1. Spirit Fanfics >
  2. SUNNY SIDE UP! — chuuves >
  3. Parte XXVI

História SUNNY SIDE UP! — chuuves - Capítulo 26


Escrita por:


Capítulo 26 - Parte XXVI


Sooyoung passou o resto do dia, a noite e o começo do dia seguinte plantada no hospital. A sua mãe a convenceu de ir para casa tomar um banho, e ela o fez, mas retornou depois de limpa e alimentada para fazer morada na ala de espera.


Jihyun não tinha saído por nem sequer um minuto. Os cabelos oleosos ficaram presos num coque, mostrando as veias de sua testa em sinal de preocupação. Desligou o celular para que a imprensa parasse de tentar contactá-la para ter notícias em primeira mão.


Todos descobriram a ligação de Jihyun com Jiwoo, e óbvio que agora iam tentar abusar da boa vontade de assediar a garota como faziam por toda vez que tinham o conhecimento de parentescos. Para que isso não é acontecesse, a diretora de cinema desligou seu celular e evitou assistir à televisão da ala com especulações do estado de saúde de Jiwoo.


Depois de quase três horas de espera, uma médica de cabelos curtos e bem presos num pequeno rabo de cavalo saiu da ala restrita com suas vestes verde aqua, segurando touca, máscara e protetores de pés. Ela estava cansada, tinha os olhos vermelhos e as bolsas abaixo deles inchadas.


Depois daquele plantão, ela precisaria de uma super-folga.


Jihyun e Sooyoung se aproximaram da médica, que cruzou os braços com uma feição não tão boa. Jo Haseul foi a médica com a qual ambas as mulheres confiaram a vida de Jiwoo, e visivelmente ela estava fazendo o possível e o impossível para salvá-la.


— Concluímos a primeira e mais crítica cirurgia — disse Haseul com voz cansada. — Uma das balas perfurou o pulmão de Jiwoo.


Sooyoung respirou fundo e franziu as sobrancelhas como quem ia começar a chorar. Rapidamente foi contida pela médica:


— Apesar disso, o pulmão não foi comprometido e não precisaremos de um transplante. Ela pode adquirir, com o tempo, algumas doenças pulmonares.


— Como o quê?! — perguntou Jihyun.


— Asma, histiocitose, bronquite... Nada que tratamentos regulares não controlem. O estado de Jiwoo ainda é grave, ela precisa ficar em observação pelas próximas horas para que possamos assistir aos resultados tanto da primeira cirurgia, quanto dos medicamentos. 


— Então nada de alta tão cedo?! — questionou Jihyun.


— Não, ainda não.


— Ela ainda tem chances de morrer?! — perguntou Sooyoung.


Haseul soltou o ar pela boca. Como médica, ela tinha aprendido a ser sucinta e direta, não podia ter rodeios ou ser doce demais, ela tinha de dizer a verdade e ponto.


— Sim, ela tem. Qualquer paciente que cruza aquela porta, seja por um pequeno corte nas mãos ou por uma grave e irreconhecível doença, tem chances de morrer. Estamos trabalhando duro por Jiwoo, não desistimos de nenhum paciente, independente do que o fez chegar aqui. Se posso recomendar algo, vão pra casa, descansem, se alimentem e voltem quando puderem. Não adianta fazer morada no hospital, se desgastarem e depois não terem forças para cuidar melhor da paciente.


A fala de Haseul soou rude para Sooyoung, mas fazia sentido. Ela tinha conhecimento do que estava dizendo e tinha total razão... Ou então só queria preparar o coração das acompanhantes com o que poderia vir a acontecer.


Haseul deu um sorriso de conforto e voltou para a UTI, provavelmente para ver outro paciente que precisava dela. Sooyoung se voltou para Jihyun e disse:


— Se quiser ir no hotel, tomar um banho, comer e dormir um pouco, pode ir. Eu fico aqui.


— Mesmo?! Eu realmente preciso comer, estou em jejum desde ontem.


— Pode ir, se alimente bem. Eu fico aqui, qualquer coisa, te ligo.


— Tudo bem, obrigada. Prometo que serei rápida.


— Demore o tempo que for preciso, Jihyun. Você precisa dormir nem que seja por dez minutos. Não prega o olho há horas.


Jihyun afirmou com a cabeça e a abraçou, pegando sua bolsa e apertando o botão do elevador para sair do hospital e pegar um táxi que a levaria de volta ao hotel em que estava hospedada.


Agora era apenas Sooyoung e os seus pensamentos, eles sendo bons ou provocativos, ela tinha que os ouvir para aprender a repreendê-los quando necessário.


[...]


Passaram-se dois dias desde que Jiwoo estava internada. Sooyoung não aguentava mais esperar que ela acordasse para comentar tudo o que havia acontecido e se aliviar da tensão de perdê-la tão cedo.


Em revezamento, Jihyun e Sooyoung se dividiam em quem ficava no hospital. Estava na vez de Sooyoung, e seus olhos miúdos de sono denunciavam como ela se sentia beirando às quatro da tarde. 


Seus olhos distantes pousaram-se numa garotinha de maria chiquinhas e uma música baixa porém audível o suficiente para que Sooyoung a escutasse. Ela a conhecia, algo como High School.


Pensou brevemente sobre como seria se tivesse conhecido Jiwoo em seu ensino médio. Com certeza ela deveria ser uma daquelas garotas e saem no fim da aula para ficarem com garotos mais velhos sentados em rodinhas e falando dos demais alunos.


Mas então se recordou que Jiwoo precisou amadurecer cedo demais, e que provavelmente não teve a oportunidade de aproveitar momentos como esses.


Ela se distraiu tanto que não percebeu Haseul a chamando pela terceira vez. Piscou três vezes e se levantou, indo para perto da médica.


Haseul estava com o seu jaleco dessa vez. Tinha o estetoscópio repousando em volta do pescoço e os cabelos soltos. Ela ainda parecia exausta e faminta pelo modo como seu corpo tremia bem de leve, ela estava se dedicando muito ao caso de Jiwoo, o que lhe custava comer nas horas corretas.


— Alguma notícia?! — Sooyoung perguntou preocupada.


— Finalizamos as últimas cirurgias ao meio dia. Correu tudo bem — Sooyoung respirou aliviada. — Não dissemos na hora pois precisávamos observá-la para começar a medicá-la com os remédios necessários e ver as primeiras reações dela ao acordar do coma.


— J-Jiwoo acordou do coma?!


— Sim, ela acordou. Está lúcida, se lembra do que aconteceu e não precisa se preocupar, ela não esqueceu de você — brincou Haseul.


Na noite anterior, Sooyoung tinha desabafado com a médica e dito sobre o seu medo de Jiwoo acordar e não se lembrar dela. Jo Haseul parecia ser bem divertida fora do hospital pela visão de Ha.


— Jiwoo não terá alta brevemente, como é o esperado. Ela ainda precisa ficar para vermos como reage. As cicatrizes das cirurgias são muito delicadas e os cuidados com elas ainda precisam ser efetuados por profissionais. 


— E quando eu vou poder vê-la?!


— Em breve. Assim que ela estiver com os anticorpos revigorados e conversar com a psicóloga, você poderá reencontrá-la. Fique em paz, Jiwoo melhorará bem rápido, ela é forte e está em boas mãos, mesmo que possamos ter controvérsias com o estado dela, tenha certeza de que ficará bem.


Sooyoung abriu um largo sorriso e se jogou nos braços da médica, que a abraçou bem forte em forma de consolo. Quando se distanciaram, Haseul pegou um copo com água e foi conversar com outro acompanhante.


Ha ligou rapidamente para Jihyun para lhe contar a novidade; ela nem ia acreditar quando dissesse.


[...]


Mais um dia inteiro se passou desde que Sooyoung recebera notícias de Jiwoo. Jihyun estava presa num engarrafamento ocasionado por um vazamento de óleo na pista. 


Sooyoung estava sozinha quando a enfermeira Sejeong chamou a sua atenção. Ela se levantou e aproximou-se da profissional, esperando que dissesse algo que a alegrasse.


Sejeong, em sua mais calma e branda fala, segurou as mãos de Sooyoung e iniciou:


— Você foi à capela naquele dia?!


— Sim, eu fui todos esses dias. Estou me sentindo confortável mas não a ponto de me converter ao catolicismo.


— Tudo bem, queremos que todos que entram aqui saiam saudáveis, não crentes — brincou, fazendo Ha rir. — Jiwoo está acordada, ainda não temos certeza se ela vai hoje à tarde ou à noite para o quarto, mas ela vai sair da UTI, com certeza. Ela está respondendo muito bem ao tratamento e tendo uma recuperação inexplicável. Talvez o tua oração tenha sido mais eficaz do que imaginou. Então, quer que eu te leve até o leito dela?!


— Sim, por favor!


Sejeong enlaçou sua mão à de Sooyoung e entrou com ela na ala da UTI. Primeiramente lavou as mãos e passou álcool em gel para higienizá-las corretamente. Em seguida, foi direcionada ao leito mais afastado e coberto a cortinas.


Sooyoung respirou profundamente e parou de caminhar. Ela deveria ter levado um presente, mas não podia entrar com nada na unidade de tratamento intensivo. Ela podia ter escolhido roupas melhores... É, ela podia, mas tudo o que importava era a sua presença.


Sendo assim, cruzou os limites das cortinas cuidadosamente e deixou que lágrimas caíssem escorregadias por seu suéter. Ela passou a mão pelo rosto e seu fungar fez Jiwoo abrir os olhos cansados, embaçando a máscara do respirador que estava em sua face.


Por trás da máscara esverdeada e acrílica, Sooyoung vira um sorriso doente e sadio ao mesmo tempo, com um frequente piscar calmo e dopado por fortes remédios. 


Jiwoo estava linda, apesar de tudo.


As enfermeiras pentearam os seus cabelos agora totalmente escuros, com a franja caída por seus olhos apelando por aparo. Ela também usava acessórios a ouro e tinha as bochechas coradas, resultado da alimentação que estava tendo via sonda e, agora, começaria a alimentar-se normalmente como antes.


Sooyoung segurou a mão que não estava coberta em fios e a apertou de leve, fungando freneticamente. O polegar de Jiwoo acariciou as costas de sua palma e, com a outra, retirou o respirador do rosto.


— Não tire isso, se está aí é porque é necessário.


— Um tempinho sem não vai me matar — disse Jiwoo, teimosa e rouca.


— Não brinque com isso. Achei que ia morrer de verdade.


— Não seja exagerada...


— Você não viu quanto sangue perdeu. A minha roupa ainda está de molho porque o seu sangue continua nela. Fiquei tão preocupada, se eu não tivesse trazido a sua mãe...


— Não se culpa. Trazê-la de volta me ajudou em muitas coisas, isso não é culpa de vocês, há apenas um culpado — ela parecia segura em sua fala mesmo que os olhos revirassem de vez em quando pelo sono ocasionado pelos fortes remédios. — Por sinal, onde ele está?!


— Internado num manicômio judiciário. Siwon estava transtornado naquele dia, Jiwoo, e com certeza ele precisa de ajuda. Obviamente ele foi preso pois tinha intenção de te matar, mas...


— Enfiaram ele num manicômio... — soou com um forte pesar. — Quando ele sairá?!


— Não tão cedo. Ele ainda vai a julgamento, não foi decretado a quantidade de anos que ficará preso, mas vai ser num manicômio judiciário pelo o que conversei com Kahei. Ela estava esperando você acordar para perguntar se podia agir nesse caso por você, pelo menos para que ele seja preso e pague pelos danos que lhe causou...


— Nesse momento, eu não quero nada — Jiwoo afastou suas pernas para Sooyoung ter espaço para sentar —, só você.


Sooyoung sorriu e beijou as costas de sua mão. 


— Está doendo muito?!


— Incomoda quando eu respiro, mas os remédios estão ajudando — ela respirou bem devagar. 


— Essas cirurgias demoraram tanto. Estava quase enlouquecendo por não ter notícias. Aquela bala que atingiu o seu coração, eu achei que não sobreviveria.


— Mas a bala não atingiu o meu coração — Sooyoung franziu o cenho pela incompreensão. — Ele atirou três vezes em mim, mas apenas duas balas me atingiram, a terceira, que foi direto em meu peito, foi amortecida pelo amuleto que me deu — Jiwoo mostrou o pingente amassado.


O cisne agora estava deformado e levemente escuro; tinha empobrecido e destruído o colar, mas se não fosse por ele, Jiwoo não teria nem mínimas chances de sobreviver.


— Você me protegeu até quando não tinha como entregar-se à minha frente para isso.


— Não acredito... Então o que aquela vendedora disse... Era verdade?!


— É, pode ser... Ou talvez tenha sido as suas orações. Deus deve estar de saco cheio de você, Sooyoung!


— Sua cretina mal agradecida! — fingiu-se estar aborrecida e deu dois tapinhas na mão da Kim.


— Não faça isso, eu levei dois tiros, caralho — a força que fazia para conversar a fez ficar com falta de ar. 


— Evite se esforçar. A enfermeira me disse que tem planos de te levar ainda hoje para o quarto. Se você ficar fazendo estripulias, esse tempo vai demorar.


— Okay, okay — disse Jiwoo, frustrada. — Onde está a minha mãe?!


— Eu a mandei ir pra casa quando cheguei aqui. Ela precisava dormir, não pregava o olho direito e nem comia. Acabei acordando ela quando a Dra. Haseul me disse sobre você, ela está presa no trânsito por conta de um derramamento de óleo. Pedi para ela ficar tranquila e vir com calma, ela poderia descer do táxi e vir andando.


— Quero vê-la o quanto antes.


— Ela vai chegar, tenho certeza — disse Sooyoung e assim que se calou, a enfermeira Sejeong entrou na pequena área reservada para Jiwoo com cortinas a delimitando.


Como uma criança fazendo coisa errada, Jiwoo enfiou a máscara novamente ao rosto e fingiu sonolência.


— Eu sei que estava sem a máscara, Jiwoo — disse Sejeong em tom de brincadeira. — Acho que essa é uma daquelas pacientes que nos dão muito trabalho.


— Você nem imagina o quão ela é teimosa — disse Sooyoung.


— Ah, eu imagino sim. Ela demorou dez minutos com doses cavalares de anestésico para conseguirmos fazer a cirurgia da retirada da última bala. 


— Eu queria ver como funciona, okay?! — disse Jiwoo com a voz abafada pela máscara.


— Eles são médicos, não traficantes de órgãos, Jiwoo — disse Sooyoung, fazendo a enfermeira rir.


Sejeong pôs luvas nas mãos e pegou uma bolinha de algodão, ensopando-o com álcool iodado e limpando a dobra entre o braço e o antebraço de Jiwoo, retirando uma seringa com uma agulha bem fina de sua pele.


Apertou devagar o local com o algodão e retirou logo depois para aplicar mais um antibiótico por sua veia. Jiwoo cerrou os olhos pela dor que o local já machucado emitia.


Sejeong descartou o algodão e a seringa na bandeja que trouxe os medicamentos e pegou uma pílula com um copinho de água, afastando a máscara, segurando a nuca de Jiwoo e a erguendo para beber o remédio.


— Ela vai ficar sonolenta de novo. A mãe dela já chegou, como aqui só pode entrar um por vez, preciso que saia para que ela a veja antes de Jiwoo dormir de novo, tudo bem?!


— Sim, sim, eu já vou — Sejeong retirou suas luvas e as deixou sozinhas novamente. — Eu vou ficar lá fora. Preciso ir em casa trocar de roupa e comer, mas não se preocupe, eu voltaria.


— Eu não irei fugir, não se preocupe, as janelas daqui são trancadas! — disse Jiwoo respirando vagarosamente. 


Sooyoung se levantou e a deu um beijo na testa, limpando a leve marca rosada que deixou no local. Antes que Ha pudesse se distanciar, Jiwoo segurou sua mão mas forte para fazê-la se virar.


— Eu amo você — sussurrou por trás da máscara. 


— Eu te amo mais — Sooyoung voltou, retirou a máscara do rosto de Jiwoo e a beijou aos lábios, voltando rapidamente a máscara quando ouviu os passos de Sejeong se reaproximando.


Se Sooyoung pudesse se definir com um adjetivo ao sair da UTI, naquela segunda-feira, um dos dias que ela menos gostava por sempre lembrá-la de seu tio problemático, este seria vitoriosa, com toda certeza.


[...]


No quinto dia em que Jiwoo já se encontrava no quarto, Kahei lhe fez uma visita com a pequena Yeojin.


Jiwoo tomava os remédios dados pela Dra. Haseul e se distraía com um desenho animado bem colorido que passava no horário matutino. O comercial dizia que logo depois passaria séries que marcaram a adolescência da Kim, e até que não estava sendo tão ruim passar aqueles dias no hospital.


Yeojin se voltou para a médica e ergueu os braços, flexionando os joelhos como se caso Haseul não lhe pegasse, ela se jogaria de qualquer jeito.


— Vim ver como você estava! Me disseram que desse vez não conseguiu escapar da arma — brincou Kahei ao retirar o blaser e o deixar na poltrona de visitas.


— Não foi dessa vez que eu me livrei dela — disse Jiwoo ainda observando Haseul com Yeojin.


— Lembra naquele dia que almoçamos juntas e minha esposa não pôde comparecer pois pegou um plantão?! Então — Kahei se pôs ao lado de Jo. — Por coincidência do destino, você a conheceu do modo mais traumático e louco possível.


— E-então a Dra. Haseul que é a sua esposa?! — Jiwoo perguntou surpresa.


— Sim, quando soube que estava aqui, precisava vir para ver se já se conheciam.


— Jiwoo é uma paciente muito teimosa, mas que adquiri um carinho muito grande — disse Haseul balançando Yeojin bem devagar como se fosse niná-la. — Estou de folga da quinta-feira até o domingo, eu realmente precisava disso depois desses dias trabalhosos...


— Eu imagino... — o alto-falante do hospital chamou o nome de Haseul para que ela comparecesse a uma outra ala, o que a fez dar um beijo na bochecha de Yeojin e a deixar no chão.


— Preciso ir agora. Depois nos falamos melhor — Haseul deu dois tapinhas no ombro de Kahei e saiu do quarto.


— Sabe que não vim aqui só por isso, hum?! — Jiwoo afirmou com a cabeça. — Primeiramente, como está se sentindo?!


— Cansada, meio apavorada. Acho que estou enlouquecendo. Não consigo dormir direito porque acho que a qualquer momento, Choi Siwon vai aparecer aqui. Eu ouço qualquer som que lembre o motor de um carro e já sinto meu coração disparado.


— Não sou médica nem especialista, mas espero que você vá, pelo menos dessa vez, ao psicólogo.


— É, eu realmente vou precisar...


— Em relação ao processo, eu estou tomando à frente. A juíza que está nesse caso entende a sua situação e me deu alguns dias para montar a sua defesa. Siwon está num manicômio judiciário, ele realmente precisa de ajuda, não tive acesso aos exames neurológicos dele, mas a coisa é bem feia.


— Terei de ficar frente a frente com ele, como foi naquele julgamento?!


— Depende de como a juíza vai encarar essa situação, mas não se preocupe. O caso é praticamente ganho, só estamos nele pois precisamos julgar uma pena para Choi Siwon, mover uma medida protetiva e tudo ficará bem.


— Assim eu espero.


— Ei, confia em mim.


— Eu confio, sei que você vai dar o seu melhor e tudo vai ficar bem!


— Ótimo. Ah! Yeojin lhe trouxe um presente.


A pequena Yeojin tirou da bolsa verde cintilante um desenho bem infantil e dócil de Jiwoo numa casa bonita e laranja. A Kim agradeceu com um beijo à testa da criança, desejando um dia ser tão em paz como aquela mente em que tinha como únicas preocupações desenhar e pintar corretamente os seus desenhos.


[...]


Jiwoo saiu do hospital quinze dias depois de ir para o quarto. Ela voltava pra casa com a mãe, que ficaria em sua casa para cuidar de seus ferimentos e ter a certeza de que a filha tomaria os remédios na hora e ordem certas.


Precisar de ajuda para andar e ser bem devagar para não sentir dores a deixava furiosa. Jiwoo era uma mulher independente, aprendeu a ser muito cedo, e agora, com 25 anos, necessitar de ajuda para fazer coisas básicas era uma confusão para o seu cérebro.


Voltar para casa, abrir a porta e aspirar o ar de pinheiro com lavanda que o seu desinfetante tinha era incrível se não fosse surpreendida por uma Sooyoung de feições alegres e gritos de "bem-vinda de volta" em sua sala.


Jiwoo levou a mão ao peito pelo susto e por seu coração bater sobre a costela machucada. Jihyun a segurou e a levou para dentro, ambas tirando seus sapatos na porta.


— Te assustei?! — perguntou Sooyoung, se aproximando da namorada.


— Só um pouquinho — disse Jiwoo. — Como conseguiu a chave da minha casa?! 


— Eu fiz uma cópia para preparar isso, mas se quiser que eu devolva...


— Não, não, claro que não — disse Jiwoo sentando-se no sofá e bufando pelo esforço que fizera do táxi ao seu apartamento. — Não me diga que preparou tudo isso, hum?!


A mesa estava farta de comidas lights e devidas para recém-operados; frango grelhado, refolgado de ervilhas, purê de batata, gelatina, arroz com cubinhos de soja e suco de frutas.


— Sim, eu que fiz — Jiwoo semicerrou os olhos como uma boa investigadora. — Okay, eu só fiz o suco, o resto eu comprei tudo num mercadinho aqui perto.


— Ainda bem que comprou, estou faminta! — disse animada, deixando Sooyoung com o coração confortável em ter feito algo bom. — Vamos comer?!


— Sim. Estava te esperando chegar para comermos.


— Deixem que eu faço os pratos de vocês, principalmente o seu, Jiwoo. Ela esquece que ainda está debilitada, se eu deixar que ela faça o próprio prato, vai querer comer uma montanha.


Jihyun fez três pratos de comida, colocando quantidades satisfatórias para a fome que cabia em cada uma. Comeram sentindo os bons sabores da comida que apesar de leve, era muito gostosa.


Jiwoo nunca imaginou que veria Jihyun lavando a louça. Ela deveria ter muitos empregados em sua casa americana, e a Kim checaria a boa limpeza só por precaução.


Jiwoo tinha assuntos para tratar com Sooyoung e precisava de privacidade. Quando a mãe se aproximou, ela acumulou coragem para alertá-la sem deixá-la desconfortável.


— Eu preciso conversar com Sooyoung, será que você...?! — Jihyun se levantou e fez que sim com a cabeça.


— Claro, claro, eu fico na... — ela olhou os cômodos e todos eram um só. — Vou ficar lá fora, preciso resolver as coisas do meu retorno também. Mas antes...


Jihyun abriu a caixa de remédios e tirou um que deixou Sooyoung intrigada. Ele tinha uma sinalização de que era tarja preta e servia para transtornos neurológicos, então por que Jiwoo estava o tomando?! 


Jiwoo o tomou com um pouco de água e logo em seguida deixou que a mãe fosse embora. A Kim juntou suas mãos e ficou repuxando as bordas do casaco, com olhar distante e preocupado.


— O que foi, hein?!


— A gente precisa conversar algumas coisas.


— Que remédio foi esse que tomou?!


— Sooyoung... Eu precisei ficar todo esse tempo no hospital pois estava sendo acompanhada por uma psicóloga. Eu fui diagnosticada com síndrome do pânico, isso justifica alguns surtos e essa angústia que eu sinto agora, como se todos estivessem me observando e fossem me atacar. Estou me tratando com esse remédio enquanto o meu caso ainda é pequeno e eu não tive um ataque severo. Isso intensifica muito a minha ansiedade, e eu vou começar a frequentar o psicólogo.


— Jiwoo, eu sinto muito.


— Não sinta, você não tem culpa — disse Jiwoo colocando os cabelos escuros atrás da orelha. — Eu não vou negar, estou com muito medo, me sinto sufocada nessa cidade, e eu preciso me tratar. Acho que novos ares farão com que eu me recupere mais rápido. Sabe, todos os traumas que eu acumulei ao longo dos anos e esse mais recente fizeram com que tudo viesse à tona. Preciso tratar essa síndrome antes que ela passe a me causar problemas maiores... A minha mãe me sugeriu passar um tempo com ela na América e eu aceitei.


— Certo, quando vamos?!


Jiwoo abriu e fechou a boca, se sentindo uma péssima pessoa. Comparar-se a seres desprezíveis virou rotina, mas ela tinha consciência de que era só resultado de sua atual situação.


— Era exatamente sobre isso que eu queria falar com você. Estava pensando em ir... Sozinha.


— Oi?!


— Eu preciso desse tempo para ficar bem de novo e não quero te machucar. Sinto que estou voltando a me fechar e me lembro de como te deixava. No estado que estou agora, posso piorar as coisas e essa não é a minha intenção. Essa não é a Jiwoo que quero ser pra você.


— Mas eu não me importo. Eu posso ir com você, eu quero estar ao seu lado em todos os momentos.


— Eu também quero, mas por favor, entenda. Eu preciso de espaço, preciso me cuidar, preciso aprender novamente a respirar antes que entre num colapso e não tenha mais volta. 


— Não faça isso...


— Preciso ficar ausente por enquanto. Tentarei ser breve, vou fazer de tudo para melhorar e voltar pra você.


— Por que eu não posso ir com você?!


— Porque eu quero que fique aqui, decida sobre sua vida, se entenda e só depois volte a me informar sobre qual rumo resolveu tomar.


— Isso é injusto.


— Só quero o teu bem.


— Me distanciando de você?! 


— Não dificuldade as coisas — Sooyoung percebeu que as unhas de Jiwoo começaram a se cravar em suas palmas de modo a machucar. Ela então segurou-as e afagou para tirar as marcas. — Eu prometo que assim que estiver bem, eu irei te avisar.


— Você não vai — Sooyoung choramingou.


— Sim, eu vou. Não faça isso comigo, não agora, não estou forte o bastante para ser dura com você.


— E se você encontrar uma americana mais bonita que eu?! E ela te fizer mais feliz?! Sei que sou complicada, mas eu posso melhorar!


— Essa é a sua preocupação?! — disse Jiwoo rindo baixinho. — Americanas não fazem o meu tipo.


— E se lá tiver imigrantes?! Sei que você tem queda por muçulmanas desde aquela série que vimos juntas, Jiwoo, eu serei facilmente trocada.


— Ei! — Jiwoo segurou o seu rosto e afagou as bochechas rubras da mais nova. — Você confia em mim?!


— Confio, é só que...


— Então esqueça tudo isso que se passa em sua cabeça. Eu sempre serei sua independente de quantas mulheres bonitas eu encontrar no caminho. Eu vou me esforçar muito para voltar a ser a Jiwoo que você ama.


— Eu te amo de qualquer jeito.


— Então me dê esse tempo, por nós.


Sooyoung desviou o olhar para suspirar. Ela já não sabia como era viver sem Jiwoo, não fazia ideia de como reagiria sem a sua presença. Ela se tornou alguém muito importante e de grande significado, passar dias ou até meses distante não estava nos planos de Ha, mas ela entendia.


— Tudo bem, eu aceito se isso vai te curar.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...