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História Subway Love - Chae Hyungwon - Capítulo 4


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Capítulo 4 - Três


Na segunda-feira a rotina voltou ao normal. Yeon-Ji levou So-Hee para a escola, e por sorte o tempo estava bonito e ensolarado naquela manhã, sem nenhum indício de chuva. Ela correu para o metrô assim que se despediu da garotinha e se sentou em um banco no fundo do vagão, desenrolando os fones de ouvido. Enquanto cantarolava a música baixinho e respondia alguns emails no celular, viu quando um par de sapatos juntou-se aos seus no pouco espaço do vagão. Ela sabia a quem pertenciam. 

Ergueu a cabeça para encontrar os olhos escuros escondidos de um par de óculos, enquanto dava um meio sorriso. Yeon-Ji sorriu também, e então afastou-se um pouco para poder dividir o lugar com Hyungwon, que aceitou de bom grado. Ela guardou o fone de ouvido de novo, e se esticou para ver qual o livro que ele trazia consigo daquela vez. Ao contrário do que Yeon-Ji poderia imaginar, aquele não era um livro como o que havia visto na última vez, e sim um romance que qualquer um encontraria em qualquer esquina. Ela sorriu por um momento e então voltou para o seu lugar de antes.

– O que foi? Não gosta desse livro? 

Yeon-Ji balançou a cabeça. 

Aniya, não é isso. Eu só não achei que você gostasse de romances água com açúcar – ela explicou. 

– Eu não gosto – Hyungwon riu – Não muito. Mas… tem essa garota que foi internada há alguns dias no hospital, e ela não gosta muito de conversar. Sempre me procuram em casos assim, e eu achei que ela se me daria espaço se falasse desse livro. A mãe dela disse que ela o lê praticamente toda semana. 

Hyungwon trabalhava naquele mesmo hospital há quase três anos. Ele não recebia nada para estar lá, mas sentia como se fosse sua obrigação ajudar as pessoas que estavam em cada uma daquelas camas. Apesar de ter descoberto como se aproximar da maioria dos pacientes, sempre havia alguns que faziam Hyungwon andar em círculos no tapete do flat, procurando alguma maneira de se relacionar.  

Aquela garota era um deles. 

– Você gosta de fazer isso, não é? 

Hyungwon assentiu, ainda que os pensamentos estivessem um pouco distantes.

– Gosto. 

– Posso perguntar como você começou? 

Ainda que a pergunta não parecesse nada demais, seu coração se acelerou no mesmo instante. Não gostava de lembrar como havia chegado até ali. Quase três anos haviam se passado, e nada, absolutamente nada havia mudado. A dor ainda era dilacerante, e por muito tempo Hyungwon odiou todas as pessoas que tinham prometido que ela diminuiria conforme o tempo passasse. Ainda doía como o inferno. Ele não deveria se culpar, mas o fazia sempre, todos os dias, ainda que inconsciente.

– Não é lá a melhor história do mundo – riu, claramente desconfortável – Você não precisa ouvir isso. 

Percebendo que havia tocado em um assunto delicado, Yeon-Ji só deu de ombros e falou sobre So-Hee e sua animação desde que Hyungwon havia pisado na casa das duas no último sábado. Até um violão ela pediu de presente no seu aniversário, que ainda estava muito longe, então ela esperaria até o dia seguinte na aula para descobrir se a garotinha continuaria empolgada e empenhada em aprender. 

– Hyungwon – Yeon-Ji chamou, depois que eles haviam se despedido, vendo Hyungwon com o violão nas costas, caminhando na direção oposta. Ele parou de andar e se virou enquanto ela corria para alcançá-lo – Você quer almoçar comigo hoje? O escritório onde eu trabalho não é muito longe…

Ne – respondeu, mesmo antes que ela terminasse de falar. 

Ela sorriu, arqueando as sobrancelhas, e então continuou:

– Oh, tudo bem então. Eu te envio uma mensagem quando sair, e nós podemos nos encontrar depois.

Hyungwon assentiu, sorrindo, e então ela acenou mais uma vez, correndo na direção oposta com medo de se atrasar. Depois da última sexta-feira, o sr. Jeong deveria estar esperando por ela na porta da empresa, pronto para dar a Yeon-Ji ainda mais problemas para a sua cabeça. Ainda assim, So-Hee estava bem,  saudável, animada com as aulas de violão, nada tiraria o bom humor dele naquela manhã. 

Yeon-Ji mandou uma mensagem para Hyungwon assim que conseguiu escapar do chefe rabugento, e os dois combinaram de se encontrar em um pequeno restaurante perto dali. Chegaram praticamente ao mesmo tempo, e Hyungwon esperou Yeon-Ji quando a viu descer a rua, usando o fones como sempre. 

– Hyungwon! Está esperando há muito tempo? – Yeon-Ji  perguntou, assim que estava em sua frente. 

Aniyo, cheguei agora. Vi você chegando e decidi esperar para entrarmos juntos. E então, vamos? 

Ela assentiu e os dois entraram no restaurante e escolheram uma mesa. Estavam realmente com fome, então fizeram logo o pedido e conversavam um pouco enquanto esperavam. A conversa estava correndo naturalmente até Hyungwon questionar Yeon-Ji sobre um assunto que quase a fez engasgar. 

– Não precisa responder se não quiser, eu só estou curioso – Hyungwon disse, rindo dela – Tudo bem? 

– Tudo, tudo – ela riu também, e então respirou fundo – Eu só não estava... esperando, mas tudo bem perguntar. É… eu não saio com ninguém há um tempo. Depois de So-Hee não tive muito tempo para pensar em outras pessoas que não fosse ela,  acho que ainda não tenho. Talvez tenha me acostumado. 

Ele arqueou as sobrancelhas e apoiou a cabeça em uma das mãos.

– Eu acredito mais na última opção. 

Ya, você não me conhece, como pode dizer isso? – brincou ela, enquanto Hyungwon mantia a pose.

– Só estou supondo. Mas você sabe que é verdade. 

Yeon-Ji deu de ombros e voltou a olhar o cardápio, tentando desviar a atenção dos olhos curiosos em sua frente, mas o dono de todas aquelas tatuagens não estava muito interessado em outra coisa. Quando a comida chegou, ela respirou fundo, aliviada, porque agora teria uma desculpa para não responder às perguntas caso ele continuasse tentando opinar em sua nada movimentada vida amorosa.  

– Tanto faz – murmurou, depois de algum tempo, e Hyungwon ergueu os olhos – Talvez seja mesmo. Acho que tenho medo de algum dia So-Hee precisar de mim e eu não ajudar por não estar por perto. 

Hyungwon sabia que aquilo não era tudo, mas não queria que Yeon-Ji se sentisse forçada a contar, então decidiu virar o assunto para si mesmo, e embora também não se sentisse tão confortável em se expor daquela maneira, sabia que ela não era qualquer pessoa, mesmo que a conhecesse há tão pouco. 

– Eu quase me casei uma vez – comentou, como se nada fosse nada, enquanto Yeon-Ji erguia os olhos, atenta – Há uns dois anos, talvez menos que isso. Faltava pouco para o casamento, e eu desisti. 

– Oh… mas… aconteceu alguma coisa? 

Ele deu de ombros, os olhos perdidos sobre a mesa enquanto brincava com seu copo distraidamente. 

– Eu sabia que não devia levar as coisas até o fim já nos primeiros meses. Mas eu também me acostumei e quando criei coragem, faltavam três semanas – disse – Eu ainda tenho o terno guardado. 

Yeon-Ji riu ironicamente, fazendo Hyungwon olhar para ela. 

– Eu tenho um vestido de noiva guardado também. Foi o meu vestido. Para falar a verdade eu nem sei o porquê de ter aquilo ainda – murmurou, mordendo o lábio – Eu deveria ter jogado fora naquele dia.

Nenhum dos dois tocou naquele assunto de novo durante o resto do almoço, até porque sabiam que aquele ponto era muito pessoal para ambos, e estavam indo muito bem até ali para estragarem tudo. Depois de pouco mais de uma hora eles pediram a conta e saíram do restaurante juntos. Embora o caminho de Hyungwon fosse contrário ao de Yeon-Ji, ele disse que ainda tinha alguns minutos e os dois caminharam juntos até a empresa em que ela trabalhava. Combinaram o horário em que a aula de So-Hee começaria no dia seguinte, e assim que estavam em frente ao prédio, se despediram outra vez. 

– Bom, então até amanhã. 

Yeon-Ji acenou, ao que se afastava sem olhar para onde ia. 

– Até amanhã, Yeon-Ji. 

Ele acenou também, e então correu para dentro do prédio depois de olhar o relógio em seu pulso. Naquele dia, depois de chegar em casa, Yeon-Ji abriu o guarda-roupa e tirou de lá a caixa grande quase escondida em que seu vestido ficava guardado. Sequer fez questão de abrir antes de descer as escadas, abrir a porta de casa e colocá-la direto no lixo. Hyungwon também tirou o terno empoeirado no guarda-roupa e o deixou sobre a cama antes de decidir o que fazer. Depois acabou só jogando-o em uma pilha de coisas que doaria, e prometeu que o faria na manhã seguinte antes de ir para o hospital. 

No dia seguinte, Yeon-Ji voltou ao quarto de So-Hee para se certificar de que a garotinha estava mesmo se vestindo, e para sua surpresa ela não só já havia feito isso como também tinha encontrado tempo para se rabiscar inteira diante do espelho, desenhando com canetinha em seus braços e pernas.

 – So-Hee! O que você está fazendo?  

– Tatuagens! Olha, eu estou igual ao Hyungwon-oppa agoraou! 

A mulher suspirou e balançou a cabeça, parecendo não acreditar em seus olhos. Sequer podia ficar irritada porque ela não havia feito por mal, e também não tinha sujado nada além de sua própria pele. 

– Por Deus, So-Hee – murmurou, mas a garota continuou concentrada em fazer mais alguns rabiscos no corpo – Hyungwon vai chegar daqui a pouco, você já estava pronta, por que fazer isso logo agora?

– É uma surpresa! 

Yeon-Ji se deu por vencida assim que ouviu a campainha tocar e deixou a garota sozinha, descendo as escadas para abrir a porta. Felizmente, daquela vez ela e Hyungwon já não eram completos estranhos e eles agiram exatamente como no dia anterior. Eles entrou já procurando por So-Hee, e estranhou quando viu que a garotinha não estava na sala. Yeon-Ji não se deu o trabalho de explicar, mas riu por um instante e disse que ele podia subir as escadas e ver com seus próprios olhos a surpresa da garota. 

Ele o fez sem perguntar nada, e começou a rir assim que encontrou So-Hee parada em frente ao espelho, admirando os vários desenhos que ela tinha, assim como Hyungwon também tinha os seus. 

– So-Hee? 

A garotinha se virou assim que ouviu a voz de Hyungwon, e então correu para seus braços como se tivessem se passado semanas desde a última vez que se viram. Ele a abraçou e caminhou com a menina no colo até o espelho, comparando os desenhos nos braços dela com suas próprias tatuagens. 

– Eu queria ficar igual a você! – falou orgulhosa, e Hyungwon deu risada, pegando o celular para tirar uma foto dos dois. Depois de colocar a garota no chão, ela começou a juntar os lápis e canetinhas espalhados pelo quarto e os colocou em um pote sobre o móvel perto da cama – Pronto, eu já acabei! 

No mesmo móvel haviam dois porta-retratos. Um deles tinha uma foto de So-Hee e Yeon-Ji, e o outro a foto de um homem que já parecia ser antiga, com alguns rasgos e amassados nas pontas desgastadas.

– Gostou das fotos? Eu também gosto! Olha, eu, a mamãe, e aqui é o meu pai! 

– Seu pai? 

– É. Minha mãe deu essa foto pra mim, porque a gente não vê ele mais. Ela falou que ele foi morar em um lugar muito longe, mas eu sei que ele foi embora. Ela e a vovó estavam conversando e eu escutei. 

Hyungwon não sabia o que dizer. So-Hee estava ali, encarando as fotos como se um milhão de coisas se passassem por sua cabeça, mesmo ela sendo uma garota de quase sete anos, mas aquilo não parecia incomodá-la, ou ao menos não mais. Sua mãozinha segurou a de Hyungwon algum tempo depois, então eles desceram as escadas juntos, deixando aquela história para trás. 















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