História Submissive - Capítulo 20


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin), Personagens Originais
Tags Amizade, Bts, Dom!jungkook, Jikook, Kookmin, Romance, Sub!jimin
Visualizações 3.315
Palavras 9.277
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Lemon, LGBT, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oioioi :D parece que dessa vez esse negócio de postagens semanais vai dar certo, finalmente <3

Hoje não tenho muito o que falar aqui nas notas iniciais. Mais uma vez, obrigada a quem sempre tira um tempinho pra comentar! me deixa feliz saber o que vcs estão achando da história. E obrigada tb (de novo) por todos os favoritos <3

Boa leitura!

Capítulo 20 - Breakdown


Eu não soube o que fazer, por tempo demais. Ver Yuta beijando Yukwon foi algo que nem mesmo uma mísera vez se passou por minha cabeça.

Era aquele tipo de coisa que eu não classificava como improvável ou impossível de acontecer, porque nem mesmo a possibilidade existia, não para mim. Entretanto, eu não parecia o único atordoado.

Enquanto Yuta tomava o chá, ainda com uma expressão cabisbaixa, e Taeyeon alisava suas costas num gesto carinhoso, Yukwon permaneceu no quarto, demorando muito mais tempo do que qualquer pessoa demoraria para arrumar uma cama.

Quando finalmente voltou, ele entregou uma muda de roupas limpas e uma toalha para Yuta, sem olhá-lo diretamente.

— Vá tomar banho, depois pode dormir na minha cama. Você precisa descansar — Yukwon disse, até um pouco apático, enquanto colocava um travesseiro e um lençol sobre o sofá, onde se acomodou. — Eu durmo aqui.

Yuta hesitou por algum tempo, parecendo indeciso sobre olhar para Yukwon ou para o chão, mas acabou concordando, com a cabeça baixa.

Depois de entregar a xícara vazia para Taeyeon, que ofereceu um sorriso carinhoso em troca, Yuta ficou de pé, mas ainda parou com o olhar fixo em nosso amigo antes de finalmente ir até o banheiro.

— Eu vou fazer alguma coisa pra ele comer antes de dormir. — Taeyeon disse, preocupada, com a voz contida quase num sussurro. — Acho que o coitado não deve ter comido nada antes de fugir de casa, né?

Eu assenti, ainda sentindo meu estômago revirado com toda aquela história, apesar de meus olhos estarem fixos em Yukwon, que só reiterou minha resposta com um gesto fraco.

— Eu já volto, então — Ela disse, ainda com os olhos inchados pelo choro anterior, quando ficou de pé e sumiu na cozinha pela segunda vez.

Sozinho com Yukwon, eu olhei para ele, ainda parado feito uma estátua no mesmo no lugar, antes de perceber que ele me olhou de volta enquanto desdobrava o lençol para se cobrir, tentando encaixar o corpo esguio no sofá pequeno.

— O que foi? — Ele perguntou, provavelmente estranhando meu olhar fixo.

Eu engoli a saliva em minha boca, sentindo-a quase seca, e olhei para o resto da sala para confirmar que estávamos mesmo só nós dois ali, para só então voltar a olhar para ele.

— Yukwon... — Eu o chamei, um pouco atrapalhado. — Eu estou doido ou... ou o Yuta realmente te beijou?

Eu vi a pele ao redor de seus olhos se franzir. — Você viu?

Assenti, em silêncio, e ele suspirou, deitando a cabeça no travesseiro quando fechou os olhos.

— Não foi nada. — Ele disse, então. — Ele só ficou meio errado das ideias depois de passar pelo que passou hoje. Nós dois sabemos que ele é hétero.

Eu apertei meus lábios, sem saber se aceitava aquela explicação.

— E se não for? — Contestei, me aproximando dele. — Ele gosta de meninas, mas também pode gostar de meninos, né? Kihyun e Jeonghan gostam dos dois... Jungkook também...

— Ele gosta de mulher. — Yukwon resmungou, puxando o lençol para cobrir a cabeça. — Esquece isso e me deixa dormir em paz.

— São oito da noite, Yukwon.

— Só porque tá cedo eu não posso dormir? Vai se foder.

— E eu vou dormir onde? — Perguntei, tirando a coberta de cima do seu rosto. — Não vou voltar pra casa agora, minha mãe ainda tá possessa porque eu passei o dia todo com o Jungkook e eu tô com medo dela.

— Dorme aí no chão. — Ele respondeu, tentando cobrir a cabeça outra vez, mas eu o impedi e comecei a empurrá-lo para o lado, para arranjar algum espaço para mim. — Caralho, Jimin, me deixa em paz!

— Eu vou dormir aqui, vai mais pra lá — Afirmei, ainda empurrando-o, e ele bufou violentamente antes de se afastar, deixando parte do sofá vazio.

Eu sorri, vitorioso, antes de me deitar do seu lado, brigando também por um pedaço do lençol quando apoiei minha cabeça ao lado da sua, no travesseiro.

— Ei. — Eu o chamei quando ele já estava com os olhos fechados, vendo que sua expressão parecia tão diferente do usual, um pouco tensa. — E se o Yuta gostar de você?

— Isso não tem a menor chance de acontecer. Cala a boca e dorme.

Eu suspirei, vencido, quando percebi que, bem no fundo, eu concordava com ele. Não existia a menor chance de Yuta ter qualquer sentimento além de amizade por Yukwon e aquele selinho só podia ter sido consequência do desequilíbrio emocional dele, na hora.

Me convencendo disso, eu continuei deitado no sofá, disputando o pouco espaço com Yukwon, mas sem conseguir dormir. Ao meu lado, meu amigo continuava com os olhos fechados, mas o ritmo de sua respiração entregava que ele também ainda estava acordado, e continuou assim quando Yuta voltou à sala e, mesmo se recusando a princípio, comeu o que Taeyeon tinha preparado para ele.

— Jimin... — Eu ouvi Yuta me chamar, parecendo um pouco inseguro, e então eu o olhei, preocupado. — Como foi quando você percebeu que... — Ele parou, relutante, e acabou desistindo. — Deixa pra lá. É besteira.

Eu me mexi no sofá, tentando vê-lo melhor. — Pode perguntar. — Incentivei, percebendo que ele parecia ter vergonha de finalizar o questionamento anterior.

Ele então abaixou os olhos e torceu os lábios, pensativo, antes de me olhar outra vez, ainda sem determinação.

— Como foi quando você percebeu que gostava de outros meninos?

Eu tentei não tirar conclusões precipitadas, mas minha mente viajou sozinha pelas possibilidades do que aquilo significava e eu me assustei ao perceber que, talvez, não fosse tão absurdo assim Yuta estar descobrindo que gostava de meninos. Ou, melhor dizendo, que gostava de Yukwon.

— Foi um pouco assustador... — Respondi depois de algum tempo, tentando ignorar a surpresa. — Fiquei um tempo em negação, também, mas o Jungkook foi o primeiro cara por quem eu senti atração e negar qualquer tipo de sentimento por ele é meio impossível, então...

Yuta riu um pouco. — Ele é muito bonito mesmo.

— É, mas não é só isso. — Eu apertei meus lábios num sorriso pequeno, apaixonado. — Jungkook parece um pouco ameaçador e eu gosto disso, mas ele também é tão carinhoso e cuidadoso que me deixa sem ar. E ele é muito esforçado, paciente e tem o sorriso mais lindo desse mundo inteiro... as vezes mesmo quando ele tá longe eu fico feliz só por lembrar que existe uma coisa tão bonita quanto o sorriso dele, porque eu sempre penso que a vida não pode ser tão ruim se é por causa dela que ele pode sorrir... né? — Encolhi meus ombros, um pouco envergonhado. — O Jungkook é a pessoa mais incrível do mundo e eu também me sinto incrível quando estou com ele, então não faria sentido perder tudo isso só por ter medo de assumir que eu sou gay...

Yuta mordeu o próprio lábio, sem me olhar, como se ponderasse algo.

— Por que você quis saber isso? — Eu perguntei, paciente. — Você acha que gosta de algum menino ou... alguma coisa assim?

Ele demorou algum tempo, parado, antes de erguer os olhos e mover a cabeça para cima e para baixo.

— Se um cara me faz rir muito mesmo que passe a maior parte do tempo me provocando, eu gosto muito de ficar perto dele, meu coração fica meio doido quando ele chega perto e... as vezes... eu sinto vontade de beijar ele... quer dizer que eu gosto, né? Não só como amigo...

— Provavelmente... — Eu respondi, vendo a forma como ele parecia evitar olhar só para mim enquanto falava e então seus olhos vagavam, sem muito foco, por toda a sala.

Yuta assentiu mais uma vez. — Eu acho que também fiquei um tempo em negação, como você, mas...

— Yuta. — Eu o chamei, tentando reconfortá-lo com um sorriso. — Não tem nada de errado em sentir o que você tá sentindo, tá?

Ele me olhou, ainda medroso, mas acabou sorrindo de volta.

Eu sabia que ele estava com medo. Eu também estive, também acreditei que tinha algo de errado em mim, e talvez continuasse acreditando nisso por muito tempo se não fossem as pessoas que ficaram ao meu lado e me fizeram perceber que o erro nunca esteve em mim, e sim em quem me fez acreditar nisso.

E assim como Jungkook, Yukwon, Jeonghan, minha mãe e até Kihyun foram responsáveis por todo esse processo até que eu me aceitasse, eu pretendia ser também aquele a ajudar Yuta a manter a cabeça erguida mesmo se alguém tentasse colocá-lo para baixo.

— Obrigado, Jimin — Ele disse, então, com um sorriso verdadeiro iluminando seu rosto ainda machucado pela atrocidade de seu próprio pai. — Eu vou tentar dormir agora...

Eu balancei a cabeça, concordando. — Isso, descanse. A cama de Yukwon é mais confortável, mas se você não quiser ficar sozinho, pode vir pra cá que a gente se ajeita até deitarmos os três no sofá.

Ele riu um pouco, fazendo meu coração se aquecer um pouquinho por ver seu sorriso tomando o lugar do choro sofrido de antes. E então eu confirmei que queria vê-lo sempre, sempre sorrindo.

— Boa noite, Chim.

Quando Yuta sumiu da sala, eu fiquei um tempo calado, ouvindo a respiração tensa de Yukwon ao meu lado.

— Você ouviu? — Eu perguntei, olhando somente para o teto, com a certeza de que ele estava acordado.

Depois de não ter nada além de seu silêncio em resposta, ele se remexeu sobre o estofado. — Se ele estava falando de mim, então eu sinto muito, mas não vai rolar.

Eu senti minha garganta apertar e me senti dolorosamente triste por Yuta, porque eu tinha certeza de que ele estava falando de Yukwon quando me disse tudo aquilo.

E então eu não disse mais nada. No silêncio do seu apartamento pequeno, depois de uma noite completamente bagunçada, eu finalmente dormi para só acordar na manhã seguinte, com o alarme do celular.

Ainda estava muito cedo, então eu tomei cuidado para me arrumar em silêncio quando usei as coisas que estavam na bolsa que estava comigo no hospital. Quando fiquei pronto, eu saí ainda sem fazer barulho e fui até o ponto de ônibus para voltar para casa.

Mesmo querendo ir direto encontrar Jungkook, eu precisava conversar com minha mãe, e já tinha adiado isso por tempo demais. No fundo, eu estava com medo de que ela não o perdoasse como eu perdoei, e me impedisse de ficar com ele.

Quando entrei em casa e a vi dormindo no sofá, então, eu senti meu peito apertar em ansiedade, sabendo que ela passou a noite ali me esperando, mesmo que eu tivesse avisado que dormiria na casa de Yukwon.

Um pouco receoso, eu deixei a bolsa em cima da poltrona e caminhei até me abaixar ao seu lado e tocar seu corpo com cuidado, tentando acordá-la.

— Mãe... — A chamei, medroso. — Mãe, eu já cheguei.

Quando ela resmungou algo incompreensível antes de finalmente abrir os olhos pequenos ainda sonolentos, eu quase comecei a tremer, mas o verdadeiro terror só começou quando, depois de piscar algumas vezes, ela finalmente pareceu se situar na vida e logo sua expressão letárgica metamorfoseou para algo mais intenso, definitivamente mais perigoso.

— Park Jimin. — Ela chamou baixo, mas furiosa como uma leoa ao se sentar no sofá, ainda com os cabelos despenteados e a roupa amassada.

— Bom dia, mãezinha...

— Você chegou agora? — Ela questionou, ignorando meu cumprimento, e começou a me analisar com os olhos iguais aos meus. — Onde você estava?!

— Na casa do Yukwon, mãe, eu disse ontem quando liguei...

— E eu disse que não acreditei! — Ela rebateu, enraivecida. — Você ficou até agora no hospital com aquele... aquele mau caráter, não foi?!

Eu quase revirei os olhos, mas estava com medo demais para isso.

— Não, mãe, eu realmente passei a noite na casa do Yukwon. O Yuta precisou de ajuda... — Eu parei, coçando minha nuca com alguma aflição. — E não fala assim do Jungkook, ele não é mau caráter...

— Mau caráter é pouco pra um monstro que fez meu bebê chorar! Eu estou me controlando para não chamá-lo de uma coisa realmente feia!

— Foi um mal entendido! — Eu insisti, porque nem de longe Jungkook era uma pessoa ruim. — Ele já explicou e já se redimiu pelo erro, eu juro!

— Não acredito nisso. Minha decisão não vai mudar, eu não permito mais que aquele homem chegue perto de você, então você não vai mais naquele hospital, nem em nenhum outro lugar onde ele esteja.

Eu arregalei meus olhos, desesperado. — Mas ele vai embora hoje! Eu prometi que ia me despedir dele, mãe!

— Não importa, Jimin. Você não vai sair dessa casa!

— Eu vou, sim! — Rebati, rebelde, incapaz de aceitar uma imposição que me impedia de ver Jungkook.

— Vá! A polícia vai logo atrás de você e Jeon direto pra cadeia. Não esqueça que você ainda é menor de idade, Jimin.

— Eu não acredito que a senhora tá fazendo isso! — Esbravejei, desesperado.

— Ah, mas acredite! Eu disse que nunca ia deixar ninguém te machucar e não importa se você não concorda agora, no futuro você vai ver que eu só fiz o melhor pra você.

— Para de me tratar como uma criança indefesa, eu não sou mais um bebê! — Quase gritei, furioso, e tropecei no meu pé quando corri até a poltrona para pegar minha bolsa antes de correr para o quarto.

— Jimin! — Ela gritou, mas eu não parei de me afastar e ainda vi meu pai saindo do quarto deles, confuso, antes que eu batesse minha porta, metendo força o suficiente como se quisesse derrubar a casa.

Meu rosto todo estava quente como o inferno, de raiva, e meus olhos lacrimejavam de desespero.

Ainda atordoado, eu fiquei andando de um lado para o outro no quarto, até que toda a fúria começou a ser subjugada, dando lugar unicamente ao medo de realmente ser tirado de Jungkook.

Assustado, eu peguei meu celular e já sabendo que começaria a chorar assim que abrisse a boca para falar a primeira sílaba, abri o aplicativo de mensagens ao invés de ligar para ele.

kook :( [15/10 às 07:22]

minha mãe n quer deixar eu ir te ver [15/10 às 07:22]

ela disse que n deixa mais a gente ficar junto [15/10 às 07:23]

o q eu faço??? [15/10 às 07:23]

jungkook responde por favor [15/10 às 07:50]

eu vou chorar [15/10 às 08:12]

Jun ✨: Já estou chegando pra cuidar disso, anjo. [15/10 às 08:27]

Eu li sua única mensagem e meu coração disparou feito louco, sem saber o que esperar de um encontro entre Jungkook e minha mãe, que àquela altura, o repudiava. Mas o pior não era isso. O pior é que meu pai estava em casa, e ele não sabia. Sobre nada. Nem sobre Jungkook, nem sobre minha orientação sexual.

Ansioso, também com o medo fugindo pelos poros, eu esperei ainda dentro do meu quarto, apertando o celular nas mãos até que a campainha ecoou pela casa.

Sobressaltado, eu levantei num pulo e corri feito um foguete até a porta da entrada antes que minha mãe o fizesse e recebesse Jungkook com um martelo de amaciar carne nas mãos.

Quando eu o vi parado do lado de fora ainda com um curativo na testa, meus olhos automaticamente desceram até sua perna e eu já estava pronto para dar uma bronca caso ele estivesse usando alguma calça que apertasse os pontos, mas me aliviei ao perceber que ele tinha escolhido uma de moletom suficientemente folgada.

— Me dá isso. — Eu disse, puxando a mala de sua mão para que ele não carregasse todo o peso, e logo depois a coloquei ao lado da entrada, no chão. — Você tá bem?

Jungkook assentiu, em silêncio, e eu senti minha respiração se transformar numa lufada pesada, tensa, quando ele tocou minha cabeça e me puxou para um abraço. Sem relutar, eu escondi meu rosto em seu pescoço e apertei sua cintura com meus braços enquanto meus dedos maltratavam o tecido de sua camiseta branca, revelando todo meu nervosismo.

— Jungkook... — Eu o chamei quando sua mão me acariciou, com cuidado, tentando me acalmar. — E se ela não mudar de ideia e não deixar a gente ficar junto?

— Eu vou conversar com ela, meu bem. — Ele disse, com a voz calma, mas eu sabia que era só uma daquelas vezes em que ele continha a própria ansiedade para me tranquilizar.

Eu balancei a cabeça, empurrando-a ainda mais contra a pele de seu pescoço e deixando seu cheiro suave impregnar em mim, buscando nele algum conforto para meu coração agitado. Entretanto, apesar da confiança que eu tinha em Jungkook, meu corpo todo tencionou quando minha mãe finalmente o viu ali.

— Jimin! — Ela gritou, furiosa, e eu logo senti sua mão segurando meu braço e me puxando para longe dele. — O que foi que eu te disse?!

Eu olhei para ela, desesperado, antes de olhar para Jungkook. Eu estava completamente perdido, aterrorizado pela possibilidade de ser obrigado a me afastar dele.

— Senhora Park, por favor,—

— Eu vou ser direta, Jeon. — Minha mãe o interrompeu, firme, ainda me segurando ao seu lado. — Eu te dei uma chance de ficar com meu filho porque acreditei que você o faria feliz, mas eu não acredito mais nisso depois de ouvir o Jimin chorando todas as noites do último mês. Então poupe seu tempo, porque eu não vou mudar de ideia. Enquanto ele for menor de idade, você está proibido de chegar perto dele.

Eu tentei me afastar para me aproximar de Jungkook, mas minha mãe apertou ainda mais meu braço num aviso claro para que eu não fizesse aquilo, e então eu choraminguei, atordoado.

— Mãe, eu já disse que foi um mal entendido. — Eu insisti, apertando uma mão contra a outra em súplica. — Já está tudo bem. O Jungkook me faz feliz, sim, a senhora sabe disso!

— O que eu sei é que isso — Ela apontou de mim para Jungkook, irredutível. — não vai mais acontecer. Então com licença, Jeon, mas você não é mais bem-vindo nessa casa.

Eu quase comecei a chorar de verdade quando vi Jungkook travar o próprio maxilar, tenso. Assim como eu, ele parecia ter percebido que nada do que disséssemos mudaria a decisão de minha mãe.

Mas enquanto minha mente tentava assimilar que eu e Jungkook não ficaríamos mais juntos, ele parecia determinado a continuar tentando. No instante seguinte, eu quase senti meus olhos saltarem quando ele se abaixou com alguma dificuldade por conta dos pontos em sua perna, e então se ajoelhou no chão antes de curvar o corpo, implorando.

— O-o que você está fazendo? — Minha mãe balbuciou, completamente pega de surpresa.

— Por favor, me dê mais uma chance. — Ele pediu, completamente curvado, machucando ainda mais a perna ferida. — Eu sei que errei e me odeio por ter feito o Jimin sofrer, mas acredite em mim, o que eu mais desejo nessa vida é fazer seu filho feliz.

Minha mãe ainda estava paralisada, os olhos quase saltando de seu rosto, e só então eu finalmente despertei do meu próprio transe e me lancei na direção de Jungkook, parando ao seu lado para tentar fazê-lo se levantar.

— Jungkook, sua perna! — Eu anunciei, desesperado, quando percebia que meus esforços eram em vão. Não importava quanto eu o puxava, ele não se mexia. — Jungkook!

— Por favor, senhora Park. — Ele insistiu, ignorando minhas tentativas frustradas.

— Eu... — Minha mãe começou, ainda sem reação e sem conseguir articular qualquer coisa além disso.

— Mãe, ele tá machucado! — Alertei, sem desistir de tentar puxar Jungkook, mas olhando somente para ela com minha visão já turva quando todo o medo e desespero não couberam mais dentro de mim. — Diz pra ele levantar!

Ela olhou para mim, ainda com os olhos arregalados, antes de piscar e finalmente assentir desastradamente. Então ela também se aproximou, ainda incerta, mas não o tocou quando se ajoelhou na frente dele.

— Jeon, não faça isso — Ela pediu, atordoada. — Fique de pé, pelo amor de deus!

— Me deixe tentar outra vez. — Foi o que ele disse em resposta, ainda sem atender nossos pedidos. — Por favor. Eu amo seu filho, então, por favor, me dê só mais uma chance.

— Eu vou deixar você se explicar. Eu vou deixar, então fique em pé, não precisa mais fazer isso! — Minha mãe disse, sem perceber o tamanho do que tinha acabado de sair da boca de Jungkook.

Mas, diferente dela, eu perdi completamente qualquer resquício de equilíbrio emocional que ainda me restava. Porque, pela primeira vez, Jungkook disse que me amava.

Ainda paralisado, eu não percebi quando ele ergueu o rosto, nem quando minha mãe o ajudou a ficar de pé e o guiou, enquanto ele mancava, até se sentar no sofá. Só fiquei parado, no mesmo lugar, incapaz até mesmo de piscar.

Jungkook me amava?

— O que está acontecendo? — A voz de meu pai foi o que ouvi em resposta ao meu questionamento silencioso e, ainda paralisado, eu o procurei com os olhos e vi sua expressão confusa.

Então, não pela primeira vez, meu coração disparou de ansiedade e eu me senti tonto.

Eu não estava preparado para aquilo. Não estava preparado para ouvir Jungkook dizendo que me amava e não estava preparado para deixar meu pai descobrir sobre todo o resto.

Minha mãe, ainda de pé depois de ajudar Jungkook a se sentar, gesticulou para meu pai, também com a expressão um pouco preocupada.

— Querido, vem cá. — Ela o chamou, convidando-o para se sentar ao seu lado.

Ainda atordoado, eu finalmente retomei algum controle e caminhei com as pernas tão firmes quanto gelatina até me sentar no mesmo sofá que Jungkook. Mas, inconscientemente, mantive uma distância entre nossos corpos e não me atrevi a olhar para seu rosto, olhando somente para minhas mãos apoiadas sobre meus joelhos.

— Você está bem? — Meu pai perguntou para Jungkook quando parou ao lado de minha mãe, optando por ficar de pé. — Parece que se machucou.

— Ah, sim, não foi nada demais.

Eu ouvi um suspiro e soube que era um de minha mãe. — Você pode se explicar agora, Jeon.

Eu senti o olhar de Jungkook pesar em mim, e então levantei o rosto ainda a tempo de vê-lo umedecendo os lábios antes de olhar para minha mãe outra vez.

— Eu tinha uma noiva. — Ele disse, então, depois de mais alguns segundos de silêncio. — O noivado nunca foi mais que um negócio, na verdade, mas eu não queria manter aquele contrato e o Jimin acabou descobrindo sobre ele da forma errada porque eu não expliquei como deveria ter explicado, mas eu também não o fiz enquanto tentava rompê-lo. Eu realmente achei que seria melhor deixá-lo de fora de tudo isso, mas agora sei que errei. Eu sei que fiz o Jimin sofrer por todo esse tempo e eu sinto muito por isso, mas eu juro que vou fazer tudo que estiver ao meu alcance para que ele nunca mais chore por mim.

Minha mãe demorou algum tempo, parecendo digerir tudo aquilo, e então respirou fundo. — E esse noivado acabou?

— Sim, senhora.

Ela passou a mão pela testa, consternada. — Da próxima vez que você fizer meu filho chorar, não importa qual seja a justificativa. Eu não vou te perdoar... mas eu vou confiar só mais uma vez em você.

Eu senti como se um peso enorme tivesse sido arrancado do meu peito e suspirei aliviado, sem conseguir esconder um sorriso quando olhei para Jungkook e vi que ele também sorria para mim.

Quando sua mão segurou a minha e eu senti a tensão se dissipar, não lutei contra o impulso do meu corpo e me sentei mais perto dele, deitando a cabeça em seu ombro, mas então um pigarro finalmente me fez lembrar que ainda tínhamos deixado uma ponta solta.

— Alguém quer me explicar o que é tudo isso? — Meu pai perguntou, com as sobrancelhas levantadas e os olhos desconfiados.

Eu troquei um olhar com minha mãe e agradeci quando, ao invés de me fazer tomar a iniciativa, ela mesma tomou a dianteira.

— Jeon e Jimin estão juntos, querido.

— Juntos como um casal? — Ele insistiu, olhando para cada um de nós. Minha mãe assentiu, silenciosa, e meu pai ficou calado até arrumar os óculos sobre o nariz num gesto casual. — Então era isso que vocês dois estavam escondendo de mim? — Questionou, alternando o olhar entre minha mãe e eu.

— Eu não sabia como o senhor ia reagir e pedi pra mamãe não te contar... desculpa...

Meu pai suspirou, assentindo suavemente. — Eu imaginei que seria algo assim... — Ele confessou, e eu não soube se ele estava decepcionado ou não. Mas, de qualquer forma, aquela reação foi muito melhor que todas as trágicas que eu tinha imaginado. — Você já teve conversa com ele? — Perguntou, então, olhando para minha mãe.

— Que conversa? — Questionei, confuso.

Minha mãe pareceu um pouco sem jeito, quase tímida. — Sobre cuidados no sexo, filho...

Eu quase senti meu rosto derreter de vergonha e neguei furiosamente, completamente desastrado.

— Não precisa ter conversa nenhuma, tá? O Yukwon já me ensinou a fazer a chuca!

— Anjo... — Jungkook me chamou, quase como uma repreensão, e só então eu percebi o que tinha dito e cobri minha boca com as mãos, envergonhado.

Meus pais se entreolharam, parecendo muito confusos sobre o que eu tinha dito, e eu respirei aliviado ao perceber que, assim como eu alguns meses antes, eles não sabiam o que era a bendita chuca.

Por isso, depois de mais algumas interações vergonhosas, foi oficializado. Meus pais deram a aprovação clara que me permitiria ser o que, na verdade, eu não deixaria de ser mesmo que eles se colocassem contra. Eles me permitiram ser de Jungkook.

E mesmo sem saber com certeza se meu pai estava decepcionado comigo ou não, eu me senti feliz. Porque, ainda que no fundo ele desaprovasse minha orientação sexual, ele me aceitou.

Mas nem tudo são flores e eu já deveria saber disso. Porque diferente de minha mãe, a quem convenci, meses antes, a deixar que Jungkook dormisse comigo no quarto, meu pai estava irredutível e não queria nos deixar ficar lá juntos pelo tempo que tínhamos antes que ele precisasse ir para o aeroporto. Por isso, fomos obrigados a ficar na sala, sob seus olhares curiosos e desconfiados sempre que ele passava de um lado para o outro.

— Isso é tão vergonhoso... — Choraminguei, quase me enterrando no estofado. — Mas ninguém mandou você se envolver com um adolescente... — Completei com um muxoxo, inflando minhas bochechas logo depois.

Jungkook riu e até mesmo eu sorri quando ele puxou a mão que estava presa à sua e a beijou, demoradamente.

— Eu realmente gostaria de te beijar agora e não posso, mas não tem problema. — Ele disse, baixinho, e então passou o braço por meu ombro, me puxando para perto. Eu estava com as pernas dobradas em cima do sofá e quase tombei em cima dele, mas não reclamei, só deixei meu peso cair cuidadosamente sobre o seu. — Eu fiquei com medo de não poder mais ter você... então isso não é nada.

Eu me encolhi, apertando minha cabeça contra seu peitoral e segurando sua blusa entre os dedos. E ali, eu lembrei do meu próprio medo, mas, principalmente, lembrei de Jungkook implorando pelo perdão da minha mãe, e meu estômago pareceu ser preenchido por uma calota polar inteirinha quando a mesma frase ecoou em minha cabeça.

Eu amo seu filho.

Eu ainda não sabia reagir àquilo. Não sabia se ele só tinha dito aquilo para convencê-la ou se disse sem perceber. A única coisa que eu sabia é que estava com medo de ser a primeira opção.

Por isso, eu não perguntei. Só me permiti aproveitar um pouco mais daquela sensação de que, talvez, Jungkook me amasse.

— Agora me responda uma coisa — Jungkook me chamou, talvez percebendo que eu fiquei distante, e só então percebi que ele massageava meu joelho. — Você realmente aprendeu a fazer enema?

— Enema? — Apertei meus olhos, ainda um pouco lento.

— Chuca, meu bem.

— Ah, — balbuciei, cobrindo meu rosto com as duas mãos logo depois. — que vergonha... eu falei aquilo sem querer, mas... sim, eu aprendi...

Jungkook beijou o topo da minha cabeça e eu senti seu sorriso contra minha pele, me arrepiando quando ele desceu com a boca e beijou o canto dos meus lábios, sem que meus pais vissem.

— Isso é bom. — Ele disse, beijando minha bochecha. Não sei se era por estarmos limitados, mas cada um de seus toques parecia provocativo como o inferno, e meus pelos todos eriçaram quando ele alcançou meu ouvido e completou, com sua voz baixa: — Não vejo a hora de te foder, anjo...

Eu quase gemi, afetado, mas percebi que seria ridículo se o fizesse porque logo depois Jungkook riu, esmagando minha bochecha com um último beijo.

— Você parecia distraído. — Ele justificou, então, comprovando que aquilo tudo tinha sido só uma provocação para me chamar a atenção.

Emburrado, eu dei dois tapas em seu peitoral e contorci toda minha expressão em uma careta, mas acabei rindo quando Jungkook beliscou minha barriga sem muita força e beijou a pontinha do meu nariz.

Entretanto, quando eu tentei me aconchegar ainda mais em seu abraço, meu pai passou por trás do sofá onde estávamos e me empurrou para o lado contrário, me fazendo tombar em cima das almofadas.

— Pai!

— Estavam próximos demais. — Ele disse, sério, me lançando um último olhar de aviso antes de seguir caminhando até seu quarto.

Eu bufei, com o rosto pegando fogo de tanta vergonha, e só me senti mais irritado quando vi Jungkook falhando em conter uma risada. Mais do que nunca ele deve ter me achado uma verdadeira criança, que nem pode namorar na frente dos pais.

Mesmo assim, nós não tínhamos muito tempo. Na verdade, nós nunca tivemos muito tempo. Por isso, eu tentei ser rápido em vencer o embaraço e mesmo que não pudesse tocá-lo e beijá-lo como desejava naquele instante, aproveitei as poucas horas que passamos juntos até que ele tivesse que ir embora.

— Eu queria te levar no aeroporto... — Me lamentei, um pouco triste, quando nos levantamos do sofá e eu o ajudei a caminhar até a porta depois que ele se despediu de meus pais.

Minha mãe não tinha me deixado ir além dali porque, mesmo depois de resolver permitir meu relacionamento com Jungkook, ela ainda estava determinada a me punir por ter passado o dia anterior fora de casa, sem sua permissão.

Então, é, eu estava de castigo.

— Da próxima vez você me acompanha, anjo. — Ele disse, beijando minha testa mais uma vez.

— E quando vai ser a próxima vez? — Perguntei, apertando sua mão com a minha, sem querer deixá-lo ir.

— Eu quero vir na sua formatura. — Jungkook respondeu, acariciando minha nuca com a mão livre. — Não sei se vou conseguir, mas vou tentar.

Eu senti meu sangue gelar completamente, tão aterrorizado quanto estive instantes antes com a objeção de minha mãe.

Porque, àquela altura, eu já tinha percebido que minhas notas baixas estavam baixas demais, e eu sinceramente não sabia se conseguiria me formar com o resto da turma.

Mas, envergonhado demais para admitir isso para Jungkook, eu só mostrei um sorriso um pouco frouxo. — Eu nem quero ir na cerimônia... — Menti, com os ombros encolhidos e sem conseguir olhá-lo diretamente. — Não precisa fazer muito esforço pra vir no dia...

— Mesmo assim, meu bem. Você vai se formar no ensino médio, é uma data importante. Eu vou tentar estar aqui.

Eu assenti, pressionando meus lábios numa linha tensa, quase medrosa. — Tá bom, então...

— Vou esperar você me dizer o dia. — Ele disse, olhando para trás de mim. Ao se certificar que meus pais não estavam por perto, ele me deu um selinho rápido. — Eu preciso ir.

Eu mordi meu lábio, chateado por não poder beijá-lo de verdade. Então, depois de pensar um pouco, eu também olhei para trás e depois o empurrei com cuidado um pouco mais para fora para que pudesse fechar a porta. Finalmente sozinhos, longe dos olhares de meu pai, eu segurei sua camisa e o puxei de volta para mim, ficando na ponta dos pés para beijar sua boca.

Sem relutar, Jungkook envolveu minha cintura com seus braços, me mantendo perto, e me beijou de volta, com seus lábios e sua língua me provocando arrepios a cada vez que me tocavam do jeito certo. Do jeito dele.

— Finalmente... — Ele disse baixinho contra minha boca, sugando meu lábio inferior logo depois, para então se afastar com mais dois selinhos demorados.

Ainda na ponta dos pés e com um sorriso mais sincero no rosto, eu abracei seu ombro, aproveitando os últimos minutos do calor do seu corpo pertinho do meu.

— Vá com cuidado, por favor. — Eu pedi, sem soltá-lo e sem sentir seus braços me deixarem também. — Me avisa quando chegar no aeroporto, quando embarcar, quando pousar em Seul e quando chegar em casa, tá?

Jungkook riu, beijando meu pescoço. — Não quer colocar um localizador em mim? Parece mais fácil.

Eu deixei escapar um som mau humorado e me afastei um pouco para olhá-lo nos olhos. — É sério, Jungkook. Não me dê outro susto daquele.

Ele assentiu, tocando seu nariz no meu antes de me dar mais um beijinho rápido na boca.

— Prometo que vou ter cuidado.

— Promete de mindinho. — Exigi, já erguendo meu dedo na altura do rosto e me sentindo satisfeito quando, mesmo rindo, Jungkook entrelaçou o seu ao meu e pressionou nossos polegares, selando a promessa. — Não pode quebrar promessa de mindinho. — Alertei, com a pele ao redor dos olhos franzida.

— Você é tão fofo, que inferno. — Ele resmungou, sem conseguir se conter, e eu ri quando ele quase me esmagou com outro abraço. — Não quero te deixar, mas eu realmente preciso voltar agora.

— Tá... — Me lamentei, ainda segurando sua mão quando ele se afastou de novo. — Mas Jungkook...

Ele me olhou, atencioso, e eu abaixei meu olhos sem muita coragem.

Você estava falando sério quando disse que me ama?

Eu não conseguiria perguntar isso, e percebi quando quase comecei a hiperventilar ao tentar. Por isso, só ergui meu rosto outra vez e sorri para ele, deixando isso para depois.

— Não é nada. Boa viagem.

Jungkook também sorriu, manso, quando passou a mão em minha cabeça num carinho suave, e então eu senti, por um instante, que ele sabia muito bem o que eu queria perguntar, mas não consegui.

— Obrigado, anjo. — Foi o que disse, antes de ir embora

Sozinho, eu suspirei. A dúvida sobre a declaração de Jungkook e o medo de fazê-lo sentir vergonha de mim caso eu realmente reprovasse na escola me deixaram agitado e eu sabia que deveria juntar coragem para abordá-lo pelo menos sobre o segundo problema.

Entretanto, com o passar dos dias, eu continuei evitando o assunto, fugindo sempre que ele me perguntava se eu sabia quando seria o dia da minha formatura.

E então veio o resultado final.

Eu reprovei.

Depois de ver a palavra reprovado vergonhosamente estampada no meu histórico escolar, eu percebi que contar para Jungkook não seria o pior de tudo. Eu ainda precisava contar para meus pais, mesmo sabendo que, no fundo, eles já esperavam aquilo.

— Jimin, pelo amor do santo caralho, não é o fim do mundo! — Yukwon resmungou quando me viu com o olhar perdido pela terceira vez desde que chegamos no estúdio onde eu, Jeonghan e Yuta colocaríamos novos piercings e Yukwon faria sua nova tatuagem.

Apesar de não querer estar ali e na verdade ter o único desejo de me esconder longe de qualquer ser humano, nós tínhamos combinado muito tempo antes que iríamos fazer aquilo depois do último dia de aula, e eu estava com medo de voltar para casa e anunciar o resultado negativo para meus pais.

Por isso, meu corpo estava lá, mas minha mente estava muito distante, ignorando a existência do meu celular desligado na mochila para que eu não precisasse atender ligações de ninguém.

— Eu reprovei duas vezes, mas deu tudo certo, não foi? Então relaxa. Seus pais vão comer seu couro, mas depois fica tudo certinho. — Yukwon continuou, fazendo pouco caso e fazendo a sala de espera do estúdio parecer ainda mais sufocante.

— Yukwon, assim você não ajuda. — Jeonghan repreendeu, impaciente. — Mas ele tem razão, Chim, vai ficar tudo bem. Essas coisas acontecem.

— Como é que eu vou passar mais um ano naquela escola sem vocês? — Eu resmunguei, ficando de pé por estar agoniado demais para continuar sentado. — Eu não acredito que deixei isso acontecer!

— Não pensa nisso agora — Yuta disse, parecendo preocupado. — Você só vai sofrer por antecipação.

Eu passei as mãos pelos cabelos, completamente frustrado.

— Meus pais vão ficar com vergonha de mim. Jungkook vai ficar com vergonha de mim. Como é que eu não vou pensar nisso agora?!

— Eu vou esmagar sua cabeça com aquele extintor se você não parar com isso, seu enrustido! Ninguém vai ficar com vergonha de você porque essa merda desse sistema escolar não mede a capacidade de ninguém, então ter reprovado não faz de você um bosta como você tá pensando.

Eu massageei minhas têmporas, sabendo que Yukwon tinha razão. Ainda assim, eu continuei me odiando por ter reprovado, me sentindo o mais inútil do mundo inteiro, mas tentando não pensar nisso quando eu finalmente fui chamado para a sala do piercer.

Lá dentro, a dor física ao menos espantou um pouco do desespero psicológico, porque furar o mamilo doeu como o inferno, e eu saí da saleta quase sem cor e sem pressão sanguínea, mas com um pedaço de metal atravessando minha pele.

Jeonghan e Yuta já tinham colocado seus brincos quando eu comecei a me recuperar do choque, arrependido por não ter feito mais um furo numa das orelhas, ao invés de deixar uma agulha daquele tamanho passar por meu mamilo. Entretanto, eu já tinha tantos brincos que colocar mais um nem faria tanta diferença, então acabei deixando Yukwon me convencer a fazer essa atrocidade.

Uma atrocidade que, apesar da vermelhidão e da dor, ficou muito bonita.

— Preparado, Yukwon? — O tatuador perguntou ao aparecer na recepção, encostando-se no pequeno balcão de vidro, com os braços largos e tatuados cruzados sobre o próprio peito.

— Sempre. — Ele respondeu, jogando a mochila nas costas e ficando de pé para caminhar até o outro, e eu me assustei ao perceber a proximidade entre eles. — Sentiu minha falta?

— Você sabe que sim — O cara grande respondeu e a mão dele tocando a cintura de Yukwon não me passou despercebida. — Por que não respondeu minhas mensagens?

— Eu tinha coisa melhor pra fazer. — Meu amigo respondeu, displicente, com um sorriso provocador.

O tatuador, a despeito da resposta, riu. — Eu te pago o jantar depois que terminar sua tatuagem, depois nós vamos pra minha casa. Ou você tem coisa melhor pra fazer hoje também?

Yukwon demorou algum tempo para responder, sempre sustentando o sorriso provocativo, e então ele segurou o pescoço do maior, deslizando as unhas recém-pintadas de azul petróleo sobre a pele tatuada.

— A gente pode ir direto pra parte em que você me leva pra sua casa, não?

— Yukwon... — A terceira voz não foi minha, nem de Jeonghan. Era Yuta, que parecia dolorosamente incomodado com o que estava acontecendo diante dos nossos olhos. — Você disse que ia assistir aquele filme comigo depois que saíssemos daqui.

Yukwon olhou para ele por cima do ombro e suspirou, cansado. — A gente deixa pra outro dia.

Eu mantive meus olhos focados em Yuta, preocupado.

Depois daquela conversa que tivemos no apartamento de Yukwon, nós não tocamos mais naquele assunto e, apesar de ouvir meu melhor amigo dizendo que nada aconteceria entre eles dois, secretamente eu torcia para que Yuta conseguisse se aproximar ainda mais. Quer dizer, eles estavam morando juntos, então isso deveria ser mais fácil, mas não foi, e Yukwon as vezes parecia repeli-lo ao invés de deixar que ele se aproximasse.

— Mas você prometeu, Yukwon.

Ele revirou os olhos, parecendo impaciente. — É só um filme, cara, corta o drama. Já disse que a gente deixa pra outro dia.

Eu vi Yuta apertar os lábios e endurecer toda sua expressão antes de ficar de pé e, segurando a mochila pela alça, ele saiu do estúdio, sem dizer mais nada.

— Yuta! — Eu o chamei, aflito, mas ele não me respondeu. Então eu olhei para Yukwon, irritado. — Por que você faz isso com ele?! — Questionei, acusatoriamente.

Mas a verdade é que eu já estava ficando chateado com a forma como Yukwon passou a agir com Yuta, como se desprezasse os sentimentos que nós dois sabíamos que ele tinha.

Apesar de nem mesmo uma vez dizer que estava arrependido de deixar Yuta morar com ele e Taeyeon, a barreira que ele tentava erguer era muito óbvia.

— Faço o que? — Ele perguntou de volta, apertando as sobrancelhas.

— Isso! Ficar flertando com outros na frente dele, desmarcando compromissos e fazendo pouco caso — Eu respondi, sem nem perceber quando fiquei de pé. — Você sabe como ele se sente por você, Yukwon. Você tá sendo um babaca por agir assim.

— E daí se ele gosta de mim? Eu não gosto dele desse jeito, caralho!

Eu apertei meus punhos, furioso. Eu não estava tentando obrigar Yukwon a corresponder Yuta, eu só queria que ele respeitasse os sentimentos do nosso amigo, que ainda parecia assustado com a forma como estava se sentindo por outro homem.

— Você ainda tá sendo um idiota com ele. — Eu disse, impaciente, e segurei Jeonghan pela mão para puxá-lo comigo. — Vem, Jeonghan, deixa esse boboca sozinho aí.

— Que confusão... — Jeonghan murmurou quando me seguiu para fora do estúdio, até tropeçando porque eu não parei de puxá-lo pelo braço.

— É. E a culpa é do Yukwon! — Resmunguei, ainda irritado. — Você viu pra onde o Yuta foi? O coitado não devia ter se apaixonado por aquele coração de pedra...

— Não vi. — Ele respondeu, me olhando, curioso. — Ele tá mesmo apaixonado pelo Yukwon?

Eu suspirei, erguendo os ombros para assentir. — Parece que sim.

Jeonghan apertou os lábios num gesto preocupado. — Vamos achar logo ele, então.

Não precisei concordar, porque eu mesmo já estava guiando nossa busca antes que ele sugerisse isso, me concentrando em minha preocupação por Yuta para não pensar naquele frio na barriga incomodo por ter reprovado.

Quando nós finalmente encontramos nosso amigo, ele estava sozinho num banco de uma praça ali perto, com a expressão completamente derrotada enquanto olhava para a tela do seu celular.

— Yuta! — Eu o chamei e me adiantei até ele, sendo seguido por Jeonghan. — Você tá bem?

Ele me olhou, sem parecer muito surpreso por ver que nós tínhamos encontrado-o, e assentiu com um sorriso fraco, sem sinceridade alguma.

— Estou, sim. Vocês não esperaram o Yukwon?

— Não, deixa aquele idiota lá sozinho. — Resmunguei, sentando ao seu lado e dando espaço para que Jeonghan se sentasse também.

Yuta me olhou, um pouco assustado. — Vocês brigaram?

— Não foi bem uma briga, mas eu tô com raiva dele. Ele é um babaca! Não é, Jeonghan?

— Eu prefiro não me meter...

— Ele não é um babaca. — Yuta disse, olhando para as próprias mãos. — Não tem problema desmarcar comigo, era só um filme mesmo... e ele parecia muito mais interessado naquele tatuador...

— Isso não importa, você ficou magoado e ele sabe disso! — Insisti, irredutível.

Yuta negou mais uma vez, com um sorriso triste. — Eu fiquei magoado porque... — Ele começou, mas pareceu precisar de algum tempo para finalmente se explicar. — Porque eu vou voltar pra casa do meu pai depois da formatura. E eu queria passar mais tempo com ele até lá, mas ele não tinha como saber disso, então a culpa não é dele...

Eu então o olhei, com o rosto contorcido numa expressão horrorizada.

— Por que você vai voltar pra casa do seu pai? Depois de tudo que ele te fez?! Você não pode fazer isso, Yuta!

— Ele descobriu onde eu estou morando e ameaçou denunciar o Yukwon e a Taeyeon por esconderem um menor de idade... e eu não vou deixar eles se prejudicarem por minha causa. E... talvez meu pai mude agora...

— Yuta...

— Vai ficar tudo bem, Jimin. — Ele sorriu mais uma vez, mas não existia sinceridade alguma naquele sorriso. — Eu fiquei muito feliz nos últimos dias porque vocês todos se preocuparam tanto comigo e eu não esperava isso depois de tudo que fiz. Vocês me deram outra chance, então eu vou dar outra chance ao meu pai também.

Eu olhei para Jeonghan, implorando para que ele me ajudasse a fazer Yuta mudar de ideia, mas ele só suspirou, conformado.

— Eu espero que ele saiba valorizar isso, Yuta. — Ele disse, sorrindo para nosso amigo.

Yuta concordou, parecendo um pouco mais confiante.

— Ah... — Ele disse, então, como se lembrasse de algo, mas na verdade parecia que só estava tentando mudar de assunto. — Eu ainda vou ver aquele filme no cinema, vocês querem vir comigo?

Eu só concordei, tentando não evidenciar o quanto estava preocupado, mas minha cabeça estava a ponto de explodir. Mesmo assim, nós fomos, sem Yukwon.

— Não digam pra ele ainda, tá? — Yuta pediu quando compramos nossos ingressos. — Eu convenci meu pai a me deixar ficar com eles até o dia da formatura e eu queria passar esses últimos dias sem ouvir tudo que sei que o Yukwon vai dizer quando descobrir que eu vou voltar pra casa...

Eu só concordei, sem forças para me opor a mais nada, e Jeonghan também prometeu que não diria nada a Yukwon.

E pela semana seguinte, até a formatura deles, nós realmente não dissemos nada.

Eu porque nem mesmo podia sair de casa ou mandar mensagem para qualquer um deles. Depois de descobrirem que eu reprovei no último ano da escola, meu pai me deu uns tapas doloridos e minha mãe me proibiu de sair de casa e confiscou meu celular e meu notebook, então eu não podia falar com meus amigos, nem mesmo com Jungkook, que ainda não sabia da minha vergonha.

E, apesar de estar com saudades, eu estava aliviado porque dessa forma, pelo menos, eu tinha uma justificativa para continuar adiando a notícia.

Eu realmente estava com medo de que ele sentisse vergonha de mim.

Jeonghan, por outro lado, tinha se afastado porque o vestibular seria algumas semanas depois e ele estava determinado a ser aprovado na Chosun, então passou todos aqueles dias também afastado, revisando tudo que vimos ao longo do ano.

Até o dia da formatura, então, eu fiquei completamente alheio em relação ao que estava acontecendo com meus amigos e com Jungkook. Às vezes eu chorava, me sentindo um inútil, e eu não tinha nenhum deles ao meu lado para me dizer que tudo ficaria bem.

Mas nada se compara ao tanto que eu chorei naquele dia, o dia da cerimônia. Apesar de não ser um dos formandos, eu realmente queria ver meus amigos recebendo seus certificados, por isso chorei até meu rosto inteiro ficar inchado, implorando para que minha mãe me deixasse ir. Apesar de relutante, ela finalmente permitiu, e então, pela primeira vez em tantos dias, eu pude sair de casa, mas me arrependi assim que cheguei no auditório da escola e vi todos os meus colegas com o uniforme, sendo saudados pelos professores e pelo diretor enquanto recebiam seus diplomas.

Ao meu lado, Taeyeon chorava como nunca, feliz por finalmente ver Yukwon se formando, e eu tive vontade de chorar como ela.

Apesar de orgulhoso, eu estava com inveja. Eu também queria estar lá em cima, também queria que meus pais e Jungkook estivessem orgulhosos de mim, me esperando com um buquê.

— Ele passou por tanta coisa... meu irmãozinho... — Taeyeon quase gemeu quando viu Yukwon recebendo seu certificado, apertando as rosas que entregaria a ele e a Yuta no final da cerimônia.

Eu percebi o quanto estava sendo egoísta e tentei me livrar daquele sentimento ruim, entregando toda minha atenção à alegria de ver meus amigos vencendo o horror que era o ensino médio.

— Ainda bem que ele teve você. — Eu disse, abraçando-a pelo ombro, e ela deitou a cabeça em mim enquanto chorava com um sorriso enorme. — Vocês dois se saíram muito bem, Taeyeon.

Ela chorou ainda mais, balançando a cabeça numa afirmação fervorosa.

Lá do palco, então, Yukwon ergueu seu certificado e gritou. — Chupa, escola nojenta do caralho!

— Ai, meu deus... — Ela murmurou com uma risada envergonhada, e eu também ri, mesmo que não tivesse feito as pazes com ele ainda.

Quando eles desceram, no final da cerimônia, os três se aproximaram da gente. Os pais de Jeonghan entregaram a ele um buquê enorme e ele ficou todo vermelho de vergonha. Os buquês que Taeyeon deu para Yukwon e para Yuta eram menores, muito mais discretos, e mesmo assim Yukwon resmungou sem parar, dizendo que achava aquela tradição idiota. Yuta, por outro lado, agradeceu como se tivesse ganhado o presente mais incrível do mundo, e ele não parava de admirar as rosas em suas mãos.

— Próximo ano é sua vez. — Yukwon disse quando começamos a sair do auditório, deixando que todos os outros seguissem na frente.

Eu olhei para ele, concordando. — Espero que sim.

Ele me acompanhou em silêncio e coçou a nuca, um pouco desconfortável. — Você ainda tá bravo comigo?

Eu suspirei e neguei com a cabeça, sinceramente. Ele então sorriu, aquele sorriso grande de sempre, e eu acabei sorrindo também.

— Senti sua falta esses dias... — Confessei, olhando para ele pelo canto do olho.

— Você sumiu, nem respondeu minhas mensagens, achei que tava com raiva de mim, mas aí eu fui na sua casa e sua mãe disse que era porque você tava de castigo. — Ele riu, dando um soco no meu ombro. — Se fodeu.

Eu revirei os olhos. — Esquece o que eu disse. Não senti sua falta não.

— Até parece. — Provocou, convencido, e apontou com o queixo para a entrada da escola quando chegamos ao pátio. — Do gostoso ali você sentiu falta?

Um pouco confuso, eu olhei para a direção que ele apontou e quase senti meu coração parar quando vi Jungkook parado ao lado do portão de metal, com o sobretudo preto cobrindo sua roupa escura e só uma flor vermelha em sua mão se destacando com alguma cor.

Meus olhos quase saltaram quando eu percebi que não tinha mais escapatória. Todos os formandos estavam com seus uniformes e eu só estava com uma calça velha e um casaco enorme, completamente desleixado, deixando mais que claro que não fazia parte da cerimônia.

— Por que você tá tão apavorado? — Yukwon perguntou, confuso. — Não vai correr até ele como um maluco pra ficar com aquele grude nojento de vocês, não?

— Ele ainda não sabe... — Murmurei, quase chorando de desespero, sem exagero algum. Meus olhos ardiam e eu senti minha garganta fechar, me sufocando, dominado pelo medo de deixar alguém como Jungkook descobrir que eu era uma falha.

Yukwon fez uma careta que não me ajudou em nada, e eu quase cambaleei quando caminhei em direção à entrada, consciente de que Jungkook já tinha me visto.

— Jungkook... — O chamei, desesperado, assim que parei perto dele, e meus olhos desceram para a flor que ele ainda segurava.

— Oi, anjo. — Ele sorriu, vencendo minha hesitação quando se aproximou e beijou minha testa. — É pra você — Disse, então, colocando a rosa entre nossos rostos.

Eu abaixei meus olhos, envergonhado, e quase perdi o ar quando finalmente juntei coragem suficiente para dizer o que escondi por tantos dias.

— Jungkook... eu não me formei... — Confessei, sem conseguir olhar para ele, quase machucando minhas mãos enquanto enterrava minhas unhas em minhas palmas dormentes pelo frio do inverno. — Eu não mereço ganhar flores como todos os outros...

— Então eu não posso dar uma flor ao meu Jimin? — Ele perguntou, inclinando um pouco o rosto, como se estivesse curioso.

Ele não parecia surpreso por descobrir que eu tinha reprovado, e eu quis chorar de novo ao perceber que talvez ele também já esperasse aquilo.

Talvez Jungkook finalmente tivesse percebido como eu sempre fui burro.

— Obrigado... — Eu disse, aceitando a rosa, mas ainda sem olhá-lo.

— Sua mãe me contou. — Ele falou, acariciando meu braço. — Ela me ligou para dizer que você ia ficar um tempo sem seu celular e me disse o porquê.

Eu o olhei, finalmente, ainda inseguro, sem fazer ideia de que minha mãe tinha feito aquilo.

— Próximo ano nós vamos nos esforçar mais, tudo bem? Eu vou te ajudar.

Eu mordi meu lábio furiosamente e funguei, tentando me conter, mas meus olhos já estavam transbordando quando eu me lancei em sua direção, abraçando-o com força.

— Jungkook... — O chamei, sentindo minha voz ser abafada por sua roupa quando o apertei ainda mais, sentindo sua mão fazendo carinho em minhas costas. — Eu achei que você ia ficar com vergonha de mim...

— Nunca, anjo. — Ele disse, calmo. — Você também não deveria ficar, nem deixar isso fazer você acreditar que é menos do que realmente é. Lembra do que eu te disse uma vez? — Ele perguntou, descendo sua mão até tocar minha pulseira por baixo do casaco.

Eu hesitei um pouco, ainda chorando como um bebê.

— Eu sou capaz de ter o mundo inteirinho nas minhas mãos...

— É, meu bem. Um ano a mais na escola não vai mudar isso.

Eu balancei minha cabeça ainda pressionada contra seu corpo, quase esmagando suas costas com meus braços desesperados, e senti ele segurar meu rosto para afastá-lo, então seus polegares secaram as lágrimas debaixo dos meus olhos e ele beijou minha testa mais uma vez.

Então eu sorri, mesmo ainda querendo chorar, mas o alívio de não ser uma vergonha para Jungkook foi tanto que eu nem consegui me conter e lá estavam meus olhinhos fechados contra minha vontade.

Entretanto, minha alegria durou pouco, porque logo a voz de Yukwon, não muito distante, me fez perceber que algo estava errado.

— Solta ele! — Meu amigo gritou, possesso, e eu olhei para ele assustado.

Apesar de algumas pessoas curiosas que pararam para ver, eu reconheci o foco de tudo aquilo. Yukwon e Taeyeon diante de Yuta, que era segurado pelo braço por um homem mais velho.

Sem precisar pensar muito, eu entendi o que estava acontecendo ali. Aquele homem era o pai de Yuta. E aquele era o dia em que nosso amigo voltaria para casa.

— Yukwon, tá tudo bem. — Eu ouvi Yuta dizer quando me aproximei, aflito, e o vi tentar disfarçar a careta de dor enquanto seu braço era praticamente esmagado pela mão de seu pai. — Eu concordei em voltar.

— Então você perdeu o juízo de vez, porra! — Yukwon tentou se aproximar, mas Taeyeon o segurou, sabendo que ele provavelmente faria alguma besteira.

— Eu já abusei demais da boa vontade de vocês. — Yuta disse, sempre tentando parecer calmo. — Muito obrigado por tudo, mas meu lugar é em casa. Amanhã eu passo no apartamento de vocês pra pegar minhas coisas, tá?

Yukwon negou, com a expressão manchada por raiva, desespero e preocupação.

— Por que você tá fazendo isso? — Ele perguntou, olhando só para nosso amigo. — Você tá magoado comigo? É isso? É por que eu agi como um idiota com você nos últimos dias?

— Não! — Yuta negou, assustado. — Claro que não, Yukwon!

— Anda logo, demônio! — O pai de Yuta esbravejou, puxando-o, e eu vi meu amigo relutar um pouco enquanto tentava disfarçar o próprio desespero com um sorriso.

— Yuta, por favor — Yukwon pediu, com os olhos assustados. — Ele vai te machucar de novo!

— Vai ficar tudo bem, eu já disse.

— Não vai! Só vai ficar tudo bem se você continuar morando com a gente! — Ele insistiu, tentando se aproximar mais uma vez, mas novamente sendo impedido por Taeyeon, que parecia tão desesperada quanto os outros dois, mas conseguia manter alguma calma e perceber que a situação só pioraria se Yukwon agisse como sabíamos que queria agir. — A gente vai ver aquele filme que eu prometi assistir com você, ok? Desculpa por ter desmarcado no outro dia, mas nós podemos ir assistir agora, se você quiser, só desiste disso!

Eu vi os olhos de Yuta brilharem, mas ele conseguiu segurar o próprio choro.

— Eu já assisti. — Ele disse, erguendo os ombros.

— Já te esperei demais! Anda logo! — O pai dele quase gritou, e Yuta se encolheu um pouco, aterrorizado.

— Eu preciso ir. Obrigado por tudo. — Ele disse, então, antes que fosse puxado como um animal selvagem por seu próprio pai.


Notas Finais


Esse capítulo é uma bomba de acontecimentos, né? tem confissão do yuta, o primeiríssimo "eu te amo" do jungkook, jimin passando vergonha, yukwon sendo meio(?) babaquinha, jk sendo maravilhoso e o pai do yuta sendo um nojento grrrr

enfim, foi depois desse capítulo que eu anunciei lá no wattpad que postaria uma fanfic spin off focada no shipp do yukwon e yuta, então vários detalhes de acontecimentos sobre os dois não são dados em sub por conta desse spin off. por enquanto eu não tenho a pretensão de postar por aqui e não ler não afeta o entendimento da história em geral, mas caso alguém tenha interesse, ela tá em andamento lá no wattpad e o link é esse: https://my.w.tt/IkTY75gihP

beijinhos, espero que tenham gostado da att e até o próximo!


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