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História Subversivo - Capítulo 3


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Capítulo 3 - Surpresas constantes


Não fora difícil notar que seu moletom fazia pouco para evitar os olhares curiosos. Recebera-os durante todo o trajeto até a faculdade e, uma vez dentro do prédio, tornara-se ainda pior porque as pessoas perguntavam o que tinha acontecido. Era óbvio que o rapaz tivera uma noite difícil, para dizer o mínimo. A maioria dos curiosos fora fácil apenas dispensá-los com acenos ou frases curtas como "não foi nada", murmuradas antes que conseguisse apressar o passo. Passara no banheiro antes de subir para a aula e tentara dar um jeito em sua aparência mais uma vez. Estava feliz por ter tomado banho e ganhado roupas limpas, apesar de quase ter sido morto. No entanto, a falta de sono começava a pesar uma vez que os níveis de adrenalina estavam baixando. Não estivera inconsciente por tempo p bastante para sentir-se descansado, como notara com um suspiro pesado. 

Felizmente, Jungkook era esperto. Quando o professor puxara-o de canto para perguntar o que tinha acontecido, inventou a desculpa de ter sido assaltado. Tinha o celular completamente destruído como "prova" do que dizia. Depois de mentir um pouco mais e dizer que já tinha ido à polícia prestar queixa do acontecido, recebeu autorização para ir ao seu lugar e acompanhar a aula. Sentiu-se aliviado por isso, mas não podia dizer que fora verdadeiramente capaz e concentrar-se no que o homem de meia-idade dizia.  Era, de fato, difícil manter-se focado quando sua mente seguia vagando para os acontecimentos da noite anterior. Ainda que soubesse que a melhor escolha era fingir que nada daquilo acontecera - pelo bem de sua sanidade-, repentinamente, queria lembrar-se de tudo. Antes que desse conta do que fazia, as anotações sobre as pectos semânticos da língua inglesa deram lugar a nomes como Jimin e Harley, seguidos da descrição do terceiro homem na casa e um desenho tosco do quarto onde estivera. E então, setas seguiam em todas as direções da folha, com marcações do acontecimentos envolvendo cada um dos três. Yoongi, também. Por mais que não tivesse a menor ideia de quem era Yoongi, aqueles três pareciam verdadeiramente preocupados com essa pessoa. Jungkook não queria, de forma alguma, voltar a vê-los, por mais que a curiosidade a respeito de tudo o consumisse da maneira mais indevida possível. Mordiscava a tampa da caneta distraidamente enquanto ponderava a respeito  do começo da confusão. Das pessoas que vira correndo, na maneira como V ou Harley ou Deus-sabe-qual-era-seu-nome não hesitaria em matar alguém que conhecia. Porque ele hesitara ao não reconhecer Jungkook, mas era óbvio que qualquer outra pessoa em suas mãos não teria o mesmo destino. E pensar nisso fazia-o pensar nas ameaças que recebera sob seu olhar frio e impiedoso, mesmo com os olhos cheios de uma maquiagem realmente chamativa. 

Quanto mais pensava em tudo, mais difícil era acreditar que fora real.

No caminho até o trabalho, depois da aula, Jungkook tivera tempo para apromorar sua mentira. Assim sendo, fora ainda mais fácil livrar-se da curiosidade dos outros funcionários do restaurante e, de quebra, conseguir alguma piedade, uma vez que o sono estava pesando cruelmente sobre suas pálpebras. Mesmo que tivesse perdido a conta de quantas vezes teve que repetir a história e mostrar o celular quebrado. Quanto mais olhava para a tela toda trincada, mais vontade de chorar ele tinha. Provavelmente não tinha mais como arrumar e ele não tinha como comprar outro celular. Não novo, pelo menos. Tentando acalmar-se, fez uma nota mental para ir atrás de um celular usado no dia seguinte. Porque assim que chegasse em casa, tomaria um chá bem quente e iria para cama. Não só precisava como merecia uma boa noite de sono. 

Ao finalmente pegar o ônibus para casa - sem atalhos dessa vez -, Jungkook sentia uma vontade enorme de simplesmente render-se ao sono enquanto durasse a viagem. O problema é que estava com medo de perder o ponto novamente, por isso deu o seu melhor para permanecer acordado durante o trajeto. Para isso, sacara o caderno da mochila e continuara seus esboços sobre a sua noite fantasiosa. Seu foco daquela vez era Jimin. Desenhara seus olhos, porque não conseguia esquecê-los. Eram marcantes demais para isso. Seu olhar afiado, as pálpebras naquele tom claro de cor-de-rosa, no mesmo tom que os fios que caíam sobre sua testa. Os talentos de Jungkook para desenhos não eram excepcionais. Sabia alguma coisa porque quisera desenhar mangás lá pelo início da adolescência e procurara tutoriais na internet. Assim sendo, aquele desenho em particular parecia-se bastante com a sensação que tivera de que o outro era um persoangem saído diretamente de alguma animação. Sem que pudesse controlar-se, acabara por desenhar também o nariz delicado e os lábios cheios. Não dava para ignorar o fato de que Jimin era uma cara excepcionalmente bonito. O que só reforçava aquela sensação estranha. Lia-se "Jimin" sob o breve desenho feito a caneta preta e rosa. Algumas setas foram adicionadas e nas anotações, Jungkook mencionara a incrível habilidade com a katana. A maneira como ele fora certeiro ao acertar aquele homem. E, também, a si mesmo porque caíra desacordado imediatamente. Em outro canto da folha, mencionara o nível de piedade que J podia ter, se comparado a V. Quando intervira nas ameaças que recebia de V, permitira que tomasse um banho e fizesse uma refeição antes de mandá-lo embora. Jungkook não entendia porque ele agira daquela maneira. Pela maneira como procurara por V durante a confusão, confiava inteiramente no loiro, então se ele acreditava que Jungkook era um dos homens de Yoongi, Jimin também deveria acreditar. 

Todas as divagações foram interrompidas pela chegada ao seu destino. Jungkook enfiara o caderno e as canetas apressadamente na mochila e descera do ônibus praticamente correndo. Não precisara andar mais que algumas ruas para finalmente dar de cara com o portã do prédio onde vivia. O lugar era antigo, os apartamentos eram pequenos, mas para alguém que nunca tivera luxos na vida, aquilo não era verdadeiramente importante naquele momento. Dera a sorte de pegar um vizinho saindo, então conseguira entrar sem ter que vasculhar pelas chaves. Pelo menos até estar de frente à porta de seu próprio apartamento no terceiro andar e precisar abrir a mochila. Costumava deixar a chave no bolsinho da frente, mas ela não estava ali por entre as balas e papéis que costumavam habitar aquele canto da mochila. Jungkook colocou a mão no bolso principal depois de puxar a mochila para frente do corpo, mas elas nem mesmo faziam barulho para guiá-lo. Acabou colocando a mochila no chão para tirar as peças de roupa e o material, acreditando que talvez estivesse por entre alguma daquelas coisas. Só que não estava. Precisara assumir, com um suspiro pesado, que perdera suas chaves. Era tarde da noite, se batesse na porta da síndica para pedir a chave reserva, levaria uma bronca enorme. Tão logo que mudara-se para lá, a mulher dera ênfase em como era importante tomar conta das chaves, não só por sua própria casa, mas pela casa dos outros também uma vez que os molhos de chave continham a chave do portão de entrada. Jungkook entendia perfeitamente a preocupação dela, eram bem fundada, por isso sentia-se tanto medo de falar com ela sobre o ocorrido. 

Teria que resolver aquilo no outro dia, também. 

A coisa sobre adolescentes, provável e principalmente garotos, era a quantidade de conhecimento irrelevante que levavam para a vida adulta. Como naquele momento em que Jungkook decidira arrombar a fechadura com a carteirinha da faculdade. Era algo que não fazia desde os tempos de escola, onde abriria salas vazias para se encontrar com garotas quando cabulava aulas, então só esperava que ainda tivesse o jeito. Porque era, realmente, questão de jeito, e não força. Principalmente porque precisava fazer logo, antes que algum vizinho aparecesse. Apesar de estar com o corpo apoiado na porta, evitava jogar seu peso. O cartão bem encaixado entre a porta e o batente, na altura da maçaneta. Os movimentos eram curtos, subindo e descendo o cartão de plástico, tentando encaixá-lo no lugar correto para que pudesse enganar a fechadura. O rapaz tinha o lábio inferior preso entre os dentes, concentrado em sua tarefa tanto quanto nos arredores. Felizmente, ninguém parecia ter muito o que fazer fora de casa naquele horário. Tão logo que sentira o cartão encaixando onde deveria, jogou seu peso contra a porta e lá estava, a porta aberta. 

Jungkook tinha um sorriso grande e satisfeito ocupando seus lábios enquanto recolhia seus pertences do chão. No entanto, o sorriso dera lugar a uma expressão de puro terror tão logo que fechara a porta atrás de si e vira nada mais, nada menos que seu molho de chaves pendurado na porta. 

Infelizmente, Jungkook era esperto. Custou-lhe uma fração de segundos para entender o que tinha acontecido. Todas as peças encaixando-se simultaneamente em sua mente. Sua mochila fora revirada, dentro dela haviam uma porção de objetos pessoais que podiam dar tantas informações quanto o celular quebrado teria feito. A confirmção do pior veio quando escutara vozes dentro do apartamento:

Não falei para você que ele ia arrombar a porta! Você me deve um sanduíche, Hobi!

Sentados confortalmente sobre seu sofá estavam V e aquele terceiro homem que Jungkook não sabia o nome. V sorria, exibia um charmoso sorriso retangular que o tornava surpreendentemente adorável e afastava-o completamente da criatura agressiva e cruel que Jungkook presenciara naquela manhã. O outro parecia ligeiramente desolado por ter perdido a aposta. A questão é que os dois pareciam absurdamente tranquilos enquanto Jungkook sentia-se à beira de uma nova crise de choro. Pelo menos agora sabia o nome do terceiro homem: Hobi. 

"O que vocês estão fazendo aqui?" A pergunta era simple e clara. Todavia, Jungkook gaguejara tanto na hora de pronunciar que nada mais do que sílabas soltas tornaram-se audíveis, arrancando expressões confusas dos outros dois, que ftaram-no com o cenho franzido em resposta. Jungkook não tentou retomar seu ponto. As pernas tremiam tanto que acabou largando-se ao chão, com o rosto escondido entre as mãos.

Ele vai chorar de novo. — V resmungou, claramente aborrecido. Apesar de não vê-lo, Jungkook escutara o suspiro exasperado, bem como os passos pelo piso de madeira. Então, fora questão de segundos até que sentisse dedos em seus cabelos, puxando os fios violentamente para trás, obrigando-o a erguer o rosto e dar de cara com o rosto de V extremamente próximo ao seu. Antes que pudesse se controlar, lágrimas começaram a rolar pelo rosto de Jungkook. Ele tinha medo, muito medo mesmo, de V. E toda aquela proximidade causava-lhe não só arrepios de gelar a alma, mas trazia de volta aquela sensação apavorante de que sua vida dependia única e exclusiva do temperamento do outro. Era difícil, muito difícil, não lembrar da sensação de ter uma arma bem no meio de sua testa há menos de 24 horas. — Por que você está chorando? Alguém te bateu? 

Sai de perto de mim, por favor. Me deixa em paz. — Implorou, sem sequer preocupar-se com sua dignidade. Fechara os olhos com força, não querendo absorver mais daquela expressão de impaciência enquanto mais lágrimas seguiam rolando de seu rosto para a camiseta que V emprestara aquela manhã. 

J falou para você não assustá-lo, eh?! — Hobi exclamou, sua voz tão próxima quanto a de V, ainda que Jungkook não tenha escutado seus passos. O aperto em seus cabelos afrouxou-se e Jungkook permitiu-se respirar de novo. 

Ao abrir os olhos, o terceiro homem, Hobi, ajudara-o a levantar e dissera-o para tomar um copo d'água. Jungkook sentia a sanidade escapando por entre os dedos toda vez que a violência e a gentileza deles atacavam-o da mesma maneira brusca. Só queria entender que tipo de tortura psicológica era aquela e por que estava passando por aquilo. De todo jeito, reunira a bagunça trêmula também conhecida por seu corpo e praticamente arrastara-se até a cozinha. Queria que o celular estivesse funcionando, queria chamar a polícia e fazer o que deveria ter feito desde o começo. Enquanto pegava um copo no armário, oso lhos de Jungkook foram para a área de serviço. Precisamente, para a lavandeira, onde o varal embutido estava para fora, com algumas roupas secando. Perguntava-se se morreria caso pulasse dali. Eram só três andares, talvez só quebrasse algumas coisas. De todo jeito, ainda conseguiria gritar por socorro, certo? Seus devaneios foram interrompidos pela voz de V:

Vamos embora logo! 
O alívio encheu seu peito ao escutar aquela frase. Não precisava entender o que faziam ali, só queria que fossem embora. Entretanto, as coisas diferiram do esperado quando Hobi agarrara seu braço e, ao tentar resistir ser puxado, V logo juntara-se ao outro. E assim os dois conseguiram completo controle sobre Jungkook. 

Eu vou gritar! — Jungkook ameaçou, tentando, ainda, resistir a ser arrastado. 

V, então, tomara medidas drásticas: puxara sua arma da cintura e apontara para a boca de Jungkook.

Tenta e eu te faço engolir os dentes e umas balas de brinde.

Jungkook engoliu seco.

Por que vocês vieram atrás de mim? Para onde vamos?

Nós temos assuntos inacabados. — Hobi respondeu, agora tão impaciente quanto V. 

Tentado zelar por seu coração batente, Jungkook desitiu de resistir e concordou em acompanhar os outros dois. Por via das dúvidas, V passou seu braço pelos ombros de Jungkook e saiu com ele do apartamento como se fossem grandes amigos. Inclusive, sorrindo. Hobi ficara responsável por pegar sua mochila, apagar as luzes e trancar o apartamento, como notara enquanto caminhavam para o lado de fora do prédio. Jungkook tinha os lábios juntos, presos em uma linha fina enquanto tentava conter o choro. Se não tinha morrido noite passada, certamente não passaria daquela. 

Havia um carro preto estacionado em uma rua lateral, próxima ao prédio onde Jungkook residia. Era uma rua estreita e escura, escolhida estrategicamente, como era óbvio. Antes de entrar no carro, V vendara os olhos de Jungkook com um lenço tirado de dentro do bolso de sua jaqueta. O gesto não fora silencioso, Jungkook recebeu uma nova ameaça durante o processo: se não parasse de chorar, teria sua cabeça esmagada pela roda do carro. Assim sendo, o rapaz forçara-se a engolir o choro e segurar os lábios juntos com ainda mais força, para impedir que qualquer som escapasse por entre eles. Uma vez dentro do banco de trás do carro, V fizera-o deitar ali. Não ficara sozinho ali, porque sua cabeça estava apoiada na perna de alguém. Jungkook entendeu que precisavam garantir que sua figura não atraísse a atenção de ninguém de fora. Não saberia precisar quanto tempo a viagem durara, mas fora incrivelmente silenciosa. Jungkook estava tão ocupado em tentar escutar alguma coisa ao seu redor que não conseguira nem mesmo prestar atenção aos seus próprios pensamentos, o que não era ruim, de todo jeito. O final do trajeto levara-o a um lugar conhecido: o semi-porão do qual escapara naquela manhã. Lembrava-se com clareza da maneira apressada e desajeitada com a qual subira as escadas que agora descia a passos lentos, os joelhos recusando-se a dobrar. 

Contudo, Jungkook não fora levado pela porta de entrada, mas por um pequeno corredor na lateral da casa, do qual não tivera conhecimento até aquele momento. Aquele caminho levava a um terreno vizinho, localizado logo atrás da casa que abrigava o semi-porão. Jungkook só percebera que havia uma casa erguida ali porque decidira espiar por cima do ombro, agora que estava sem a venda. Não havia nenhuma luz acesa nos dois andares da casa, nenhum indicativo que houvesse alguém em casa. E o terreno descampado no quando Jungkook se encontrava agora era grande, escuro e cercado por muros altos. Ainda que houvessem casas próximas àquela que via, estava escuro demais para que alguém pudesse ver qualquer coisa, pelo o que podia dizer. Mesmo que alguém escutasse alguma coisa, não daria tempo de salvá-lo. Conformar-se com tamanha falta de sorte era extremamente difícil. Não que simplesmente estar vivo estivesse sendo mais fácil, no entanto. 

Jimin estava ali. Hobi não. V continuava segurando seu braço com bastante força. 

Aí está seu bichinho de estimação. — V declarou com desdém ao arremessar Jungkook contra a grama, próximo aos pés de Jimin.

Jimin, que até então estivera de costas, girou sobre os calcanhares e fitara V com um meio sorriso. Jungkook colocara-se sentado naquele meio tempo, os olhos grandes indo de um para outro com curiosidade e desespero. 

Pode me dizer quais "assuntos inacabados" nós temos? — Jungkook pediu a Jimin, reunindo o pouco de coragem que lhe restava. — Eu já falei que não tenho dinheiro, você me deixou ir embora.

O dono dos fios cor-de-rosa ajoelhara-se próximo a ele, fitando-o de perto. A luz da lua era tudo o que Jungkook tinha para diferenciar o que acontecia naquele terreno e aquilo não era realmente muita coisa. Tivera de estreitar os olhos para diferenciar os traços do outro em meio ao breu quase total. 

É, eu sei. — Ele começou com pesar. Entretanto, era fácil dizer que tamanho pesar não passava de fingimento. — Mas, veja só, eu não podia tomar essa decisão sozinho, sabe? Precisei te trazer de volta para resolvermos isso de uma vez. 

Aquele tom sutil não ludibriava Jungkook, nem aqueles olhos intensos ou a maneira como os lábios cheios pronunciavam cada palavra com calmaria e precisão. 

Você nunca pensou em me deixar ir embora. Você pegou minhas chaves. — Jungkook apontou, sustentando o olhar do outro, mesmo que seus olhos estivessem marejados e aquilo borrasse a figura bonita de Jimin. Seu tom não era acusador, nem ameaçador, nada disso. Era apenas cansado, como ele realmente estava. — Só estava brincando de gato e rato comigo.

Jimin parecia surpreso com a conclusão de Jungkook, o que o fazia ter certeza que estava certo.

Você é inteligente. — Ele respondeu por entre uma risada. 

O que você quer de mim? Se vai me matar, faça isso de uma vez. 

Oh, Jungkook. O que é isso? Não quero te matar. — O tom sutil estava de volta. Doce, delicado, mas nada convincente. — Como eu disse, te trouxe aqui para resolvermos tudo. — Completou, deixando um afago no rosto de Jungkook, do qual ele não desviara por nada mais que medo. 

Resolver o quê? 

Você está perdendo nosso tempo. — V resmungou, mas não era com Jungkook. Jimin ergueu aquele olhar afiado para o outro e Jungkook fez o mesmo, a tempo de vê-lo mudar sua postura para algo menos corajoso, além de bastante impaciente, ainda. Jungkook quis, mais que nunca, entender o tipo de poder que Jimin tinha sobre o outro. 

Me diga quando Namjoon vai chegar, hm? E nós vamos te devolver. — Jimin retomou, tornando a baixar os olhos para Jungkook.

Yoongi, agora Namjoon. Ele não tinha ideia de quem eram aquelas pessoas, nem por qual motivo eram tão relevantes. E, principalmente, não entendia por que aqueles dois acreditavam que ele tinha alguma coisa a ver com eles. 

Me escuta. — Jungkook suplicou, tornou a sustentar o olhar de Jimin. Até mesmo erguera as mãos para segurar seu rosto, mas V fora mais rápido que ele ao enfiar uma das pernas entre os dois para conter a movimentação de Jungkook. Entendendo que deveira recuar as mãos, Jungkook o fizera, mantendo as mãos fechadas em punho aos lados do corpo. — Eu não sei quem são essas pessoas. Realmente não tenho ideia. Você viu minhas coisas. Eu sou um estudante. Saí de Busan para estudar aqui, trabalho em um restaurante e moro em um apartamento mequetrefe. Eu não sei quem são essas pessoas, juro por tudo o que é mais sagrado! Não sabia que estariam naquela escada, eu só me perdi. Não conheço quase nada da cidade ainda, vocês cometeram um erro. Eu só quero continuar com a minha vidinha, por favor. Por favor!

Podia dizer que Jimin prestara atenção em suas palavras. Jungkook vira a mudança leve em sua expressão que beirava a impassividade. Vira quando a dúvida atravessara seu rosto, quando erguera os olhos para o outro homem buscando por ajuda. A Jungkook, restava orar e pedir aos céus que percebessem o erro de uma vez e o deixassem em paz. 

Mata ele de uma vez. — V concluíra. — Se não é um dos homens do Yoongi, não vai nos favorecer em nada. Mas ele sabe coisa demais para continuar vivo. 

Você tem razão.

O coração de Jungkook falhara uma batida de maneira dolorosa e agoniante seguinte àquela fala. Todo o ar escapara dos pulmões. Sua mente estava anuviada. Os olhos, uma vez mais, iam de um para outro. Agora os dois estavam de pé, fitando a figura de Jungkook ainda sentado sobre as próprias pernas. Jungkook vira V puxando a arma da cintura mais uma vez. 

Jimin, por favor, não faz isso. — Pediu em um sussurro, a voz embargada pelo choro que estava de volta. Jungkook pensara em jogar-se aos pés do outros e humilhar-se tanto quanto era capaz. O problema é que todos os seus músculos estavam rígidos de medo, restringindo seus movimentos. Tinha que ser Jimin. Ele já mostrara misericórdia, ele tinha poder sobre V, ele era o único a quem seu destino pertencia. — Eu não falei nada, eu não quero saber das suas coisas. Só quero ir para a minha casa. Eu largo a faculdade e volto para a minha cidade, se você quiser. Nunca mais vai saber de mim, eu juro. 

Taehyung... — Jimin começou, mas seus olhos ainda estavam em Jungkook quando falara.

Não!

Ele não vai falar nada.

Não. Você conhece as regras.

Jimin hesitou. Afastou-se alguns passos. A cada passo para trás, mais o coração de Jungkook doía.

Eles não sabem dele. Jogue-o na estrada, deixei-o ir. 

Inferno, Jimin! — V esbravejou, frustrado. Acabara baixando a arma, para o completo alívio de Jungkook. 

Completamente pronto para ir embora, Jungkook reunira forças para colocar-se de pé. Precisava agradecer a Jimin, mas fora interrompido por um novo chegado. 

J, descobri algo que você vai gostar de saber. — Era Hobi. Sua expressão não era nada boa. Ele parecia tenso, quase assustado. 

Jungkook franzira o cenho e não fora o único. V sacou o celular do bolso e acendeu a lanterna. Com a fonte de luz, Jungkook percebeu tarde demais que era o seu caderno nas mãos de Hobi. Não demorou mais que alguns segundos para que os dois examinassem  conteúdo das páginas. O peso que caíra sobre os ombros quando percebera qual era a descoberta do outro fizera Jungkook voltar ao chão, uma vez que seus joelhos não aguentavam mais o seu peso. 

A expressão de Jimin ao voltar os olhos para Jungkook era de quem sofrera a mais vil das traições. 

Filho da puta! — V exclamou, o som da arma sendo engatilhada juntando-se a sua voz de trovão. 

Não! Não! — Gritou assustado enquanto Jimin vinha em sua direção a passos forte. Entretanto, fora ultrapassado por V no último segundo e ele estava cego pelo ódio, mas a mão que segurava a arma parecia bastante firme. — Eu posso explicar!

Era tarde demais. À hora que Jungkook dissera tais palavras, erguendo as mãos a frente do corpo instintivamente, V já tinha puxado o gatilho. 



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