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História Sufocado - Capítulo 6


Escrita por: bakahkun

Capítulo 6 - Ziguezague pelas costelas


Fanfic / Fanfiction Sufocado - Capítulo 6 - Ziguezague pelas costelas

Há momentos que nos dão vontade de explodir tudo e fugir dos nossos problemas.

 

Katsuki está confuso, mas que porra estava acontecendo ali?!

Ele estava ali, de boas, chorando e sofrendo no cantinho dele, até que do nada ela chega para atrapalhar seu momento de tristeza e desilusões amorosas. Queria mesmo era que todos se fodam.

– O que você quer? – perguntou enxugando as lágrimas com a manga do terno escolar, apertando um pouco os espinhos em seu antebraço. 

– Eu quero te ajudar, por favor. – ela se aproximou e agachou-se em frente ao loiro.

– Jiro?

Kirishima tentou se aproximar dos dois porém Katsuki o olhou, pedindo silenciosamente que não se aproximasse. O ruivo entendeu o recado e saiu daquele canto se sentando fora da vista deles e ficando como vigia para que ninguém os encontre ali.

– Há quanto tempo você está sofrendo com isso? - ela perguntou encostando em seu ombro.

– Por que você está me ajudando? – foi direto, ignorando a pergunta anterior. Mesmo que seja Jiro, ainda teme todas as possibilidades possíveis que podem acontecer futuramente consigo.

– Apenas quero o seu bem. – ela respondeu firme. – Quero que tudo dê certo para você, porque você merece. Eu escutei a conversa e sei sobre Hanahaki. Mesmo que eu não possa te curar assim do nada, vou fazer o possível para te salvar.

– Se você escutou toda a conversa, então sabe que não há como me salvar. – retrucou, se sentindo mal pela situação. Mesmo que odiasse ser ajudado, o brilho do olhar determinado da garota eram impressionantes ao seu ver.

– Isso não me importa. O que eu quero é te ajudar. Aceite por favor! – ela se ajoelhou em minha frente ficando cara a cara com o loiro. – Juro não contar à ninguém. Não quero te prejudicar em nada.

Ficou um tempo a encarando. Jirou ajoelhada e de cabeça baixa em sua frente. Aquilo não parecia ser real, além do mais, porquê? De certa forma, aquilo parecia uma brincadeira de mal gosto, muito mal gosto mesmo, porém sabe que ela não é de fazer este tipo de coisa. Não, isso é totalmente real. Alguém está se oferecendo para o ajudar.

– Eu… – ela levantou sua cabeça, voltando seu olhar para ele. – Eu aceito sua ajuda… Eu… O-obrigado. – ela sorriu singela para si.

– Gente. – voltaram seu olhar para Kirishima. – O sinal tocou, temos que ir. – informou e ambos se levantaram indo em sua direção.

Os três caminharam lado a lado até a sala de aula, causando certos olhares confusos sobre eles, deixando Jiro — por ser um pouco tímida — e até mesmo Katsuki que apertava a barra da caça em ansiedade e nervosismo.

Irá se encontrar o Deku de novo na sala. Ele estará sentado atrás de si, anotando o conteúdo em seu caderno, fazendo anotações e vez e outra murmurando algo incompreensível. Sim, nada diferente do usual.

“Bakugou Katsuki, vá ao portão de entrada.” A voz alta nos alto-falantes ecoou em volume alto por seus ouvidos, os incomodando. Pegou sua mochila voltando seu olhar para Kirishima e Jiro que o encaravam, — mesmo que fosse ridículo — tentando transmitir à eles com o olhar algo como: conversamos depois; logo saindo da sala ao ouvir professor Aizawa o mandar embora dali.

Com todos os acontecimentos que ocorreram apenas nesta manhã havia se esquecido até mesmo da consulta médica que terá dentro de meia hora. Seguiu pelos corredores e escadas até a entrada do internato, vendo sua mãe encostada no carro com o veículo parado em frente ao portão.

– Pronto?

 

.

 

– Seu estado é gravíssimo.

Foi o que a médica que lhe atendeu no dia anterior o disse logo após o exame de raio-x — teve esperanças de que a radiação pudesse matar um pouco das flores. O quadro com a tela preta revelando a região de sua caixa torácica em branco refletida pela luz forte, os caules das plantas ziguezagueando por seus ossos, se prendendo neles e as flores espalhadas por todos os cantos. A foto foi substituída por uma na região de seu estômago, conseguiu ver um caule se alastrando até perto de seu intestino com um botão ali quase a desabrochar.

– Posso não ser profissional nesta doença, porém julgando pelo meu ponto de vista profissional, te digo que se atingir seus órgãos digestivos será o seu fim. – a médica lhe informou enquanto tirava a tampa da caneta rabiscando algo em suas folhas e documentos. – Acho incrível como ainda estás de pé, principalmente por ainda estar vivo. E mesmo que você esteja neste estado e tudo isso talvez vá acarretar em sua morte, quero lhe parabenizar por estar sendo tão forte e resistente neste momento tão difícil. – anuiu com a cabeça para ela em agradecimento, voltando sua atenção para o quadro.

    Agora a foto do raio X de seus dois braços estão ocupando sua visão. Aparentavam estar iguais, os caules e espinhos para lá e para cá se espalhando.

– Eu acabei por perceber algo neste raio X. – ela se aproximou do quadro, apontando para os locais com sua caneta esferográfica. – Se todas essas plantas continuarem crescendo no ritmo em que estão, logo alcançarão as glândulas sudoríparas de suas mãos e afetarão no uso de sua individualidade e te machucarão ainda mais. Neste curto período de tempo, você infelizmente precisará usar menos sua individualidade ou então poderás perder os movimentos deles se atingirem seus nervos.

Piscou estático, o suor escorrendo para as palmas de suas mãos. Esta situação lhe deixando encurralado, sem saída, sem reação, não quer que isso aconteça - bem, ninguém quer que isso aconteça consigo, mas de qualquer forma. Porra! Já está sendo machucado, sofrendo, morrendo, e agora ainda vem essa porra imobilizar seus braços?! 

Qual é o próximo? Amputar o pau?

Riu fraquinho soltando o ar por suas narinas com o pensamento. Ai maravilha, está se divertindo com seus próprios pensamentos sobre a própria morte.

– Sei que você quer manter esta doença em sigilo, já que até agora apenas eu e seus pais sabemos, porém terei que lhe dar um atestado médico para que fica com atividades menos intensas nos treinos físicos. – voltou seu olhar para ela. – Sinto Bakugou, mas é preciso.

– Há como você dar o atestado sem afirmar que eu tenho Hanahaki? você pode colocar que eu possuo alguma doença genética que me enfraquece cada dia mais. – planejou tudo aquilo no momento, ter mais pessoas sabendo sobre sua doença piorará mais ainda a situação, não pode arriscar-se. – Sei que você estará mentindo e isso é ilegal. Mas por favor, só te peço isso. Por favor.

Mitsuki o encarava um tanto quanto perplexa. Seu filho está sofrendo tanto, desesperado a este ponto? E o pior: Não poder fazer nada. Isso é horrível, se sente péssima com isso. Sente-se péssima com tudo na verdade.

O mais novo se mexeu na cadeira desconfortável. Quer sair dali, quer muito sair dali, se pudesse sairia correndo agora mesmo, sairia dali e nunca mais voltava.

Escutou a médica suspirar e se preocupou. Não sabe se isso é bom, se isso é ruim, ou se ela está apenas cansada dessa porra de hospital.

- Irei tentar o possível.

Soube que agora pode finalmente confiar nessa mulher.

Ela irá o ajudar.

 

.

 

- Aqui dói? - negou para ela. A menor moveu seus dedos finos um pouco mais para a esquerda, perguntando novamente: - E aqui? - negou novamente e ouviu-a suspirar. - Que bom.

- Para quê isso? - perguntou logo. Jiro entrou em seu quarto já pedindo para checar seus antebraços, sem se importar em como o amigo estava (nesse caso, sem camisa e com o cinto desafivelado).

- Só descobrindo a gravidade do problema. - justificou ao loiro, simplista.

Ambos voltaram sua atenção para a porta assim que o barulho de batidinhas graças se fizerem presentes.

- Deixa que eu vou, vista algo aí, deve ser o Kirishima. - a morena se levantou ignorando os protestos do amigo, atendendo a porta. - Katsuki? É melhor você vir aqui…

O loiro foi até a porta enquanto vestia uma camiseta escura de manga comprida, se deparando com quem menos e também mais queria ver.

Deku, o maldito arbusto ambulante.

- O que você está fazendo aqui? - fez sua melhor carranca ao o ver ali, as coisas estavam boas demais para ser verdade.

- Você saiu tão rápido de nosso encontro no almoço hoje, que fiquei bastante preocupado cm você. - arqueou uma das sobrancelhas.

- Só isso? Então já pode ir, não tem mais porquê ficar aqui. - anunciou fechando a porta.

- Bro? Ah, Midoriya… - avistou o ruivo saindo de seu quarto, ao lado do seu. - Com licença. - ele pediu, passando pelos dois parados na porta do quarto, se juntando a Jiro que está escutando tudo dali.

- Ah, desculpe estou te atrapalhando não é? - ele aparentava estar cabisbaixo, porém ignorou aquilo, há dois doidos o esperando. - Nos vemos amanhã. Até, Kacchan.

Fechou a porta nem se dando o trabalho de dessa vez o assistir ele desaparecer do corredor e sumir de seu campo de visão. Chegou em seu colchão, onde os outros dois amigos se encontram e quase que se jogou ali - essas flores estúpidas estão consumindo demais de sua energia.

Sentiu os braços fortes Kirishima o rodearem e Kyoka se aproximar, esperando que o loiro se ajeitar para conseguir se deitar junto dos dois.

E fora daquela forma que dormiram na cama de solteiro.

Kyoka em cima de ambos sendo segurada pelas braços do loiro, enquanto o mesmo é envolto em um abraço pelo ruivo.

 

As melhores coisas, são aquelas que vem com o tempo.



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