História Summer Vacation - Capítulo 24


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Notas do Autor


Olha ela chegando atrasada ashuashuashua

Desculpa meu povo, mas mada estava a meu favor...
Sábado eu não estava bem...
Domingo só tenho tempo para respirar...
Segunda ainda estava terminando o capítulo e ontem eu saí... Então só me restou hoje!

Finalmente vamos saber o que aconteceu com menino Kai.

E o que acharam da versão de Run away japonese? Gostam mais de qual?

Vocês leem as notas? É importante, é meu primeiro contato com vocês...

Bom, vamos lá!

Capítulo 24 - Não feche os olhos para si mesmo


Fanfic / Fanfiction Summer Vacation - Capítulo 24 - Não feche os olhos para si mesmo

Um longo suspiro foi dado parecendo desobstruir todos os canais por onde o ar circulava em seu corpo. Permaneceu de olhos fechados, tentando aos poucos se situar do que acontecia ao seu redor.

 

Sua audição foi captando som de vozes, eram conversas calmas e baixas. Também podia ouvir som de bipes, como se fosse algum tipo de máquina. Percebendo que tinha algo estranho, franziu o cenho e semicerrou os olhos se dando conta que estava muito claro, quase não conseguia abrir os olhos.

 

— Kai. — pôde ouvir a voz de sua mãe.

 

Virou a cabeça para o lado seguindo a direção da voz e aos poucos conseguiu abrir mais os olhos, mas ainda sentindo-se incomodado com a claridade.

 

— Filho, sou eu, sua mãe. — continuou e Kai a sentiu acariciando seu rosto.

 

Sua visão desfocada avistou o rosto dela muito perto do seu, e Kai quis se afastar, confuso. Porém, aos poucos, sua visão melhorou e piscou algumas vezes, agora podendo ver o rosto dela nitidamente.

 

Mãe. Entreabriu os lábios para falar, mas sua língua parecia estar colada ao céu de sua boca e seus lábios estavam ressecados. Kai moveu sua língua dentro da boca e passou a mesma pelos lábios, tentando melhorar a situação.

 

— Querido, eu estava tão preocupada. — disse ela, não deixando por um minuto de acariciar seu rosto. — Que bom que acordou. — sorriu, mesmo que seu rosto estivesse preocupado e seus olhos suspeitos de terem chorado.

 

Na sala que estava, tinha mais camas, além de pessoas deitadas nelas, enquanto outras estavam sentadas ao lado como acompanhantes. Kai viu homens e mulheres indo de cama em cama, vestidos com jaleco branco e segurando pranchetas.

 

Espera... Estava em um hospital? Por quê? O que tinha acontecido? Olhava de um lado para o outro, confuso, enquanto sua respiração se tornava acelerada.

 

— Mãe... — disse com a voz rouca. — P-por que... Estou em um hospital? — quis saber olhando para a mulher sentada ao seu lado.

 

— Ah meu querido... — disse ela passando a mão por seu braço o fazendo perceber que não estava com suas roupas e sim, com uma daquelas camisolas de hospital. — Você passou mal e desmaiou. Então trouxemos você pra cá.

 

Kai franziu o cenho tentando se lembrar, mas sua mente estava muito lenta, sentia-se cansado também. Desceu seus olhos por seu braço esquerdo e percebeu que na altura de seu dedo anelar tinha um curativo. Era uma fita branca e segurava o fino tubo que parecia levar algo para suas veias. O garoto inclinou um pouco a cabeça pra trás e viu a bolsa com um líquido amarelo pendurada em um suporte.

 

Kai ficou com medo do que era aquilo. Por que estava conectado a ele? O que era aquele líquido? Sua mão estava dormente, não conseguia mexer seus dedos direito.

 

— Não... — disse movendo a outra mão para tentar puxar a fita. — Tira isso. — mandou, mas sua mãe impediu, enquanto segurava sua mão.

 

— Não filho, é para o seu bem. Você vai se sentir mais forte. — explicou e Kai fechou os olhos, negando com a cabeça.

 

— Eu quero ir embora! — disse começando a chorar.

 

— Não se preocupe, logo vamos pra casa, mas você precisa descansar, sim? — disse ela como se estivesse falando com uma criança. — Agora dorme, eu não vou sair do seu lado.

 

Ela sorriu gentilmente e segurou sua mão de leve. Pareceu que as palavras dela tiveram poder sobre si, pois de repente, sentiu tanto sono que mal conseguia manter seus olhos abertos, mesmo que tentasse.

 

Antes de se entregar completamente ao mundo dos sonhos, viu no relógio acima da porta marcar duas da manhã.

 

 

°°°

 

 

Ele vai ficar bem?

 

Ainda estou esperando os resultados dos exames.

 

Por favor, precisamos saber!

 

Podem ficar tranquilos, garanto que ele não tem nada grave.

 

Graças a Deus!

 

As vozes pareciam distantes como se fossem lembranças ou parte de um sonho, mas logo percebeu que estava acordando do seu sono tranquilo. E antes mesmo de abrir os olhos, sua audição foi se ajustando novamente ao ambiente ao redor e logo pôde ouvir a conversa que acontecia bem ao seu lado.

 

— Doutor, o senhor pelo menos desconfia do que pode ter acontecido? — Kai reconheceu a voz de seu pai.

 

— Sim, mas não quero preocupá-los, por isso, vamos esperar os exames chegarem. — disse o homem de voz marcante.

 

Kai suspirou e abriu os olhos aos poucos, esperando que sua visão se ajustasse ao ambiente que parecia ainda mais claro que antes. Quando olhou para cima pôde ver um homem alto, segurando uma prancheta, usando jaleco branco com o nome Dr. Kim Namjoon no crachá.

 

Seus pais estavam mais atrás conversando entre eles com expressões preocupadas. O médico percebeu que tinha acordado e logo se aproximou sorrindo pequeno.

 

— Oh, vejo que acordou. Como está se sentindo? — perguntou e Kai franziu o cenho.

 

As conversas, a pergunta imediata, a resposta que ele queria, o ambiente claro demais, tudo aquilo estava lhe irritando. Puxou a barra do lençol com a mão direita e cobriu seu rosto.

 

— O que foi filho? Está com alguma dor? — seu pai perguntou se aproximando.

 

— Querido pode nos contar, estamos aqui. — disse sua mãe segurando sua mão esquerda gentilmente.

 

— Está muito claro... — murmurou.

 

— Infelizmente não podemos fazer nada, mas posso amenizar pra você. — o médico disse e logo ouviu o barulho de algo sendo puxado.

 

Kai sentiu um alívio em seus olhos e abaixou o lençol vendo que ele tinha puxado uma cortina ao redor de sua cama, formando uma “parede” e bloqueando um pouco da claridade.

 

— Está melhor? — perguntou ele e Kai assentiu. — Ótimo! Consegue se sentar?

 

Kai sentiu-se um pouco inseguro, mas mesmo assim usou a mão direita pra se apoiar e tentar levantar o corpo, porém, sentiu que ainda estava fraco, não tanto como antes, mas ainda sim, sabia. O médico percebendo que não conseguiria, apertou um botão ao lado de sua cama e a cabeceira foi levantando, fazendo com que ficasse sentado.

 

Kai o olhou de cima a baixo, sentindo-se incomodado. Se ele sabia sobre aquela função na cama, então por que tinha lhe mandado sentar sem ajuda?

 

— Só queria saber se ainda se sente fraco. — disse ele como se tivesse lido sua mente.

 

— Por que não perguntou? — disse em tom baixo.

 

— Foi a primeira coisa que fiz, mas você não respondeu. — rebateu e Kai concluiu que não gostava dele.

 

Ele tirou uma lanterna pequena do bolso do jaleco e acendeu. Quando apontou para seus olhos Kai os fechou imediatamente, virando o rosto.

 

— Eu vou te examinar agora e quero que olhe pra mim. — avisou e Kai abriu os olhos olhando pra ele a contra gosto.

 

O médico segurou seu rosto e puxou um pouco abaixo de seu olho esquerdo com o polegar, enquanto iluminava com a lanterna. Kai quis desviar quando os sentiu lacrimejar com aquela luz diretamente em suas íris. Ele fez o mesmo com o olho direito, enquanto examinava sabe-se lá o quê.

 

Terminando, tirou o estetoscópio do pescoço e colocou no ouvido e a outra ponta metálica inseriu por dentro da camisola de Kai na parte da frente. O garoto ficou assustado pensando seriamente em arrancar aquilo de dentro da sua roupa. O médico repetiu o processo em suas costas, enquanto teve que respirar fundo algumas vezes.

 

— Pra quê isso? — perguntou o vendo arrumar o aparelho de novo em volta do pescoço. Por que todo médico usava aquilo?

 

— Pra ouvir sua frequência cardíaca e respiração. — respondeu sem muito interesse.

 

— E está tudo bem doutor? — perguntou sua mãe.

 

— A respiração está um pouco lenta, mas é pelo cansaço. — deu um leve sorriso.

 

Uma garota loira vestida toda de branco, mas de um jeito mais simples entrou no quarto e se aproximou trazendo alguns papéis.

 

— Os exames doutor, e a ficha dele. — informou entregando tudo para ele e indo embora.

 

— Soube que seu filho veio aqui outras vezes em um curto período de tempo, então pedi a ficha dele. — disse aos pais de Kai.

 

— Sim, esse hospital é o mais próximo de casa, então qualquer coisa que aconteça com ele o trazemos pra cá. — explicou Nabil.

 

— Doutor, e os exames? — sua mãe perguntou, mas ele parecia prestar atenção demais nos papéis.

 

— Seu filho faz acompanhamento com o psicólogo? — perguntou parecendo interessado.

 

Ele olhou para Kai, arqueando uma sobrancelha e o garoto tentou cruzar os braços, mas sentiu sua mão dolorida pra ficar imprensada sob seus braços.

 

— Não. — disse seco.

 

— Ah... Kai teve apenas duas consultas. — disse Nabil.

 

— Vocês interromperam? — quis saber.

 

— Por que eu devo continuar se não tenho nada? — respondeu Kai o encarando irritado.

 

— Isso só quem pode nos dizer é seu psicólogo. — disse semicerrando os olhos.

 

Kai concluiu que o odiava duas vezes mais e tinha uma leve impressão que aquele médico não gostava também de si.

 

O observou enquanto ele analisava os resultados dos exames. E parando pra pensar, se perguntou que tipo de exame foi feito, pois não se lembrava de nada. Será se tinham feito tudo enquanto ainda estava desacordado? Aquilo era assustador.

 

— Então doutor... — disse sua mãe, hesitante.

 

— Não se preocupem seu filho não tem nada grave. — deu um sorriso reconfortante pra eles e Kai suspirou aliviado. — Porém, o exame de sangue mostra uma quantidade baixa de hemácias.

 

— O que isso quer dizer? — perguntou Nabil.

 

— Seu filho está com anemia. — disse e a mãe de Kai arregalou os olhos, preocupada. — Mas não é grave. Muitas pessoas apresentam isso, nada que uma boa alimentação e algumas vitaminas não resolvam.

 

— Ah! Graças a Deus! — disse ela, abraçando o marido.

 

O médico se aproximou da cama, ficando de frente pra Kai enquanto ainda analisava os papéis.

 

— Kai, vou te perguntar algo e quero que seja sincero. — disse ele e Kai ficou desconfiado. — Quando foi a última vez que comeu?

 

O garoto ficou confuso e pensou por alguns segundos. Lembrou-se que ficou na casa de Soobin e... Céus! Soobin! Tinha lhe contado toda a verdade ou foi apenas um sonho?

 

— Kai? — o médico lhe chamou e olhou para ele.

 

— Eu... Acho que foi ontem. — disse confuso.

 

— O exame consta que você estava a vinte e três horas sem comer. E agora juntando todas as horas que você passou desacordado e dormindo, faz exatamente trinta e seis horas.

 

— O quê? — exclamou a mãe de Kai.

 

— Por que passou esse tempo todo sem comer filho? Você sabe que isso faz mal, por isso acabou desmaiando! — disse Nabil.

 

— E-eu não sei como isso aconteceu... Eu juro! — tentou se explicar.

 

— Infelizmente isso é bem comum. — comentou o médico e suspirou.

 

Kai olhava preocupado para seus pais — esses que negavam com a cabeça, decepcionados com sua atitude. Realmente não conseguia lembrar como passou tanto tempo sem comer.

 

A mesma garota de sempre voltou empurrando um carrinho. Kai logo sentiu o cheiro de sopa, e teve a certeza quando a mesma retirou a tampa da vasilha. Ela colocou a bandeja em seu colo, e Kai viu que tinha leite, algumas frutas e cereais.

 

— Quando terminar de comer, você terá uma avaliação com o psicólogo, então poderá ter alta. — explicou ele e Kai sentiu a sopa amargar em sua boca.

 

— Algum problema doutor? — perguntou o pai de Kai.

 

— Não, só algumas observações que fiz na ficha dele. — disse e deu um sorriso pequeno. — Preciso ir. — avisou e olhou para Kai. — Quero que colabore comigo Kai, você mais que ninguém é o único que pode se ajudar.

 

Kai o observou até ele sair da sala. Logo que ficou sozinho com seus pais os mesmos começaram a lhe dar sermões, enquanto ele tentava de tudo para conseguir engolir aquela comida.

 

 

°°°

 

 

Quando nos sentimos amedrontados, ameaçados ou mesmo intimidados, o nosso cérebro produz um conjunto de hormônios que intensificam sintomas como insatisfação, nervosismo, sensação de inferioridade, insegurança e mágoa, e assim, causando o aparecimento do estresse emocional. Ele está ligado a fatores internos, aquilo que afeta nossas emoções e sentimentos.

 

Kai fechou os olhos e apoiou a cabeça no vidro da janela do carro. Após sua longa e cansativa sessão de perguntas e explicações com o psicólogo, “estresse emocional” foi a conclusão que ele tinha chegado.

 

Ele explicou tudo na frente de seus pais e daquele médico e ainda deu uma lista dos sintomas de quem sofria daquilo. Kai quis ignorá-lo, mas quanto mais ele falava mais se identificava.

 

Por fim, o médico lhe deu alta e passou alguns medicamentos, mas teria que fazer acompanhamento com uma nutricionista e o bendito psicólogo, não tinha mais como fugir agora.

 

Quando chegaram em casa, sentia-se tão esgotado. Só queria dormir o máximo que pudesse, mas sua mãe ficou o tempo todo no seu pé. Ela controlou todos seus passos antes mesmo de poder sair do carro.

 

Primeiro: tomar banho.

 

Segundo: vestir uma roupa quente.

 

Terceiro: esperar no quarto enquanto ela preparava o almoço.

 

Quarto: comer toda a comida.

 

Quinto: descansar.

 

Saiu do banheiro todo agasalho e mesmo assim tremia muito de frio. Seu pai estava ali o esperando e segurou em seu braço o ajudando ir até a cama como se não pudesse andar por conta própria.

 

— Eu estou bem pai. — disse quase revirando os olhos.

 

— Você ainda está fraco e precisa descansar. — teimou enquanto ajeitava o lençol em torno de si.

 

Kai suspirou e o observou enquanto ele se sentava na ponta da cama. Seu pai ficou o olhando por alguns segundos, deixando Kai incomodado.

 

— O que foi? — perguntou.

 

— É a segunda vez que você vai parar no hospital e eu fico me perguntando; o que estou fazendo nessas horas que não consigo te proteger?

 

Kai desviou os olhos sentindo-se mal por fazê-lo pensar que é culpado. Seu pai não tinha culpa de nada, nem ele mesmo percebeu o que estava fazendo consigo.

 

— A culpa não é sua. — disse.

 

— Mas eu devia ter percebido, eu sou seu pai. — insistiu.

 

— Você sempre faz o que pode, e sempre nos dá muita atenção. Mas não pense que vai poder nos proteger pra sempre. — disse e seu pai sorriu triste.

 

— Você tem razão. — disse e Kai o olhou surpreso. — Por isso vou me esforçar mais.

 

— Pai, não precisa... — começou vendo onde aquilo daria.

 

— É claro que precisa! Não quero mais ver vocês em nenhuma cama de hospital. — disse convicto.

 

O mesmo se levantou e plantou um beijo no topo de sua cabeça. Ele caminhou até a porta avisando que iria verificar se sua comida estava pronta. Kai sorriu pequeno e ele se foi.

 

Abraçou Tobin enquanto observava o teto de seu quarto. Tudo parecia tão irreal... Na verdade era até engraçado, pois já tinha estudado e visto bastante esses tipos de problemas sendo retratados em filmes, mas nunca pôde imaginar que seria mais um a sofrer com ele.

 

Sempre se achou muito “normal” ou “esperto” para não ser mais um afetado, mas parece que não existia uma barreira eficiente que pudesse deixar qualquer pessoa protegida. Quanto menos esperar você pode ser o próximo a ser refém de sua própria mente.

 

 

°°°

 

 

Era 19h30min e Kai se encontrava com um bico enorme, enquanto estava sentado com as costas apoiadas na cabeceira da cama. Tinha dormido por toda a tarde, mas então, do nada sua mãe lhe acorda dizendo que estava na hora de jantar.

 

Não sentia mais aquele cansaço de antes, porém, não estava com fome. E enquanto pensava em que tipo de comida ela lhe traria, observava suas irmãs bagunçando seu quarto.

 

As duas tinham ficado sob os cuidados da família Choi enquanto seus pais estavam consigo no hospital.

 

— Eu já disse pra não mexer nisso! — brigou com a mais nova, vendo-a largar sua lista das férias.

 

— O que tem demais? É só um papel. — disse não entendendo o motivo de sua raiva.

 

— Um papel que não quero que toque! — disse e a outra se aproximou.

 

— Vocês dois são insuportáveis quando brigam. Parecem duas crianças. — disse Lea.

 

— Eu nem sei o que estão fazendo aqui. Vão embora! — disse e a mais nova fez uma careta.

 

— A mamãe disse que é pra gente cuidar de você enquanto faz o jantar. — explicou.

 

— Cuidar? Vocês vão me fazer piorar, isso sim! — disse irritado.

 

— Não diz isso Kai. Ficamos preocupadas com você. O que você tem na cabeça pra passar todo aquele tempo sem comer? Quer morrer? Está fazendo algum tipo de dieta radical? — perguntou Lea.

 

— Talvez ele esteja com anorexia. — disse a mais nova.

 

— Eu não estou com anorexia sua maluca! — exclamou. — Sai daqui! — atirou um travesseiro nela que gritou.

 

A porta foi aberta e sua mãe apareceu com uma bandeja nas mãos. Kai logo sentiu cheiro de sopa de novo fazendo seu estômago embrulhar.

 

— O que está acontecendo aqui? — perguntou ela.

 

— A gente não pode tocar em nada que o Kai fica brigando. — disse a mais nova.

 

— Eu não quero saber mais de briga, seu irmão precisa descansar. — disse levando a bandeja até Kai e colocando em seu colo. — Vamos querido, a mamãe preparou uma sopinha muito saudável.

 

— Mãe eu não aguento mais tomar sopa. Eu tive isso no hospital, quando eu cheguei e agora de novo?

 

— Temos que seguir as recomendações da nutricionista. Você deve comer coisas leves e saudáveis.

 

— Mas eu não quero sopa! — disse e sua mãe suspirou.

 

— Por favor, Kai, me ajuda. Tenta tomar ela e se você realmente não conseguir eu vou fazer outra coisa. — pediu e Kai suspirou vencido.

 

— Tudo bem... — disse a contra gosto.

 

— Quer ser bebê agora. — sua irmã mais nova provocou.

 

— Cala boca sua idiota! — gritou atirando o livro que estava na cômoda ao lado e quase fazendo sua sopa derramar.

 

— Parem vocês dois! — mandou sua mãe. — Meninas me deixem sozinha com ele.

 

As duas garotas foram até a porta e antes mesmo que pudessem tocar a maçaneta, a porta foi aberta, revelando Nabil. Ele entrou sorrindo e logo atrás estavam os pais de Soobin junto ao garoto. Kai arregalou os olhos e quase se engasgou com a sopa.

 

— Boa noite. — cumprimentaram.

 

— Senhor e senhora Choi! Soobin! — exclamou Lea com brilho nos olhos.

 

— Eu os encontrei na porta assim que cheguei do supermercado. — explicou Nabil.

 

— Viemos visitar o Kai. — disse a senhora Choi.

 

— Não precisavam se incomodar. — disse a mãe dele.

 

— Ficamos muito preocupados com tudo que aconteceu. — explicou o senhor Choi.

 

Kai estava realmente surpreso pela visita dos pais dele, nunca imaginou que um dia eles pudessem colocar os pés em seu quarto. Não conseguia nem se mexer direito, estava tão nervoso, seu coração estava muito agitado dentro do peito.

 

Soobin se encontrava ao lado deles e de vez em quando o sentia olhando para si, mas não tinha coragem de devolver o olhar, estava muito envergonhado, principalmente por toda a preocupação que causou.

 

— Como está se sentindo Kai? — perguntou a senhora Choi.

 

— Ahn... B-bem. — disse dando um sorriso amarelo.

 

— O médico disse que ele está com anemia e vai fazer acompanhamento com a nutricionista e... — Kai fechou os olhos não querendo ouvir a última palavra que sua mãe diria. — ...o psicólogo.

 

— Por que o psicólogo? — perguntou o senhor Choi de cenho franzido.

 

— Kai teve uma avaliação com ele e o mesmo concluiu que nosso filho está sob estresse emocional. — explicou seu pai.

 

Kai só queria desaparecer daquele quarto. Odiava falar sobre aquilo, então vem seus pais e ficam falando como se nem estivesse ali. Estava se sentindo tão exposto, indignado... Tinha certeza que se colocasse mais uma colher de sopa na boca vomitaria até o que não comeu.

 

— Desejamos que se recupere logo querido. — disse a mãe de Soobin.

 

— Obrigado. — respondeu sem jeito.

 

— Bom, precisamos ir. — avisou o senhor Choi. — Qualquer coisa que precisarem é só nos avisar. — disse enquanto ele, junto da esposa era acompanhado por Nabil.

 

— Obrigada pelo apoio. — respondeu a mãe de Kai.

 

— Posso ficar mais um pouco? — Soobin perguntou pergunto e Kai gelou.

 

— Claro querido. — disse sua mãe sorrindo, antes de sair junto do marido e Nabil.

 

Soobin se aproximou da cama e Kai o olhou. Ele estava o avaliando, o observando atentamente como se procurasse algum tipo de machucado. Kai desviou quando os olhos dele encontraram os seus. Aquele olhar preocupado e triste, não podia suportar, seu coração chegava a se encolher.

 

— Obrigada por ter feito companhia a mim Soobin. Você é tão gentil. — Lea disse se pondo ao lado dele, fazendo Kai perceber que as irmãs ainda estavam ali.

 

— Por nada. — respondeu sorrindo pequeno.

 

— Que tal se a gente saísse pra comer algo? — convidou e Kai a olhou incrédulo.

 

— Lea! O que é isso? — perguntou sua mãe surpresa pela ousadia dela.

 

— Eu só quero agradecer pela gentileza deles! — se explicou.

 

— Então você deve agradecer aos pais dele também! Oras! — disse indignada. — Vamos, deixem os garotos a sós.

 

— Mas, mãe... — disse e foi interrompida.

 

— Não discuta! — disse e a garota fechou a cara.

 

— Vamos logo que eu estou morrendo de fome! — disse a mais nova marchando pra fora.

 

Kai observou sua mãe e irmãs finalmente saindo do quarto, deixando um silêncio constrangedor agora que estava sozinho com Soobin.

 

— Você está mesmo bem? — perguntou ele, hesitante. Kai deu ombros.

 

— Você ouviu o que meus pais disseram. — disse mexendo na sopa.

 

— É verdade... Que pergunta idiota. — disse sorrindo amargo.

 

Kai viu pela visão periférica que ele se aproximava pelo lado esquerdo de sua cama até sentar-se na beirada. Ele segurou sua mão com cuidado, vendo o adesivo que tinham colocado no lugar que recebia o soro.

 

— Eu fiquei tão preocupado. — começou fazendo Kai o olhar. — Quando te encontrei desmaiado, eu paralisei... Se meu pai não tivesse chegado logo, sei lá... — negou com a cabeça.

 

— Eu sinto muito por ter causado problemas. — disse abaixando a cabeça.

 

— Não precisa se desculpar. — disse sorrindo pequeno. — Então você desmaiou porque está com anemia? — perguntou curioso e Kai pressionou os lábios, pensando no que dizer.

 

— Na verdade... Esse não foi o motivo. — disse e Soobin franziu o cenho. — O médico disse que eu fiquei muito tempo sem comer.

 

Soobin desviou os olhos e Kai se perguntou se fez bem em omitir algumas partes. Mas quando o garoto levantou passando a mão pelo cabelo soube que talvez não tivesse sido uma boa ideia.

 

— A culpa foi minha! — disse e Kai arregalou os olhos. — Se eu não tivesse sido idiota e te ignorado por todo aquele tempo!

 

— Não Soobin! Não foi sua culpa! — disse nervoso. — Eu passei vinte e três horas sem comer, isso não inclui só o tempo que passei na sua casa.

 

— Quê? — o encarou. — Como passou todo esse tempo sem comer? — perguntou incrédulo. — Tem a ver com seu estresse emocional?

 

— Não sei! — disse preocupado. — Não sei como aconteceu, mas espero que não seja por causa disso. — respondeu sentindo seus olhos lacrimejar.

 

Soobin suspirou e voltou para seu lado, sentando e segurando sua mão.

 

— Tudo bem, não vamos falar sobre isso. — disse sorrindo um pouco para tentar o acalmar. — Que tal você terminar essa sopa que parece deliciosa?

 

Kai fechou os olhos e quis rir, mas teve certeza que foi mais para uma expressão de choro de alguém que tentava disfarçar com um sorriso.

 

— O que foi? — perguntou Soobin querendo rir também.

 

— Eu não aguento mais tomar sopa. — disse fungando.

 

— Como assim? Essa parece tão apetitosa! — disse animado, mexendo com a colher e logo provando um pouco. — Hum! Sua mãe cozinha muito bem. — disse sorrindo e Kai negou com a cabeça. — Vem, prova.

 

— Não! — disse se afastando da colher que ele tentava levar até seus lábios. — Não! Eu odeio sopa!

 

— Então do que você gosta? — perguntou, afastando a colher e arqueando uma sobrancelha.

 

— Bom... — disse pensativo. — Eu gosto de... — foi interrompido quando Soobin selou seus lábios em um selinho demorado.

 

— Disso? — perguntou ele quando se afastou um pouco. Kai o olhou surpreso, e Soobin sorriu. — Diz se você gosta. — mandou se aproximando de novo, mas sem beijá-lo.

 

— Eu gosto... — respondeu instintivamente, como se tivesse sido por força maior.

 

— Sério? — perguntou enquanto fingia que o beijaria de novo, fazendo Kai fechar os olhos, ansiando, porém, se afastou.

 

— O que foi? — Kai abriu os olhos, confuso.

 

— Depois que você terminar de comer eu vou dar o que você quer. — disse e Kai abriu a boca, incrédulo.

 

— Você... Você não pode fazer isso! — disse indignado. — É chantagem!

 

— Pensei que gostasse do meu beijo. — disse e Kai sentiu seu rosto esquentar. — Que tal um acordo? A cada cinco colheres de sopa, eu te dou um beijo.

 

— Isso não é justo... — murmurou formando um bico.

 

— Pensa no quão feliz seus pais vão ficar quando ver que você comeu tudinho. — disse e Kai suspirou.

 

— Isso é golpe baixo. — disse sorrindo um pouco.

 

Suspirou olhando para a bendita sopa e resolveu tentar a sorte. Não queria mais causar nenhuma preocupação, principalmente a seus pais, por isso, levou a colher cheia até a boca, mastigando as verduras como se fossem pedras.

 

Soobin apenas observava, prendendo a risada por vê-lo comer daquela forma engraçada. Quando completou as cinco colheres, o garoto se aproximou para lhe beijar, mas Kai apoiou uma mão em seu peito, o interrompendo.

 

— Soobin. — chamou e ele o encarou confuso. — Isso está mesmo acontecendo? Você e eu, juntos.

 

— É claro. — disse e Kai desviou os olhos.

 

— Quando eu acordei no hospital, não conseguia lembrar direito o que tinha acontecido apenas uns flashes... Então fiquei me perguntando se tudo não tinha passado de um sonho.

 

— Acredite, eu me pergunto isso toda hora. — revelou e Kai o encarou surpreso.

 

— Por quê? — perguntou curioso.

 

— Você vai querer seu beijo ou não? — mudou de assunto.

 

Kai assentiu, enquanto o puxava pela camisa, fazendo Soobin se aproximar e selar novamente seus lábios.

 


Notas Finais


Eita!!

Kai está com probleminhas...
Era de se esperar.
Kim Nanjoom de médico ashuashua

Gente o Kai é fofo, mas ele é chato hehehe vocês já devem ter percebido e PELO AMOR DE DEUS é aqui na fanfic tá?
Eu não gosto de personagens perfeitinhos, nammmmmm, nunca gostei, ninguém é...

A irmã do Kai já quis lançar o bote hummmmmm...

O Kai pensou que foi tudo um sonho hehehe eu também pensaria.

Já vou deixar avisado que a próxima atualização não vai ser sábado...

Espero que tenham gostado!
Até o próximo!

XOXO


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