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História Suffocating Memories - Beauany - Capítulo 38


Escrita por:


Notas do Autor


Oi, oi, oi! 😘😘😘
Dessa vez eu até que fui rápida, só não saiu antes porque eu fiquei gripada e não estava conseguindo me concentrar em nada... 😩
Mas agora já tô melhor e espero conseguir atualizar normalmente. 🙏🏻
PS: esse é o meu capítulo favorito de todos, então aproveitem! 😳😍

Espero que goste do capítulo! 😗✌🏻
Desculpe os erros! 🙊🙉🙈
Tenha uma leitura em paz! 🖤✌🏻

Capítulo 38 - Capítulo 38.


‘Cause they say home is where your heart is set in stone

Is where you go when you’re alone

Is where you go to rest your bones

It’s not just where you lay your head

It’s not just where you make your bed

As long as we’re together, does it matter where we go?

Home, home

(Home - Gabrielle Aplin)

Any Gabrielly

Na manhã seguinte quando acordei, Josh já não estava mais ao meu lado, mas o quadro de mensagens na parede do quarto tinha um recado escrito com a letra dele. Peguei Pipoca que estava sobre a cama, nem sei em qual momento ele veio para cá, me levantei apressada e corri para ler logo.


Cookie, esteja pronta às sete. Passo aqui pra te buscar.


Essas eram as únicas palavras, nada mais.

- É Pipoquinha, tá difícil entender o seu papai... - o cãozinho bocejou, sorri vendo a fofura dele e o deixei novamente na cama.

Suspirei e fui pro banheiro me preparar para o dia, hoje preciso me concentrar nas minhas coisas e esquecer um pouco de Joshua e seus problemas, tenho muito o que fazer ainda. Mais tarde me preocupo com toda essa história.

Quando finalmente estava arrumada com o uniforme do Thought High School, arrastei minha irmã para fora de casa antes mesmo de tomar café, Belinha reclamou o caminho inteiro até o ponto de ônibus, porém ignorei com zero remorso. Jaden esperava por ela, um sorriso enorme no rosto e uma flor nas mãos.

- Oi, Jaden, bonita flor! - comentei quando entregou-a para Isabelli, instantaneamente o garoto corou e minha irmã me deu um cutucão. Era uma cena engraçadinha, vê-los daquela forma.

- Olá, cunhadinha! - ele se recuperou rápido, estampando um sorriso matreiro como o do irmão.

Fiz uma careta ao escutar tão apelido.

- O quê foi? - perguntou o loiro.

- Não sei se posso ser considerada sua cunhada... Não sei nem se ainda sou namorada do seu irmão. - os dois franziram o cenho, confusos.

- Vocês brigaram?! - questionaram em uníssono, o queixo indo ao chão.

- Estamos com alguns problemas.

- Não se preocupe cunhadinha, meu irmão é meio complicado mesmo. Mas é um cara do bem.

- Eu sei...

- Any também é complicada, então o Josh vai precisar de paciência... Mas ela também é do bem. - Belinha acrescentou.

- Obrigado, eu acho... - respondi.

Os dois engataram numa conversa sobre o que fariam no próximo fim de semana, enquanto eu me mantinha calada e perdida em pensamentos. Poderia muito bem pedir carona para uma das garotas, não estava afim de explicar o porquê de não ir com Josh mais uma vez, tudo mundo criou uma ideia muito perfeita de nosso relacionamento e que com certeza está equivocada. Como todo casal nós discutimos, talvez em uma quantidade muito menor do que a maioria, mas ainda assim temos os nossos momentos.

A maior parte das pessoas não sabem nem da metade do meu passado e menos ainda sobre o do Josh. Não posso simplesmente ficar expondo nossos problemas, será graças a eles que vamos nos fortalecer e não será qualquer bobagem que me fará desistir do único garoto que já me fez sentir algo. Tem tantas coisas pelo que ainda vamos passar, tantos desafios, esse é apenas o primeiro. A parte mais difícil que era contar para ele sobre a tentativa de estupeo, nós já superamos, portanto terminar um relacionamento que está apenas no começo, está fora de cogitação.

Se Joshua quisesse terminar comigo não teria me chamado para um encontro, mas em nenhum momento falou que seria um encontro, apenas avisou-me que precisava mostrar algo que pode ou não ser bom. Apenas o pensamento de terminarmos me aterroriza, não estou pronta para desapegar e acredito que nunca estarei. As vezes sinto que a qualquer momento Josh perceberá o quão quebrada sou e me abandonará, esquecendo cada uma das promessas que já fez. Por mais que seus olhos azuis brilhantes indiquem que me ama verdadeiramente, meu cérebro perturbado não consegue levar a sério, gostaria tanto de não ser tão insegura.

Só percebi que já estava dentro do ônibus, quando o mesmo parou em frente ao ponto próximo ao colégio. Desci o mais rápido possível, não querendo que ninguém notasse as lágrimas presas em meus olhos e que tanto tentei evitar. Por mais que ame Josh e esse sentimento seja o mais puro que já senti, ele também me faz mal, estou me tornando dependente demais dele e já não consigo evitar. Preciso urgentemente resolver todo esse assunto com Joshua, talvez quando finalmente todas as cartas estiverem sobre a mesa, possamos voltar a pertencer não somente ao outro, mas a nós mesmos também.

Uma mensagem chegou em meu celular, o nome de Josh brilhava na tela e a vontade de não olhar me atingiu, porém, usando uma força vinda não sei da onde abri. Para minha surpresa era uma imagem, uma garota muito bonita de sorriso tímido, pele morena e olhos brilhantes.

Josh

Esta é Nour, a garota de quem tinha te falado. Lando me mandou a foto e nome, disse que ela estará no portão de entrada da escola hoje.

Ergui os olhos do telefone e já avistei a garota. Ela estava sentada em um dos bancos, parecia ser extremamente quieta e tímida.

Eu

Okay, vou falar com ela e tentar enturmá-la com o pessoal.

Não obtive resposta, mas sabia que ele havia visualizado. Desliguei o telefone e guardei, caminhei a passos largos e rápidos na direção de Nour que parecia distraído com o seu próprio celular.

- Oi, você deve ser Nour, certo? - a garota pareceu levar um pequeno susto, mas ao olhar-me sorriu timidamente e confirmou com a cabeça - Eu sou Any Gabrielly, meu namorado... - a palavra quase não saiu, nem sei se ainda posso chamar Josh dessa forma, mas continuei assim mesmo - Ele é amigo do Lando e ele disse que você estava se mudando para cá, também entrei esse ano nessa escola e sei como é ruim não conhecer ninguém. Então me ofereci para tentar te ajudar a se enturmar, se você não se importar é claro.

- Olá, Any Gabrielly! - apertei a mão que Nour esticava em minha direção - Obrigado por isso, Lando já tinha me avisado. Ele sabe o quão na minha eu sou e resolveu interferir, você é a primeira pessoa que fala comigo desde que cheguei do Líbano... É um pouco chato ser nova em algum lugar, mas meio que já estou acostumada a ficar sozinha, mesmo no meu país não conseguia me encaixar direito. - ela falava tudo de uma vez, sem quase nenhuma pausa - Oh meu Deus, me desculpe, minha família sempre diz que eu falo demais... Olha eu falando mais, me desculpe.

Dei risada, Nour era engraçada. A garota parecia uma metralhadora de palavras, mesmo com toda a timidez que sentia, quando começava a falar não parava mais. Era disso que eu estava precisando, rir de algo bobo e fazer novas amizades.

- Está tudo bem, não se preocupe! - disse, vendo-a suspirar aliviada mas em seguida sua testa se franziu.

- Não quero ser intrometida, nem nada disso... Mas você hesitou quando mensionou seu namorado, aconteceu alguma coisa? - questionou, talvez a pergunta saindo de qualquer outro pudesse doar invasiva, mas por algum motivo, quando Nour a fez não me senti incomodada de responder.

- Josh e eu estamos passando por alguns problemas, ambos já sofremos muito no passado e desenvolvemos muros de proteção. Não somos os melhores em confiar, então...

- Ah Any, sinto muito... - ela entrelaçou nossos braços - Posso te chamar de Any, né?

- Claro que pode, a maior parte das pessoas me chamam assim.

- Quem não te chama assim?

- Josh. Ele é o único que me chama de Cookie. - por um momento minha mente viajou para o dia em que conversamos na varanda e ele resolveu me dar esse apelido, parece que já faz uma eternidade desde que isso aconteceu, quando na verdade foram alguns meses.

Talvez percebendo um pouco da tensão que aquele tema trazia, Nour resolveu mudar de assunto.

- Fiquei sabendo que nesse colégio existem diversas aulas extracurriculares... Será que eles me aceitam, mesmo estando no meio do ano? - perguntou, parecendo animada com a possibilidade - Seria muito divertido, quero participar da aula de música. Minha família diz que sou ótima cantando!

- Podemos falar com a professora Jane, ela quem dá aulas de música. Também não me inscrevi logo no começo, mas depois de fazer uma pequena audição, Jane acabou me aceitando.

- Que legal, poderemos ser colegas de classe! - Nour já nem parecia ser tão tímida de tanto que fala.

- Vamos, vou te apresentar pro pessoal. Eles vão amá-la! - saí puxando a garota para dentro do prédio, aquela hora todos deviam estar perambulando pela escola ou conversando no refeitório.

Seria fácil de encontrá-los, mais de dez pessoas juntas e falando alto, fácil demais. As garotas riam de alguma palhaçada de Noah quando chegamos e assim que apresentei Nour para todos, minha mais nova amiga se enturmou facilmente. O único que faltava era Josh, novamente.

Quando vi que ninguém prestava atenção em mim, puxei Noah para longe e resolvi perguntar.

- Você sabe o quê está havendo com Josh? - ele olhou-me com receio, praticamente evitando meu rosto - Eu sei que você sabe o que ele tem, Noah, não adianta disfarçar. Só quero tentar ajudá-lo, mas Josh é cabeça dura demais para falar o que está acontecendo e me afasta a cada tentativa.

- Any...

Lancei meu maior olhar irritado, obrigando-o a começar a falar.

- Ele só está lidando com algumas coisas de família, não quer te meter nos problemas dele e... - Noah parou, hesitando em continuar.

- E? - insisti, fazendo-o suspirar.

- Quando você não quis que ele te acompanhasse pra tal viagem ao Brasil, Josh se sentiu inseguro com relação a algumas coisas...

- Noah, que coisas são essas? - ele fez uma careta, negando com a cabeça em seguida.

- Desculpa, Any, mas não posso contar. São assuntos que não me dizem respeito e prometi ao Josh que não contaria a ninguém. Só fiquei sabendo dessas coisas ontem, porque ele não estava aguentando mais guardar para si e pode ter certeza, meu amigo está quebrado. - um arrepio percorreu meu corpo, temendo ainda mais esse tal segredo de Joshua.

- Eu preciso falar com ele, mas desde que saiu da minha casa hoje cedo, não o vi mais...

- Não se preocupe com isso, Josh está bem. Só precisa de um tempo sozinho, toda vez que isso acontece ele dá uma afastada de todo mundo, já estamos acostumados.

- Tudo bem... Obrigado, Noah. - ele apenas assentiu, estampando um sorriso fraco e os braços cruzados.

Antes que qualquer um pudesse me interromper, corri para fora do refeitório e fui para a sala onde teria minha primeira aula do dia. Não estava afim de falar com ninguém, mas sabia que encontraria pessoas por lá, gostaria de poder ir à biblioteca e aproveitar o silêncio do lugar, porém não posso me dar ao luxo de perder mais nenhuma aula.

Durante o resto do dia permaneci silenciosa, evitando todos os assuntos relacionados a Joshua. As meninas tentaram me encurralar em diversos momentos, porém corri em cada um deles deixando-as ainda mais curiosas. Meu namorado passou o dia inteiro sem dar sinal de vida, tornando complicado me concentrar em alguma coisa que não fosse o celular e qualquer notificação de mensagem, mensagens essas que só vieram de Sina, Joalin, Sabina, minha mãe, Ursula e uma de Nour, apenas para salvar meu número.

Quando entrei em casa, mamãe estava sentada no sofá com a televisão ligada e Pipoca em seu colo. Meu bichinho correu na direção da porta com o rabinho abanando, feliz com minha chegada. Fiquei na escola o dia inteiro com a desculpa de estar ensaiando para não voltar pra casa e correr o risco de encontrar minha mãe e muito menos Ursula.

- Any, finalmente chegou. Ursula veio aqui em sua procura, até esperou um pouco mas como você demorou, ela acabou desistindo... - começou minha mãe, enquanto eu caminhava para perto dela.

- Acabei ficando para ensaiar mais um pouco e agora só preciso escolher entre três músicas, God is a Woman, Pretty Hurts e Firework. - comentei, sentando ao lado dela no sofá. Minha mãe passou um braço ao redor de meu pescoço e deixei-me levar, deitando em seu colo, nada melhor do que colinho de mãe.

- O quê aconteceu com Josh? Na mensagem você disse que ele dormiria aqui... - fiz careta. Droga, pelo jeito meu relacionamento com Joshua era o assunto do momento.

- Ele dormiu, mas saiu antes que eu acordasse sem nem ao menos se despedir. - respondi. Mamãe franziu o cenho, choque estampado no rosto.

- Não me diga que vocês estão brigados?!

- Mais ou menos... Não sei direito o que está rolando com a gente, mas hoje mesmo vou descobrir! - falei com determinação. Minha conversa definitiva com Josh acontecerá, queira ele ou não.

- Ursula disse que Josh anda faltando à escola, espero que ele não tenha arranjado problema com ninguém. - mamãe falou enquanto fazia cafuné em mim.

- Confusão ele vai arranjar é comigo, se não resolvermos logo essa porcaria. - acrescentei emburrada - Josh não confia em mim e nem em ninguém, vamos conversar mais tarde e vou dizer tudo que estou sentindo. Não posso viver em um relacionamento que se baseia em mentiras e segredos, estou farta de tudo isso! Minha cota já foi estourada faz tempo.

E eu realmente estava falando sério, não suporto mais esconder as coisas das pessoas e nem que me escondam nada, vivi por dois anos dessa forma e posso dizer com certeza que é horrível. Desconfiar de todos e saber que a pessoa ao seu lado sabe disso, chega a ser constrangedor, mas pior que isso, transforma o relacionamento instável. Cansei de instabilidade e oscilações ruins, preciso de segurança e se Joshua não puder oferecer isso a mim, prefiro encerrar tudo antes que me envolva mais e sofra em dobro.

- Faz bem, querida. Por mais que goste de Josh como um filho, jamais permitirei que te faça mal. - falou ela, permitindo que seus instintos de mãe superprotetora viessem a tona.

- Eu sei, mamãe. - dei um beijo em sua bochecha e me levantei, deixando Pipoca com ela - Agora vou tomar um banho e lavar o cabelo, às sete Josh passará aqui para sairmos e esse será o momento perfeito para questioná-lo sobre tudo.

Ela olhou-me com esperança, obviamente querendo que nos resolvamos logo. Sei o quanto minha mãe gosta de Joshua, afinal o garoto se tornou o filho que nunca teve mas sempre quis. Na primeira vez que engravidou, mamãe torceu para que fosse um menino, mas quem nasceu foi eu e depois com Belinha foi o mesmo, entretanto ficou feliz com as duas garotas que Deus lhe deu. Sei que os planos dela era tentar pelo menos mais uma vez para dar a luz um menininho, mas pouco depois do nascimento de Isabelli meu pai se foi e mamãe nunca mais arranjou alguém, diz que o amor da vida dela já se foi e está muito bem sozinha.

- Vou torcer para que vocês se acertem! - disse ela, cruzando os dedos e sorrindo largamente.

Subi para o andar superior rapidamente, doida por um banho e um descanso pra garganta, mas tudo que teria era o banho mesmo já que logo Josh estaria à porta esperando por mim. Não estava tão afim de lavar o cabelo, porém o clima andava favorável para que os cachos ficassem ótimos, portanto não poderia perder tal oportunidade.

Levei menos tempo do que acreditei que levaria para lavar o cabelo, e assim que saí do banheiro, encontrei Belinha sentada à cama brincando com as mãos e de cabeça baixa. Apertei um pouco mais a toalha ao redor do corpo e retirei a que estava no cabelo.

- O quê faz aqui, Belinha? - questinei, chamando a atenção da garota para mim. Assim que olhou-me, percebi que algo estava acontecendo.

- A tia Laura vai se casar. - falou, a voz não passando de um sussurro. Pisquei atônita, sem saber o que fazer fui para próximo dela. Por sorte ainda teria tempo suficiente para escolher uma roupa e arrumar os cachos.

- Quem disse isso a você?

- Ninguém. Vi o convite quando mamãe chegou, mas ninguém me disse nada. - ela claramente estava magoada. Mas não poderia culpá-la, em momento algum me veio a cabeça contar a Belinha sobre o casamento. Pelo jeito nossa mãe também não pensou sobre isso.

Não havia motivos para que Isabelli não fosse ao casamento, até porque a traumatizada sou eu. Porém, imagino que mamãe não estará presente no dia mais feliz da vida de sua irmã, pois sei que ela não quer que minha irmã volte a pisar no Brasil e nem que precise se despedir de todos novamente, quando da primeira vez Belinha sofreu tanto.

- Você vai? - hesitante, perguntou-me.

- Provavelmente não, mas ainda não sei... - tia Laura gostaria que eu fosse e Josh também, mas talvez não esteja pronta para retornar. Mesmo com a presença de Joshua ao meu lado.

- Eu queria ir, mas sei que a gente não pode voltar ao Brasil. - franzi o cenho para tal frase, então ela tratou de acrescentar e se explicar - Não sou burra Any, sei que nós saímos de lá por causa da sua tristeza. Só ainda não descobri o porquê dela.

- Isso é assunto de adulto, Belinha. - ajoelhei ao lado de suas pernas, acariciando seu joelho carinhosamente.

- Você também não é adulta, mas já sabe de muito mais que eu. - afirmou com um pouco de irritação, porém, compreensiva.

- Já tenho dezessete anos, antes de terminar o ano serei maior de idade. Você ainda é jovem demais e não precisa se preocupar com nada disso! - toquei seu nariz com meu indicador e forcei um sorriso, torcendo para que fizesse o mesmo e esquecesse tais conversas.

- Okay. - com um salto, Belinha levantou-se, deixando um beijo em minha bochecha começou a partir. Mas antes que saísse de vez do quarto, lançou um olhar por cima do ombro e disse - Só me promete que não vai ficar mais triste, não gosto de te ver chorar.

Ergui uma das mãos antes de dizer.

- Está prometido! - ela sorriu e saiu saltitante corredor afora.

Com um suspiro cansado levantei e fui para a frente do espelho, pronta para começar a arrumar meu cabelo. Lancei um rápido olhar para o relógio sobre a mesa de cabeceira, ainda tinha duas horas até a chegada de Joshua.

Exatamente duas horas e dez minutos depois, olhei-me no espelho e posso dizer que o reflexo que vi foi muito agradável. A maquiagem não estava nada carregada e sim suave e bonita, meus cachos derramavam-se em cascatas negras sobre os ombros e costas. Já a roupa escolhida era uma calça de moletom preta com um cropped vermelho de manguinha, nos pés um coturno preto simples e uma pequena bolsa de alça.

Josh não havia me dito nada sobre o local que iríamos, nem mesmo uma pista de como deveria me vestir o garoto deu. Portanto, tive que colocar alguma coisa não me fizesse passar vergonha seja qual for o ambiente que formos.

Como de costume estou atrasada, mas Josh também não pode reclamar de nada, foi ele quem não deu pista alguma. Quando finalmente desci, o garoto encontravam-se reunido com minha família no sofá da sala. De longe era possível perceber o quão tenso Joshua estava e involuntariamente um sorriso ergueu-se nos meus lábios.

- Vamos? - perguntei, atraindo todos os olhos para mim. Talvez tenha sido impressão minha, mas tenho quase certeza de ter visto as íris azuis de Joshua brilharem ao me ver.

Por um momento o rapaz perdeu a fala, demorando um tempo para enfim esticar a mão para me ajudar como de costume. Tive um vislumbre das bochechas dele corando, mas Josh sabe muito bem disfarçar e escondeu facilmente a vergonha. Antes que alguém falasse qualquer coisa, apressei-me em perguntar.

- Acertei na roupa?

Atônito, Josh limpou a garganta e em seguida respondeu.

- Sim, não se preocupe. Você está perfeita. - usei toda minha força de vontade para não permitir que meus lábios subissem, então para garantir que isso não aconteceria, mordi o interior.

- Obrigado. Podemos ir agora? - ele apenas assentiu, ainda analisando-me com encanto e admiração.

Deixei um rápido beijo em Isabelli e depois em minha mãe, ouvindo não mais do que um sussurro vindo dela desejando-me sorte. Logo que nos despedimos, Joshua segurou uma de minhas mãos e caminhamos para fora da residência e um ventinho agradável tocou minha pouca pele exposta.

Permiti que o garoto abrisse a porta do carro para mim, em um gesto cavalheiro. Josh deu a volta no veículo e entrou também, virou a chave na ignição e logo nos colocou na estrada. Fomos cobertos bom um longo silêncio, não o silêncio confortável de sempre, muito pelo contrário já que ambos tínhamos muito o que falar.

Fechei os olhos e encostei a cabeça no apoio liberando um longo e necessário suspiro. Joshua desviou os olhos da rua por um segundo, observando-me de esgulha e franzindo o cenho, abriu a boca com intenção de falar, porém desistiu antes que algo saísse.

O clima entre nós estava tão estranho, como se tivéssemos voltado no tempo e acabado de nos conhecer. Quando o conheci a primeira impressão que tive estava completamente equivocada, mas talvez tudo seria mais fácil se estivesse certa, dessa forma Joshua seria um cara muito mais simples e consequentemente nosso relacionamento também. Okay, não posso deixá-lo como único culpado por todos os problemas que temos, porém ele está sempre me escondendo algo e tentando me afastar. Tudo seria mais fácil se nós, não fossemos nós.

- Poderia ao menos fingir que deseja estar aqui? - pediu ele, usando um tom meio rouco e afetado. Nem havia percebido que estava fazendo careta, mas o loiro claramente notou e entendeu muito errado.

- Desculpe. - foi o máximo que murmurei, sem vontade alguma de explicar o motivo de meu desgosto.

Mais uma vez caímos no silêncio e mais uma vez, me veio a cabeça o quão problemáticos somos. Qualquer outro casal conversaria e resolveria o assunto logo, mas não nós dois, somos teimosos demais para isso.

Demorou cerca de quarenta minutos até que Joshua estacionasse seu Audi em frente a um enorme prédio, durante todo o tempo permanecemos em silêncio. Era estranho falar, coisa que nunca havia acontecido com a gente antes, precisei morder o lábio diversas vezes para segurar um suspiro pesaroso ou alguma lamúria e percebi que o garoto atrás do volante fazia o mesmo.

Quando enfim paramos, fiz menção de abrir a porta para sair, porém, Josh foi mais rápido e saiu do veículo antes dando a volta e abrindo para mim. Parecendo se materializar, um homem magro e alto apareceu no lado do motorista, um manobrista conclui quando o loiro arremessou as chaves em sua direção. Com certa hesitação, tocou minha mão direita e começou a conduzir-me para dentro do prédio.

Para minha total surpresa, senti uma leve carícia na parte interior da mão que estava entrelaçada a dele, retribui enquanto meu coração se acelerava com nosso pequeno gesto de carinho. Ainda sem dizer uma mísera palavra, entramos no elevador.

- Último andar. - falou Josh, esperando o ascensorista apertar o botão indicando e ele assim o fez.

O clima estava tão pesado entre nós, que acho até que o homem percebeu, pois olhou-nos com uma certa pena. Tentei não parecer tão distante de Josh encostando a cabeça em seu peito, enquanto ele passava um braço ao meu redor e deixei que nossas mãos ficassem bem amostras. Não que a opinião de alguém que nunca tinha visto importasse, mas também não queria receber a pena de ninguém, muito menos de um desconhecido.

Com minha cabeça tão próxima ao peito de Josh, pude claramente ouvir as potentes batidas de seu coração, pelo jeito o meu não era o único animado. Fechei meus olhos por todo o percurso de elevador, torcendo para que passasse logo e pudesse me afastar logo do corpo dele sem parecer tão desesperada e por maior que possa ser nossa briga, meu corpo continua respondendo da mesma forma ao toque de Josh.

Quando finalmente as portas da caixa de metal se abriu, saímos e agradeci mentalmente por poder tomar espaço entre nossos corpos e evitar um toque maior do que duas mãos entrelaçadas. Mesmo que muito baixo, pude escutar quando Josh bufou frustrado, entretanto, não disse nada em protesto a nossa distância e continuou nos conduzindo para ainda mais dentro do prédio. Paramos novamente em frente a uma mulher, ela usava um terninho azul muito elegante e dava um ar mais clássico para sua aparência de pouco mais da meia-idade.

Ela lançou-nos um olhar curioso, analisando primeiro Joshua e depois a mim, talvez tenha achado graça do fato de dois adolescentes estarem em um lugar como aquele. Provavelmente se qualquer outra pessoa tivesse me olhado daquela forma, eu teria me sentido encomendada, mas o fato de aquela senhora o ter feito causou um certo divertimento em mim.

- Tenho uma reserva em nome de Joshua Kyle Beauchamp. - falou o garoto.

- Uma mesa para dois, certo? - perguntou ela, sorrindo de forma gentil e educada.

- Sim. - respondeu, senti um rápido apertão em minha mão e rapidamente olhei para ele, que sorriu e ergueu a mesma depositando um beijo.

- É por aqui, senhor e senhora Beauchamp! - ela franziu o cenho, não sabendo se deveria realmente dirigir-se a nós dessa forma. Abri a boca para avisá-la que não somos casados, mas outro apertão fez com que minha boca se fechasse.

Por um instante me veio a cabeça o que Ursula uma vez me disse, Josh somente falou em casamento com Ron uma vez e foi após me conhecer e iniciarmos um relacionamento... Minha sogra já havia me dito para ter paciência e eu a prometi que teria, portanto cumprirei minha promessa.

Apertei sua mão de volta, chamando atenção para mim e sorri.

Quando Josh voltou a olhar para frente, seguindo a mulher, pude finalmente prestar atenção ao lugar onde havia me levado. Aquele era nitidamente um restaurante muito caro, já que as pessoas ao redor usavam roupas chiques e possuiam um certo olhar de descaso aos que passavam, cheguei até a me sentir deslocada com minhas vestes casuais, mas meu namorado também não usava nada muito pomposo o que me fez pensar que iríamos para um local mais simples.

Paramos em frente a uma mesa mais afastada das outras que ficavam mais ao centro do restaurante, entretanto, a vista do lugar não havia sido prejudicada em nada apenas se tornado ainda melhor. O céu já havia escurecido quase totalmente, mas uns resquícios dos raios solares ainda teimavam em aparecer e permitia-lhe um leve tom de roxo que trazia mais encanto ao ambiente. Um suspiro admirado escapou de mim, precisei ir para mais perto do vidro para poder comprovar que aquilo era verdadeiramente real, Josh veio atrás e se posicionou ao meu lado.

- Isso aqui é perfeito... - deixei escapar, arrancando uma risada rouca dele.

- E você ainda nem provou a comida. - acrescentou, tocando meu cotovelo permiti que me guiasse até uma das cadeiras.

Nem havia percebido que a senhora que nos tinha levado até ali, permanecia parada ao lado. Minha atenção era toda daquela vista e sua imensa magnitude, ela precisou pigarrear para fazer com que ambos a olhasse.

- Espero que tenham uma boa refeição. Um garçom logo virá atendê-los. - falou ela, enquanto apenas assentiamos, partindo para seu lugar de início rapidamente.

Olhei para Josh ainda encantada.

- Por que não me disse que viriamos para um lugar tão chique? Assim poderia ter colocado algo mais impressionante. - resmunguei, mas não verdadeiramente chateada com o fato de estar tão mal vestida.

- Você está perfeita e está roupa é ideial para o que faremos depois. - respondeu, franzi o cenho e seu sorriso apenas se acendeu mais.

- E o quê faremos depois? - questionei, vendo-o sacudir a cabeça em negação.

- Não se preocupe com isso, Cookie. Tenho certeza de que vai amar! - ainda que curiosa por mais detalhes, assenti e deixei que nosso tempo naquele magnífico restaurante corresse de forma agradável.

Não tinha cabimento ficar irritada, chateada, ou qualquer uma das coisas que estava sentindo antes por Josh, naquele lugar. Jamais permitiria que algo estragasse tudo aquilo, quando tínhamos uma vista perfeita da cidade, em um restaurante perfeito e em uma recente bolha perfeita.

- Vamos apenas aproveitar nosso jantar no 71 Above, esse lugar é incrível! - emendou, obrigando-me a concordar. Suas duas mãos vieram para cima da mesa, esticando-as em minha direção e esperando que fizesse o mesmo e foi o que fiz.

Ficamos assim por alguns instantes, sorrindo bobo e de mãos dadas, até que um garçom apareceu e nos entregou dois cardápios. Josh optou por lombo grelhado e acabei indo na mesma, enquanto que de bebida escolhemos suco de maracujá para mim e de abacaxi para ele.

Durante todo o jantar conversamos sobre tudo e nada ao mesmo tempo, já que cada um dos assuntos eram escolhidos e tratados de maneira leve e cautelosa, sem o mínimo de intenção de trazer desconforto à mesa. Pensei diversas vezes em soltar cada uma das coisas que atormentavam minha mente, mas o clima estava tão bom que temi estragar com tais temas. Aquela era nosso primeiro encontro oficial, ainda que para mim cada uma das escapadas que demos para lanchonetes contem como encontros.

A noite estava sendo muito agradável, poder observar o céu ser pintado gradualmente de um azul mais escuro foi realmente incrível e ter a companhia de Josh ao meu lado tornou tudo ainda mais perfeito. Pensei diversas vezes em o quão não gostaria de sair dali, mas quando terminamos a refeição e Joshua olhou em seu relógio de pulso notando que passava das oito e meia, fomos obrigados a nos despedir daquela visão estonteante. Por mais que desejasse muito ficar, alguma coisa me dizia que aquela era realmente nossa hora e seja lá o que ele havia preparado, seria ainda melhor do que isso.

Talvez fosse apenas uma impressão minha, mas Josh parecia nervoso para o que aconteceria em seguida. Por mais que seu corpo exalasse muita tensão, ao mínimo sinal de meu toque o garoto relaxou. Assim que saímos do 71 Above, o manobrista entregou as chaves para meu namorado e ele correu para abrir a porta mais uma vez para mim, agradeci com um sorriso e adentrei carro já colocando o cinto. Esperei que entrasse também e desse partida no veículo, coisa que ele fez rapidamente.

Escorei novamente a cabeça no encosto e deixei que Josh nos levasse para qualquer que fosse o destino, sem me importar de abrir os olhos e analisar o caminho percorrido. Foram mais cinquenta minutos até finalmente pararmos, era um campo aberto fora da cidade.

Franzi o cenho vendo que estávamos longe de toda a civilização.

- O quê estamos fazendo aqui? - perguntei curiosa, fazendo-o sorrir satisfação.

- Você logo verá, Cookie! - consegui sentir sua animação nitidamente. Meu coração batia frenetico dentro do peito, como se a qualquer momento fossemos pular de uma avião.

Seguimos alguns metros adiante a pé, as mãos unidas em um ato simbólico para ambos. Estava um pouco frio, porém não consegui me importar com isso e mais nada assim que vi um enorme cesto parado no chão e um balão preso a ele. Pisquei boquiaberta, minhas mãos começaram a suar e tremer em antecipação ao que achava que aconteceria.

- Josh... - foi tudo que consegui murmurar, torcendo para que ele entendesse o quão embasbacada eu me encontrava.

Antes que pudesse voltar a andar, ele puxou-me em direção ao balão que nos esperava.

- Vem! - Josh soltou minha mão, correndo na frente e sendo seguido por mim. Precisei de toda minha concentração para não permitir que minhas pernas vacilassem e eu fosse ao chão.

Assim que nos encontravamos bem próximos ao balão, notei que mais alguém estava conosco. Não era ninguém conhecido por mim, mas meu namorado conhecia.

- Estamos prontos, podemos subir! - o rapaz olhou-me dos pés a cabeça, assentindo para Josh em seguida que respondeu - Eu sei cara, ela é linda.

- Imaginei que fosse e Nour falou muito bem dela. - imediatamente acreditei que aquele fosse Lando o amigo de Josh e namorado de minha mais nova amiga - Muito prazer Any, sou Lando Norris ao seu dispor! - cumprimentou ele, esticando uma das mãos ao ar que logo apertei.

- O prazer é todo meu! - respondi.

Lando voltou seus olhos para meu namorado e pôs-se a falar.

- Muito bem Josh, tome muito cuidado com este balão. Não queremos que um acidente aconteça, certo?

O loiro riu, dando de ombros e respondendo ao amigo.

- Não se preocupe, Lando, vou cuidar muito bem do seu balãozinho! E nada de ruim acontecerá comigo e Cookie, fiz cada uma das aulas, lembra?

Aulas? Quando Josh havia feito aulas para aprender a pilotar um balão?!

- Não estou preocupado com vocês, mas sim com meu amado balãozinho! - provocou o outro rapaz, passando as mãos carinhosamente pelo objeto voador.

Eles deram risada, enquanto eu continuava concentrada no que faríamos em seguida. Antes que Josh começasse a andar em direção ao nosso veículo, o outro rapaz de cabelos castanho claro esticou a mão para mim.

- Any, foi um prazer conhecê-la! - apertei de volta.

- Espero que nos vejamos novamente! - respondi, arrancando um sorriso zombeteiro do garoto.

- Se esse filho da puta não sumir, com certeza nós vamos. - lancei um olhar por sobre o ombro na direção de Joshua, vendo-o erguer o dedo do meio pro amigo.

- Estou aqui agora, não estou?

- Não sei como, mas está... - revirou os olhos, devolvendo a provocação.

- Lando, meu amigo, com todo respeito vai se foder. - cantarolou meu namorado, fazendo o outro gargalhar.

- Bom passeio para vocês! - berrou ele, começando seu caminho para uma caminhonete estacionada poucos metros atrás, bem perto do Audi de Josh.

Quando enfim ficamos a sós, o loiro chamou-me com um gesto da mão e fui para perto dele, sentindo um frio na barriga e meu estômago embrulhar em antecipação. Estávamos prestes a voar, porra isso é demais!

Josh estendeu uma mão para mim, dando apoio para que pudesse entrar mais fácil no cesto, uma vez que meus pés se encontravam lá dentro, ele fez o mesmo impulsionando o corpo para ficar ao meu lado. Sem dizer uma única palavra, começou a mexer em um maçarico posicionado logo acima, puxou os pesos que nos mantinham no chão para dentro do balão e voltou ao maçarico. Segundos depois, senti que já estávamos subindo e obriguei-me a olhar para o chão e constatar que realmente havíamos começado a subir.

Meu coração acelerou de tal modo que temi uma parada cardíaca, era uma sensação indescritível estar voando em algo que não fosse um avião. Geralmente, prefiro dormir ou escutar música durante um vôo, mas quando atingimos uma altura considerável, acho impossível desviar meus olhos da paisagem a nossa frente. Josh ainda não olhou para além do maçarico e as coisas que precisava fazer para nos manter no ar, sua atenção estava completamente focada naquilo e agradeci por isso já que não poderia fazer nada caso começássemos a cair.

- Uau... - deixei escapar, impressionada. Joshua terminou o que fazia e finalmente pode observar o mesmo que eu.

A vista que tínhamos era simplesmente perfeita. Agora, o céu já havia assumido um tom escuro e por estarmos em um local pouco iluminado, estrelas o pontilhavam com toda sua glória, a lua brilhava intensamente e possuía um poder enigmático que jamais poderei entender. Ao longe, podíamos ver as pequenas luzes que iluminavam cada uma das casas e apartamentos, todas pareciam minúsculas o que tornavam-nas ainda mais belas.

Arfei, estava perplexa com a beleza de tudo aquilo. Josh havia tido a melhor ideia do mundo, nunca imaginei que poderia ver uma paisagem tão incrível. Como, em sã consciência, eu conseguiria discutir com ele nesta noite?! Depois de tudo o que estamos vivendo.

- Josh, isso é...

- Eu sei, é perfeito. - murmurou, completando minha sentença e tudo que fiz foi concordar.

- Não posso acreditar que estamos aqui em cima. Nunca imaginei ver algo assim! - soltei - Desde quando está planejando isto?

- Tem algum tempo. Pedi ajuda para Sabina e ela disse que você iria gostar, a ideia de irmos ao 71 Above foi dela. - respondeu, porém sem olhar-me.

- Preciso lembrar de agradecê-la. Foi uma ótima ideia, o restaurante é maravilhoso e a vista então... - suspirei, relembrando os momentos que havíamos tido lá - É de tirar o fôlego!

- Concordo. Meus pais adoram aquele lugar, é meio que o restaurante deles! - sorriu nostálgico, talvez por alguma lembrança - Acho que agora também será o nosso.

- Talvez...

Josh franziu o cenho, então tratei de me explicar.

- Também gosto da lanchonete próxima de casa, é acolhedor e aconchegante.

Ele analisou meu rosto, soltou um riso anasalado e piscou lentamente com um singelo balançar de cabeça.

- É por isso que eu te amo. - ergui as sobrancelhas, questionando sem precisar de palavras e ele continuou - Seu jeito simples, você não se importa com coisas chiques ou caras Cookie. Qualquer outra garota ficaria encantada com o fato de aquele ser um dos melhores e mais caros restaurantes da cidade, mas não você. Você ficou encantada pela vista, pelo momento que tivemos e isso é uma das coisas pelo quão o amor que sinto é tão forte!

- Não sou como a maioria das garotas, Josh. E você sabe disso, sabe o porquê disso.

- Sim, eu sei. - sussurrou temeroso, como se quisesse testar minha reação ao ouvir que ele sabia do que eu estava falando.

- Mas entendo onde quer chegar. E eu realmente não me importo com essas futilidades, tudo que me importa é a companhia de alguém agradável e geralmente os momentos mais simples são os mais marcantes. Então, acho que desde que a gente esteja juntos, tudo se torna mágico!

Sem aviso prévio, uma das mãos dele veio de encontro com meu queixo e forçou-me a encarar seus olhos azuis. Por algum motivo me vi prendendo a respiração, não gostaria de admitir, mas desejei muito que Josh juntasse nossos lábios naquele instante. Entretanto, tudo que fez foi continuar olhando-me da mesma forma que eu o fiz. Abri a boca para dizer-lhe o quanto sinto sua falta, só que ele foi mais rápido.

- Precisamos conversar, colocar cada pingo em cada I que anda nos afastando. - assenti com um mínimo movimento de cabeça, mas tendo certeza que ele viu graças a um suspiro pesado que soltou - Mas faremos isso mais tarde, antes quero aproveitar esse passeio único que estamos tendo.

Mais tarde? Mais tarde quando? Quando nossa relação já estiver prejudicada e desgastada demais para qualquer solução? Por um instante quero gritar com ele, dizer que já não posso lidar com tanta merda, mas quando sinto seus dedos repousarem em minha cintura com apertão carinhoso, tal vontade se esvai completamente.

Deixo meus olhos se perderem na visão que temos para fora do balão. Tudo parece calmo na cidade, mas ainda que seja tarde, sei muito bem que o centro permanece cheio de gente em movimento e com muito mais que apenas a calmaria que deveria existir pelo horário. Sinto meu coração de forma parecida. O pobre deveria estar cheio de pessoas ocupando cada um dos espaços, mas ao mesmo tempo deveria estar vazio e protegido de quem quer que seja.

Pensei por muito tempo, que meu problema era querer me isolar e ficar sozinha sempre. Porém, agora percebo que mesmo estando rodeada de pessoas não consigo resolver o maior problema que tenho... Pelo jeito, serei obrigada a conviver com um imenso vazio, mesmo que lute com cada fibra do meu ser para deixar de ser tão complicada e destruída. Talvez Joshua tenha quebrado muitos murros para chegar a mim, só que apenas eu sei que ele ainda não encontrou a verdadeira Any Gabrielly e quero muito que eles se conheçam logo.

Mas para tal, precisamos dizer mais do que um simples "eu te amo". É estranho pensar dessa forma, já que essas três palavras possuem um significado muito mais forte que muitos acreditam e a cada vez que ouço elas saírem da boca de Joshua, sinto como se fosse salva de qualquer perigo e mal que possam me fazer.

Antes que possa desejar retornar ao chão, estamos perdendo altitude e sei que é graças aos movimentos orgulhosos de Josh. Tenho vontade de reclamar, dizer que ainda não estou pronta para voltar, mas deixo para lá quando percebo que realmente precisamos descer, para enfim colocar um ponto final em nossas discussões.

Quando meus pés tocam o chão novamente, sinto uma onde de eletricidade percorrer toda minha extensão, como que pressentindo o que viria a seguir. O carro de Lando ainda está parado próximo ao local de onde partimos, mas dessa vez Josh não dá tempo para o garoto vir falar conosco, corremos em direção ao Audi e antes de chegarmos realmente no veículo desviamos do caminho, percorrendo uma estradinha de terra que leva a outro campo aberto.

Um pouco mais a frente, posicionado sobre a grama, posso ver uma enorme toalha com algumas almofadas em cima. Tudo estava sendo iluminado pela luz broxulente de quatro velas, uma em cada ponta. Aquilo me surpreendeu, Josh parecia estar disposto a tornar nossa noite cada vez mais perfeita e ao final dela, tenho certeza que não conseguirei escolher meu momento favorito.

De mãos dadas, diminuímos a velocidade dos passos e caminhamos juntos até o meio do lugar. Somente lá, tive uma completa noção do esforço que fazia para não permitir que nenhuma lágrima me escapasse. Mordi o lábio inferior, torcendo para que o garoto não olhasse para o lado e visse o quão emotiva e afetada eu estava com tais atitudes vinda da parte dele. Mesmo que dissesse que queria me levar a um primeiro encontro, jamais cogitei a possibilidade de ser um primeiro encontro tão impecável e pensado detalhadamente para agradar ambos. Josh dedicou tempo e empenho para conseguir aprender a pilotar um balão e sei que fez isso por mim, para mostrar-me uma paisagem imensamente perfeita.

Josh foi o primeiro a se sentar e esperou que eu repetisse seus movimentos, quando o fiz depois de passar alguns segundo observando-o atentamente, uma longa respiração escapou dele e fiz o mesmo evitando tocar em seu corpo.

- Acho que chegou o momento de nos resolvermos. - disse, usando um tom tão baixo que temi não ter escutado direito.

- Não sei por onde devemos começar, mas... Sei que é necessário para nosso bem e para o meu próprio. Josh, não aguento mais tantos segredos, tanta falta de confiança. - murmurei, não hesitando em momento algum.

- Você tem razão, Any, chega de segredos. Quero que saiba de tudo sobre mim, tudo que ainda não te contei, mas... Mas sinto que ainda não estou pronto para dividir isso, não por enquanto. - automaticamente minha testa se franziu e minhas sobrancelhas foram ao alto, indignada por ouvir tais palavras, mas Josh ainda não havia terminado - Isso deve estar te enlouquecendo, sei disso, mas o momento de revelar tudo está próximo e assim que conhecer o restante da minha família, saberá o motivo de eu tentar te afastar de toda essa porra.

Por um instante, pensei que Joshua fosse levantar e deixar-me sozinha com meu silêncio, mas quando voltou a falar esqueci completamente a ideia tola.

- Cookie... - ele se deitou sobre as almofadas, fitando meu rosto sem animação, porém com amor transbordando dos olhos - Se tudo fosse mais simples, faria igual meu pai e te pediria em casamento imediatamente. - me deitei em seu peito, ouvindo a música que as batidas de seu coração produz - Não preciso esperar e nem de mais motivos para ter certeza que você é a mulher da minha vida. Sei disso desde a primeira vez que a vi, quando levei Belinha e você para dar uma volta pela cidade. Aquela foi a primeira vez que senti meu coração pular feito louco e meu cérebro entrar em pane com um simples olhar, mas naquela época você não parecia muito aberta a amizades... - antes de prosseguir, Josh soltou um riso anasalado e um dos cantos de sua boca subiu em um sorriso presunçoso - Mas acho que você não resistiu por muito tempo!

Dei um leve tapa no peito dele, não resistindo e rindo junto.

- Eu sinceramente, pensei em deixá-la em paz e seguir meu caminho solitário, mas nem sequer tentei te deixar. A partir do momento em que pus meus olhos em você, não pude mais me afastar. Um ímã invisível parecia sempre me empurrar para seu lado e um desejo estranho de te proteger me invadiu e não consegui evitar. - uma longa expiração seguiu por parte dele e acabei fazendo o mesmo, esperando ele concluir e chegar onde pretendia - Quando nossos lábios se encontraram pela primeira vez, foi como um choque de almas pra mim e novamente tive certeza de que era você a mulher escolhida para estar sempre ao meu lado.

- Tem certeza? Porquê se me lembro bem, você me pediu para esquecer tudo e fingir que nada tinha acontecido... - relembrei, sentindo um nó na garganta só de voltar a pensar.

- Tenho. E foi exatamente por sentir essas coisas que precisei te afastar, eu ainda não estava pronto para te meter nessa história e correr o risco de prejudicar a mulher que amo. Já te disse Cookie, existem coisas muito fodidas na minha vida e não queria te levar para esse caminho.

Mordi o interior da boca, ainda temendo descobrir o que tanto esse garoto me esconde e hesita em sequer pensar.

- No dia em que descobrir do que se trata, talvez você me ache um filho da puta covarde por temer algo tão pequeno e sem importância, mas... Sou assim e não posso mudar, gostaria muito, mas não posso.

- Josh, jamais vou te achar um covarde e pra mim não importa o motivo de tanta hesitação, se você teme não é por nada. - ele fez um gesto com a cabeça, acenando em concordância.

- Você é a mulher mais incrível que sei que vou conhecer. - soltei um riso fraco, aceitando o elogio com certa vergonha - Cada um dos nossos encontros da madrugada faziam com que meu sono fosse tranquilo em seguida, quando nos encontramos da primeira vez não acreditei quando não tive um sono inquieto e ruim, nossa conversa pareceu fazer mágicas comigo mesmo que tenha sido rápida e vaga.

Josh fez mais uma pausa, ergui os olhos para ver o que estava acontecendo e me deparei com ele observando o céu, repeti sua ação e parei. Por ser um lugar afastado das luzes da cidade, podíamos ver ainda mais estrelas piscando no céu escuro.

Por que eu ainda não tinha pensando em olhar para cima?! Ver tantas estrelas assim parecia impossível, trouxe-me a sensação de estar no espaço sideral rodeada de milhares de astros e escuro, não o vazio pois tinha o corpo de Josh aquecendo o meu e era muito bom tê-lo comigo. Nem havia percebido que estava segurando o ar, mas me dei conta quando precisei liberar uma longa expiração.

- Não posso mais esperar Cookie, meu coração pede por isso a tempos e ainda não entendo como estou aguentando... - retomou, a voz estava mais rouca e mesmo por baixo das roupas, consegui sentir seus músculos tensos - Talvez você ainda não esteja pronta, talvez nem deseje isso, mas preciso te perguntar uma coisa.

Puxei o ar pela boca, nervosa pelo que viria a seguir. Por algum motivo bobo, me agarrei a sensação gelada de ter meu dedo anelar envolto pela aliança de namoro que havia ganho meses atrás, desde que ela foi colocada em meu dedo adquiri essa mania e sei que isso não passa despercebido por Josh. Ele também respira fundo.

- Any Gabrielly, minha Cookie, aceita se casar comigo? - Joshua levou as mãos ao bolso, procurando desajeitado por algo e assim que encontrou, tirou de lá uma caixinha aveludada preta que fez meu coração errar todas as batidas.

O garoto se sentou e pude ver apenas a sombra de suas mãos abrindo a caixinha, queria sentar também só que meus músculos não obedeciam nenhuma das minhas ordens, então fiquei apenas analisando atentamente cada um dos movimentos feito por ele. Quando finalmente a abriu, dei de cara com um anel de noivado perfeito. Pela cor presumi que fosse de ouro branco, haviam dois aros grudados, porém, um deles era liso enquanto o outro era completamente cravejado por pedrinhas brilhantes e uma maior bem no centro.

Uma corrente elétrica percorreu meu corpo. Meu coração parou por um segundo. E meu cérebro simplesmente encerrou seu trabalho. Nem sequer piscar eu conseguia naquele momento, Josh permanecia com um sorriso brilhante no rosto, iluminado apenas pelas luzes tremulantes das velas.

- Aceita ser minha esposa? Aguentar todas as minhas merdas, como já tem feito a algum tempo. Lidar com cada um dos traumas que esse cara quebrado têm? - tornou a perguntar, pude ver com muita dificuldade que seus olhos brilhavam com lágrimas ainda não derramadas.

Caralho, eu tinha acabado de ser pedida em casamento. Quando diabos Joshua havia tido essa ideia?! E principalmente, como se fala? Antes que uma palavra qualquer saísse, respirei fundo e fechei os olhos deixando que uma energia boa me conduzisse, somente uma coisa pode fazer isso e é a música.

Simplesmente, como a coisa mais natural que sei fazer, comecei a cantar Home. Os olhos de Joshua brilharam quando ouviu minha voz, seus dedos tremiam ao redor da caixa aveludada e ele parecia ansioso ao nível máximo. Precisei de toda minha concentração e força de vontade para continuar com a música, mesmo que quisesse encará-lo de perto e poder responder de maneira comum, todo meu corpo clamava por aquela música e não pude evitar.

Antes do primeiro verso sair, meus olhos se fecharam e deixei que a música guiasse meu coração.

I’m a phoenix in the water
A fish that’s learnt to fly
And I’ve always been a daughter
But feathers are meant for the sky
So I’m wishing, wishing further
For the excitement to arrive
It’s just I’d rather be causing the chaos
Than laying at the sharp end of this knife
(Eu sou uma fênix na água
Um peixe que aprendeu a voar
E eu sempre fui uma filha
Mas penas foram feitas para o céu
Então eu estou desejando, desejando além
Pela empolgação de chegar
É só que eu prefiro estar causando o caos
Do que deitar na ponta afiada desta faca)

With every small disaster
I’ll let the waters still
Take me away to some place real
(Com cada pequeno desastre
Eu vou deixar as águas continuarem
A me levar para algum lugar real)

‘Cause they say home is where your heart is set in stone
Is where you go when you’re alone
Is where you go to rest your bones
It’s not just where you lay your head
It’s not just where you make your bed
As long as we’re together, does it matter where we go?
Home, home
(Porque eles dizem que lar é onde seu coração está inalterável
É onde você vai quando está sozinho
É onde você vai para descansar seus ossos
Não é apenas onde você deita sua cabeça
Não é apenas onde você arruma sua cama
Contanto que estejamos juntos, importa pra onde vamos?
Lar, lar)

So when I’m ready to be bolder
And my cuts have healed with time
Comfort will rest on my shoulder
And I’ll bury my future behind
And I’ll always keep you with me
You’ll be always on my mind
But there’s a shining in the shadows
I’ll never know unless I try
(Então quando eu estiver pronta para ser corajosa
E meus cortes curados com o tempo
O conforto irá descansar em meus ombros
E vou enterrar meu futuro para trás
Eu sempre irei lhe guardar comigo
Você sempre estará em minha mente
Mas há um brilho nas sombras
Eu nunca saberei se não tentar)

With every small disaster
I’ll let the waters still
Take me away to some place real
(Com cada pequeno desastre
Eu vou deixar as águas paradas
Me levar para algum lugar real)

‘Cause they say home is where your heart is set in stone
Is where you go when you’re alone
Is where you go to rest your bones
It’s not just where you lay your head
It’s not just where you make your bed
As long as we’re together, does it matter where we go?
Home, home, home, home
(Porque eles dizem que lar é onde seu coração está inalterável
É onde você vai quando está sozinho
É onde você vai para descansar seus ossos
Não é apenas onde você deita sua cabeça
Não é apenas onde você arruma sua cama
Contanto que estejamos juntos, importa pra onde vamos?
Lar, lar, lar, lar)

‘Cause they say home is where your heart is set in stone
Is where you go when you’re alone
Is where you go to rest your bones
It’s not just where you lay your head
It’s not just where you make your bed
As long as we’re together, does it matter where we go?
Home, home, home, home
(Porque eles dizem que lar é onde seu coração está inalterável
É onde você vai quando está sozinho
É onde você vai para descansar seus ossos
Não é apenas onde você deita sua cabeça
Não é apenas onde você arruma sua cama
Contanto que estejamos juntos, importa pra onde vamos?
Lar, lar, lar, lar)

Somente quando a última palavra escorregou facilmente por entre meus lábios, voltei a abrir os olhos e observar a expressão encantada no rosto do loiro a minha frente. Minhas mãos estavam suadas e tive que secá-las na calça, Josh parecia um pouco mais nervoso que antes, se é que isso era possível. Mordi o lábio, forçando meu corpo a obedecer e me sentei sobre as pernas.

A boca dele se abriu de novo, perguntando uma última vez antes de eu responder definitivamente.

- Aceita se casar comigo, Cookie?

- Sim. Sim. Sim. E sim! - joguei meus braços ao redor de seu pescoço, com certeza parecendo uma maluca - É claro que eu aceito casar com você, Joshua Kyle Beauchamp!

Josh deixou que meu corpo caísse em cima do seu, então consegui observar de muito perto o brilho se transformar em lágrimas nos olhos azuis mais lindo que já vi. Mas não ficamos naquela posição por muito tempo já que ele nos girou com um movimento rápido, depositando parcialmente seu peso sobre mim. O garoto se encarregou de deixar vários e vários beijos espalhados por meu rosto, eram beijos rápidos e demonstravam cuidado e principalmente amor, nada mais que isso e foi o suficiente para que me sentisse a garota mais sortuda do mundo.

Sem aviso, pegou minha mão direita e a ergueu para perto do rosto, lá depositou mais um beijo e tirou o anel da caixinha. Um calafrio percorreu completamente toda minha extensão, partindo do lugar onde ele havia acabado de encostar. Josh deslizou lentamente o anel pelo meu dedo anelar, fez isso sob nossos olhares sonhadores e ansiosos. Pensei que minha pressão fosse baixar e eu desmaiaria alí mesmo, mas não aconteceu e quando enfim terminou de colocar, beijou mais uma vez minha mão.

Ambos sorriamos igual bobos, nossos olhares se cruzaram e ele voltou a deitar-se sobre mim. Entrelacei meus braços ao redor do pescoço dele, puxando-o para mais próximo, Josh sorria relaxado como se todos os problemas do mundo houvessem sido solucionados. Pisquei lentamente, aproveitando a visão que tinha, seus olhos brilhavam em um azul mais esverdeado graças a pouca luz oferecida pelas velas.

- Eu te amo, noiva! - murmurou com a boca colada na minha, fazendo-me suspirar.

- Eu te amo, noivo! - respondi, deixando que sua língua me invadisse.

Era Josh quem conduzia o beijo, enquanto eu apenas me preocupava em percorrer minhas mãos por seus cabelos bagunçados. Nossa sincronia era perfeita e nossas línguas se moviam em uma dança erótica é muito excitante, porém, antes que aquilo se tranformassem em algo mais, meu noivo afastou-se ofegante. Não precisavamos ir além naquele momento, um toque mais carnal que aquele poderia facilmente estragar a mágica de estarmos ali, naquele lugar de tirar o fôlego.

Com um último sorriso, Joshua puxou-me para deitar novamente em seu peito enquanto assistíamos as estrelas piscarem e a lua brilhar o mais intenso possível, como jamais havia visto. Ela parecia brilhar para nós dois, iluminando nosso momento com sua magnitude.

Não dissemos nada, palavras poderiam estragar o momento. Então, tudo que fiz foi esticar minha mão direita e admirar meu mais novo acessório favorito, assim como o anel de namoro, esse também possuía desenhos personalizando o aro de ouro branco, novamente uma lua e um sol rodeados de estrelas enfeitavam o anel. Foram muitos minutos em silêncio enquanto ambos permanecemos observando o objeto perfeito.

- E o que devo fazer com esse? - ergui a outra mão, mostrando-lhe o anel de namoro que havia ganho dele meses atrás.

- Não sei... Talvez deva deixá-lo guardado, agora não somos mais só namorados. Você é minha noiva e precisa usar um anel de noivado. - respondeu orgulhoso.

- Eu gosto tanto desse, mas acho que tem razão. - girei ele mais uma vez, mas dessa vez fazendo o movimento para retirá-lo.

Ergui o rosto para encarar Josh, ele sorria grandemente e seus músculos haviam voltado ao estado normal, sem tensão.

- Obrigado por esta noite perfeita, amor! - falei, mas antes que ele me interrompesse, acrescentei - Só preciso te pedir uma coisa.

- Peça, noiva!

- Vem comigo pro casamento da minha tia? - ele paralisou, fitando-me surpreso e até com um certo choque no olhar - Volta comigo pro Brasil?

Josh ficou em silêncio por algum tempo, e temi que tivesse desistido da ideia de me acompanhar, mas quando finalmente disse acabou com toda minha angústia.

- Precisamos comprar as passagens. - aquilo foi o suficiente para entender que ele não havia desistido, que me acompanharia em um momento complicado e de superação.

- Obrigado! - agradeci, beijando o peito dele coberto pela camisa.

- Não foi nada, Cookie. - ele beijou o topo de minha cabeça, adicionando em seguida - Mas pensei que você não fosse, achei que não estivesse pronta para voltar...

- E não estava. Só que depois disso tudo, percebi que você estará sempre ao meu lado, cuidando e se preocupando comigo. Acho que essa é a melhor forma de passarmos por qualquer crise de confiança no nosso relacionamento.

Ele assentiu, beijando-me mais uma vez e depois voltando a fitar as estrelas.

- Nós precisamos voltar... - sussurrou hesitante e acabei suspirando em seguida, não queria ter que voltar pro mundo real e estourar nossa bolha perfeita - Amanhã temos aula e quero contar para todos que a gente vai se casar!

- Quem mais já sabe? - questionei, levantando e apoiando o peso sobre os cotovelos.

- Só nossos pais. Não contei para Jaden e Belinha ainda e Jonah também não sabe. Sabina foi quem me ajudou com a ideia de virmos pra cá, mas ela acha que ficamos apenas conversando e olhando as estrelas. Não faz ideia que te pedi em casamento, nem mesmo Noah sabe disso. - ele riu, provavelmente imaginando o escândalo que o melhor amigo fará ao receber a notícia - Quero que a gente conte juntos amanhã, então trate de esconder esse lindo dedinho e não mostrar para ninguém seu novo anel!

- Tudo bem, amanhã vou usar o antigo e quando formos contar, volto a colocar o que ganhei hoje. - avisei.

Assim que comecei a me levantar, Josh fez o mesmo e soltei um resmungo ajudando-o a recolher as coisas espalhadas pelo chão.

- Precisamos mesmo ir? - questionei fazendo careta, enquanto o garoto colocava as mãos em minha cintura e aproximava nossos corpos.

- Cookie, se pudesse ficaria aqui com você a vida toda. - passei os braços pelo pescoço dele, acariciando sua nuca e deixando nossos lábios a menos de dois centímetros de distância - Mas preciso deixá-la em casa antes que sua mãe me mate.

Bufei frustrada, colando minha testa na dele e sentindo sua respiração misturar-se a minha. Mesmo que estivesse com os olhos fechados conseguia sentir perfeitamente que me observava, um sorriso satisfeito e amplo estampado no rosto fizeram com que meus dedos apertassem seus cabelos.

Fiquei na ponta dos pés para enfim colar nossas bocas, selando meus lábios aos dele com paixão e volúpia. Joshua não se esforçou em nada, apenas deixou que eu guiasse o movimento da maneira que mais me agradasse e fiz isso de um jeito lento. Nossas línguas dançavam calmamente, acariciando uma a outra e o ar tornou-se uma coisa insignificante, nenhum de nós se importava com ele ou a falta dele. Quando não aguentamos mais segurar, afastei-nos deixando mordidinhas em seu lábio inferior.

- Vamos. - entrelaçando nossos dedos, Josh começou a caminhada para onde havia estacionado o carro.

Não queria ter que ir embora, nossa noite havia sido mais do que perfeita e por mim jamais terminaria. Aquele seria um momento da minha vida que nunca esqueceria, eu tinha respondido a pergunta mais importante que já haviam me feito e a partir daquele dia tudo poderia mudar.

- Sabe, acabei de perceber que realmente preciso saber uma coisa... - comecei, chamando a atenção de meu noivo.

- O quê deseja saber, Cookie?

- Quando vamos nos casar?! - aquela era a única pergunta que não me deixaria dormir se não fizesse logo.

- Não sei... Por mim nos casariamos amanhã mesmo, mas o que você decidir está bom pra mim.

- Estava pensando e acho que devemos esperar o fim do ano letivo e aproveitar as férias. Podemos nos casar antes de iniciarmos a faculdade e assim, não vamos ter que nos preocupar com mudanças de documentos por causa da matrícula... - respondi, caminhando mais a frente dele, porém sem soltar as mãos.

- Esta é uma ótima ideia. - falou, sorrindo igual bobo na minha direção - Mas será que vai dar tempo de preparar tudo?

- Assim que ficarem sabendo, tenho certeza que as meninas vão querer ajudar. Sua mãe e a minha nem se fala! - dei risada, já imaginando a quantidade de perguntas que me aguardavam - Ainda não estou acreditando que acordei sendo sua namorada e vou dormir sendo sua noiva! Caralho Josh, isso é demais!

Ele riu, puxando-me pelo braço e agarrando minha cintura. Josh colou nossos lábios em um beijo casto, sorrindo no processo.

Em seguida, andamos para onde estava estacionado o carro e ajudei meu noivo a guardar todas as coisas no porta-malas e depois adentramos o veículo. Permanecemos com os dedos entrelaçados o percurso inteiro até em casa, somente voltando a proferir palavras quando paramos em frente à garagem da casa do loiro.

- Obrigado pela noite perfeita, amor! - murmurei, deitando a cabeça de lado no encosto e encarando seu rosto com a pouca luz dentro do carro.

- Eu que agradeço, Cookie! - antes que dissesse mais alguma coisa, Josh riu e completou - Nem sei mais por qual apelido te chamar, são tantos... Cookie, amor, noiva, Any...

- Amor, Any é meu nome.

- Sei disso, mas todo mundo te chama assim como apelido.

- Meus preferidos são: Cookie, noiva e amor. Então qualquer um serve! - ele sorriu, inclinando o corpo em minha direção e beijando-me.

Quando nos afastamos, permanecemos por algum tempo fitando o rosto um do outro. Involuntariamente, um bocejo me escapou, Josh tocou minha bochecha e a acariciou com o polegar, fechei os olhos apreciando o leve roçar na minha pele.

- Acho que deveria ir dormir, não quero minha noiva esgotada amanhã quando contarmos para todos.

Outro bocejo me escapou.

- É... Acho que realmente preciso dormir. - ele juntou mais uma vez minha boca na sua, despedindo-se carinhosamente.

- Quer que acompanhe você até a porta?

Apenas neguei, devolvendo-lhe as carícias no rosto.

- Não tem necessidade. Minha mãe deve estar dormindo na sala, provavelmente ficou me esperando, sua presença só fará com que acorde e aí só vou dormir daqui uma semana.

- É você tem razão, mas vou esperar que tenha entrado para entrar também. - assenti, abrindo a porta do carro e dando um rápido tchau para meu noivo, gostaria de me despedir melhor só que o cansaço já batia à porta.

- Boa noite, amor! - disse, lançando-lhe um olhar por sobre os ombros.

- Boa noite, Cookie! - ouvi sua resposta.

Quando enfim destranquei a porta e entrei em casa, constatei o que já sabia, mamãe estava deitada no sofá com a televisão ligada e um balde de pipoca sobre a mesa de centro. Atravessei cautelosamente a sala, correndo escada a cima e trancando-me em meu quarto.

Pipoquinha dormia em minha cama, desejei muito poder simplesmente me jogar ao seu lado, mas ainda precisava de um banho para relaxar e dormir mais facilmente, porque sei que aquela seria uma tarefa complicada depois de tantas novidades e agitação. Tomei o banho mais rápido que consegui e corri em direção a cama, assim que me deitei Pipoca acordou sonolento e aconchegou-se melhor ao meu corpo. Por incrível que pareça, adormeci em poucos minutos.

Porque eles dizem que lar é onde seu coração está inalterável
É onde você vai quando está sozinho
É onde você vai para descansar seus ossos
Não é apenas onde você deita sua cabeça
Não é apenas onde você arruma sua cama
Contanto que estejamos juntos, importa pra onde vamos?
Lar, lar


Notas Finais


Está entregue o capítulo de vocês, espero que gostem e tenham aproveitado o quão perfeitinho ele ficou. Foi graças a este que o capítulo 36 demorou tanto para sair, mas falem aí, valeu a pena ou não?
Só para deixar claro, estou muito orgulhosa do tamanho que ficou este capítulo e a forma como fluiu minha escrita, confesso que esse foi meu favorito.

Como hoje foi apresentado um personagem novo e me inspirei em uma pessoa real para criar ele, deixo aqui o verdadeiro Lando Norris.
https://pin.it/3lZ3lVG

E esse é ele usando o macacão de piloto, porque sim, o Lando da vida real é piloto de F1.
https://pin.it/2oWzvXc

Porque eu quero, também estou colocando uma fotinha de como seria mais ou menos o anel de noivado que o Josh deu pra Any.
https://pin.it/6FR0FXp

Espero que vocês tenham gostado! 🤗🤗
Até a próxima! 👋🏻👋🏻
Beijos! 💋💋


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