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História Submerso - Capítulo 1


Escrita por: e aesty


Notas do Autor


olá meus amores ^^
está é uma estória vinda direto da administração então espero que gostem.
vamos conversar mais nas notas finais?

AVISOS IMPORTANTES!!!!
a estória contém menção de mutilação, depressão e suicídio.
por favor leia apenas se estiver bem e preserve sua mentalidade pois mesmo que seja uma estória motivacional não quero que ninguém se sinta mal lendo algumas cenas.

bem vindes a superfície, onde aprendemos a nos amar.

Capítulo 1 - Emergindo


— Por favor de tempo, por favor, por favor de tempo. — murmurei enquanto corria nas calçadas desviando de quem estava à minha frente — Que ele não tenha feito isso, por favor.

Estava à duas quadras do meu apartamento. Desde a aula de dança, quando recebi sua mensagem, me coloquei em disparada de volta ao nosso apartamento.


Nam, perdoe-me por não dizer nada sobre como estou me sentindo. Sei que havia prometido da última vez, mas eu não posso mais te incomodar. Adeus.

Jimin, 3:58 P.M.


Tirei meu celular do bolso, disquei o número da emergência com os dedos totalmente trêmulos e o coração apertado. Conseguia, naquele momento, ouvir cada pulsação de meu coração. Parecia que ele queria sair do meu peito e correr ao meu lado, para assim chegar até ele. Precisava vê-lo ou não me perdoaria.

Finalmente à frente das portas daquele maldito prédio que, justamente naquele dia, parecia muito mais longe do que realmente era; me coloquei a subir as escadas o mais depressa que podia pulando até mesmo alguns degraus para ser mais rápido.

Nem me dei o trabalho de recepcionar o porteiro que estranhou minha pressa repentina, já que eu sempre lhe cumprimentava. Seu olhar era confuso pela minha pressa tendo em vista, neste instante, minha falta de educação em não respondê-lo, porém ele poderia me perdoar hoje. Minha prioridade estava em outro lugar. 

Meu andar era o terceiro, então com pouco tempo já estava em frente a porta completamente ofegante. Com a chave no trinco praticamente escancarei a porta e a larguei, aberta mesmo, para trás. No corredor ao lado da sala, estava a porta do banheiro a qual me coloquei a bater como um louco.

— Jimin? Jimin abre essa porta e me escuta. Jimin? Eu vou arrombar se você não vir aqui fora e não to brincando. Abre logo! Jimin!

Sem obter nenhuma resposta, tomei uma distância considerável e decidi me lançar contra aquela maldita madeira, até que conseguisse abri-la e ter novamente meu pequeno. De novo, tomei a distância que o lugar me permitia e concentrei toda a minha força no ombro direito. Joguei-o contra a porta que logo, por conta do impacto, se abriu fazendo o fecho cair em direção ao chão.

Varrendo rapidamente o lugar com meus olhos, não encontrei-o em parte alguma.

Droga Jimin. Onde está você?

Minha atenção foi levada a um pequeno rádio, localizado no box. As notas de “Magic Shop” foram logo reconhecidas por mim, música feita numa tarde de tédio pelo squad.

Fui até o aparelho a fim de desligá-lo, entretanto olhando com mais atenção para o box, na banheira uma sombra se fazia. Meu desespero se fez presente mais uma vez ao encontrar Jimin submerso.

— Jimin!!! — Bradei a todo pulmão puxando-o dali sem pensar duas vezes.

Seu corpo mole estava gelado, eu esperava que fosse apenas por causa da água. Seus lábios, antes rosados, agora estavam em um tom levemente roxo.

Logo todas as lições de enfermagem se esvaíram de minha mente e, de repente, voltei a ser como uma criança indefesa que, sem saber o que fazer; me coloquei a chorar.

Massagem cardíaca.

Respirei fundo e coloquei-me em cima do pequeno corpo iniciando a massagem enquanto murmurava para Jimin.

— Seu nanico idiota. Você não pode me deixar assim, está me entendendo? — Falava pausadamente a cada compressão. Puxei o ar e colei nossos lábios soprando-o para ele. Logo retornei à massagem. — Eu to mandando você abrir esses olhos Park Jimin.

Sete minutos nesta situação e nenhum sinal de que Jimin voltaria a respirar.

— Calma Namjoon. Procure se acalmar.

Me recompondo retornei a impulsionar-me sobre seu corpo.

— Vamos lá, Jiminie. Eu sei que você é forte e quer ficar aqui comigo. Abre os olhos, por favor pequeno.

O desespero de não ter nenhum retorno por parte dele me consumia. Logo pude ouvir dois homens vestidos em branco adentrarem a casa, no mesmo instante que Jimin recobrou seus sentidos.

— Respira devagar Jiminie, devagar. — Dizia para o garoto que se sentava enquanto tossia expelindo toda água ingerida.

Gritei um hey para ajudar os enfermeiros a nos localizarem.

Jimin me olhou ainda tossindo. Seus olhos arregalados tentavam me dizer algo ao mesmo tempo que seus pulmões clamavam por oxigênio. Algo estava não estava certo.

Uma lágrima caiu de seus olhos, seguido por um grunhido de dor. Olhando sua mão que apontava para ao lado da banheira consegui notar o que ele queria me mostrar. Espalhadas ao chão haviam diversas cartelas de comprimidos, agora vazias.

— D-dói muito, Nammie. — Murmurou em meio as caretas de dor.

O tempo pareceu correr mais rapidamente depois que peguei Jimin no colo levando-o, junto aos dois homens para dentro da ambulância, estacionada à frente do nosso prédio.

O porteiro logo entendeu do que se tratava e me lançou um olhar preocupado. Ele gostava de Jimin por ser tão adorável.

Subimos rapidamente na ambulância e aquele barulho da sirene me lembrava constantemente da situação. Os ponteiros do relógio, a cada tic tac, se tornavam os meus maiores inimigos. O corpo a minha frente me jogava numa vala de medo e assombramento. A incerteza do que poderia acontecer daqui para frente me causavam angústia.

Jimin teve seu pequeno corpo conectado a diversos fios que começaram a emitir sons de bips. Os enfermeiros que ali estavam iniciaram os processos necessários para tentar mantê-lo consciente durante o caminho, enquanto me faziam perguntas a quais eu não sabia como responder.

O caminho nunca foi tão lento como agora e isso só me fazia ansiar a nossa chegada para que ele conseguisse sobreviver. Seus olhos estavam fechando, porém Jimin lutava para mantê-los abertos como eu vinha pedindo aos sussurros e lágrimas.

Quando finalmente chegamos levaram Jimin direto para um corredor emergencial. Segui eles logo atrás, todavia um dos enfermeiros me parou antes que eu pudesse encostar na maca.

— Senhor Kim, preciso que fique aqui esperando. Vamos fazer nosso melhor para que Jimin se recupere novamente.

Novamente. Essa simples palavra me lembrava que aquela não era a primeira visita ao hospital por tal motivo e isso me enchia de ódio. Não de Jimin, mas de mim mesmo. Eu não estava fazendo o suficiente para que ele ficasse bem e aqui comigo. Eu não estava cuidando direito dele como prometi.

Inconformado, triste, preocupado e angustiado fui me sentar no lugar designado aos que esperam por notícias. O lugar que me fazia um completo inútil no momento.

Busquei pelo meu celular nos bolsos para comunicar os meninos sobre o que sabia do estado de Jiminnie, afinal todos somos muito unidos e nos ajudamos integralmente uns aos outros.

Estou no hospital com o Jiminnie. Ele fez de novo e precisa da gente. Mesmo hospital da outra vez. Venham logo, certo? Vou estar esperando por vocês perto da recepção.

Namjoon, 5:02P.M.

Assim que digitei a mensagem e enviei ao nosso grupo, uma enfermeira conhecida se sentou ao meu lado.

— Nosso Minnie? — questionou e eu apenas afirmei com a cabeça. — Hey, levante esses olhos, garoto.

Suspirei fundo. Chungha era uma enfermeira simpática que, desde que começou seu estágio, ficava ali comigo enquanto o restante dos meninos estavam a caminho. Segundo ela, para que eu não ficasse pensando demais e acabasse ficando paranóico. Ela era a pessoa quem me dava conselhos e evitava que eu explodisse no meio daquele ambiente.

— Ele… Ele realmente me o-odeia ao ponto de não conseguir ficar mesmo comigo estando ao seu lado? — perguntei enquanto lágrimas grossas desciam novamente pelas minhas bochechas. — Eu não sou mesmo o suficiente para ele?

— Isso. Solta tudo isso que está dentro desse coração. — Chungha passava os braços ao meu entorno, num abraço de lado, enquanto afagava meus cabelos. Me sentia como um pequeno filho que havia ralado o joelho e era confortado pela mãe.

— Eu queria apenas que ele entendesse e se visse com os meus olhos. — Continuei. — O quão insubstituível é, de como ele consegue esquecer de seus próprios problemas para ajudar alguém, o quanto faz os meninos e eu felizes com ele. Poxa ele é praticamente a versão humana daquele ditado "merece o mundo mas o mundo não o merece".

— Bem, primeiro Namjoon, você não pode se culpar pelo que se passa na cabeça de outra pessoa. Eu entendo que você quer ajudá-lo mas ele precisa ser auto-suficiente e não depender de outro alguém. Não leve isso que te digo para um lado ruim mas, meu amigo, Park Jimin não precisa de ninguém ou de algum motivo para "estar aqui" e sim querer por si manter-se, compreende? — Seus olhos transmitiam a mesma calma que suas palavras enquanto tentava me fazer entender o que dizia. — Olha, se Jimin se apoiar em alguém e algo acontecer com esse alguém, a situação do nosso pequeno vai desandar novamente podendo tomar o mesmo fim que hoje. Se ele se apoiar em algum motivo, pode ser que adiante esse motivo não faça mais sentido e aconteça a mesma coisa. Ele precisa se apoiar em si mesmo e ser sua própria força, mas para isso ele precisará de ajuda, então Namjoon não seja o motivo dele mas seja aquele que o ajudará a ser a própria força. Não há mal em querer protegê-lo sempre, entretanto ele precisa aprender a voar com as próprias asas sabendo que você estará ao lado. Não estou dizendo para abandoná-lo à mercê do mundo mas a estar do lado dele mostrando que ele, com suas próprias armas, pode vencer e também o auxiliando quando necessário.

Alguns outros enfermeiros passavam em nossa frente e a garota tentava se esconder ao meu lado. O que de alguma forma deu certo.

— Resumidamente e sem tanto sentimentalismo, Namjoon ajude Jimin a ser a própria luz quando tudo escurecer mas lembre que às vezes precisamos de alguém então mantenha-se por perto. Ele precisa se amar. Diga a ele que vou visitá-lo depois que meu turno acabar, ok?

Disse se levantando enquanto os meninos apareciam na recepção e outra enfermeira, Sunmi, chamava seu nome.

Todos os cinco começaram a me questionar quando chegaram perto, porém eu ainda estava absorvendo tudo que Chungha havia me dito e, por este motivo, não lhes respondi de imediato.

— Detesto quando o Nam está com essa cara. — Jeongguk cochichou para Jin. — Nunca parece ser algo bom quando ele está tão pensativo. 

— Acompanhantes de Park Jimin? — Um médico apareceu com uma pequena prancheta em mãos olhando ao redor, mesmo que só nós estivéssemos na sala.

Levantamos e, como Jin era o mais velho, este se apresentou como responsável.

— Bem, Jimin está quase saindo da lavagem neste momento. Não houve nada sério porque ele foi socorrido a tempo e, quando terminarem, ele irá tomar algumas vitaminas e remédios na veia juntamente com um soro. Provavelmente, quando este acabar ele estará muito sonolento por conta de serem medicamentos pesados, então se quiserem entrar e conversar com ele esta é a hora. Por favor, entrem dois por vez.

E saiu.

— Está vendo Nam? — Hoseok agachou-se em minha frente. — Não precisa mais ficar assim já que nosso bolinho de arroz está bem agora. Quer ir primeiro?

Neguei.

— Vão vocês. Eu irei por último.

Hobi deu um pequeno sorriso, enquanto os outros decidiam quem iria primeiro. Taehyung sentou ao meu lado e, da mesma forma que Chungha, me abraçou de lado afagando meus ombros.

[...]

Um tempo se passou e Taehyung já não estava mais ao meu lado. Quem ocupava seu lugar era Yoongi que mantinha o olhar fixo para sua frente. 

A primeira dupla havia sido Jeongguk e Jin, logo após foram Taehyung e Hoseok, estes que já estavam vindo no corredor.

— Você pode ir. 

Virei a cabeça em direção ao hyung menor. — O quê?

— Eu sei que você está louco para vê-lo. Eu posso esperar mais um pouco e ir com o Tae já que ele quer voltar lá antes que Jimin acabe dormindo pela medicação. — Yoongi hyung voltou um olhar doce e um sorriso compreensivo para mim. — Vá falar com ele.

— Hey. — Ouvi Taehyung. — Pega leve com ele.

Taehyung estava preocupado e isso era um fato, mas não apenas com Jimin. Quando estava ao meu lado o pequeno de cabelos azuis me dizia que estávamos todos fragilizados com a situação mas que, assim como todas as vezes, iríamos superar e procurar ajuda para Jimin. Eu sabia que, no fundo, Taehyung ainda tinha medo ou receio de que eu surtasse com o seu soulmate, como da primeira vez que o vi dessa forma. O mais novo conseguia ser tão inocente quanto uma criança.

Assenti lhe dando um pequeno sorriso de volta e levantando, indo em direção ao quarto. O maldito quarto.

210. O número marcado na porta era tão familiar. A ala que continham números de 200 à 230 eram quartos reservados para esses tipos de pacientes. Para pessoas como meu Jiminnie.

Toquei a maçaneta gelada e logo flashes de Jimin passaram em minha mente. No meu momento desesperador em que Jimin estava tão gelado quanto ela.

Entrei e o singelo sorriso de Jimin foi sumindo aos poucos e seus olhos correndo por todo o lugar, evitando contato com os meus. Manti meus olhos baixos enquanto seguia para cadeira ao lado de sua cama, porque não queria fazer ele sentir-se mais desconfortável.

Silêncio. 

Um silêncio gritante. 

Seus dedos apertavam os lençóis e seus olhos inquietos gritavam todos os pedidos de desculpa que eu sabia que viriam.

— Nam, me desculpe te fazer passar por isso novamente e por…

— Quem é Park Jimin? — O interrompo, ainda com os olhos fixos em sua mão. 

— Como?

Ergui meu olhar encontrando o seu totalmente confuso e marejado. 

— Quem é Park Jimin? Me diga.

— E-eu não sei.

Me endireitei, virando meu corpo de frente ao seu, e encarando suas orbes.

— Então eu te digo. Biologicamente, Park Jimin é um aglomerado de células que trabalham num corpo. Sentimentalmente, Park Jimin é um completo bobo chorão que ama a todos mais do que a si mesmo. Mas eu não sei quem possa ser Park Jimin aqui dentro dessa cabecinha.

Silêncio.

— Nam você deveria me deixar. — Uma lágrima escorreu por uma de suas bochechas. — Eu não sou alguém que se deva ter por perto. Na verdade eu não sou alguém que nenhum de vocês deveriam manter próximo. Eu sou uma montanha russa que oscila demais e acabo trazendo vocês para esse tipo de situação. Não sou alguém feito para ter contato com outras pessoas porque eu só arrasto vocês para esse poço onde estou.

O brilho do medo em seus olhos era o que mais se destacava. Jimin sempre teve medo de ficar sozinho e ser abandonado.

— Jimin, eu te amo tanto. — Sorri para ele. — Eu estou aqui. Pegue minha mão. Eu sou real, eu estou aqui porque te amo e me preocupo contigo. Eu não vou sair do seu lado nem que me peça isso.

— Me desculpe… por... — Seu olhar baixo e sua voz hesitante me confirmavam que Jimin estava prestes a chorar profundamente, entretanto Park jamais fazia isso na frente de outro alguém pois, segundo ele, não quer parecer fraco. — Me desculpe por fazer isso com você.

— Fazer o que? — questionei sorrindo abertamente mesmo que meus olhos se encontrassem cheios d'água. — Me fazer o homem mais feliz do mundo por te conhecer? Me fazer o homem mais feliz do mundo por ter aceito entrar na minha vida? Me fazer o homem mais feliz do mundo por ter aceito me namorar? Me fazer o homem mais feliz do mundo por poder acordar e ver sua cara toda babada às nove da manhã? Me fazer o homem mais feliz do mundo por ser quem é e me amar como eu sou, aceitando todos os meus defeitos? Me fazer o homem mais feliz do mundo por me permitir olhar seus olhos se comprimindo enquanto seu enorme sorriso surge nesses lindos lábios? Me deixar ser o motivo deles? Me fazer querer apertar essas suas bochechas a cada quinze segundos? Me proporcionar os momentos mais incríveis da minha vida? Me fazer quase morrer de rir toda vez que você acaba desequilibrando, caindo e rindo de si mesmo comigo? Me ensinar o que é o amor na sua forma mais pura? Me mostrar que todos aqueles sentimento açucarados de livros de romances que líamos poderiam sim ser reais? Me deixar te acompanhar na dança de sua valsa mesmo eu tendo dois pés direitos? Me fazer acreditar que mesmo pisando no seu pé, tropeçando nas mesas ao redor, derrubando um garçom, manchando de alguma forma o chão com meu sapato quando derrapava nele e te fazendo passar vergonha com minhas caretas a cada passo errado, eu era um bom dançarino? Jimin eu poderia ficar nisso por anos se fosse preciso para te fazer entender que eu não tenho arrependimento algum em ter tropeçado num nanico abaixado amarrando o tênis durante o colegial.

Abri ainda mais meu sorriso quando pude ouvir sua risada soar levemente pelo ambiente. 

— Ah Jiminnie. — Suspirei. — Você não sabe o quanto eu amo esse som.

— Você só está dizendo isso para me fazer sentir melhor.

— Isso está certíssimo, e aliás está funcionando? — Rimos. — Mas não deixa de ser verdade. Eu posso me transformar numa completa piada a qualquer momento do dia se, com isso, eu pudesse arrancar risadas suas. Realmente é o melhor som do mundo meu amor. O meu mundo.

— Eu me pergunto se te mereço Nam — disse sorrindo enquanto mais lágrimas caiam de seus olhos. — Você é sempre tão focado em fazer as coisas devidamente certas e eu estou aqui, tomando seu tempo no trabalho, te fazendo sair dele e ainda atrasando-o. Estou ocupando demais a sua vida.

— Que monte de merda é essa Jimin? — Acabei por me exaltar fazendo com que minha voz ficasse um pouco mais alta. — Digo, desculpe. — Respirei fundo apertando sua mão levemente. — Jimin como você está ocupando minha vida se minha vida é você? Meu trabalho não me faz carinho no meio da noite enquanto assisto filme, meu trabalho não tem o sorriso mais reconfortante que eu poderia querer ver, meu trabalho não me conforta quando eu preciso de palavras doces, meu trabalho não faz nada mais do que me trazer renda e algumas dores de cabeça. Jimin ele não te substitui em absolutamente nada. Você é muito mais importante para mim. Nada pode substituir alguém como você, entenda isso.

— Mas Namjoon…

— Jimin — Cortei-o. — Enquanto eu estava lá praticamente do outro lado do mundo, no meu trabalho, você estava lidando consigo sozinho e sofrendo em silêncio. Eu tenho é raiva de tudo que me afasta do meu real propósito que é cuidar e dar amor à você.

Jimin abaixou a cabeça afrouxando o dedos envoltos pelos meus. Os apertei novamente e, com a outra mão, levantei sua cabeça. 

— Por favor não se diminua por nada pequeno. Você não precisa passar por tudo isso sozinho assim. Podemos vencer todas as dificuldades, uma a uma, juntos. — Num leve carinho, passei levemente os dedos sobre suas cicatrizes perto do pulso tomando o devido cuidado para que o outro não ficasse desconfortável. — Eu e os meninos podemos tentar te ajudar mas você precisa nos permitir isso porque nós nunca faremos algo que você não queira. Lembra do que eu te falei quando notei o primeiro corte profundo na sua pele?

Jimin fungou e repetiu minhas palavras, o que me deixou imensamente feliz pelo fato dele se lembrar.

"Eu deveria apenas marcar em mim os momentos felizes, marcá-los em minha memória e coração. Os momentos tristes devem ser apenas vividos e deixados de lado logo depois, porque só precisamos deles para dar valor aos sorrisos". Você até beijou minhas cicatrizes depois dizendo que com beijinho iria sarar mais rápido. — Jimin sorriu ao finalizar.

— E eu fiquei tão feliz quando vi que, pelo menos por um tempo, aquilo tinha dado mesmo certo. Que os cortes não eram mais necessários durante aquele período e que, ao menos aos poucos, os cortes não eram sua primeira escolha. Que havíamos vencido o primeiro desafio. Mas Jimin, palavras são passageiras quando se trata de algo que deve ser cuidado aqui dentro. — Apontei em direção a sua cabeça. — Infelizmente eu só consigo te dizer palavras que aliviam e ajudam momentaneamente ou por algum determinado tempo. Você precisa de ajuda profissional para que fique mentalmente bem. E antes que comece a pensar paranoias, não, eu não estou dizendo, achando ou insinuando que você esteja louco. Estou dizendo que sua mente faz parte do ser humano que você é então, assim como você faz com todo seu corpo, você também tem que cuidar dela. Ir a um profissional da saúde mental não te faz um louco assim como ir a um dentista não te faz um idoso desdentado.

— Esse foi um péssimo exemplo e comparação. — Jimin gargalhava. — Você já foi melhor com isso Nam.

— Me dá uma colher de chá. — Ri junto fazendo graça. — Mas o que importa é você ter entendido o que eu quis dizer.

— Mas Namjoon… — Sua risada foi murchando aos poucos. — Eu não tenho mais solução. Eu sou como uma bomba que está prestes a explodir.

— E é por isso que, tanto os médicos quanto nós, — apontei para ele e para mim. — iremos fazer essa bomba ficar menos ofensiva possível para que, caso ocorra dela explodir, não te cause tanto dano quanto agora. — Fiz um breve momento de silêncio me preparando para a dúvida que mais me assolava. — Jimin, me diga por que fez isso? 

O garoto abaixou o olhar outra vez. Hesitante. Esse momento, essa parte da conversa, chegaria mais cedo ou mais tarde.

— Eu preciso saber Jimin mas, se por algum acaso você ainda não estiver pronto ou eu ainda não seja confiável o suficiente, eu não irei pressionar…

— Eu estive pensando. — Me interrompendo ele iniciou sem olhar-me, mas eu não iria o cobrar isto. Queria apenas que Jimin conseguisse desabafar e, sem interrupções, pudesse dizer tudo o que sentia. — Eu pensei sobre como meus pais devem se sentir decepcionados por ter um filho como eu, pensei em como eu sou inútil a ponto de não conseguir fechar meus olhos para sempre de uma vez, pensei em como meus amigos devem estar cansados em suportar-me por perto por causa do laço que eu criei e que ainda estão comigo porque estão com medo de se sentirem culpados se eu "fosse" ou por terem pena de mim, pensei em como me sinto tão sozinho, pensei em como eu sou um fardo para todos vocês, pensei na vergonha que deve ser para você ter que namorar alguém tão feio como eu, pensei em tantas coisas… — Jimin não me olhava mas, em dado momento, ergueu os olhos em minha direção. Lágrimas cobriam sua face. — Mas principalmente, pensei em como eu sou egoísta prendendo você ao meu lado se eu sempre tento isso.

— Você já gravou a si mesmo dizendo essas coisas? Jimin nada do que você falou realmente é a verdade. Olha, vamos falar como em tópicos tudo o que me disse e analisar juntos, tudo bem para você? 

O loiro acenou que sim com a cabeça e eu fiz um aceno dizendo "não".

— Jimin eu quero ouvir a sua voz.

Silêncio.

— Tudo bem.

— Certo. Você disse sobre seus pais se sentirem decepcionados. Eles já te disseram isso? — perguntei da forma mais calma que pude. Um "talvez" foi proferido de forma baixa. — Jimin, mesmo que dissessem isso ou não, isso deve ter todo esse impacto sobre ti e te fazer ficar mau. Dentro do seu coração é como um jardim e você deve semear apenas as palavras doces.

— Você não me entende Namjoon. É difícil.

— Jimin eu, mais do que ninguém, entendo essa dor que você sente porque eu também senti ela. Eu sei como dói, e dói como o inferno. Mas, sabe, eu aprendi a guardar em mim apenas o que é bom. Demorou demais mas eu aprendi.

Os pequenos, e agora completamente inchados, olhos de Jimin piscavam como quem compreendia minhas palavras. 

— Não quero falar sobre isso agora. Podemos pular esse? — Jimin questionou e é óbvio que eu não o pressionaria.

— Tudo bem. Seu segundo pensamento haviam sido em relação à amizade e sentir-se sozinho, certo?

— Isso. — Jimin respirou fundo.

— Pode notar como isso está errado? Jimin quantos amigos você tem?

— Vários, mas os mais próximos são os meninos e você.

— E mesmo sem considerar estes outros próximos eles estão ligando e pedindo sempre mensagens com atualizações de como você está e quando podem vir te ver. O doido do Sungjae até perguntou se podia trazer chocolate ou isso afetaria algum procedimento médico, Chungha está quase voando pelos corredores só para vir te ver logo e o porteiro ligou dizendo que avisássemos quando estivéssemos chegando porque ele queria sua companhia para jantar. E, os que citou serem próximos, estão ali naquele corredor. Te esperando Jimin-ah. Vê como você é amado e tem várias pessoas contigo? Que se preocupam com todos os detalhes sobre você? 

Jimin sorriu sem mostrar os dentes mas fazendo diversas e fofas ruguinhas aparecerem ao entorno de seu olhar.

— Agora, já que os próximos pensamentos envolvem a mim, eu farei questão de cortar todos eles e te falar com certeza o que se passa na minha cabeça. Primeiro sobre a barbaridade de se intitular de feio.

Jimin riu levemente com as caretas e movimentos que fiz ao anunciar a última frase. — Exagerado.

— Eu? Eu sou exagerado ou Park Jimin exagerou na dose de beleza? Jimin, beleza é algo tão relativo. Eu posso achar alguém tão lindo mas essa mesma pessoa ser tão menos atraente para outro alguém. E isso não a torna feia. O ponto é que você tenta se encaixar em tantos padrões e isso é uma maneira de vida tão desgastante porque, mesmo que você atinja aquele padrão, ele irá mudar. Os padrões estão sempre mudando e se adaptar a eles é extremamente difícil e você estabelece padrões ainda mais rígidos a si mesmo. Por que você não pensa que é mais fácil ser seu próprio padrão? Ser você mesmo é tão mais interessante. Pensa comigo Minnie, tantas pessoas seguem padrões que a sugam e tiram sua própria essência que no final a sociedade é como uma fábrica da mesma boneca mas, se você consegue ser apenas você, isso te torna diferente dos outros e inspira outros a serem apenas eles mesmos. Eu admito que amar a si mesmo é muito mais difícil mas ser diferente do que a sociedade te propõe, te enfiando até caber em diversos moldes diferentes, é muito mais incrível. Ser você mesmo é libertador. Não estou dizendo que todos os dias você entra na frente do espelho e se acha a pessoa mais sedutora mas é assim mesmo. Nem sempre vamos estar cem por cento mas amando nossas imperfeições vamos matar muito menos o "eu" interior. E sobre nosso relacionamento: Park Jimin eu escolhi ter você ao meu lado e por isso você não está me prendendo. Quando eu digo "eu te amo" inclui todos os seus defeitos e qualidades porque foi por esse ser que eu me apaixonei, por esse Jimin cheio de manias.

— Mesmo que elas sejam maiores que minhas qualidades ou mesmo que eu seja meio maluquinho?

— Jimin. — Fiz questão de olhar em seus olhos. — Se, nesse momento, você decidisse sair por esses corredores gritando que é um alien eu vou estar atrás de você gritando que eu amo e sou namorado do alien mais fofo e carinhoso do mundo. Se é o que te faz feliz e não machuca a ninguém, você sempre terá todo o meu apoio.

— Você é tão mais doidinho do que eu às vezes. — Jimin concluiu rindo.

— E é assim mesmo que eu te quero. — O abracei. — Rindo muito.

— Nammie.

— Pode dizer. Sempre vou te ouvir. — Encorejei-o já que ele parecia não querer me olhar para dizer aquilo que queria.

Jimin estava tenso.

— Realmente acredita que, mesmo eu sendo assim, sou o suficiente para você?

Sorri ameno mesmo que ele não pudesse ver e comecei um afago em seus cabelos. Ele, mesmo depois do que foi falado, ainda estava inseguro sobre si.

— Jiminnie, meu amor. Eu não posso afirmar nada disso e sabe por quê? Porque não é com referência a mim que você deve se achar suficiente mas com base em si mesmo. Você deve se sentir suficiente apenas para si e, quem não gostar de ti, é por ter uma perspectiva muito pequena sobre pessoas. Seja apenas você e vai ter por perto quem precisa ter. Sejam poucas ou muitas pessoas mas que sejam verdadeiras e gostem do real Park Jimin.

— Eu te amo, Nam. — Sua voz ressoou ao pé do meu ouvido. Tão singelo quanto o mesmo.

— Eu também te amo, Jimin. Prometo que vamos entrar juntos nesse labirinto que é tudo isso, vamos resgatar tudo o que se perdeu lá dentro, juntar todos os seus eus escondidos, passar por cima de todas as muralhas de dificuldades, superar todos os medos e no final você vai ver que tudo isso, cicatrizes e lágrimas, são só parte da grande constelação que você é. Que no final, a maioria dessas estrelas serão de alegrias e momentos bons. Prometo que você vai ser sua própria luz Jimin. Me promete que vamos conversar sobre você sempre que precisar?

— Ainda quer acreditar nas minhas promessas vazias sobre mim mesmo? — questionou com os olhos levemente surpresos e se separando de meus braços gradativamente. Como se eu ainda lhe querer por perto fosse algo surreal.

— Não. Eu quero acreditar em você.


Notas Finais


se você chegou até aqui eu agradeço ♡

o que acharam? espero que eu tenha conseguido passar a mensagem que pretendia.
eu queria abordar muitos mais temas maa achei que ficaria conteúdo demais então talvez tenha extra?

e sobre essa capa incrível que foi feita pela @biazoides ??? eu ainda to sem chão de tão linda. nossa adm de design é muito perfeita.
e o que falar dessa betagem? @wisepack muito obrigada por sempre ter me auxiliado com essa estória e sempre.estar disponível pra me ajudar a melhorar o enredo.
agora a parte que eu vou lutar pra não ficar maior que o conteúdo da estória: dedico essa estória a todos que compõem o minjoon_project, tanto leitores quanto nossa staff muito querida, mas principalmente pra maknae das adms @hwannievih
taehy saiba que meu objetivo com essa estória é te fazer entender que eu te amo muito e não importa a situação vai ser eu e você sempre! quando precisar eu vou estar ao seu lado a todo momento minha anjinha.
não te deixei avaliar tanto assim por que era surpresa pra ti ksksks

enfim amo todos vocês ♡
dêem amor as estórias da staff hm?


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