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História Summertime Sadness (SasuSaku) - Capítulo 6


Escrita por:


Notas do Autor


Boa Leitura, amores <3 <3

Capítulo 6 - Quando Tudo Acabou Entre a Gente


Quando Tudo Acabou Entre a Gente

Quando acordei, o dia começava a se tornar noite, dando lugar ao surgir da lua e, no instante em virei o meu rosto para o lado oposto da minha cama, encarei um homem robusto dormindo profundamente. O seu rosto mantinha traços tranquilos e admiráveis, pela primeira vez, pude perceber o quanto Hidan era bonito, apesar de ser 14 anos mais velho que eu, ele continuava sendo um homem pelo qual fazia a vida valer à pena ser vivida. A única certeza da vida é a morte, independente do dia ou da hora, ela virá e, infelizmente, por mais que eu tenha estado com Hidan, embora tivesse experimentado momentos incríveis e mágicos, mas querer dar a ele esse tipo de vida é algo lamentável. E esses instantes amáveis não mudam o fato de que minha vida já acabou, há quase dois anos.

Pouco mais de dez minutos depois, consegui deixar a minha cama, sem fazer com que Hidan acordasse, logo que cheguei ao banheiro, ainda sentada, tirei minha camisola e entrei em minha banheira. Depois que sofri meu acidente, toda a casa precisou ser refeita, principalmente o meu quarto, closet e banheiro.

De acordo com um incrível e confiável site chamado Wikipédia, mobilidade urbana é definida como a facilidade de deslocamento das pessoas e bens na cidade, com o objetivo de desenvolver atividades econômicas e sociais no perímetro urbano de cidades, aglomerações urbanas e regiões metropolitanas.  

A questão é que, antes de sofrer o meu acidente, o mundo era acessível para mim, eu tinha facilidade em me descolar de um lado para o outro, tinha acesso a tudo o que desejava e, infelizmente, pensava que o mundo não poderia ser melhor para mim, a questão é que quando me fudi, acabei vendo que, mesmo tendo muito dinheiro, o mundo era inacessível e limitado para as pessoas com algum tipo de deficiência. Graças a força da criação, eu tive a sorte de nascer em uma família abastada, o meu pai é dono do hospital mais caro do país, um dos mais caros do mundo. E mesmo pertencendo ao topo da merda da elite, sendo privilegiada, essa porra não adianta de nada, já que a mobilidade de acesso que tenho, nos lugares que frequento, é quase nula, a começar pelo clube em que minha família frequentava.

Ou seja, eu estou em uma situação melhor do que os outros na mesma condição que a minha, confesso, mas não deixa de ser cansativo e dilacerante ter de me locomover pela rua. E por esse motivo que meus pais fazem tantos jantares de conscientização para as pessoas com algum tipo de limitação.

Estou cansada de não conseguir entrar na merda de um restaurante sem ter de enfrente um exército de romanos. 

__Sakura? – a voz de Hidan ecoou atrás da porta. __Está tudo bem?

__Sim. – o acalmei. __Estou saindo, Hidan.

__Nós precisamos conversar. – sussurrou, quase que em arrependimento.

__Sim, eu presumo.

De acordo com as pesquisas de George Sarmento sobre o amor no ponto de vista de Nietzsche: enquanto muitos acreditam que o amor é a manifestação mais pura do altruísmo e da devoção ao outro, Nietzsche sustenta que ele expressa o inato egoísmo que habita em cada um de nós, sobretudo o inesgotável desejo de se apropriar da pessoa amada.

Seguindo a minha linha turva de raciocínio, porém certa, levando em consideração as palavras que ouvi da boca de Hidan, ele pensa estar apaixonado por mim, quando, na verdade, o amor é uma ilusão criada pela sociedade. E a ciência prova isso, de maneira direta, o amor vêm do cérebro, através de vários neurotransmissores. É mais complexo.

No meu ponto de vista, o amor não passa de uma emoção forjada por nossa própria mente, a felicidade, tristeza, raiva e inveja são sentimentos criados, a partir de experiencias vividas nas primeiras fases da vida humana. Em suma, o cérebro humano é o responsável por esses sentimentos, os quais, nas minhas concepções, podem deixar de serem sentidos devido a alguma lesão, trauma ou condição.

Adolf Hitler, por exemplo, não demonstrava nenhum resquício de humanidade, amor ou sensatez, sentimentos forçados pela sociedade, assim como Josef Stalin, ambos psicopatas. Os psicopatas são assim, eles não sentem nada, já que a sociedade não consegue moldar os seus sentimentos. E a história nos mostrou pessoas capazes de tudo em busca de sua própria verdade, de seu próprio poder.   

Discordo de Rousseau, quando ele diz que: “O homem é bom por natureza. É a sociedade que o corrompe.” Na minha concepção, o homem já nasce com a maldade forjada em sua essência, a sociedade apenas o dá algum gatilho para foder com o batalhão.

E esse motivo os leva a tomarem atitudes de proporções catastróficas no rumo da história humana, prejudicando milhares de pessoas.   

Enfim, Hidan não está apaixonado por mim, ele acha que está. É o cérebro dele transformando as experiências de vida dele na sociedade em sentimento. O sentimento amor, assim como os outros, é forjado pela sociedade, através de boas ou más experiencias em que o indivíduo passou na sua construção como pessoa.

__Sakura? – o meu nome, dito por ele, me despertou do profundo de meus pensamentos. __Está, realmente, tudo bem?

__Sim, Hidan. – menti, na cara de pau.

Logo assim que saí do banheiro, o encarei terminando de vestir a sua camisa, quando os seus olhos encararam o meu corpo, eu sorri, constrangida, já que estava apenas com a toalha enrolada sobre o meu corpo. Sem muitas palavras, Hidan seguiu até o meu closet onde voltou segurando um vestido azul, entendendo o recado, deixei a toalha de lado e ergui os meus braços para o alto, esperando por sua ajuda. Os seus olhos demonstravam a mais sincera gentileza, suas mãos deslizavam pelas minhas curvas, até que pude estar vestida, ou quase, já que faltava a minha calcinha, mas achei melhor não tocar no assunto.

__O que você queria falar comigo? – apreensiva, o questionei. – os seus olhos estavam tão distantes, tão tristes. O seu humor mudara. __Aconteceu algo?

__No dia em que você brigou com os seus pais. – disse, quase que em um gemido de dor. __Eu ouvi, a casa inteira ouviu, Sakura. – depois de muito tempo, ele teve a coragem de me olhar nos olhos. __Por que você quer morrer? Por que fez aquilo?

Eu sorri para acalmá-lo.

__Há dois anos, eu morri, Hidan. – confessei. __E por mais que eu tente, não consigo mais aguentar essa dor. Espero que entenda.

__Não, Sakura. – protestou. __Não entendo. Nunca virei a entender a sua vontade de querer a eutanásia.

__A escolha não é sua. – o relembrei. __É um peso difícil de carregar, Hidan.

__Não conseguirei ficar do seu lado. – meu coração pesou. __Não sabendo que jamais poderei ter uma vida ao seu lado.

__Ter uma vida ao meu lado? – paralisei. __Hidan, eu sei que não é isso o que você quer.

__Ah, não me diga. – debochou. __Você acha que pedi licença da minha patente da Força Aérea, por quê? Sasuke não mentiu, Sakura. A primeira vez em que a vi, na apresentação do Quebra Nozes, eu estava com 31 anos. E você tinha acabado de completar 17 anos. Um ano depois, um mês após o seu acidente, estava decidido de que você seria minha. – um lamento. __E agora você quer desistir da sua vida?

__Hidan. – o chamei, baixinho. __Não tenho irmãos e nem primos. – o expliquei. __Meus pais ainda são jovens, mas quando tiveram 70, 80 anos?

__Posso te dar uma família! – arregalei meus olhos, assustada. __Cuidarei de você. – foram as suas palavras ao caminhar em direção a porta. __É uma promessa. – mas antes de sair, ele encarou o fundo de meus olhos. __Devido a situação do país com o Irã, preciso voltar ao meu posto. Por favor, pense no que te propus.

Assim que fiquei sozinha, um suspiro de tranquilidade saiu de meus pulmões, tive de sair para abrir as portas francesas de meu quarto que davam a uma varanda, numa vista privilegiada do jardim lateral da propriedade dos meus pais. Pude até ver Hidan saindo da garagem em sua kawasaki ninja H2. Para ele ter saído daquele jeito, como no combinado com os meus pais, eu passaria as noites sozinha, essa seria uma forma de me sentir um pouco mais independente. Depois de alguns minutos, observando as estrelas, minha cabeça latejou de ódio, uma revolta tomou conta de meu coração, no instante em que encarei Sasuke, andando apenas de toalha, pelo um cômodo em sua casa que parecia ser o seu quarto. Foi impossível desviar o olhar, já que um monstro com uma terceira perna, transitava de um lado para o outro, falando ao telefone.

__Antes ver algo assim, do que ser cega. – grunhi, fitando um orc, um daqueles desenhos eróticos japoneses. __Tarado, porco. - Lembrarei de enviar um aparelho de barbear para ele passar nas pernas. É lamentável! – nojo. __E o atrito quando ele joga?

E eu fiquei bons minutos observando-o, até que, infelizmente, fui pega quando descobri Sasuke encarando-me de volta, eu quis quebrar aquele sorriso sínico com um soco.

__Gostou? – ele gritou.

__No zoológico, eu vejo animais mais bonitos. – debati, furiosa. __Por que um suburbano do seu tipo se mudou para o meu bairro?

__Porque eu quis. – rosnou, desviando do assunto. __Além do mais, o seu pai deixou o código de acesso da sua casa comigo, caso você precise de ajuda de noite. – disse. – e eu me emputeci.

__ Eu morro, mas não peço a sua ajuda. – o ataquei. __Ah vá pá porra!

__Você não tem nada de melhor para fazer? – o seu olhar de desdém acabou me tirando do sério.

__Eu estava muito bem, até que um maluco resolveu andar pelado por aí. – debati. __Telefonarei para a polícia, já que tem um doido pelado e sem vergonha discutindo com uma garota de família.

__De família? – ele riu. __É só os seus pais darem as costas de casa que você fica de conversinha com o segurança, dentro do seu quarto.

Fiquei revoltada.

__Estava me espionando? – berrei. __Minha vida não é da sua conta!

__Se não quer que eu ouça, fale baixo. – deu de ombros. __Não pude evitar de ouvir Hidan e você discutindo agora há pouco. Ele é o seu novo namorado? Muito velho para você. Será que ele não entende que você terá uma gestação de risco, caso fique grávida? Não gostei!

Eu fiquei em silêncio, processando aquelas palavras, até que, num momento de descontração, nós começamos a rir do que acabara de acontecer.

__Sinto muito. – por fim, eu disse. __Deveria ter fechado as cortinas.

__Eu também peço desculpas, Sakura. – Sasuke sorria. __Deveria ter fechado a cortina de meu quarto também.

__Olha, Sasuke. – o chamei. __Não me entenda errado. – pedi. __Mas eu tenho medo, muito medo mesmo do futuro. Perdi todos os meus amigos, não há ninguém

__ A distinção entre passado, presente e futuro...

__ É apenas uma ilusão teimosamente persistente. – completei, tendo um sorriso em meus lábios.

__De qualquer forma, não sinta medo daquilo que ainda não veio. – o seu sorriso sincero me fez querer retribuir o gesto. __Por que não vem aqui em casa? Eu vou te buscar no portão. – propôs, como quem não quer nada.

__Não estou certa de que será uma boa ideia. – indiferente, eu declinava a proposta. – encarando firmemente para aquela toalha enrolada em sua cintura.

__É óbvio que colocarei uma roupa, Sakura. – na mesma hora, Sasuke ficou constrangido e preocupado. __Vai vir?

__Sim. – por fim, concordei. __Não há ninguém aqui em casa. – o relembrei. __O esperarei na sala de estar. Vou deixar a porta aberta. – ele assentiu, do outro lado do enorme muro.

Pouco mais de alguns minutos depois, um homem com mais de dois metros de altura sorria para mim, os seus cabelos ainda molhados tinham um cheiro bom, um cheiro de algo másculo. Diante dele, na minha cadeira de horas, eu parecia ser tão indefesa e pequena, na verdade, o meu corpo é pequeno e o meu peso é bem menor do que o das outras garotas da minha idade, já que, desde os dois anos, o moldei para o balé clássico. O meu físico continua sendo magro, longilíneo e sem curvas, mesmo em uma cadeira de rodas.  E embora tenha 1,75 de altura,  mesmo se estivesse em pé, na frente de Sasuke, eu continuaria sendo pequena e frágil, agora em uma cadeira de rodas, tudo piorava a minha situação. Fiquei tão desconfortável, tão perdida e fora de mim, claro que a culpa é minha, eu o convidei e agora estava fazendo uma loucura de ir para a sua casa, sendo que mal o conheço. Digamos que começamos com o pé esquerdo, mas é diferente, no atual momento.

__Vamos? - eu sorri, confirmando. __Segure-se, Srta. Haruno. - Sasuke me empurrou até as portas, batendo-a em seguida. __O jardim é muito bem cuidado.

__Mamãe quem cuida. - o informei. __Mas agora que está viajando com papai, ela contratou um jardineiro. - um sorriso. __Acho que ele vem aqui umas três vezes na semana.

__Sabe cozinhar? - os seus olhos negros brilharam ao ver uma confirmação minha. __Sabe, estou com muita fome.

__Virei sua esposa? - o ataquei. __Sou dona de lar agora, Sasuke?

__Pedirei uma pizza para a gente, Sakura. - suspirou, cansado.

__Que horror! - grunhi, quase tendo um refluxo. __Não acredito que você está falando para uma ex-bailarina do Bolshoi Ballet comer pizza. - debati, horrorizada. __Nem morta!

__Eu não sei cozinhar. - indiferente, ele falou. __Ou quer ir jantar fora?

__Sasuke. - o chamei. __Na minha atual situação, sem dúvidas, é desaconselhável eu sair para jantar. Seria uma batalha entre gregos e troianos. - e pronta para mais uma saída de mestre, eu disse: __Sem comentar que a sua cozinha é adaptada para alguém da sua altura, meu caro.

__Se minha cozinhar fosse adaptada, você cozinharia, Sakura? - questionou. -e na cara de pau, eu sorri ao afirmar que sim com a cabeça.

__Mas é claro! - falei em alto e bom tom. __Com certeza.

__Minha mãe era cadeirante. - por fim, me confessou. __E uma das minhas duas cozinhas é adaptada.

__Vamos comer pizza. - rapidamente, cedi para a tentação. __Não quero cozinhar.

__Mas uma bailarina do Bolshoi Ballet não come pizza. - debochou, e eu o senti rindo.

__Não sou mais uma bailarina. - desdenhei. __E eu prefiro um Big Mac.


Notas Finais


Continua...


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