História Suicida - Capítulo 1


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Bullyings, Suícidio, Tristeza
Visualizações 6
Palavras 1.632
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Violência
Avisos: Drogas, Estupro, Linguagem Imprópria, Suicídio, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 1 - Para Que Eu Vivi


Suicida

Capítulo Único

Para Que Eu Vivi?

Minhas pernas não tinham controle naquele momento, nem minhas pernas e nem minha mente; eu tinha apenas um objetivo, e todo o meu corpo trabalhava para realizá-lo.

Eu vivi longos 23 anos e, ainda hoje, não entendo o por que da minha humilde e inútil existência nesse planeta chamado Terra; na verdade eu não entendo mais nada, desde pessoas até a pensamentos que ocupam minha cabeça.

Poderia me sentir uma idiota se parasse para pensar em como decidi viver a droga da minha vida, a droga de uma vida inútil em que preciso confessar que Deus não acertou em deixar que eu participasse desse mundo.

Entre ofensas, bullyings, estupro, drogas, trabalho forçado foi que eu vivi. Agora, me diga: isso é considerado uma vida boa e feliz? Eu tenho a plena certeza de que isso é tudo, menos feliz.

E, agora, parando para pensar sobre todas as pessoas que passaram por minha vida, posso dizer que nem para escolher pessoas certas eu sirvo. Elas me traíram, ofenderam, e eu? Bem, eu me escondi e chorei por um bom período de tempo, se contar posso dizer que sentei na cama e chorei por 8 horas seguidas enquanto ouvia meus pais tendo outra briga e em minha cabeça se passavam flashes de todas as palavras que esses monstros chamados de humanos me disseram.

Não sei dizer se isso acontece a outras pessoas, ou se o vasto universo decidiu jogar toda a sua praga em uma única pessoa: eu. Eu sempre era a culpada, a julgada, a errada, a estranha, a babaca, a puta, e eu nunca tive culpa, então por que diabos sofria por coisas que não fiz?

Não digo que sou inocente, eu posso ser tudo menos isso, mas digo que eu nunca paguei pelo o que fiz, mas sim por coisas que eu nem sabia que haviam acontecido, e isso é injusto. Por que não paguei pelos meus pecados? Por que paguei os pecados de outras pessoas? É, eu também não sei, e sei que não vou saber.

Olhei para frente tendo a esplêndida visão da cidade visto que eu estava dentro de um elevador com vista para toda a cidade. Aquilo faria falta, mas nem tanta, eu não sentirei falta das coisas que acontecem aqui, mas sim de momentos especiais com pessoas que achei que devia confiar, e eu, como sempre, me enganei.

As lembranças, então, me invadiram com uma rapidez, tal rapidez que foi capaz de me deixar tonta por uns segundos.

Sentada ao chão daquele imundo banheiro escolar com um fedor incrível sendo inalado por minhas narinas, aquele foi o primeiro ato de bullying que sofri, e eu lembro como se fosse ontem.

—Quer dizer que está atrás do Johnny, vadiazinha?— uma pergunta completamente retórica deixou os lábios de Jannes.

Eu lembro como odiava a sua voz, era tão enjoativa, nem parecia que o medo me assolava ao ser espancada por ela.

—Medo? A nerd depressiva da Amy está com medo? Depois de se esfregar que nem uma cadela no meu Johnny está com medo?— sorriu ironicamente enquanto se levantava e fazia uma pose idiota me olhando irônica e esnobe.

Todos presentes ali sabiam que aquilo era a mais pura mentira, eu nunca havia me encontrado com Johnny, aquilo foi apenas uma desculpa para me bater; a desculpa certa já que sempre odiei ser chamada de medrosa, mesmo se fosse uma grande mentira eu não deixaria que elas saíssem por cima, não mesmo.

—Não vi seu nome nele, e se visse não teria medo de encostar nele. Aliás, a nerd aqui fez um ótimo trabalho visto que ele pediu mais.— um sorriso discreto deixou meus lábios enquanto meu olhar se concentrava em suas pupilas que, se antes mostravam ironia, agora mostram raiva.

—Você vai pagar caro, puta de esquina!— exclamou raivosamente e, sem eu nem ao menos percerber, me encontrava ao chão enquanto chutes, socos e tapas eram transferidos em todo o meu corpo.

A dor foi insuportavelmente forte já que elas mal estapeavam a área e uma das outras já metia um forte soco ou chute no local, eu nem ao menos havia percebido quando lágrimas brotavam e desciam de meus olhos, e nem que aquele era apenas o começo de vários outros tapas, chutes e socos em todo o meu ano escolar.

A escola foi a pior fase para mim, sofria naquele local pois sempre ela me encontrava, falava algumas coisas idiotas e sempre metia o "medrosa" no meio, eu não aguentava e respondia, e logo após chorava sentindo-me completamente derrotada e humilhada em frente a inimiga.

Minha cabeça ainda era inocente e ingênua, então sempre acreditei que encontraria alguém legal para mim, não um príncipe encantado, sabia que era impossível, mas sim alguém que me respeitasse, ajudasse e defendesse daquelas vadias, e quando eu finalmente encontrei eu logo me esbarrei com a cara na parede.

Ele havia se declarado, eu havia aceitado. Ele havia me beijado, eu havia correspondido. Ele me pediu em namoro, eu nem ao menos pedi para pensar, aceitei de cara. Ele me pediu uma primeira vez, e eu cedi. Ele havia ido para o lado delas ao vê-las me batendo, e eu apenas chorava enquanto seu nome saia repetidas vezes de minha boca com a intenção de pedir ajuda, coisa que não aconteceu.

Ah, e as drogas? Bem, eu me fudi usando elas, mas eu me entreguei e, uns meses depois, me forcei a sair. Entre 2 meses as drogas foram as únicas coisas que me tiravam daquele mundo, dos meus pais se separando pela trigésima vez por algum dos dois ter traído um ao outro, e também me tiravam daquele inferno chamado escola, tal inferno que me maltratava com hora marcada: após o sinal de saída da escola.

Eu nem me toquei quando eu desisti de fugir das mesmas para não apanhar, era inútil, sempre me achavam, então para que adiar o inevitável?

Não preciso dizer do estrupo, foi exatamente como qualquer estrupo que possa ocorrer no mundo, mas o diferente foi que me submeteram e me estruparam na frente da escola, com todos vendo, no último dia de estudos da minha vida escolar, e com a porra de 2 policiais apenas observando o ato explicito e, para piorar, estavam se masturbando.

E foi ai que eu percebi que eu era apenas mais uma peça estragada desse quebra-cabeça chamado mundo: eu não faço diferença, existindo ou não.

E o trabalho forçado? Fiz isso ao completar 19 anos, o ano em que o mundo decidiu terminar de arruinar a minha vida que eu já pensava não ter salvação.

Aquele dia foi um dos piores. Um sequestro, a droga de um sequestro, logo seguido de uma cirurgia plástica em todo o meu rosto, e logo após isso eles me obrigaram a usar peruca. E agora? Bem, eu moro na mesma cidade de todos, passo em frente a meus pais todos os dias e vou para o hospital de fachada que eu trabalho e ninguém me reconhece.

Na verdade eu diria que me reconhecem, mas fingem não reconhecer. Meus pais, por um exemplo, agora vivem felizes, nem parece que brigavam todo o santo dia, que traiam um ao outro sempre. Outro exemplo? Jannes. Ela havia se tornado uma freira, a porra de uma freira que não transa e apenas segue a Deus. Ela havia enganado a todos, e todos daquela droga de cidade sabiam o que ela fazia comigo, sabiam o que ocorreu em frente aquela escola, sabiam que eu fui sequestrada, e a notícia não durou nem um mês nos jornais, parece que eles apenas não sentem minha falta.

Eu já não existo.

E, se eu não existo, por que ainda ando por ai? Sim, eu não preciso andar por ai, eu não nasci para estar nesse local, eu não nasci para estar em local nenhum, o único local que me reservaram foi o topo de um prédio, do qual eu logo abandonarei e me jogarei.

Meu olhar se concentrava na vista a minha frente enquanto eu esperava que alguém chegasse ao meu lado, alguém me pedisse para não pular, que eu faria falta, mas ninguém veio, e eu sabia que ninguém viria.

Ninguém me quer viva, eu não duvido disso.

Segui meu olhar até o chão onde pude ver pessoas elevando o olhar para mim e logo os desviando. Eles estavam me ignorando. Estavam ignorando uma pessoa prestes a pular e se matar.

Será que eu sou realmente o erro da sociedade, ou eu sou a certa e a sociedade é a errada?

O vento gélido passou pelo local causando leves arrepios em minha pele, e logo meu corpo se jogou para o local em que me pertencia.

O único local que me aceitará.

Fechei os meus olhos e logo as memórias vieram a tona, me fazendo chorar enquanto sentia a morte se aproximando.

Eu nunca tive um momento feliz.

O impacto veio e meu corpo sentiu um misto de dor e paz, um misto de dor e paz indecifrável, era impossível eu entender qual era o maior.

Mas eu sei que estou feliz, pela primeira vez na vida um sorriso sincero havia saido de meus lábios rosados.

Eu havia encontrado o que queria.

Esse era meu lugar.

Esse era o local em que eu pertenço.

Afinal, se eu não pertencia a Terra, então por que eu existia?

Eu existia apenas para achar esse local.

Eu vivi para que a minha verdadeira paz fosse alcançada, e quem diria que eu completaria esse objetivo?

Eu completei o único objetivo da minha vida

Foi para isso que vivi.

Vivi para que meu local de paz e descanso se encontrasse na solidão completa, a solidão escura, a única que me fortalesse paz, a minha verdadeira casa.

Eu estou feliz.


Notas Finais


Eu devo ter ficado bem deprê escrevendo isso, mas tudo bem kkj.

Enfim, gostaram? Espero que sim haha.

Tô aqui só para avisar que essa história foi publicada no Wattpad também, mas não vou botar o local já que minha conta tá no meu perfil.

Enfim, beijinhos e obrigada poe ler!


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