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História Summer Wine - Capítulo 15


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Capítulo 15 - Reunião


            O interfone tocou e o porteiro anunciou que Adam já havia chegado ao condomínio. Falei para Ana e para minha mãe que eu iria esperar por ele do lado de fora e saí do meu apartamento, me assegurando de que a porta estava fechada atrás de mim.

            Depois da conversa com Alex, convoquei uma reunião de emergência com minha mãe, Ana e Adam. Não contei para nenhum deles o motivo da reunião e era bem perceptível o quanto eles estavam ansiosos, cada um à sua maneira. Ana fazia muitas perguntas – por conta da ansiedade, odiava ficar no escuro sobre qualquer coisa – e parecia estar animada para conhecer Adam; minha mãe, ao ver que eu não falaria nada até estarem todos reunidos, não perdeu a oportunidade de me criticar (“Não conta nada para mim em primeira mão, nem como filha nem como cliente”); Adam, ao telefone, estava visivelmente preocupado e achando que algo ruim acontecera comigo.

            Quando as portas do elevador se abriram e eu pude ver os primeiros sinais de que Adam estava ali, senti meu coração dando um salto. Odiava essa sensação.

            Levou um segundo até ele me notar, mas, mesmo tão rápido, pude perceber que sua expressão já era de preocupação. Quando me viu, seu rosto se iluminou.

            – Selina – ele saiu do elevador já me abraçando, me envolvendo completamente em seus braços. Ele estava quente.

            – Hey – o abracei de volta.

            Adam soltou o abraço, mas não se separou completamente de mim: mantinha sua mão segurando a minha.

            – Fiquei preocupado quando você ligou – ele disse, franzindo o cenho – Você parecia ansiosa. Elas já chegaram?

            – Mamãe e Ana? Chegaram, sim.

            – Desculpa o atraso, eu vim o mais rápido que pude quando você ligou.

            Adam tinha se atrasado por pouco mais de 5 minutos. Segundo o que ele disse na ligação, estava no shopping. Eu já tinha tido ensaios demais com ele para saber que, para ele, chegar na hora já era estar atrasado, e eu não posso julgar porque sou igual.

            – Adam, antes de a gente entrar, eu quero falar uma coisa rápida.

            Ele ergueu uma sobrancelha, desconfiado.

            – Certo.

            – Sobre o que vai ser discutido na reunião hoje, eu quero que você tenha em mente que nada do que vai ser falado tem a ver com uma questão pessoal. São só negócios.

            Ele parecia mais desconfiado ainda.

            – É sobre Summer Wine?

            – Não. Não diretamente.

            – Devo ficar preocupado?

            Eu realmente não sabia responder essa pergunta. Preferi ignorar.

            – Só quero que você lembre disso: não é sobre o lado pessoal.

            – Certo, farei isso. Você está bem?

            Eu também não sabia como responder essa outra pergunta. Sentia um pouco de ansiedade – principalmente porque odiava ter alguém jogando comigo daquele jeito como Alex fez – mas, nesse exato momento, eu sentia todas as coisas que odiava sentir perto de Adam, e isso nunca me fazia me sentir bem. Era uma terrível impressão de que eu iria gaguejar a qualquer momento e uma terrível certeza de que eu parecia frágil.

            – Vamos entrar.

            Soltei minha mão da dele e abri a porta do apartamento. Ana e minha mãe se levantaram e Adam as cumprimentou com um aperto de mão e um sorriso estampado no rosto. Ana aproveitou o momento em que Adam dava a volta na mesa para me olhar e fazer um sinal de “joinha”, enquanto seus lábios claramente exclamavam um silencioso “uau”.

            Senti um alívio vendo que hoje Ana parecia estar de volta ao normal.

            – Finalmente conheci você, Ana – Adam disse sorridente enquanto sentava. – Selina sempre fala de você.

            – Pois é, finalmente! – a voz de Ana era no tom animado de sempre – Selina sempre fala de você também, é claro. Pena que esse encontro geral aparentemente é em uma situação não muito confortável, acho.

            Ela arriscou olhar para mim como uma deixa para começar a reunião, mas minha mãe falou primeiro.

            – Um prazer vê-lo mais uma vez, Adam.

            – Igualmente, Alana – ele era ridiculamente charmoso – Me desculpem pelo atraso. Eu juro que sou um estereótipo britânico quando se trata de pontualidade, mas hoje, infelizmente, não deu.

            Minha mãe claramente aprovava o pedido de desculpas. Ela odeia atrasos.

            – Quando você fala em inglês, você tem sotaque britânico mesmo? – Ana perguntou. Meu deus, essa conversa é ridícula.

            – Yes, I do have a british accent – ele respondeu em um inconfundível sotaque – Mas eu me orgulho mesmo é do meu sotaque mexicano.

            Minha mãe claramente o adorava (assim como adorava o sotaque da terra da rainha) e Ana parecia satisfeita até então. Mais uma vez ela olhou em segredo em minha direção, sem Adam perceber, dessa vez para uma piscadela.

            – A entrevista com Adam vai continuar ou eu posso começar a reunião? – falei, soando o menos antipática possível.

            – Meu Deus, Selina – disse minha mãe – Não seja desagradável.

            Passei meus olhos para ela, sem piscar. Já tínhamos conversado sobre ela não me repreender em tom de mãe quando estamos em uma situação de trabalho.

            – Não, Selina está certa – Adam defendeu e se virou para mim – Desculpe, não vamos perder mais tempo.

            Contei tudo sobre o encontro com Alex, em todos os detalhes que pude lembrar. Ana era a mais expressiva do grupo. Ela sempre se divertiu com meu caso com Alex e, claramente, estava surpresa por essa proposta ter surgido tão do nada e apenas agora. Já minha mãe parecia pensativa. Quanto mais eu ia a fundo na história, mais ela fixava os olhos em um ponto da mesa, refletindo sobre a ideia. Adam foi o único difícil de ler. Ele não tirou os olhos de mim enquanto eu falava, e seu maxilar, tão acostumado a sorrisos, estava travado. Ele não teve nenhuma outra expressão além dessa.

            Ao fim da narrativa, foi ele o primeiro a falar.

            – O que você vai fazer?

            – Antes, eu queria conversar com todos vocês e saber suas opiniões. Mamãe e Ana por principalmente trabalharem comigo e verem isso como negócio, e você porque isso pode te afetar também. Você foi citado várias vezes.

            A expressão de Adam continuava a mesma. Era impossível saber o que se passava na mente dele, mas era claro que não tinha gostado.

            – Bem, – minha mãe começou – só pelo fato de você nos comunicar primeiro já mostra que você está no mínimo balançada com a ideia. Você nunca pede conselhos, só faz o que vem na sua cabeça.

            – E funcionou até agora, não foi? – rebati.

            Ela também odiava quando eu a cortava em público e não tinha problema nenhum em demonstrar isso com suas expressões.

            Antes que o clima pudesse piorar, Ana tomou a frente.

            – Como sua assessora, eu acho que é sim algo para você considerar, mas como sua amiga... – ela mordeu os lábios – não sei, Sel. Isso não combina com você. Você é muito autêntica em tudo que faz, então não acho que esse plano se sustentaria por muito tempo.

            Consciente ou inconscientemente, ela olhou para Adam.

            – Sim – concordei – eu não gosto da ideia de Alex ser o responsável pelo sucesso que eu faço ou deixo de fazer. Eu nunca precisei disso.

            Minha mãe se virou para mim.

            – Você está em outro momento e em outro país, Selina. Você não vai vencer sem abrir mão de certas coisas, principalmente se uma delas é sua necessidade de nunca depender de ninguém. Você não veio para cá para passar as férias.

            – Alana, eu concordo em partes – disse Ana –, mas eu realmente acho que Selina consegue ser bem sucedida sem precisar de um plano desses.

            – A senhora sempre teve sua predileção por Alex, mãe. Sempre quis que eu o usasse de escada.

            – Ele usou você e quer usar mais, por que você não pode fazer o mesmo?

            – Adam? – quando o chamei, percebi que ele estava pensativo. Ao ouvir seu nome, Adam fixou seus olhos nos meus – O que você acha?

            – Eu nunca vivi algo parecido, Selina. Eu também acabei de chegar aqui, e nem foi de forma planejada como você. Não sei o quanto isso pode me afetar e não tenho como visualizar as consequências – suas sobrancelhas se ergueram e inclinaram e ele comprimiu os lábios, revelando a covinha na bochecha. – Como você se sente?

            – Como eu me sinto?

            – Sim. Eu acho que isso é o mais importante.

            Parei alguns poucos segundos para pensar e me auto analisar.

            – Eu me sinto desconfortável. Com toda essa situação.

            – Então eu acho que você já tem a resposta. Para que fazer algo que te incomoda? Mas ao mesmo tempo – levemente, ele deu de ombros, logo depois encostando as costas na cadeira – todo mundo sabe que, no final...

            “Você só faz o que quer”, consegui ouvir sua voz em minha memória, quando me disse isso pela primeira vez, ainda no México.

            Ele notou que eu havia completado a frase em minha mente.

            – Sim.

            Adam sorriu para mim. Dessa vez, um sorriso triste, de quem claramente era o menos confortável ali.

            Após uma pausa, foi Ana quem quebrou o gelo.

                – É isso? Realmente não decidimos nada?

            – Essa foi a reunião menos produtiva da minha vida – falei, deixando um riso sair.

            – Não – minha mãe foi abrindo o notebook – vou aproveitar para discutir algumas coisas com vocês sobre o videoclipe. A gravação é daqui a dois dias, certo?

            Eu e Adam assentimos.

            – Por sinal – Ana interrompeu – vão limpando a agenda de vocês do final do mês. Estamos organizando para vocês  dois performarem Summer Wine em um talk show noturno.

            Adam não conseguiu conter um sorriso completamente aberto e perfeito. Ele olhou para mim em uma espécie de curta celebração e apertou minha mão. Acabei me contagiando rapidamente com a alegria dele e, por esses poucos segundos, esqueci completamente toda a confusão com Alex.

            – Enfim – minha mãe deixou perceptível, pelo seu tom de voz, que não gostara da interrupção – antes de acertamos alguns pontos sobre o clipe, queria dizer que consegui convites para vocês dois para a festa da revista Rockin nesse fim de semana.

            – A revista Rockin?! – Adam parecia que ia pular da cadeira – É sério? A festa que todo mundo que é importante no mundo da música vai?

            – Paul McCartney nunca vai – Ana apontou, quase falando para si mesma, decepcionada.

            – Isso é sensacional! – Ele continuava comemorando.

           Eu não conseguia conter meu sorriso. Ele parecia uma criança em manhã de Natal.

            – Bem, Selina foi convidada. No caso, o convite que eu consegui foi o seu, Adam.

            – Eu sinceramente nem me importo com a forma a qual ele chegou até mim – ele riu – Caramba, Sel. A Rockin!

            – Eu sei, Adam – respondi, suave. Era contagiante vê-lo animado assim. Ao mesmo tempo, me deixou um pouco triste por não conseguir me sentir da mesma forma nesse momento.

            – E como você pode imaginar, Selina – minha mãe continuava ignorando qualquer emoção ao seu redor – Alex e Aimée estão na lista de convidados também. Agora, vamos finalmente falar sobre o cronograma das gravações.

 

***

 

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Nem começou e já é o fim do #TimeAdam? Alex Marazz e Selina Martinez podem mesmo estar namorando
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