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História Suburbia - Capítulo 9


Escrita por: chenwifes

Notas do Autor


oi, desculpa pela demora, as coisas andam meio corridas na minha vida atualmente, o cápitulo ficou curtinho mas prometo que o próximo vai ser maior e vai sair mais rápido, obg qualquer coisa me sigam no tt @wonhofobic

Capítulo 9 - Carro de Fuga


O amor pela arte veio de uma forma bem singela, Baekhyun se lembra de ainda ser uma beirando os quatro anos, ainda tropeçando em seus próprios pés e se enrolando com as palavras, e ele adorava usar as paredes de sua casa como uma grande tela, e isso sempre deixava sua mãe a beira de um colapso nervoso. Quando cresceu e começou a ter noção sobre o que seus desenhos podem transparecer suas emoções e desejos, a arte se tornou uma boa válvula de escape para todos seus problemas pessoais.

 

Seu pai não entendeu, não se esforçou para entender, a verdade era que Baekhyun não era nada do Hyun Bin queria que ele fosse, o homem queria que seu filho fosse advogado ou médico, mas a verdade era que o santo do menor nunca bateu com o do pai, os conflitos internos sempre estiveram presentes e apenas chegou um momento onde o Byun não fazia questão de se esforçar para ter uma boa relação com seu pai.

 

Era frustrante para sua mãe ter que lidar com as brigas constantes e os desentendimentos, sempre se esforçando para criar uma ponte e não deixar o laço paternal morrer, porém o orgulho de Baekhyun sempre falava mais alto e era mais que o normal que ele ficasse semanas sem falar uma palavra sequer com seu pai. E quando o mesmo descobriu que Hyun Bin estava tendo um caso com uma colega do escritório, o menor sentiu tanta raiva do pai que em um surto de raiva quebrou a coleção de pratos que o mesmo tinha.

 

Naquele dia o resto de respeito e admiração que Baekhyun tinha pelo pai morreu, toda a integridade e valores que o mesmo dizia ter jogados pelo ralo por um simples desejo carnal, traindo a mulher mais doce e atenciosa que o menor já tinha conhecido, sua mãe era sem dúvidas uma pessoa incrível, com um coração bom e uma personalidade invejável. E o menor não conseguia se conformar que todo o esforço que sua mãe fazia para manter a família bem, tinha sido menosprezado pelo homem que jurou amá-la para sempre. 

 

A notícia da mudança veio como um choque, claro que a família tinha problemas financeiros, mas nada drástico que precisasse mudar de continente para resolver, a verdade era que o casamento estava prestes a afundar e seu pai estava desesperado, e ambos entraram em consenso e decidiram que seria melhor começar do zero.

 

De início o menor também achou uma ótima idéia, e as oportunidades no ramo da arte na Califórnia também seriam melhores, mas na situação que se encontra atualmente, Baekhyun se pergunta se foi realmente a melhor idéia. O Byun estava com raiva de si mesmo, furioso para falar a verdade, ele era a pessoa mais idiota de todo mundo por ter se deixado levar mais uma vez pelas doces palavras de Chanyeol. 

 

Ele queria ter o poder de apagar o maior de sua memória, mas toda vez que fechava os olhos os lábios doces e carnudos e os músculos firmes e pele áspera invadiam seus pensamentos, e isso fazia ele se questionar se os conflitos com seus pai fizeram ele preferir homens problemáticos. Essa era a única resposta plausível, porque ele sabia com toda certeza que se envolver com Chanyeol só traria coisas ruins para sua vida, mas mesmo assim não conseguia evitar. 

 

Após a briga no hospital Baekhyun ficou dois dias sem sair de casa, estava focado em seus estudos, para aprimorar suas habilidades, pois assim que as férias de verão acabassem sua meta era ser aprovado em pelo menos duas das universidades que ele queria. Nesses dois dias Kyungsoo recebeu alta do hospital e Minseok estava totalmente desaparecido, não atendia as ligações do menor e nem mesmo retornou os recados. 

 

O menor estava frustrado mas não queria esquentar a cabeça com isso, da mesma forma que não tinha tempo para lidar com os dramas de seu vizinho, também não tinha tempo para lidar com os dramas do Kim. Era aproximadamente quatro da tarde e Baekhyun estava sentado na sua mesa com um lápis aquarela entre os dedos colorindo o desenho que tinha acabado de fazer.

 

O verão estava a todo vapor e a temperatura estava mais que alta, o Byun usava uma regata branca, sua samba canção azul marinho e o ventilador ligado na última potência, em sua testa gotas solitárias de suor escorriam e tudo que o menor queria era tomar um banho gelado e se enfiar embaixo de um ar condicionado. Estava a duas horas sentado naquela cadeira treinando seus traços e lendo sobre a história da arte, mas vez ou outra sua mente viaja até um certo loiro de farmácia.

 

Baekhyun estava furioso, queria muito atravessar a rua e xingar Chanyeol dos palavrões mais feios que existem, e expressar como ele era um idiota egoísta que só se preocupava com o próprio nariz, mas ele não queria correr o risco de ficar sozinho com o maior, pois ele sabia que o mesmo tinha um poder sobre si. A verdade era que o menor não conseguia resistir a fala mansa, os lábios carnudos e o corpo másculo do maior.

 

Balançou a cabeça na intenção de espantar para longe os devaneios a respeito do maior, se levantou de sua mesinha de estudos e acabou esbarrando no ventilador e bufou frustrado, o menor odiava calor e desde que o verão havia começado estava sendo um inferno, — literalmente —, ter que lidar com as altas temperaturas de Santa Luz.

 

O menor saiu de seu quarto e caminhou preguiçoso até a cozinha, a casa estava vazia, tinha se tornado uma rotina ficar sozinho em casa, pois Yebin passava a maior parte de seu tempo com suas amigas e sua mãe na aula de costura que a mesma tinha entrado. Abriu a geladeira e pegou a caixa de suco de laranja, colocou o copo sobre a pia e despejou o líquido amarelo.

 

Baekhyun sentiu um frio tomar conta de sua barriga quando avistou pela janela da cozinha uma viatura estacionada em frente a casa de Chanyeol, o menor franziu o cenho e se perguntou se algo grave tinha acontecido, caminhou em passos rápidos até a porta da frente e assim que abriu a mesma dois policiais saíram da casa dos Park, acompanhados pelo loiro que estava algemado.

 

Era como se o menor estivesse preso naqueles pesadelos onde você não consegue sair do lugar, como se seus pés estivessem presos naquela grama molhada pela breve chuva que caiu mais cedo, Chanyeol olhou diretamente para ele, mas sua expressão era vazia, calma até demais para a situação que ele se encontrava. 

 

Os policiais colocaram o maior no banco traseiro e logo a viatura estava deslizando para longe da Sunset Street, Baekhyun ainda estava em choque, sem entender direito o que estava acontecendo, será que era algo relacionado ao acidente de Kyungsoo? Mas porque ele estava algemado?

 

Baekhyun voltou para dentro de casa com sua cabeça quente de tanto pensar, tentava juntar as peças e entender um motivo que fizesse sentido, então tudo se juntou em um clique, e apenas um nome surgiu em sua mente. Minseok. O Kim disse que não deixaria barato, mas o menor não imaginava que Chanyeol estava incluso em sua vingança. 

 

Não era sua obrigação, ele não precisava se meter nesse drama, poderia simplesmente ignorar tudo isso e voltar a estudar, o menor estava andando de um lado para o outro tentando pensar em algo que ele poderia fazer, correu até o telefone fixo que ficava na sala e digitou os números da casa do Kim. O telefone tocou algumas vezes e caiu na caixa postal.

 

O menor pegou as chaves da porta na fruteira na mesa da cozinha e saiu apressado, ele precisava ter certeza que Minseok não tinha nada ver com o fato de Chanyeol ter sido levado pela polícia, e se ele tivesse algo a ver com isso, ele ainda não tinha pensado no que iria fazer a respeito disso. Apesar de sua raiva crescente pelo loiro, ele não podia negar os sentimentos amorosos que gritavam em seu peito, e ele não queria que Chanyeol tivesse que pagar por algo que era totalmente culpa do Zhang.

 

Baekhyun caminhou apressado até o ponto de ônibus na esquina da Sunset Street e para a sua sorte o 2237 chegando, o menor correu e chegou a tempo de pegar o veículo ainda parado no ponto, adentrou o mesmo e se sentou no fundo, balançando a perna nervoso enquanto roía suas unhas.

 

Em aproximadamente dez minutos o Byun saltou do ônibus no bairro repleto de mansões exuberantes, desceu a rua até a casa que ele já conhecia, subiu os degraus até a porta da frente e com as mãos trêmulas tocou a campainha. Amanda abriu a porta e pareceu surpresa ao ver Baekhyun parado ali, o menor sorriu nervoso para a loira.

 

— Minseok tá aqui? — De primeira Amanda pareceu confusa com a pergunta, mas então apenas concordou com a cabeça. 

 

— Lá atrás, fumando com os meninos — Amanda abriu espaço para Baekhyun entrar e assim fez o mesmo. 

 

O caminho até a área da piscina foi longo, o menor estava nervoso, pensando como ele abordaria o assunto com Minseok sem causar nenhum conflito desnecessário. A turma toda estava reunida, Kyungsoo, Jongin, Minseok e Sehun, que torceu o nariz ao ver Baekhyun se aproximar junto de Amanda.

 

— Olha quem resolveu sair da toca — Amanda disse tentando quebrar o clima tenso que surgiu.

 

Minseok estava sentado fumando, parecia tranquilo e sorriu animado ao ver o amigo, Baekhyun se sentou ao lado de Amanda, extremamente desconfortável, não via os amigos desde a situação no hospital, obviamente os amigos estavam confusos com o fato do menor ter aparecido com Chanyeol no hospital, mas o Byun não tinha tempo para explicar.

 

— Você sumiu cara, o que andou fazendo? — Kyungsoo perguntou, o garoto parecia estar melhor da lesão, apesar do curativo na sua cabeça, e seu relacionamento com Jongin aparentava estar mais que sólido, o mesmo estava sentado no colo do Do.

 

— Estudando bastante — Baekhyun respondeu.

 

— Mas é verão, você é tão nerd — Amanda disse.

 

— Depois das férias eu vou participar de um projeto da Juilliard, eles vão selecionar cinco estudantes para ganhar uma bolsa de estudos, então tô tentando focar nisso — Minseok apagou o cigarro no cinzeiro e riu irônico.

 

— A Juilliard fica em Nova Iorque, né? — Baekhyun concordou com a cabeça — Nossa, o Chanyeol sabe que você pretende mudar de estado?

 

Baekhyun franziu o cenho tentando buscar palavras para responder tal pergunta, todos o olhavam com olhares de julgamento, como se o menor fosse um réu pronto para ter sua sentença.

 

— O que você tá insinuando? — Baekhyun disse ríspido. O Kim riu sarcástico.

 

— Vocês estão vivendo um romance cheio de altos e baixos digno de um filme, e eu só quero saber se vai ter um final feliz — Byun se ajeitou na cadeira tentando não transparecer o desconforto que estava sentindo naquele momento.

 

— Todo filme tem um vilão e eu acho que o vilão da minha história acabou de mandar Chanyeol para prisão — Sehun olhou para Minseok com um olhar assustado, como se quisesse dizer algo mas não sabia como dizer. 

 

— Você está insinuando que eu sou o vilão da sua história? Se ele está na cadeia é porque ele merece, quem se envolve com porcos farelos comem — Baekhyun riu irônico.

 

— Sendo assim você deveria estar na cadeia também, já que está envolvido nessas merdas do mesmo jeito, você não é diferente deles só é um hipócrita de merda com um pai corrupto de merda — Baekhyun se levantou da cadeira prestes a ir embora — Mas saiba que você não vai poder se esconder nas asas do seu pai para sempre, um dia a vida vai te cobrar também.

 

Baekhyun caminhou apressado para fora da mansão, com seu coração batendo a mil e ainda se sentindo anestesiado pela adrenalina, não estava acreditando que teve coragem de falar todas aquelas coisas para Minseok. E também estava com raiva da hipocrisia do amigo, como ele queria apontar o dedo sobre o certo e errado se ele também estava envolvido no assalto.

 

Obviamente Baekhyun não queria defender Yixing e seu surto contra Kyungsoo, mas Minseok  também não era nenhum santo e não tinha moral alguma para ter essa pose de dono da razão. O menor não poderia negar que estava com medo de esse ter sido o fim de sua amizade com a turma, mas ele não iria se tornar alguém que acatava os caprichos do Kim.

 

Durante o caminho de voltar para casa Baekhyun estava apreensivo, preocupado para ser mais específico, o ônibus passou em frente ao departamento de polícia e o menor sentiu uma forte vontade de descer e ver se Chanyeol ainda estava lá, preso ou algo do tipo, seu estômago se revirou de nervosismo só de pensar nesse cenário. 

 

Desceu no começo da Sunset Street e caminhou lentamente até o final da rua onde sua casa ficava, Baekhyun tinha prometido para si mesmo que o verão iria ser normal e sem drama, mas aparentemente o drama o perseguia e ele estava pensando seriamente em mergulhar nesse drama. Duas casas antes da sua o menor avistou Chanyeol carregando malas para dentro do Mustang, o menor sentiu uma alegria surgir e seu único instinto foi correr para perto do maior, que ficou confuso quando Baekhyun o abraçou animado.

 

— Achei que você estava com raiva e não queria me ver nunca mais ou algo assim — Chanyeol disse meio sem reação.

 

Baekhyun se afastou sem graça e riu de nervosismo, olhou para o banco traseiro do carro do maior e notou uma mala no mesmo.

 

— Vai viajar? — O Park deu de ombros — Você vai fugir?

 

— Então você sabe que seu amigo deu uma denúncia anônima sobre o assalto — Baekhyun concordou com a cabeça — Bom, então é meio óbvio que eu preciso sumir por um tempo.

 

— Não precisa se preocupar, você é inocente — Chanyeol jogou sua mochila que estava em suas costas dentro do carro e riu irônico.

 

— Eu não sou inocente e também nem pretendo ir para a cadeia Baekhyun — O menor franziu o cenho e sentiu um frio passar pela sua barriga.

 

O menor correu para a sua casa apressado, ignorando os chamados de sua mãe, abriu suas gavetas e enfiou algumas peças de roupas dentro de sua mochila, seu coração estava batendo forte e suas pernas dormentes por conta da adrenalina, era uma decisão louca de se fazer e com certeza se ele parasse para pensar um pouco sobre aquilo iria mudar de idéia, mas ele não queria mudar de idéia, ele só queria estar com Chanyeol e nada mais. 

 

Colocou a mochila nas costas e abriu a última gaveta de sua cômoda, tirou de lá um pequeno rolinho de dinheiro que ele tinha juntado por um tempo, respirou fundo e saiu de seu quarto, sua mãe estava na sala assistindo algum programa na televisão. Baekhyun pensou no que falaria para mulher e a primeira coisa que surgiu em sua mente foi o que saiu pela sua boca.

 

— Mãe vou passar uns dias na casa de lago da Amanda, a galera toda vai — A mulher olhou confusa para o filho.

 

— E você avisa assim? Mãe eu vou? Seu pai vai me matar se ele souber que eu deixei você viajar assim sem mais nem menos — O Byun revirou os olhos.

 

— Você precisa parar de dar importância para as coisas que ele fala e começar a pensar por si só — A Byun mais velha procurou palavras para falar mas apenas concordou com a cabeça. 

 

Baekhyun saiu pela porta da frente tremendo de nervoso, Chanyeol estava sentado no banco do motorista pronto para dar partida e saltou assustado quando o menor abriu a porta do passageiro e se sentou no banco, o loiro olhou para a mochila confuso e então olhou para o Byun com a sobrancelha erguida.

 

— O que você está fazendo? — O menor olhou para o Park e sorriu nervoso dando de ombros.

 

— Não pergunta, só da partida logo antes que eu mude de ideia — Chanyeol estava confuso mas não tinha tempo para questionar as atitudes do menor, então apenas deu partida em seu Mustang. 

 

O carro se afastava cada vez mais do bairro e em poucos minutos deslizava pela rodovia aberta, Baekhyun observava a praia e tentava não pensar na loucura que estava fazendo, fugindo com um potencial fugitivo da polícia o frio em sua barriga não era mais um simples frio e sim uma geleira, balançava sua perna aflito tentando pensar em coisas positivas que poderiam ser tiradas daquela situação, porém parecia não existir nada de positivo em fugir de casa com Chanyeol. 

 

Já Chanyeol estava mais que nervoso, obviamente pelo fato de seu nome estar no radar da polícia e também queria colocar a cabeça de Minseok em uma estaca em praça pública, e agora tinha que lidar com Baekhyun e seu impulso de se juntar a ele naquele fuga, mas a questão era porque Baekhyun tinha decidido se juntar a ele naquela fuga? O mesmo Baekhyun que tinha gritado a quatro ventos que eles jamais teriam nada, o loiro estava cansado de tantas formas, e aquela relação turbulenta que ele mantinha com o pequeno sentado ao seu lado era um dos maiores fatores de seu cansaço.

 

Ele já tinha assumido para si mesmo que estava apaixonado de tantas formas pelo Byun, já tinha conversado consigo mesmo e chegado à conclusão que ele queria beijar, abraçar, afagar os cabelos macios, sentir os lábios quentes do mesmo sobre os seus. Porém Baekhyun sempre deixou bem claro que nada aconteceria, sempre reforçou o quão mal caráter Chanyeol era e o quanto ele o odiava, porém no minuto seguinte os dois estavam aos beijos e uma chama de esperança voltava a nascer no maior.

 

Mas a última coisa que ele precisava naquele momento era ter que lidar com Baekhyun e suas mudanças de humor, a conversa com os policiais não foi muito amigável e sem dúvidas Minseok conseguiu deixar o seu recado, o maior sabia que a polícia não tinha nada concreto sobre a noite do assalto, porém Chanyeol não queria arriscar, iria sumir por um tempo, sumir das vistas do Kim, e esperar o verão acabar para voltar para Santaluz.

 

— Para onde vamos? — Baekhyun perguntou quebrando o silêncio desconfortável que tinha se instalado no carro.

 

— Não sei ainda — Chanyeol respondeu ríspido se ajeitando no banco do carro.

 

— Como não sabe? — O maior suspirou irritado.

 

— Desculpa, mas não tive tempo para planejar isso, até porque é uma fuga e não férias — O Byun revirou os olhos.

 

— Você poderia pelo menos fingir que está feliz de eu ter me metido nessa burrada — O carro saiu dos limites de Santaluz, passando pela placa de boas vindas.

 

— Eu não pedi para você vir comigo, e eu nem sei porque você fez isso, achei que você e eu não tínhamos nada e nunca teríamos, palavras suas — Baekhyun concordou com a cabeça.

 

— É, eu disse, mas isso foi… — O menor estava tentando buscar palavras para formular o que ele queria dizer — Não sei, porra, eu falo besteiras, a verdade é que eu… foda-se.

 

— Esse é seu problema, você tem medo e medo nos torna fracos, quando você entender o que sente, aí sim você pode entrar no meu carro e querer fugir de todos, mas agora eu só vou fingir que você não existe — Chanyeol disse enquanto fazia uma curva fechada na estrada, Baekhyun não conseguia mais avistar o mar e isso significava que estava longe de casa. 

 

(I realized quickly when I knew I should)

 

Os dois já estavam viajando a um bom tempo, o Mustang estava em uma estrada rodeada de grandes árvores, o céu já começava a escurecer e o frio percorrer pelos braços nus de Baekhyun que se repreendeu mentalmente por não ter pego um casaco. Chanyeol estava cumprindo o que tinha falado sobre fingir que o menor não existia, estava focado demais na estrada e evitava mais que tudo olhar para o pequeno ser sentado ao seu lado, e o Byun estava respeitando a decisão do maior.

 

Ele estava certo, fazer uma loucura como essa logo após a discussão dos dois era contraditório, e tal decisão poderia apenas piorar a situação do Park, pois tinha certeza que quando sua mãe perceber que ele não tinha ido passar uns dias na casa do lago a mesma iria colocar todas as autoridades possíveis atrás dele. 

 

As costas do Byun estavam começando a doer e seu estômago roncar, o carro passou por uma placa verde com letras em branco, Kern County, o menor não sabia a mínima idéia de onde estava pois desde que tinha se mudado de país ainda não teve a oportunidade de sair de Santaluz, então para ele os Estados Unidos se resumia a Nova Iorque e arredores.

 

O carro passou por um posto de gasolina e dez minutos depois por uma lanchonete chamada Casa Da Carne, o Mustang estacionou no lugar e Baekhyun agradeceu mentalmente pois estava sentindo uma fome de dois elefantes. Chanyeol suspirou frustrado e olhou para Baekhyun com um olhar vazio.

 

— Percebi que não vou poder ignorar você pelo resto da viagem, então vamos tentar apenas aturar um ao outro pois eu estou ocupado demais tentando não pensar que talvez eu vá para prisão — O menor concordou com a cabeça — Vamos comer, consigo ouvir sua barriga roncar de cinco em cinco minutos.

 

Com sua mochila nas costas Baekhyun desceu animado do carro, a lanchonete ficava bem no meio da estrada, não tinha nada a esquerda e nada a direita além de grandes árvores, era um lugar bem simples e aconchegante e o cheiro que vinha do lugar era de dar água na boca, os dois entraram no estabelecimento acionando o pequeno sininho que ficava sobre a porta de entrada.

 

As poucas pessoas que estavam sentadas olharam para a dupla, Chanyeol caminhou até uma mesa afastada no fundo do lugar próxima a vitrine, em segundos uma simpática senhora com um bloco de papel nas mãos se aproximou para anotar os pedidos.

 

— O que os dois jovens vão querer? — Baekhyun deu uma breve olhada no cardápio e um nome lhe chamou atenção: "Sad Burger".

 

— Porque Sad Burger? — O menor perguntou curioso.

 

— O dono do restaurante criou isso quando a esposa morreu, ele chorou muito enquanto temperava o hambúrguer — Chanyeol tentou segurar o riso mas não conseguiu e soltou uma pequena risada recebendo um olhar de reprovação da garçonete.

 

— Vou querer esse, e você? — Chanyeol deu de ombros — Então pode ser dois Sad Burguer com batata e dois refrigerantes. 

 

A mulher concordou com a cabeça e se afastou da mesa, Baekhyun olhou para Chanyeol que ainda estava com o riso no rosto e deu um leve chute na perna do mesmo por debaixo da mesa.

 

— Para de rir da desgraça alheia — O maior revirou os olhos.

 

— Antes rir da desgraça dos outros do que os outros rirem da minha desgraça — Baekhyun franziu o cenho.

 

— Você extrapola todos os níveis do egocentrismo às vezes — Chanyeol concordou com a cabeça.

 

— E você extrapola os níveis do estereótipo do jovem certinho.

 

— Certinho? Eu literalmente estou fugindo da polícia com uma pessoa que eu nem conheço — O loiro olhou para o menor confuso.

 

— Como não conhece? A gente se conhece a meses, já até dormimos juntos — Baekhyun deu de ombros.

 

— Mas eu não sei nada sobre você além do superficial, nossa relação é totalmente movida por esse… — O menor pareceu procurar a palavra certa para completar a frase.

 

— Sentimento! — Afirmou Chanyeol.

 

Baekhyun revirou os olhos em negação: — Essa coisa platônica que sempre trás a gente um para o outro.

 

O loiro não queria admitir mas Baekhyun tinha razão, ele sempre cobrava algo recíproco da parte do menor mas nunca nem tinha deixado que o mesmo o conhecesse, nunca deu a oportunidade para o Byun de conhecer todos os problemas e traumas que existia atrás da persona que ele havia criado. Talvez esse fosse o ponto chave que faltava para a relação dos dois andar para algum lugar, o problema era que Chanyeol não conseguia e nem queria se abrir para Baekhyun, e nem ninguém. 

 

— Não tem nada para saber, eu não sou uma pessoa muito interessante — Baekhyun riu irônico.

 

— Estamos literalmente fugindo da polícia porque você está envolvido em um crime que resultou em uma morte, mais interessante que isso? — Antes que Chanyeol pudesse responder, a simpática senhora se aproximou da mesa para entregar o pedido dos dois. O Sad Burguer parecia apetitoso e o estômago do Byun roncou alto ao sentir o cheiro do bacon frito. 

 

Baekhyun se esqueceu totalmente da conversa que estava tendo com Chanyeol quando sentiu o gosto incrível do molho daquele delicioso hambúrguer, o sabor adocicado e salgado se misturando era quase mágico, ele não tinha certeza se era realmente o melhor hambúrguer que ele já tinha provado ou se era apenas a fome agindo.

 

O pouco tempo que Chanyeol já passou ao lado do menor ele tinha notado diversas manias que o mesmo tinha, a forma como ele mordia os lábios quando estava nervoso, como ele sempre mexia no aparelho auditivo sem motivo nenhum, a forma com ele enrolava seus cabelos com os dedos e como ele sempre estava sujo de tinta ou carvão. E o loiro achava a coisa mais pau mole do mundo ele notar todas essas coisas e achar esses pequenos detalhes as coisas mais preciosas. Naquele momento, enquanto Baekhyun devorava aquele Sad Burger, ele notou os pequenos barulhos que o menor fazia enquanto comia.

 

— Para de me encarar — O Byun jogou uma batata no loiro que franziu o cenho. 

 

— Você é muito chato — Baekhyun deu de ombros e continuou a comer.

 

Os dois ficaram alguns minutos após comer em silêncio apenas observando as pessoas que entravam e saíam do restaurante e os carros passando na estrada, Baekhyun estava preocupado mas não queria demonstrar, a verdade era que ele ter fugido com Chanyeol poderia trazer mais problemas para o maior, um menor de idade fugindo com alguém que tem problemas com a lei. Chanyeol também estava preocupado, porém ele queria apenas ignorar todos os contras e abraçar o fato de que Baekhyun estava ali com ele ao seu lado e que talvez as coisas finalmente fossem dar certo para os dois.

 

O carro parou no estacionamento do Motel Califórnia quando as primeiras gotas de chuva começaram a cair do céu escuro, Baekhyun estava adormecido no banco do passageiro e acordou com as luzes de néon rosa do letreiro do motel iluminando seu rosto, Chanyeol estava com a cabeça encostada no volante do carro observando o menor dormir, o Byun sentiu um presságio, aquele frio na barriga clichê que toda mocinha em uma comédia romântica sentia quando percebia que estava perdidamente apaixonada pelo cara, e por mais que o menor tentasse negar, ele estava perdidamente apaixonado.






 



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