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História Summertime Blues - Capítulo 2


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Capítulo 2 - Lunch with Jimmy


Fanfic / Fanfiction Summertime Blues - Capítulo 2 - Lunch with Jimmy

Acordei no dia seguinte com alguém me cutucando gentilmente. Abri os olhos aos poucos, percebendo o fio dos fones de ouvido completamente enroscados em mim. Jack me encarava segurando a risada, fui pega no flagra. “Estava ansiosa para escutar os discos.” me justifiquei. Ele apenas riu e me ajudou a levantar. Na hora lembrei do compromisso que agendamos para hoje e fiquei empolgada, mal conseguia esperar. Descemos até a cozinha, onde meus pais já estavam sentados na mesa tomando café da manhã. Meu irmão avisou que nossa passagem ali era breve, precisávamos ir ao nosso destino o quanto antes. A viagem de carro durava em torno de meia hora.

    “Vamos com esse.” Jack falou quando eu estava indo em direção ao seu Rolls Royce amarelo. Olhei para ele confusa, afinal, porque não usar seu próprio carro? Mas a justificativa dele era de que o carro chamaria muita atenção. Não era como se ele fosse um dos Beatles, mas a fama deles aqui em Londres, principalmente em nossa região, podia ser um pouco incômoda às vezes. Fomos então com o carro dos nossos pais.

    Chegando na famosa rua, a primeira loja onde Jack me levou foi minha favorita: Lady Jane. Focada no vestuário feminino, era de longe a melhor loja do lugar inteiro, sempre com as melhores roupas, um passo à frente na moda e tinha todas as peças que eu projetava mentalmente. Entrei quase saltitando, meu irmão logo atrás de mim, me acompanhando enquanto fazia minhas escolhas.

    Passeava pelas araras, encantada com todas as peças. Meu gosto para roupa era muito variado. Eu poderia ir de básica para extravagante em um piscar de olhos e com meu irmão me dando passe livre para escolher o que fosse de minha vontade, eu estava sem limites. Não queria extrapolar e abusar da boa vontade dele, mas consegui escolher tudo o que estava dentro dos meus requisitos. Comprei saias, vestidos, blusas, casacos, sapatos… Saí de lá renovada, esperando ansiosa pelo momento em que poderia usar todas minhas peças novas. 

    Fui com Jack em mais algumas lojas, ele precisava comprar roupas novas também. A rua estava menos movimentada que o habitual. Talvez pelo horário, ou por estarmos no meio da semana. Enquanto meu irmão escolhia suas peças na Lord John, fui para o lado de fora observar o movimento. Ainda tinha o sonho de algum dia cruzar por aqui com algum Beatle, talvez o Roger Daltrey do The Who, ou quem sabe até o Brian Jones dos Rolling Stones. Para meu azar, isso nunca aconteceu. Avisei Jack que ia um pouco adiante em uma livraria, estava cansada de esperar por ele. Andei devagar, olhando as vitrines no caminho, desejando mais compras, mas sabia que não podia obrigar meu irmão a gastar tamanho absurdo comigo.

    Entrei na livraria que observara de longe, passando pela porta que tinha um pequeno sino logo acima, anunciando minha entrada. Passeei pelo local com minhas duzentas sacolas em mãos. Admirava cada um dos livros em que meus olhos pousavam, louca de vontade de devorar todos eles. Fui até a única vendedora que encontrei. Pedi um exemplar de Romeu e Julieta. Nunca havia lido o livro inteiro e fiquei sabendo que no ano que vem, 1968, seria lançado um novo filme inspirado na história. Achei que era justo assistir já sabendo da história do livro, para me livrar da culpa. A garota logo me trouxe o exemplar. “Era o último!” ela me disse.

    “Sorte a minha.” ri tímida. “Vou levar.”

    Fomos até o caixa, onde ela empacotou o objeto, me entregando o mesmo em uma sacola e paguei pela compra com meu próprio dinheiro, gastando quase todas as poucas moedas em minha carteira.

    Saindo da loja, trombei com Jack, que estava vindo à minha procura. Mostrei para ele minha compra recente. Ele segurou o exemplar em mãos, olhando a capa com curiosidade enquanto acendia seu cigarro. Ele estava com algumas sacolas nos braços. Estava pronta para ir para casa, quando ele me convidou para almoçar por ali mesmo. Aceitei na hora, estava faminta. 

    O vento estava ficando mais gelado com o passar da manhã, apesar de não estarmos no meio do inverno. Acostumada com as repentinas mudanças climáticas, saí de casa preparada com meu casaco, que agora me era útil. Vesti o mesmo e acabei por derrubar algumas sacolas sem querer. Meu irmão recolheu todas para mim, se prontificando a carregar tudo até o restaurante.

    Sentamos no espaço ao ar livre, onde o movimento podia ser observado e o ambiente animado pela música ao vivo. Jack guardou nossas compras abaixo da mesa, e na espera pelo garçom, ele começou a olhar para os lados, como se procurasse por alguém. “Um amigo meu vai almoçar conosco, você se importa?” ele perguntou.

    “Não, nem um pouco.” sorri simpática mas torcendo para não ser nenhum dos esquisitos da banda dele. Eu não tinha muito contato com os amigos dele, na verdade nunca fui formalmente apresentada para eles eu acho. Antes da banda virar a profissão dos três, os ensaios ocorriam na casa do baterista, e todos eles pareciam um pouco tímidos. O único contato que tinha com esses dois membros da banda era provavelmente pelo telefone, quando eu fazia o papel de secretária, atendendo e chamando por meu irmão. Questionei quem era o amigo que se juntaria a nós, imaginando que seria Eric, o mais próximo de Jack.

    “Você não conhece, o nome dele é Jimmy.”. Ele estava certo, não conhecia ninguém com esse nome. Dei de ombros. O garçom apareceu, fizemos nossos pedidos. No momento que ele foi embora, o convidado apareceu. Era um homem mais ou menos da altura do meu irmão, cabelos escuros e feição séria. Na verdade mais arrogante do que séria. Eles apertaram as mãos e acabei fazendo o mesmo, tentando ser simpática. O tal de Jimmy sentou na mesa conosco, olhando para meu irmão e rindo. “Sua garota?” ele perguntou agora olhando para mim.

    “Minha irmãzinha, então pode tirar os olhos dela.” Os dois riram e eu fiquei um pouco desconfortável. 

    “Eu sou James Page, mas pode me chamar de Jimmy.” ele falou para mim. Senti meu rosto queimando de vergonha. Ele continuou com os olhos em mim, agora também acendendo seu cigarro. Percebi que a conversa estava parada, esqueci de me apresentar.

    “E-eu sou Julie, Julie Bruce.” gaguejei. Eu sempre ficava nervosa perto dos amigos do meu irmão, talvez por isso que eu sempre fazia de tudo para não conhecer nenhum deles. Tentava evitar contato ao máximo.

    Quando meu prato e de Jack chegaram, Jimmy aproveitou para fazer seu próprio pedido. Enquanto ele conversava com o garçom, eu não conseguia parar de olhar para o rosto dele, com uma certeza de já ter visto ele em algum lugar, mas a resposta não me vinha na cabeça. O garçom se foi e logo voltou com um balde de champagne e três taças. Já estava achando o lugar um pouco elegante demais para mim e agora com os pratos e bebidas, parecia mais ainda.

    Jimmy distribuiu as taças e começou a servir a bebida. Pensei em recusar educadamente, afinal eu nunca bebi nada fora da supervisão dos meus pais, mas como Jack não interferiu, decidi aceitar calada.

    O prato de Jimmy chegou e por fim começamos a comer e beber. Eu escutava atentamente a conversa dos dois, sem participar. Eles falavam sobre as bandas que faziam parte, processos de gravação, estúdios, produtores. Sinceramente, era um saco! Mas me obrigava a sorrir toda vez que Jimmy olhava para mim, como se tentasse me incluir no assunto. Bebi minha taça de champagne sem pressa, sabia o efeito que causaria se ingerisse rápido demais.

    Entre um assunto e outro, Jack pediu licença por alguns minutos e entrou no restaurante para fazer um telefonema. Fiquei a sós com Jimmy, totalmente nervosa e sem saber para onde olhar. Dei alguns goles na minha bebida enquanto fingia estar distraída com o movimento, quando, sem nenhuma explicação, resolvi iniciar uma conversa com ele. 

    “Seu rosto não me é estranho. Qual banda você faz parte?” perguntei curiosa.

    “Yardbirds, você não deve conhecer.” ele falou servindo mais champagne em sua taça. O vento estava um pouco mais forte. Sua franja moveu-se um pouco para o lado, revelando melhor sua face. Quando olhei seus olhos novamente, foi como se algo iluminasse minha mente.

    “Over, Under, Sideways, Down! Oh, e Blow-Up, vocês estão no filme Blow-Up não estão?” perguntei empolgada, lembrando do filme com David Hemmings que assisti no cinema ano passado. Ele sorriu, parecendo um tanto quanto surpreso. Provavelmente não imaginando que eu saberia sobre sua banda.

     “Admito que estou surpreso, mas vindo da irmã do Jack Bruce, é compreensível. Mas enfim, você acertou. Sabia que Eric já fez parte de nossa banda?”. Olhei para ele confusa.

    “Eric? Clapton? Do Cream? Amigo do meu irmão?” questionei. Ele concordou com a cabeça e murmurou um sim enquanto acendia um cigarro. Observei enquanto ele estendia o maço em minha direção. Antes que eu pudesse formular qualquer pensamento entre aceitar ou declinar a oferta, meu irmão voltou e repreendeu seu amigo.

    “Page, quem te deu a liberdade de oferecer essas coisas para minha irmã? Oferecer álcool a ela já não basta?” ele sentou-se novamente enquanto ria. Jimmy e eu acompanhamos.

    “Tudo certo? Demorou um pouco.” Jimmy perguntou enquanto corrigia sua postura na cadeira.

    “Ah sim, era só o Eric. Fiquei de buscar algumas coisas no apartamento dele depois.” Jack explicou tranquilamente, terminando a garrafa de champagne em sua taça.

          A conversa se estendeu por quase mais de uma hora. Consegui entrar no assunto com Jimmy e Jack com muita naturalidade. Meu irmão era muito falante e seu amigo um tanto quanto simpático. 

Jimmy me lançava alguns olhares estranhos cada vez que me irmão parava para encher sua taça. Eles já estavam na terceira garrafa de champagne. Me esforcei para tentar acompanhar, mas quando senti um pouco de tontura parei imediatamente e parti para água. 

Estava achando a situação um pouco engraçada, então além de feliz, toda vez que cruzava o olhar com Jimmy eu ria um pouco. Imagino se ele estava percebendo isso e interpretando como algum tipo de sinal…

Afastei esses pensamentos quando Jack levantou-se. Estávamos prontos para ir. Jimmy foi uma excelente companhia para nosso almoço, fiquei até um pouco triste ao precisar me despedir. Ele e meu irmão deram um aperto de mão. Jack começou a recolher todas as sacolas de compras que acumulamos e fui me despedir de seu amigo. 

Abracei Jimmy e agradeci pela companhia e bebidas que foram por conta dele. Pronta para me desvencilhar do braço dele, senti algo me prendendo, obviamente ele. “Espero te ver novamente.” ele cochichou. Fiquei terrivelmente surpresa, e sem reação. Eu não sabia como agir perto de homens, não era como se eu tivesse muito contato com eles a não ser por meu pai, irmão, primos e meu ex-namorado. Sorri e acenei com a cabeça, me afastando definitivamente dele. Ajudei Jack com as sacolas e comecei a caminhar sem olhar para trás



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