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História Suiryu: A ERA DOS DRAGÕES (taekook) - Capítulo 26


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Notas do Autor


#TESS eai minhas belezas? tudo bem com vcs? espero que sim. bem, sejam todos bem vindos ao final de um grande arco de suiryu. a partir de agora esperem por ação, dedo no cy e gritaria em todo o capítulo. pra quem ainda está aqui e nao dropou depois do ultimo capítulo: MUITO OBRIGADA!!! obrigada por lerem e dar um pouco de felicidade pra minha pequena e pobre pessoa. amo vcs e queria dar um abraço em todo mundo hehe
previously on suiryu: huiteng se revelou um jeon, fez uma aliança com o jeonggi e irritou a heejin, que decidiu acabar com a festinha dos dois revelando tudo pro taehyung por carta, aka: miga vc nao sabe quem eu vi hoje. ela matou a ahura tb e é isso. BOA LEITURA!!!

Capítulo 26 - Lie


Mingyu ainda não havia aberto a boca desde que Seokjin lhe chamou para colocar o plano de desmascarar Somin em ação. Já se passavam dois dias desde que ele havia contado ao primo que Seunghyun estava morto e desde lá o mais novo estava lhe evitando, o que era completamente compreensível. Mingyu e Seunghyun eram amigos e Seokjin havia o matado; se fosse ele, também não o perdoaria.

O problema era que isso estava afetando sua relação com o mais novo. Encontrá-lo para ir até os aposentos de Somin havia sido um inferno, mas finalmente o general o achou, sentado no jardim onde costumava ensinar Jeongguk quando Taehyung não tinha tempo, parecendo muito abatido. Ele prontamente atendeu o pedido do general, mas o ato foi claramente algo que ele fez pelo bem do seu trabalho. Os dois estavam na ala dos quartos das pretendentes do rei, mas ainda não haviam dito uma única palavra um para o outro.

Talvez fosse a hora dele conversar com o mais novo novamente. Eles precisavam trabalhar juntos de qualquer forma.

"O quarto de Somin é este aqui." Seokjin murmurou para o outro, puxando uma chave e a girando na fechadura da porta. Felizmente ser o primo do rei tinha inúmeras vantagens. "Jeonghan reportou que toda quarta feira ela sai e toca piano com o resto das pretendentes na sala de música na companhia de Eunjin. Com nossos ajustes, ela ficará lá a tarde toda."

Seokjin havia contratado, junto com Seungcheol, uma professora de piano para ensinar as pretendentes algumas músicas clássicas, com a desculpa de que o grande baile em comemoração aos cinco anos da princesa Eunjin estava chegando e uma delas poderia tocar um solo especial. As mulheres pularam ao ver a chance de impressionar Taehyung com suas habilidades e Seokjin ganhou uma tarde inteira no quarto da sulista.

Ainda era chocante que a filha de Jeonggi estava no reino do Leste sem ninguém ter percebido. Era ainda mais chocante que ela estava lá há quase três meses sem queimar seu disfarce. Esse era o tipo de talento que Seokjin procurava em seus homens quando iam em missões. Somin era a espiã perfeita: calma, elegante, refinada e controlada. Não apenas controlada consigo mesma, mas com seus arredores. O seu único erro foi revelar a sua identidade a Jeongguk, sem acreditar que ele diria a alguém. Felizmente Jeongguk tinha Seokjin. Jeongguk tinha seus amigos.

A porta do quarto se abriu e os dois homens deslizaram para dentro, não sem antes verificar se não havia ninguém os observando nos corredores.

O quarto de Somin era limpo e organizado. As janelas estavam abertas e iluminavam o recinto, a mobília do quarto era a padrão fornecida pelo castelo, portanto não haviam surpresas ali. Era um quarto comum de hóspedes e nada parecia ser novo ou trazido pela princesa sulista. Haviam cosméticos em uma escrivaninha, mas nada além disso poderia sugerir algo em especial.

"Mingyu, olhe os armários, eu vou olhar as gavetas."

Mingyu, como sempre, não disse nada, apenas assentiu com a cabeça e se virou de costas. Seokjin mordeu o lábio, parado por um segundo a mais do que deveria observando o primo ir, mas finalmente focando na tarefa à mão.

Ele começou pela gaveta na mesa de cabeceira, onde encontrou papéis vazios de carta e tinta para escrever. Isso queria dizer que a princesa escrevia cartas a alguém e ele poderia palpitar alguns nomes. Ele pulou para a estante e escrivaninha, mas assim como a mesa de cabeceira, não havia nada que pudesse lhe dizer algo sobre ela.

"Encontrou alguma coisa?" Perguntou a Mingyu, que ainda estava abrindo baús e revirando as roupas da princesa.

"Ainda não." Foi a resposta.

Seokjin suspirou em frustração e começou a procurar em lugares menos convencionais, como debaixo da cama, atrás do espelho, entre os travesseiros. Chegou tão longe a começar a sapatear sobre o piso, esperando que talvez houvesse uma parte do chão de madeira que pudesse ser usada como um armazenamento secreto. Tudo em vão.

"Não há nada aqui, general." Mingyu reportou após terminar de vasculhar os armários da menina.

"Ela é muito boa. Boa mesmo. Não deixa nada que possa dizer quem realmente é." Seokjin murmurou. "Acho que estamos perdendo o nosso tempo aqui."

"Também acho." Mingyu respondeu com um tom agressivo. Seokjin ergueu os olhos para ele, mas Mingyu imediatamente desviou o rosto, escondendo do primo as suas emoções. Seokjin suspirou e caminhou em direção do outro.

"Nós precisamos conversar, Mingyu." Disse o general.

"Após essa missão, eu..."

"Após nada. Vamos conversar agora. Ainda temos tempo de sobra até que Yoonah volte." Disse o mais velho. Quando chegou perto o suficiente de Mingyu, viu as olheiras sob seus olhos e a forma em que seus ombros estavam caídos. "Me diga o que você está sentindo."

Mingyu ergueu os olhos verdes e Jin percebeu o quão triste ele estava. Isso doeu nele, ainda mais sabendo que ele era a causa de sua tristeza.

"Eu estou me sentindo horrível. Um dos meus melhores amigos foi morto e a única razão que você me deu foi que você não teve escolha. Fico me perguntando se ele fez algo errado e o traiu ou se você simplesmente o matou por capricho."

As palavras acertaram Seokjin como um tapa. Era isso que Mingyu pensava?

"E o pior é que você não nos diz o motivo, não me diz porque Seunghyun está morto. Você chegou aqui ordenando que encontrássemos algo sobre essa pretendente de Taehyung, que salvássemos Evian, mas diz que matou Seunghyun e não diz o porquê. Eu estou confuso, porque aqui de onde estou a única coisa que consigo pensar é que Seunghyun pode ter descoberto algo que você não tenha gostado."

"Mingyu, eu não posso lhe dizer o motivo porque é um segredo maior do que eu. Envolve não só o Leste, mas outros reinos. Seunghyun não mereceu o que eu fiz a ele, mas eu fiz o que fiz para proteger esse segredo e não me arrependo."

"Como um segredo pode ser tão poderoso a ponto de tirar a vida de uma pessoa inocente?"

Seokjin não sabia mais o que dizer, aquele era seu limite. Mingyu tentava rebater seus argumentos com palavras que não vinham mais de seu racional e sim do seu coração. Seokjin sabia que ele estava agindo diferente de tudo o que ele sempre havia prezado em seus homens, mas era isso o que fazia Mingyu tão especial: ele tinha um coração de ouro e se recusava a deixar isso morrer.

"Esse segredo também envolve outra pessoa. Várias outras pessoas. Envolve o rei do Oeste. Envolve o príncipe do Norte. Envolve a família sulista. Esse segredo é possivelmente a coisa mais importante que já aconteceu no reinado do Taehyung."

Mingyu arregalou os olhos em surpresa. Mais importante do que o assassinato de Taecyeon?

"Entendo." Disse o mais novo, baixando a cabeça. Seokjin podia ver que ele podia entender, mas ainda não conseguia aceitar. Provavelmente nunca aceitaria, mas Seokjin não o julgava por isso. "Ao menos... Ao menos foi rápido?"

"Foi. Ele não sentiu nenhuma dor."

Mingyu engoliu em seco e assentiu com a cabeça, ainda abatido, mas sua força gradualmente voltando.

"Sei que é difícil, mas temos que sair daqui. Vamos nos reunir com o resto dos meninos e formular um novo plano. Não sei se procurar os podres de Yoonah ajudará na missão..."

"Você acha que ela matou Bogum?" Mingyu perguntou baixinho. "É por isso que estamos aqui? Não porque você duvida dela, mas porque acha que ela é a assassina?"

Seokjin hesitou por um segundo se deveria responder ou não. Mas Mingyu era seu primo. Tão seu primo quanto Namjoon e Taehyung e se não pudesse confiar na sua família e em seus homens... Então por que os mantinha por perto? Ele precisava aprender a se abrir.

"Sim. Sim, eu acredito que tenha sido ela."

Mingyu balançou a cabeça.

"Eu pensei nisso também. Evian me contou que ela ficou nervosa na presença de Bogum. Ele pensou que Bogum estava assediando Yoonah, ou pior." Respondeu o mais novo. "Eu estava preocupado. Ia falar com Namjoon, mas pensei que se fosse sério, ela mesma teria dito alguma coisa. Foi um erro idiota. Se eu tivesse dito, talvez Bogum estivesse vivo."

"Ei, não pense assim." Seokjin colocou a mão no ombro do primo, apertando carinhosamente. "Nós não temos culpa das coisas. Às vezes não conseguimos impedir tragédias, mas isso não diz respeito a quem nós somos. A lição que tiramos das nossas falhas, essa sim, deveria ser a coisa mais importante."

A lição que tiravam de suas falhas... Seokjin arregalou os olhos.

Como ele não havia percebido antes? Ele sabia como desmascarar Somin! Era verdade que ela não deixava nenhum buraco em seus planos – nem mesmo os homens que havia contratado para sequestrar Eunjin sabiam para quem estavam trabalhando – mas ela havia falhado quando havia contado à Jeongguk sobre seus planos e quem era.

A primeira coisa que ele havia pensado quando soubera, ainda na cela de Jeongguk, era que ela havia contado a ele porque sabia que ele não contaria. Ou seja, ela estava se preparando para matá-lo. Seokjin havia desistido dessa ideia após ela não ter atacado o Jeon por dias. Mas agora ele sabia que ela não tinha desistido. Estava apenas esperando o momento certo para atacar. Ele precisava apenas que Taehyung e Gayoon estivessem lá na hora, porque sabia que ela iria se acusar. Sabia que ela iria falar mais e esse poderia ser o seu fim.

"Mingyu, eu sei que matei Seunghyun e falhei com você. Mas dessa vez, mesmo que você esteja contra mim, preciso que me ajude a salvar Evian. Você perdeu um amigo, mas não todos. Evian precisa de você."

Mingyu suspirou e ergueu o rosto, encarando Seokjin com força atrás dos olhos. Ele iria ajudar Jeongguk, não havia dúvidas sobre isso. Seokjin não sabia o que havia acontecido durante sua estadia em Gallore, mas sabia que Mingyu e Jeongguk haviam criado um laço que seria difícil quebrar. Um laço de amizade e confiança. E era esse laço de Jeongguk, não como Jeongguk, mas como Evian, que o salvaria. Seokjin sorriu internamente. Jeongguk tanto queria salvar a si mesmo sem usar sua verdadeira identidade que estava conseguindo. Mingyu confiava nele apenas por quem ele havia mostrado ser naquele mês. Seokjin só esperava que essa fosse a prova que o Jeon queria. Que isso fosse o suficiente para que ele aceitasse a sua identidade.

"Diga-me o que você precisa, general."

☽☾

Taehyung sentia cada um de seus ossos doerem sob sua pele. Seus músculos estavam rígidos e seus olhos ardiam de tanto segurar as lágrimas. Ele estava trancado no próprio quarto, sob ao menos cinco mantas e abraçando forte o travesseiro, afundando em um luto que só sentira duas vezes na vida.

Talvez a reação fosse exagerada para ele, o rei do Leste e dragão da Primavera, mas ele não conseguia impedir. Bogum estava morto e quem havia matado... Ele nem mesmo conseguia caminhar sobre essa estrada. Toda a vez que imaginava a cena tinha vontade de vomitar. Não conseguia acreditar que o culpado houvesse sido Evian.

Ele não conseguia encontrar razões para entender a mente do mercenário e já havia desistido de tentar. O enterro de Bogum havia acontecido há dois dias e Taehyung, como rei do Leste, tivera que oferecer ao corpo do embaixador todas as honras e pompas que lhe eram direito por lei. Duas cartas haviam sido enviadas a Jimin por falcão: uma com suas condolências e uma outra em que Taehyung absolutamente abria todo o seu coração ao amigo. Para falar a verdade estava com medo da reação de Jimin. Apesar de Bogum e o rei do Oeste não serem próximos, eram primos e amigos de infância e Jimin havia pessoalmente designado o primo ao cargo de embaixador do Leste quando se tornou o rei. Isso só pesava cada vez mais na sua consciência porque Taehyung basicamente havia deixado que ele fosse morto sob seu próprio teto.

Sentindo a garganta apertar, Taehyung se enterrou ainda mais abaixo dos cobertores. Havia tirado aquele dia inteiro para que pudesse lamentar a morte do embaixador como uma pessoa normal. Sentia, dentro de si, uma tentativa sutil de Raghan de melhorar seus ânimos, uma leve aura de serenidade que ele sabia muito bem que não pertencia a ele. Era gentil da parte do dragão tentar levantar seus espíritos dessa forma, ainda mais quando já fazia muito tempo desde que haviam conversado. Taehyung planejava chamar pelo dragão esta noite, quando sonhasse. Sentia falta de Raghan e suas conversas incrivelmente intuitivas. Talvez o dragão da Primavera conseguisse o retirar da tristeza que estava sentindo.

Estava tão perdido em seu próprio luto que mal percebeu a suave batida na porta dos seus aposentos.

"Eu já disse para ninguém me incomodar hoje!" Grunhiu enquanto empurrava os cobertores para longe do rosto, para que sua voz não saísse abafada para qualquer que fosse a pessoa do outro lado.

"Eu sei. Mas eu sou a exceção."

Era Seokjin. Só ele tinha aquele tom debochado quando falava com o rei.

"E quem disse que é?"

"Eu mesmo disse, seu primo mais velho."

Taehyung engoliu a vontade de chorar. Estava com saudade de Seokjin. Seu primo havia chegado há quatro dias de Gallore, mas haviam se visto muito pouco. O mais velho havia apenas passado pelo velório e enterro de Bogum e não havia nem mesmo cumprimentado Taehyung, sempre muito ocupado. Embora Taehyung quisesse conversar com ele, estava levemente magoado por não ter sido a prioridade do mais velho.

"Mas eu sou o rei." Ele respondeu, se levantando da cama e andando até a porta.

"Não confunda seu trabalho com quem você realmente é." A resposta de Seokjin veio assim que ele chegou à maçaneta. Taehyung abriu um sorriso pequeno ao ouvir o tom brincalhão do outro, como eles faziam milhares de vezes desde a infância.

"E quem eu sou?"

"O primo mais novo do grande general Kim Seokjin."

Taehyung abriu a porta e Seokjin apareceu ao batente, o rosto um pouco mais sombrio do que ele lembrava, mas definitivamente o seu primo de sempre. O general sorriu e entrou no quarto de Taehyung, que imediatamente fechou a porta atrás dele e o abraçou.

"Você é o pior primo do mundo." Disse o rei. "Você ficou fora por um mês e quando volta nem fala comigo?"

"Você é muito mimado, sabia? Namjoon nunca esteve errado." Jin abraçou o primo de volta, sentindo-se bem melhor agora que o via em perfeito estado. Desde que havia conversado com Seojoon sobre Somin e desde o assassinato de Bogum ele estava ainda mais paranoico quanto a segurança do mais novo. Não conseguia imaginar como seria se a garota decidisse agir primeiro e simplesmente matasse Taehyung.

"Eu senti a sua falta. As coisas aqui estão diferentes."

"Eu sei." Seokjin soltou Taehyung. "Tenho uma coisa para lhe dizer, mas você tem que prometer que vai ouvir até o final."

Taehyung bufou.

"Não me diga que são mais más notícias. Eu acabei de enterrar Bogum."

A expressão de Seokjin suavizou, seus olhos ficando mais claros e definitivamente mais doces.

"Eu sei. Como está se sentindo?"

Taehyung mordeu o lábio para se impedir de chorar. Não era um ato muito real da sua parte. Precisava se manter com a cabeça limpa para que continuasse reinando direito sobre seu povo.

"Eu estou bem." Respondeu, mas Jin percebeu imediatamente o tom na voz do primo.

"Taehyung..."

"Eu estou bem. Preciso estar."

"Sim, mas Bogum era uma pessoa especial para você e Evian..."

"Pare." Ele pediu, tremendo. "Eu já disse que estou bem. O que é que você quer me dizer?"

Antes que Seokjin respondesse, novamente bateram na porta e o general se apressou para abrir sem nem mesmo perguntar ao primo.

"Finalmente." Disse o mais velho ao encontrar Namjoon e Mingyu do outro lado. Taehyung observou os dois entrarem no quarto e rapidamente o cumprimentarem, Mingyu com mais educação do que Namjoon. "Pensei que tinham se perdido."

"O general Namjoon estava na câmara sob a biblioteca." Mingyu respondeu, seu tom claramente o que usava com seus superiores.

Mingyu era seu primo de terceiro grau, bisneto de uma tia avó paterna de Taehyung, e consequentemente, de Namjoon e Seokjin. Ele era um garoto doce e muito habilidoso, tanto com armas quanto com dom sobre a Primavera, mas isso não surpreendia a ninguém, pois era um dos possíveis hospedeiros de Raghan. Seus olhos eram, no entanto, muito mais escuros do que os de Taehyung.

"Sim, eu estava ocupado." Namjoon deu de ombros. "Eu descobri mais coisas sobre as paredes da sala."

Taehyung imediatamente se empertigou.

"O que você encontrou?"

"Eu concluí que é uma espécie de diário de acontecimentos. Era como se tudo o que acontecia no continente fosse escrito lá. Eu não sei do que é feito a tinta, mas parece ser ouro derretido. Começa dizendo sobre no começo existir Suiryu e depois... Bem, o que eu tenho até agora são histórias de como quatro embarcações chegaram até Erawan pelo mar esmeralda. A nossa costa marítima, Tae. Chegando aqui eles encontraram magia, mas também encontraram Suiryu, cuja força e poder lhes assustou e surpreendeu. Eles então decidiram quebrá-lo para que os quatro barcos pudessem carregar seu poder, mas algo não foi como o plano original."

Namjoon fez uma pausa dramática.

"Sim e então?" Taehyung o apressou. "O que aconteceu?"

"Eu não sei, só li até essa parte."

Os três Kims restantes suspiraram em decepção, até mesmo Mingyu, que rapidamente baixou a cabeça, envergonhado.

"Bem, já que Namjoon falhou em nos entreter, tenho que contar uma coisa que aprendi sobre o Sul." Seokjin deu uma olhada acusatória para o primo do meio, que deu de ombros. Os dois estavam de volta a seu comportamento infantil onde um cutucava e o outro se defendia. Taehyung sorriu ao ver a cena. "Não tem como falar isso de outra forma então vamos lá... Jeonggi tem duas filhas gêmeas e uma delas está aqui no Leste."

Namjoon teve uma reação mais rápida do que Taehyung. Os olhos castanhos do Kim se arregalaram e ele virou para encarar Seokjin com descrença.

"Isso é um tipo de brincadeira?" Perguntou.

"Não é. Jeonggi enviou um grupo de sulistas através do deserto para atravessarem os portões de Gallore e eu os peguei no deserto com o Kuài Jie. O prisioneiro que fizemos disse tudo. A princesa que está aqui se chama Somin."

"Mas como ela conseguiu chegar aqui? Uma Jeon, acima de tudo? Ela tem olhos azuis, não seria difícil de encontrar!" Namjoon exclamou, visivelmente perturbado.

"Ela não tem olhos azuis, Namjoon." Seokjin disse lentamente. "Ela tem olhos castanhos e eu tenho... Provas de que ela está aqui no castelo." Ele fez uma pausa e encarou Taehyung com pena nos olhos. "E ela tomou a identidade de Im Yoonah. Foi ela que matou Bogum, Tae."

Foi como se o piso tivesse sido arrancado dos seus pés. Taehyung abriu a boca e gaguejou, nenhum som conseguindo lhe escapar. Yoonah, a sua amiga Yoonah? A mesma Yoonah que lhe emprestava livros e falava com ele sobre história e romance, sempre sonhando acordada e sorrindo inocentemente? Aquela menina de 18 anos que era uma de suas visitantes favoritas? Bogum... Bogum tinha sido assassinado por ela?

"Não pode ser." Taehyung murmurou. "Yoonah? Yoonah matou Bogum?"

E se havia sido ela matar Bogum, isso só podia significar que Evian...

"Evian não matou Bogum." Namjoon terminou o seu pensamento, dizendo em voz alta. O mais velho parecia surpreso e perdido, o que era uma coisa incomum de se acontecer. "Um homem inocente está preso então?"

"Sim." Seokjin suspirou. "Evian está preso injustamente."

A respiração de Taehyung prendeu na garganta. Ele estava certo; sua intuição estava certa. Evian não havia matado Bogum. O seu alívio foi tão grande que sentiu um peso invisível desaparecendo de seus ombros. Taehyung sentiu-se respirando pela primeira vez naqueles dias de luto. Evian era inocente. Ele não havia matado Bogum.

"Mas como vamos provar a inocência dele? Eu não posso simplesmente prender uma mulher sem provas para libertá-lo. A essa altura o reino inteiro está falando que o assassino foi ele." O rei disse, a voz esperançosa, mas um pouco negativa. Já via milhares de coisas que poderiam transformar sua jornada de provar a inocência do mercenário mais difícil do já era.

"Eu sei." Seokjin olhou para MIngyu e colocou uma mão sobre seu ombro. "Por isso eu e Mingyu temos um plano. Nós vamos arrancar a verdade de Somin."

"Espero que vocês tenham incluído a capitã Gayoon nele, porque a palavra dela valerá muito." Namjoon sugeriu, imediatamente tomando a chance de ajudar no plano. "Precisamos também que Taehyung esteja lá, já que ele é o rei. Além de uma confissão falada precisamos de provas reais como..."

"Sim, vamos ter que correr por esses detalhes mais tarde." O mais velho concordou e então fez um sinal para Mingyu. "Mingyu, explique o que temos em mente."

"Nós vamos usar Evian. Acreditamos que ela planeja matá-lo, já que ele é a única pessoa que pode estragar os planos dela. Talvez ela queira fazer isso de longe, com um veneno ou algo do tipo. Precisamos enganá-la para que ela fique desesperada o suficiente para ir atrás dele por si mesma. É onde você entra, majestade."

"Precisamos que você busque por Somin fingindo que está preocupado com ela por ter visto o assassinato de Bogum e que diga... Diga que por gostar muito dela decidiu compartilhar com ela sobre o julgamento de Evian que acontecerá amanhã." Seokjin continuou. "Diga que apesar de tudo, não quer que ele vá para a forca sem poder se defender e que planeja ouvir o que ele tem a dizer."

Oh, aquele era um bom plano. Fingir estar de coração partido pela traição de Evian e o assassinato de Bogum diante dela ao mesmo tempo em que a manipulava... Era perfeito. Exceto por um detalhe...

"Espere! Por que Taehyung? Se Somin está no Leste para matá-lo não é perigoso colocá-lo justamente no lugar que ela mais conhece?" Namjoon perguntou. Taehyung se virou para Seokjin esperando pela resposta do primo.

"Sim, é perigoso. Mas também é o único jeito. Ela só responderá a Taehyung, já que precisa manter as aparências de ser sua fiel pretendente e precisa acreditar que não sabemos de nada. Além do mais, eu duvido que ela tente fazer algo contra Taehyung. Se ela não fez até agora, não jogaria fora seu disfarce de tanto tempo em uma tentativa impulsiva."

"Eu odeio isso." Namjoon expressou seus sentimentos. Sua expressão era amarga, nem um pouco satisfeita. Como sempre, ele tinha olheiras sob os olhos, mas felizmente não parecia tão cansado. Após longas conversas nas refeições com Evian, o conselheiro havia prometido ao mercenário que iria se cuidar melhor. Taehyung ficava feliz ao ver que seu primo havia levado essa parte a sério. "Não gosto dessa ideia. É uma coisa muito desesperada para se fazer entre nós. Somos a família real, a mais poderosa desse reino. Temos exércitos, temos milhares de pessoas... E vamos mandar o alvo de Somin para essa missão?"

"Namjoon..."

"Não, eu sei que é necessário. Eu só queria não ter que sacrificar a vida de ninguém para conseguir levar a justiça para frente. Você sabe mais sobre esses assuntos do que eu, Seokjin. Eu sirvo para proteger o reino e você para proteger Taehyung, mesmo se no momento para protegê-lo precisamos usá-lo de isca."

Taehyung sentiu seu coração doer. Com um passo confiante, ele abraçou o primo, Namjoon o abraçando de volta com a mesma força, o esmagando contra o próprio peito. Logo Taehyung sentiu um mais um par de braços o envolver e sorriu contente ao ver Seokjin se unir ao abraço, os três se apertando e tentando segurar as lágrimas.

"Estamos fazendo isso para salvar não apenas a mim, mas também a um homem inocente que foi falsamente acusado." Taehyung murmurou, ainda engolfado no abraço dos primos. "Vai ficar tudo bem. Eu sou um dragão, Joonie. O grande dragão da Primavera. Eu sei cuidar de mim mesmo."

Seokjin bufou, mas não disse nada, apenas apertou os primos. Os três Kims do Leste, o dragão de três cabeças. Taehyung sempre soube que nunca conseguiria reinar sozinho. Felizmente não precisava: tinha os melhores primos do mundo.

"Mingyu, você não vai nos abraçar também?" Seokjin perguntou em voz alta. "Você também é nosso primo."

"Um primo muito distante..."

"Abraça logo." Taehyung ordenou, sendo prontamente atendido pelo mais novo, que gingou em direção deles e deu um rápido abraço, imediatamente dando um passo para trás e corando.

Os três se separaram e se encararam.

"Bem, hora de derrubar uma princesa sulista." Seokjin murmurou.

"Espere. Agora?" Taehyung perguntou, de repente ciente que estava com um robe desgrenhado que usava para dormir. "Eu não estou pronto!"

Seokjin rolou os olhos e Taehyung soltou um arquejo indignado. Ele tinha o maior guarda roupas de todo o Leste, provavelmente toda Erawan. Sua mãe o havia ensinado cedo que um rei não apenas deve se portar como um, mas parecer um. Ela costumava escolher suas roupas até os doze anos, quando ele começou a criar seu próprio gosto. Taehyung tentou esconder a sensação que de repente foi mergulhado. Sentia falta de Minyoung. Ela não havia respondido a última carta, mas ele também nem podia estar tão preocupado. Recebia notícias periódicas sobre o estado da mulher. Só desejava que ela própria dissesse suas notícias.

"Vocês acham que... O assassinato do meu pai foi um plano do Sul?"

Seokjin e Namjoon pareceram surpresos com a pergunta, seus olhos rapidamente suavizando.

"Eu não acredito que tenha sido, Tae. O tio Taecyeon morreu há quatro anos, ela nem mesmo tinha idade para estar aqui." Namjoon respondeu. "Mas mesmo se tivesse sido, no momento nós não estamos planejando para derrubar o assassino do seu pai e sim o de Bogum. Evian corre perigo de vida, precisamos nos apressar."

Taehyung sabia disso. Sabia que seu pai já havia partido há muito tempo e os culpados já haviam sido pegos. Ele só desejava que... Se tivesse a chance de poder trazer a mãe de volta e talvez curar seu coração partido... Ele queria essa chance. Eunjin precisava da mãe. E ele também precisava. Bogum havia sido assassinado sob seu nariz e ele não pudera fazer nada. Evian havia sido falsamente acusado e ele também não pudera fazer nada. Taehyung estava cansado de toda aquela impotência. De que lhe adiantava ser um rei naquelas situações?

Ele se endireitou e suspirou.

"Muito bem. Namjoon, escolha... Qualquer roupa para mim. Estarei na banheira o mínimo que puder. Assim que eu voltar, tenham uma lista do que eu preciso falar."

Seus três primos assentiram, Namjoon imediatamente indo até o enorme closet de Taehyung.

Não era assim que ele havia planejado o dia terminar, mas derrubar a princesa sulista em seu próprio jogo e salvar Evian não era tão ruim.

Uma hora depois Taehyung se encontrava na frente da porta do quarto de Yoonah. Ou Somin. Qualquer que fosse o nome, ele estava na frente do quarto da assassina de Bogum, preparado para envolvê-la em uma grande armadilha.

Estava usando um hanfu preto com detalhes cor de rosa, um que ele nunca nem mesmo havia usado. Namjoon havia decidido por um escuro para que ele pudesse vender melhor a ideia de luto. A ideia era lógica e tinha seus motivos, mas Taehyung não estava feliz de ter sido vestido com algo do tipo. A cada respiração que tomava lembrava que aquela era realmente a assassina de Bogum e ele estava prestes a estar frente a frente com ela sabendo da verdade. Ela compareceu ao velório de Bogum. Ela o desejou os pêsames, perguntou se poderia fazer algo para ajudar e ele havia agradecido, considerado aceitar... Aquela menina era uma cobra.

Engolindo em seco, Taehyung bateu três vezes na porta.

Sons de passos atravessaram a porta vindos do interior do quarto. O rei focalizou nas expressões toda a sua dor por perder Bogum e esperou que fosse o suficiente. A princesa do Sul atendeu a porta e encarou Taehyung com surpresa nos olhos.

"Majestade? O que o senhor está fazendo aqui a essa hora?"

Taehyung juntou as mãos atrás do corpo. Somin estava usando uma camisola, pronta para dormir, seu cabelo trançado com fitas azuis e o medalhão da família da verdadeira Im Yoonah no pescoço.

"Boa noite senhorita Im. Imagino que esteja surpresa por me ver aqui agora, mas... A senhorita aceitaria me acompanhar em uma rápida caminhada?" Ele disse cada palavra com um tom pesado e doloroso, os olhos caídos.

"Majestade..."

"É que... No velório de Bogum você se ofereceu para que se eu precisasse eu poderia conversar com você." Ele disse, olhando no fundo nos olhos da menina. "E sinceramente não há muitas pessoas que sabiam sobre mim e Evian... E eu preciso me abrir com alguém."

"Oh. Sobre Evian." Ela repetiu, sua voz gentil e acolhedora. Taehyung tremeu internamente de tanta raiva. "Claro, majestade. Me dê dois minutos para que eu me vista."

"Claro, senhorita Im. Mais uma vez peço perdão por ter aparecido sem convite e tão tarde da noite."

"Não é problema algum, majestade. Eu realmente aprecio a sua companhia." Os olhos dela eram tão grandes, tão verdadeiros, que Taehyung por um segundo se encontrou duvidando. Mas então uma sensação de força lhe revitalizou de dentro para fora e ele teve certeza de que era Raghan lhe dando seu quieto e eterno apoio.

"Eu espero aqui fora." Ele disse. Somin fez uma mesura e fechou a porta. Taehyung ouviu passos rápidos pelo quarto. Sua mente já corria para a princesa pegando alguma arma para tentar matá-lo, mas ele tinha que se acalmar. Apesar de Seokjin não estar lá, ele sabia muito bem se defender, afinal também havia estudado na academia de guardas.

Poucos minutos depois Somin apareceu. Agora vestia-se com um hanfu azul escuro que refletia a luz da lua. Seu cabelo continuava trançado, mas ela havia claramente o penteado. Taehyung virou o rosto para outro lado para rolar os olhos. Ela estava claramente tentando o impressionar.

"Então majestade... Sobre o que queria conversar que era tão importante?"

Taehyung suspirou alto, sempre tomando um tom triste. Os dois começaram a andar pelo corredor, passos lentos.

"Era sobre o que aconteceu com você. Eu defendi Evian na sua frente e ele... Matou um homem e tentou matar você. Eu estou tão, mas tão arrependido." Ele começou a dizer, deixando emoção tingir a voz e expressão. "Eu queria pessoalmente pedir perdão. Perder Bogum foi horrível, mas eu não sei o que faria se perdesse você também. Senhorita Im, você é uma das minhas poucas amigas nesse castelo. Perdê-la seria uma tragédia. Sua família em Jinteng nunca me perdoaria..."

"Tenho certeza que eles entenderiam, majestade. Evian não foi culpa sua. Não podemos colocar o ato de assassinos em nossa conta. Ele era do Sul, afinal." Ela o interrompeu, mudando o assunto de volta para Evian. "Eu apenas queria... Não ter visto aquela cena. A forma em que ele esfaqueou aquele homem pelas costas... Eu nunca vi coisa tão horrível."

Taehyung cerrou a mandíbula, tremendo. Ela havia feito isso. Ela havia esfaqueado Bogum cerca de oito vezes nas costas até que o embaixador morresse. Ele estava morto por culpa dela.

"E eu queria que você não tivesse visto. Eu posso apenas imaginar o trauma. Por isso que eu quero dizer, em respeito à nossa amizade e a você, que Evian será levado a justiça."

"Oh." Ela disse, como se estivesse agradecida, mas agora que Taehyung sabia quem ela realmente era, via certa frieza em seus olhos castanhos. "Justiça? Pensei que o deixariam nas masmorras."

"Eu planejava, mas... Pensar em Bogum e na senhorita... Eu quero Evian morto." Ele teve dificuldades para dizer a frase, engasgando um pouco na palavra. Felizmente Somin não percebeu. "Então decidi que ele deve encarar a justiça do Leste e ir a julgamento. Eu, capitã Gayoon e Namjoon escolheremos o destino dele, mas é quase certo que será a forca."

"Ah, majestade..." A voz de Somin era gentil, como se ela sentisse muito pela notícia, mas aquela frieza nos seus olhos crescia para se tornar uma cruel satisfação. "Eu posso apenas imaginar o quão difícil será encará-lo em julgamento após o que ele fez."

"Sim. E acredito que será ainda pior ouvir ele tentando se defender."

Somin arregalou os olhos e deu um sorrisinho afetado.

"Perdão majestade?"

Bingo.

"Bem, os julgamentos no Leste acontecem assim. O réu conta a sua versão da história e escolhe algumas pessoas para testemunhar pelo seu caráter. Imagino quantas coisas ele tem para contar sobre a noite."

"Ah, eu não sabia. Claro que ele dirá várias mentiras, todas em vão, claro. Um homem desesperado faz tudo." A voz dela estava levemente forçada. Ela estava caindo!

"Sim, mas será assim que o pegaremos. Iremos investigar o que aconteceu e ele não terá mais como se defender."

"Uma investigação?" Ela repetiu.

"Sim, senhorita." Ele olhou para ela com seus olhos mais tristes, tentando concentrar toda a sua atuação naquele golpe final. "E tenho que me desculpar antecipadamente. Acredito que a investigação pedirá que relembre aquela noite na biblioteca e até estar frente a frente com ele."

Somin arregalou os olhos em surpresa e por um segundo, tão rápido que Taehyung mal conseguiu captar, ela pareceu assustada de verdade.

"E-eu não acredito que consiga fazer isso, majestade. Encará-lo após tudo o que aconteceu?" Ela tentou escapar, desviando o olhar.

"A senhorita estará rodeada por guardas. Será pela memória de Bogum, senhorita Im. Tenho certeza que encontrará em você a força e coragem para fazer o certo por ele. Seria uma coisa digna de uma rainha."

Taehyung teve vontade de vomitar ao dizer aquelas palavras e enquanto Somin atravessava por seu próprio pânico pessoal, ele percebeu uma coisa.

Toda aquela competição para escolher uma esposa e rainha era inútil. Não importava quanto tempo ele conseguisse comprar, no final, ele não conseguiria. Ele não queria se casar com uma nobre criada desde a infância para servir como rainha. Ele não queria se apaixonar por uma daquelas moças. Não queria se apaixonar por ninguém.

Porque apesar de tudo, apesar do pouco tempo que passavam juntos, apesar dos poucos beijos trocados, dos poucos olhares roubados durante as refeições diárias, ele já estava se apaixonando pelo mercenário estrangeiro que havia chegado na sua vida tão repentinamente quanto havia roubado seu coração. Era ele que ele queria ter ao seu lado. Era com ele que ele queria acordar de manhã e era ele que ele queria ver usar uma coroa e sentar no trono ao seu lado. Era Evian que ele queria.

Sentiu seu coração derretendo, cada osso do corpo vibrando com a descoberta que havia feito. Tentou controlar seus sentimentos para se manter sóbrio lidando com Somin, mas soube que sua magia estava agora o acompanhando inconscientemente. Seokjin havia dito que a princesa sulista não tinha nenhum poder ligado ao Inverno, informação dada pelo prisioneiro Seojoon, o que era ótimo. Seu poder deslizava de si em ondas, cada onda mais forte que a anterior. De repente a noite pareceu mais colorida e o ar mais puro.

"E quando acontecerá esse julgamento, majestade?" Somin perguntou, o forçando a voltar em si. Ele piscou algumas vezes e baixou a cabeça, tentando transmitir pesar.

"Amanhã à primeira luz, senhorita Im. Eu quero que isso acabe o mais rápido possível."

"Oh."

Taehyung respirou fundo e balançou a cabeça como se estivesse perdido em pensamentos, mas na verdade se forçou a se controlar. Não poderia colocar tudo a perder agora que Somin caía na armadilha.

"Hoje será uma longa noite. Graças ao julgamento amanhã teremos que enviar as forças dos guardas para a ala direita do castelo, onde será o lugar, tudo para se assegurar que Evian não possa escapar." Ele disse, esperando que Somin entendesse como uma informação. Os olhos dela não mudaram, mas dessa vez o canto da sua boca mexeu.

"Ele estará sozinho essa noite? Fico assustada que ele possa tentar algo agora... Não me sinto segura, majestade. Quem sabe ele queira terminar o serviço e me matar?"

Ela realmente estava jogando o seu jogo. Taehyung arregalou os olhos e fingiu alarde.

"Não, senhorita! Claro que não! Ainda temos guardas extremamente capazes guardando-o nas masmorras, é só que serão em menor número durante essa noite. Mas lhe garanto que nada lhe acontecerá. É só uma única noite e amanhã esse pesadelo terá fim."

Ele se obrigou a colocar uma mão sobre o braço dela, um ato de carinho e segurança.

"Confie em mim. Nada acontecerá com você. Evian verá a justiça do Leste amanhã."

Somin abriu um sorriso pequeno e agradecido. Seus olhos falavam um milhão de emoções que se não fosse a descoberta da sua verdadeira identidade, teriam certamente lhe enganado. Ela era realmente muito boa.

"Obrigada, majestade. Muito obrigada. Me sinto segura ao seu lado." Seus olhos de repente se encheram de lágrimas e ela desviou o olhar, passando uma mão nos olhos. "Conte comigo para honrar a memória do senhor Park. Ele será vingado."

"Obrigado Yoonah. Você é muito gentil." Ele agradeceu, forçando a voz. "Acho melhor levar você de volta para o seu quarto. Eu terei que ficar até tarde acertando os detalhes do julgamento amanhã, mas a senhorita deve descansar. Muito provavelmente a tarde de amanhã será dura."

"Oh, sim. Mas majestade... As mentiras de Evian... Por favor não acredite nelas."

"Não se preocupe, senhorita Im." Ele sorriu para ela. "As mentiras dele serão provadas no julgamento."

Os dois caminharam de volta para o quarto dela, quase em um silêncio tangível. Taehyung se despediu com um sorriso que foi retribuído por uma emocional Yoonah e voltou para seus próprios aposentos.

Tão logo entrava no seu quarto, Seokjin, Mingyu, Seungcheol e Jeonghan entraram juntos, todos cumprimentando o rei com respeito. Namjoon entrou logo depois com Gayoon nos calcanhares.

"Ah, bem. Acho que meus aposentos não são mais tão íntimos." Taehyung disse quando Gayoon fechou a porta atrás dela. Ele apontou para os divãs na frente da lareira do quarto, onde se encaminhou e se sentou. Estava repentinamente cansado.

"Nunca foram com a quantidade de pessoas que você trazia aqui na adolescência." Seokjin rebateu, fazendo o primo corar. "Como foi?"

"Não poderia ser mais perfeito. Ela caiu."

Houve um suspiro geral de Namjoon, Seokjin, Mingyu e Gayoon.

"Oh, que alívio." Namjoon disse, despencando em um dos divãs. "Honestamente pensei que não funcionaria."

"Funcionou. Acredito que ela tentará matá-lo hoje." Taehyung respondeu, sentindo certa ansiedade ao dizer. Agora encarava a realidade como ela era: Evian poderia morrer naquela noite. "Precisamos nos apressar. Eu não duvido que ela esteja descendo agora até as masmorras."

"Sim, é por isso que estamos aqui." Seokjin disse e Taehyung finalmente percebeu que ele e seus homens estavam vestidos de preto, roupas justas e confortáveis dignas de espiões. "Nós estamos prestes a descer até lá e esperar que ela chegue."

"Me dêem cinco minutos para me trocar." Taehyung pediu, se erguendo do divã. Foi parado por Seokjin, com duas mãos nos seus ombros.

"Taehyung, você não vai."

Taehyung piscou.

"Perdão?"

"Eu sei que é difícil, mas ouça... Você não pode ir. Preciso manter você e Evian a salvo e eu..."

As mãos de Seokjin foram empurradas por Taehyung com um tapa. Quando o mais velho encarou o rosto do primo novamente, os olhos do rei faiscavam em verde esmeralda, a pupila se tornando uma fenda de réptil. O fogo nas tochas pelo quarto de Taehyung estalaram e o fogo se coloriu de verde, iluminando o aposento com um brilho quase mágico.

"Taehyung." Namjoon se ergueu de onde estava sentado. Ele fez um gesto com a mão e todos os outros que estavam no quarto saíram rapidamente, sentindo a tensão aumentar no quarto. "É para o seu o próprio bem."

"Vocês não ficarão entre mim e Evian." A voz de Taehyung soou um oitavo mais baixa do que o normal, seus olhos verdes pontuando o quão furioso estava. "Se entrarem no meu caminho eu vou passar por cima dos dois. Eu sou o rei e não serei colocado para o canto."

Os dois ficaram em silêncio atônito.

"Eu agradeço que estejam tentando me proteger, mas eu não aceito. Eu não sou uma criança. Eu sou o dragão da Primavera."

Ao som das palavras, o fogo estalou. Seokjin deu um passo para trás e Namjoon mordeu o lábio.

"Taehyung..."

"Estão entendidos?" O mais novo perguntou, seus aterrorizantes olhos verdes brilhando.

"Mas Taehyung, nós não podemos..."

Taehyung rosnou. Seus olhos, até agora verdes esmeralda, começaram a escurecer e tomar uma cor púrpura, a cor dos olhos de Raghan. Ele estava furioso e estava se transformando.

"Nem mais uma palavra." Ele rosnou para Seokjin. "Nem mais uma palavra. Eu lhe disse para não ficar entre mim e ele."

"Taehyung, você se conectou a ele, não foi? Você criou o elo com ele, não criou?" Namjoon perguntou, a voz crescendo. Quando o mais novo não respondeu, ele soltou um grunhido. "Pelos céus!"

"Que elo?" Seokjin perguntou confuso.

"É possível que um hospedeiro faça um elo com outro hospedeiro. Taehyung acha que fez um com Jeongguk quando éramos crianças. Ele não tinha certeza na época e mesmo que Jeongguk estivesse vivo, a menos que eles se tocassem, muito provavelmente sumiria com o tempo." Namjoon explicou sugestivamente para Seokjin que arregalou os olhos. "Agora ele fez um com Evian. Ou fortaleceu. Vá saber." A última parte foi dita entre sussurros que apenas Seokjin ouviu.

"Você está me dizendo que Taehyung teve relações com Evian?" Seokjin gritou. Ele virou-se acusatoriamente para o primo, que deu de ombros.

"Não fomos tão longe ainda."

"Ainda?" Seokjin repetiu com outro grito. "Ainda? Céus, o que há entre vocês dois? É por isso que a sua magia está esquisita?"

"Não é da sua conta." Taehyung rebateu com grosseria e então respirou fundo, suas pupilas voltando ao normal. "Estamos perdendo tempo, ele pode estar morto a essa hora. Saiam do quarto e eu ordeno que esperem até eu voltar ou eu destruirei toda essa operação e libertarei Evian de qualquer forma, não me testem."

Seokjin e Namjoon se entreolharam, mas não disseram mais nada. Os dois deram as costas para Taehyung e o rei correu para o armário, procurando algo escuro e não tão pomposo para usar. Se contentou com um hanfu escuro e antigo que possuía na época de treinamento na academia dos guardas.

Vestido, ele encontrou todos lhe esperando no corredor do seu quarto, em um terrível silêncio.

"Bem, o que estão esperando? Vamos."

Taehyung pegou Seokjin suspirando com clara decepção, mas fingiu que não viu. Sabia que seu primo estava nervoso com tudo e que poderia estar decepcionado com ele por ter feito um elo com Evian – se é que ele realmente havia feito – mas também sabia que Seokjin iria superar. Eles tinham suas brigas, mas o que aquele dia provava era o quanto se amavam.

"Nós iremos ficar separados em trios em duas celas." Seokjin explicou durante a ida até as masmorras. "O plano original mudou então agora serão eu, Namjoon e Taehyung na cela da esquerda de Evian; Gayoon, Jeonghan e Seungcheol na cela da direita e Mingyu na cela da frente, dessa forma ela estará encurralada."

"As luzes das tochas estarão apagadas, então usem bem a audição. E não se mexam. Ela precisa acreditar que está sozinha." Mingyu adicionou.

"E quanto ao prisioneiro sulista? Seojoon?" Namjoon lembrou de perguntar. "Ele não está lá?"

"Ele está nas masmorras, mas eu o coloquei na mais distante, ele e Evian nem mesmo podem se ver ou ouvir, portanto tudo estará bem. Mas precisaremos dele para reconhecê-la, então no momento em que a capitã Gayoon neutralizá-la após a confissão, a prenderemos. Seojoon será capaz de dizer se pegamos a verdadeira Somin ou não."

"É só isso que faremos? E se ela matá-lo sem dizer nada?" Taehyung perguntou, nervoso. Talvez Seokjin estivesse certo, talvez ele ter vindo era uma má ideia.

"Isso é com Evian. Ele é um mercenário, Tae, sem falar que um homem com poderes de gelo e fogo. Ele pode lidar com ela com as mãos amarradas nas costas."

O silêncio reinou até quando chegaram às masmorras. Seokjin verificou o caminho primeiro para ter certeza de que Somin não vinha. Havia apenas um guarda nos portões das masmorras, Minghao, treinado a não resistir a Somin, mas também que não se renderia tão fácil se ela lutasse.

"Ela passou por aqui?"

"Ainda não, senhor." Minghao respondeu a Seokjin, que balançou a cabeça e seguiu em frente.

Quando todos desceram as escadas e abriram o portão de baixo, Taehyung sentiu o coração bater com mais força. Evian estava tão perto...

"Taehyung, eu, você e Namjoon ficamos aqui nessa cela." Seokjin disse, lhe chamando a atenção. Namjoon assentiu com a cabeça e prontamente entrou na cela. Taehyung também estava prestes a entrar quando ouviu a voz dele, a alguns metros além.

"Taehyung?"

Todos os sentidos do rei explodiram em um único momento. Seus olhos brilharam e ele não conseguiu se controlar, correndo na direção do mercenário.

Assim que seus olhos encontraram com os dele, ele sentiu paz inundando cada centímetro do seu corpo.

"Evian!" Ele cumprimentou, correndo para vê-lo. O outro se aproximou das barras de ferro, se encostando contra elas, querendo estar mais perto. Mesmo na escuridão, os olhos dele brilhavam tão forte que pareciam duas estrelas na noite.

"Você acredita que não foi eu a matar Bogum?" Evian sussurrou, alto o suficiente para o rei ouvir.

"Por dentro eu nunca nem mesmo acreditei que você tivesse feito."

Emocionado, Jeongguk estendeu a mão pelas barras de ferro e Taehyung se aproximou para pegar o outro pela mão. Quando as pontas dos seus dedos se tocaram, o fogo nas poucas tochas acesas estalou mais alto, brilhando com mais vigor. Nenhum dos dois olhou para o lado, muito ocupados olhando no fundo dos olhos do outro.

Seokjin, porém, tinha outras prioridades. Ele colocou as mãos nos ombros de Taehyung e o puxou para trás.

"Vocês podem fazer isso quando Evian estiver livre. Agora não, Taehyung." Ele disse. Taehyung assentiu e deu um último olhar para Evian, que sorriu confiante para ele. Com um último puxão do primo, o rei voltou para seu lugar.

Escondidos nas sombras, todos esperaram.

☽☾

Jeongguk perdeu a conta de quantas horas esperou por Somin. A lua brilhava no céu acima e ele podia vê-la apenas através das barras de ferro da minúscula janela. Resumidamente, aquele lugar era pequeno e péssimo. Dois dias preso e ele já se sentia terrível. Não apenas por estar preso, mas por estar abaixo do castelo. Toda a energia de Taehyung, que fluía dele e cobria o reino inteiro, parecia afundar na terra, o que fazia sentido: era a Primavera. Estar lá, preso e coberto pelo poder de Taehyung era claustrofóbico. Ele não havia reclamado a ninguém sobre o assunto, mas se sentia fisicamente mal. Cada segundo que passava lá, sentia seu corpo piorar.

Ele já estava quase aceitando que aquele plano inteiro era uma falha e que todos deveriam ir embora quando, finalmente, ouviu o som de passos pelas escadas. Mesmo que ele soubesse que haviam seis pessoas naquela masmorra além dele, o silêncio era perturbador e ele soube que o plano tinha sim uma chance de funcionar.

Ele esperou por cerca de cinco minutos até Somin aparecer na frente da sua cela. Sua prima usava uma roupa escura, preta e curta, além de estar descalça e de cabelos trançados. Agora que não usava cosméticos e estava iluminada pela luz das tochas restantes nas masmorras, ele percebia o quão jovem ela realmente era.

Talvez isso fosse o que mais lhe aterrorizava: a pouca idade dela. E o fato de ela estar segurando uma besta quase maior do que o próprio braço. A menina suspirou quando o viu sentado na cama.

"Era para você estar dormindo." Disse. "Isso vai piorar as coisas."

Jeongguk se sentia triste. Triste por ela ser tão jovem e estar caminhando por um caminho que o lembrava demais do próprio. Ele costumava acreditar que se tivesse continuado no Sul, se tivesse continuado a ser um príncipe, não precisaria sujar sua alma. Agora isso era provado que não: Somin era a princesa do Sul e tinha matado ao menos duas pessoas.

"Você não precisa fazer isso." Ele disse, se levantando da cama. "Eu não entendo. Você poderia ter sido quem quisesse aqui no Leste. Por que continua sendo a princesa Somin?"

"Porque não adianta fugir!" Ela exclamou, baixando a besta. "Quem eu sou não vai mudar. É melhor aceitar e encarar meu destino. Eu sou a filha de Jeonggi, o rei do reino do Sul. Esta é quem eu realmente sou. Eu tenho uma missão. Fugir e mentir não vai mudar isso."

Jeongguk engoliu em seco. Ele a entendia. Entendia de verdade. Também estava fugindo e mentindo e de nada mudava. Pensou que estava conquistando seu lugar como Evian, mas o passado, a sua verdadeira identidade, vinha à tona não importava o quanto tentava esconder. Não podia mudar ser Jeon Jeongguk. Mas precisava focar nela. Ela estava em uma missão, mas ele também estava.

"Por isso você matou Bogum? Para manter viva a sua missão, então?"

Somin suspirou cansada.

"Bogum foi uma pena. Mas todos nós precisamos fazer sacrifícios."

Jeongguk sabia que aquilo já estava bom. Ela havia acabado de dizer que era a filha de Jeonggi e uma princesa do Sul e que Bogum havia sido sim uma morte que ela havia cometido, mas Jeongguk não julgava que aquilo era suficiente. Precisava de mais, mesmo que com mais, ele corresse o perigo de ser exposto como Jeongguk para todos ali presentes.

"Ao menos me diga uma coisa." Ele pediu assim que ela começou a erguer a besta. "Como Bogum descobriu sobre você?"

"Esse é seu último pedido? Pensei que iria querer enviar uma mensagem ao meu pai ou ao seu amado Taehyung."

Jeongguk sabia que a situação era delicada, mas corou rapidamente ao lembrar que Taehyung estava ali, ouvindo tudo.

"Eu não tenho mais nada a dizer para ninguém, só desejo respostas." Disse, esperando que sua voz não tivesse soado muito afobada.

"Pois bem. Não serei indelicada com um Jeon, especialmente não com você. Temos o mesmo sangue, afinal de contas." Somin disse, fazendo o coração de Jeongguk saltar. Todos ali sabiam que ele era um Jeon, afinal não tinha como negar graças aos seus olhos azuis, mas Somin havia falado perigosamente perto da verdade. "Bogum estava investigando você. Ele achava que você tinha segundas intenções aqui, então veio até mim, já que me julgava inocente. Queria saber mais sobre você, já que assumia que eu era sua amiga. Foi um erro bobo, uma mísera fala errada... Eu queria que ele desconfiasse de você, queria que ele colocasse a culpa em você, mas... Ele me viu na ala da princesa Eunjin no dia do sequestro. Era para você ser culpado pelo sequestro, não ter entrado lá e salvado a princesa! Ele me encontrou lá momentos antes de Taehyung correr para encontrar a irmã, eu não tive tempo para dar uma desculpa convincente. Após isso ele começou a me seguir."

Jeongguk sentiu um calafrio. Aquilo era justamente o que estava procurando. Ele respirou fundo antes de perguntar o que realmente queria saber.

"E o que você teria feito a Eunjin após eu ser preso?"

Somin deu de ombros.

"Mataria, é claro. Com você preso, eu poderia criar a ilusão de que seus capangas perderam o líder e decidiram matá-la para que ela não revelasse nada."

Era isso.

Jeongguk sentiu Taehyung antes que pudesse vê-lo ou ouvi-lo. Sentiu a fúria e a ira dele em ondas que o mergulharam.

"Você teria matado Eunjin, Yoonah?"

A voz de Taehyung soava baixa e sarcástica. Um estalo de dedos do rei teve todas as tochas se acendendo, fogo verde brilhando alto. Jeongguk não podia ver o rei de onde estava, mas pelo olhar de Somin, que se virou para encará-lo, Taehyung estava parecendo tão aterrorizante quanto soava.

"Repita."

Os olhos de Somin estavam gigantes no rosto. Ela ficou branca, assustada com o que estava acontecendo.

"Repita na minha frente, menina!" Taehyung gritou. "Você mataria a minha irmã? Você matou Bogum para incriminá-lo?"

Somin não respondeu. O tempo começou a desacelerar quando ele a percebeu erguer a enorme besta.

Na direção de Taehyung.

"Morra!"

Ninguém conseguiu impedi-la. O tempo pareceu parar quando ela apertou o gatilho e a flecha voou em direção ao peito de Taehyung. Jeongguk gritou. Não conseguia ver o Kim. Não conseguia ver nada além de Somin na frente da sua cela, que assim que atirou, começou a correr.

"Mingyu!" A voz de Namjoon soou como vidro quebrando aos seus ouvidos. Seungcheol, Jeonghan e Gayoon correram pelo corredor, um flash na frente dos olhos do Jeon. "Peguem ela!"

Jeongguk pulou na frente da grade e, guiado pelo medo do que havia acontecido a Mingyu, congelou o ferro. Ele nunca havia sido bom em controlar suas emoções, portanto, nunca havia sido bom em controlar seu poder de gelo. Ele era guiado pelo coração, em qualquer questão. O que sentia vinha em primeiro lugar. E por isso, dirigido pelo medo, ele conseguiu congelar a fechadura. Com um empurrão violento, o portão cedeu e se abriu com um estalo e Jeongguk saiu da sua cela, deparando-se com o que menos desejava ver.

Mingyu tinha sido atingindo pela flecha da besta de Somin na barriga.

Sangue vazava pelas suas vestes e a expressão no seu rosto era de terror. Taehyung, Seokjin e Namjoon estavam ajoelhados ao lado do primo, Seokjin com as mãos sobre o ferimento, apertando para baixo para estancar o sangue. Namjoon rasgava um pedaço do seu manto para usar como uma atadura e Taehyung tinha a cabeça do Kim mais novo amparada no colo, as mãos no ombro do primo, onde um leve brilho verde iluminava a pele e o tecido das vestes do guarda.

"Seu tolo, por que fez isso?" O rei perguntou ao mais novo.

"Seokjin teria pulado na sua frente." Mingyu ofegou, apertando a mão de Taehyung. "Você é o rei. Namjoon protege o reino, Seokjin protege você e eu... Eu protejo a ele."

Jeongguk não soube o que fazer ou o que falar. Aquela era a primeira vez que via os quatro Kims juntos e a primeira vez que via Namjoon, Taehyung e Seokjin juntos desde criança. Apesar do nervosismo, ele se obrigou a ajudar o amigo.

"Mingyu..." Ele disse, chegando perto. Taehyung e Mingyu viraram a cabeça na sua direção, mas Namjoon e Seokjin continuaram fazendo o seu trabalho.

"Fique tranquilo, Evian." O seu amigo disse, abrindo um sorriso cansado. "Eu não vou morrer. Meu Inverno está bem longe de chegar."

O coração de Jeongguk estava em pedaços. Mingyu, mesmo ferido e quase morto, ainda tinha forças para tranquilizá-lo.

"É verdade." Ele concordou, se agachando ao lado dos quatro Kims. "Você vai ficar bem."

"Taehyung, antes que você possa fazer algo, nós precisamos tirar essa flecha do ferimento." Namjoon disse, finalmente entregando o pedaço de pano para Seokjin.

"Eu posso ajudar. Já fiz isso mais vezes do que me lembro." Jeongguk se ofereceu. Os três olharam para ele com surpresa misturada com dó e ele baixou a cabeça, envergonhado.

"Não. Eu e você vamos atrás de Somin. Seokjin e Namjoon ficarão aqui cuidando de Mingyu." Taehyung negou o pedido, olhando fundo nos olhos do outro.

"Mas..."

"Vamos." Taehyung disse novamente, dessa vez mais incisivo. Jeongguk olhou para Namjoon, que sorriu e balançou a cabeça em afirmação. "Os três vão ficar bem. Preciso de você ao meu lado."

Seokjin colocou a mão no ombro de Jeongguk e fez um sinal com a cabeça, o apoiando. Jeongguk e Taehyung se ergueram e correram para fora das masmorras, subindo até o nível plano do castelo.

Quando chegaram no térreo, a primeira coisa que Jeongguk encontrou foi Minghao atirado no chão, com o braço torcido em um ângulo assustador e sangue nas costas. Taehyung se agachou ao lado dele e checou seu pulso, imediatamente suspirando.

"Ele está morto. Precisamos correr."

O som de passos vindo na sua direção fez o Jeon erguer a cabeça, imediatamente alerta. Pelo amplo corredor do castelo, Wonwoo e Seokmin apareceram.

"Majestade!" Wonwoo exclamou, correndo até onde Taehyung estava. "O que aconteceu?"

"Yoonah escapou. Precisamos pegá-la." Taehyung explicou, se levantando de onde estava. "Seokjin e Namjoon estão com Mingyu nas masmorras. Você precisa pedir a todos os empregados que estiverem pelo castelo que se retirem para seus quartos agora. Toque os sinos, se precisar. Diga aos guardas para fechar toda e qualquer saída do castelo e se alguém ver Yoonah, prendê-la imediatamente."

Os dois soldados de Seokjin assentiram com a cabeça, deram uma última olhada em Minghao e saíram correndo de volta.

"Espero que seja o suficiente." Taehyung murmurou, mordendo o lábio. "Vamos lá, precisamos encontrá-la antes que ela mate outra pessoa."

Os dois seguiram em frente, correndo pelos corredores. Após minutos de procura – os quais eles apenas respiraram de alívio quando ouviram os sinos indicando que a ordem de Taehyung havia sido cumprida – pelos infindáveis corredores do castelo de Mirador, não houve nenhum sinal de Somin ou de Gayoon e os dois guardas de Seokjin. Eles poderiam estar em qualquer lugar do palácio a esse ponto, lutando com a princesa ou a procurando. Jeongguk, após alguns momentos de decisão, aceitou que precisava usar seus instintos de dragão, mas tinha medo que Taehyung visse. Até que, finalmente, percebeu que não importava. Ele havia prometido a Seokjin que iria contar a verdade a Taehyung quando sua honra estivesse limpa. E ali ele estava: como Hwang Evian, solto, em liberdade ao lado do rei do Leste.

Ele precisava cumprir o que havia prometido sem ter medo do que aconteceria após.

"Espere." Pediu a Taehyung, que imediatamente parou, pensando que o mais novo havia encontrado alguma coisa. Jeongguk fechou os olhos e respirou fundo.

A temperatura começou a descer ao seu redor e Taehyung deu um rápido passo para trás, confuso com o que via. Quando Jeongguk abriu os olhos novamente, suas írises brilhavam com uma luz sobrenatural e Taehyung piscou, surpreso.

"Evian, isso é..."

"Eu consigo senti-la." Ele interrompeu o mais velho. Sua audição e visão também melhoraram e ele pôde ver a forma que a testa do rei se enrugou quando Taehyung franziu o cenho, confuso sobre o que estava vendo. "Por aqui."

Taehyung mordeu o lábio, mas seguiu Jeongguk pelos corredores vazios do castelo. Jeongguk não sabia se era graças a Wonwoo e Seokmin, que haviam conseguido fazer com que todos ajudassem a fechar as entradas ou se talvez Somin soubesse o horário e os turnos dos guardas e sempre passasse justamente pelos lugares que sabia que não estariam. Taehyung já estava quase desistindo quando Jeongguk colocou uma mão na frente, o impedindo de continuar andando e apontou para um corredor lateral, pequeno e mal iluminado, quase invisível se não estivessem prestando atenção.

O mercenário se virou para o rei e colocou um dedo sobre a boca, sinalizando para que Taehyung não fizesse barulho e apontou para o corredor, que o Kim reconheceu como a entrada lateral dos guardas e empregados e que dava diretamente para a ala central do palácio, onde de lá, se atravessasse os portões, Somin poderia muito bem desaparecer pela cidade.

"Precisamos pegá-la rápido. Se Wonwoo e Seokmin não tiverem fechado aquela saída, ela pode escapar!" Taehyung exclamou a Jeongguk, que assentiu com a cabeça. Agora que seus sentidos estavam apurados, podia sentir o desespero de Taehyung na ponta da língua como se tivesse um gosto metálico. Era apavorante. Talvez não fosse nem mesmo graças a seus sentidos, mas sim sua conexão com o Kim. Ele não gostou de saber o que o desespero de Taehyung parecia.

Os dois se apressaram pelo corredor, sem encontrar um único rastro de Somin, mas Jeongguk agora tinha certeza de que ela estava por perto. Era como se houvesse uma bússola lhe guiando para fora, uma presença... Fria. Gelada. Uma presença invernal. Só poderia ser a princesa sulista.

Quando Jeongguk e Taehyung alcançaram o fim do corredor, a luz natural da noite incomodou os olhos do Jeon ao ponto de que ele não conseguiu ver uma flecha voando na sua direção. Taehyung o empurrou para longe do alcance do projétil, que cravou na parede atrás dele, bem onde sua cabeça estava.

"Ela está aqui." Avisou a Taehyung, que parecia agitado como nunca, vendo que o portão do pátio estava fechado.

Jeongguk estava preocupado com o Kim. Sabia que o rei era mais do que capaz de cuidar de si mesmo, mas não conseguia controlar. Mingyu havia acabado de pular na frente de uma flecha para protegê-lo, mesmo que Taehyung fosse forte como era, aquilo com certeza devia ter mexido com ele. Jeongguk precisava ter atenção com o mais velho, ainda mais agora na situação em que estavam. Taehyung havia perdido Bogum e seu primo estava ferido nas masmorras, sendo amparado pelos outros. Qualquer um na sua posição estaria em pedaços agora.

Somin não estava visível em lugar nenhum no pátio, mas Jeongguk tinha certeza que ela estava escondida por ali, já que havia atirado neles e estava presa ali sem poder fugir. Ele imediatamente correu para o lado onde a flecha havia sido disparada, na diagonal do corredor de onde vinham, esperando encontrar a princesa para desarmá-la, mas conseguiu ver apenas um flash de cabelo escuro atrás de uma carroça vazia.

"Taehyung!"

Somin saiu do seu esconderijo e ergueu a besta que carregava na direção de Jeongguk, que se abaixou quando ela atirou. Ele correu até a princesa, mas ela foi mais rápida, se esquivando e pulando sobre um par de caixas de madeira que estavam descarregadas ali.

Taehyung, no outro lado do pátio, ergueu as mãos e fogo verde acendeu, brilhando forte e lambendo o chão de pedras, um perfeito círculo de fogo ao redor da princesa.

"Você não vai a lugar nenhum, tem apenas uma última flecha." Taehyung murmurou, a voz tão baixa e ameaçadora que fez Jeongguk sentir arrepios. "Min Somin, você será sentenciada à vida nas masmorras pelo assassinato de Park Bogum."

"Nunca!" A princesa gritou, os olhos castanhos selvagens e desesperados. Banhada pela luz verde do fogo ao seu redor, ela tirou da bainha na cintura um objeto que Jeongguk não tinha visto ainda: uma adaga dourada. Jeongguk se perguntou o que ela iria fazer com a lâmina, se iria arremessá-la ou outro. "Meu pai me enviou aqui... Se você acha que eu vou falhar na minha missão, você está muito enganado, Kim Taehyung."

Somin apertou a adaga na mão e Jeongguk prendeu a respiração, preparado para lutar com a princesa mesmo sem armas, mas ela virou a lâmina na mão e...

Cravou em si mesma.

Jeongguk ficou imediatamente paralisado ao ver a cena. Sangue começou a se formar logo acima do umbigo da menina e Somin largou a adaga, que bateu no chão com um estalo. Ela sorriu para os dois, dando um passo frágil para trás.

O Jeon observou, em transe, a princesa do Sul erguer a besta novamente e dessa vez teve certeza de que não conseguiria se defender ou defender Taehyung. Somin estava se sacrificando pela sua missão, mas ainda tinha forças para derrubar um deles antes de morrer.

E ela havia feito a sua decisão de quem seria.

Jeongguk, totalmente congelado, sentiu apenas o vento no seu rosto ao ver a flecha passar pelo seu rosto e voar na direção de Taehyung.

Pôde ouvir o seu próprio grito estridente e se virou para o rei, que, graças a estar mantendo as chamas em um círculo perfeito para manter a sulista no lugar, estava impossibilitado de se esquivar. Aquele seria o fim de Taehyung. Somin, sua prima, acertaria uma flecha no peito do Kim e ele morreria ali, aos pés de Jeongguk, que não havia conseguido salvá-lo ou protegê-lo.

Jeongguk fechou os olhos, não querendo ver o que aconteceria, com medo de perder Taehyung, medo de perder o amor da sua vida e ter falhado mais uma vez.

Mas não ouviu o barulho do impacto.

Quando abriu os olhos novamente, em uma esperança tola, o que encontrou lhe fez perder o ar. Como se tivesse aparecido em pleno ar, uma parede de gelo de dois metros se erguia na frente do mais velho. Cravada profundamente nela, estava a flecha de Somin, angulada perfeitamente para acertar o peito do mais velho.

Jeongguk abriu a boca e olhou para Taehyung, que também encarava o gelo totalmente em choque. O Jeon baixou os olhos para as próprias mãos, em reflexo, pensando que talvez tivesse conseguido finalmente usar seus poderes, mas não havia nenhum indício de que tivesse sido ele.

Ele ergueu a cabeça para verificar Somin e a encontrou olhando para outro lado. Não para ele ou Taehyung.

Mas para um outro homem que vinha na direção dela.

"Então foi aqui que você veio parar." O homem disse, andando pelo pátio, atravessando pelos portões que estavam repentinamente abertos. "Eu estava me perguntando onde o meu pai havia lhe enviado."

Jeongguk sabia que deveria estar prestando atenção no homem, mas assim que percebeu Somin virar o rosto para o estranho, correu em direção de Taehyung, seu coração batendo muito rápido, sua mente enevoada com a única coisa que se importava no momento.

"Tae!" Gritou ao se aproximar do rei, que pareceu sair do estupor para olhar para ele, os olhos marejados de medo. Jeongguk se chocou contra o mais velho, o abraçando tão forte quanto conseguia, sentindo seu calor através dos tecidos de roupa que usava. Mal conseguia acreditar que estava ali, abraçando o Kim após ter pensado que ele morreria na sua frente. Seus olhos encheram de lágrimas e ele enterrou o rosto no pescoço do rei. "Você está vivo."

Um estrondo foi ouvido e os dois se viraram para a porta do castelo, que foi escancarada. Cerca de uma dezena de guardas apareceram, e entre eles, Seokjin e Namjoon, que assim que chegaram à base das escadas, arregalaram os olhos ao verem a cena inteira a sua frente.

"Prendam ela!" Namjoon berrou apontando para Somin e correndo em direção dos mais novos, com Seokjin atrás de si.

Os guardas se apressaram para alcançar Somin, que ainda estava encolhida em seu círculo de chamas. Ela ergueu a besta mais uma vez, mas, por fraqueza graças ao seu ferimento, derrubou a arma caiu no chão sobre a poça de sangue que se formava nas pedras. A princesa caiu também, muito fraca para continuar em pé.

Taehyung apagou as chamas quando percebeu que ela não tinha mais para onde fugir, mas assim que os guardas chegaram perto o suficiente, o estranho homem encapuzado fez um gesto rápido com a mão e criou estalagmites de gelo, formando uma cerca afiada ao redor de Somin.

"Esperem! Ela está ferida!" O homem gritou, correndo até a menina e se ajoelhando ao lado dela.

"Yoon?" Somin murmurou, mas soltou um arquejo de dor e ofegou.

"Somin, por favor, por favor, me deixe te ajudar." O homem suplicou e a dor na sua voz foi o suficiente para fazer todos no local se entreolharem, confusos com o que estava acontecendo.

Somin, apesar da expressão de desgosto no rosto, tirou as mãos da barriga, se expondo para o homem, que pareceu tremer ao ver o ferimento da menina.

O estranho, então, levou as mãos ao capuz da capa e o retirou.

Jeongguk sentiu o ar ser socado para fora dos seus pulmões.

Cabelos brancos como neve reluziram na noite, como um farol na escuridão, fazendo Jeongguk espiralar em suas lembranças, cair em uma onda de memórias do pior dia da sua vida, onde viu sua família morta aos pés do tio. Aos pés do tio... E do filho dele. Min Yoongi, o menino que Bailong havia abençoado.

"Min Yoongi." A voz de Namjoon soou ao seu lado, tão surpresa quanto todos ali se sentiam.

O príncipe do Sul pegou a adaga ensanguentada do chão e a usou para cortar um pedaço limpo da sua capa, usando para pressionar o ferimento da irmã.

"Você vai ficar bem, Somin." Ele sussurrou, mas graças à audição apurada de Jeongguk, a frase soou perfeita aos seus ouvidos. "Fique comigo, tudo bem? Não feche os olhos, seu irmão está aqui."

"Yoon..." Somin murmurou novamente, os olhos fechando cada vez mais lentamente.

O homem ergueu um braço, o outro ainda pressionando o tecido na barriga da irmã, e fez outro gesto com a mão, fazendo o gelo ao redor de Somin começar a descongelar, virando água sobre o chão de pedra.

"Ei, Kim Taehyung!" Ele berrou, virando o rosto para o rei. "Eu salvei a sua vida. Salve a minha irmã!"

"Do que ele está falando, Tae?" Seokjin agarrou o pulso do primo, o segurando no lugar. Taehyung, totalmente atordoado, apontou para a parede de gelo a sua frente, a que havia salvado a sua vida, que agora descongelava rapidamente à ordem de Yoongi.

"Eu preciso. Eu devo a ele." Taehyung murmurou, puxando o braço de volta e correndo na direção de Yoongi.

"Taehyung, cuidado!" Seokjin gritou, totalmente em pânico ao ver o primo correr em direção de Min Yoongi e Min Somin.

Jeongguk imediatamente correu atrás do rei, os dois alcançando os irmãos em segundos.

Assim que Taehyung se aproximou da menina, que olhava para ele como se quisesse matá-lo – o que era verdade – o rei colocou as mãos sobre o ferimento, sem se importar se estava se sujando de sangue. Jeongguk agarrou a adaga de Somin que Yoongi havia jogado no chão e se preparou para lutar com ele caso necessitasse, pronto para proteger Taehyung se o outro tentasse lhe fazer algum mal. No entanto, Yoongi nem olhava para ele, todo o seu ser focado na irmã, que sangrava no chão gelado.

As mãos de Taehyung brilharam em verde por alguns segundos, fazendo ondas de calor morno subirem pelo ar, até que ele se recolheu, se levantando novamente.

"Fiz o que pude. Agora só depende dela." O Kim murmurou para Yoongi, que balançou a cabeça em afirmativa e se virou para a irmã.

Jeongguk não conseguia entender. O que Taehyung havia acabado de fazer? O que aquele gesto significava e como Yoongi sabia que o rei conseguiria fazer aquilo?

"Guardas!" A voz de Seokjin o retirou das suas perguntas. Ao redor dos quatro, os guardas ergueram suas espadas e fizeram um círculo ao redor deles, preparados para atacar Yoongi e Somin caso a ordem fosse dada.

"Não ataquem!" Taehyung ordenou. "Levem Somin para um médico imediatamente, mas tomem turnos para impedir que ela fuja."

Os guardas baixaram as espadas ao ouvirem o seu rei e dois se aproximaram deles, prontos para atender as ordens de Taehyung. Yoongi, Jeongguk e Taehyung observaram de forma cautelosa os dois guardas erguerem Somin do chão, fazendo a menina grunhir de dor. Os homens levaram a princesa para longe, usando o corredor lateral que eles haviam chegado.

"Majestade." Yoongi então chamou sua atenção, e ambos, Taehyung e Jeongguk, se viraram para ele na mesma hora. O príncipe se ajoelhou no piso de pedras, os joelhos tocando o sangue da irmã e baixou a cabeça. "Meu nome é Min Yoongi e eu sou o filho mais velho de Min Jeonggi, o usurpador do trono do Sul. Estou aqui a mando de Vossa Majestade Park Jimin com uma carta do próprio. Por favor, eu peço por uma audiência privada."

Jeongguk virou para Taehyung, cujos olhos verdes estavam enormes no rosto, totalmente chocado. Yoongi vinha sob o nome de Jimin... Pedir uma audiência privada com Taehyung?

"Jimin?" O Kim repetiu. "Você falou com ele?"

"Eu tenho uma carta dele endereçada a você, Vossa Majestade."

"Entre." Taehyung decidiu sem pensar duas vezes. "Vamos conversar então, Vossa Alteza. Você salvou a minha vida e vem trazendo um presente de Jimin. Você merece uma conversa antes de eu decidir se jogo você nas masmorras junto com a sua irmã ou não."

"É um assunto pertinente a todos nesse castelo." Yoongi prometeu, os olhos azuis fixados em Taehyung, ainda sem nem perceber a presença de Jeongguk ali. Talvez fosse melhor assim.

Foi aí que então três soldados entraram no pátio pelos portões abertos, os três suando e ofegando.

"Prisioneiro!" Um deles gritou ao ver Yoongi ali e só então percebeu Taehyung e os demais presentes. "Oh, Majestade!"

Os três se curvaram diante do rei, que dispensou o gesto com um acenar de mão.

"Esse homem sulista é nosso prisioneiro da cidade de Gallore, que chegou aos portões do Leste alegando estar carregando uma carta da Vossa Majestade Park Jimin." O homem explicou rapidamente, claramente nervoso por estar na presença do rei.

"Capitão Byun." Seokjin o chamou. "O que está fazendo aqui em Mirador?"

"Eu vim sob suas ordens, general." O homem se curvou diante de Seokjin também. "O senhor disse que qualquer mensageiro que encontrássemos, que fosse escoltado até Mirador."

Seokjin empalideceu, como se tivesse lembrado de algo.

"Sim." Disse o mais velho. "Agradeço o ato. O rei Taehyung tomou sua decisão e irá falar com o príncipe Min Yoongi."

"Príncipe?" O homem repetiu, claramente chocado. "Eu não sabia. Ele não disse!"

Yoongi fez uma careta.

"Eu lhe disse o que você precisava saber, quem decidiu não acreditar em mim foi você." O príncipe cuspiu as palavras. "Você confiscou a carta de Jimin. Por favor, me devolva. Essa carta deve ser entregue ao destinatário por mim."

O capitão, totalmente atordoado com as novas informações, se virou para outro homem atrás de si, que carregava uma pequena caixa de ferro nas mãos, como se fosse um grande tesouro. Yoongi foi até ele e tomou a caixa de volta.

"Guardas, levem o príncipe Min Yoongi para a sala do trono. Estarei lá daqui a poucos minutos." Taehyung ordenou, dando as costas. Jeongguk o seguiu de perto.

Assim que o rei chegou perto dos primos, foi recebido com um abraço de Seokjin. Namjoon, por outro lado, correu para abraçar Jeongguk, o esmagando contra seu peito.

"Eu estava tão preocupado com vocês." O conselheiro murmurou, apertando Jeongguk. "Céus, nunca mais persigam princesas do Sul, eu não vou aguentar."

Namjoon largou o mais novo e logo Jeongguk estava sendo esmagado por Seokjin, que pulou em seus braços enquanto Taehyung recebia um abraço do outro.

"Conseguimos." Seokjin sussurrou no ouvido de Jeongguk de forma que apenas ele pudesse ouvir. "Você é um homem livre."

Jeongguk respirou fundo o cheiro do outro, fechando os olhos enquanto ouvia o coração de Seokjin pulsar no seu corpo. Jeongguk lembrou de deixar ir o Olho do Dragão, sua visão e outros sentidos diminuindo drasticamente.

"Menos um mal." Namjoon disse após soltar Taehyung. Seokjin, se separando de Jeongguk, assentiu com a cabeça. "Mas devo confessar que estou com medo do que vai acontecer a partir de agora. Parece que estamos começando um novo capítulo."

"Talvez estejamos. A visita de Yoongi com certeza está conectada a outras coisas." Seokjin respondeu. "Eu quero saber o que Jimin escreveu na carta, isso se a carta for mesmo de Jimin."

Jeongguk concordava. Não conseguia entender o motivo de Yoongi estar no Leste, mas certamente conseguia imaginar algumas possibilidades. Só não entendia o porque de ele estar carregando uma carta de Jimin consigo.

"Yoongi é o príncipe do reino do Sul, filho do homem que seus amigos foram contratados para matar." Taehyung explicou para Jeongguk, o lembrando que ainda era Evian aos olhos do rei. "Park Jimin é o rei do reino do Oeste."

"Ah, entendi." Jeongguk murmurou, muito envergonhado para dizer outra coisa. Seokjin mordeu o lábio, mas não disse nada. Já Namjoon, interessantemente, baixou a cabeça, como se estivesse nervoso.

"Vamos lá, vamos descobrir o que Min Yoongi quer." Taehyung disse, balançando a cabeça. Seus cabelos castanhos compridos estavam selvagens, os fios totalmente fora de ordem.

"Eu também?" Jeongguk perguntou.

"A irmã dele tentou nos matar, é claro que você está incluso a partir de agora." Taehyung deu de ombros. "Vamos."

Os quatro se dirigiram a sala do trono, caminhando lenta e cansadamente, Seokjin explicando que Mingyu estava na ala médica desde que Gayoon e Jeonghan haviam voltado às masmorras procurando pelo resto. A capitã estava no outro lado do castelo, ainda liderando a sua caçada pela princesa. Namjoon imediatamente despachou um guarda para avisá-la que Somin tinha sido pega.

Jeongguk ficou em silêncio pelo trajeto, incerto sobre o que dizer. Ainda estava repassando a noite na cabeça, a promessa que havia feito a Seokjin e o fato de que para Taehyung ele ainda era Evian. Precisava contar ao rei, mas não sabia como fazê-lo.

Tão logo chegaram à sala do trono, Taehyung ordenou que trancassem a porta e que a maioria dos guardas saíssem, deixando apenas os membros do grupo de Seokjin presentes, alguns homens que Jeongguk ainda não havia conhecido.

"Majestade." Min Yoongi o cumprimentou, em pé na frente do trono púrpuro. Na última vez que Jeongguk estivera na sala oval, estava recém vendo Taehyung. Aquela sala tinha muitas memórias.

"Vossa alteza." Taehyung disse, sua voz mudada, mais baixa e imponente. A voz de um rei. Ele caminhou até seu trono e sentou-se. Namjoon ficou em pé ao seu lado direito e Seokjin à sua esquerda, alguns passos mais para trás. Jeongguk se encostou em uma das vigas da sala, metros longe de Yoongi e dos Kims. "Sua irmã nos deu trabalho hoje. Se importa em explicar o motivo de ambos os herdeiros do reino do Sul estão fazendo sem um convite no meu reino?"

Yoongi visivelmente engoliu em seco.

"Não sei os planos do meu pai, Vossa Majestade. Eu e ele divergimos em pontos principais." O príncipe respondeu. "Nem mesmo sabia que ela estava aqui, só sabia que ele havia a enviado para algum lugar. Meu pai não é exatamente o pai do ano."

"Mas certamente você deve saber de alguma coisa, não?" Seokjin perguntou, uma mão no queixo.

"Kim Seokjin, não é?" Yoongi disse, abrindo um sorriso. "Jimin falou de você."

"Jimin?" Namjoon repetiu, a voz entonada como uma pergunta, querendo saber o motivo de Yoongi se referir ao rei do Oeste pelo primeiro nome.

"Sim. Nos tornamos grandes amigos durante minha estadia no Oeste. Mas creio que está tudo escrito na carta que ele lhe escreveu, Majestade." Ele respondeu se dirigindo a Taehyung. Um guarda de Seokjin deu um passo a frente, segurando a caixa de ferro com o selo do reino do Oeste.

"É o selo do Oeste, majestade." Disse o homem. "A caixa não foi forçada. Creio que o príncipe só pode estar dizendo a verdade."

Jeongguk engoliu em seco. Yoongi, o filho do assassino dos Jeon, havia visto Jimin. Ele apenas podia sonhar em rever o mais velho enquanto o Min já o tinha visto. Ele mordeu o lábio ao lembrar do Park, em como era pequeno e justo, carregando uma enorme vontade de igualdade no coração. Jeongguk queria tanto revê-lo que lhe doía o peito.

Taehyung pegou a caixa e outro guarda lhe trouxe uma chave. Se Jeongguk lembrava bem do sistema de correio real, os embaixadores carregavam as chaves que abriam as caixas enviadas de seus representantes. Ou seja, aquela chave pertencia a Bogum e se o homem estivesse vivo, quem estaria abrindo a caixa seria ele. Jeongguk percebeu a forma que o rei franziu o cenho ao abrir a caixa si mesmo. Era uma perda terrível a morte do embaixador do Oeste.

O Kim pegou a carta nas mãos e passou o dedo sobre o papel.

"É de Jimin, reconheço a letra dele em qualquer lugar." Ele sorriu de orelha a orelha e a visão acalmou o coração do Jeon. Namjoon se inclinou sobre o primo para ler a carta ao mesmo tempo.

Os olhos de ambos os Kims viajaram pelo papel, linhas e mais linhas onde Jimin contava algo importante para ele, importante o suficiente para ser enviado pelo próprio príncipe do Sul. Importante para que Yoongi atravessar Selsmire e arriscar a própria vida ao entrar pelos portões do Leste.

Quando terminou a leitura, Taehyung pulou do trono, assustando Jeongguk e Yoongi, que se endireitou.

"É verdade?" O rei gritou, seus olhos verdes imediatamente enchendo de lágrimas. Seu corpo inteiro começou a tremer como uma folha, como se estivesse com frio. "Me diga! É verdade?"

"Tudo o que Jimin escreveu na carta é verdade, Majestade. Cada palavra."

Jeongguk sentia arrepios sobre a sua pele. Um enorme mau pressentimento se apossou do seu corpo, seus músculos muito rígidos para se mexer. Ele engoliu em seco. Precisava saber o que estava acontecendo.

"O que é verdade?"

O olhar que Taehyung lhe dirigiu era capaz de cortar aço. Jeongguk deu um passo para trás, assustado. Namjoon, que estava com a carta de Jimin na mão, virou o rosto para ele e sua expressão, sombria e perturbada, lhe disse mais do que qualquer outra coisa.

Yoongi se virou lentamente para encará-lo e quando focou no mais novo, em seus olhos azuis celeste e em seu cabelo negro, balançou a cabeça. Jeongguk olhou para o Min, para o jeito que sua pele pálida parecia com a sua, para seus cabelos brancos outrora tão negros quanto os seus próprios e para seus olhos azuis gelo... Olhos azuis que um dia Bailong julgou. Seu primo sorriu para ele.

"Até que enfim nos encontramos de novo, Jeon Jeongguk."


Notas Finais


espero que tenham gostado, espero vcs no próximo capítulo, dia 30!! até a próxima <3


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