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História Summer Wine - Capítulo 5


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Capítulo 5 - Encontro inesperado


Fanfic / Fanfiction Summer Wine - Capítulo 5 - Encontro inesperado

            Poucas horas depois eu já estava acordada, desci logo para o restaurante do hotel, morrendo de fome e sem a mínima vontade de ficar no quarto. Havia colocado um vestido azul florido, super leve e com alcinha, e prendi meu cabelo levemente em um coque mal feito, de forma bastante confortável.

            – Bom dia Srta. Martinez – cumprimentou o garçom – em que posso servi-la?

        – Huuum – eu fiz, pensando em todas as coisas deliciosas que eu podia pedir – Por enquanto, só um cappuccino grande acompanhado de torradas amanteigadas.

            – Está certo, senhorita – ele riu.

            – Obrigada – sorri de volta, antes de ele sair.

         Uma leve brisa bateu, balançando os fios de cabelo que ficaram livres do coque, me fazendo fechar os olhos e pensar na maravilha de lugar que eu estava. Dei uma olhada na janela, onde dava para ver a piscina, e decidi que logo que acabasse o café eu iria tomar um bom banho nela e me bronzear um pouco. O toque escandaloso do meu celular me fez despertar da visão.

            – Alô?

            – Sel, sou eu, Anna.

            Anna não era só minha melhor amiga, mas também minha assessora de imprensa. A confiei ao cargo porque ela melhor do que ninguém sabia minha vida e o que deveria ou não vazar para o público.

            – Aconteceu alguma coisa? – perguntei, preocupada. Ela sabia que eu não queria ser incomodada nesse tempo que passasse no hotel, e o fato de ela ter me ligado só poderia ser por uma causa urgente.

            – Sim! – a voz dela gritou, animada – Você não vai acreditar.

            – Amiga, por favor, eu estou morrendo de fome, não vou conseguir pensar pra adivinhar, então fala de uma vez.

            – Sabe a NC Magazine?

            – Claro que sei – NC Magazine era uma famosa revista e site dos Estados Unidos, e só entra nela quem for muito famoso, ou se tiver muito potencial para ser. Um sonho para qualquer artista que deseja alcançar patamar internacional.

            – Sua mãe acabou de ligar pra mim, avisando que a NC Magazine quer fazer uma entrevista com você! – ela finalmente desabafou, a voz já fraca no final da frase, após tanta agitação.

            Eu pensei que fosse deixar o telefone cair dentro do cappuccino que esfumaçava em minha frente. Nem tinha visto o garçom voltar com meu café-da-manhã, e toda a comida já estava na mesa.

            – Você... está falando sério? – perguntei, vacilando.

            – Claro que estou!

            Um grito de excitação saiu da minha boca, fazendo com que as poucas pessoas que estavam acordadas às 7h da manhã me olhassem de forma esquisita, e eu não estava nem um pouco preocupada com elas.

            – Ah meu Deus! Quando?

            – Segunda-feira.

            Eu estava com planos de voltar justamente na segunda feira, mas com esse imprevisto eu terei que ver os voos para os EUA. E hoje já era sábado.

            – Tá certo, amiga. Você pode ver com a minha mãe a questão dos voos, por favor? – minha mãe era a minha empresária e eu realmente não queria me estressar com passagens de avião agora – Qualquer coisa você me avisa.

            – Claro, amiga. Pode deixar!

            Eu ri, tomando consciência da imensa saudade que eu sentia não só de Anna, mas de todos os meus amigos e família, que tentavam se acostumar as minhas ausências cada vez mais frequentes, e pelo visto iam ficar mais ainda após essa oportunidade com a entrevista.

            Virei para olhar a janela, e, mesmo de longe, notei a silhueta maravilhosa de Alex Marazz, meu atual caso. Bem, é meu caso já faz certo tempo, mas não somos, hum... fixos. Ouvi Anna tagarelar na linha, mas não conseguia entender com meus olhos paralisados em Alex, que ainda não havia notado que eu estava observando-o. Ele estava usando os óculos escuros que eu adorava, uma camisa preta com os três primeiros botões abertos e uma bermuda preta. Ele entrou no restaurante.

            – Anna, eu ligo pra você mais tarde – eu estava prestes a desligar

            – Ei, esse seu tom de voz... – ela começou, como uma acusação – AH, tem homem por perto.

            – Calada – eu disse, parecendo que ela estava ao meu lado.

            – Alex? AH MEU DEUS ALEX ESTÁ AÍ?

            – Calada – eu repeti.

            Bem nessa hora, Alex entrou no meu campo de visão mais uma vez, andando pelo restaurante, logo me avistando e vindo em minha direção.

            – Sabia que ele iria – Anna disse, rindo.

            – Ok, eu ligo pra você mais tarde, te amo – e desliguei, ao mesmo tempo em que Alex puxava uma cadeira para se sentar ao meu lado, sorrindo para mim e passando o braço em meu ombro.

            Sorri de volta, nervosa.

            – Ei, bebê – ele saudou, em meu ouvido, para logo em seguida passar os lábios em minha bochecha até meus lábios.

            – Já disse para parar de me chamar assim, é tão cafona – eu ri.

            – Então, gostou da surpresa?

            – Eu realmente não esperava que você viesse – o beijei levemente nos lábios, abraçando-o – então quer dizer que toda aquela história de estar muito ocupado para me ver era mentira?

            – Não tem graça avisar com antecedência, você sabe que eu adoro te surpreender – Alex tirou os óculos, revelando aqueles belos olhos castanhos – e você, quando vai dançar?

            – Meu show foi ontem, você perdeu.

            – Eu prefiro shows particulares – ele aproximou o rosto do meu mais uma vez, beijando a ponta do meu nariz – no quarto – desceu até meu lábio superior – você sabe – finalmente me beijou, colocando sua mão quente em meus cabelos e a outra em minha coxa, esquecendo completamente que estávamos em um lugar público, e pela hora a maioria das pessoas presentes não eram exatamente muito jovens. Sua mão subia em minha coxa, levantando meu vestido e indo em direção a um lugar que ela não podia ir agora, e por mais que eu tentasse dizer a Alex que o que ele estava fazendo era na hora errada apesar da mesa nos esconder, minha boca ainda estava presa na dele, minha língua entrelaçada na língua forte e decidida dele. Quando seus dedos estavam prestes a chegar a seu objetivo, uma voz grossa e confusa chamou meu nome.

                 – Selina?

            Por mais torturante que fosse interromper meu beijo com Alex, virei meu rosto na direção da voz, e logo meus olhos encontraram Adam me encarando com as sobrancelhas levantadas, claramente surpreso.

            Alex empurrou a cadeira um pouco mais longe da minha, tossindo desconsertado.

            – Bom dia, Adam – cumprimentei, fingindo que nada havia acontecido.

            – Bom dia também – ele respondeu, olhando para Alex.

            – Rossi, esse é Alex Marazz – eu apresentei, tentando quebrar o clima constrangedor – Alex, esse é Adam Rossi.

            – Prazer – eles disseram ao mesmo tempo, porém com expressões diferentes: enquanto Alex parecia informal e tranquilo, Adam parecia se divertir com a situação.

            – Caramba, você é forte – Alex riu, chacoalhando a mão que havia cumprimentado – Senta aí com a gente – disse, estendendo o braço em direção da cadeira que estava em nossa frente.

            Adam obedeceu.

            Parecia que alguém havia morrido, pois se estendeu vários minutos de silêncio. Os dois homens ficaram se encarando, e eu desisti de observar aquela cena ridícula e desviei toda minha atenção para a comida, que era a única coisa que me encarava de volta. Mastiguei a torrada devagar, como uma desculpa para o meu silêncio já que eu não iria falar de boca cheia. Depois dei um longo gole do cappuccino que já estava esfriando, também numa tentativa de alongar o tempo para não ter que me pronunciar em breve.

            Apesar de todo meu esforço, cansei de esperar que saíssem lasers dos olhos dos dois – apesar de seus lábios sorrirem – e quebrei o gelo:

            – Adam é cantor.

        – Legal – Alex disse, olhando para minha limonada intocada. Eu nem tinha notado que o garçom também tinha trazido uma limonada para mim.

            – Você é o que? – Adam perguntou, forçadamente simpático.

            – Guitarrista

            – Hum – fez Adam, assentindo fortemente com a cabeça finalmente dirigindo a fala a mim, com um sorriso debochado – Você realmente gosta de música.

            Dei um sorriso amarelo em resposta.

            – Ok – Alex se levantou, dando um suspiro enorme após outra longa pausa – apesar de nossa conversa estar bastante interessante e produtiva, eu acabei de chegar de viagem e estou muito cansado, vou para o quarto – ele se arriscou a apertar mais uma vez a mão de Adam – Foi um prazer, cara.

            – Igualmente – ele apertou de volta e eu não conseguia decifrar sua expressão.

            – Ah, bebê – Alex voltou, me fazendo fechar os olhos de raiva ao ouvir a palavra “bebê” – Espero que não se importe, mas todos os quartos estavam lotados e as pessoas aqui parecem adorar fofocas, então me deixaram ficar no quarto do meu “affair”, como eles mesmos falaram – ele fez o sinal de aspas, dando uma risada curta – vejo você mais tarde.

            Ele me deu um selinho rápido e saiu. Esperei até ele sair de vista, mas Adam falou mais rápido:

            – Eu realmente preciso me informar mais, não sabia que você tinha um “affair” – Adam disse rindo, fazendo o sinal de aspas imitando Alex.

            – E qual é o problema disso? Você não tem nada a ver com isso.

            Notei que soei muito mais agressiva do que planejava. Adam notou.

            – Eu não falei nada demais.

            – Você parece estar me acusando de algo.

            – Acusando de que? – ele continuava muito mais tranquilo do que eu – Não é como se a gente tivesse alguma coisa, não é? Se a gente tivesse algo, seria uma situação constrangedora, mas não temos. Então não foi constrangedor.

            – Olha aí, seu tom de voz de novo. Parece o tom que você usou ontem – respirei antes de perguntar o que estava preso na minha garganta há horas – O que você quis dizer quando falou “você realmente sabe o que quer” antes de sair do quarto ontem?

            – Eu quis dizer exatamente o que as palavras dizem – o tom relaxado da sua voz deu lugar a um sério – Você é uma mulher livre que faz o que quer, e não tem nada de errado isso. Quando eu falei isso, eu falei muito mais pra mim.

            – Como assim?

            – Que eu deveria ter imaginado que você só queria se divertir comigo, Selina – ele deu um riso fraco logo em seguida – E ficou bem claro agora. Você queria se divertir um pouco enquanto seu namorado não chegava.

            – Ele não é meu namorado.

            – Bem, eu não leio fofocas, então não sei nem quem ele é, muito menos o que é de você. E, sinceramente, tudo bem, sabe? Eu entendo. Você não me deve explicação nenhuma.

            Uma pequena pausa se seguiu.

            – Eu não estava brincando com você – confessei, me sentindo estranha por estar dando toda aquela satisfação para um cara que realmente não tinha nada comigo, e mais estranha ainda por sentir a necessidade de lhe dizer tudo.

            – Pode não ter sido o que você queria fazer comigo, mas foi como eu me senti – ele falou com os olhos baixos e a voz quase inaudível.

            – Adam...

            Ele começou a se levantar da mesa.

            – Olha, eu não tenho nada a ver com essa situação e não quero me envolver no que quer que acontece entre vocês dois. Você não tinha obrigação de fazer qualquer coisa comigo ontem e eu não quero que se sinta mal por não ter feito – ele empurrou a cadeira de volta para debaixo da mesa – Eu me enganei sobre a situação, acontece. Viemos aqui por trabalho e é nisso que eu vou focar agora.

            Eu tentei levantar a cabeça pra olhar pra ele, mas não consegui.

            – Eu vou focar nisso também – foi tudo que consegui falar. Adam parecia apenas esperar por qualquer reação minha para poder sair.

            – Até qualquer dia, Martinez – ele fez um sinal de despedida com um pequeno sorriso no canto do rosto e começou a se afastar.

            Fiquei no restaurante ainda por alguns minutos, sem expressão e sem conseguir comer mais nada, até finalmente ter coragem de ir atrás da única pessoa que eu queria ver.



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