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História Sufocado - Capítulo 5


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Notas do Autor


Eu exagerei na descrição de várias partes desse capítulo, eu sei.
(Vocês vão entender...)

Capítulo 5 - Eu sou seu amigo


Fanfic / Fanfiction Sufocado - Capítulo 5 - Eu sou seu amigo

Não tente fugir dos seus problemas se perceberes que a merda já está feita.

 

O paspalho do Kirishima está mimando tanto Katsuki, que o loiro jurava que morreria por diabetes com todo aquele carinho, atenção e até alguns mimos que recebia.

Sabia que a coisa que mais queria naquele momento era realmente tudo aquilo que seu melhor amigo estava lhe dando, só que por ser mal-educado, egocêntrico, fechado, sempre a tentar guardar todos os sentimentos em um baú trancado a sete chaves com dois rinocerontes, três elefantes, cinco leões, um tubarão, um batalhão de exército, uma frota da marinha, ninjas carregados de katanas, super cavaleiros e espadachins, caras bombadões e uma cópia de sua mãe com o nível de raiva no 100%, ele não está aceitando tudo aquilo e fazendo o que faz de melhor.

Está o xingando.

Por isso, ninguém e nenhum de seus amigos estranhou quando os dois chegaram juntos na escola caminhando lado a lado até a sala de aula. Minutos depois que eles haviam chegado, o professor Aizawa entrou na sala e logo começou a aula.

Nah...

Aquilo está uma chatice.

Ele só quer ter sua bendita aula de Química ou de Educação Física para ao menos fazer algo de útil que não seja observar Kirishima com a cara amassada na mesa e Denki com a cabeça apoiada na do ruivo. Ambos dormindo.

Bando de preguiçosos.

Decidiu passar o resto do tempo de aula que lhe restava rabiscando qualquer coisa que lhe viesse a cabeça. Minutos e mais minutos se passaram e ele continuava mexendo o lápis lentamente, não prestando atenção na aula de literatura e em tudo que está a ocorrer em seu redor. Isso lhe ocupou a mente, por um tempo pensou até que estava no silêncio de seu quarto em sua casa. 

Mas essa calma acabou logo depois... Pois ele desenhou uma flor.

Flor filha da puta.

Rasgou a folha do caderno e causou uma pequena explosão com o pouco de suor que havia acumulado em sua mão esquerda.

– Alguma coisa contra minha explicação, Bakugou? – a sala voltou sua atenção para o loiro, inclusive Kirishima que o olhava preocupado.

Fodeu.

Agora sim ele odeia flores.

– Não. Nada de errado professor Aizawa. – respondeu ao professor resmungando. – Continue sua aula.

– Ótimo. – ele se virou para o quadro, junto de toda a turma, voltando a escrever o conteúdo. – Então como eu estava falando, Ivan Pavlov tinha em mente trein...

Blá, blá, blá.

Por agora Pavlov pode ficar muito bem observando seus amados cachorrinhos no céu e Bakugou pode ficar muito bem rabiscando outra coisa que não seja uma flor ou algo relacionado a elas em seu caderno.

Está tudo bem, tudo ótimo, apenas brócolis e coelhinhos rabiscados em mais uma outra folha...

O Universo só pode estar a testar sua pouca paciência.

– Vão se foder, seus filhos da puta malditos.

Quem ele está xingando? Ninguém sabe. Mas isso não é tão importante por agora, além do mais por mais que não haja nenhum sujeito na qual as ofensas se referem acontece sempre alguma coisa depois. E aconteceu.

Um papelzinho dobrado caiu em sua mesa por cima de seus rabiscos. Era só o que lhe faltava. Olhou para Kirishima, esperando que ele sorrisse — com aqueles dentões de tubarão que só ele possui — e fizesse um aceno de cabeça para confirmar que havia sido ele quem havia enviado, porém que ele não fez nada. Ninguém lhe olhou de canto de olho, fez algum gesto com a mão ou lhe mandou uma piscadela para confirmar ser o responsável por aquela cartinha, suspirou derrotado, terá que tentar descobrir pelo formato da letra.

Ok.

Me desculpe tia Inko, mas o seu filho é um fodido brócolis escroto filho da puta desgraçado.

É óbvio que Katsuki reconheceria aquela letra redondinha e bonitinha de Izuku Midoriya, não importa o lugar e o momento em que ela irá aparecer.

Após um curto período de tempo na qual passou encarando aquela folha de papel aberta com as marcas das dobras um pouco visíveis, concluiu que o melhor a se fazer é ler do que ignorar rasgar a folha e a explodir com toda a sua raiva e tristeza (e suor) acumulada.

 

"Kacchan, aconteceu alguma coisa com você? Sei que não é da minha conta-"

 

Se não é da sua conta porquê você tá perguntando, seu merda?!

Ok, controle-se Katsuki é só um bilhete, só um fodido bilhete, do peste do Deku e volte a ler com calma, apenas o exploda depois que você terminar de o ler.

Caham. Voltando à mensagem:

 

"[...] Sei que não é da minha conta o que acontece em sua vida e que é sua decisão se irás me contar algo sobre ou não, porém fiquei preocupado com você pois estás a não prestar atenção nas explicações e também a explodir coisas no meio da aula.
Caso queiras estarei esperando naquele pequeno pátio perto do campo aberto nas arquibancadas, mesmo que seja um pouco longe do prédio principal.

-Deku."

 

Deku, eu sei que você não consegue ouvir ou ler (que seja) os meus pensamentos, mas mesmo assim eu quero presentear você com o meu mais sincero foda-se. Obrigado pelo seu tempo, inútil. 

Como Katsuki quer socar a cara daquele serzinho sentado atrás de si.

Uma pena que ele não pode. Agora.

– Espero que tenham aprendido alguma coisa nestas três aulas que eu passei acordado. – Aizawa disse assim que o sinal tocou enquanto entrava em seu saco de dormir amarelo, parecendo uma lagarta. – Liberados.

Todos se levantaram animados de seus acentos, pegando suas mochilas e afins, juntando-se com seus grupinhos e saindo em direção ao refeitório. Kirishima logo depois se aproximou de Bakugou  preocupado com o acontecimento de antes.

– Cara, o quê que aconteceu contigo antes? Tu sabe que isso te machuca mais ainda. – ele perguntou preocupado o olhando da cabeça aos pés e também observou a mesa do amigo. – Que papel é esse?

– Ah, essa merda. – pegou o papelzinho dobrado e entregou ao ruivo. – Eu estou bem, apenas foi algo momentâneo, nada com o quê se preocupar. Lê aí.

Enquanto os dois caminhavam até a cafeteria, Eijirou lendo o bilhete enquanto Katsuki o puxava pelo braço vez ou outra para não esbarrar nos outros estudantes ao longo do caminho. Se sentaram em uma das mesas do grande local cheio de estudantes enquanto esperavam a fila diminuir e pegarem seu almoço.

A quarta vez em que Eijirou leu o bilhete foi quando Katsuki perdeu a paciência com todo o silêncio que o amigo estava fazendo - não é de seu costume ver o ruivo tão silencioso. 

– Fala alguma coisa logo nem que seja um oi. – bateu algumas vezes no ombro dele chamando sua atenção.

– Caralho. – o ruivo se virou para o amigo, acordado de seus pensamentos e voltando a realidade.

– Valeu. – se inclinou um pouco para ver a situação da fila do refeitório.

– Não, tipo. Espera que eu estou pensando. – largou o bilhete na mesa e pôs as duas mãos na cabeça.

– Minha nossa, você pensa! – brincou enquanto a cabeça do rapaz ao seu lado parecia se expandir, ou talvez esteja prestes a explodir.

– Para com isso, é sério. – sua mão esquerda se mexeu de um lado para o outro como se estivesse calculando algo. Alguns minutos se passaram enquanto a mão de Eijirou estava parada apontando para a cara de Katsuki e seus olhos estavam se movendo de um lado para o outro como se estivesse procurando por alguém naquele lugar, até que finalmente ele decidiu dizer algo se cansando de calcular coisas que não precisavam de cálculos. – Então o Midoriya te chamou para ir lá trás?

– Me diz que você passou exatos oito minutos e trinta e quatro segundos parado encarando o nada com a mão apontada para a minha cara só para me perguntar o óbvio? – Katsuki fez menção de se levantar e estendeu o braço para explodir a cara do melhor amigo ou para talvez cortar a garganta dele com os espinhos de seus antebraços.

– É... Talvez sim? – ele coçou a nuca admitindo o feito e não demonstrando estar sequer intimidado com a ameaça de morte que é seu melhor amigo - vulgo o melhor brô mais másculo do mundo - naquela posição de ataque – Mas e então, o que você vai fazer?

– Eu vou lá.

– O quê? Por quê?

– Eu vou ir lá, ele vai ficar todo animadinho, vou perguntar para ele o quê ele quer comigo (mesmo que já esteja escrito no bilhete), ele vai me perguntar alguma coisa idiota e eu vou responder que não ou que não é nada. – fez uma pausa, Kirishima o olhava parecendo estar analisando cada palavra que Katsuki proferia. – Daí ele vai contar que está namorando com o Pau no cu e de talvez nós treinarmos juntos no próximo final de tarde de Quinta-feira, eu vou xingar ele de alguma coisa que ainda estou planejando para até depois da nona geração dele e ir embora de lá.

– Ah. – foi a única coisa que respondeu enquanto esperavam na fila. – Como você sabe o que el-

– Eu posso ter passado mais de metade da minha vida o bulinando, mas continuei do lado dele indiretamente o protegendo de outros garotos idiotas que me e o incomodavam. Passei minha infância ao lado dele, tenho várias fotografias com ele em molduras no meu quarto e alguns desenhos guardados que fazíamos aos quatro anos de idade. Sei dos costumes deles e onde cada sarda e cada cicatriz estão no corpo dele e eu consigo entender a maioria de seus murmúrios.

– Você t-

– E não. Eu não sou um stalker. – cruzou os braços. – A culpa não é minha se a minha mãe é toda sentimental com esse tipo de coisa e guarda coisas de anos atrás em várias caixas num quartinho lá de casa.

– Nossa. – disse surpreso com a justificativa, terminando de comer seu almoço.

– Vamos. – o puxou pelo braço.

– Quê? Para onde? – perguntava confuso.

– Nos encontrar com o Deku. – teve mais vontade de bater na cara confusa do amigo. – O que foi?, você pensou que eu iria te deixar no refeitório com aquela tua cara de peixe morto, hein. Você vai ficar atrás das moitinhas igual aqueles filmes americanos que a Mina assiste de tarde.

– Cara você tá maluco!? – ele se soltou do aperto do loiro o seguindo surpreso. – Isso é doideira.

– Não é doideira se fui eu quem propus.

Se ele está sendo ignorante com o próprio melhor amigo? Ah se está. Porém quem disse que ele se importa com isso no momento.

 

...

 

Eijirou já está escondido entre alguns dos arbustos que tinham naquela área, ele precisou contornar o caminho para não ser visto já que de acordo com Katsuki, Midoriya não ficará tão confortável ao ver que mais alguém havia vindo e não irá direto ao ponto, fazendo o plano infalível de Katsuki não dará certo. Já o loiro está de pé esperando o nerd assassino  que tanto lhe atormenta chegar.

– Kacchan. – Izuku o chamou acenando, o esverdeado estava muito surpreso que seu amigo de infância tenha realmente vindo até lá. – Então você realmente veio! 

– Ah é sério que eu estou aqui? – trocou o peso corporal para o outro pé. – Não tinha reparado.

Os dois ficaram por um tempo se encarando. A tensão entre os dois estava sufocante, deixando-os se sentirem desconfortáveis e ansiosos naquele ambiente. Eijirou estava pegando seu celular para ligar para Katsuki, era o plano dos dois para caso algo de errado acontecesse, discando o número do amigo, mas instantes antes de clicar para iniciar a chamada o esverdeado tomou a iniciativa:

– Você está bem? – se aproximou do loiro.

– Sim. – mentiu.

– Não parece. – Katsuki ficou o observando, analisando as expressões corporais do menor.

– E quem você pensa que é para falar isso?

Forçou uma expressão irritada. Estava saindo um pouco do de seu plano, mas não é como se o universo o odiasse. Não mesmo...

– Seu amigo.

Vai tomar bem no meio do teu cu, vai!

Deku da puta que pariu.

Sem pensar avançou em direção de Midoriya, o agarrando pela gola da blusa da escola, fazendo o menor ficar na ponta dos pés segurando com as duas mãos a canhota do loiro.

Parabéns Katsuki, seu idiota! Lá se vai o plano por água à baixo.

Os dois ficaram se encarando como anteriormente, porém agora não há aquele desconforto. Mirava nos olhos esmeraldinos em sua frente, o corpo do menor tremendo com medo do maior se sentindo impotente diante do amigo de infância, as mãos segurando a sua ambas trêmulas. Katsuki se sentiu a pior pessoa do mundo ao ver as lágrimas deslizando pela face delicada do menor. 

– Repita. – ordenou para o menor aos sussurros.

– Eu sou seu amigo. – obedeceu e repetiu, também aos sussurros.

Lentamente ele soltou Izuku, baixou a cabeça tentando segurar a enorme vontade que tinha de chorar aos montes. Respirou fundo tantas vezes que já havia perdido a conta apenas para conseguir se acalmar e para piorar mais ainda, Deku continuava parado em sua frente o encarando com uma feição extremamente preocupada.

– Kacchan...? – o chamou, arriscando por a mão no ombro do loiro.

Midoriya não obteve uma resposta imediata, aumentando ainda mais a preocupação que estava sentido com o amigo.

– O que é agora? – levantou a cabeça o encarando.

– ... Você, - hesitou em perguntar, temendo que pudesse magoar ou irritar o loiro. – tens algo que queiras me contar?

– E por que eu teria algo para contar para você? – Katsuki controlou a vontade de socar sua própria cara.

– Por nada. – Midoriya decidiu que suas mãos cheias de cicatrizes eram a coisa mais interessante naquele momento.

– Quer alguma coisa de mim?

Ok, talvez, só talvez mesmo, Katsuki estava alimentando um pouquinho de esperança com aquela frase. Porém como ele não é tão trouxa assim, prensou seu braço esquerda contra o corpo, fazendo os espinhos o machucarem e ele acordar para a realidade.

Antes de ir embora ele se virou e olhou para os arbustos em direção do local na qual Kirishima deveria estar — e por sorte ele está lá e não perdido — mexeu um pouco a cabeça para que o ruivo também já começasse a andar em direção à saída, e por uma sorte incrível ele entendeu — Katsuki pensou que precisaria desenhar ou gritar para ele entender o sinal.

– Qual a sua flor favorita? – perguntou ao menor, que o olhou completamente surpreso e confuso com aquela pergunta dirigida à si. – Eu fiz uma pergunta.

– Desculpe, mas o quê você me perguntou? – ok, esse brócolis estragado tá querendo ferrar com ele.

– É surdo agora? Eu não vou repetir. – fez uma expressão neutra e encarou o esverdeado nos olhos.

– Crisântemo... – aquela pausa foi agoniante para ambos. – Crisântemos amarelos são os meus favoritos. 

Se virou de costas para o esverdeado, em direção ao prédio principal, começou a andar deixando Izuku parado encarando suas costas assistindo-o ir, mas parou assim que se lembrou do acontecimento na qual confirmou sua morte não agendada olhando para o menor por cima do ombro. 

– Parabéns pelo namoro. – e voltou a andar, ignorando todas as vezes na qual o menor o chamou.

Quando viu um beco por entre os espaços dos prédios daquele local, quase que saiu correndo para lá dentro, ignorando os chamados de Kirishima. Se escorou na parede, sentando — o mais longe possível que conseguiu da entrada do local para não ser visto — e abraçando suas pernas. Deixou que as lágrimas caíssem, não saberia se conseguirá aguentar mais toda aquela merda guardada dentro de si. Levantou a cabeça, esperando ver o melhor amigo em sua frente, porém nunca esperou que encontraria aquela pessoa ali.

Usou a manga do terno do uniforme da escola para secar o rosto rapidamente, se afastando da pessoa no improviso arrastando-se no chão (ele não havia se levantado, mas também não se importou com isso) e parando ao sentir as costas batendo na parede. Ao ouvir o que foi proferido ele e Eijirou, na qual havia chegado instantes depois arregalaram os olhos.

– Eu posso te ajudar.

 

Como a humanidade pode ser tão filha da puta?!


Notas Finais


Crisântemo amarelo: Estando ligada ao Sol, na China a flor muitas vezes está ligada à nobreza. O crisântemo tem vários significados diferentes. Na Ásia, por exemplo, esta flor significa felicidade e é sinônimo de uma vida cheia e completa. No caso concreto do crisântemo branco, existe a crença que ele simboliza verdade e sinceridade, um crisântemo vermelho simboliza o amor, quando dado para alguém especial, e um crisântemo amarelo, amor não correspondido. De acordo com o taoismo, o crisântemo é um símbolo de simplicidade e perfeição. Como é uma flor típica do Outono, também significa tranquilidade e é visto como um mediador entre o céu e a terra, a vida e a morte.


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