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História Sucessão - Capítulo 6


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Notas do Autor


Boa noite, gente!

Bom, só quero dizer duas coisas:

1- Obrigada de coração por cada comentário e cada favorito, me deixa feliz saber a opinião de vocês sobre a estória.

2- Não pretendo deixar essa fanfic muito longa, incialmente seria apenas uma OS... mas não me contentei em escrever um capítulo só haha Só queria deixar isso claro.

Boa leitura 💙

Capítulo 6 - Se os lábios se tocam


Fanfic / Fanfiction Sucessão - Capítulo 6 - Se os lábios se tocam

 

Regina não discutiu, não gritou e não revidou as grosserias da mãe. A essa altura ela sabia muito bem que seria uma batalha perdida, Cora nunca a trataria de outra forma e ela já estava cansada de brigar. Ignorou completamente os gritos dos pais quando saiu em disparada pela por do gabinete do rei, precisa de espaço. Precisava de um tempo sozinha com os próprios pensamentos, não pensaria em uma solução no exato momento, mas tinha uma única certeza diante da situação: não se casaria com Thomas. 

 

Correu o mais rápido que pôde para fora dos portões do castelo, seus pés levando-a automaticamente para aquele lugar tão especial e escondido. Estava ofegante quando chegou perto dos limites da floresta, o caminho não fora tão longo mas o espartilho apertado e o peso extra do vestido dificultavam sua respiração. Olhou ao seu redor para ter certeza de que não havia sido seguida, então se esgueirou cuidadosamente por um caminho tão conhecido até alcançar o belo tronco da macieira.

 

Aquele era como uma espécie de jardim secreto, seu lugar favorito no reino. Um espaço verde e aberto, onde havia uma bela árvore ainda regada de maçãs que era tão resistente ao frio quanto ao calor. Com um pouco de trabalho duro e tempo, a princesa plantara suas flores favoritas ali, -lírios, tulipas e suas tão amadas rosas brancas- e elas cresciam fortes e coloridas desde então. Desde que era uma menina se escondia no meio daquele pequeno pedaço de paraíso quando as coisas ficavam difíceis com sua mãe. As únicas pessoas que sabiam de sua existência eram suas irmãs. 

 

O lugar perfeito para pensar. Ou para esquecer.

 

—Por que fez isso, mamãe? —Murmurou para si mesma. —Por que têm de complicar tanto as coisas?

 

Desde seu baile de aniversário aniversário, a rainha parecia ainda mais determinada a decidir sua vida. Quando soube do pedido de Thomas, de pronto entendeu o porquê da monarca estar sendo tão receptiva e acalorada com seus visitantes. Cora parecia querer se livrar da responsabilidade de mãe a todo custo. Sua cabeça estava uma bagunça, trabalhando incessantemente, lembrando-a do passeio com Thomas, seu belo rosto e o título de nobreza mascaravam muito bem sua personalidade repugnante. E também de que seu pai não estava bem de saúde e se negava a admitir isso a ela, como se seu corpo fosse se reduzir a pequenos cacos de vidro caso atingido com uma notícia desse porte. 

 

E também de Robin...

 

Estava começando a admitir para si mesma que algo em seu peito estava florescendo em relação ao seu guarda. Sentia-se tão a vontade com a presença dele, mais segura mesmo que trocassem tão poucas palavras seus olhares se conversavam e para ela isso bastava. Ou talvez tudo aquilo fosse mera ilusão de sua mente fértil, talvez ela tenha alimentado um sentimento de admiração e carinho pela forma que tratava suas irmãs e estava confundindo as coisas. Por Deus, o conhecia a pouco mais de três semanas! 

 

Deitou-se na grama, exausta de tanto pensar. Quando foi que sua vida mudara tanto? Ela nem se deu conta. Então ficou ali, desfrutando do silêncio, do ar fresco e do cheiro maravilhoso das flores. O canto dos pássaros ao seu redor pareceu acalmar seu coração inquieto, as veias já não mais ardiam de raiva e sua respiração voltara ao normal. 

 

—Vai encher o seu cabelo de folhas secas, Gina!

 

A morena se assustou com a voz infantil, mas em seguida deu uma risada vendo as irmãs se aproximarem, Anna trazia uma pequena bola de pelos entre as mãos enquanto Zelena carregava o habitual livro de romance.

 

—O que estão fazendo aqui? —Ela questionou, sentando-se novamente, agora com a irmã mais nova em seu colo. —Pensei que ficariam a manhã inteira no vilarejo.

 

—E ficaríamos. —Zelena murmurou, parecia irritada. —Mas a música e a cantoria parece ter agitado o coelho e tivemos que voltar para o castelo. A vimos saindo do gabinete do papai, até gritamos mas você não escutou.

 

—E como sabiam onde me encontrar? —Questionou, mesmo já sabendo a resposta.

 

—É seu lugar favorito do reino, Gina. —Anna respondeu, como se fosse óbvio. —Está tudo bem?

 

—Vai ficar, meu amor! 

 

—Eu trouxe o Senhor cartola, pensei que ele pudesse te deixar mais feliz.

 

As mãozinhas miúdas esticaram, mostrando o animalzinho indefeso que roía tranquilamente um pedaço de cenoura. Regina sorriu, amava a inocência de sua irmã e seu modo infantil de ver a vida. Para Anna, até o maior dos problemas se resolveria com doces e um bom abraço.

 

—Como está a patinha dele? —A morena questionou, fazendo carinho nos pelos brancos.

 

—Está quase boa! Robin me ajudou com isso, com as comidas também... ele é bem legal né, Gina?

 

—Ele é sim.

 

Zelena, atenta como sempre, notou o sorriso se formar nos lábios da irmã. Poderia jurar que nunca a vira sorrir assim, como se... como se estivesse interessada em alguém. 

 

—Anna, por que não aproveita que estamos ao ar livre e brinca um pouquinho com o Senhor cartola? Ele deve se sentir preso no seu quarto, aposto que vai adorar a liberdade da natureza. —A ruiva sugeriu.

 

Regina pediu para que a pequena ficasse perto o suficiente para que pudesse vê-la e logo a figura pequena se afastou com a bola de pelos em mãos. Zelena se aproximou, deixando o livro e os bons modos de lado e cruzou as pernas sobre a grama verde.

 

—Por falar em guarda, ele está sendo muito gentil em manter a distância. —Comentou.

 

Regina olhou para trás e encontra Robin, que estava longe o suficiente para dar privacidade ás princesas. Como ele viera parar ali? Ora, é claro que ele a seguiria, exatamente como fizera quando tentou fugir de seu próprio baile. Prendeu um sorriso ao lembrar que acabara lhe dando um soco naquela noite.

 

—A dedicação dele ao trabalho me impressiona. 

 

—Não seja assim, Regina! Ele só está cumprindo com seu dever. Se fosse outro no lugar dele, já a teria entregado para a Rainha Cora.

 

Era verdade, a Mills mais velha pensou.

 

—Não quis parecer rude, estou nervosa e acabo descontando na pessoa errada.

 

—Não quer me contar o que aconteceu?

 

A princesa suspirou. —Thomas pediu a minha mão.

 

—Oh! —As sobrancelhas levantadas denunciavam sua surpresa. —Papai aceitou?

 

—Ele não parece muito certo dessa decisão, mas mamãe aceitou então não há nada que ela possa fazer a respeito.

 

Era sempre assim, Cora sempre tomava as rédeas da sua vida. Henry sempre estava de acordo. Um covarde! Regina pensou, sentiu-se mal por relacionar uma palavra tão desgostosa ao pai. Mas era a verdade.

 

—As vezes me pergunto o que de tão horrível eu fiz á ela.

 

—Não pense assim, Regina! —A ruiva disse, envolvendo a mão da irmã com a sua. —Mamãe pode ser uma víbora na maior parte do tempo, mas pense bem: se você se casar, estará livre dela. Thomas não deve ser tão ruim assim.

 

—Ele é uma pessoa frívola, Zel. Eu jamais me envolveria com alguém assim.

 

Zelena suspirou, não havia muito que poderia fazer para animá-la. Foi uma decisão tomada por seus pais, por mais difícil que fosse admitir estavam de mãos atadas.

 

—De qualquer forma você mal falou com ele, pelo menos não a sós... —A ruiva sorriu abertamente. —A não ser que esteja interessada em outra pessoa.

 

—Ora, mas é claro que não estou!

 

A herdeira respondeu com tanta rapidez que Zelena quase caiu na risada. Conhecia a jovem sentada à sua frente muito bem para saber que ela não admitiria estar apaixonada nem que sua vida dependesse disso. Ambas ficaram em silêncio por alguns minutos, observando a caçula da família correr atrás de seu pequeno mascote. E então, a filha do meio pigarreou:

 

—Tenho algo para contar a você.

 

Regina a encarou curiosa, notou que sua irmã estava um pouco ansiosa.

 

—Aconteceu alguma coisa?

 

—Não. Bom, nada sério... —Ela respirou fundo, tomando a coragem necessária. —Conheci um rapaz.

 

—Um rapaz? —A Mills mais velha arqueou uma sobrancelha.

 

—Não me olhe desse jeito!

 

—Mas é claro que vou olhá-la desse jeito. Minha irmãzinha está interessada em um rapaz! —Disse animada. —Me conte, quem é ele?

 

—O filho de duque de Beaufort. Nos conhecemos no seu baile de aniversário, desde então estamos trocando correspondências.

 

Regina a encarou em silêncio, deixando a ruiva ainda mais ansiosa.

 

—E o que mais?

 

—Ora, é só isso! —A mais nova bradou.

 

—Não me venha com ‘é só isso’! Eu quero os detalhes, sórdidos ou não.

 

—Que horror, Regina! Que tipo de pessoa você pensa que eu sou?

 

—Pessoas apaixonadas cometem loucuras, Zel! —Provocou a irmã.

 

—Não estou apaixonada.

 

—Ah, esse brilho nos seus olhos me diz o contrário! Sobre o que vocês conversaram nessas cartas, hm? —Regina perguntou, se divertindo com o rubor que crescia na face da irmã.

 

—Apenas coisas bobas, nosso passatempo favorito ou nossa cor predileta...

 

Um sorriso tomou conta do rosto da ruiva, como se ela lembrasse das palavras escritas no pedaço de papel. Regina sentiu seu coração aquecer, naquele momento simplesmente esqueceu de tudo que a estava atormentando e sentiu-se feliz em ver a irmã mais nova se apaixonando pela primeira vez.

 

—Posso saber qual é a cor predileta dele? —Perguntou em um sussurro.

 

Zelena a encarou um pouco envergonhada.

 

—O azul dos meus olhos!

 

Após aquelas palavras e o sorriso sincero no rosto da irmã, Regina a envolveu em um abraço dizendo o quanto estava feliz por ela, mesmo quando a ruiva pediu descrição. Se havia uma pessoa que merecia toda felicidade, era Zelena Mills.

 

 

 

Robin ficara estático na biblioteca, tentando digerir o que estava acontecendo ali. Quando Regina saiu por aquela porta e o deixou sozinho, sentiu-se um estúpido. Estupido por ignorar completamente o conselho de seu comandante para se manter longe de encrencas. Estupido por ter agido de maneira tão grosseira com a princesa. Estupido porque quase a beijara.

 

E mais estupido ainda ao se dar conta de que realmente queria aquilo. Queria sentir os lábios dela nos seus.

 

Uma grande loucura, sequer sabia o que estava acontecendo com seus sentimentos desde que encontrou aqueles malditos olhos castanhos. Estava prestes a admitir para si mesmo a atração inexplicável que sentia por aquela garota, por seu jeito extrovertido e sua língua solta. Mas não teve tempo suficiente para pensar nisso quando ouviu gritos vindos de algum corredor afastado do castelo. Correu o mais rápido que pôde até encontrar a fonte do problema: a princesa estava fugindo, furiosa pelo que parecia. 

 

—Vá atrás dela, Robin! Se ela estiver com você sei que não terei com o que me preocupar. —O rei lhe dissera, a feição apavorada que o jovem guarda nunca havia visto.

 

A rainha berrava ainda mais, chamando pela filha que simplesmente a ignorou e correu para fora dos portões de aço. Já presenciara uma briga entre elas antes, mas para causar tamanho tumulto algo sério deveria ter acontecido.

 

Então partiu atrás da filha do rei. Regina estava nervosa, ele percebeu isso quando a viu se esgueirar para os lados da floresta, queria permanecer longe da família com certeza. E não seria ele que invadiria sua privacidade. Acompanhou os passos da princesa até o seu destino final, um lugar inusitado nos arredores da floresta que nem ele mesmo havia notado. E ficou ali. E ele também. 

 

Minutos mais tarde as irmãs se juntaram à ela, Regina notara sua presença, mas se isso a incomodou ela tratou de esconder muito bem. A morena passara a manhã toda com Anna e Zelena, conversando e dando a atenção devida ao pequeno roedor que ela vinha ajudando a se curar. A Mills mais velha pediu para que ele as acompanhasse até o vilarejo, o almoço seria longe dos portões do castelo também. Compraram doces e fizeram um passeio proveitoso, sempre o incluindo na conversa. Ainda era estranho participar da conversa entre elas, Locksley nunca fora uma pessoa muito sociável, nem mesmo fez amigos nos campos de treinamento. Mas estava se acostumando aos poucos.

 

Era nítido o amor entre elas, Regina fazia um papel que não era seu: o de mãe. A rainha era uma pessoa difícil, ele já havia notado. Mas então se colocou no lugar daquela garota.

 

Sua mãe fora a pessoa mais importante da sua vida, o ensinou a falar, andar e depois correr e também a ser um homem respeitoso. Seu pai não era dado a carinhos, mas sempre fazia questão de ter um tempo de diversão com o filho. Apesar das dificuldades financeiras, nunca lhe faltou amor. Sentiu seu peito apertar. Quando os perdera doeu como o inferno, levou bons anos para se acostumar com o fantasma da dor e com o fato que de que já não havia alguém ali esperando que ele voltasse para casa em datas comemorativas. Preferia suportar aquela dor constante do que ter Cora como mãe. E quando olhou para as três princesas sentadas na grama, notou que as mais novas eram as pessoas mais importantes na vida de Regina. Eram o seu porto seguro, certamente daria a vida por elas. Assim como ele faria por seus pais.

 

—Não pretende voltar para casa, não é? —Ele perguntou.

 

Já era um pouco tarde, o sol havia partido algumas horas atrás. Regina pedira a um dos guardas que faziam a ronda no vilarejo para que levasse suas irmãs para casa, afinal Robin não poderia fazê-lo a não ser que ela fosse junto.

 

—Talvez um pouco mais tarde. —Ela sorriu e tomou um último gole de sopa. Locksley indicara a taverna que frequentava quando a morena reclamou de fome, e ali estavam. Sozinhos novamente. —Acha que estou em apuros?

 

—A rainha estava uma verdadeira fera quando a encontrei, o rei estava preocupado e me pediu para vir atrás de você. —O guarda disse sob os olhos atentos da moça. —Aconteceu algo tão ruim assim?

 

—Você não tem ideia. Mas não quero falar sobre isso. —Ela balançou a mão no ar. —Então, Robin... você disse que já conhecia essa taverna.

 

Ele sorriu, sabia que estava prestes a ser interrogado. Regina era uma garota curiosa, era até encantador a forma como tudo lhe interessava.

 

—Eu jantava aqui na maioria das vezes depois dos treinamentos. 

 

Ela continuou encarando-o. Havia sempre algo mais naquele olhar, como se ela quisesse enxergar o interior dele. Através dele. Isso o desestabilizava.

 

—E o que mais?

 

—Apenas isso. —Disse apenas. —Acredito que devemos voltar, Regina. Está ficando muito tarde e seus pais devem estar esperando-a.

 

Ele percebeu que havia se referido à ela pelo primeiro nome, assim como fizera mais cedo na biblioteca antes de quase beijá-la. Intimidade demais, não poderia voltar a se repetir. Repetiu a mesma frase mentalmente, tentando convencer a si mesmo que aquilo seria um erro. Precisavam voltar urgentemente, sentia-se um completo idiota quando estava sozinho na presença daquela moça.

 

—Tem razão, estou realmente cansada.

 

Ele pagou a conta, mesmo que ela tivesse insistido muito para que não o fizesse. Logo estavam a caminho do castelo, Robin sugeriu que voltassem a cavalo mas Regina preferiu ir andando. Ainda estava irritada. Seriam longos minutos em silêncio, era algo basicamente comum entre eles. Mas algo estava diferente, talvez por estarem longe dos monarcas e dos olhos atentos de milhares de guardas, talvez porque era a primeira vez que ficavam sozinhos após o acontecido na biblioteca.

 

Droga, Robin! Tire isso da sua cabeça, Regina deixou bem claro que não voltaria a acontecer. E nem deveria mesmo, caso algo do tipo acontecesse entre ele e a jovem filha do rei... Locksley não gostava nem de imaginar o que poderia acontecer.

 

—Não gosto quando ficamos em silêncio assim. —Ela murmurou. —Fiz algo errado?

 

—Não, claro que não. —Se apressou em dizer. 

 

Ela se sentiria assim todas as vezes que o assunto faltasse entre eles? Como se tivesse feito algo errado? Era culpa dele por ignorá-la quando ela estava apenas sendo gentil.

 

—Sente isso também, não sente? —Ela perguntou bruscamente após alguns segundos. —O ar fica diferente quando estamos sozinhos.

 

Robin engoliu em seco, travando seus passos na terra no mesmo instante que ela. Os castanhos estavam atentos, determinados quando ele a encarou.

 

—Não sou ingênua, Robin. Sei que está se afastando novamente e também sei qual é o motivo. Mesmo que você queira negar. —Ele esperou que ela continuasse. —Foi por conta do que aconteceu na biblioteca.

 

Ele repassou a imagem como um filme mais uma vez em sua mente. Não acontecera nada de mais, foi apenas uma proximidade. Era ridículo que ele se sentisse tão tentado apenas por isso.

 

—Não estou me afastando, majestade.

 

—Claro que está! —Ela exasperou, o cenho franzido. —Nem mesmo consegue me chamar pelo nome.

 

—Porque eu nem deveria.

 

—Mas eu pedi que o fizesse!

 

Estavam perto dos portões do castelo, a noite tomou conta do reino mas a luz da lua permitia que ambos se enxergassem nitidamente. A jovem pôde notar a batalha refletida nos olhos azuis. Ele estremeceu. Ela estava perto, muito perto. E os olhos dela, geralmente em um tom de castanho tão doce agora carregava um brilho desconhecido. Estavam mais escuros. 

 

Ele a desejava.

 

E ela soube disso.

 

A princesa diminuiu ainda mais a distância entre eles, e antes que Robin se afastasse ela segurou em seus braços, não o deixaria se afastar dessa vez, não quando parecia ter tanta certeza do que queria. Não quando aquilo lhe parecia tão certo. O olhou como da primeira vez em que o vira. Como se seus castanhos fossem capazes de dizer o que sua boca ainda não conseguia. Ele adorava ler aqueles olhos.

 

—Robin, se eu lhe fizesse um pedido você seria capaz de concedê-lo?

 

A voz dela estava pouco mais alta que um sussurro. Locksley sentiu o corpo se arrepiar diante do som aveludado, ela era tão linda e a iluminação concedida pela lua a deixava ainda mais perfeita diante de seus olhos. Santo Deus, como ele a desejava.

 

—Robin?

 

Algo lhe dizia que estava entrando em um terreno perigoso. Mas o que poderia fazer, afinal? Jamais negaria algo àquela princesa.

 

Lentamente ele anuiu com um aceno, então Regina se aproximou mais, fazendo com que o cheiro adocicado que exalava de sua pele penetrasse seus sentidos. As mão antes pousadas em seus antebraços agora subiam lentamente, era um tortura e a morena parecia saber o efeito que estava causando nele. Com o indicador ela contornou cada traço do rosto masculino, demorando-se um pouco mais na linha da sobrancelha. Perto demais, íntimo demais. Uma luz vermelha piscava em sua cabeça, gritando para que ele se afastasse. Mas não conseguia. Passara o dia todo evitando aquele assunto, evitando a vontade gritante de realmente beijá-la. 

 

 

 

Após um pequeno estudo com as pontas dos finos dedos, Robin sentiu seu coração bater fortemente contra o peito. Ela parecia querer decorar suas feições, descorar aquele momento.

 

—Eu disse que não aconteceria novamente, mas preciso disso. E se você negar, eu prometo nunca mais tocar no assunto.—Ela engoliu em seco, sob seus olhos vidrados e atentos. —Me beije? —Foi apenas um sussurro, mas alto o suficiente para que Locksley perdesse um pouco mais do seu juízo.

 

Os olhos castanhos o encaravam em um misto de desejo e curiosidade. Certamente nunca tinha sido beijada antes. Robin segurou a fina cintura e a conduziu até a árvore firme que estava atrás deles, a sentiu arfar em seus braços e poderia jurar ter ouvido um gemido tímido. Os lábios rosados estavam entreabertos, sedentos por aquele momento tanto quanto ele. Sentia como se estivesse sucumbindo ao pecado, mas não tinha forças para lutar contra aquela atração. Não ali, naquele momento que parecia quase intocável. O loiro subiu a mão destra para o rosto de traços finos, Regina acompanhou cada movimento com curiosidade, sentindo uma nova sensação a cada toque. O guarda contornou seu maxilar parando o polegar sobre seu lábio inferior, como se quisesse testar a maciez de sua boca. Então se aproximou lentamente, olhando-a em busca de uma confirmação para aquilo. Ela umedeceu os lábios com a ponta da língua e isso foi o suficiente.

 

Para o inferno com tudo aquilo.

 

Robin juntou seus lábios de forma calma, um simples roçar mas então já não era o suficiente. Ele precisava de mais. E ela queria mais. Pediu permissão com a ponta de sua língua e sentiu-a conceder timidamente. Quando sua línguas se tocaram, explorando lugares desconhecidos, Locksley sentiu-se no céu, como se tivesse encontrado o caminho de volta para casa depois de tanto tempo. Regina tinha um gosto doce, seus lábios eram macios e a forma que seu corpo respondia aos seus toques o deixava louco. A morena levou a mão à sua nuca, procurando mais contato e ele sorriu entre o beijo. Não esperava menos dela. Sempre querendo mais. Sempre querendo tudo. 

 

E Robin estava disposto a lhe conceder tudo que quisesse. Pelo menos naquela noite. Era um homem completamente perdido, e nunca se sentira tão bem por isso. Deixaria para pensar nas consequências depois.

 

Quando o ar se fez necessário, o casal ainda relutante se separou. Robin desceu a boca até o pescoço macio e sentiu ali a pulsação acelerada da princesa, então se dera conta de que ansiava por aquilo havia certo tempo. Regina jogou a cabeça para trás lhe dando mais acesso e então gemeu quando ele lhe mordiscou a pele sensível. Locksley apertou mais seu corpo contra o dela, sua excitação já era visível certamente, e Regina parecia perceber isso pois levou a mão curiosa ao seu quadril, explorando o que tinha vontade. As roupas da guarda eram grossas, mas não impediam a jovem de continuar com sua travessura. Mas quando as mãos chegaram perto demais, Robin segurou seu pulso, recebendo um murmúrio insatisfeito da parte dela.

 

—Não podemos. —Ele disse ainda ofegante. —Sabe que isso não pode continuar, não sabe?

 

A princesa encostou sua testa na dele, ainda abraçando seus ombros, os olhos fechados como se não quisesse que a realidade os atingisse novamente.

 

Sim, ela sabia. Sabia que se fossem pegos, sua vida estaria arruinada. Pior ainda, se fossem pegos ou se alguém até mesmo sonhasse que existia algum tipo de atração entre eles... a vida de Robin estaria arruinada. E isso ela não poderia suportar.

 

 

 

E por esse motivo se afastou. E nas semanas seguintes, nenhuma palavra além do necessário foi trocada entre eles.

 

 

 


Notas Finais


Perdão por qualquer erro, ainda não corrigi o capítulo.
Espero muito que tenham gostado, até a próxima 💙


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