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História Subway Love - Chae Hyungwon - Capítulo 7


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Notas do Autor


espero que gostem.

Capítulo 7 - Seis


– Hyungwon? Estou atrapalhando? – perguntou Yeon-Ji, assim que Hyungwon atendeu sua chamada. 

– Na verdade, sim. 

A mulher franziu as sobrancelhas e abriu a boca para falar, mas não disse nada. 

– Estou brincando, não estou fazendo nada importante agora. Você pode falar. 

Ya, você me deixou sem graça, sabia? – reclamou, pegando uma revista e jogando-se no sofá confortavelmente – Liguei para perguntar algo mas antes quero saber sobre o livro que me emprestou.

– Pergunte. 

– Ainda não descobri qual é o seu poema preferido. Não pode mesmo me dizer?  

Ani. Nem tente, eu não vou contar. Você precisa descobrir. 

Yeon-Ji bufou, fazendo Hyungwon rir do outro lado da linha. 

– Tudo bem então. Você… hm… se lembra do que disse quando almoçamos juntos? 

– Sobre o pedido de casamento? – ele provocou, ainda que já imaginasse sobre o que Yeon-Ji estivesse falando – Claro, mas achei que tivéssemos combinado daqui pelo menos duas semanas, hm?

– Não me lembro de você ser tão brincalhão.

– Bom, nós não nos conhecemos há muito tempo. 

– Ok, entendi – a mulher fechou a revista e mordeu o lábio inferior, irritada consigo mesma por estar tão nervosa em continuar – So-Hee vai passar o final de semana na casa da avó, então eu pensei que pudesse vir jantar comigo. Podemos pedir comida, ou... eu posso preparar alguma coisa também. 

Do outro lado da linha, Hyungwon sequer tentou esconder o sorriso em seu rosto. Podia fingir para Yeon-Ji, mas não para si mesmo. Tinha esperado por aquela ligação desde que saíram do restaurante dias atrás, e não podia estar mais aliviado por estarem conversando de novo. Apesar de tudo ter saído como o esperado, nunca achava que as coisas poderiam dar certo se tratando dele. Ainda mais com Yeon-Ji, que parecia ter vivido todas as melhores partes da sua vida enquanto Hyungwon... era só ele. 

Como poderia surpreender alguém como ela? 

– Posso levar uma garrafa de vinho? 

– Oh, com certeza – disse – Às oito está bom para você? 

– Está, está sim. 

– Certo, vou pensar no que preparar. Nos vemos depois de amanhã então? 

Ne. Depois de amanhã, às oito. Estarei aí. 

Yeon-Ji mordeu o lábio inferior, tentando ignorar aquela sensação esquisita em seu estômago, que fazia cócegas e dava vontade de vomitar. Não queria estar tão ansiosa, não queria estar contando as horas para a noite de sábado, mas tudo isso parecia inevitável se tratando de Hyungwon. Os dois se despediram brevemente ainda que quisessem continuar a conversando e foram cuidar de algo que pudesse os distrair e tirasse o encontro do final de semana da cabeça. Mas é claro que nada funcionou.

A ideia daquele jantar não havia sido de Yeon-Ji, não diretamente. Chae-won havia passado a semana inteira pensando no que fazer para dar a Yeon-Ji e Hyungwon um tempo a sós, sem So-Hee por perto ou qualquer outra coisa que dividisse a atenção dos dois. Ligou para ela e sugeriu que a neta passasse o final de semana em sua casa, porque sentia sua falta e aquilo não vinha acontecendo muito. Não estava mentindo, mas aquele não era o único motivo para querer tirar a garotinha de casa, e Yeon sabia disso. 

– Convide ele para jantar, façam alguma coisa juntos – Chae-won sugeriu – Vou buscar a So-Hee no sábado de manhã e levá-la para a escola na segunda-feira. Isso vai dar um tempo livre para vocês dois. 

– Chae-Won… 

– Yeon-Ji, eu vou passar o final de semana com a minha neta você querendo ou não, então você pode escolher se vai ficar sozinha,  mas eu acho que isso seria um total desperdício de tempo – ela insistiu.

Chae-Won tinha razão. 

Não era errado seguir em frente. 

So-Hee fez o que sempre fazia. Organizou sua mochila sozinha, e depois levou-a para Yeon-Ji conferir se não estava se esquecendo de alguma coisa, o que quase nunca acontecia. A mulher só colocou um casaco a mais e mais alguns pares de meia, porque não queria que a garota acabasse tendo que voltar para o hospital se o tempo esfriasse mais. Ela saiu correndo assim que escutou a campainha tocar, ainda que não conseguisse abrir a porta sozinha. Chae-won como sempre, pontual. 

– Vó! – gritou So-Hee, jogando a mochila no chão e pulando no colo da avó – Você chegou rápido! 

– Claro, vim te buscar para começarmos a nos divertir logo! Você está pronta? Arrumou sua mochila?

Ne, tá tudo aqui! 

Yeon-Ji assistiu a cena em silêncio, se perguntando mais uma vez se o que estava fazendo era certo. So-Hee, por outro lado, sequer sabia o que estava acontecendo. Correu para abraçar a mãe rapidamente e arrastou a mochila consigo até a avó, que sorriu sugestivamente e acenou para Yeon-Ji. 

– Não fica triste, mamãe, depois eu volto! 

– Eu vou tentar, prometo. Não desobedeça a sua avó e coma direito, tudo bem? 

– Yeon-Ji, deixe a garota. É o nosso final de semana, nós vamos fazer tudo o que ela quiser,  não é? 

So-Hee comemorou animadamente enquanto a mãe revirava os olhos, e então acenou de novo. Chae-won fez o mesmo, e Yeon-Ji foi até a janela para ver as duas entrarem no carro e sumirem na rua. Ela olhou o relógio na parede e suspirou quando percebeu como ainda era cedo. Arrastou os móveis e limpou a casa inteira até estar exausta e morrendo de fome. Depois de voltar tudo para seu lugar, subiu as escadas e entrou em seu quarto, pronta para tomar um banho gelado e muito demorado. 

Estava de toalha procurando por algo para vestir quando ouviu o celular notificar uma mensagem, e depois outra. A primeira era uma foto de So-Hee com a avó preparando o almoço juntas, e Yeon-Ji sorriu, já sentindo falta da garotinha. Era estranho estar em casa sozinha, mesmo que So-Hee fosse uma criança quieta. A próxima mensagem também a fez sorrir. Era uma foto de Hyungwon em frente ao espelho, posando como um modelo de grife. Ele realmente se sairia bem como um, pensou. 

Ele disse que estava procurando o que vestir para aquela noite, e também pedia a opinião de Yeon-Ji. Ela digitou a mensagem várias vezes e apagou em todas elas também, porque tudo parecia um tanto ridículo. Então depois de mais um momento, disse que não tinha certeza e perguntou se havia outras opções além daquela. Bloqueou o celular e fingiu não ouvir as outras notificações enquanto se vestia, mas logo o seu celular começou a tocar, e Yeon-Ji sabia muito bem que não era So-Hee ou Chae-won. 

– Você não deveria ser tão impaciente – ela disse assim que atendeu a ligação, descendo as escadas. 

Ya, eu estou com um problema sério aqui e preciso da sua opinião. 

Yeon-Ji riu.

– Não existe problema algum, você fica bem em todas essas roupas. Qualquer uma delas ficaria ótima.

– Mesmo? 

Ne.

 Hyungwon deu um sorriso convencido, mas suas bochechas ficaram vermelhas. Estava inexplicavelmente ansioso para ver Yeon-Ji daqui a algumas horas e aquelas fotos não haviam sido tiradas naquele momento, porque ele estava indeciso sobre o que vestir desde que ela o convidou para jantar dois dias atrás. E quanto ao cabelo? Deveria usar de lado ou pentear para trás? Talvez devesse deixar como todos os dias? Mas deveria mudar um pouco, afinal…. aquilo seria um encontro, certo? 

– Yeon-Ji, você não me ajudou em nada – reclamou, só de brincadeira. 

– Eu sei, me desculpe. Você vai ter que se decidir sozinho. 

Ele se jogou dramaticamente no sofá, encarando as várias combinações de roupa que havia deixado na cama e suspirou por longos segundos. Yeon-Ji riu do outro lado, mas de repente também estava preocupada com o que iria vestir, e disse para si mesma que decidiria assim que comesse alguma coisa. 

– Como está So-Hee? 

– Ótima. A avó buscou ela hoje de manhã e elas estão cozinhando juntas agora – falou, suspirando. 

Hyungwon sorriu. 

– Sente falta dela, não é? 

Yeon-Ji mordeu os lábios. 

– Sinto. Faz só algumas horas mas essa casa fica muito vazia sem ela praticando violão ou sentada no chão desenhando e deixando todos aqueles lápis de cor espalhados pela casa – ela encarou a sala por um momento, achando estranho não ver a filha deitada no tapete e fazendo mais um desenho que ela colocaria na porta da geladeira mais tarde – Hyungwon, ser mãe é muito difícil. Às vezes tudo o que eu quero é um tempo sozinha mas quando So-Hee sai é estranho. Acho que me desacostumei a não ter ela sempre por perto – de repente Yeon-Ji se sentiu mal por estar tagarelando daquele jeito e decidiu mudar de assunto – Ya, o que você gosta de comer? Eu quero ter alguma ideia para preparar o jantar. 

 – Você pode preparar o que quiser – Hyungwon disse, mordendo o lábio inferior, pensando em uma coisa – Mas eu não gosto da ideia de te deixar fazer tudo sozinha. Eu posso ajudar com alguma coisa. 

– Eu te convidei, você não precisa ajudar em nada. 

– Eu vou me sentir mal por isso. 

Derrotada, Yeon-Ji suspirou, tentando disfarçar para si mesma o sorriso que ameaçou aparecerem seus lábios.

– Oh, okay. Por que... você não vem um pouco mais cedo então? Podemos preparar o jantar juntos. 

– Parece ser uma boa ideia – foi tudo o que Hyungwon disse, enquanto sorria largo e tentava esconder a pontinha de ansiedade em sua voz. Yeon-Ji sorriu do outro lado também, ansiosa pelas horas seguintes – Eu não sou muito bom cozinhando sozinho, mas consigo ajudar se você estiver por perto. 

– O quanto você é ruim? 

Ele soltou uma risada desesperada, sentindo as bochechas esquentarem. 

– Ainda é muito cedo para saber dos meus defeitos, Yeon-Ji. Eu não quero assustar você  – brincou. 

– Duvido que seja como você diz. 

– Eu gosto de ter o benefício da dúvida. Todo mundo tem alguma parte que não quer que as pessoas conheçam e eu posso dizer que eu tenho muitas delas – ele suspirou – Prefiro evitar isso por enquanto.

Yeon-Ji fingiu não ter escutado Hyungwon. Não o conhecia há muito tempo, mas achava que mesmo o seu lado ruim poderia ser bom. Seja lá o que fosse, não acreditava que fosse ruim como ele fazia parecer. Depois de conversarem mais um pouco, ela inventou uma desculpa para desligar e voltou correndo para o quarto para procurar algo para vestir. Tirou todas as melhores roupas do armário e vestiu quase todas elas, mordendo os lábios e começando andar de um lado para o outro pelo quarto. 

 – Tem que ser simples, mas não simples demais – murmurou – Talvez um vestido desses? Não, não. 

Ela desbloqueou o celular para ver as fotos que Hyungwon havia enviado e tentou pensar em algo parecido. Quando finalmente se decidiu sobre o que vestir e olhou no relógio, faltava pouco tempo para que Hyungwon chegasse. Yeon-Ji então se apressou em se arrumar e vestir a roupa que havia escolhido, se olhando no espelho mais algumas vezes. Não sabia se estava realmente bom, mas parecia ser suficiente. Passou um pouco de maquiagem e secou os cabelos que ainda estavam úmidos, deixando soltos sobre os ombros. Borrifou generosamente o melhor de seus perfumes e finalmente estava pronta. 

Já na cozinha abriu um dos armários e pegou duas taças para o vinho que Hyungwon tinha prometido levar. Não havia mais nada a fazer a não ser esperar, e Yeon-Ji estava inexplicavelmente nervosa, ainda que não houvesse motivos para isso. Recebeu uma foto de So-Hee na casa da avó, sentada no tapete enquanto desenhava em meio a uma bagunça de lápis e canetinhas e sentiu falta da garota por um momento, mas o som da campainha a fez congelar. Ela respondeu rapidamente dizendo que estava com saudades e que ligaria na manhã seguinte, e respirou bem fundo antes de correr para abrir a porta.

Por sorte o fez, porque Hyungwon estava tão bonito que deixou Yeon-Ji sem ar. Vestia uma camisa branca dobrada até um pouco acima dos pulsos, desabotoada na altura do peito. Os cabelos ainda estavam um pouco úmidos e jogados despretensiosamente para trás, e ele usava um par de jeans escuros e largos. Quando ele sorriu e apoiou-se no batente da porta, ela jurou sentir seu coração parar. 

–  Boa noite, Yeon-Ji –  disse, sorrindo um pouco mais depois de dizer seu nome – Você está bonita.

– O-oi, entra – ela gaguejou, sentindo-se ridícula por ficar tão nervosa perto de Hyungwon. Deu um passo para o lado para que ele entrasse na sala de estar e fechou a porta atrás de si – Obrigada. Você também… – Yeon-Ji observou Hyungwon outra vez, engolindo seco – Também está muito... bonito. 

– Eu trouxe o vinho – ele disse, erguendo uma das sacolas que carregava – E também trouxe cerveja.

– Ótimo. Vamos colocar na geladeira, então? – Yeon-Ji se virou para ir até a cozinha, mas parou no meio do caminho para ajudar Hyungwon com as sacolas – Eu estava pensando sobre o jantar, o que…

Quando se virou, acabou esbarrando no corpo alto de Hyungwon parado logo atrás de si, observando-a seriamente. Yeon-Ji riu, claramente nervosa, e tentou se afastar, mas ele a impediu. Mesmo com as sacolas nas mãos, puxou-a pela cintura e juntou os corpos dos dois, sorrindo de um jeito que fez o coração de Yeon-Ji disparar. Os olhos escuros a analisaram firmemente e ele a beijou antes que ela quisesse se afastar outra vez. Hyungwon havia esperado a semana toda por aquele beijo. 

As pernas de Yeon-Ji bambearam e seu coração bateu forte. A mesma maldita sensação de sempre preencheu o seu estômago, mesmo que ela tivesse tentado desesperadamente ignorá-la. O corpo se apoiou contra o dele sem querer e os dois acabaram caindo juntos no sofá. Só se afastaram quando o ar faltou, e ela observou atentamente a imagem desalinhada de Hyungwon com um sorriso nos lábios. 

– Me desculpa – falou e riu de si mesmo, ainda que não estivesse se sentindo nem um pouco culpado. 

Yeon-Ji riu também. 

Ya… você me ouviu reclamar? 

O sorriso bonito aumentou e Hyungwon a trouxe para perto outra vez, juntando os lábios de novo. Não conseguia explicar a sensação de estar perto de Yeon-Ji, mas sabia que precisava daquilo. Odiava definir aqueles momentos como uma válvula de escape para os pensamentos ruins que o assombravam sempre que estava sozinho, mas era exatamente o que parecia ser. Yeon-Ji conseguia tirar Hyungwon do lugar escuro onde ele vem estado há anos, e ela ainda não podia se dar conta disso.

– Nós deveríamos… – ela tentou dizer, enquanto Hyungwon selava seus lábios – Abrir essa garrafa. 

Ele assentiu. Yeon-Ji se levantou e pegou uma das sacolas, levando para cozinha. Colocou todas as latas de cerveja na geladeira e Hyungwon veio logo atrás, abrindo a garrafa de vinho e servindo as duas taças que Yeon-Ji havia colocado ali um pouco antes. Arrastou uma delas pela bancada de mármore até ela, e tomou um pouco da sua. O silêncio que surgia entre uma conversa e outra era sempre incômodo, não por não terem o que falar, mas por saberem que poderiam acabar entrando em algum assunto inapropriado. 

– Também sente como se… 

– Estivesse caminhando em um campo minado? – Yeon-Ji o interrompeu, rindo – É, eu acho que sim. 

– Tem tanta coisa que eu quero saber sobre você – ele disse – Mas eu não sei até onde posso chegar. 

Ya. Eu não me importo que você pergunte, se algo me incomodar eu vou dizer a você. Nós vamos ter que conversar sobre certos assuntos em algum momento. E eu também quero saber algumas coisas. 

Hyungwon sorriu e levou a taça aos lábios outra vez. 

– O que por exemplo? 

Yeon-Ji deu de ombros, sentindo o estômago revirar de novo. Sentia-se quase como uma adolescente. 

– Não sei… você começa. O que quer saber? – ela perguntou, mas Hyungwon sequer precisava responder. Estava curioso desde o dia que viu a foto de Young-Soo no quarto de So-Hee, mas tinha medo de ser invasivo demais perguntando sobre o assunto, porque parecia ser doloroso para Yeon-Ji. 

– Eu vi a foto no quarto da So-Hee… e ela me disse que o pai foi embora. O que…  o que aconteceu? 

Yeon-Ji deu um sorriso sem graça e suspirou. Era sempre difícil lembrar da história com Young-Soo. 

– Desculpa – Hyungwon disse ao ver a expressão triste em seu rosto – Você não precisa falar disso. 

Aniyo, está tudo bem. Você vai saber em algum momento. Eu só preciso… saber como começar. 

A mulher ficou em silêncio por alguns instantes, parecendo repassar os últimos anos em sua cabeça. Às vezes achava que o tempo havia passado rápido e que tudo havia acontecido há muito mais tempo, mas não era exatamente assim. Haviam sido quatro anos cuidando sozinha de So-Hee, sem ter ideia do que havia acontecido a Young-Soo. Não tinha notícias dele, sequer sabia se ele ainda estava vivo. E enquanto isso, So-Hee crescia sem tê-lo por perto. Yeon-Ji havia passado inúmeras noites sem dormir por conta da garotinha e precisou reorganizar a sua vida inteira para conseguir conciliar tudo. 

Precisava trabalhar porque não podia deixar que nada mais faltasse à filha além do homem que deveria ser seu pai. Passou muitas noites em claro cuidando de So-Hee e muitas outras em frente ao computador, fazendo ligações, se esforçando para dar o seu melhor ainda que fosse exaustivo. So-Hee não teria ninguém além da mãe, então ela não tinha outra escolha a não ser dar conta de tudo. Já chorou durante a noite, por cansaço,  e teve medo de não conseguir ser a mãe que So-Hee merecia ter. 

 Yeon-Ji não pode escolher,  mas Young-Soo havia simplesmente decidido que não queria ser pai. 

– O nome dele é Young-Soo. Nós nos conhecemos no colégio, mas só começamos a namorar alguns anos depois, quando ele voltou de um intercâmbio na Inglaterra – Yeon-Ji parou para respirar fundo, ainda pensando nas palavras – Nós… namoramos por alguns anos e… eu gostava muito dele. Não tive um pedido de casamento especial e nem nada parecido… nós só decidimos nos casar e organizamos tudo em dois ou três meses. Eu já estava grávida da So-Hee nessa época, mas ainda não sabia disso. Nós nunca tínhamos falado sobre filhos e ele sumiu assim que soube. Quando eu acordei ele já tinha ido embora… levou as roupas, as coisas dele e desapareceu. Eu não tive nenhuma notícia por meses, até pouco antes da So-Hee nascer nem a mãe dele sabia onde ele estava. Young-Soo nunca perguntou por ela, nunca ligou ou mandou uma mensagem. Eu não quis contar tudo a ela, mas So-Hee é esperta e iria saber em algum momento. Um dia, há um tempo, ela quis saber como ele era e eu... decidi dar aquela foto. 

Hyungwon molhou os lábios, vendo Yeon-Ji distante. 

Não deveria ter entrado naquele assunto. 

 – Eu… sinto muito. 

– Não sinta. Foi difícil, mas So-Hee está crescendo bem, e eu não gostaria de alguém como ele perto dela. Ele não seria um bom exemplo como pessoa e muito menos como pai. Só hoje eu sei disso. 

– Eu não sei o que dizer. 

E Hyungwon não sabia mesmo. Estava muito arrependido de ter começado aquele assunto, porque simplesmente não sabia o que falar, embora Yeon-Ji não parecesse procurar nenhum tipo de consolo. 

– Ele é um filho da puta. Não há mais nada a dizer – ela riu do próprio comentário e ele fez o mesmo, respirando aliviado pelo assunto não ter deixado Yeon-Ji desconfortável – Mas agora que você já sabe sobre o idiota que infelizmente escolhi para ser o pai de So-Hee, me conte alguma coisa sobre você. 

Por um segundo, aquele dia voltou à mente de Hyungwon. Ele pensou em como seria dividir com alguém a culpa que pesava em seus ombros, mas também teve medo do que Yeon-Ji pensaria e não queria estragar tudo. Então só forçou um sorriso e pensou por mais um instante no que poderia contar sem acabar levando a conversa para um outro assunto desconfortável, mas sua vida era tão monótona. 

– Tudo bem – ele tentou pensar – Bom… Eu trabalho no hospital apenas como voluntário. Meus pais me deixaram um pouco de dinheiro quando morreram… eu não precisaria trabalhar por um tempo se quisesse – "mas não fazer nada me daria tempo demais para pensar e eu poderia acabar fazendo alguma besteira", foi o que Hyungwon quis dizer, mas não disse – Mas eu… gosto de… me manter ocupado – ele até tentou acreditar em suas próprias palavras, mas era um péssimo mentiroso. Ficaria admirado se Yeon-Ji não notasse nada de errado – Eu trabalho como DJ... em uma boate de Gangnam. 

A mulher franziu as sobrancelhas, surpresa demais para falar. 

– Como DJ? 

Ne – ele riu – Você parece tão surpresa. 

– É que…  eu já tenho a imagem de você com o seu violão. Não te imagino trabalhando como DJ. 

De repente, uma ideia passou pela cabeça de Hyungwon. Ele checou o relógio em seu pulso, mesmo sabendo que ainda era cedo, e se lembrou do amigo que também tocava na boate aos finais de semana. Então sugeriu a Yeon-Ji para começarem a prepararem o jantar, porque queria levá-la a um lugar ainda naquela noite. Ainda que estivesse curiosa, ela não perguntou nada e tirou da geladeira os ingredientes que havia comprado no dia anterior. Yeon-Ji mostrou a Hyungwon como poderia ajudar, mas ele era mesmo desajeitado até para fazer as coisas mais simples, então decidiu não atrapalhá-la. 

Ou pelo menos tentou. 

Yeon-Ji estava simplesmente tentando preparar o jantar, contando sobre qualquer coisa, quando ele se aproximava outra vez e decidia abraçá-la e enchê-la de beijos que sempre a deixavam desconcertada. Era impossível resistir a Hyungwon, porque ele parecia bom demais, sempre, e ele não pensava muito diferente. Nunca conseguia ficar muito tempo sem estar mais perto, tocando-a ou só dizendo como adorava aquele perfume, e como ela era bonita, rindo porque suas bochechas coravam todas as vezes. 

– Yeon-Ji – Hyungwon chamou.

A mulher mordeu o lábio inferior e balançou a cabeça outra vez, mas continuou o que estava fazendo.

Ya, Yeon-Ji. 

– Hyungwon… desse jeito nós não vamos terminar o jantar nunca. 

– Eu sei – ele riu e se aproximou outra vez, abraçando-a por trás, os lábios se arrastando pelo pescoço sem pressa – Mas não consigo ficar longe de você. Os últimos dois dias… demoraram tanto a passar. 

O corpo de Yeon-Ji se arrepiou inteiro, e ela desistiu de vez de tentar focar sua atenção nos legumes que estava cortando. Se virou e o observou por um único instante antes de selar seus lábios rapidamente, para só então voltar ao que estava fazendo. Hyungwon fez bico, mas não disse nada. Continuou observando Yeon-Ji e ajudando da forma que podia, com cuidado para não estragar tudo. Eles aproveitaram a comida juntos, mas Hyungwon ainda tinha planos para aquela noite, e o tempo corria. Ele ajudou Yeon-Ji a organizar tudo, e colocou os pratos e os copos na máquina de lava-louças. 

– Eu deveria trocar de roupa – ela comentou, torcendo os lábios para a sua imagem tênue refletida na janela – Nem sei qual foi a última vez que pisei em uma boate… acho que estou meio velha para isso.

Hyungwon balançou a cabeça negativamente. 

Ya. Dizendo isso você está me chamando de velho também. 

– Mas você não parece ter trinta anos – disse – Pensando bem, você até parece ser mais novo que eu. Como... um daqueles atores de dramas famosos que todos amam e sempre são capa de alguma revista.

Yeon-Ji não gostava de falar daquela forma, mas acabou escapando sem querer. Não conseguia evitar pensar em como Hyungwon parecia ser um daqueles artistas famosos de quem as pessoas falam nas ruas e ficam sem-graça com um único sorriso sem pretensão enquanto ela era uma mulher divorciada, com uma filha adorável, é claro, mas presa em um cubículo com um chefe mal agradecido que não conseguia passar mais de poucas horas sem rebaixá-la, ainda que entre os dois ele fosse o necessitado. 

Por Yeon-Ji ele poderia ir à falência. 

– Queria que pudesse se ver como eu vejo – Hyungwon disse. Só então ela pareceu voltar à realidade. 

– Como? 

– Você é linda, Yeon-Ji – ele se aproximou um pouco mais, colocando as mãos na cintura enquanto pensava nas próprias palavras – Eu... nunca conheci alguém assim. Você é tão forte e determinada… É mesmo uma mulher incrível. Se alguém não é digno de alguma coisa aqui, esse alguém sou eu – a última parte foi dita em voz baixa, mas Yeon-Ji ainda o ouviu – Então não diga mais... coisas assim. 

Ya… eu não falei com essa intenção. Mas tudo bem – murmurou, sem jeito – Nós... deveríamos ir. 

Ne. Vamos. 

 



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