História Substituto - Capítulo 16


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Categorias Histórias Originais
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Palavras 2.005
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção Adolescente, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Estupro, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 16 - Ligar


Erica  

—Nervosa? —perguntou a mulher a minha frente me observando atentamente.  

Tatiana era uma mulher alta, um pouco acima do peso, perto dos 40 anos e era uma mulher bastante séria. Seu olhar continha confiança e ela passava isso para seus pacientes, pelo que podia notar.   

—Um pouco —respondi tentando manter minhas mãos quietas. Quando estava nervosa, não conseguia deixa-las paradas.  

—Não precisa —disse ela em voz calmante —Tudo que você falar aqui, permanecerá aqui. Não estou aqui para lhe julgar, ou condena, apenas ouvi o que você tem para me falar.  

—Não sei o que dizer —falei inquieta —Só me disseram que eu precisava de um psicólogo e acabei concordando.   

E fui meio obrigada a vim, mas deixei essa parte de lado.  

—E por que disseram isso?   

—Porque eu tentei me matar —respondi sem desviar os olhos dos seus, esperando ver sua reação as minhas palavras, mas ela continuou impassível.   

—E por que você fez isso?   

—Por vários motivos —respondi me sentido nervosa.   

—Me fale esses motivos —insistiu ela, me fazendo suspirar.   

Falei um pequeno resumo dos últimos anos e foi bem mais fácil falar com ela do que imaginava. Acho que era porque ela só escutava e assentia, sem comentários, me incentivando a continuar a falar e para suprir o silêncio desconfortável, eu só ia falando.  

—Quando era criança, eu costumava me perguntar por que estava viva, já que sentia como se não devesse estar, como se aqui não fosse meu lugar —comentei pensativa —Então Milla nasceu e ela era minha motivação para viver, para ela e por ela. Queria protege-la, mas eu falhei —respirei fundo, tentando controla as lágrimas que queriam sair —Então venho minha mãe. Eu tirei sua filha e ela estava sofrendo por isso, por minha culpa. Apesar de não falamos disso, eu podia ver seu sofrimento. Eu tinha obrigação de cuidar dela, estar lá se ela precisasse, mas eu estava apenas me iludindo, me agarrando a alguma coisa para fazer sentido nessa minha vida —suspirei —Só chegou o momento que notei o quanto já não era necessária para alguém, que não faria diferença se estivesse aqui nesse mundo.   

—Você passou a vida vivendo pelos outros —comentou ela quando parei de falar —Por que não começa a viver por você mesma? Escolha algo que goste, que queira fazer, busque um novo proposito. Sonhe com algo e se não der certo, procure um novo sonho. Sempre faça um novo plano.   

—Eu não sei —falei em voz baixa.  

—Você ainda é tão jovem e tem milhares de possibilidades diante seus olhos, basta ir busca-las —disse ela —Você fica tão focada no seu passado, no quanto a vida foi injusta e cruel, que perde as tantas possibilidades boas que termos no presente. Não termos controle da vida, Erica. Não podemos controlar as ações dos outros, nem nossa própria vida, então perca essa ilusão e viva a vida livre, aproveite o momento. Faça planos para o futuro, mas foque no presente —respirou fundo —Como dizia um professor meu; o controle é como um coberto curto: se você enrolar a cabeça, os pés ficam descobertos; se enrolar os pés, os braços e a cabeça ficam descobertos. Mesmo que você se encolha, quando dormi, irá se mexer e ficará descoberto. Não podemos controlar isso e estamos perdendo tempo de pensar o contrário.  

—Mas eu tenho o controle da minha vida —discordei.  

—Sim, você tem —concordou ela —Você pode decidir qual caminho irá tomar para casa, mas não pode decidir se terá carros ou não, se irá encontrar um conhecido, ou alguém que não quer ver. Do mesmo jeito que, na vida, você tomar suas decisões, mas não pode dizer quais serão as consequências.  

—Olhando por esse lado —concordei por fim e mudei de assunto —E quando alguém começar a chorar do nada, sem motivos?  

—Sempre tem um motivo, mesmo que a pessoa não consigo identifica-lo —respondeu ela —Exemplo, você tem 19 anos, não é? —assenti e ela continuou: —Você viveu por 19 anos e não consegue lembrar tudo que aconteceu em cada dia, semana ou mês desses anos, mas tudo fica gravado na sua inconsciência, Erica. E como estar tão presa ao seu passado, lembra dele inconscientemente e isso te faz chorar, mas se sentir vontade de chorar, chore —fez uma pausa —Se sente vergonha de chorar na frente dos outros, segura e faça isso quando estiver sozinha. Não se reprima, deixe esses sentimentos sair, mas ninguém chorar sem motivos, então se pergunte por que está chorando, por que isso lhe aflige e se vale realmente a pena se afligir por isso. É tudo uma forma de mudar seus pensamentos, questionar se o que estar pensado é certo e mudar isso. Não se torture por coisas que não estão sobre seu controle.  

—Isso é muito difícil.   

—Eu estou aqui para lhe ajudar nisso —disse ela   

—Você vai me dizer o que tem de errado com a minha cabeça? —perguntei apertando meus dedos. Me sentia um pouco vulnerável.   

—Não —negou ela —Você vai me dar as peças do quebra-cabeça e nós duas vamos monta-los juntas. Claro que você não lembrará de tudo de uma vez, mas, ao decorrer, das consultas irá se lembrando dos detalhes e poderá me contar sobre isso —abri a boca, mas ela respondeu, antes que perguntasse: —Não garanto que saíra daqui bem, pois tudo depende de você.  Digamos que 20 % de melhora estar aqui, nesse consultório, mas 80 % estar lá fora, onde você passa mais tempo. É como você vai agir daqui para frente que mostra se vai ficar bem; se está disposta a mudar. Não será fácil, pois visitar um psicólogo nunca é. Aqui você terá que me falar dos seus sentimentos mais profundos e obscuros, se abri para mim, ser sincera e isso é bastante cansativo, precisa de muita força de vontade, mas, se quiser, poderá sair daqui bem e mais confiante. Tudo depende de você.   

—Entendi.   

—Ótimo —disse ela —Tem mais alguma coisa que queira me perguntar, ou contar?   

—Não —respondi depois de pensar um pouco e ela assentiu.   

Ela fez alguns testes para saber os níveis da minha depressão e ansiedade, que estavam um pouco acima da média, mas nada para me preocupar ainda, então, quando minha hora chegou ao fim, ela marcou uma consulta na semana que vem e me levou até a porta.  

—Hoje tem que sair uma nova Erica daqui que estar disposta a segui em frente, sem se importa com o passado —falou ela em despedida —Faça algo diferente, que não faria normalmente. E comece disciplinar seus pensamentos, não os deixe coloca-la para baixo.  

—Vou tentar —respondi sem jeito —Até próxima sexta.  

—Até —respondeu ela.   

Apertei sua mão e sair de seu consultório, seguindo para rua. Pelo que ela me disse, tudo dependia de mim. Se eu quisesse melhora, me esforçasse para isso, poderia sair em alguns meses, entretanto, se não quisesse, poderia ficar anos tendo acompanhamento médico. Claro que eu iria me esforça para me livrar o quanto antes. Mal comecei e já queria alta; é um ótimo começo, mas se eu puder esquecer o passado, ou apenas lidar melhor com ele, terá valido a pena. 

—Erica —escutei um grito infantil e me virei, vendo Sophia correr até mim, enquanto Nick vinha atrás dela.  

—Ei, pequena —falei conseguindo a segura, quando ela pulou em meu colo —Você parece ter crescido bastante desde que te vi.  

—Onde você estava? —perguntou ela com uma carinha triste —Você não foi mais para escolinha.  

Imagens daquele sonho, que parecia ter sido há tanto tempo atrás, me veio à mente. O corpo de Sophia, seu olhar e ...  

Tudo uma questão de disciplinar o pensamento, foi o que Tatiana falou. Tudo uma questão de mudar. Eu não devo pensar isso de uma criança, principalmente uma que me lembra tanto minha irmãzinha. Eu não sou assim, não sou como ele. Só preciso continuar repetindo isso até acreditar. 

—Desculpa, Sofi —falei dando um beijo em sua bochecha. Mais imagens vieram, mas as afastei. Eu tenho que aprender a conviver com isso, não apenas fugir —Alguns problemas de adultos, mas prometo que vou visitar você e seu pai. 

—Pomessa é dívida, não é? —perguntou ela esperançosa.  

—Sim. Promessa é dívida e eu sempre cumpro as minhas —falei e ela sorriu, abraçando meu pescoço com força.  

A coloquei no chão, na mesma hora que Nick nos acompanhou.  

—Não saia correndo desse jeito, Sophia! —brigou ele antes de se virar para mim —E aí, garota, você anda tão sumida. Não lembra mais dos amigos, não? 

Dei um abraço nele, notando sua surpresa ao fato. Eu não era chegada ao contanto muito íntimo, a não ser quando envolvia sexo, mas tinha que ser uma nova Erica agora, então por que não? 

—Tive uns problemas aí, mas me lembro dos amigos, sim —falei sorrindo de sua cara de pateta  

—Está tudo bem? — perguntou ele preocupado —Precisa da minha ajuda para alguma coisa? 

Olhei para ele, surpresa com a preocupação genuína que via em seus olhos. Tinha pessoas que realmente se importavam comigo, eu apenas tinha que abri meus olhos e parar de olhar apenas meu umbigo, para notar isso. 

—Vai ficar —respondi sorrindo e acrescentei, mudando de assunto —Estava falando para Sofi que iria visitar vocês, qualquer dia.  

—Vamos amar isso —respondeu ele e olhou para Sophia —Não é, filha? 

—Sim —concordou ela sorrindo, então me olhou esperançosa —O Daniel pode ir também?  

Meu coração se apertou novamente ao pensar nele. Tinha sentido muita falta dele, desde que sair de sua casa. Mais do que tinha imaginado e, lá no fundo, desejava que ele me procurasse, ou ligasse. Sei que poderia fazer isso, mas eu que disse para damos um tempo. Seria meio estranho dizer o contrário um dia depois. 

—Acho que não, pequena —respondi desviando o olhar. 

—Nem se eu pedir para ele? —perguntou ela triste.  

—Eu ... —não sabia como explicar isso para ela. Notando meu desespero, Nick falou: 

—Nós estamos indo a uma sorveteria aqui perto, quer nos acompanhar? 

—Vamos, Eri —gritou Sophia feliz, esquecendo o assunto anterior. Nunca entenderia a mudança de humor das crianças, mas sempre agradeceria. 

—Um sorvete cairia bem —concordei olhando o sorriso dela aumentar e ela agarrou minha mão, puxando-me em direção a sorveteria. Pelo menos, não ficaria em casa, tentando decidir se ligo ou não para Daniel e admito que não o quero longe de mim. 

 

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Daniel 

Estava deitando em minha cama, olhando para o teto de meu quarto e o celular estava ao lado da minha cabeça. Meus dedos estavam ansiosos para ligar para ela, mas não faria isso. Ela disse que queria espaço, ela que deve desfazer isso. Apenas o justo.  

Bastou um dia longe dela, para eu ver o quanto minha vida estava girando ao seu redor, como ela tem se tornando meu mundo há algum tempo já e eu meio que odeio isso. Me sinto como seu cachorro, que sempre balança o rabo quando sua dona lhe dar uma migalha de atenção, que vai correndo ao seu primeiro chamado e faz qualquer coisa, apenas para receber um sorriso seu, um pouco de carinho. É bem estupido me passar por esse papel. Será que Gabriel previu isso, quando me pediu para cuidar dela e agora estar rindo da minha cara, por ser tão otário?  

Odeio o controle que ela tem sobre mim, que sempre teve. Odeio a forma que ela sempre consegue me deixar triste ou feliz com meras palavras, como ela tem poder de me machucar e me curar. Odeio mais ainda não a ter ao meu lado porque ela prefere ficar sozinha. Sei que não me importaria de ser seu cachorro, se ela, ao menos, quisesse ser minha dona. O amor faz você ser tão idiota.  

Por esse motivo não vou liga para ela, nem a procurar, por mais que queira isso. Se Erica me quiser em sua vida, ela irá me procurar. Do contrário, eu ... apenas terei que aprender a conviver com isso. Eu consegui viver sem ela antes e consigo fazer isso agora. Não preciso dela.

 


Notas Finais


O orgulho, sempre o orgulho. A culpa da maior parte dos términos de namoros.


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