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História SUHO, My Love - Capítulo 3


Escrita por: e kimcotton


Notas do Autor


Um dia depois do prometido, mas aqui estamos com mais um capítulo. Sem enrolação dessa vez, apenas desejamos boa leitura a vocês!

Capítulo 3 - Two: Artificial Company


O dia, para Baekhyun, pareceu bem mais curto com a presença de Suho ao seu lado. Não sabia ao certo o que conversar com alguém que nem ao menos estava do seu lado, ou sequer existia, mas deu um jeito de tornar as massivas horas mais divertidas, mostrando músicas, séries e filmes para Suho, e até mesmo jogando alguns jogos cooperativos em seu celular com o mesmo, dando boas risadas e achando admirável como o mais baixo era inocente para algumas de suas brincadeiras. Ao final, apenas queria que o mesmo estivesse ali, para poder apenas dar uma pequena pausa e voltar a sua diversão, mas, ao tirar os óculos, tudo se desfez na sua frente, como um passe de mágica de um fruto de sua imaginação.

Baekhyun apenas deu um suspiro pesado, segurando o objeto em suas mãos enquanto encarava o seu reflexo pela lente. O namorado realmente havia criado uma tecnologia e tanto, capaz de tirar qualquer solidão existente no corpo e trazer boas gargalhadas dignas das mais engraçadas piadas, mas chegava a ser frustrante quando Suho apenas sumia, sem mais nem menos, sem dar um sinal que realmente estava ali.

— É, Suho, acho que você está preso aqui, não é mesmo? — Suspirou pesado, dando algumas batidinhas com a unha curta na lente, mas levando um grande susto quando a televisão ligou sozinha, começando a chiar mas se estabilizando em uma voz, por mais que os traços no visor ainda fossem inconstantes e não identificáveis.

— Eu estou em todo lugar, senhor. O mestre me conectou com o sinal Wi-Fi da casa, então eu consigo me comunicar com tudo que está conectado ao mesmo. — A voz fez uma pequena pausa, mas logo voltou a falar. — Cheque o seu celular.

— Meu celular…? — Por um momento, o garoto tateou todos os bolsos em sua roupa, a procura do aparelho, entrando em um pequeno pânico, sem saber onde o mesmo estava. O dia todo havia ficado tão entretido com o novo amigo que não se lembrou do mundo além daquela exata tarde, com Suho. Talvez não tivesse nada de importante, apenas e-mails de possíveis trabalhos ou mensagens dos amigos reclamando que Baekhyun não saía de casa, mas, em qualquer caso, teria que checá-lo alguma hora.

Não precisou de muito esforço mental para chegar a conclusão que possivelmente o celular estava no quarto, dando um sorriso vitorioso ao enxergar a capinha vermelha em cima dos lençóis brancos bagunçados. Pulou no colchão, pegando o aparelho e vendo a última notificação, de um novo contato, se comunicando por mensagens. Franziu o cenho ao ver aquilo, afinal quem hoje em dia usava mensagens para se comunicar fora as empresas de cobrança? Mas teve uma surpresa com o texto, abrindo um pequeno sorriso em seu rosto.

“Olá! Sou eu, SUHO. :) Caso queira se comunicar comigo e estiver longe, não hesite em mandar uma mensagem.”

“Pode deixar, Suho. É bom saber disso” Respondeu, abrindo o seu principal aplicativo de mensagens, clicando no chat de Chanyeol, o único fixado, lendo o que o mesmo havia lhe enviado. No entanto, os olhos se arregalaram no mesmo instante que o fez, percebendo que o namorado havia falado que o ligaria as oito da noite, no horário coreano, e faltavam menos de dez minutos para o relógio virar. O Park costumava ser muito pontual com tudo em sua vida, desde seus compromissos mais importantes, como reuniões com patrocinadores de suas malucas engenhocas, a simples ligações para o seu namorado, ficando emburrado quando os seus horários eram descumpridos ou atrasados. E foi por isso que o menor apenas tacou o celular em cima da cama, correndo desesperadamente para o banheiro enquanto ligava a torneira da pia, separando o shampoo e o condicionador para disfarçar que havia tomado banho.

Lavou rapidamente os fios claros, preferindo os deixar molhados e desgrenhados, como normalmente se encontravam ao final das noites e se encaixando em um dos moletons mais largos que achou pelo guarda roupa do mais novo, já que havia molhado o seu próprio na tentativa de um banho a seco, um casaco vermelho que parecia caber dois de si dentro, se enfiando debaixo dos lençóis a tempo de pegar o telefone tremendo, atendendo a chamada e escondendo o rosto no mar branco das cobertas, ficando apenas com os olhos do lado de fora.

— Baek? — A voz grossa ecoou pelo quarto, fazendo o coração do mais velho acelerar por um instante, enquanto um sorriso bobo se formava em seus lábios e os olhos comprimiam, ficando em dois pequenos risquinhos. — Por que está escondendo o rosto?

— Eu estou feio. — Respondeu, baixo e abafado, se encolhendo mais em seu lugar, mas podendo ver o revirar de olhos do namorado pela tela.

— Para de falar bobagem, me deixa ver o seu rosto. — Falou em um tom ainda mais sério, que apenas fez o mais baixo negar com a cabeça, esfregando o rosto no pano, como se o limpasse ainda mais, e finalmente o mostrando por inteiro para a câmera, causando um sorriso abobalhado em Chanyeol. — Aí, onde está o feio que você disse?

— Bobo. Já fez a conferência do seu projeto?

— Ah, ainda não. A apresentação é em alguns dias, a primeira fase, mas algumas pessoas já o testaram. Ao menos não demonstraram desgosto.

— Fala sério, Chan, a sua invenção é genial. Eu não pensava em algo assim existindo em pelo menos vinte anos.

— Eu te mostrei a versão final da AI? — A pergunta fez o corpo inteiro de Baekhyun gelar, ainda mais por ser feita em um tom tão sério e ameaçador como aquele. Sabia que era um projeto mais do que especial do namorado, e que ninguém além dele havia experimentado o total funcionamento de Suho. Yeol costumava ser bem ciumento com as suas próprias construções, ainda que se orgulhasse de seus feitios, e Baek podia sentir naquela pequena frase que se tratava de mais um de seus ciúmes, que provavelmente só o traria mais dor de cabeça se admitisse que fuxicou seus pertences e acabou descobrindo o protótipo.

— O que? Não! — Engoliu o seco, voltando a cobrir o rosto, para que não fosse descoberto em sua mentira. — Mas você me falou muito sobre ela. De como iria revolucionar o mundo tecnológico e como seria útil cada pessoa ter um para si, como um assistente pessoal.

— É… certo… — Pareceu um pouco incomodado com a resposta dada pelo namorado, mas preferiu apenas esquecer com um chacoalhar na cabeça, voltando a sorrir docilmente, como se o diálogo não tivesse acontecido. — E o que fez o dia todo? Parece cansado.

— Ah, eu apenas fiz algumas anotações de clientes, trouxe o meu tablet, e joguei no seu playstation. Minhas costas doem, por isso a cara estranha. E você, grandão? Andando com o pessoal da ciência?

— Talvez. — Soltou uma risada nasalada, se deitando na cama. — A galera de robótica só sabe falar de física, e por mais que eu goste, computação é mais minha praia. É cansativo ficar andando de um lado para o outro tentando acompanhar eles, ainda mais quando eu estava morrendo de saudades de ouvir sua voz.

— Podia ter me ligado mais cedo. Eu também estou com saudades.

— Não queria te atrapalhar, não sabia o que estava aprontando por aí.

— Nunca me atrapalha, Chan, sabe disso. Apenas ganhe a confiança dos investidores e volte para casa para que eu possa te encher de beijos, ok? Não quero tomar muito o seu tempo, você parece exausto.

— Eu estou um pouco. Ciência cansa. — Deu mais uma risada sem graça, levando a grande mão ao rosto e coçando um pouco os olhos inchados pelo sono.

— Então vai dormir, você precisa descansar para arrasar na sua apresentação. Eu te amo, grandão.

— Você também não vai dormir tão tarde, ok? E eu também te amo, pequeno.

— Até amanhã. Se cuida. — Se despediu baixinho, colocando a mão para fora das cobertas e dando um pequeno tchau, vendo o mais novo dar uma pequena risada do gesto, desligando a chamada de uma vez por todas, deixando o silêncio tomar conta do quarto novamente.

Não era do feitio do mais velho terminar chamadas tão rapidamente, ficando horas e horas apenas falando das mais diversas baboseiras ou até mesmo apenas ouvindo a respiração de Chanyeol enquanto fazia suas coisas, apenas para sentir a presença do mesmo junto consigo, mas sabia que não conseguiria ficar encarando os seus olhos por muito tempo depois de mentir tão descaradamente e nem ao menos conseguir arrumar uma desculpa boa o bastante para que o mais novo acreditasse. Baek rolou o corpo magro pela cama, escondendo o rosto no travesseiro e batendo as penas no colchão, como se aliviasse a angústia dentro do seu peito por não contar a verdade para o namorado, mas agora já estava tarde demais para o contar o que havia acontecido, apenas bufando em uma completa frustração no travesseiro.

No entanto, foi obrigado a levantar o rosto quando sentiu o telefone tremer em sua mão, alerta e pensando que Chanyeol provavelmente havia descoberto que ele havia usado os óculos, mas, ao deslizar o dedo sobre a tela, desbloqueando o aparelho, percebeu que era apenas mais uma mensagem de Suho, com texto demais para ser alguém que apenas queria conversar. Bufando mais uma vez, mal humorado, pelo tanto que teria que ler, rolou rapidamente para o início da mensagem, então começando a ler as palavras escritas:


“Senhor Byun, ainda tenho muitas funcionalidades que você não conhece ou não explorou. O mestre Park ajustou toda a casa para que o meu planejamento fosse perfeito, então em seu quarto, escritório e sala, existem pequenos dispositivos que reproduzem o holograma visto através dos óculos, fazendo da experiência mais real e imersiva, adaptando o seu usuário a convivência com o seu próprio SUHO.

Para ativar essa função, deve ir até um dos pontos citados e procurar por um dispositivo com aparência semelhante a um tablet, um aparelho inteiramente de vidro e de coloração preta. Assim que o encontrar, apoie os óculos abertos na tela e informações aparecerão, estas que te guiarão para a maior imersão. 

Espero que nos vejamos em breve! :)”


— Você tem mesmo que colocar essa carinha assustadora no final de toda mensagem? — Baek resmungou, ainda olhando para a tela, não esperando obter resposta, mas recusando-se a próxima mensagem enviada por Suho por saber que seria apenas mais um informativo que usaria daquela preferência para adaptar o seu sistema.

Ainda que com uma tremenda preguiça de se levantar do conforto que estava, bloqueou o aparelho e o jogou em algum lugar no meio dos lençóis, pondo-se de pé em um pequeno pulo, que fez algumas gotas do seu cabelo molhado cair sobre o seu rosto. Tinha que pensar em qual seria o melhor lugar para esconder um tablet, afinal não deveria ser algo tão pequeno assim para comportar um óculos, mas se lembrou da tela escura que havia visto mais cedo em cima da cômoda que ficava perto da TV, supondo que aquele deveria ser o seu pote de ouro. Sem muito enrolar, pegou os óculos no móvel ao lado da cama, tamborilando os dígitos nas hastes e levando um pequeno momento até decidir realmente fazer aquilo, caminhando em passos largos até o local indicado pela AI, colocando a armação no vidro.

De início, pensou que nada aconteceria, pois nada acendeu ou indicou funcionamento, mas depois de demorados segundos, duas luzes azuis intensas surgiram debaixo de onde as lentes se encontravam e logo mais textos foram se encaixando por toda a superfície. Baekhyun sempre foi um grande preguiçoso quando se tratava de leitura, e por isso apenas passou os olhos rapidamente pelas letras brancas, até achar o que tanto procurava, uma frase com duas opções em baixo, que indicavam a funcionalidade que Suho havia se referido. Não hesitou para apertar no “turn on”, olhando para os lados, a procura do holograma, mas apenas o achando ao se virar para a cama, abrindo um sorriso enorme ao percebê-lo deitado, como se relaxasse, e estivesse realmente ao seu lado.
— Ora ora, olha quem voltou. Parece que gostou da minha companhia. — Murmurou, se escorando no móvel, com um grande receio de deitar ao lado do mesmo, preferindo apenas o observar de longe e admirar como os seus pixels pareciam reais.

— Mas foi o senhor que me trouxe de volta. — Respondeu com um sorriso enquanto arrumava sua postura e se levantava da cama, projetando o holograma de uma cadeira, na qual se sentou. — Quer ouvir histórias para dormir? — Brincou, fazendo com que imediatamente surgisse em suas mãos um livro de contos infantis. 

— Cê’ tá me chamando de criança, robozinho? — Automaticamente uma grande expressão emburrada cresceu no rosto de Baek, que cruzou os braços, totalmente na defensiva, encarando o holograma como se fosse o agredir, ainda que de brincadeira, a qualquer momento. 

— É apenas uma piada, senhor Byun. Meu criador me deu um grande senso de humor. — Com tais palavras, fez com que o livro em suas mãos sumisse tão rápido quanto havia aparecido. — Não está com sono?  — Cruzando as pernas uma sobre a outra, permaneceu com o olhar fixo sobre o humano a espera de uma resposta. — Se estiver com problemas para dormir, posso reproduzir músicas que ajudam a relaxar, ASMR ou até mesmo vídeos do youtube ou algum serviço de stream no qual tenha conta.  

— Não, está tudo bem, eu sempre dormi muito fácil. — Murmurou, andando até o interruptor perto da porta do quarto, apagando as luzes do cômodo mas quase correndo em direção ao abajur ao lado da cama, o ligando no mesmo instante e se jogando no colchão, enrolando o corpo debaixo das cobertas, como se aquilo o desse alguma proteção. — Eu ia perguntar se está enxergando alguma coisa, mas não acho que é assim que você funciona. 

— Está certo, eu enxergo de uma forma diferente, senhor Byun. 

— Eu sempre tive medo do escuro, é algo desconfortável para mim. Eu fico aflito, nervoso, é quase como se minha morte fosse chegar a qualquer momento e eu fico morrendo de medo por isso. — Murmurou baixo, esfregando os olhos por um momento, e assim algumas pequenas estrelas apareceram no teto do quarto, imitando um céu e surpreendendo o loiro, que arregalou os olhos e abriu a boca em um grande “o”, admirado. — Você que fez isso?!

— Sim. É lindo, não? Algo me diz que você gosta de estrelas.

— Eu gosto… Elas são lindas. Obrigado.

— É o meu trabalho agradar o meu usuário. — Deu um sorriso gentil, apoiando as mãos em cima das pernas, olhando para Byun com certa animação.

— Não, não por isso. Acho que você não iria entender… — Suspirou baixo, mordendo o lábio inferior levemente ao que se virava de lado na cama, olhando diretamente para o holograma, procurando algo que denunciasse que aquilo ali não era real. Mas, para sua infelicidade, tudo parecia extremamente perfeito demais, até mesmo Suho, que mais estava para um príncipe encantado do que uma miragem. — Na verdade eu estou com um pouco de sono. Pode ler alguma coisa para mim?

— O que deseja, senhor Byun?

— Hm… Me surpreenda.

E sem nenhuma fala, apenas com um sorriso um pouco maior, um livro surgiu nas mãos do holograma, sem capa, apenas tinha a coloração marrom, como um segredo que Suho estava guardando. Baekhyun já estava pronto para questionar sobre o que era ou qual era o livro, por seu instinto mais do que curioso que acabava dominando todo o seu ser quando havia algo não conhecido pelo mesmo, mas se deixou levar, afinal ele pediu por uma surpresa e estava a recebendo, por mais que não tivesse certeza se gostava ou não daquela ideia. Aconchegou-se nas cobertas, levando-as até o seu pescoço e encolhendo os braços enquanto fechava os olhos lentamente, preparando-se para ser agraciado pela voz aveludada que o programa tinha.

Não sou nada especial; disso estou certo. Sou um homem comum, com pensamentos comuns e vivi uma vida comum. Não há monumentos dedicados a mim e o meu nome, em breve, será esquecido, mas amei outra pessoa com toda a minha alma e coração e, para mim, isso sempre bastou… 


Notas Finais


Nesse capítulos vimos um pouco do relacionamento do Chan e do Baek e algumas das funcionalidades do SUHO (que ainda tem muito para nós mostrar).
E aí, o que estão achando da fic até agora? Já tem suas teorias do que vai acontecer? Conta tudo pra gente, vamos adorar saber.


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