História Sul do paraíso - Capítulo 1


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Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, Chen, D.O, Kai, Kris Wu, Lay, Lu Han, Sehun, Suho, Tao, Xiumin
Tags 3some, Baeksoo, Baeksooxing, Baekxing, Laybak, Laysoo, Longfic, Menção!chensoo, Menção!laybaek, Menção!sechen, Menção!sexing, Menção!sookai, Mistério, Soobaek, Soobaekxing, Sooxing
Visualizações 80
Palavras 6.914
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Lemon, Mistério, Policial, Romance e Novela, Slash, Sobrenatural, Suspense, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Não sei mais o que tô fazendo da minha vida, porque não faz duas semanas que me "aposentei".

Espero que gostem da fic e me perdoem pela capa horrível, um dia melhoro como capista.

Boa leitura.

Capítulo 1 - C1: the case


Capitulo 1: The Case

Nada estava realmente diferente na delegacia. Processos continuavam a se acumular nas mesas, inquéritos sendo arquivados, telefones tocando, bêbados e arruaceiros esperando por liberação após passarem a madrugada atrás das grades, e uma fila consideravelmente grande de pessoas querendo dar queixa de algum delito ocorrido nas últimas horas.

Do Kyungsoo acostumara-se com aquilo de maneira dolorosa, porque não tinha escolhido aquela profissão para si para se desiludir com a precariedade da situação em que se encontrava. Até uns meses atrás, estava tudo em ordem. Mas como nada dura para sempre, a avalanche que passara fez questão de fazer seus superiores empurrá-lo diretamente para aquele bairro decadente e abandonado não apenas pelas autoridades, mas por Deus também. Era um caso perdido, no fim das contas.

— Ah! Bom dia, Kyungsoo. Como vai?

Kim Junmyeon, delegado principal da delegacia, era um homem carismático e gentil. Normalmente, estava sempre atolado de casos e mal saia de seu escritório, a menos que fosse para ouvir o testemunho de alguma vitima ou quando precisava colaborar com as outras unidades policiais da cidade. O homem ficara muito surpreso e grato quando recebera a notícia de que um dos melhores detetives que já tinha ouvido falar em sua vida estaria indo trabalhar em sua unidade, muito embora a mudança tenha sido proveniente de uma situação nada agradável.

— Olá, Junmyeon. Estou bem, e você? — Do cumprimentara o mais velho, devolvendo o sorriso educado que recebera.

A amizade entre os dois nascera naturalmente, Kim era um cara extremamente prestativo e compreensivo, jamais sendo invasivo demais quanto aos problemas pessoais de Kyungsoo. Não fora difícil demais que os dois se aproximassem e começassem a colocar uma rigorosidade maior no tratamento de alguns processos em andamento da delegacia. Era uma mudança que ainda estava ocorrendo, mas que trazia melhoras incontestáveis para os policiais e para a população.

— Estou ótimo, como de costume. Precisamos concluir aqueles inquéritos de violência doméstica essa semana, pelo menos os que estão em andamento, para depois abrirmos os homicídios que estão travados no depósito — ditara, enquanto ambos caminhavam em direção as suas respectivas salas.

Do acostumara-se com aquela rotina. Mesmo que eles fossem a única unidade policial do bairro e que estivessem atolados de serviço até o pescoço, Junmyeon ainda tinha força de vontade para colocar ordem na casa. É claro que eram crimes demais para pessoas de menos para solucioná-los, mas o esforço valia a pena. Quando alguém era pego, dificilmente saia impune dos crimes.

No seu escritório, Kyungsoo mantinha-se com o rosto entre os processos, analisando-os e organizando-os de acordo com suas peculiaridades, sempre em busca de uma melhor solução. Não era do seu agrado trabalhar em casos de violência doméstica, não suportava a ideia de haver tantas pessoas sofrendo em seus ambientes de descanso. Era terrivelmente comum homens sendo denunciados e presos por baterem em suas esposas ou filhos, de forma que as três celas da delegacia sempre estavam ocupadas com um ou outro babaca desse tipo.

O trabalho interno também não era lá o seu favorito. Do nascera para exercer sua função em campo, investigando e coletando informações, analisando tudo presencialmente, e não através de relatos. No entanto, desde que ocorrera a sua transferência, não havia sido mandando para investigar nada. Não tinha certeza se aquilo era um jeito de Junmyeon protege-lo, ou se a polícia local não tinha interesse algum em solucionar qualquer problema além dos que já possuíam ali.

— Kyungsoo? — a voz de Junmyeon, no outro lado da porta, atraíra a atenção de Do, que afastara-se de sua mesa e fora atender ao delegado, que sorriu para si assim que a porta fora aberta. — Preciso de um favor seu, meu amigo.

— Você sabe que não conheço nenhuma boate de strip boa nesse bairro — brincara, recebendo a gargalhada reconfortante do mais velho como resposta. — Do que precisa?

E então, as expressões de Kim tornaram-se cansadas, trazendo estranheza para Kyungsoo.

— Há um rapaz que está procurando pelo irmão, que está desaparecido há cerca de um mês — Junmyeon cruzara os braços sobre o peito forte, enquanto mordiscava o canto dos lábios. — Mas você já percebeu que nós não temos uma equipe grande o suficiente para resolver todos os problemas que chegam aqui. A princípio, solicitei aos superiores que me mandassem alguém para lidar justamente com essa área de pessoas desaparecidas.

— E em que posso te ajudar nisso? — perguntou, recebendo um suspiro do outro.

— Não posso te pedir para solucionar todos os casos pendentes de desaparecimento, até porque seria impossível, e a grande maioria deles nos leva à corpos desovados em becos ou nos rios — Kim coçou o queixo, dando uma olhada onde ficava a sala de espera. — Apenas tente ajudar aquele rapaz, ele veio aqui semana passada, mas como estávamos ocupados demais com aquele caso de tráfico, não consegui ajuda-lo em nada.

Do ponderou por breves instantes sobre aquilo. Era uma boa oportunidade para exercer sua função fora de seu escritório, e de quebra ajudaria alguém, mas não chegou a pensar tão a fundo antes de responder ao delegado.

— Claro, sem problemas — concordara, vendo um misto de alivio e satisfação nas expressões de Junmyeon.

— Só devo avisá-lo que o cara é insistente, então cuidado com ele.

— Sem problemas. Há algo mais que preciso saber? — questionou, vendo Kim torcer o nariz.

— Ele é repórter, então pode ser um pouco invasivo demais.

Bom, aquilo não deixava Do feliz, mas também não era um impedimento. Kyungsoo detestava repórteres no geral, entretanto, não poderia negar ajuda a alguém.

— Certo, farei o possível para ajuda-lo — falara, depois de alguns segundos. O mais velho sorrira para si, apertando suavemente seu ombro.

— Obrigado, Kyungsoo.

— Não há de quê, cara.

De fato, Kyungsoo não era chegado a repórteres, justamente pelo fato deles serem viciados em sensacionalismo barato e irritante, além, é claro, de distorcerem a verdade sempre que possível, para obterem ainda mais visibilidade em suas matérias. Outra coisa que irritava Do eram as perguntas incessantes e a total falta de semancol alheia, como se não houvessem um pingo de empatia.

Após ver Junmyeon se afastar, seguiu para a recepção da delegacia, onde levou vários segundos para encontrar o rapaz, que estava bem mesclado junto aos civis que estavam esperando para dar queixa sobre algum crime. O detetive arqueou as sobrancelhas, olhando para o garoto que sequer parecia ter saído das fraudas — não que Do fosse um idoso, estava quase chegando aos 30, mas aquele cara não parecia ter mais de 20. Ao aproximar-se do outro, chamou-lhe a atenção com uma tosse forçada, visto que o repórter parecia entretido demais com o que lia em seu celular.

— Você é o garoto que deu a queixa de desaparecimento do irmão? — Kyungsoo perguntara, observando o jovem de cabelos castanhos guardar o aparelho na bolsa e vestir uma expressão muito mais séria.

— Sim — a voz firme respondera logo em seguida. — E não sou um garoto, detetive — complementou, logo forçando Do a manter a calma para não rolar os olhos.

— Certo, me acompanhe até minha sala para conversarmos sobre isso.

Tudo o que Kyungsoo não queria naquele momento era estressar-se com um repórter. Na verdade, não queria se estressar com nada além do seu trabalho. Assim que chegaram ao seu escritório, o detetive gesticulou para que o outro se sentasse, então fechou a porta e tomou seu lugar atrás da mesa.

— Então, em que posso ajudá-lo? — Do perguntou, tentando ao máximo não demonstrar desinteresse em sua voz, coisa que pareceu irritar ao outro, que o olhara de maneira indignada.

— Talvez pela queixa de desaparecimento do meu irmão? — falou, a voz rouca soando frustrada. — Olha só, detetive...

— Do Kyungsoo.

Detetive Do, dei a queixa sobre o desaparecimento do meu irmão há mais de um mês, e não recebi nenhum retorno ou indicio de que vocês estavam realmente empenhados em encontra-lo, o que só prova quão precária e incompetente é a polícia desse maldito bairro, então...

Kyungsoo não era o tipo de cara que se irritava facilmente, com certas exceções. Mas o pivete parecia ter o dom de conseguir tirá-lo do sério com pouquíssimas palavras. Antes que o detetive tivesse a oportunidade de estrangular o outro, ouviu as batidas em sua porta e permitiu que Junmyeon entrasse, logo o delegado aproximou-se de si, trazendo uma pasta consigo.

— Estava procurando pela pasta dele, por isso demorei um pouco — informou, entregando-lhe os documentos. — Baekhyun, peço que seja paciente. O detetive Do é novo nessa unidade e é claramente um homem ocupado, mas garanto que ele poderá te ajudar com isso.

— Se você diz... — o repórter deu os ombros.

— Já se conhecem? Digo, além disso — Kyungsoo questionara, balançando os documentos recebidos. Kim sorrira para si, assentindo.

— Sou repórter criminalista no principal jornal do bairro, Junmyeon costuma fornecer as informações corretas para mim quando necessário.

Junmyeon despediu-se e agradeceu novamente pela ajuda de Kyungsoo naquele caso. Nos minutos seguintes, o detetive se empenhou em ler o boletim de ocorrência feito por Byun Baekhyun. Não havia nada de espantoso naquele relato de desaparecimento: Byun Baekbeom tinha sido visto pela última vez em uma das boates de Jajeong; não havia apresentado nenhum comportamento estranho nos últimos dias, não possuía vícios em jogos, drogas ou bebidas; não tinha cônjuge e não mantinha contato com ninguém. Do poderia entrar no arquivo geral da delegacia e encontrar outras centenas de casos como aquele. Se tivesse sorte, conseguiria encontrar o corpo de Baekbeom boiando em alguma parte do rio.

— Me fale um pouco sobre seu irmão, sobre o que ele fazia em Jajeong, sobre as amizades dele, a personalidade dele...

— Já não tem isso no meu depoimento? — as sobrancelhas de Byun se arquearam, mas o detetive já havia lidado com aquele tipo antes.

— Sim, porém creio que é mais eficiente ouvir pessoalmente.

E depois de um suspiro, Baekhyun começou a contar sobre como era o irmão — ou sobre como ele achava que era. Baekbeom tinha 32 anos, trabalhava em uma loja de conveniência nas proximidades de Jajeong, e morava sozinho no bairro vizinho. O homem tinha o costume de sair com os amigos nos finais de semana, frequentando as boates e bares de Jajeong, e aparentemente, não tinha rixa ou desavença com ninguém. De acordo com Baekhyun, o irmão era um cara engraçado e carismático, então dificilmente teria problemas com alguém. Também não possuía vicio algum, então a hipótese de ter sido sequestrado por algum traficante ou agiota estava fora de cogitação.

Entretanto, a forma admirada e carinhosa da qual Byun falava do irmão, não convencia Do totalmente. O fato de ser um detetive fazia com que ele estivesse em frequente desconfiança. Homens adultos não desapareciam a menos que estivessem escondendo algum segredo ou metidos em problemas, situações como essa aconteciam geralmente com mulheres e crianças — os maiores alvos de homicidas da região.

Após concluir suas anotações, Kyungsoo se colocou a pensar: o que Baekbeom estava fazendo em Jajeong no dia em que desapareceu? Por que não havia rastro algum seu após o desaparecimento? E ele estava acompanhado ou sozinho quando fora visto pela última vez?

— O que você vai fazer agora? — Baekhyun quebrara o silencio após alguns minutos, olhando atentamente para o outro.

— No último mês, estivemos ocupados com um caso grande envolvendo trafico, então acabamos deixando alguns casos em segundo plano devido à falta de tempo. Graças a isso, não foi dada a devida investigação em relação ao desaparecimento do seu irmão, assim como o de várias outras pessoas — Kyungsooo gesticulou para os inúmeros arquivos espalhados por sua mesa. — Porém, é intrigante o fato de que seu irmão é aparentemente um homem bom e sem rivalidade alguma, ter sumido como fumaça.

— Está sugerindo que ele andou me escondendo algo? — os olhos estreitos de Byun demonstravam desconfiança, e foi a vez de Do dar os ombros.

— É muito provável. Você tem contato com algum dos amigos dele?

— Não. Na verdade, conheço poucos amigos dele — os olhos do acastanhado caíram, em sinal claro de chateação. — Olha, cara, eu sei que você está atolado até o pescoço de trabalho, mas preciso que me ajude a encontrar o meu irmão... Ele não é um cara ruim e tenho esperanças de que ele ainda está vivo, então...

Kyungsoo coçou a nuca, é certo que era a sua função ajudar naqueles casos e havia prometido a Junmyeon que ajudaria aquele garoto, entretanto haviam dezenas de casos a serem resolvidos antes daquele, e infelizmente, Do ainda era um único homem.

— Certo, Baekhyun, iremos dar a devida atenção ao caso, mas não posso prometer que irá obter uma solução rápida ou que seu irmão será encontrado vivo.

Um sorriso singelo se formou no rosto de Baekhyun, que logo ficou de pé e estendeu a mão para o detetive.

— Obrigado, detetive Do, vai ser de grande ajuda trabalhar com você.

— Trabalhar?

De imediato, todos os alarmes de segurança de Kyungsoo soaram e ele arqueou as sobrancelhas, fitando o mais novo em pura desconfiança.

— Você acha que vou ficar sentado esperando pelos resultados? É a vida do meu irmão de que estamos tratando, detetive, e eu vou estar presente nesse caso e ajuda-lo a caçar informações.

— Você é um civil, Baekhyun, não pode se envolver em assuntos policiais — contrapôs o detetive, respirando fundo e deixando sua caderneta de lado. — A sua vida pode ficar em risco caso seja comprovado que seu irmão tenha problemas com alguém.

— É por isso que recorri a polícia — Byun retrucou, com um sorriso de canto, espalmando as duas mãos sobre o tampo da mesa. — Não pense que eu sou um repórter de jornalzinho de esquina qualquer, Kyungsoo. Pode perguntar ao delegado Kim. Tenho meus meios de conseguir o que quero, mas não posso fazer nada sem proteção, certo?

— Ou seja, você veio aqui atrás de um guarda-costas — o tom ríspido de Kyungsoo havia deixado claro o quão descontente estava com a situação. Era por motivos como aquele que ele desprezava repórteres, eram como ratos à espreita de uma boa oportunidade, sempre usando os outros ao seu bel-prazer.

— Também, o mais importante é saber onde meu irmão está. Todo o resto é só uma consequência.

Segundos depois, Do suspirou. Embora fosse orgulhoso e detestasse ceder — principalmente para um pivete como aquele —, sabia que uma discussão com ele não levaria a lugar algum. Não estava contente com o rumo daquela situação, mas também não queria decepcionar Junmyeon falando “olha só, não sou capaz de aturar aquele repórter e ajudar no maldito caso de desaparecimento”, afinal, o homem via grande potencial em si e não queria estragar as expectativas que tinham sobre ele — mais uma vez.

— Se é assim que quer, assim será — Kyungsoo levantou-se, acompanhando Baekhyun até a porta do escritório, não notando as expressões surpresas do rapaz. — Mas há uma condição.

— Sempre há.

Kyungsoo virou-se para o mais novo, não fazendo questão alguma de disfarçar o olhar ameaçador.

— Você não vai a lugar algum buscar informações desacompanhado, não quero ter mais um caso de homicídio para resolver.

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Do Kyungsoo tinha certeza que já havia ultrapassado a fase da vida onde age de maneira inconsequente e irresponsável, entretanto, não conseguia controlar os próprios impulsos em determinadas ocasiões.

Após os problemas que tivera na sua antiga unidade, Kyungsoo acabou perdendo contato com todos os conhecidos policiais daquela região. Não que a amizade houvesse acabado, apenas não tinha mais tanta familiaridade com eles. Dessa forma, se quisesse sair para beber em uma sexta-feira à noite, teria que fazer aquilo completamente sozinho — primeiro por não saber se Junmyeon curtia aquele tipo de ato, e segundo por não ter se aproximado suficientemente de alguém naquela delegacia.

O seu alvo foi uma boate perto do centro de Jajeong. O lugar parecia agitado como qualquer outra casa noturna da cidade; haviam inúmeros jovens tentando entrar com identidades falsas, casais bêbados e pessoas em estado de torpor — tanto por conta do álcool como por conta de drogas. E não é que Do fosse fã de ambientes como aqueles, mas queria uma boa bebida e também tinha o desejo de encontrar alguém para passar a noite — até porque, ele ainda tinha as suas necessidades sexuais para serem sanadas. E não seria difícil de encontrar um homem gay naquele lugar para uma foda rápida.

Dentro da boate, era praticamente impossível de se andar sem esbarrar em alguém. O local cheirava a bebida, sexo e hormônios; uma agitação que não era presente na alma de Kyungsoo, mas que ele aguentava por algumas horas, até estar devidamente bêbado ou fodendo com um estranho no banheiro. O único problema era o sentimento de remorso que lhe abatia no dia seguinte. Do detestava o fato de precisar esconder a sua sexualidade e agir na surdina para obter prazer.

— Ah, cara, se continuar com essa expressão tão séria, vai afugentar qualquer um que tentar se aproximar...

O detetive arqueou as sobrancelhas, demorando alguns segundos para perceber que a repreensão estava sendo direcionada a si e que vinha de um rapaz que acabara de sentar-se ao seu lado no balcão do bar. O cara parecia ser jovem, mas também não se assemelhava a um adolescente.

— Não é como se eu estivesse caçando companhia — retrucou, levando o copo de whisky até os lábios. O outro riu, os lábios finos tinham um aspecto diferente, quase como o de um gato.

— Tem certeza? Ninguém vem aqui só para encher a cara, se fosse o caso, você teria optado por uma das tabernas imundas da região.

— Você é bem espertinho, não acha? — o tom sério de Kyungsoo não era de ameaça, apenas de provocação. E o estranho pareceu gostar daquilo.

— Devo admitir que sou, já que fui abençoado com o dom da observação — sorriu mais uma vez. — Por que não sobe comigo para a área vip? Lá pode encher a cara a vontade e não vai correr o risco de se irritar com jovens embriagados e sem controle algum.

Kyungsoo acabou concordando, mesmo que já soubesse onde aquilo iria parar. Assim que terminou o conteúdo de seu copo, seguiu o outro entre a multidão, até as escadas que davam acesso ao próximo andar, a área vip, que era guardada por seguranças e parecia muito mais com um simples pub do que com uma boate, devido a calmaria do local. Não demorou muito estar novamente sentado em frente ao bar, junto do outro homem.

— Xiumin, quero o de sempre — o rapaz pediu ao barman, que concordou e esperou pelo pedido de Do.

— Whisky, por favor.

Kyungsoo era um cara responsável, então não queria se meter em problemas. Mas porra, aquele cara parecia ser a definição de encrenca. Era realmente bonito, e estava bem vestido também, além de não ser invasivo ou defensivo em demasia. O detetive também não podia julgar aquilo diretamente como um flerte, já que o ato poderia ser de simples simpatia. No entanto, ele não era ingênuo o suficiente para acreditar naquela história.

— Chen, se você está vagabundeando aqui, é sinal de que cumpriu todos os seus deveres de hoje, certo?

A conversa tranquila e comum que Do trocava com o estranho — do qual sequer havia perguntado o nome, mas que julgou ser Chen devido a reação dele —, fora interrompida pela voz suave de alguém. E se o homem com quem conversava cheirava a confusão, o outro só poderia ser a encarnação do apocalipse. Do estava acostumado com aquele tipo de jovem entrando e saindo da delegacia; arruaceiros de gangues, cheios de tatuagens, piercings e cabelos coloridos.

— É maldade a sua me fazer trabalhar justamente na minha folga, Lay — Chen respondeu, sem perder o ar divertido. A atenção de Kyungsoo se redobrou, já tinha ouvido aquele nome em algum lugar. Os olhos de Lay estavam fincados em si, e o sorrisinho sacana que recebera do loiro não agradou totalmente o detetive.

— Sabe que não foi a minha intenção — o loiro respondera, claramente em uma mentira. — De qualquer forma, não exagere. Estou indo ver aquele garoto e ver se ele tem algo de bom para me contar.

— Você deveria parar de brincar com aquele rapaz, irmão, é maldade — Chen o repreendeu, o sorriso ladino enfeitando o rosto divertido. Kyungsoo estava com uma boa quantia de álcool no sangue, mas não o suficiente para deixar aquela conversa estranha passar despercebida.

— Não é maldade quando nenhum de nós procura por algo sério, certo? — rebateu, dando uma piscadinha para ele. — Amanhã irei cobrir o seu turno, então não precisa vir.

— Quanta gentileza, mano — Chen riu, recebendo um aceno enquanto o outro se afastava dos dois. Kyungsoo permaneceu encarando as costas do estranho, não conseguindo conter aquele sentimento estranho dentro de si. — Meu irmão é um cara excêntrico, entendo a sua confusão.

— O único excêntrico aqui é você, Chen — o barman respondera, antes que Do tivesse a chance de abrir a boca. — Talvez seja coisa de família.

— Assim você vai assustar a minha companhia, Xiumin — Chen levou a bebida aos lábios, bebericando mais um gole. O barman riu, indo atender os clientes que estavam na outra ponta do balcão.

Kyungsoo foi surpreendido com a aproximação repentina do outro. O perfume masculino era agradável demais ao olfato do detetive, que não conseguiu conter o suspiro. Os lábios finos estavam próximos demais dos seus, em um sorriso nada inocente e que poderia ser traduzido em infinitas coisas diferentes.

— Notei que você é o tipo de cara que não curte enrolação, Kyungsoo, então vamos direto ao ponto — sussurrou, a mão delicada apoiando-se em sua coxa e os olhos escuros brilhando de maneira predatória. — Nós podemos continuar bebendo aqui, como se fossemos grandes amigos... ou podemos ir para a minha casa e fazer o que adultos alterados pelo álcool gostam de fazer.

E Do realmente gostava de fazer coisas de adultos entre quatro paredes.

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Byun Baekhyun detestava aquele bairro. Não nascera ali, mas morava nas redondezas, então toda a merda que costumava acontecer em Jajeong, afetava os bairros vizinhos também. Tiroteios, assassinatos, sequestros, assaltos, disputas de gangues... A lista era interminável, e o repórter já estava exausto de ver tanta porcaria reunida em um único lugar.

— Onde vai? — as sobrancelhas arqueadas e expressão confusas de Park Chanyeol eram mais do que óbvias: ele estava preocupado.

— Delegacia — Byun resmungou, atirando algumas coisas em sua bolsa, ignorando a cara de cachorro tristonho do melhor amigo e colega de trabalho.

— Não faz nem duas semanas que você esteve lá, Baek... O delegado Kim é um homem ocupado, sabe como...

— Não é o delegado Kim que está me ajudando no caso do Baekbeom — cortou, apoiando as mãos na cintura e finalmente mostrando sua cara nada feliz para o mais alto. — É o imprestável do novo detetive da unidade.

— Não deveria ser tão cruel assim com ele, Baekhyun — Park repreendeu, aproximando-se do amigo. — É claro que é importante que seu irmão seja encontrado, mas ele não é o único desaparecido no mundo, assim como com certeza não é o único caso em que o detetive está trabalhando.

Baekhyun sabia daquilo, sabia bem de que ele não tinha privilégio algum, mas não podia mais ficar esperando por uma resposta. Precisava encontrar seu irmão, vivo ou morto. E aquele desgraçado do novo detetive havia se comprometido consigo. Iria ajuda-lo, por bem ou por mal — até porque, ele sabia ser persuasivo o suficiente.

— Vou pegar leve, okay? — assegurou ao outro, jogando a alça da bolsa em um dos ombros.

— Até porque não quero ter que pagar fiança pra te tirar da cadeia por desacato.

— Como se algum de nós tivesse dinheiro pra fiança, Chan.

Em menos de meia hora, Byun já estava pisando dentro da delegacia de Jajeong. O lugar estava agitado como de costume, pessoas correndo de um lado para o outro, alguns esperando para fazer boletins de ocorrência, outros esperando para pagarem suas fianças. E mantendo toda a sua calma, seguiu até a sala de Do Kyungsoo, também não fez cerimonia alguma ao abrir a porta.

— Não, você não tem jurisdição alguma aqui, Jongin, aliás, você sequer tem competência para se meter nessa região, isso se configura como abuso de poder e corrupção — a voz alta do detetive chocou Baekhyun, ainda mais com o tom agressivo do outro a mostra. — Qualquer promotor com o mínimo de decência sabe que isso é errado, você não tem um pingo de senso ético. Não quero saber se você tem seus contatos ou se acha que pode se meter onde quer só porque é a merda de um promotor, não pense que é o único que sabe mexer os pauzinhos e lidar com os chefões. Não me ligue novamente.

O silencio se instaurou no gabinete, e o repórter até se sentiu desconfortável em ouvir a conversa alheia. Os olhos escuros do detetive se focaram em si.

— O que quer aqui, Baekhyun? — questionou, sem filtro algum para sua rispidez. As sobrancelhas do mais novo se arquearam, ele não era obrigado a aturar o mau humor daquele cretino.

— O que você acha? Se me lembro bem, você disse que me auxiliaria a procurar meu irmão. É o seu trabalho.

Byun retorquiu no mesmo tom, não ligando para o olhar feroz de Kyungsoo, que parecia estar tendo um péssimo dia. Pisando firme, o mais velho foi até a porta do escritório, fechando-a.

— Você está vendo aquela montanha de papéis ali em cima da minha mesa, Byun? Aquilo ali também é o meu trabalho. Casos de pedofilia e assédio sexual, perseguição e toda a escória que foi possível se reunir nos últimos meses — falou, apontando para os inúmeros arquivos. — O meu trabalho é pegar esses desgraçados e coloca-los na cadeia para o resto da vida deles, não servir de guarda costas para um abutre como você. Seja um pouco menos egoísta, garoto. Há centenas de pessoas desaparecidas nesse bairro, seu irmão não é o único que precisa de ajuda.

Baekhyun não conseguiu responde-lo, mesmo que estivesse fervendo de ódio. Sabia que aquilo era verdade, sabia que estava pensando só em si e não levando em conta o lado dos outros. Mas era o seu irmão, sua única família. Não tinha pais, tios, primos. Ninguém além de Baekbeom. Não podia perde-lo assim ou não poder enterra-lo se o pior já houvesse acontecido. Estava prestes a responder o moreno, mas fora surpreendido por um suspiro do outro, notando as expressões suavizadas dele.

— Sinto muito se fui rude, Baekhyun. Minha semana foi péssima e acabei descontando em você — Kyungsoo recostou o quadril no tampo de sua mesa, enquanto massageava as têmporas.

— Tá tudo bem, eu só... quero encontrar meu irmão. Ainda vai me ajudar com isso?

— Vou, mas primeiro...

Do fora interrompido pelo som das batidas em sua porta, não demorando para permitir a entrada. Era o detetive Oh Sehun, encarregado dos homicídios locais, excepcionalmente bom no que fazia. Baekhyun sentiu arrepios com o olhar que recebera do outro policial.

— Você ainda tem aqueles arquivos que o Junmyeon te repassou? — Oh questionara, mantendo as expressões amenas e indecifráveis.

— Da região sessenta e cinco?

— Sim.

— Repasse os casos para mim, ordens do Junmyeon.

Kyungsoo arqueou as sobrancelhas, mas caminhou até sua mesa e encontrou os arquivos desejados.

— Não vai ficar sobrecarregado com tudo isso? — questionou, e o mais alto nego com a cabeça.

— É o meu trabalho, Kyungsoo. E também não é como se houvesse alguém me esperando em casa além dos meus peixinhos dourados — deu um sorriso mínimo, antes de se retirar do escritório e fechar a porta atrás de si.

— Ele até que é amigável com vocês, mas nunca me cedeu uma entrevista — Baekhyun comentou, cruzando os braços sobre o peito.

— Se você fosse um pouco menos irritante, talvez conseguisse — Do provocou, sentando-se atrás de sua mesa e recebendo um olhar feio do mais novo. — De toda forma, por onde devemos começar a procurar seu irmão?

Byun sentou-se em frente à mesa, acomodando-se na cadeira acolchoada.

— A última vez que tive notícias, ele estava saindo de uma boate na rua 34 — Baekhyun tirou alguns papéis da bolsa, impressão de mensagens e conversas de texto, entregando-as para Kyungsoo. — A boate em questão é a Black Jack, é famosa na região e aparentemente gerenciada por uma das gangues do bairro.

— É possível que seu irmão tenha se envolvido em uma briga com alguém de lá? — Kyungsoo estava lendo as mensagens, mas não encontrando nada de anormal nelas.

— Meu irmão é um cara calmo, e quando está bêbado é agitado, mas não agressivo.

— Podemos ir até lá, ver se há alguma câmera de vigilância e encontrar pistas do paradeiro dele — Do conferiu a hora em seu relógio de pulso. — Vamos ao anoitecer, está bom para você?

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Como de costume, a rua 34 estava agitada ao cair da noite. Vários bares, pubs, restaurantes, tabacarias e boates alastravam-se pela rua, atraindo pessoas de todos os tipos — dos bons aos ruins. Kyungsoo precisou trocar a roupa social e vestir algo mais despojado e neutro, para não atrair atenção indesejada.

— Você parece conhecer bem esse lugar — Baekhyun resmungou, enquanto seguia o detetive através da multidão.

— Um homem precisa se divertir de vez em quando — respondeu, fazendo o mais novo rir.

— Não sabia que curtia esse tipo de ambiente, detetive.

— Cada um com seus segredos, não é?

Do ficou satisfeito em fechar a boca do garoto, até porque, não se importaria em soca-lo se o pivete fosse algum tipo de preconceituoso de merda. A última vez que estivera naquela boate, foi quando se meteu em uma foda com o tal de Chen, e sabia que aquele cara poderia ajuda-lo em alguma coisa, caso o encontrasse. Seguiu para o bar da pista comum, questionando ao barman onde poderia encontrar Chen.

— Na área vip — o barman entregou dois cartões ao detetive. — Vai precisar disso para subir.

— Obrigado.

A subida para a área vip foi complicada, já que fora necessário atravessar a multidão de corpos dançantes. O segundo andar estava tranquilo como de costume. Kyungsoo encaminhou-se até o bar, encontrando o barista de cabelos azulados e espetados lá.

— Olá, o que vai querer? — perguntou, enquanto secava as mãos em um pequeno pano. Do mostrou seu distintivo, fazendo o rapaz arquear as sobrancelhas. — Sabia que você era um tira, homens quentes como você são perigosos.

— Você nem imagina o quanto, Xiumin — Kyungsoo guardou o distintivo. — Sabe onde posso encontrar o Chen?

— Não vai me dizer que está apaixonado, detetive — o barman deu-lhe um sorrisinho de canto, Byun soltou um grunhido estranho em resposta. — Ele não gosta de cachorros, sabe?

— Tenho umas perguntas referentes a um caso — Do ignorou a segunda parte dita por Xiumin, até porque não entendera o que ele quis dizer, e julgou ser algum termo referente à repórteres ou policiais.

— Certo, então — Xiumin exibiu um sorriso malandro e apoiou os cotovelos no balcão. — Hoje não é o turno dele, mas para a sua sorte, ele decidiu vir. O escritório é logo ali, subindo as escadas. Vou avisar os seguranças para deixarem você passar.

— Obrigado.

— Não há de quê, detetive.

Enquanto caminhavam em direção às escadas apontadas pelo barman, Baekhyun puxou o braço de Kyungsoo, obrigando-o a diminuir o ritmo de sua caminhada. Do só queria fazer algumas perguntas e pretendia fazer aquilo o mais rápido possível, então estranhou quando o mais novo o fez desacelerar.

— Como você conhece esse cara? — perguntou, em um sussurro visivelmente preocupado.

— Você realmente quer saber? — uma das sobrancelhas de Kyungsoo se arqueou e o outro bufou.

— Não dou a mínima para a sua sexualidade e não estou o julgando, detetive, mas quero saber como é que você conhece esse cara.

Do parou no meio do caminho, apoiando as mãos na cintura, feliz por estarem em uma boate, onde ninguém estava prestando atenção neles.

— Nos conhecemos aqui há algumas semanas e transamos, por quê?

A sinceridade extrema do policial surpreendeu Byun, que agradeceu o fato de estarem em um ambiente escuro para esconder as bochechas levemente ruborizadas. Porém, aquilo era quase irrelevante, se levassem em consideração a situação em que estavam se metendo.

— Chen é um dos líderes desse maldito bairro, junto dos irmãos. Eles administram várias boates e existem boatos que estão envolvidos com os piores tipos de coisas — informou, olhando ao redor e sentindo-se nervoso. Não estaria arriscando seu pescoço assim se não fosse pelo irmão. — Nenhuma das gangues menores tem coragem de enfrenta-los ou causar-lhes prejuízos.

Kyungsoo não pode evitar o riso. Tinha a noção de que às vezes cometia alguns erros terríveis, mas transar com um gangster com certeza tinha extrapolado todos os limites eticamente aceitáveis.

— Que ótimo — ironizou, bagunçando os cabelos escuros com uma das mãos. — Como eu identifico quem faz parte dessa gangue? Qual o símbolo deles?

— Uma tatuagem no antebraço, duas cobras entrelaçadas.

— De onde você tirou essas informações? — Do voltou a andar, sendo seguido pelo repórter.

— Tenho os meus contatos, detetive — deu os ombros.

— Na próxima vez, me avise com antecedência antes de entrarmos em um covil de bandidos.

Assim que se aproximaram das escadarias, dois seguranças os impediram de continuar, enquanto ouviam algo em seus fones no ouvido, não demorando muito para liberar a passagem. As escadas levavam a um terceiro andar, com um corredor extenso e vigiado por alguns seguranças. Kyungsoo se amaldiçoou algumas vezes por ter se metido naquela enrascada, mas queria dar uma resposta para Baekhyun em relação a seu irmão desaparecido. Sem contar que já havia enfrentado situações muito mais perigosas quando fazia parte da divisão de narcóticos. O pior que poderia acontecer ali era um tiroteio, e o detetive estava armado — felizmente.

Acompanhado de Byun, seguiram até a porta no fim do corredor, que fora indicada pelos seguranças. Sem muita enrolação, Do abriu a porta, atraindo a atenção de Chen, que estava recostado na mesa enquanto lia alguns papeis. O ambiente era bem organizado e estranhamente reconfortante. E o maldito do gangster estava tão bonito quanto da primeira e única vez que o vira, usando uma calça escura e justa, juntamente de uma camisa social branca, com os últimos botões abertos. Era um merdinha conquistador. Kyungsoo teria que tomar mais cuidado com quem levava para a cama.

— Kyungsoo, é bom te ver de novo — um sorriso charmoso tomou conta dos lábios finos de Chen, que deixou seus papeis de lado. — E veio acompanhado. Espero que não seja seu namorado, seria bem decepcionante ver um cara tão bom envolvido com alguém desse tipo.

O desagrado na voz e nas expressões do gangster eram claras, Baekhyun foi contido de avançar por Do.

— Ele não é meu namorado, e preciso da sua ajuda para encontrar o irmão dele que está desaparecido — informou, vendo Chen tomar seu lugar atrás de sua mesa, gesticulando para que os outros dois se sentassem também.

— Não quero parecer grosso, mas você tem ideia de quantas pessoas desaparecem nesse lugar por ano? — Chen estava de sobrancelhas arqueadas.

— Sou detetive, sei das estatísticas do bairro — Kyungsoo ajeitou-se na cadeira, caçando a foto de Baekbeom que estava no bolso de sua jaqueta de couro, empurrando-a pelo tampo da mesa em direção ao outro. — Estamos procurando por esse rapaz, ele se chama Byun Baekbeom. Há alguma possibilidade de ele ter passado por aqui e encontrado problemas? Ou vocês têm algum registro de quem entra e sai daqui?

Chen analisou a foto por alguns segundos antes de apoiar os cotovelos no tampo de mogno, fazendo o olhar de Do recair sobre a tatuagem que possuía no antebraço. Eram duas cobras entrelaçadas, de bocas abertas e presas a mostra.

— Se você fosse um cara qualquer, Kyungsoo, iria te meter em uma barganha desgraçada. E você provavelmente não sairia vivo daqui, nem você — o gangster apontou para os dois sentados à sua frente. — Mas te considero um cara bacana e sei que está apenas fazendo o seu trabalho.

— Você viu ou não esse cara? — Byun abrira a boca pela primeira vez, arrancando um suspiro do outro. Estava perdendo a paciência com aquele desgraçado, porém precisava manter a calma se quisesse sair vivo daquela boate.

— Há cerca de dois meses atrás, esse cara esteve aqui — Chen levantou-se para se servir de um copo de whisky. — Causou alguns problemas, mas conseguimos resolver tudo e ele foi embora com os amigos.

Baekhyun estremeceu, sentindo o estomago se embrulhar. Não podia confiar nas palavras de um homem como Chen, que estava envolvido com o pior tipo de coisa naquele bairro. Só esperava que seu irmão estivesse bem e escondido em algum lugar.

— As câmeras de vigilância lá de fora gravaram isso? — Kyungsoo questionou, enquanto anotava algo em sua caderneta.

— Ah, não foi aqui que ele causou problemas. Me referi a outra boate — Chen voltou a se sentar, levando o copo aos lábios. — Ele esteve aqui antes de causar problemas no South of Heaven. Sabemos disso porque vocês recebem essas pulseiras ao entrarem aqui, e ele estava usando uma na noite em que se meteu em encrenca.

— Você também administra essa boate?

— Ah, não, não. É o meu irmão que cuida daquele lugar — contou, deixando o copo vazio de lado. — Fica na rua 11, não é difícil de chegar lá.

— Eu sei onde fica — Baekhyun torceu o nariz, e Kyungsoo suspirou.

— Deve saber também que não é qualquer um que pode entrar — Chen disse, enquanto procurava por algo em sua gaveta. Não demorou para entregar dois cartões ao detetive. — O clube é apenas para os associados, consequentemente, a entrada de quem não possui esse cartão é barrada — informou, cruzando os braços sobre o peito. — Mais alguma pergunta?

— Só mais uma — Do encarou o homem a sua frente, que gesticulou para que continuasse. — Você sabe o que causou o conflito em que Baekbeom se envolveu?

Chen deixou um riso escapar, e aquilo não agradou a nenhum dos outros dois.

— Parece que ele agiu de forma desagradável com alguns dos garotos do meu irmão, mas não sei de todos os detalhes.

Kyungsoo terminou de anotar tudo o que achava importante, antes de se levantar e ser acompanhado por Baekhyun. Já se passava da meia-noite, e ele estava grato por não precisar trabalhar no dia seguinte, no entanto, sabia que perderia muitas noites de sono para tentar resolver aquele desaparecimento.

— Conseguimos encontrar seu irmão nessa boate? — Do perguntara, enquanto o outro os acompanhava até a porta.

— Hoje ele não está disponível, mas creio que amanhã ele estará lá como de costume — respondeu.

— Agradeço pela ajuda, Chen — Kyungsoo estendeu a mão para o outro, que sorriu sedutoramente antes de retribuir o gesto.

— Devo avisar que meu irmão pode ser muito irritante quando quer, então tente não atirar nele, por favor — alertou, conseguindo um riso do policial e uma careta de Baekhyun, que obviamente era a pessoa de pavio mais curto entre eles. — E me ligue se estiver precisando de companhia, detetive. Sei que o seu trabalho pode ser muito estressante às vezes.

— Não é como se você não fosse um dos motivos que me fazem trabalhar tanto, não é? — Kyungsoo respondeu, vendo Baekhyun resmungar algo e seguir pelo corredor, deixando-o para trás com o outro.

— Não se deixe levar pelos boatos, Kyungsoo — Chen disse, mais sério do que o habitual. — Não nos envolvemos com trafico ou contrabando, apenas administramos boates, restaurantes e hotéis.

— Não é como a população vê vocês — o detetive retorquiu, conseguindo um sorriso malandro do outro, que o surpreendera ao se aproximar de si.

— Não é como a população do bairro nos vê — disse. — Quem vem de fora sempre vai nos julgar como bandidos, sendo que nem nos consideramos gangsters.

— Não vou me surpreender se encontrar seu nome no sistema de procurados da polícia — brincou, obtendo o riso do outro, que ainda se mantinha próximo de si.

— Lamento estragar suas expectativas, mas você não vai encontrar nada sobre mim — sussurrou, roçando seus lábios no queixo alheio, antes de se afastar. — Quando chegarem lá, diga que dei passe livre para os dois. Só não causem nenhum problema, e fique de olho naquele garoto.

— Ninguém gosta de repórteres, sei bem disso — concordou, ganhando um sorriso indecifrável de Chen. — Até a próxima, Chen.

— Até logo, detetive.


Notas Finais


eh isso ai amigos

espero que tenham gostado

as atualizações estão programadas para todo domingo/segunda de manhã, se eu não postar no domingo, é provável que poste na segunda

obrigado pelo apoio de vocês e é isso

boa noite ♥


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