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História Suburbia - Capítulo 3


Escrita por:


Notas do Autor


mais um capítulo, espero que gostem, estou adorando escrever essa história, alguma dúvida me contatem no meu twitter @sunootrust, até a próxima

Capítulo 3 - Praia de Santa Maria


Os dias estavam correndo tão rápido que um mês já tinha se passado desde a mudança da família Byun para um novo continente, todos pareciam já ter se adaptado à nova cultura e costumes, Yebin não largava de suas novas amigas e só falava sobre como elas eram legais. Já Hyun Bin parecia não ter tempo para nada além de trabalhar, saia de casa muito cedo e chegava muito tarde, fazendo hora extra todos os dias, Baekhyun sabia que a condição financeira da família não estava lá essas coisas e por isso seu pai estava trabalhando dobrado para conseguir segurar as contas. 


Já sua mãe tinha se tornado uma típica dona de casa, que cozinhava, limpava e passava, e para ser sincero Baekhyun não gostava de ver a mesma em casa todos os dias, sem ter uma vida social para chamar de sua, sempre que tinha a oportunidade encorajava a mulher a sair mais, tentar fazer novas amizades que não fosse a velha senhora que trabalhava no caixa do mercadinho. 


Três corridas semanas já tinham se passado desde a pequena festa no estacionamento do Walmart, sua relação com sua mãe estava fria desde o sermão que a mesma lhe deu na noite da festa, os diálogos dos dois se resumiam a bom dia e boa noite, quando Baekhyun chegou em casa após a festa sua mãe estava na encolha acordada o esperando, assim que atravessou a porta uma enxurrada de perguntas lhe atingiu. 


— Onde você estava? Com quem você estava? Você bebeu Baekhyun? O que você pensa que está fazendo com a sua vida, não estou te reconhecendo, não foi pra isso que eu criei você — As palavras não paravam de sair da boca de sua mãe, e tudo que o menor queria era que ela se calasse para ele poder dormir em paz. 


— Relaxa mãe, eu estava em uma festa com uns amigos — Baekhyun se apoiou na parede para conseguir tirar seus tênis.


— Você nunca bebeu, o que tá acontecendo? — O Byun bufou e começou a caminhar em direção a seu quarto.


— Não tá acontecendo nada mãe, boa noite — Disse Baekhyun antes de entrar em seu quarto e fechar a porta. 


Desde então sua mãe parece ter dobrado suas preocupações, sempre enchendo o saco toda vez que via o filho sem o aparelho auditivo, ou toda vez que Minseok lhe dava uma carona até em casa, a mulher sempre proferia um comentário nada agradável a respeito das amizades do Byun. E a situação estava incomodando Baekhyun demais, nunca foi um jovem que tinha muitos amigos, ou uma vida social estável, e agora que tinha isso sua mãe estava atrapalhando tudo.


Após deitar em sua cama naquela noite Baekhyun demorou para dormir, talvez por conta do energético que tinha bebido, Sehun apareceu em seus pensamentos, o Oh era muito diferente de todas as pessoas que o menor tinha conhecido desde que chegou na cidade. Ele era calmo, falava devagar, mantinha muito contato visual, se vestia muito bem, era observador, porém ao mesmo tempo era misterioso e isso intrigava Baekhyun, já que o mesmo amava um bom mistério. 


As três semanas seguintes foram um tanto quanto monótonas, nada de novo tinha acontecido, tirando Chanyeol e sua implicância que parecia piorar a cada dia, os empurrões nos corredores tinham se tornando mais constantes, os xingamentos mais agressivos, e a paciência de Minseok também já estava se esgotando, Baekhyun não sabia muito bem qual era a relação do amigo com seu vizinho, mas ele sabia que Chanyeol devia algo ao Kim, e o menor sabia que Minseok estava prestes a cobrar a dívida. 


Na última quinta-feira que se passou durante o almoço uma pequena situação desagradável ocorreu, Baekhyun estava comendo com seus amigos que agora incluíam Sehun, Amanda e sua trupe de líderes de torcida. Quando Chanyeol se aproximou da mesa acompanhado de Yixing — que o menor tinha descoberto que nem estudava mais, e mesmo assim não saia dos corredores da Santa Luz High School —, o chinês disse algo para Minseok que o menor não entendeu ao certo do que se tratava, quando se deu conta o Kim já estava em pé com o dedo na cara do Zhang.


— Eu vou falar com você uma última vez seu cuzão de merda, e isso serve para você também Chanyeol, eu faço as regras, vocês devem a mim, e não o contrário, então é melhor você começarem a ficar na de vocês, se não eu vou fazer questão de cobrar a dívida com juros — Mesmo sendo muito mais baixo que os dois marmanjos, Minseok conseguia ser muito intimidador quando estava com raiva — E você pode ter certeza que vou levar você e toda sua trupe de traficantes de merda que você chama de família. 


— Não se mete com a minha família, seu merda — Yixing esbravejou indo para cima de Minseok.


— Então não se mete com meus amigos, se não eu vou foder com vocês e não vai ser do jeito que você gosta Chanyeol — Baekhyun franziu o cenho ao ouvir o final da frase, e o vizinho arregalou os olhos.


O menor ficou pensativo sobre o que o amigo quis dizer com "Não vai ser do jeito que você gosta", será que era apenas uma provação? Ou ele realmente sabia de algo a respeito da sexualidade de Chanyeol? Não que Baekhyun tivesse interesse no assunto, mas adorava uma boa fofoca.


Baekhyun estava rolando na cama aquela manhã de sábado, o clima estava abafado e seu pequeno ventilador não estava fazendo efeito algum, o relógio marcava um pouco mais de nove e meia da manhã, e os planos de dormir até meio dia tinham ido por água abaixo por conta do calor excessivo. O lençol da cama do menor estava grudado em seu corpo por conta do suor, assim como sua blusa do De Volta Para o Futuro que ele usava para dormir.


Abriu os olhos com dificuldade por conta da claridade que entrava pela sua janela, sentiu uma leve dor em seu braço por ter dormido por cima do mesmo, os planos para o dia era desenhar pelo menos três desenhos, treinar seus traços e ler alguns livros sobre arte europeia, e também precisava terminar seu trabalho para o clube de artes. Porém seu cronograma foi para os ares quando Minseok invadiu seu quarto sem ao menos bater na porta, assustando Baekhyun que quase caiu da cama. 


— Está um sol lindo lá fora, levanta essa bunda da cama e veste um calção, vamos para a praia — Minseok abriu as cortinas do amigo deixando toda a luz entrar no cômodo.


Baekhyun demorou para assimilar o que estava acontecendo, só tinha escutado as palavras sol e praia, enfiou seu rosto no travesseiro e gritou abafado, precisava estudar se quisesse passar em uma boa faculdade, porém sua vida social estava animada demais e ele não conseguia administrar seus estudos e a rotina badalada de seus amigos.


— Quem te deixou entrar? — Baekhyun se levantou de sua cama ainda tonto de sono.


— Sua irmã, sua mãe não respondeu meu bom dia, vocês brigaram? — O Kim se sentou na cama ainda bagunçada do amigo.


— Ela tá puta ainda porque eu bebi e cheguei tarde, mas não estou preocupado com isso, ela vai ter que se acostumar — Baekhyun abriu uma gaveta de sua cômoda e tirou um calção da mesma — Vou tomar banho espera aí. 


— Não demora, Amanda e as meninas estão esperando a gente.


Baekhyun bufou frustrado quando a água do chuveiro caiu morna sobre sua pele, mesmo no frio a água estava saindo quente, maldito seja o verão na Califórnia, tomou um banho rápido apenas para tirar o suor de seu corpo, saiu do banheiro já vestido. 


O menor encheu seu corpo com protetor solar, não costumava ir à praia, na verdade nem se recorda da última vez que esteve em uma, — talvez tenha sido a vez que sua escola fez um passeio para Jeju e Baekhyun passou a viagem toda vomitando as tripas em um saco marrom, longas viagens de ônibus não eram seu forte —, não queria correr o risco de pegar uma insolação ou algo do tipo.


Passou pelo seu quarto e pegou seu Walkman que estava sobre sua escrivaninha, colocou o fone no pescoço e o aparelho no bolso encaixou o aparelho auditivo em sua orelha. Quando apareceu na cozinha vestia um calção azul escuro com o rosto do Homer Simpson estampado por todo o tecido, e uma regata branca. 


— Vamos logo antes que eu desista — Baekhyun ainda estava com o rosto amassado por conta do sono. Minseok pulou da cadeira onde estava sentado e se despediu de Yebin que estava na cozinha preparando algo para comer.


Saíram de casa por volta das dez da manhã, e realmente o sol brilhava mais que tudo no céu azul sem nenhuma nuvem sequer para contar história, o mormaço atingiu Baekhyun em cheio assim que o mesmo pisou seus pés do lado de fora de casa. O Kim dirigiu até a casa do Do para buscá-lo, o mesmo já esperava na calçada com um prancha debaixo do braço, prancha essa que foi colocada na carroceria da picape, Scar Tissue do Red Hot Chili Peppers tocava alto no som velho da picape fazendo o pequeno boneco do Darth Vader que decorava o carro do Kim balançar sua cabeça de mola mais que o normal.


— With the birds, I'll share this lonely view in — Cantarolou Minseok enquanto o vento quente do verão balançava seus cabelos. 


— With the birds, I'll share this lonely view in — Repetiu Kyungsoo lambendo a seda do baseado que tinha acabado de bolar. 


A praia escolhida foi a de Santa Maria, que ficava próxima a um centro comercial e um parque de diversão sobre um grande píer, era uma das preferidas pelos surfistas da região. E como era um sábado de sol escaldante, era mais que óbvio que a praia estaria lotada, encontrar uma vaga para estacionar a velha picape foi um desafio e tanto, Minseok já estava franzindo o nariz, coisa que ele apenas fazia quando estava irritado. Quase soltou um gritinho quando encontrou uma vaga, após longos minutos de procura.


Os três amigos caminharam até uma escada de madeira que levava até a faixa de areia, Baekhyun pensou em tirar os chinelos mas desistiu quando lembrou que a areia deveria estar mais quente que tudo, uma garota loira acenou na direção deles, o menor estreitou o olhar e notou que era Amanda e suas outras duas inseparáveis amigas. Kyungsoo fincou sua prancha na areia, ao lado do guarda-sol onde as garotas estavam, com suas cangas estampadas estiradas no chão. 


— Você trouxe o baseado que eu te pedi, Minki? — A loira perguntou, Amanda era tão linda que Baekhyun nem gostava de olhá-la por muito tempo. Seus cabelos loiros e longos, lábios carnudos e olhos azuis como o mar do Caribe, tudo perfeito e na medida correta. Deveria ser um crime alguém ser tão bonito assim. 


— Tenho cara de traficante porra? — A loira concordou recebendo o dedo do meio como resposta — O Kyungsoo é o cara dos baseados, eu só fumo. 


Os dois iniciaram uma conversa sobre maconha e legalização, mas Baekhyun não estava muito interessado então optou por prestar atenção no loiro tingido de dois metros de altura que jogava bola na areia mais a frente, sem camisa e com um calção vermelho que contrastava com sua pele branca como a neve. Chanyeol e sua gangue pareciam animais brigando pela bola de plástico, se socando e rolando pela areia, um pensamento involuntário surgiu na mente do Byun e ele se perguntou se o vizinho malhava, pois o mesmo tinha um corpo bonito e musculoso, mas quando se deu conta do que estava pensando se martirizou por isso, Park Chanyeol era um idiota que não merecia elogios vindos da sua parte, mesmo que fossem elogios mentais. 


— Baekhyun você está solteiro? — O Byun estava sentado na areia enquanto observava a gangue do vizinho quando Amanda lhe direcionou tal pergunta. 


— Sim — respondeu confuso. 


— Minha amiga Lola te acha um gatinho — Ela disse se referindo a garota deitada ao seu lado, que enfiou o rosto entre as mãos em sinal de vergonha. 


— Ah — Baekhyun não sabia o que responder — Obrigado, eu acho.


— Quer ficar com ela? — O Byun franziu o cenho, o que diabos estava acontecendo, olhou para garota ao lado de Amanda e a mesma estava vermelha como nunca. 


— Acho que não — Naquele momento ele só queria que Minseok e Kyungsoo voltassem do mar para salvá-lo daquela situação. 


— Então você é gay? — Amanda perguntou de supetão, recebendo um resmungo em desaprovação vindo do Byun.


— Só porque não quero ficar com a sua amiga isso faz de mim automaticamente gay? — A loira revirou os olhos como se aquela enrolação toda estivesse lhe deixando com tédio.


— Relaxa, só quero saber se você é gay, nada demais — Baekhyun não sabia ao certo responder aquela pergunta, e também nem queria responder, mas já tinha se interessado por garotos antes, e até mesmo beijado um, porém também já tinha namorado uma menina, talvez fosse bissexual, não tinha certeza. 


— Não exatamente — Foi a única coisa que respondeu, não queria prolongar aquela conversa, Amanda pareceu satisfeita com a resposta. 


Baekhyun ouvia Half The World Away do Oasis em seu Walkman, estava perdido em seus próprios pensamentos, concentrado em afundar seus dedos dos pés na areia quente da praia, se martirizou por não ter trago seu caderno de desenho, até porque deveria estar fazendo um trabalho do clube de artes no momento, e não curtindo uma praia com os amigos.


Tirou seus fones do ouvido e logo depois tirou sua regata, caminhou em direção ao mar, logo sentindo a água molhar seus pés, a temperatura estava perfeita, não muito gelada, Baekhyun andou mais para o fundo até que a água estivesse um pouco acima de sua cintura, mergulhou e nadou por alguns minutos, se deliciando com a água cobrindo seu corpo. Ficou nessa por mais alguns minutos quando resolveu voltar para terra firme.


Minseok estava deitado na canga de Amanda, fumando um baseado e com um copo que continha um líquido amarelo nas mãos e Kyungsoo estava passando parafina  sua prancha. O menor se sentou ao lado do amigo, e pegou o copo da mão do mesmo, dando um gole, o líquido desceu queimando deixando evidente a presença do álcool. 


— Que porra é essa? — Perguntou Baekhyun.


— A famosa margarita da Amanda — Respondeu o Kim.


Uma conversa descontraída sobre bebidas se iniciou, Amanda encheu um copo para Baekhyun que negou, mas por insistência da loira resolveu aceitar, Minseok deitou sua cabeça no colo do Byun enquanto o menor fazia círculos com o dedo na cabeça do amigo. Kyungsoo bolava mais um baseado e o menor se perguntou de onde diabos o Do tirava tanta maconha. Em certo momento, enquanto todos riam após um forte vento levar a maconha do Kyungsoo para longe, uma bola de futebol caiu no meio do grupo de amigos, espalhando areia para todo lado. 


— Mas que porra é essa — Amanda gritou irritada.


Chanyeol e sua trupe se aproximou do guarda-sol com sorrisos sarcásticos em seus rostos, Minseok fechou a cara e Baekhyun sabia que a confusão estava formada.


— Vocês podem devolver a nossa bola? — Yixing pediu entre risos.


— Não podemos não — Minseok tirou o baseado que estava aceso de seus lábios e apagou na bola, que estourou em instantes. 


— Você só pôde estar de sacanagem seu fodido do caralho eu vou amassar a sua cara — O de cabelos vermelhos esbravejou. Minseok se levantou pronto para briga, porém Chanyeol se pôs entre os dois — Estou ficando de saco cheio de você Kim — O chinês disse apontando o dedo na cara de Minseok. 


— Sério? Quem sabe se eu ligar para o meu pai, ele acelera a sua viagem para o presídio, assim você não vai precisar ver minha cara pelos próximos trinta anos — Baekhyun arregalou os olhos, então era verdade a história que Chanyeol tinha lhe contato. Nem notou que o loiro o olhou no momento que aquilo foi dito por Minseok, como se quisesse ver a reação do menor ao saber que tudo o que tinha lhe contado no estacionamento do Walmart era verdade.


— Me arrependo todos os dias de ter aceitado esse acordo, ter débito com o diabo seria menos doloroso do que dever você — O chinês cuspiu as palavras.


— É, mas você aceitou, então é melhor você começar a sumir do meu radar. Eu não quero ver sua cara, não quero você enchendo o saco do Baekhyun, não quero nem saber se você está respirando, quero que você suma da minha vista — Ameaçou Minseok.


Quando a gangue se afastou o clima ainda estava tenso, Minseok estava irritado andando de um lado para o outro, parecia estar pensando em algo, mas logo o colega voltou a agir como se nada tivesse acontecido, fazendo piadas que só faziam sentido na sua cabeça e fumando seu bom baseado. Baekhyun se perguntava se Minseok escondia um persona ou até uma dupla personalidade, pois sempre se transformava quando estava discutindo com Yixing e sua trupe. Se tornava agressivo e quase sombrio, diferente do Minseok que ele estava acostumado a conviver.


— Não se preocupa com ele, ele sabe o que está fazendo — Amanda se sentou ao lado de Baekhyun na areia.


— Qual é a dessa dívida? — Perguntou o menor.


— Eu não sei ao certo, mas é algo grave, é melhor você não se envolver, pode até parecer só uma birra entre dois grupos de amigos do ensino médio. Porém a família do Yixing é barra pesada, e o Minseok sabe disso, então ele precisa ter muita coragem para enfrentar o cabelo de fogo assim — A loira prendeu o cabelo em um rabo de cavalo.


— E o Chanyeol? Ele é barra pesada também? — Baekhyun perguntou tentando transparecer indiferença na pergunta.


— Não, ele só é um garoto meio perdido, quando conheci o Chanyeol ele não era esse otário que ele é hoje em dia, mas a vida cobrou demais dele — O Byun observou as madeixas loiras do vizinho de longe, com uma sensação estranha no estômago, ele queria demais desvendar os mistérios do Park.


A tarde passou voando e quando o Byun se deu conta o sol já estava se despedindo, colorindo o céu com suas cores quentes mais lindas. O mormaço de mais cedo tinha se tornado uma brisa leve beirando o frio, tanto que Amanda vestiu um moletom cinza pois segundo ela em hipótese alguma poderia pegar um resfriado, já que as finais do campeonato de líderes de torcida estava se aproximando, e ela como capitã devia se manter saudável. 


Baekhyun até entendia o porquê da loira e o Kim serem amigos, a garota era um pouco tagarela e excêntrica, assim como Minseok era. O filho mais velho dos Byun estava deitado sobre a saída de praia que Amanda tinha estirado no chão, mesmo não fumando, Baekhyun sempre ficava meio aéreo por conta da fumaça que os amigos exalavam, a loira contava sobre seus ex namorados abusivos e de como ela tinha dedo podre. Enquanto Kyungsoo contava sobre sua ex-namorada que fugiu com outro cara para Nova York e terminou com ele por telefone.


O Byun não estava prestando tanta atenção assim, já que não poderia opinar naquele assunto pois nunca namorou, estava sonolento por conta do carinho que a loira fazia em seu cabelo, a brisa fria e o barulho do mar só tornava impossível não dormir.


Antes da noite cair o grupo de amigos decidiu que era hora de ir embora, Amanda e suas amigas se despediram e logo a Mercedes da loira cantou pneu sumindo entre as ruas de Santa Luz. Baekhyun cochilou durante o caminho de volta para sua casa, o rádio da picape tocava alguma balada lenta, enquanto Minseok e Kyungsoo discutiam quem era o melhor personagem de Star Wars. A picape estacionou no número 6104, e o Do teve que cutucar Baekhyun algumas vezes para acordar o mesmo, o menor acordou assustado causando algumas risadas escandalosas nos amigos. 


— Os pais da Amanda vão estar fora da cidade amanhã, então vamos fazer uma pequena festa na piscina, vou passar aqui depois do almoço para te buscar — Baekhyun já tinha notado que Minseok nunca perguntava se ele queria ir aos lugares, apenas o avisava que viria buscá-lo, não deixando brechas para o menor recusar. 


A picape deu partida com seu familiar barulho no motor que parecia que morreria a qualquer momento e sumiu na esquina da Sunset Street, Baekhyun virou o corpo para caminhar até a entrada de sua casa mas parou quando notou Chanyeol sentado em uma cadeira de praia no gramado fumando e com uma latinha de cerveja na mão. O loiro olhava diretamente para o Byun, que desviou o olhar e continuou seu caminho para entrar em casa, mas parou novamente quando ouviu o vizinho dizer algo que ele não entendeu muito bem, levou seu dedo até o aparelho auditivo e ligou o mesmo.


— O que você disse? — perguntou o menor. 


— Você está parecendo um pimentão deveria ter passado protetor solar — Baekhyun franziu o cenho confuso com o comentário repentino vindo do Park.


— E você se importa? — Chanyeol deu pequenos goles na latinha de cerveja.


— Não — respondeu dando de ombros.


Baekhyun revirou os olhos e retomou seu caminho até a porta de entrada de sua residência, vasculhou seus bolsos atrás de sua chave mas não encontrou a mesma, tocou a campainha algumas vezes mas não recebeu resposta, olhou pela janela e notou as luzes apagadas e cortinas fechadas.


— Eles saíram a uns minutos — o loiro avisou.


O menor bufou frustrado, provavelmente deixou seu molho de chaves cair na picape do Kim, ou na pior da hipóteses perdeu na praia, mas preferia acreditar na primeira opção, se sentou no pequeno degrau que levava até a porta de entrada, sentindo o frio da noite atingir sua pele descoberta, usava apenas um regata e um calção ambos molhados por conta dos mergulhos que o Byun decidiu dar. 


Chanyeol ainda estava sentado em seu gramado, vestia um moletom cinza e uma bermuda fininha que deixava o início de suas coxas brancas exposta, seu cabelo tingido escondido em uma touca vermelha, se ele não fosse um total idiota, Baekhyun até admitiria que o vizinho era um rapaz bonito. 


— Você vai pegar um resfriado se ficar no relento usando essas roupas molhadas — Chanyeol quebrou o silêncio, o loiro falava um pouco alto, mesmo que eles estivessem a apenas vinte a trinta passos de distância um do outro.


— Porque você está falando comigo? Pensei que você não gostasse de mim — O loiro tragou o cigarro soltando a fumaça pelo nariz. 


— Não é que eu não goste de você, eu apenas não vou com a sua cara — Chanyeol se ajeitou na cadeira fazendo o tecido fino de seu short subir mais, deixando assim sua cueca preta amostra contrastando com sua pele branca naquela região que não pegava sol. Baekhyun engoliu seco e sentiu uma sensação estranha em seu estômago. 


— E isso não é a mesma coisa? — Baekhyun se encolheu por conta do vento frio que começou a correr, olhou para o céu e tudo indicava que uma chuva forte estava prestes a cair. 


Chanyeol não respondeu nada terminou de fumar seu cigarro e bebeu mais duas latinhas de cerveja, o Byun não sabia ao certo quanto tempo tinha se passado pois estava sem seu relógio de pulso, mas chutava meia hora ou vinte minutos, o vizinho não tinha falado mais nada, porém vez ou outra Baekhyun o pegava o olhando, e o loiro sempre desviava o olhar quando o menor o pegava no flagra.


As primeiras gotas de chuva começaram a cair e o Byun já tinha aceitado o fato de que pegaria um hipotermia, Chanyeol rapidamente fechou suas cadeira e pegou o fardo de cervejas que estava sobre a grama e estava prestes a correr para dentro de sua casa, quando levou seu olhar para o jovem Byun encolhido em frente a porta do 6104. O loiro bufou e caminhou até Baekhyun em passos rápidos por conta da chuva que só aumentava. 


— Vamos, você pode esperar seus pais na minha casa — Baekhyun franziu o cenho confuso, Chanyeol estava realmente sendo gentil a esse ponto? Ou era apenas uma alucinação por conta da hipotermia que o Byun tinha certeza que estava tendo. 


— Não precisa eles já vão chegar — O maior revirou os olhos e puxou Baekhyun pelo braço com certa força, assustando o menor um pouco — Nossa não precisa me puxar assim. 


— Você reclama de tudo, quando eu pego no seu pé, sou um idiota, aí eu tento ser legal e você recusa a minha gentileza — Os dois correram até a porta da casa do Park e o maior logo tratou de abrir a mesma. 


A casa estava meio escura, apenas um abajur iluminava a sala de estar e uma lâmpada que estava acesa no corredor, o cheiro da casa de Chanyeol era um mistura de tabaco e menta, o sofá da sala estava coberto por plástico, na mesinha de centro um cinzeiro de porcelana cheio de bitucas de cigarro. Uma grande televisão ficava sobre uma estante de madeira envernizada, e a sala tinha muitos vasos de diferentes formas e cores. 


— Minha mãe e irmã não estão em casa, hoje é noite do bingo no centro comunitário, minha mãe sempre arrasta minha irmã junto, ela fala que as chances de ganhar são maiores — O loiro acendeu a luz do hall dando uma visão melhor da entrada da casa, tinha a mesma construção da casa de Baekhyun, a cozinha americana com um balcão que dividia o cômodo da sala. 


Chanyeol começou a andar pelo corredor da casa, porém Baekhyun continuou parado na porta de entrada, o vizinho olhou confuso e fez sinal com a mão para o menor segui-lo, e assim fez o Byun. Andou apressado para alcançar o Park, o maior entrou em um cômodo que o menor deduziu ser o quarto do mesmo, na porta diversos pôsteres relacionados a Hip Hop e alguns recortes de revistas Playboy, um nervosismo surgiu quando Baekhyun se deu conta de que estava na casa de Chanyeol, e entrando no quarto do mesmo. 


Era praticamente um cordeiro na toca do lobo, não sabia se as intenções de Chanyeol realmente eram gentis, ou se o loiro o atacaria a qualquer momento e o daria uma surra daquelas e depois o jogaria na chuva para morrer. Estava meio receoso mas ao mesmo tempo curioso para saber mais sobre o vizinho, não sabia qual era a natureza dessa curiosidade iminente, talvez Agatha Christie tivesse se acostumado mal, e agora ele tinha esse vício em mistérios.


O garoto que fez de seu primeiro mês na cidade um total inferno, e que de uma hora para outra estava sendo gentil demais, um presságio ruim passou pelo seu peito mas respirou fundo e ignorou a sensação. Optou por acreditar que o mesmo só estava sendo gentil e nada mais, entrou no cômodo com certo receio, era um pouco menor que o seu quarto, e o cheiro de cigarro estava mais forte ainda, a cama bagunçada e algumas latinhas de cerveja espalhadas pelo chão, assim como peças de roupa também. 


Mais posters colados nas paredes, mas diferente dos que estavam na porta, os do interior do quarto eram de mulheres nuas, exibindo seus corpos e seios avantajados, Baekhyun sentiu suas maçãs esquentar e desviou o olhar para o chão. Chanyeol pareceu notar o incômodo do menor e riu da situação. 


— Você é mesmo um virjão né, nunca viu uma mulher pelada? — Chanyeol perguntou de supetão. 


— Vai se foder — O maior deu de ombros e vasculhou sua gaveta à procura de algo.


Tirou de lá um pequeno tubo de M&Ms que o loiro usava para guardar seus baseados, colocou o cigarro ilícito entre os lábios e acendeu o mesmo, se sentou em sua cama e deu duas batidinhas no colchão para que Baekhyun se sentasse do seu lado, e assim fez o menor. Chanyeol ofereceu o cigarro para o Byun que negou com a cabeça.


— Você já ficou chapado? — Assim como o restante da casa, o quarto de Chanyeol também estava escuro, sendo iluminado apenas por um abajur que tinha formato de uma bola de futebol americano. 


— Não, como você mesmo diz, sou apenas um filhinho da mamãe — Baekhyun disse sarcástico.


— Me prova que eu estou errado — Disse o loiro estendendo o cigarro para o Byun. 


Baekhyun tentou montar os prós e contras de fumar maconha em sua cabeça, porém não estava com saco para ser politicamente correto naquele momento. Então pegou o cigarro entre os dedos e levou até os lábios, sem fazer a mínima ideia do que fazer, e Chanyeol pareceu perceber a falta de prática do menor. 


— Você suga a fumaça e prende o quanto conseguir, depois solta — Disse o loiro. Baekhyun concordou e seguiu as instruções do maior, porém acabou inalando um pouco da fumaça, tossindo ao sentir a garganta queimar. 


Chanyeol riu da situação, achando engraçado a inexperiência do menor, o Byun tossiu por alguns minutos até que o loiro abriu uma latinha de cerveja tirada de algum quanto do seu quarto e o ofereceu líquido alcoólico. Um silêncio interminável se instalou entre os dois, o Park continuou a fumar o baseado quieto enquanto Baekhyun estava acanhado sentado na pequena cama de solteiro. A chuva só piorava do lado de fora, e vez ou outra um raio iluminava o cômodo.


O quarto de Chanyeol era exatamente como Baekhyun achou que seria, bagunçado, escuro e com um leve cheiro de nicotina e mofo, porém não deixava de ser aconchegante, e esse sentimento de aconchego se instalou no coração menor enquanto o mesmo estava sentado naquela cama, tão próximo do vizinho, ouvindo o som da chuva caindo e inalando a fumaça daquele cigarro de maconha. A única coisa que o incomodava era o silêncio, queria conversar com o maior, puxar assunto, tentar criar alguma relação que não fosse movida a ódio e medo.


Queria mostrar para Chanyeol que a visão que ele tinha de si era totalmente errada, e que Byun Baekhyun era muito mais que um garoto frágil, era um artista, leitor voraz, amante de música e um pensador contemporâneo. Talvez tivesse exagerado na parte do pensador contemporâneo, mas mesmo assim, queria provar que o vizinho de que era uma pessoa legal e que não merecia nenhuma de suas provocações, queria aproveitar a chance, deus sabe se ele teria outra oportunidade de ficar sozinho desse jeito com o Park, ou até mesmo se receberia outro gesto bondoso vindo do maior. 


Passou alguns minutos montando um assunto em sua mente, um assunto do interesse de Chanyeol, quando estava prestes a falar, o maior se adiantou destruindo todo o esforço que fez para tomar coragem de falar algo. 


— Porque sua família se mandou do país de vocês? — Perguntou o loiro.


— Problemas financeiros — Baekhyun respondeu. 


O vizinho apenas concordou com a cabeça e então o incômodo silêncio voltou a se instalar entre os dois, o Byun estava meio frustrado, esperava que a conversa se estendesse mais porém isso não aconteceu. 


— E sua família? São imigrantes também? — Chanyeol se levantou da cama assim que Baekhyun proferiu a pergunta. 


— Meus avós paternos são coreanos, eles vieram para a América quando meu pai era uma criança. Minha mãe é americana, e eu nasci aqui — Baekhyun concordou com a cabeça. 


O loiro caminhou até sua cômoda e abriu uma das gavetas, então tirou a camiseta que usava, pegando Baekhyun de surpresa, já tinha visto o maior sem blusa antes, mas era diferente estar sozinho com ele em um quarto daquela forma. Mesmo que Chanyeol fosse o maior babaca, ele era um homem bonito, com um corpo também bonito, e já não era novidade para Baekhyun a leve atração que ele sentia por homens. Deslizou seu olhar pelas dezenas de tatuagens espalhadas pelo tronco do vizinho, seu corpo definido iluminado pela pequena fonte de luz do abajur.


A bermuda fina que o maior usava era um sem dúvidas um número maior, pois a mesma deixava metade da cueca box branca que Chanyeol usava à mostra. Deixando Baekhyun um tanto quanto incomodado com a visão, o loiro não era tão bombado, mas também não era de se jogar fora, sua barriga tinha alguns gomos, e sua bunda era um tanto quanto empinada, nada demais. E quando o mesmo se virou de volta para se sentar na cama novamente, o Byun não deixou de notar o grande volume no meio de suas pernas.  


Engoliu seco por conta do pensamento nada decente que surgiu em sua mente, desviou o olhar antes que o vizinho notasse seu súbito interesse em como seria sentir suas línguas juntas. Olhou para qualquer lado do quarto, o chão, teto, menos para Chanyeol, e assim foi até que ouviu o barulho de um carro estacionar e ao olhar pela janela viu sua família descer de um táxi.


— Meus pais chegaram — Baekhyun se levantou da cama de casal, o loiro olhou para a janela e viu o carro amarelo parado em frente a casa do Byun — Obrigado por me deixar ficar aqui, foi muita gentileza da sua parte. 


— Relaxa, agora você tá me devendo uma — Disse o vizinho — E eu vou cobrar.  


O menor saiu da casa de Chanyeol com uma pulga atrás da orelha, o vizinho tinha deixado bem claro que não foi um gesto de gentileza, e que agora Baekhyun tinha uma dívida com ele, e o mesmo não gostava nem um pouco da idéia de estar devendo algo ao Park. Sabia que a cobrança viria algum dia, e que seria algo nada agradável. Mas agora deitado em sua cama ouvindo The Cranberries enquanto observava suas estrelas fluorescentes no teto, sua mente viajou até os pensamentos impuros que teve a respeito do loiro. 


A forma como sentiu um súbito calor quando Chanyeol tirou a blusa, expondo seu abdômen, virilha e o abundante volume marcado pelo tecido daquele fino calção. Baekhyun enfiou a cabeça no travesseiro e soltou um grito abafado, não podia ter aquele tipo de pensamento a respeito do maior babaca que o planeta Terra já conheceu, mas ele não tinha culpa se o babaca era extremamente gostoso. 


— Não, não, não — repetiu Baekhyun frustrado. Olhou pela janela de seu quarto que dava visão para a janela do quarto do vizinho, a luz do mesmo ainda estava acesa — Idiota — Sussurrou o menor se referindo ao vizinho. 


Não chovia mais, porém uma brisa gelada ainda percorria a noite, o jovem Byun se revirava na cama com dificuldades para dormir, ainda refletia a respeito de seu vizinho e sobre o seu primeiro mês em Santaluz. Estava feliz de ter conseguido fazer amizades e por tudo estar correndo bem na medida do possível, ainda tinha Chanyeol e sua gangue para adicionar um sabor amargo aos seus dias, porém conseguia lidar com isso bem. O sono demorou para vir, mas quando veio Baekhyun adormeceu com o loiro em sua mente, e desejando que o gesto de gentileza de hoje se repetisse mais vezes.





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