História Sui Generis - Capítulo 32


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Notas do Autor


Dia e horário incomuns, né? Só nas férias mesmo.
Pão quentinho... rsrsrs

Capítulo 32 - Autoestima na sola da bota


Fanfic / Fanfiction Sui Generis - Capítulo 32 - Autoestima na sola da bota

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-Deixa eu ver onde paramos... -Passou a caneta no corpo do formulário. -Ah, aqui. –Se arrumou na cadeira para prosseguir: -Você é um experimento, portanto, criado num ambiente de laboratório, então sua gravidez é fruto de que método?

O humanoide paralisou e ficou a fitar o médico. Sua respiração ficou ofegante e os seus lábios empalideceram.

 

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-O que houve? Está sentindo alguma coisa? –Dr. Yoongi o olhou com escrutínio.

SeokJin engoliu em seco e abaixou a cabeça.

Por um instante o médico se perguntava interiormente o que poderia estar acontecendo. Ficou ainda mais confuso quando o rapaz começou a chorar. Não querendo interromper aquele momento, apenas o observou. Levantou de seu lugar e foi até o filtro, ao lado retirou um copo plástico do suporte e o encheu. Aproximou-se de volta, afagou as costas alheias e lhe estendeu a mão.

-O-obrigado... –Ainda soluçando respondeu. Sorveu um pouco da água, respirou profundamente e continuou encarando os tênis.

-Presumo ser um assunto delicado... mas preciso saber, pois a sua gravidez está adiantada e eu ainda não sei muita coisa sobre você. É o primeiro caso em que acompanharei uma gestação de um humanoide e quero lhe dar a melhor assistência que eu conseguir, porque sua condição não existe em relatos médicos, serei eu comigo mesmo, entende? Acredite, passei noites em buscas na internet.

-Eu... eu... –Soltou um suspiro sofrido e trêmulo. –Eu fui violentado.

-Eu sinto muito... –Após apertar os lábios, foi a única coisa que conseguiu dizer.

 

(...)

 

-Seu NamJoon, eu preciso de mais um tempo aqui na cidade, o senhor se incomoda? –Falava Jin ao celular, ainda dentro do consultório.

-Por que? –O fazendeiro saía do entreposto e já se encaminhava para o carro, depois de conferir a hora, havia marcado de buscar seu empregado no consultório.

-Eu tenho que resolver umas coisas...

-Que coisas? –Estranhou. SeokJin não mantinha contato com ninguém além do pessoal da fazenda e nem ao menos tinha negócios pela região.

-É... –Tentou pensar rápido, mas não conseguiu. -Coisas minhas minhas, Seu NamJoon... –Respondeu com insegurança.

-Ah, tá... –Encostou na lataria do carro e franziu a testa.

Pela resposta de NamJoon, SeokJin percebeu que o outro ficou um pouco desconfortável e tentou ser o mais afável:

-Perdão, Seu NamJoon, prometo que não vou demorar, serei breve. Te ligarei logo que resolver, tudo bem para o senhor?

-Tá bom, então.

-Muito obrigado. –Encerrou a ligação.

“Ele anda estranho... que saber? Vou tomar uma soju, está calor.” Pensou o patrão. Entrou no carro e seguiu para um dos bares.

Já SeokJIn seguiu para um complexo de lojas da cidade e a primeira loja masculina que avistou, ele entrou. Mas nada ali o agradou e continuou a procura, estava com pressa e nem se deu conta de que era seguido.

Taehyung que recebeu um alerta em seu sinalizador, do aparelho celular, não se demorou para partir em seu encalço. Ele estava ali, na cidade, tão próximo de seu hotel. Era um presente inesperado, com toda certeza!

“Quer dizer que você já está melhor” Soltou uma risada de canto soprada um tanto nefasta. Havia esperado pacientemente por sua recuperação. A pneumonia havia estragado seus planos, com ele enfermo que tipo de experimento poderia prosseguir?

A cada loja que o outro entrava, ele o seguia, ficava observando suas atitudes, sua maneira de falar, seus movimentos... tudo no humanoide o encantava, era perfeição demais! Em pensar que aquele que transitava entre as pessoas sem levantar qualquer suspeita, era criação de seu falecido pai, o deixava orgulhoso, ao mesmo tempo que o odiava.

SeokJin ficou aliviado quando finalmente encontrou o que lhe serviu. Queria levar duas calças para que pudesse revezar, mas ao chegar ao caixa, percebeu que não daria. Timidamente disse para a moça que uma ficaria. O cientista percebeu uma oportunidade única de se aproximar.

-Com licença, lembra de mim? –Perguntou de maneira simpática.

SeokJin forçou a sua mente.

-Já sei, não se lembra, não é? Você estava doente, não o culpo.

-Oh, desculpa... e seu avô, o encontrou?

-Graças a Deus! –Pegou a outra calça que o rapaz havia deixado de lado no caixa e pediu para a moça registrar. –Pode passar para o rapaz, por favor.

-Não, senhor, não há necessidade disso! –A face de SeokJin ruborizou instantaneamente.

-Quero apenas agradecer a acolhida e a ajuda que me deram num dia tão estressante para mim. –Entregou o cartão para a atendente. –Débito.

Em minutos estavam saindo da loja. O protótipo estava nitidamente sem graça com aquela demonstração de gratidão.

-Vamos tomar um suco? –Taehyung queria estreitar os laços, quem sabe assim facilitaria seu plano, sem ter que exercer a força bruta, seria evidentemente melhor.

-Muito obrigado, pela sua gentileza em me ajudar na loja, mas agora eu preciso realmente ir, Seu NamJoon está me esperando.

-Aonde? –O filho do cientista chefe olhou rapidamente ao seu redor.

-Ele não está aqui, vou ligar para ele ainda.

-Eu estava esperando seu tempo de convalescência para poder voltar a fazenda e fazer uma nova visita a vocês. Gostei muito de conhecê-los. Hospitaleiros e atenciosos... vamos, de lá da lanchonete você liga para o NamJoon.

O rapaz insistia e SeokJin não queria ser grosseiro. Acabou aceitando.

-Han Sung?! SeokJin?! –Assim que colocaram os pés no local, NamJoon que se encontrava em uma mesa de canto, achou aquilo no mínimo curioso.

-Oi, Seu NamJoon, ia ligar para o senhor agora. –O jovem não estava mentindo.

-Olá, NamJoon! Tudo bem? –Taehyung dirigiu-se de mão estendida para o fazendeiro.

Ambos se cumprimentaram, mas NamJoon sustentava um olhar incrédulo para os dois.

-Que feliz coincidência! –Taehyung falou animado, puxando uma cadeira para SeokJin e em seguida outra para si.

-Eu encontrei com o Hang Sung... –Sem graça, comentou.

-Estou vendo. –NamJoon o interrompeu não muito satisfeito. –Você não disse que ia me ligar? Estou aqui fazendo hora, esperando.

-Sim, Seu NamJoon, ia ligar agora para o senhor. –Repetiu-se. Já havia percebido que o fazendeiro não estava gostando daquela situação.

-Deixe-me explicar o que aconteceu... o encontrei numa loja e convidei para tomar um suco. Mas foi ótimo ter encontrado você também, assim agradeço pessoalmente sua ajuda. –Explicou. –Por favor, mais três sojus! –Levantou um pouco a voz e sinalizou com a mão direita para um rapaz que estava no balcão.

-Desculpa, mas eu não estou bebendo... –Nunca havia experimentado uma bebida alcoólica . Principalmente agora que gerava um bebê.

-Não?! –Taehyung o encarou. –Suco de que, então?

-Não precis...

-Faço questão! Sugiro laranja. Tem vitamina C, bom para quem saiu de uma enfermidade como a sua.

Um pouco sem jeito, SeokJin aceitou. Já havia percebido o olhar inquisidor do dono da fazenda sobre si.

O rumo da conversa era ditado por Taehyung, ou melhor, neste momento por Han Sung. NamJoon pouco falava e SeokJin menos ainda, mesmo assim tentava ser agradável para amenizar o clima desconfortável que pairou no ar.

 

(...)

 

-Vamos embora antes que escureça? –NamJoon perguntou olhando para seu carona e levou as mãos para o bolso de traz de sua calça.

-Não, não, não... Deixa que eu pago! Faz parte de meu agradecimento. –Taehyung pegou sua carteira e chamou o atendente.

Em minutos já estavam se despedindo na porta do estabelecimento.

-Espero poder vê-los em breve. –O cientista apertou as mãos de seus mais novos “amigos”.

SeokJin retribuiu com um sorriso e NamJoon apenas assentiu com risco côncavo no rosto.

-Quero levar o vovô Phil pra conhecer vocês. –Apelou para a imagem hipotética do velhinho com Alzheimer para comover os corações.

-Será bem-vindo. –NamJoon se limitou a dizer apenas isso.

Seguiram para o carro.

Já estavam na estrada há algum tempo e nenhum dos dois falava nada. SeokJin nunca pensou que poderia ver seu patrão de mal humor, mas ali estava ele, compenetrado na direção, ambas as mãos no volante, com uma fisionomia aborrecida e maxilar tenso.

-Seu NamJoon, o senhor entendeu o que ocorreu? -Sentindo-se na obrigação de melhorar a atmosfera, resolveu iniciar um diálogo.

-Sim, SeokJin, você foi resolver suas coisas na cidade. Suas coisas, vulgo Han Sung. –Antes que o jovem pudesse abrir a boca, continuou: -Como vocês mantiveram contato, é o que me intriga. Queria muito saber. –Com timbre profundo seriamente falou, sem ao menos olhar para aquele que estava sentado ao seu lado.  

-O que o senhor está dizendo, Seu NamJoon?! –Ficou nervoso, não queria ser mal interpretado.

-Ele esteve lá fazenda depois... quando eu não estava, foi isso? Trocaram telefone?

-Jamais, Seu NamJoon! Que isso?! Assim o senhor me ofende!

NamJoon estacionou abruptamente no acostamento, assustando o outro.

-Então por que escondido de mim, SeokJin? –Desta vez o encarou.

-Não tem nada para esconder, Seu NamJoon!

     -Eu te esperando, feito um idiota, cheio de pendências na fazenda para resolver e você indo tomar suquinho com Han Sung!

-Mas eu realmente fui resolver umas coisas...

-Que coisas, SeokJin, que coisas?! Você não conhece ninguém na cidade, não tem negócios por aqui! Ora, faça-me um favor! –Bateu as palmas das mãos no volante.

-Eu fui... fui comprar isso aqui. –Sem ter mais como esconder, resolveu que seria melhor revelar, a fim de acalmar os ânimos de seu patrão. Mostrou a sacola que até então tentava manter discretamente em seu colo.

-O que é isso?

-Calças. –Com a sacola apoiada em suas pernas, a abriu um pouco.

-Calças? Pra que calças novas? Você precisava comprar calças? Por que não me disse? E por que tanto segredo por causa disso? Eu não poderia saber que você queria comprar calças novas? Tá querendo impressionar alguém? -As perguntas eram metralhadas sem dar chance de respostas.

-Seu NamJoon, por favor, não me julgue desta forma. Eu quero que o senhor entenda que jamais faria nada para trair sua confiança. O senhor me ajudou muito quando cheguei aqui, mesmo sem saber de onde eu vim ou nada sobre minha vida.

-Você nunca quis me contar. Eu respeitei.

-E nem por isso me negou casa e emprego. Eu nunca vou esquecer disso. Tenho uma imensa admiração pela pessoa que o senhor é e um carinho e afeto enormes.

-Mas não me ama... preferiu o antipático do Han Sung. –Resignado ligou o veículo.

-Senhor NamJoon, peço que, por obséquio, não repita mais isso.–Segurou o braço do motorista antes que desse a partida. –Eu não tenho nada com este rapaz Han Sung. Eu o encontrei por acaso na loja. Ele me fez uma gentileza e fiquei sem jeito de negar o convite.

-Gentileza? Que gentileza? –Numa postura armada e ereta, o fazendeiro largou o volante e encostou-se no banco do automóvel.

-Eu fui desprevenido para o caixa passar as duas peças, quando eu falei para moça eu iria levar uma só. Ele, então, apareceu do nada e disse que queria retribuir a atenção que foi dada a ele e passou a outra. –Sua voz era instável transparecendo o quanto estava envergonhado.

-Ele te deu de presente?! –Levou a mão à cabeça e bufou. Sua face e pescoço ganharam um tom extremamente vermelhos. –Sempre que eu quero te dar algo, você sempre nega!

-Mas, Seu NamJoon, ele foi entrando na minha frente e pagando, não deu tempo de fazer nada.

-Ele tá te comprando, SeokJin, e você tá deixando! Não percebe isso?!

-Não, não é nada disso, ele só...

-Olha pra mim. –Interrompeu a fala do outro, que o obedeceu. –Eu te amo, SeokJin. Eu não sei mais o que fazer sobre isso. Respeito a sua vontade de não querer nada comigo, de continuar me chamando de Seu NamJoon, para manter a distância entre nós dois, mas tá difícil sabia? Eu acordo pensando em você, durmo pensando em você, acho que vou enlouquecer se essa cara continuar dando em cima de você!  

-Mas ele não...

-Não seja ingênuo, é claro que ele tá! Eu percebi desde o primeiro dia que ele o viu na cozinha lá de casa.

Ambos silenciaram-se. O fazendeiro tocou com delicadeza a pele macia do rosto de SeokJin e se aproximou dos lábios alheios. Este quase esqueceu como se respirava. Seu coração faltou pouco para sair pela boca.

-Seu NamJoon... desculpa te causar tanto sofrimento, posso te jurar que não tenho intenções nenhuma de magoar o senhor... se preferir e achar melhor, posso ir embora.

-Não! Que ideia absurda é essa?! Como eu vou ficar sem você?! E pra onde você vai?!

Não se ouviu nada em resposta.

-Eu preciso saber, você não sente nada por mim?

-Acredite, eu não posso desenvolver nada além de gratidão e eterna amizade pelo senhor, Seu NamJoon. –Nervoso, apertava as próprias mãos que suavam frias.

-Eu sou tão asqueroso assim? Tão desprezível, tão caipira, tão... –Não resistiu mais e deixou uma lágrima descer por sua face, a enxugou com o dedo polegar.

-Não tem nada a ver com o senhor... Eu também te amo... –Mesmo sem saber o motivo, acabou por confessar. Talvez porque guardasse isso consigo há tanto tempo e o calor da emoção tenha contribuído para tal. -O senhor passa pelo mesmo que eu. Meu coração se agita só de ouvir a sua voz quando passa o dia todo fora da fazenda. –Sua voz saiu mais baixa. Levou a mão ao rosto do outro e dissipou mais uma gota que rolava.

-E por que me evita tanto? Já tô me sentindo um merda, minha autoestima tá na sola da minha bota. –Segurou a mão alheia que já se encontrava em seu rosto e a acariciou.

-No momento certo, o senhor saberá. –Devagar, puxou a mão, entrelaçou à outra e as colocou entre as coxas, traduzindo o nervosismo por qual passava.

-Não, SeokJin, o momento certo é esse! Só tem eu, você e a lua aqui! –Falou duramente decidido.

Todo autocontrole que vinha mantendo se esvaiu do humanoide. Pela segunda vez naquele dia ele chorou.

 

 


Notas Finais


Quem quer ajudar o Nam com a autoestima dele?
Beijão no kokoro!


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