si, incitando maior contato e fricção, fazendo-o gemer prazerosamente com a ideia de penetrá-lo e finalmente conhecer a sensação de plenitude apaixonada. Beijou-lhe o pescoço quando o padre pendeu a cabeça na cama, sentindo-o arrepiar em contado com seus lábios, o gosto salgado de seu suor lhe inebriando e deixando a mão acariciar a lateral nua de seu corpo, apertando uma de suas nádegas, puxando uma coxa, fazendo uma perna dobrar em sua cintura.

Ouvia as declarações em espanhol de um Tomas tomado pela sensualidade, preenchido de luxúria, e só desejou vê-lo gritar por si, gemer alto em seus ouvidos e gozar forte em sua mão, e aquilo continuou não lhe parecendo um pecado tão mortal. As mãos do padre desceram até seus quadris, passando-as por debaixo da roupa de baixo desalinhada, abaixando as peças de roupa que o impediam de tocar seu parceiro por completo, ouvindo-o chiar entre dentes como se quisesse conter um pedido, alguma necessidade intensa em seu ser. Empurrou Marcus contra si, apertando suas nádegas, aumentando a pressão entre seus corpos, e sentiu o mais velho tremer e suar em cima de si. Uma mão segurou com força seu queixo e beijou-o calorosamente, esperando que o companheiro entendesse o que desejava ao esfregar-se com imperiosidade contra si.

Marcus abaixou o olhar para o ventre e teve a visão indecente do pênis de Tomas duro novamente, esfregando-se contra o seu, deixando-o louco a cada repetição daquele vai-e-vem delicioso. Uma gota brilhante de pré-gozo escorria do membro do mais novo e foi a deixa para Marcus segurá-lo e masturbá-lo vagarosamente, para certa agonia do amante.

- Pare de brincar comigo... Por favor...

O pedido era sincero e claramente sofredor, mas Marcus não pode fazer nada além de sorrir. Aquilo o fez conhecer uma nova sensação, que mais tarde seria nomeada como sadismo, algo nada puro e pouco saudável, mas deixou-se levar por aquele poder que tinha em mãos. Tirou as calças com uma mão, pois a outra ainda acariciava a extensão do membro de Tomas, brincando da maneira que gostava de brincar consigo mesmo em seus momentos privados de masturbação pecaminosa. Largou-o, e, em um súbito de dominância que chegou a lhe assustar, Tomas o fez deitar de costas na cama, sentando-se em seu colo novamente, fazendo Marcus colocar suas mãos em sua cintura.

- Isso já foi longe demais. – Tomas disse com o sotaque que Marcus simplesmente amava.

- Use-me como quiser, Tomas... – O padre interrompeu os movimentos e encarou o homem abaixo. -... Eu sou seu, agora e para sempre.

Tomas crispou os lábios e estreitou os olhos, parecendo fazer força para entender o que aquilo significava, mesmo já tendo sido tão claro quanto possível em todas suas declarações até aquele momento.

O viu erguer seu tronco malhado, segurar seu pênis e sentar-se nele lentamente, não cortando contato visual, sem quebrar a conexão que os uniria para sempre naquele ritual blasfemador. Apertou as mãos na cintura de Tomas quando o prazer despontou em movimentos, deixando-os atordoados e praticamente egoístas em relação aos seus sentidos. Ajudou o padre a se movimentar de forma a proporcionar mais prazer para os dois, guiou-o a buscar seu ponto de prazer extremo, atento às suas expressões e reações. O mais novo ainda parecia deslocado de certa forma, tentando fazer com que Marcus se encaixasse de um jeito mais satisfatório em si, sem lhe proporcionar qualquer desconforto ou dor, evidenciando assim que aquela provavelmente era sua primeira vez com um homem.

“É claro que é primeira vez dele, idiota”.

Pensou o inconsciente impuro desperto de Marcus, que não podia esperar pela oportunidade de corromper o corpo imaculado de Tomas.  

“Tome-o para si, domine-o por completo”.

Marcus gemeu ao sentir Tomas treinar um movimento mais acelerado em cima de si, denunciando algum progresso em seu desenvolvimento íntimo.

“Faça ele implorar pelo seu pau como se fosse um viciado”.

Sacudiu a cabeça em negativa e ofegou forte, querendo mudar de posição, sentando-se na cama, criando um maior contato ainda entre os corpos nus. Abraçou-o pela cintura, sentindo-o tremer e gemer seu nome quando a língua do mais velho passou por seus mamilos, quando os lábios brincavam e pressionavam-se naquela pelezinha sensível que proporcionava um deleite novo aos sentidos de Tomas.

- Marcus...

O seu nome saía daquela boca bem desenhada como uma canção profana recitada por um anjo, e aquele pensamento se embaralhou com a entrega completa do homem em seus braços.

- Marcus...

Deixou-o deitado novamente, mas virando-o de bruços na cama desta vez, fazendo-o erguer os quadris e deixá-lo em uma altura em que penetrá-lo não era só instigante, mas visivelmente confortável. Sorriu para o amante quando este o espiou por cima dos ombros, empurrando-se contra suas nádegas e finalmente preenchendo-o como desejava.

- Eu estou aqui, meu amor. – Beijou-lhe as costas e um arrepio subiu por ambos os corpos.

- ... – Tomas engasgou quando sentiu uma estocada mais forte, fazendo seu corpo tremer. – Assim, assim.

Sussurrava palavras desconexas durante os movimentos recorrentes de Marcus em si, sentindo a frequência aumentar gradativamente aos gemidos do mais velho, vendo-o tão absorto em seu mundo de prazer que chegou a se sentir orgulhoso de si por estar proporcionando tal sentimento potente no outro homem. Acompanhou-o nas estocadas, apertando os olhos e finalmente chamando por Marcus daquela forma necessitada que o mais velho desejava, agraciando-o com o poder de lhe fazer ter um orgasmo no momento que bem entendesse. Havia encontrado o ponto doce no corpo de Tomas que o deixava em tal condição e enfiou-se mais forte e rápido sempre que ouvia um pedido, uma declaração fervorosa, ou um choramingo suplicante do mais novo.

Ouviu uma risada triunfante, mas não percebeu que ela havia saído de sua boca. Curvou os lábios e sua movimentação lembrava alguma nova oração para os céus os levarem para um lugar seguro para poderem se amar com força e mais força todos os dias, até não aguentarem mais e sucumbir aos julgamentos divinos e, talvez, cair para o sofrimento eterno. Se tivesse sorte, Tomas o acompanharia, e não percebeu o quão terrível era aquele pensamento.

A fisgada característica assolou seu ventre e aquela fantasia não perduraria para sempre, como tão fervorosamente desejava. Agarrou-se às costas de Tomas, sentindo que o parceiro correspondia o abraço com uma mão, apertando-o, ainda penetrando-o com certa força, certa voracidade, vendo-o ser recebido e aceito por aquele corpo vibrante até derreter-se em sua morada, aconchegar-se ante sua companhia ao deitarem-se de lado na cama.

Respirou pesadamente e encontrou a força necessária para fazer Tomas virar-se para si e segurar forte seu pênis por entre o abraço íntimo, visando um único e pontual objetivo. Tomas precisava ter o segundo orgasmo em suas mãos para selar aquele contrato implícito e torná-los ainda mais cúmplices do que jamais foram até aquele momento.

E assim aconteceu, com Tomas contorcendo-se em suas mãos, agarrando-se aos seus ombros à ponto de arranhá-los, o ar saindo de sua boca quente e úmido batendo em seu rosto atento, olhar fixo naquela obra prima divina que era o padre Tomas Ortega.

Um minuto de cansaço um abraço forte sendo trocado até a mente voltar a clarear, presenteando-lhes inconvenientemente com o fim daquela aventura, pelo menos por ora.

E então, o temor retornara.

Marcus perdeu-se na sensação maravilhosa de ter Tomas completamente seguro em seus braços, mas um choque de realidade lhe assolou a mente. Estava perfeitamente adaptado a enterrar sua situação curiosa no peito e esconder suas fraquezas e desejos dos ataques diabólicos do mal que combatia constantemente, porém isso não incluía o calor abençoado de um amor correspondido. Considerou que tudo dependeria de um treinamento mental estratégico com o qual estava acostumado, mesmo sabendo que estava sendo demasiadamente otimista.

Mas e quanto a Tomas?

Ele era sua responsabilidade total e completa, e desde que se conheceram, não fazia nada além de colocá-lo em constante perigo, e isso incluía amá-lo incondicionalmente.

O dom do padre, sua empatia aflorada e suas feições e ações amorosas para com Marcus não eram algo que ele poderia simplesmente fingir que não existia dentro de si, como ele mesmo fazia com alguma praticidade. Não condizia com o perfil benevolente de Tomas.

Apertou o abraço, sendo correspondido pelo amante, talvez por motivos divergentes. O temor no coração não passou, mas sentiu-se capaz de enfrentar uma Legião, o que, dadas as circunstâncias, não demoraria a acontecer; Lidaria com seus demônios pessoais quando o parceiro estivesse pronto para acompanhá-lo naquela batalha que estavam prestes a iniciar juntos.

E lutariam dispostos a vencer, com a ajuda de Deus ou não.

Fim


Notas Finais


Eu gostaria de ter falado mais sobre a devoção dos dois, sobre os dons do Tomas, e uma enxurrada de outras coisas, mas acabei focando só na relação entre eles mesmo... Espero escrever mais sobre esse dois, eles são tão cativantes em cena ♥
??”
Sobreviventes que leram até o final? Enraivecidos e temerosos religiosos prontos para me atacar? Estou aberta à críticas construtivas, prometo. :)
??”
Não foi minha intenção ofender ninguém ao escrever essa fanfic, aliás. Só para deixar bem claro...
-
Aos leitores de HEROIC WISH: Nossa fic ta voltandoooooo \o/


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