História Summer Catch - Capítulo 1


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Tags Acampamento De Verão !!, Clichê, Fluffy, Romance, Taekook, Vkook
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Palavras 5.246
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ficção Adolescente, Fluffy, LGBT, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Aparentemente, eu só sei entregar coisas atrasadas e em cima da hora, mas EU NUNCA FALHO! Apenas tardo. (desculpa, lu).
Acontece que dia 7 de agosto é aniversário da Luana (@hwatae), e eu não podia JAMAIS deixar o aniversário da maior V.I.P. que existe passar batido, porque gente, o amor que eu sinto por ela não tem nem como descrever. Ela é minha irmã caçula, eu tenho certeza disso, eu tenho como provar. Nossas opiniões são as mesmas pra praticamente tudo, ela tem uma risada icônica, tem o melhores selfie-memes, é o ser humano mais saudável e estranho que eu já conheci na vida (ama salada. WTF) e só sabe reclamar do clima do Sul. Mas tudo isso, acrescentado ao bom humor dela e a pessoa incrível que ela é nem compara ao tanto que eu amo ela. Isso daqui é pouco comparado a o que ela merecia <3

Lu, espero que você goste muuuuuuito!!!! <3
Te amo <3

Boa leitura, pessoal!!!

Capítulo 1 - Capítulo Único - I Was Enchanted to Meet You


— Não acredito que a senhora me meteu nessa furada — reclamei, cruzando os braços, emburrado.

— Não acredita em quê‍, Taehyung? — Suspirou, tirando as mãos do volante. — Não é nada demais, é apenas um acampamento de verão. Você não precisa agir como se fosse o fim do mundo.

— Mas é o fim do mundo! — Dramatizei. — Eu tenho dezessete anos e não doze!

Minha mãe soltou o cinto de segurança e se esticou, tentando alcançar minha mala que estava no banco traseiro.

— E é justamente por você ter dezessete anos que estou te mandando para cá — respondeu —, não vamos ter essa conversa de novo! Eu e seu pai achamos que você ficou muito à toa nas férias do ano passado.

— Isso não é verdade! — Protestei. — Eu saí com meus amigos, eu passei duas semanas na casa do vovô e da vovó!

Puxando a mala, ela colocou sobre meu colo e fez carinho nos meus cabelos louros.

— Você vai se divertir aqui, querido. Eu tenho certeza que vai! Todos os pais que já mandaram seus filhos para este acampamento só têm coisas incríveis para falar — sorriu, amistosa.

Respirando fundo, fechei a cara, arrancando uma risada de minha progenitora. Ela abriu o porta-luvas e tirou de lá um papel dobrado, colocando-o dentro de minha mochila num dos bolsos de fora.

— Aqui está. Não se esqueça de chegar logo para conseguir uma cabana legal — aconselhou. Deu um beijo em minha testa. — Eu te amo, filho. Se divirta bastante!

— Também te amo — soltei meu cinto, abri a porta e coloquei a mala no chão enquanto jogava a mochila sobre meus ombros.

Diversos adolescentes saíam dos carros de seus pais, caminhando até um dos ônibus, checando seus nomes na lista, deixando as malas e subindo em seguida. Vi minha mãe manobrar e sair do estacionamento do colégio, pegando o trajeto para nossa casa.

Queria eu estar naquele carro com ela.

Arrastei minha mala até um dos ônibus, esperando entrar logo de uma vez, encostar minha cabeça no assento e dormir para todo o sempre. Estavam organizando tudo por ordem alfabética, então, convenientemente, eu fiquei no último ônibus.

Levando apenas minha mochila, sentei-me em um dos bancos, bem no fundo e apoio a cabeça no vidro, querendo que aquele mês acabasse logo de uma vez. Um garoto sentou ao meu lado e eu ignorei sua presença, ainda emburrado por estar ali.

— Oi, você é novato? — O menino perguntou.

Em resposta, dei de ombros.

— Já é meu terceiro ano aqui — deu uma risadinha, não parecendo se importar com a minha frieza — não acredito que finalmente sou um veterano! Aliás, meu nome é Lee Taemin!

Suspirei.

— Kim Taehyung.

Felizmente, o garoto não era exatamente tagarela, então não forçou assunto comigo depois que falei meu nome. Ao invés disso, ele conversou com outros garotos e garotas que foram preenchendo os assentos. Pensei em pegar meu celular para ouvir música, daí lembrei que meu pai havia confiscado o aparelho, pois segundo ele, se eu estivesse com meu telefone, eu não prestaria a mínima atenção e não faria mais nada. Uma pena que ele me conhecia tão bem.

Após mais ou menos uns trinta minutos de viagem, chegamos ao ponto em que aconteceria o tal acampamento de verão. Era um local incrível com várias cabanas, um lago, um salão onde ocorreriam as refeições e haviam vários pontos onde podíamos realizar diversas atividades diferentes.

Descemos do ônibus e eu logo me espreguicei, tentando espantar um pouco da preguiça, embora fosse um pouco difícil. Enquanto aguardava tirarem nossas malas, observei os adolescentes que desciam dos outros ônibus estacionados, até que... eu vi. Foi sim um momento extremamente clichê e até meio cafona, mas não pude evitar porque o garoto era definitivamente um dos garotos mais fofos que eu já vi na vida! Ele tinha cabelos castanhos, usava óculos de armação redonda, uma blusa branca e um maldito choker preto. Seu sorriso bonito despontava enquanto mexia no celular.

Eu acho que estou apaixonado.

— Hey! Taehyung! — Taemin me chamou, dando um tapa em meu braço.

— Hã? — Pisquei atordoado.

— Você está babando? — Sorriu, maldoso. — Olha, se eu fosse você, eu não ficava muito interessado naquele garoto, não.

Cruzando os braços, o fuzilei com os olhos.

— E quem disse que eu estou interessado nele? — Retruquei, fazendo bico.

— Está na cara, sabia? — Riu. — Mas, estou falando sério. Não pensa nele, ele está fora da lista de conquista de qualquer outro menino daqui. É simplesmente impossível ficar com ele! Então, nem crie expectativas. Já vi outros como você ano passado.

— O que tem de grave nesse garoto? — Indaguei, curioso.

Ao invés de responder, Taemin apontou para o ponto onde o garoto estava parado. Cinco garotos desciam do ônibus onde supus que ele havia usado assim que chegou e arregalei os olhos, surpreso. Todos usavam preto, tinham cabelos escuros e apenas pela presença deles, outros adolescentes que se encontravam próximos, correram para longe, claramente assustados.

Eu juro que faltava tocar algum rock ‘n roll para completar.

O que me fez querer cair duro no chão foi quando um desses garotos góticos chegou perto do garoto fofo e colocou um braço sobre seu ombro. O garoto fofo sorriu e juntos, os seis andaram para dentro do acampamento efetivamente. Meu queixo estava no chão. Como diabos um garoto tão fofo conseguiu se tornar amigo daqueles garotos assustadores?

— O problema não é ele, e sim o meio-irmão dele, Jiyong. Eles cresceram juntos e são muito próximos. O irmão dele e os amigos são extremamente protetores com o Jeongguk — explicou. — Já teve gente que tentou, mas ninguém conseguiu namorá-lo.

Taemin saiu para ir pegar sua mala e eu continuei lá com uma bela expressão de idiota.

 

[...]

 

Apenas para destacar aqui: se antes eu já não estava gostando dessa ideia de acampamento de verão, agora eu estou oficialmente odiando com todas as minhas forças essa ideia de merda.

Motivos que se dão por isso são:

1 – Fiquei numa cabana péssima, em péssimas condições, mas era a única livre. Pelos menos Hoseok, Jimin e Yoongi, meus colegas de “quarto”, eram legais.

2 – Tinha toque de recolher para dormir.

3 – Aparentemente, eu sou um livro aberto, porque os três conseguiram sacar de primeira minha queda por Jeongguk (ah, eu achei esse nome bonito).

4 – Eles viviam tirando sarro com a minha cara graças ao meio-irmão do mal do garoto.

Aliás, não só o meio-irmão era do mal, como todos os amigos também eram. E eu cheguei nessa conclusão no nosso terceiro dia aqui. Após passar maior parte do tempo admirando Jeongguk de longe, eu já estava acostumado (embora eu precisasse admitir que era péssimo ficar olhando ele de longe. Foram três dias de muita dor e tristeza. O sorriso daquele garoto era bonito demais). A Gangue do Mal acompanhava ele para tudo quanto era lugar e eu me perguntava se eles não desgrudavam do garoto um segundo sequer!

Estávamos no refeitório, almoçando, e eu, como um bom pateta que sou, caminhei em direção de minha mesa com os outros meninos olhando para Jeongguk em sua mesa com a Gangue do Mal. Tinham derrubado um pouco de macarrão no chão, então, graças a minha inteligência enorme, acabei escorregando e derrubando todo o meu almoço em minha blusa.

Foi automático, todo mundo se virou para rir de mim e da minha desgraça. Não ousei olhar para a mesa dos góticos. Eu não queria ver um certo garoto rindo de mim. Respirando fundo, caminhei até minha mesa e joguei a bandeja com o prato vazio sobre ela, uma carranca gigante estampada em meu rosto.

— Ih, já está mal-humorado de novo — Jimin comentou, se servindo de suco.

— Eu odeio esse lugar — respondi.

— Odeia nada, está apaixonadinho, isso sim — Hoseok brincou.

— Sério, como ele consegue andar com os garotos de preto e não se sentir intimidado, sei lá — resmunguei, batendo a testa na mesa.

— Parece que alguém vai passar na sua frente, Taehyung — Yoongi comentou, me fazendo levantar a cabeça na hora para conferir um garoto alto, magro e bonito, caminhar até a mesa dos góticos, parando ao lado do garoto fofo.

Não conseguimos ouvir o que ele falou, ele não deve ter dito cinco palavras direito. Antes que pudesse pensar duas vezes, um dos membros da Gangue do Mal se levantou, pegou seu prato de macarrão e despejou na cabeça do garoto.

— Cai fora! — Gritou, fazendo o pobre coitado sair dali.

Jeongguk fechou os olhos, suspirando, cansado. Parecia estar se controlando para não fazer alguma besteira.

Trinta segundos depois, ele abriu os olhos novamente, e então, os fixou diretamente em mim.

Engoli em seco, sentindo o peso de seu olhar. Eu estava sendo notado pelo garoto por quem eu tinha uma queda, e aquilo era desconcertante. Sua expressão estava neutra, não denunciava nenhum tipo de emoção, então, eu não conseguia distinguir com clareza o que exatamente ele estava pensando.

Eu estava sujo de molho de macarrão, podia ser isso. Ele estava olhando para o idiota que se sujara todinho com o próprio almoço. Era provavelmente a alternativa mais óbvia, afinal, eu não conseguia pensar em outra coisa.

Quer dizer, eu acho que é, né. Vai ver ele abriu os olhos e fixou-os em mim por coincidência também, vai saber.

— É, acho que não existe mais alguém na sua frente — Yoongi voltou a falar, o tom debochado.

— Qual é o seu problema? — Uma garota que sentava na mesa ao lado da Gangue do Mal se levantou, caminhando até o cara que espantou o pobre garoto. Desviei meu olhar de Jeongguk para os dois. — Você não pode falar com as pessoas assim! E muito menos jogar comida nelas!

Era engraçado. Ela era baixinha e estava enfrentando um cara bem mais alto e claramente mais ameaçador. Porém, ela não parecia estar com medo.

— Meu problema? — Ele arqueou uma sobrancelha. — O que você pensa que está fazendo?

— Hyorin, para com isso! Não vale a pena! — Uma outra menina sussurrou atrás da garota corajosa. — Não é uma boa ideia peitar esses caras.

— Você devia ouvir a sua amiga — o membro da Gangue que encarava a garota falou. — Deve ser uma novata a julgar pela atitude impensada.

— Taeyang! — Jiyong, o irmão de Jeongguk ralhou. — Já chega!

Entretanto, os dois estavam ocupados demais numa espécie de competição de encarada. Como se estivessem querendo ver quem desviaria o olhar primeiro. Por incrível que pareça, quem fez isso, foi o tal do Taeyang, que deu um sorriso cretino para a garota e logo se sentou.

Fuzilando-o com os olhos, ela fez o mesmo e eu tornei meu olhar para a Gangue do Mal, e para minha grande surpresa, Jeongguk ainda me olhava.

Pigarreando, levantei-me e espreguicei meus braços.

— Pessoal, eu vou voltar para a cabana. Preciso trocar essa blusa — suspirei. Talvez, eu estivesse me sentindo um pouco intimidado por estar sendo observado assim.

— A gente se encontra nas provas? — Jimin sorriu, gentil.

Sem querer falar muita coisa, assenti em concordância, sentindo a ansiedade subir por meu estômago. Eu precisava sair logo dali, estava me sentindo inquieto. E observado.

Apressadamente, bati em retirada do refeitório.

 

[...]

 

Após trocar de roupa, saí da cabana com animação igualada a zero. Eu estava extremamente entediado e me perguntava como iria sobreviver durante o restante daquelas férias.

— Hey, garoto. Você aí — uma voz chamou minha atenção e eu virei para o lado esquerdo, conferindo quem era o dono dela. Meus olhos triplicaram de tamanho ao ver Jiyong parado ao lado da porta de minha cabana com os braços cruzados, a expressão séria.

Deus me ajude num momento desses, eu não fiz nada! Eu juro! Por que eu estava correndo o risco de morrer tão cedo assim?

— Sim? — Minha voz falhou um pouco.

— Você é Taehyung, não é?

O sangue esvaiu de minhas bochechas.

— Sou sim — respondi, hesitante.

— Então, você é o garoto por quem meu irmãozinho caçula está interessado — afirmou, num tom pensativo.

— O quê? — Meu queixo caiu.

— Ele me disse que tinha um garoto que o observou o tempo todo durante os poucos dias em que estamos aqui, e embora ele tenha dito que o garoto era realmente fofo, não quis me contar quem era — falou, num tom reflexivo. Eu já estava imaginando como seria a minha morte. — Mas, sabe, Jeongguk nunca foi muito discreto quanto aos sentimentos dele e eu vi a forma como ele te olhou durante o almoço. O que nos leva a você.

Dei um passo para trás.

— O que tem eu? Eu não fiz nada.

— Acho bom mesmo que não tenha feito — ameaçou —, minha função é proteger meu irmão de idiotas aproveitadores, e eu vou fazer a todo o custo. Então, esteja avisado: fique longe de Jeongguk, está me ouvindo? Não ouse chegar perto dele.

Enquanto eu observava o gótico se afastar, suspirei em desânimo. E eu por acaso dei algum indício de que eu chegaria perto ou…? E Jeongguk estava interessado em mim? Que loucura era aquela? Eu só ficava olhando para o garoto, eu nunca disso ou demonstrei nada, eu sequer sabia que isso estava tão na cara!

Decidido a ignorar isso, passei o resto do dia ocupado. Participei das provas idiotas que nos obrigavam a fazer, correndo de um lado para o outro feito um pateta e acabei ralando o joelho no processo.

Claro que observei se Jeongguk me olhou em algum momento e para minha não surpresa (e talvez, decepção), ele sequer parecia saber da minha existência ali. Isso me fez ter certeza de que Jiyong não sabia do que estava falando. Na certa, foi tudo um mal-entendido, e os olhares que o garoto me direcionou durante o almoço foram apenas coincidência.

Hoseok comentou como eu estava sendo bobo, e que ainda estávamos na primeira semana daquelas férias infinitas, então, por que não tentar me aproximar de outro garoto?

Segui seu conselho e felizmente, não foi tão difícil assim. Conheci muita gente, fiz novas amizades e procurei não ficar encarando Jeongguk. Eu não ia ganhar nada com isso, a não ser um olho roxo, porque eu sentia que seu irmão não estava brincando, aquilo fora praticamente uma ameaça de morte.

Era de noitinha, mais ou menos uma semana e três dias desde que estávamos ali, quando eu entrei numa brincadeira de girar a garrafa. Era uma garrafa de soju que haviam roubado da cabana de um dos monitores, Seokjin. Nesse ponto, eu já havia entrado em um acordo comigo mesmo. Não adiantava de nada me queixar sobre esse lugar. Eu já estava aqui mesmo, então, ao invés de viver reclamando, o mínimo seria tentar aproveitar um pouco, claro. Outro ponto dessa coisa de “aproveitar” envolvia não ficar “sofrendo” por causa de garoto. Não ia mentir e dizer que não me interessava mais por Jeongguk, o que aconteceu é que agora eu estou mais “desapegado”.

Baekhyun, um dos garotos da rodinha, girou a garrafa e a mesma parou em mim. Respirei fundo. Era a primeira vez que parava em mim. Esperava que ele não me desafiasse para nada muito pesado.

— Muito bem, Taehyung. Eu te desafio a beijar alguém dessa roda.

Certo. Não era nada demais.

Olhei quem estava presente ali e não pensei duas vezes: engatinhei na direção de Jimin (que arregalou os olhos comicamente), segurei seu queixo e dei um selinho rápido em seus lábios.

— Ah, isso não foi um beijo — Baekhyun reclamou.

— Pelo amor de Deus, não obriga ele a me beijar de novo — Jimin resmungou, passando a blusa sobre os lábios. Dei uma risada divertida. — Ele acorda com um bafo terrível toda manhã e só come aquelas coisas gosmentas. Não acredito que ele teve a coragem de encostar aquela coisa que ele chama de boca em mim.

— Que dramático, Jiminie — revirei os olhos, levantando-me do chão. — Vou buscar algo para comer. Já volto.

— Traz um salgadinho para mim? — Jungwoo pediu, os olhos pidões.

Okay.

Não perdi muito tempo ali e saí da cabana para atravessar o acampamento silencioso e escuro até o refeitório localizado até perto. Não havia uma única alma viva, mas estranhamente, ouvi um barulho atrás de mim. Conferi meus arredores com uma expressão desconfiada, mas como não vi nada, ignorei. Provavelmente devia ser coisa da minha cabeça mesmo.

Caminhei um pouco mais, passando pelas árvores protegidas pela escuridão da floresta, enquanto cantarolava baixinho uma canção de ninar. Até que fui surpreendido quando meu pulso foi puxado com força em direção a uma das árvores. Fui pressionado contra uma delas e antes que eu pudesse perguntar o que diabos estava acontecendo, o sujeito esmagou seus lábios contra os meus num beijo deveras desesperado.

Fiquei estático, com as mãos levantadas e os olhos arregalados. Esse garoto era cheiroso, parecia ser da minha altura e era deveras atrevido. Suas mãos passeavam por meu corpo, explorando tudo o que alcançavam, e em meio ao torpor e a surpresa, decidi retribuir também. Segurei sua cintura (que era deliciosamente fina) e inverti as posições, pressionando-o contra a árvore e grudei nossos corpos, beijando-o tão afoitamente quanto antes. Ele pareceu gostar da minha atitude, até gemeu baixinho quando apertei a carne de sua cintura. Suas mãos estavam mergulhadas em meus cabelos e bagunçavam meus fios. Eu não sabia quem ele era, mas isso precisava parar agora, e não era porque eu não estava gostando (o contrário disso). Eu não queria ter uma ereção ali no meio do mato com um desconhecido.

Interrompendo o beijo, ouvi o garoto suspirar frustrado e tentar me puxar novamente.

— Espera, espera — o impedi, segurando-se firmemente, sem realmente afastar nossos corpos — quem é você? Eu tenho o direito de saber pelo menos o nome de pessoas que saem me agarrando aleatoriamente, não que isso tenha acontecido antes, mas, enfim, quem é você?

— E isso importa? — Estava escuro, mas juro que o vi fazer bico.

Ri baixinho.

— Claro que importa — fiz carinho em sua cintura. — Nunca beijei desconhecidos assim, mas estou curioso. Quem é você?

— Você precisa me prometer que não vai fugir quando descobrir — pediu, receoso.

— Fugir? Por que eu fugiria? — Franzi a testa.

— Porque todos fogem.

Não entendi nada daquilo, mas não vi problemas.

— Certo, eu prometo. Agora, quem é você?

Em silêncio, o garoto mexeu nos bolsos de sua calça jeans e tirou de lá um par de óculos, colocando a armação redonda em seu rosto. Só por aquele gesto, senti um péssimo pressentimento sobre isso. Antes que ele abrisse a boca e falasse, perguntei:

— Jeongguk?

Ao invés de me responder, ele abaixou a cabeça e assentiu. Era como se ele esperasse que eu fugisse agora e o deixasse assim, mas eu prometi que não o faria e mesmo se não tivesse prometido, eu não ia abandonar o garoto sozinho ali. Eu queria respostas. Por que ele me beijou? Como ele sabia que eu estava ali?

— Hey, eu não vou fugir, fica tranquilo — assegurei, levantando seu queixo com meus dedos.

— Não? — Parecia surpreso.

Uni nossos lábios mais uma vez e ele não hesitou em corresponder. Dessa vez, nos beijávamos com calma, explorando a cavidade bucal um do outro sem aquele desespero. Era um beijo gostoso e deveras íntimo, porque não perdi meu tempo em passear minhas mãos por suas costas, da mesma forma em que ele explorava os meus ombros. Não tinha nada de muito absurdo, éramos apenas dois adolescentes se beijando.

Cortei o ósculo com o selinho estalado em seus lábios inchados e sorri, ainda desacreditado.

— Estamos aqui há pouco mais de uma semana, eu nunca nem falei com você e na primeira vez em que nós… bem, a gente se beijou — comentei, sentindo-me feliz.

— Eu achei que você estava interessado em mim — sussurrou — você vivia olhando para mim, era muito difícil não notar, mas… mas aí você nunca mais olhou na minha direção e quando perguntei meu irmão, ele disse que havia te alertado, e eu fiquei tão chateado. Você estava flertando com outros garotos. Eu vi você beijando aquele garoto, eu estava espionando vocês pela janela. Queria tanto entrar e participar da brincadeira, mas alguém ia contar para Jiyong e ele ia ficar irado… eu odeio isso.

— Você estava espionando? — Dei uma risada. — É bizarro, admito, mas também é fofo. Você escapou do dormitório escondido?

— Sim, foi a primeira vez que consegui. Eu tenho 16 anos, mas Jiyong me trata como se eu tivesse dez! Dei meu primeiro beijo esse ano na escola e foi porque a gente estava numa brincadeira de “verdade ou consequência”. — Parecia chateado.

— Seu irmão parece ser terrível.

— Ele não é. Ele é uma pessoa incrível, ele e seus amigos, o único problema é que eles são protetores demais — respirou fundo. — Eu gostaria de ter a minha liberdade.

— Bem, ele falou comigo para ficar longe de você sim, se bem que a gente nunca conversou ou se conheceu — refleti.

Jeongguk não respondeu, apenas puxou meu pescoço para frente e me beijou novamente. Eu estava cagando de medo do irmão dele brotar dos cafundós do Judas e descobrir a minha pessoa aqui, maculando a inocência do irmão caçula. Mas, ao mesmo tempo, eu me sentia tão feliz e ansioso. Jeongguk realmente estava afim de mim! Igual eu estava afim dele! Beijar ele era muito bom, eu tinha de admitir, embora a inexperiência do garoto fosse óbvia com a forma como ele beijava. Desajeitado e desesperado, como se quisesse recuperar todo o tempo perdido.

Porém, além de tudo, eu queria conhecê-lo. Queria saber quem ele era, do que ele gostava, do que ele não gostava, do que ele tinha medo, com o que ele sonhava. Eu estava disposto a isso, e a arriscar, agora que eu sabia que era correspondido. Meu peito ia explodir de alegria. E medo.

— Me desculpa, eu mordi você? — Seu tom era receoso quando eu interrompi o beijo mais uma vez.

— Não, não mordeu — dei um beijo estalado em seus lábios novamente — o que você de nós dois irmos até o lago conversar um pouquinho? Se conhecer um pouco? Até agora só sei que você tem 16 anos e um meio-irmão mais velho.

— Eu descobri seu nome através do monitor. É Taehyung, né? — Assenti, adorando ouvi-lo falar meu nome. — Ele também disse que você tinha 17 anos.

— Está certo, eu tenho 17 anos mesmo. Farei dezoito no dia 30 de dezembro — respondi, entrelaçando nossos dedos e caminhando furtivamente pelo acampamento até chegarmos no lago. — Mas, me diz uma coisa, por que você se interessou por mim?  

— Não é óbvio? Você é muito fofo — replicou, como se eu fosse doido apenas por perguntar.

 

[...]

 

É oficial: eu devo estar querendo morrer.

Eu estava a exatamente duas semanas mantendo um pseudo-namoro com Jeongguk. Já havia passado um mês desde que chegamos no acampamento e a cada dia, eu sentia que estava brincando com o fogo. Nós nos encontrávamos em nosso ponto escondido no lago, e lá ficávamos a noite toda, conversando abraçados, trocávamos muitos e muitos beijos e carícias. Jeongguk gostava muito de beijar e eu não podia estar mais do que satisfeito em conceder seu desejo de beijar sempre que possível.

Às vezes, nós saíamos escondido durante as provas, nos escondíamos atrás de uma árvore e nos beijávamos até cansar. Depois das refeições, eu corria para a cabana, escovava os dentes e depois o encontrava. Jimin, Hoseok e Yoongi perceberam minha mudança de comportamento e me chamaram de “bobão apaixonado”, embora não soubesse ao certo quem era o garoto.

Manter um relacionamento era difícil. Eu via como Jeongguk inventava mais e mais desculpas para o irmão e seus amigos toda a vez que buscava sair escondido. Ele dizia que não queria ver Jiyong bater em mim ou me xingar de todas as ofensas possíveis. Eu havia sido o único garoto a chegar tão longe, a conseguir me relacionar de verdade com Jeongguk, e ele afirmava não querer que isso acabasse tão cedo.

Pena que não foi o que aconteceu.

Numa tarde, pulamos o almoço para “namorar” um pouco atrás de uma das árvores que ficavam próximas às cabanas dos monitores. Jeongguk estava sentado no chão, as costas apoiadas contra a árvores, enquanto eu descansava minha cabeça em seu colo, deitado sobre uma toalha. Ele fazia carinho em meus cabelos e eu contava sobre como era minha turma no colégio, como eram meus amigos. Nas duas semanas que passaram, nós dois descobrimos o quão parecidos nós éramos e a cada vez que a gente conversava, mais descobertas fazíamos.

Jeon Jeongguk! — Uma voz masculina extremamente irritada gritou ao nosso lado, chamando nossa atenção.

Era Jiyong, acompanhado da Gangue do Mal, e vários adolescentes que integravam o acampamento também estava ali, numa espécie de rodinha. Engoli em seco. Merda.

Levantei do colo de Jeongguk e o ajudei a ficar de pé. O garoto agarrava meu braço e fuzilava o irmão com os olhos.

— Ji, o que você está fazendo? — Perguntou, zangado.

— Eu é quem devia estar fazendo essa pergunta, Jeon! — Respondeu, cerrando os punhos. — Te dei um pouquinho mais de liberdade e você acabou se engraçando com um dos garotos daqui. Um dos garotos, que inclusive, eu avisei para ficar longe de você!

— Isso não é da sua conta! — Rebateu. — Eu tenho o direito de ficar com quem eu quiser!

— Hoseok, você trouxe seu celular? — Vi Jimin (um dos que estavam reunidos ali) perguntar.

— Sim, por quê? — O outro respondeu, a preocupação evidente no olhar.

— Me passa aqui. Se rolar briga, eu quero filmar.

— Jimin!

— Como não é da minha conta? — Jiyong indagou — você se vendo escondido com um garoto. E eu tenho certeza de que não é a primeira vez, você tem estado estranho, tem nos evitado.

— Porque eu sabia o que ia acontecer quando você descobrisse! Sabia que isso daqui ia acontecer! — Reclamou, choroso.

Jiyong cravou seu olhar mim, parecendo mais irritado do que antes.

— Você! Você se aproveitou do meu irmão caçula! E ainda fez isso pelas minhas costas!

Eu estava morrendo de medo, era verdade, mas aquela acusação causou… coisas em mim. Eu não gostei nenhum pouco de como aquilo soou e muito menos do que ele implicou com aquilo. Eu não estava me aproveitando de Jeongguk! Nunca fiz isso! Nunca fora a minha intenção!

— Não! — Gritei. — Eu não me aproveitei dele! Eu estou numa espécie de relacionamento com e isso é porque eu gosto dele, e ele gosta de mim. Não tem ninguém se aproveitando de ninguém! — Exclamei. — Você, como irmão mais velho dele, devia dar apoio a ele e vigiar quando necessário, e não prender o garoto, agir como se você pudesse controlá-lo, como se ele não tivesse vontade própria! Ele ama você mais que tudo, você é irmão dele, mas ele odeia a forma como você o prende, como o impede de viver, e isso é terrível. Eu não me importo se vou sair daqui com um olho roxo ou alguma costela quebrada, eu não vou me acovardar ante a você, não dessa vez. Eu estou apaixonado por Jeon Jeongguk e você é um… um… — Engoli em seco, sentindo meu lapso de coragem diminuir — … um idiota!

O medo era real. O medo de sair todo estropeado. Um silêncio se instalou entre todos ali e por um momento, eu realmente achei que fosse morrer. Só era possível ouvir as nossas respirações.

Até que:

— Você tem colhões, garoto — Jiyong afirmou — eu admiro isso. Qualquer pirralho que tenha coragem de me enfrentar é decente o suficiente para namorar meu irmãozinho caçula.

— O quê? — Indaguei, boquiaberto.

Eu não conseguia acreditar.

— Você achava que eu ia sair na porrada? — Jiyong perguntou, com um sorriso no rosto. — Eu não sou tão ruim assim, sabia?

Ah vá.

— Isso é o que ele diz — Taeyang resmungou atrás dele.

— Você se faz de ruim, mas pegou o telefone daquela garota, foi todo cavalheiro com ela, qual o nome dela mesmo? Hyorin? — O rapaz que estava ao lado dele provocou.

— Cala a boca, Seungri!

Jiyong revirou os olhos, tornando a me encarar.

— Se eu ficar sabendo que você está fazendo saliências com meu irmão em lugares indevidos ou que você o fez chorar, você vai se ver comigo, garoto. E dessa vez, haverá porrada! — Alertou. — Venha, Jeongguk. Mamãe ligou querendo falar com você. Foi por isso que saí a sua procura.

O mais novo assentiu, dando um beijo em minha bochecha e caminhando em direção ao seu irmão, abraçando-o com força. Era engraçado, já que o mais velho era um pouco mais baixo que si, mas não deixava de ser fofo.

— Obrigado, Ji! Eu te amo!

— Eu também te amo, pirralho — o outro respondeu, sorrindo afetuosamente, no entanto, seu sorriso dissolveu no mesmo segundo, se tornando uma carranca irritada. — O que vocês ainda estão fazendo aqui? O que estão olhando? Todo mundo cai fora agora antes que eu meta a porrada!

Não deu outra: os adolescentes reunidos saíram correndo na hora.

 

[...]

 

Se no início eu estava odiando com todas as minhas forças a ideia de passar meu verão ali, agora, eu estava praticamente querendo chorar. Dei um jeito de burlar as regras igual a Gangue do Mal e fiquei no mesmo ônibus que Jeongguk, embora nossos nomes nos impedissem daquilo. Ele envolveu meu pescoço com o braço e eu dormi em seu ombro a viagem todinha.

Agora, aqui estávamos nós, olhando um para o outro com um olhar melancólico. Embora estudássemos no mesmo colégio, eu era do período matutino, e Jeongguk do período vespertino, o que significava que a gente não se veria durante as semanas. Nos fins de semana ele tinha várias atividades extracurriculares, e eu não sabia como a gente poderia se ver de novo.

O garoto colocou um pedaço de papel em minha mão e deu um passo para frente, me abraçando com força. Retribuí e fechei os olhos, inspirando seu cheirinho gostoso. Eu sentiria tanta saudade dele. Foram dois meses incríveis.

— Você vai voltar nas próximas férias?

Sorri, pensando na ironia daquilo. E da minha resposta.

— Eu não perderia o próximo verão aqui por nada no mundo.

— Vou sentir saudades. — Se afastou, segurando minhas bochechas e dando um selinho em meus lábios. — Tchau TaeTae!

— Tchau Gukkie — me despedi, vendo ele correr em direção a Jiyong que o esperava para que os dois entrassem no carro de seus responsáveis.

De longe, o irmão mais velho de Jeongguk semicerrou os olhos, me encarando depois que o garoto adentrou o veículo. Então, ele apontou o indicador e o médio nos dois olhos, apenas para gesticular o indicador em minha direção, como se dissesse “estou de olho em você”.

Dei uma risada gostosa, observando eles se afastarem.

Abri o pedaço de papel que Jeongguk colocara em minha mão e não contive o sorriso. Era o número de telefone dele. Ah, isso estava longe de terminar.

Uma buzina chamou minha atenção e eu vi minha mãe estacionar o carro ao meu lado. Segurando minha mala e mochila com força, abri a porta e a cumprimentei, colocando minhas coisas no banco de trás.

— Seu celular está no porta-luvas, peguei com seu pai e coloquei aí hoje — informou —, e então? Como foi? Se divertiu? Foi tão ruim assim?

— Definitivamente não foi ruim, inclusive, quero voltar no próximo ano — respondi, empolgado.

Ela me fitou surpresa por uma fração de segundo, claramente não esperando aquela resposta. Peguei meu aparelho de telefone, o desbloqueei e corri para adicionar o número de Jeongguk em meus contatos. Não ia perder tempo.

— Sério? E o que aconteceu para te deixar tão animado assim?

Abri o chat no nome dele no KakaoTalk, sentindo o sorriso crescer cada vez mais em meu rosto. O que eu devia dizer antes de tudo? Um simples “oi”? Eu passaria umas boas horas decidindo isso.

— Ah, a senhora não tem nem ideia. Por onde eu começo?


 

 

 


Notas Finais


Eu me diverti demais escrevendo isso. Eu ri muito, sei lá. Jiyong tem uma participação importante, e eu não imaginava menos para um fic pra Luangri aushuahs

É isso <3


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