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História Suiryu: A ERA DOS DRAGÕES (taekook) - Capítulo 16


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Notas do Autor


ola, bem vindos de novo e espero que gostem hehe nos vemos lá embaixo.
boa leitura!

Capítulo 16 - Jamais vu


Taehyung não se incomodou em pedir que Evian lhe chamasse pelo nome. Isso seria ridículo e indecente de sua parte, ainda mais quando eles se conheciam há três dias e conversado apenas em pouquíssimas ocasiões. Mesmo assim, ele sentia como se todo o seu ser estivesse esperando por justamente esse momento.

Porém ele não poderia falar isso para o outro.

E certamente não tinha uma desculpa melhor para aparecer na frente dos seus aposentos quando a noite caía.

"Decidi passar e convidar você para o jantar." Disse entre pausas, uma mais estranha do que a outra. Ele estava inventando, claro. O seu jantar provavelmente já estaria na mesa do seu cabinete, mas com certeza os cozinheiros não se sentiriam mal por lhe entregar a porção na sala de jantar.

"Na verdade eu já estava quase indo." Evian respondeu, os olhos um tanto arregalados e totalmente sem ideia sobre o que se passava na cabeça do rei. Ele sempre parecia surpreso em vê-lo. "Você está bem?"

Por que ele se preocuparia com o mais velho? Quais razões ele teria para parecer minimamente preocupado com alguém que ele nunca havia visto? Bem... Talvez fossem as mesmas razões que haviam levado Taehyung até ele.

Não era algo que ele pudesse controlar.

"Estou sim. Me acompanhe." Ele sugeriu. Evian pareceu confuso e inclinado a negar. Na mesma hora Taehyung sentiu a garganta apertar. Ele não tinha nenhuma base para ser negado e ter que voltar todo o caminho sozinho e com a expressão tão desesperada quanto a que ostentava agora. "Por favor, me acompanhe até a sala de jantar."

Talvez fosse a sua voz, um tanto aguda e esganiçada, que convenceu o outro, mas assim que Taehyung disse, Evian assentiu e saiu do quarto, pronto para acompanhar o rei do Leste como uma sombra, sem saber como iria chegar ao cerne da sua preocupação: os olhos marejados do mais velho, que pareciam prestes a derramar.

O mais novo engoliu em seco ao vê-lo assim. O que seria capaz de fazer o rei ficar tão sensível a esse ponto? Kim Taehyung estava prestes a chorar na frente do quarto dele, uma pessoa que ele havia acabado de conhecer.

"Claro." Concordou, fechando a porta atrás de si. Taehyung pareceu engolir um suspiro de alívio e se virou, caminhando na direção da sala de jantar. "Vossa majestade responderia se eu perguntasse o que te deixou assim?"

Taehyung baixou a cabeça.

"Não acredito que possa responder." Respondeu, com os olhos no piso. Os dois caminharam em silêncio por tempo suficiente para fazer Taehyung se sentir mais calmo. Ele sentia o ar gelado ao lado do outro, como se o inverno pairasse ao redor dele. De certa forma, por mais estranho que fosse, sentia-se bem. Era como se a natureza fria do nascido no Inverno fosse a sua âncora. Apenas tê-lo ali lhe deixava mais calmo e centrado. "Apenas os fantasmas dos mortos ainda fazendo estrago em vida."

Evian permaneceu em silêncio, coisa que não incomodou Taehyung. Os dois continuaram caminhando.

"Posso fazer uma pergunta?" O de olhos azuis questionou, fazendo o rei morder o lábio.

"Se não for perguntar o motivo da tristeza, vá em frente."

"Por que você veio até mim? Não seria mais óbvio ir até o seu primo? A um amigo?"

Taehyung mordeu o lábio. Seria, óbvio que seria. Namjoon iria prontamente ajudá-lo a contornar a situação com Eunjin. Poderia ir falar com qualquer um. Qualquer um no seu palácio iria prontamente se erguer para ajudá-lo e consertar o seu problema.

"De alguma forma, quando eu estava com você, mesmo que tenha sido apenas algumas horas, senti como se já o conhecesse. E você não responde a mim, não é meu servo. Você é seu próprio rei. Isso é... Animador, por falta de palavra melhor."

O outro não respondeu por vários corredores, e mesmo quando estavam chegando às portas da sala de jantar, Evian ainda continuava em silêncio.

A verdade era mais do que isso. Estar ao lado de Evian era como chegar em casa. Como se estivesse indo para os seus aposentos após um longo dia e descansasse entre os travesseiros. Aqueles breves momentos na manhã onde ele havia apenas rido com o outro e o ensinado a controlar os poderes, quando havia tocado sua mão e sentido um arrepio percorrer o corpo inteiro... Ele se sentiu bem. Sentiu bem como não sentia em anos. Sentiu-se eufórico.

"Você sabe que eu sou um mercenário, não é?" Evian perguntou, a voz baixa e séria. Taehyung suspirou.

"Estou ciente."

"Eu matei muitas pessoas na vida, apesar de nunca ter tocado em uma mulher ou uma criança."

"Novamente, eu estou ciente disso."

"Então por quê...?"

"Não me tome por um santo, Evian. Eu sou um rei. Tive a posição oferecida para mim desde o nascimento, sim, mas ainda assim eu sou um rei. Ninguém que tem poder está isento de sujar as mãos." Taehyung respondeu, esperando que esse fosse o fim do questionário do outro. Não poderia dizer que havia sido porque aqueles breves sorrisos banhados pelo sol da manhã haviam sido o ponto alto da sua semana. "Você age como se fosse o único a ter feito algo horrível, mas não é. Não aqui. Estamos caminhando pelo que foi um lugar de batalha há tantos anos atrás. Você não é o primeiro assassino que cruza esses portões."

Mas era o primeiro que Taehyung sentia-se tão à vontade.

"Perdão, majestade." Evian baixou a cabeça. "Mesmo assim... O senhor deveria conversar sobre o que lhe incomoda."

"E vou. Namjoon saberá como me aconselhar. Apenas quis... Uma companhia diferente. Você parece ser uma pessoa com a cabeça no lugar."

O outro desdenhou baixinho.

"Não me tome por uma pessoa com a cabeça no lugar, majestade."

Taehyung sorriu.

"Touché."

Os dois chegaram à frente das portas da sala de jantar, onde dois guardas as abriram, lembrando a Taehyung que eles estavam cercados de pessoas que pulariam na frente do rei para salvá-lo. De certa forma isso lhe fez sentir ainda mais ansioso. Sempre fazia.

Ele e o mercenário atravessaram as portas e se depararam com a longa mesa de jantar vazia, exceto por Namjoon sentado em seu lugar de sempre, com três livros a sua frente. Taehyung suspirou ao ver a cena familiar.

"Namjoon, eu já não lhe disse que faz mal para as vistas ler tão tarde?" O rei sorriu, andando rapidamente até seu assento. Evian lhe acompanhou até metade do caminho, onde acabou por sentar na cadeira na frente do conselheiro do Leste.

Namjoon mal ergueu os olhos do livro, muito focado no que fosse que estava lendo. Sua mão direita mergulhou o garfo no prato, pegando comida e levando lentamente até a boca.

"Namjoon." Taehyung chamou novamente, enquanto sentava-se no seu lugar. Dessa vez o primo levantou a cabeça e olhou para ele. Seu primo estava com olheiras e seu cabelo estava mal penteado, mas Taehyung sentiu-se melhor. Isso era algo que ele já estava acostumado: o primo se perder tanto em uma leitura que acabava até por perder a si mesmo dentro da história. "O que está lendo dessa vez?"

"Um livro de registros."

Tudo bem, essa resposta era inusitada.

"Registros de quê?"

Namjoon olhou de Taehyung para Jeongguk. Ele deu mais uma garfada e engoliu rapidamente, sem nem ao menos mastigar.

"Das famílias reais."

Aquilo era mais do que inusitado.

"Por quê?"

"Seokjin estava paranoico quanto a trazer Evian para Mirador, ainda mais para o palácio. Pensei que se eu pudesse provar a existência dele, seria uma grande prova para ele. Foi quando percebi que não tem como provar a existência dele, mas seria possível procurar por algum ancestral que tenha fugido do Sul. Não é comum, mas se fosse datado..."

"Aí descobriríamos de qual ramo ele vem." Taehyung concluiu. "Isso é genial." O rei virou-se para o sulista, que tentou fazer uma expressão não tão negativa quanto estava sentindo. "Isso é ótimo, Evian. Não lembra o nome de alguma avó ou avô?"

"Apenas do avô materno." Ele pescou da memória. Não seria de grande valia, já que seu lado Jeon era o paterno, portanto um avô materno não constaria em nenhuma árvore genealógica dos Jeon. "Fan Hyungchan." Mentiu o sobrenome.

"Hm, acho que seria pelo lado paterno então." Namjoon murmurou, folheando o livro. "Bem, há mais de um livro de registros. Acho que vou levar mais dois dias até encontrar alguma coisa."

"Não se apresse, Namjoon. Qualquer um pode ver que Evian é um herdeiro do Sul, não importa a genealogia." Taehyung levou as mãos ao garfo, dando uma olhada nem um pouco discreta para os guardas mais perto, que assentiram com a cabeça, dizendo que a comida já havia sido provada. "Você recebeu notícias do Seokjin?"

"Apenas uma carta dizendo que talvez ele se atrase por uma semana ou duas. Nada interessante." Namjoon contou. "Ah, Evian. Veio uma carta para você também, escrita pela Ahura."

Taehyung observou o mais novo arregalar os olhos azuis, as órbitas brilhando. Ele imediatamente baixou o rosto e focou na comida. Quem seria Ahura? Será que o mercenário tinha uma companheira? Será que ele se atraía apenas por mulheres? Assim que o pensamento cruzou sua cabeça, ele corou. Por que seria da sua conta se Evian gostava de homens ou não? Esse tipo de pensamento não deveria nem mesmo existir. E se Evian gostasse de homens mesmo, o que mudaria? Seu único vínculo com ele era as aulas que estava dando para o sulista controlar suas habilidades.

"Eu vou enviar a carta para os seus aposentos assim que terminar o jantar. Sinto muito, mas tivemos que lê-la." Namjoon continuou a contar. Evian, que levava o garfo à boca, pausou no meio do movimento, os olhos crescendo. "Foi apenas um protocolo para a proteção do rei, peço desculpas e que não se ofenda. A carta foi selada novamente." Taehyung observou curiosamente o de olhos azuis engolir a comida e balançar a cabeça em afirmativa, ainda que sua expressão não denunciasse se estava com raiva pelo fato. "Como foi a primeira aula de vocês hoje?"

"Foi boa." Taehyung se ocupou em responder. "Foi engraçada."

"Engraçada como?"

"Nada interessante." Taehyung deu de ombros. Então se lembrou de Evian retirando a camisa para sentar em cima dela no jardim e sorriu. Namjoon alternou o olhar entre Taehyung e Evian, que parecia não muito inclinado a responder. Algo brilhou nos olhos do conselheiro real e Taehyung soube que ele havia percebido algo que talvez nem mesmo o rei houvesse.

"Bem, fico feliz que não houve nenhum incidente como o último." O mais velho empurrou o prato e fechou o livro com um marcador, se afastando da cadeira. "Taehyung, posso ter uma palavra com você?"

Taehyung suspirou. Provavelmente aquele seria o fim do seu almoço. Limpando a boca com um lenço, ele cumprimentou Evian com a cabeça e se ausentou da mesa, saindo logo atrás do conselheiro. Os guardas a postos pelo salão se curvaram diante dele, pelo que ele respondeu com uma própria mesura. Quando finalmente as portas da sala de jantar fecharam atrás de si, Namjoon andou por mais alguns passos antes de finalmente parar e encarar o primo.

"O que foi isso?" O Kim mais velho perguntou afinal.

"Isso o quê?"

"Isso!" Namjoon pigarreou e engrossou a voz, fazendo uma imitação de Taehyung. "Foi uma aula muitíssimo engraçada!" Ele pausou e encarou o outro sugestivamente.

"Que péssima imitação. E sim, foi engraçada! O que tem de mais?"

"Uma aula sobre dominar suas habilidades não deveria ser engraçada! Você está fazendo amizade com Evian?" Namjoon questionou, com seus olhos castanhos afiados como sempre. Taehyung considerou se deveria mentir, mas decidiu não fazê-lo. Namjoon o conhecia como a palma da mão.

"De certa forma, acho que sim. Ele não é horrível, exatamente como você disse; você me prometeu que ele era uma boa pessoa, e ele me parece ser mesmo. E além do mais, você também está fazendo amizade com ele."

Namjoon pareceu surpreso.

"Estou porque ele vai passar um tempo por aqui e eu vou lidar diretamente com ele, Tae. Ele me parece sim uma boa pessoa, mas não esqueça que ele também é um assassino. Seokjin..."

"Seokjin não está em Mirador. Relaxe, Namjoon. Eu sei que você gosta de fazer o trabalho dele quando ele não está, mas isso não depende de você. Eu sou o dragão da primavera, por favor, me dê algum crédito!" O rei se exasperou, tentando controlar o tom da voz. "E Evian é sincero, talentoso e..."

"Bonito?"

Taehyung sentiu os olhos quase saírem do rosto.

"O quê?"

"Bonito, Taehyung. Já que você está claramente jogando elogios a ele, resolvi contribuir com um. Evian é bonito."

Taehyung gaguejou. Evian era bonito? Ele supunha que sim. Tinha braços grandes, ombros bonitos, o rosto era... Satisfatório. Talvez um pouco mais que satisfatório. Seus lábios eram finos e pareciam sempre vermelhos em contraste com a pele clara. Seus olhos azuis celestes pareciam duas jóias e seu cabelo curto era um charme, se fosse para ser honesto.

"Suponho que seja." Concordou a contragosto. "Por que trazer a aparência dele à tona?"

"Porque eu conheço o primo que eu tenho. Você fez o mesmo com Bogum, e ele até hoje não foi embora do castelo."

"Bogum é o embaixador do Oeste!"

"Ele deveria fazer como o embaixador do Norte e viver em sua própria casa nos arredores de Mirador." Namjoon o lembrou, seus olhos sempre muito sábios.

"Oras!" Taehyung estava perdendo essa discussão. Por que ele mantinha Bogum no castelo? Claramente por apenas um motivo, mas se negava a dizê-lo em voz alta. "O castelo é enorme! Tem quartos o suficiente para ele passar o tempo, por que eu deveria mandá-lo para longe?"

"Porque é o certo a se fazer, mas você sempre faz o que quer. Sorte a nossa de que você é um rei muito dedicado, porque se não fosse, seria muito mimado."

Taehyung sabia muito bem que Namjoon estava falando por falar. O primo era assim mesmo: quando estava com a cabeça muito cheia, costumava a discutir muito facilmente com as pessoas ao redor. Ele nunca ia tão baixo e nunca usava algo contra ninguém, portanto era fácil perdoá-lo. Mas apesar de saber disso, Taehyung cruzou os braços e encarou o mais velho com uma expressão estupefata.

"Eu? Mimado?"

"Você, mimado sim." Namjoon disse, cruzando os braços também. Taehyung observou os bíceps do primo flexionando e tentou não pensar em seus braços menos musculosos que certamente não iriam impressionar o mais velho. "Você está fazendo o mesmo que fez com Bogum. Só que dessa vez, a pessoa está errada, Tae." Namjoon finalmente suspirou, olhando para cima e deixando os braços caírem. "Eu não estou julgando. Você é meu primo, quase meu irmão e eu amo você. Mas, por favor, não faça nada que vá se arrepender."

"Namjoon, ele é um nascido no Inverno. Eu mal posso viver ao lado dele, quanto mais fazer algo que possa me arrepender." Disse por fim. "Mas se você quer saber, existe algo. Não é nem mesmo físico... É como se... Ele me chamasse, de certa forma."

Namjoon tombou a cabeça para um lado, curioso. Taehyung o puxou para um canto mais recluso que o meio do corredor.

"Sabe quando éramos crianças e eu acho que criei sem querer um elo entre mim e o Jeongguk?"

Namjoon arregalou os olhos e fez uma careta. É claro que lembrava. Elos não aconteciam comumente. Ele nem mesmo sabia sobre eles até os 15 anos, quando sua tia Minyoung lhe explicou com mais detalhes. Dragões eram seres extremamente territoriais e protetores das coisas que clamavam por suas. Houveram guerras no começo do continente para proteger as fronteiras dos dragões: o Norte, Leste, Sul e Oeste. Uma pessoa que tivesse a habilidade de hospedar o espírito do Dragão em seu corpo significava que tinha um sangue muito próximo aos dos primeiros hospedeiros dos Dragões, que repassavam em seus genes essa habilidade e também o poder das estações. Taehyung, por exemplo, podia controlar o nascimento de fauna e flora, além de controlar o fogo. Seu irmão Junggyu podia apenas manipular a primavera. Seokjin, seu primo, um Kim com um grau distante dos Kims originais, tinha a habilidade de controlar o fogo. Seu outro primo, Kim Mingyu, tinha genes que diziam que era um elegível hospedeiro do dragão. Taehyung, na época, como novo hospedeiro de Raghan e com genes que possibilitavam que ele gozasse plenamente de todas as habilidades que os Kim possuíam, era o mais próximo do primeiro hospedeiro, portanto, era o mais próximo fisicamente do Dragão.

Em resultado, havia, talvez, criado um elo com o jovem herdeiro Jeon na infância. Em tese, isso iria os possibilitar de sentir um ao outro, e talvez até mesmo compartilhar emoções básicas, além de fazê-los sentir quando o outro estivesse em perigo, já que um dragão nunca deixaria de proteger o seu tesouro. Se Jeongguk tivesse sobrevivido à chacina da família Jeon e se tornado o hospedeiro do dragão do Sul, eles seriam conectados com tanta força, tanto como humanos como dragões, que isso poderia criar um grande problema.

"Você acha que criou um elo com o Evian?" Namjoon perguntou apavorado.

"Não! Eu nem mesmo toquei nele! Eu saberia se a minha alma estivesse conectada com a de alguém. É só que... Ele... Eu não sei. Talvez seja a aura dele. Somos opostos, afinal de contas."

Namjoon o observava criticamente, como se ele fosse um livro aberto. Taehyung tentou não se sentir como uma cobaia abaixo dos olhos do primo, focando em tentar deixar sinceridade vazar dos seus poros.

"Eu poderia pesquisar, mas duvido que exista uma razão para você sentir um elo fantasma com ele. Ele é um parente longínquo do ramo principal da família Jeon, nem tem tanto sangue real para que um elo existisse." Namjoon explicou lentamente. "Mas se você está desconfortável, talvez fosse hora de falar com Raghan, não é?"

Taehyung fez uma careta.

"Não estou conseguindo há algumas semanas. Desde a última vez que o vi e ele me mostrou algumas visões do futuro, ele parece estar indisponível."

"Ainda não tenho certeza quanto à visão sobre o prisioneiro sendo arrastado até você, mas aparentemente uma se realizou." Namjoon murmurou. Taehyung ergueu as sobrancelhas. "Aquela visão sobre um homem de costas na proa de um navio. De acordo com a sua descrição, aquele com certeza era Evian."

Taehyung ficou sem palavras. Ele havia esquecido sobre essa, para falar a verdade. Havia ficado tão focado nas outras visões que não tivera tempo para pensar sobre aquela. Surpreso, ele deixou a mente voar para o mercenário, que ainda estava jantando no salão. Ele realmente havia o visto durante a viagem para Trilon por meio de Raghan. O quão importante era Evian para que o dragão da primavera tivesse o mostrado por meio de uma visão? O que Evian faria no Leste? Qual era seu papel nisso tudo? Sua cabeça doía apenas de pensar sobre.

"Bem, acho que já disse o que eu queria dizer. Seja esperto, Taehyung. Você não é o filho de Kim Taecyeon à toa. Você herdou o talento, juízo e cabeça do maior rei consorte que o Leste já teve, eu espero mais de você."

Taehyung sufocou um gemido ao lembrar-se do pai e da razão de ter chamado Evian para o jantar mais cedo. Eunjin...

"O que foi? Você está triste pelo que eu disse?"

"Não, você está certo... Não é nada." Taehyung dispensou o comentário. Não tinha energias para discutir com o primo sobre a irmã. Quando o assunto finalmente permitisse, diria sobre suas preocupações, mas agora ainda não. "Eu prometo que não serei descuidado e que Evian, apesar de muito bonito, não faz meu tipo. Eu tenho que encontrar uma esposa, não um concubino."

Namjoon rolou os olhos, mas pareceu satisfeito.

"Tudo bem, eu obviamente confio em você. Vou mandar uma carta para o Jin dizendo que ele se apresse, pois precisamos dele aqui, já que eu sou péssimo em tentar controlar você."

Taehyung sorriu para o primo, que sorriu de volta. Eles realmente eram uma família unida.

"Então desista."

"Alguém precisa cuidar de você, Tae."

Com isso Namjoon sorriu uma última vez e partiu, deixando o primo no corredor, pensando alto.

Taehyung considerou voltar para a sala de jantar, mas quando ouviu passos atrás de si, não precisou voltar. Ao se virar encontrou Evian caminhando pelo corredor. Ele imediatamente se pôs a observar o outro homem, que dessa vez vestia vestes simples do Leste, na cor preta. Seu cabelo estava amarrado e ele parecia tão bonito quanto um dia de sol, apesar da aura gelada. Taehyung imediatamente repreendeu-se em pensamento.

"Vossa majestade." O mais novo fez uma reverência ao passar por ele.

"Hwang Evian." Taehyung o cumprimentou de volta. "Obrigado por me acompanhar ao salão. Apesar de nosso tempo ter sido curto, fico feliz."

"Foi uma honra, majestade."

Taehyung sentiu uma pontada no peito. Estava levemente desconfortável ao ouvir o outro chamá-lo de majestade. Estava quase sugerindo que Evian o chamasse pelo nome quando se lembrou das palavras do primo. Ele havia prometido que não iria cometer nenhum erro quanto ao sulista, e iria cumprir com a sua promessa.

"Quando podemos ter nossa segunda aula?" Evian perguntou. Seus olhos azuis celestes estavam um tanto mais claros, como se brilhassem. Taehyung desviou o olhar.

"Amanhã eu tenho um compromisso, mas vou pensar em uma data durante essa semana. Enquanto isso eu lhe sugiro que vá até a biblioteca e encontre algo produtivo para passar o tempo. Ainda terei que discutir com alguns guardas sobre deixar você se exercitar fisicamente junto com eles e sobre sua escolta pessoal para que ande pelo castelo..."

"Não tem pressa, majestade. Mas acho que vou aceitar a sugestão da biblioteca."

"Claro, eu deixarei Gayoon saber disso e ela designará alguém para acompanhá-lo, não se preocupe."

Os dois continuaram em pé na frente um do outro, sem saber o que dizer. Taehyung ergueu os olhos e Evian desviou os seus, focando no chão. Taehyung abriu um sorriso brando.

"Tudo bem, então vou voltar para o meu lado do castelo." O mais novo murmurou.

"Ah, claro." Taehyung se apressou em dizer. "Boa noite, Evian."

"Boa noite, majestade."

Evian se curvou mais uma vez e saiu, quase correndo pelo corredor. Taehyung o observou até que ele saísse da sua vista, e quando isso finalmente aconteceu, ele suspirou. O que estava acontecendo? Ele não sabia o que estava sentindo exatamente, mas sabia que existia algo ali. Talvez algo maior do que ele ousava procurar.

 

☽☾

 

Esse era possivelmente o dia mais quente que Ahura havia vivido no reino do Leste. O sol brilhava no céu de cor laranja, lançando seus raios em tudo o que podia tocar. A mulher colocou uma mão na testa, tentando criar uma sombra que pudesse fazê-la ver melhor onde estava. Desistindo, ela puxou um cantil de água e molhou os lábios.

"Isso só pode ser uma brincadeira." Kun disse ao seu lado. Ahura virou-se para o outro, que estava com os olhos apertados debaixo da luz solar, encarando tudo com irritamento. Ele estava montando uma égua de pelagem cinza, que parecia cansada. "Nós estávamos em um reino onde flores e frutas basicamente nascem das paredes. E agora estamos em um deserto? O que é esse continente?"

Para falar a verdade, ela também estava nervosa sobre isso. A diferença entre o clima do reino do Leste e a zona neutra, Selsmire, era demais. O dia parecia perfeitamente comum, nem tão quente e nem tão frio, uma verdadeira primavera, e agora o sol os castigava de forma exaustiva. Ela sabia sobre a diferença climática, mas eles estavam cavalgando a pouco mais de uma hora, esse comportamento era incomum.

"Nós estamos em Selsmire, mais precisamente, o deserto de Selsmire." O general Seokjin explicou, sempre pronto para tirar as dúvidas dos mercenários.

Desde a viagem do grupo com o homem, ela estivera de olho nele. Ahura poderia ser uma ótima espiã, mas mesmo ela estava tendo dificuldades em entender o outro. O Kim sempre parecia composto e nunca compartilhava demais sobre algo. Ela ouvira de Jeongguk que o mais velho era o capitão da guilda de espiões do Leste, e ela podia ver que sim. Ele era bom demais em seu trabalho, tão bom que se não fosse as informações entregues por Jeongguk, ela não teria nenhum tipo de personalidade traçada para o general.

"É esse lugar que temos que atravessar para chegar ao Sul?" Huiteng perguntou, fazendo seu cavalo andar até mais perto do general. O homem estava visivelmente suando, sua pele molhada e os braços desnudos.

Seokjin estendeu um mapa para o líder, e apontou para um lugar específico.

"Nós estamos aqui." O general tocou no que parecia uma mancha no mapa. "Chamamos de ponte Leste. Selsmire é como se fosse uma ponte de quatro setores no meio do continente, e é uma zona neutra. Vocês não precisam a atravessar, apenas a percorrer pelos cantos, podem tentar ir pelas dunas e se continuarem sempre indo para a esquerda, irão chegar até a cidade de Nianya, no Sul."

Huiteng murmurou algo baixinho, os olhos grudados no mapa.

"Não é possível ir pelo mar?" Perguntou afinal. Ahura levou seu cavalo para um pouco mais perto, para ter acesso visual ao mapa. Detestava ficar sem saber o que estava acontecendo ou deixar tudo nas mãos do leão dourado. Detestava qualquer coisa que lhe tirava a voz ou a opinião. "Pelo que eu vejo, seriam poucas horas em um barco."

Seokjin suspirou.

"Infelizmente não. Há tratados centenários que impedem qualquer tipo de invasão pelo mar, e, além disso..." Seokjin mordeu o lábio, provavelmente demonstrando pela primeira vez que estava desconfortável. "Ninguém nunca voltou de viagens através o oceano."

"Como assim?"

"Dizem que o mar ao redor dos reinos é enfeitiçado, uma forma de manter os dragões separados em suas devidas estações, mas é apenas uma lenda. O que é verdade, porém, é que ninguém nunca voltou de nenhuma expedição." Seokjin contou com a voz um tanto mais baixa, como se estivesse nervoso de dizer isso. "Viajar para fora é possível, mas entre os reinos? Impossível. Só se pode atravessar as estações por Selsmire."

"E onde fica a cidade portuária do Sul? Eles devem ter uma como Trilon, não é?" Ahura sugeriu, se intrometendo na conversa. Huiteng ergueu o olhar para ela, mas não disse nada, resolvendo encarar o general.

"Tudo o que sabemos sobre o Sul é muito substancial, informações dadas por Selsmire ou tiradas de prisioneiros de guerra há cento e cinquenta anos. O que eu sei é que é possível que haja um porto em Aedon, uma cidade extremamente a sul. O problema é que ela é além da floresta de Snowspell, o local mais frio do continente, e ela é coberta por montanhas de gelo."

"Deixe-me adivinhar: há lendas sobre esse lugar também." Kun murmurou de onde estava.

"Lendas não, mas relatos de soldados sulistas. Nem mesmo eles se aventuram por Aedon, imagina mandar forasteiros para um lugar tão perigoso!" Seokjin exclamou. "Eu estou pagando vocês para fazer seu trabalho, não para morrerem no caminho."

Ahura apertou as rédeas e o cavalo se mexeu levemente. Ela não sabia nada sobre Erawan, muito menos sobre a geografia do lugar, e de quebra, não estava gostando muito do que estava descobrindo. Jeongguk havia lhe contado sobre a floresta de Snowspell e alguns aspectos do reino do Sul, sobre como esfriava muito mais antes do amanhecer e após o sol cair e era inteiramente rodeado por montanhas enormes que serviam tanto como proteção como gaiola aos sulistas.

"E uma vez lá o que vamos fazer?" Ahura perguntou, querendo que os homens focassem na parte mais importante da missão. Atravessar Selsmire era um desafio, mas não um desafio impossível. Eles poderiam facilmente fazer tal coisa, mas quando chegassem ao Sul seria diferente. "Se eles têm portões como os portões aqui no Leste, como vamos atravessar?"

"Finalmente alguém pergunta algo útil." Areum disse, a voz um pouco mais grossa, talvez porque já havia bebido todo seu cantil de água. "Não interessa se conseguiremos atravessar esse deserto se não vamos conseguir atravessar os portões do Sul."

"O deserto de Selsmire se chama assim por causa da fortaleza de Selsmire." Seokjin respondeu. "Selsmire é uma espécie de cidade templo que abriga milhares de monges em seus muros e os ensina diversas técnicas milenares. Eles cultuam os espíritos dos dragões e ajudam os hospedeiros a se conectarem melhor. E, para nossa felicidade, são provavelmente os únicos que Jeonggi não proibiu em solo sulista."

"E você planeja fazer o quê?" Kun perguntou, ainda sem entender a linha de raciocínio do general.

"Nós do Leste temos um acordo muito antigo com Selsmire, e com um pouco de sorte e incentivo do Leste, vocês serão aceitos lá como nossos mensageiros e então... Então vocês estarão entre os monges de Selsmire que irão para o Sul, e assim poderão atravessar os portões sem serem incomodados. Já está tudo combinado, vocês não precisarão se preocupar."

Isso parecia algo muito preocupante para Ahura. Ela precisava de detalhes, precisava de explicações melhores do que essa. Eles iriam se disfarçar de monges e entrar junto com eles no reino do Sul? Uma vez em Nianya, o que fariam? Ela não conseguia entender. Honestamente estava desejando que Kyoto ou Xinyi tivessem vindo em seu lugar na missão. Estar em Ventimund era estar em casa, encarar o comum e saber o que lhe esperava. Em Erawan não. Ao menos se Jeongguk tivesse vindo com eles... Mas não. Huiteng havia enviado o homem para a capital do Leste sem nem explicar o motivo. Por que ele queria tanto separá-los?

"Os detalhes estarão sendo entregues quando voltarmos para Gallore e nos reagruparmos..."

"Shh!" Areum exclamou de repente. Ahura imediatamente se empertigou no cavalo.

"O que é?" Huiteng sussurrou.

"Eu ouvi algo."

Areum olhou ao redor mais uma vez, encarando as dunas de areia clara que reluziam os raios de sol. Debaixo de toda aquela luz, ela parecia deslocada com suas vestes verdes escuro. Seus cabelos ruivos estavam trançados e caíam sobre suas costas.

"Você deve ter ouvido algum animal. É impossível que algo ou alguém nos ataque nesse deserto." Seokjin disse, mas mesmo ele tocou a espada na bainha em sua cintura.

"O que você ouve, Areum?" Kun perguntou, ignorando as desculpas de Seokjin e pulando do cavalo para a areia. Em segundos o homem estava levando a mão para as costas, apenas para agarrar o ar. Suas armas haviam sido guardadas há dias para que nenhum acidente ocorresse. Ahura agradeceu por ter guardado uma adaga nas mangas da veste mais cedo. Infelizmente sem o arco de Kun, se algum problema viesse, eles estariam em grande desvantagem.

Ela sentiu o vento mudar. Uma sensação de bolhas tomou conta do seu estômago e ela pulou do próprio cavalo, seus calcanhares afundando na areia. Seria muito melhor para lutar no chão, se chegasse a isso. Sentia aquela velha sensação de nervosismo que vinha antes de um perigo, que vinha antes de uma batalha. Ela quase se virou para a direita, onde Jeongguk costumava estar, sempre com suas espadas gêmeas nas mãos, os olhos azuis como gelo centrados no horizonte.

Areum encarou o líder, com os olhos castanhos arregalados.

"Eu ouço..."

Algo estalou a sua esquerda e Ahura imediatamente pulou para o lado contrário, enquanto seus olhos escaneavam o que estava acontecendo. Seu cavalo começou a relinchar de dor, caindo de joelhos na areia quente.

"Flechas!" Kun berrou.

Dali para frente foi como se o caos espiralasse entre o grupo. Areum correu para buscar abrigo, mas não havia onde se proteger. A ruiva então se escondeu atrás do próprio cavalo, puxando as rédeas para que o animal não fugisse. Huiteng, ao lado de Seokjin arregalou os olhos e seu cavalo empinou, assustado com a comoção.

"Dividam-se!" Huiteng ordenou em um grito.

Ahura ouviu o estalar de uma flecha a sua direita e se abaixou imediatamente, caindo de barriga no chão ao lado do seu cavalo atingido. O garanhão relinchava de dor e se sacudia na areia, provavelmente de tão quente que estava, e o barulho que o animal fazia fez Ahura tremer. Ela puxou a adaga da manga, apesar de não saber como poderia usá-la contra arqueiros.

"De onde essas flechas estão vindo?" Seokjin perguntou com um grito, pulando do seu cavalo quando uma flecha passou voando pelos seus cabelos.

"Estão vindo da nossa reta, atrás daquela duna!" Kun respondeu apontando para a direção certa. "Pela quantidade de flechas, devem ser três arqueiros! Nós teremos que nos aproximar, não podemos combatê-los de longe!"

"Ahura, pegue o cavalo de Kun, você e Areum vêm comigo!" Huiteng mandou, a voz alta e comandante como sempre.

Seokjin tirou uma adaga da bolsa do cavalo que tentava fugir e a jogou para Ahura, que se arrastou para pegá-la. Agora armada com duas lâminas, ela quase se sentia em casa.

"Kun! Agarre seu cavalo!" Berrou, e Kun, apesar das flechas que ainda voavam pelo ar, pulou para frente, tentando agarrar as rédeas do cavalo, que estalavam no ar. "Abaixe!"

Kun abaixou-se, expondo seus ombros para a ruiva, que tomou impulso e pulou sobre as costas do colega, usando o corpo de Kun como trampolim e caindo sobre as costas do cavalo, que berrou ao sentir o peso inesperado. A ruiva se abraçou ao pescoço do animal, tentando impedir-se de cair, e alcançou as rédeas, as puxando com força.

Huiteng e Areum gritaram e estalaram as rédeas de seus cavalos, que correram a frente. Ahura fez o mesmo e a égua de Kun começou a galopar junto deles. Os três cavalgaram lado a lado, fazendo os cavalos pularem na areia, não os dando tempo para que as patas se afundassem, galopando em zigue-zague e tentando impedir as flechas de lhes acertarem. Ahura queria olhar para trás e garantir que Kun estava bem, mas precisava focar.

Se Jeongguk estivesse ali, o que ele faria?

A duna foi escalada rapidamente, e logo Huiteng pulava de seu cavalo direto entre o grupo de arqueiros que lhes atacava. Areum pulava ao seu lado, aterrissando em cima de um dos homens. Ahura tentou absorver rapidamente a cena, e pulou das costas da égua, tomando impulso e caindo entre a luta que começava entre os três Kuài Jie e os atacantes.

A ruiva aterrissou entre os colegas, que seguravam suas pequenas armas e começavam a brandi-las entre os homens a sua frente. Ahura contou oito homens, três segurando arcos e o resto segurando espadas compridas e comuns. A mulher virou uma das adagas na palma da mão e a enviou voando para o peito de um dos homens, que gritou ao sentir a lâmina lhe perfurar a pele.

Ahura sorriu ao correr até a sua vítima e chutou-lhe o ombro, fazendo o homem cair de costas na areia, onde ela rapidamente empurrou sua adaga mais a fundo, matando o estranho ali mesmo. Puxando a lâmina, ela se virou de costas e atacou mais um dos homens, usando a adaga de Seokjin para cortar-lhe o braço e a adaga direita para abrir um comprido talho na sua garganta, que jorrou sangue. Outro homem correu em sua direção e ela viu de relance Huiteng brandir uma pequena espada roubada de um homem que jazia a seus pés contra um dos estranhos.

"Deixem um vivo!" O leão dourado exclamou. Sim, eles iriam ter que interrogá-los sobre o que pretendiam com a morte deles.

O homem que corria em sua direção tinha uma mão queimada que segurava uma espada de bronze, e quando ele a brandiu em sua direção ela percebeu que lhe faltava técnica e talento. O homem fez um movimento de espetar com a lâmina e Ahura se abaixou, desviando da ponta. Com uma de suas adagas, a ruiva empurrou a espada para o outro lado e com a outra, cortou o braço do homem, que abriu a boca para berrar de dor. Com um movimento rápido, a raposa escarlate levou a adaga de Seokjin para a garganta do estranho, perfurando a pele e músculo com facilidade. O sangue do homem jorrou de seu ferimento fatal e encharcou a mão de Ahura, que sacudiu a adaga para tentar afastar o líquido da lâmina.

Olhando ao redor, viu Areum dar uma rasteira em um dos arqueiros, que caiu de rosto na areia quente, gemendo de dor. A mulher mais velha pulou para a cintura do homem, que foi impedido de se mexer, e deu um soco no rosto dele, o nocauteando na mesma hora.

"Esse aqui está vivo!" Areum exclamou para os outros.

Ahura sorriu para a mais velha, que estava com as mãos encharcadas de sangue. Huiteng, que lutava com o último dos atacantes, fez um giro com a espada, desarmando o adversário e o empalou com a ponta da lâmina, estocando com ferocidade. A ponta da espada desapareceu no estômago do homem e reapareceu em suas costas, e quando Huiteng já tinha a mão quase dentro do corpo do estranho também, largou o cabo da arma.

"Acabou?" Ahura perguntou, sentindo a adrenalina correr pelas veias.

"Acho que s-" Areum arregalou os olhos castanhos. "Cuidado!"

Ahura não teve tempo de perguntar nada, pois imediatamente sentiu as pernas levarem um golpe. Caiu de costas na areia, onde um homem que ela não havia contado antes, pulou em cima dela. A ruiva imediatamente segurou as adagas nas mãos, mas o homem golpeou seus pulsos, e a dor foi tanta que ela largou as armas. Ela ouviu Huiteng e Areum correndo para alcançá-la, mas eles estavam correndo sobre areia, e certamente não conseguiriam a alcançar a tempo.

Quando estava quase aceitando que morreria ali no deserto, sem nem ao menos ver a neve cair no reino do Sul, um grito soou nos seus ouvidos e uma espada atravessou o crânio do homem que lhe atacava.

O sangue do estranho a banhou instantaneamente, mas o corpo do homem tombou para a esquerda com a força do ataque. Gritando em instinto, com a luz do sol queimando seus olhos, Ahura mal viu a mão que era oferecida para que ela tomasse e se erguesse do chão.

Era Seokjin, com o bonito rosto coberto com respingos escarlates, lhe encarava com a testa suada e os cabelos grudando nas têmporas.

"Senhorita Ahura, é melhor se levantar antes que a areia queime as suas costas."

Ahura respirou fundo e pegou a mão do general, que a puxou em pé e a segurou com cuidado. Seokjin, quando viu que a ruiva não estava machucada, a largou e passou uma mão na própria testa, tentando limpar os respingos de sangue.

"Vocês deixaram um vivo?" Seokjin perguntou, esfregando a testa.

Areum engoliu em seco e se apressou para verificar o homem que havia nocauteado, colocando uma mão no nariz dele para se certificar de que ainda estava respirando.

"Sim, esse aqui está vivo."

"Ótimo." Seokjin suspirou, visivelmente aliviado. "Vamos levá-lo para Gallore. Eu tenho algumas perguntas para fazer a ele."

"E quanto ao resto?" Huiteng perguntou, apontando para o corpo dos outros sete homens.

Seokjin virou-se para encarar os cadáveres ao chão, com o sangue escorrendo entre a areia e criando desenhos aterrorizadores com os respingos, que secavam debaixo do sol. Os homens vestiam vestes comuns que Ahura havia visto alguns camponeses de Gallore vestirem, mas os tecidos azuis pareciam mais rudes e pobres. Suas botas de couro usadas estavam sujas e ela podia ver que o rosto dos que não tiveram as feições destruídas estava suado e vermelho, talvez de estar tanto tempo no deserto. O general fez um som de escárnio e virou-se de costas.

"Façam uma pilha com os corpos. Se eles tiveram a coragem de nos atacar em plena luz do dia em uma zona neutra, eu não tenho que ter simpatia alguma. Vou queimá-los com as roupas do corpo."


Notas Finais


espero que tenham gostado, até o proximo!


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