História Supercorp - Cárdio. - Capítulo 1


Escrita por:

Postado
Categorias Supergirl
Personagens Kara Zor-El (Supergirl), Lena Luthor
Tags Kara Danvers, Katie Mcgrath, Lena Luthor, Melissa Bernoist, Supercorp
Visualizações 194
Palavras 5.453
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 1 - Fatality.


911, qual é a emergência?

Acidente fatal na interestadual… um carro se chocou brutalmente contra um caminhão… pelo amor de Deus, vocês precisam enviar ambulâncias urgentemente para cá.
 

O silêncio reinava naquele ambiente hostil. O único som que era audível naquele quarto era o pequeno bip que um dos aparelhos que monitoram os batimentos cardíacos fazia. Eu andava de um lado para o outro inquietamente enquanto observava pelo canto dos meus olhos a mulher que estava em um sono profundo. Kara Danvers estava naquela cama de hospital com uma expressão serena como se dormisse tranquilamente imersa em um mundo dos sonhos, deixando-me esquecer por alguns minutos da real situação. Eu encarava o rosto belíssimo e angelical da loira que agora estava cheio de machucados, inclusive um corte enorme e bem visível na testa. Seu corpo tinha pequenos arranhões e o seu braço estava enfaixado me fazendo lembrar do maldito acidente que havia a colocado ali. Naquele pequeno coma. Kara estava desacordada há uma semana desde o acidente naquele leito frio.
 

Lena tocou levemente o rosto da amada e permitiu uma lágrima escorrer pelos seus olhos verdes cristalinos e levou os seus lábios até o ouvido de sua namorada sussurrando um:

- Vai ficar tudo bem meu amor… apenas volte para nós. - Falou vendo mais lágrimas fugitivas escaparem pelos seus olhos.

Lena deixou Kara e continuou andando no quarto de um lado para o outro inquieta. Observou Alex que dormia de mal jeito no sofá que havia ali. Alex estava péssima… Desde o acidente ela não havia saído do lado de Kara por nenhum minuto sequer. Em uma semana, Alex havia perdido peso consideravelmente e o rosto aparentava o cansaço de quem não dormia há dias e havia conseguido ter um único momento de paz naquele instante em que cochilava serenamente.

Passei mais alguns momentos agonizantes naquele quarto silencioso e gélido… quando de repente ele foi brutalmente invadido pela enfermeira eo médico para fazer o checkup diário em Kara.

Me dirigi esperançosa e me pus do lado da minha Kara e segurei sua mão pálida e fria depositando um beijo.

Alex acordou afoita e se pôs rapidamente ao meu lado, mesmo que não soubesse.

O médico analisou Kara minuciosamente e a enfermeira apenas fazia pequenas anotações em um bloco de notas.

- Então doutor? - Eu e Alex perguntamos juntas, mas apenas a voz de Alex era audível naquele momento.

- Kara está se recuperando rápido… é uma jovem forte, creio que logo mais deve acordar e sair desse pequeno coma.

Observei Alex suspirar aliviada e sorrir para o corpo da irmã que dormia serenamente. Eu também sorri e depositei um beijo em seu rosto, em cima de um arranhão causado pelo maldito acidente.

- Não se preocupe Alex… e não vou perdê-la também. - Exclamou o médico colocando uma mão amigavelmente no ombro de Alex.

Alex também era médica e de fato era conhecida ali. Pelo trauma e o choque de ter a irmã naquele estado, não estava exercendo sua função regulamentarmente, pois não tinha cabeça para aquilo no momento. Mas recebia todo apoio possível dos colegas de trabalho.

- Eu já me culpei muito esses últimos dias… se tivéssemos sido mais rápidos… Poderíamos ter salvo as duas… não havia necessidade dela ter… - o médico tentava se justificar e Alex com lágrimas nos olhos apenas negou com a cabeça e o abraçou chorando.

A ambulância não havia sido rápido o suficiente. E por isso Kara estava naquele estado.
 

----+ flashback on.

Kara estava extremamente irritada e o problema era: os idiotas da sua universidade. Era uma sexta a noite e todos os seus amigos, inclusive sua colega de quarto Courtney estavam numa maldita festa de fraternidade a poucos quilômetros dali. Não era relativamente perto, mas nem tão longe assim, já que Kara conseguia ouvir o som ensurdecedor que chegava até sua janela. Kara nunca gostou de festas. Ela fazia a linha antissocial/nerd que gostava de usar suas noites para ler livros e estudar suas matérias prediletas. E isso explicava o fato de Kara ser provavelmente a única que estava no alojamento aquela noite, enquanto todos farreavam por aí. Kara havia decidido que passaria sua sexta lendo e curtindo a calmaria de seu quarto, já que Courtney, sua colega, deveria estar se entupindo de vodka, em algum lugar a essa hora. O plano de Kara seria perfeito se alguns idiotas não tivessem visto a luz de seu quarto ligada, provavelmente a única no prédio, e tivessem ido enchê-la.

- Não acredito nisso. - Resmungou Kara vendo um grupinho pela janela se aproximar e começar a gritar para ela do andar de baixo

Kara saiu da janela e a fechou ignorando-os pensando que assim iriam embora… Mas levou um susto ao ouvir um estrondo de uma pedra batendo contra o vidro de sua janela. Kara, com seu livro na mão, foi até a janela irritada com a atitude petulante do grupinho que estava no gramado fazendo uma maior algazarra.

- Parem com isso… Eu vou chamar o reitor. - Kara exclamou extremamente nervosa provocando risos nos jovens que tinham garrafas de bebidas nas mãos.

- Eu vou chamar o reitor. - Um idiota com uma jaqueta dos sigmas, que era uma das fraternidades da universidade, imitou Kara já bem alterado por causa da bebida.

Kara se pôs a ficar mais nervosa ainda e abraçou o livro para conter a raiva enquanto fuzilava o grupo com um olhar. Ela não conseguia distinguir bem as pessoas que estavam ali, devido a baixa iluminação no andar de baixo e a deficitária visão, já que a mesma usava um óculos de grau no rosto.

Como por um passe de mágica, uns dos reitores da universidade surgiu a poucos metros dali e começou a gritar com o grupo de alunos alterados pelo álcool. Assustados com a voz do reitor e ao lembrarem provavelmente que era estritamente proibido bebidas alcoólicas ao redor da universidade, eles saíram correndo.

Kara também tomou outro susto com a voz do reitor e deixou o livro deslizar por seus braços, caindo em alguém do grupo lá embaixo que acabou ficando sozinho para trás enquanto o resto corria com medo do reitor.

- Meu Deus... - Resmungou Kara colocando a mão na boca pensando que uma queda de um livro do segundo andar na cabeça de alguém poderia facilmente matar.

Kara não conseguia olhar pela janela de novo e ver quem tinha atingido. Queria e precisava do livro, mas ele havia se tornado a prova de um crime agora. Kara roia as unhas dos dedos nervosamente. Estava ficando paranoica.

Depois de um minutos sentada em sua cama se torturando com pensamentos bobos, alguém bateu em sua porta. Kara olhou apreensiva e já pensou no esquadrão da polícia do lado de fora prontos para levarem a loira presa por homicídio culposo.

Kara abriu a porta com receio, mas não havia nenhum esquadrão da Polícia. Apenas uma garota segurando um pedaço de papel sobre o lado direito da testa que estava com um pequeno sangramento enquanto com a outra mão abraçava o livro de Kara contra seu corpo.

Kara gelou ao encarar a garota. Uma garota que ela conhecia bem, ou melhor todo mundo daquela universidade, já que a mesma deveria ser uma das pessoas mais famosas e populares dali. Lena Luthor estava em pé na porta de Kara a olhando indecifravelmente e percebendo o misto de emoções da loira que evoluíram de uma expressão confusa, para uma surpresa e desespero total .

- Eu posso entrar? - Lena disse quebrando o silêncio, fazendo Kara olhar bem no fundo de seus olhos extremamente verdes.

- Sim. - Respondeu Kara se afastando para abrir a porta totalmente para Lena Luthor entrar.

 

----+ flashback off.

 

Alex estava sentada ao lado da cama da irmã mais nova lhe contando alguma história engraçada de sua infância. Kara não esboçava nenhuma reação. Somente dormia desde o dia do acidente. Eu vi Alex suspirar em desespero por alguns momentos. Vi o medo de perder sua irmã se instaurar nela e dominar seu olhar que estava sustentado no rosto sem feições da loira.

Alex respirou fundo, repetindo esse gesto algumas vezes  e começou a acariciar com os dedos a mão de Kara.

Encarei o rosto de Kara e lembrei do dia que nos conhecemos. Foi tudo ao acaso e por causa de uma livrada. Isso mesmo leitores, Kara Danvers tentou me assassinar com um livro. Ri do meu próprio pensamento. Aquela mulher era tão boa que não era capaz de matar nenhuma formiga. Foi apenas um incidente infeliz. Quer dizer, nem tão infeliz assim, pois graças a ele que aquela noite eu conheci Kara… o grande amor da minha vida. Mesmo que eu não soubesse aquele dia, Kara era minha alma gêmea. Foi um incidente bom, que me rendeu boas lembranças inclusive uma pequena cicatriz na testa que eu conseguia sentir tocando meu rosto naquele momento.

 

---+ flashback on.

 

Kara olhava a morena a sua frente amedrontada. Ela estava ferrada. Se estava com medo de uma bronca de reitor ou de ser presa, aquilo conseguia ser pior. Imagine o que os Luthor’s fariam com ela se soubessem que ela tentou assassinar a filha deles com um livro de anatomia?

Lena observava o desespero no olhar da pequena Danvers e ria internamente. Entrou timidamente naquele ambiente incrivelmente aconchegante. O quarto de Kara era adorável, com muitos livros espalhados por todos os cantos, inclusive em cima da duas camas ali. Lena empurrou alguns deles para um canto para poder se sentar a beira da cama de Kara.

Kara aproximou-se timidamente enquanto Lena retirava o pedaço de papel que segurava para conter o sangue que vazava do pequeno corte que o livro lhe causara.

- Meu Deus… eu fiz isso com você? Me perdoe. - Exclamou Kara segurando o rosto de Lena com as duas mãos por puro instinto e analisando o corte que já não sangrava mais tanto no rosto da morena. Ao perceber que havia dado um toque inesperado e invasivo em Lena, pois a mesma a observava intensamente, Kara corou envergonhada. Retirou com delicadeza as mãos do rosto da morena e correu pelo quarto procurando o pequeno kit de primeiros socorros que tinha ali.

Lena só conseguia observar o desespero da loira e sorrir com a preocupação dela. Lena se permitiu analisar bem o rostinho angelical de Kara e ficou surpresa com tamanha beleza. Como nunca havia notado ela na universidade? Lena já estava ali há 2 anos e todo mundo conhecia ela. Ela era famosa por ser a herdeira de um Império tecnológico multimilionário dos Luthor’s. Mas ela não conhecia quase ninguém, apenas as pessoas do seu ciclo de convivência, já que morava na república da sua fraternidade.

Kara por ser reclusa não havia sido convidada para ser de nenhuma fraternidade e por isso vivia no alojamento com os outros “excluídos/fracassados” assim como chamavam eles. Mas Kara não se importava. Sabia que fraternidades só atraíam festas e bebedeiras desenfreadas, tudo que ela não gostava. Ela amava ser a excluída e viver no seu mundinho.

Saindo de seus pensamentos, Lena voltou a prender seu olhar na loira que estava com uma maleta em suas mãos. Kara colocou a pequena maleta ao lado do corpo de Lena e abriu tirando algumas coisas que sugeriu ser úteis. Em completo silêncio voltou a segurar o rosto macio e quente de Lena, enquanto seu olhar a penetrava profundamente. Era impossível para Kara não corar e ficar intimidada com um olhar tão misterioso e atraente.

- Ai. - Resmungou Lena sentindo o corte em sua testa arder enquanto Kara limpava com toda delicadeza com um algodão.

Não doía mais porque Lena estava meio anestesiada com toda a bebida alcoólica que havia ingerido aquela noite.

- Tente não se mexer Ok? Eu vou colocar esse curativo e ele tem que ficar certInho. -  Explicou a loira segurando o rosto de Lena pelo queixo de uma maneira bem sugestiva. Lena não conseguiu evitar o sorrisinho malicioso que Kara ignorou achando ser coisa da sua cabeça.

Depois de mais uns minutinhos de silêncio total, troca de olhares intensas e Kara usando todas as suas habilidades que havia adquirido na faculdade de medicina até aquele momento para fazer um curativo perfeito na testa de Lena, ela terminou. Lena levou a mão até a testa para sentir o pequeno curativo ali enquanto Kara caminhava pelo quarto para guardar novamente a pequena maleta de primeiros socorros.

- Obrigado Kara. - Exclamou Lena fazendo Kara parar no meio do quarto e a olhar surpresa. Todo o espanto que estava no rosto da loira naquele momento vinha das seguintes questões: Como Lena sabia seu nome e porque ele ficava mais agradável quando dito por aquela voz extremamente adorável e sedutora?

- Como sabe meu nome? - Kara perguntou extremamente envergonhada e provavelmente corada ao perceber que a fucking Lena Luthor sabia seu nome e com o olhar intimidador/invasivo da morena que percorria todo o seu corpo.

- Está escrito na contra capa do seu livro... - Respondeu Lena com um sorriso amigável, apontando para o nome escrito com a caligrafia extremamente perfeita de Kara.

- ...Livro que eu vim te devolver… mesmo que você  tenha tentado me assassinar com ele - Respondeu Lena fazendo a loirinha sorrir sem graça enquanto encarava o chão envergonhada.

Kara pegou o livro das mãos de Lena e o abraçou da mesma maneira como a morena fazia minutos atrás em sua porta.

- Não era minha intenção. - Kara respondeu corando ainda mais de vergonha e apertando o livro ainda mais contra seu corpo.

- Ei… tudo bem, eu entendo. - Respondeu Lena amigavelmente tocando o braço da loira que encarou de imediato os olhos verdes dela.

Assim como Kara estava hipnotizada pelos olhos verdes de Lena Luthor, a morena nunca havia visto olhos azuis tão bonitos em toda sua vida quanto os de Kara Danvers. Kara era a criatura mais adorável que Lena tivera a sorte de encontrar. A morena desejou não sair dali nunca mais e olhar naqueles olhos azuis para sempre.

 

---+ flashback off.

 

Kara ainda dormia profundamente e já fazia exatamente 8 dias de seu coma. Lena a observava e segurava sua mão como em todos os dias. Ela nunca havia saído do lado da loira por nenhum momento.

Alex também permanecia ali, no canto sentada no sofá imersa em seus próprios pensamentos. Aflita. Cansada.

Parei de observá-la quando Winn entrou na sala. Era a hora de visitas e nesses 8 dias Kara sempre recebia visita de amigos e familiares. Winn era um de seus amigos mais divertidos e uma das melhores pessoas que tive a sorte de ter em minha vida, graças a Kara que havia nos apresentado logo depois de começarmos a namorar. Mas Winn aquele dia não estava com aquele espírito alegre de sempre. Estava extremamente abatido.

Abraçou Alex e caminhou até Kara segurando a mesma mão que eu segurava. Com certeza seu toque era mais quente do que o meu naquele momento.

- Qual é o estado dela? - Winn perguntou observando Kara apreensivo.

- Está se recuperando bem… deve acordar em breve. - Alex respondeu dando um sorrisinho triste.

- Já sabe como vai contar para ela que… - Winn tentou dizer mas acabou desabando num choro sofrido e abraçou Alex fortemente.

Eu conseguia sentir a tristeza dos meus amigos. Amigos que eu havia ganhado graças a Kara. Ela havia mudado completamente minha vida.

 

---+ flashback on.

 

Já havia se passado algumas semanas do episódio: Kara e seu livro versus Lena Luthor e um rasgão na testa. Desde aquele dia Kara não conseguiu mais tirar a linda garota de olhos verdes de seus pensamentos. Ainda viajava em sua mente bobamente enquanto lembrava de ter Lena Luthor em seu quarto. Lembrava perfeitamente de cada movimento que deu ali, da maneira intensa como a observava e de sair pela porta de seu quarto para ir embora. A cena de Lena Luthor andando pelo corredor, se afastando do quarto de Kara com seus cabelos perfeitamente caídos nas costas e a sua jaqueta rosa da sua fraternidade não saiam da mente da loira.

Pensou que depois daquela noite, elas seriam ao menos amigas. Mas a loira estava sentada na biblioteca da universidade agora se martirizando por ser tão tola. Por que uma menina como Lena Luthor iria querer ser amiga de uma esquisita como ela? Certamente acordou no outro dia e caiu na real. Kara até hoje esperava uma intimação da morena, pedindo para ela ficar bem longe dela, principalmente quando estivesse com livros nas mãos. Claramente tinha sido gentil aquela noite porque estava embriagada. Kara não havia deixado de notar o leve odor de vodka na morena, misturado com seu doce perfume que a deixava de certo modo atraente. Kara se culpava mais uma vez por estar sendo tão trouxa por alguém que ao menos havia trocado poucas palavras algumas semanas atrás.

Kara voltou a tentar se concentrar no livro que estava lendo sobre o corpo humano enquanto ajeitava graciosamente o óculos de grau em seu rosto. Conseguindo ler com maestria umas duas páginas percebeu um falatório esquisito na biblioteca e rapidamente olhou ao seu redor para tentar entender porque tamanho alvoroço. Kara percorreu o olhar por toda a biblioteca e parou fixamente numa criatura adorável que estava parada ali no meio com um enorme sorriso no rosto. A loira não conseguia acreditar no que seus olhos contemplavam. Lena Luthor estava no meio da biblioteca vestindo o uniforme de cheerleader da universidade, a jaqueta rosa da sua fraternidade e segurando uma pequena pilha de livros nas mãos.

Quando os olhares se cruzaram os sorrisos foram instantâneos. Lena andou graciosamente até a mesa onde Kara estava sentada sozinha rodeada de vários livros, assim como seu quarto semanas atrás. A loira observou que a testa de Lena já estava livre do curativo, apenas com uma pequena cicatriz no local.

Lena se sentou ao lado da loira, colocando seus livros sobre a mesa e a fitando animadamente.

- Aí está você, pensei que nunca mais iria te encontrar. - Exclamou Lena animada fazendo o coração de Kara saltar pela boca. Literalmente.

 

3 anos depois

 

Kara estava andando pelo campus da universidade de mãos dadas com a linda namorada e mal conseguia acreditar em tudo que havia acontecido em sua vida naquele tempo.

Naquele dia na biblioteca, Kara observou Lena adoravelmente tentando explicar sua amnésia alcoólica e o fato de não ter procurado a loira antes, já que demorou alguns dias para colocar seus pensamentos em ordem. Havia até pensado que tido tinha sido um sonho, mas o machucado em sua testa estava ali para provar que tudo era bem real. Na mente de Lena, Kara parecia muito irreal para ser verdade. Era um ser tão angelical que Lena teimou em ser verdade. Não lembrava de exatamente muitas coisas daquela noite, mas conseguia lembrar perfeitamente dos olhos azuis preocupados de Kara. Lena passou dias procurando Kara por todo o campus, fraternidade por fraternidade e a encontrou ali, na biblioteca do alojamento com seu tipico óculos de grau, adorável como nunca.

Lena Luthor havia se apaixonado perdidamente por Kara Danvers a primeira vista. Kara demorou para aceitar, mas também se apaixonou por Lena no exato momento em que a viu parada em sua porta abraçando seu livro de anatomia, com um corte na testa. Nunca amou tanto anatomia como depois daquele ocorrido.

As duas haviam se apaixonado perdidamente. Duas almas destinadas a ficar juntas. Duas improbabilidades do destino. Entre esses três anos, Kara e Lena haviam dado o primeiro beijo entre as estantes da biblioteca. Perto dos livros de cardiologia para ser mais exata. Aquilo era tão clichê, afinal tinha que ser justamente perto dos livros da matéria que se tratava sobre o coração?

Passaram um bom tempo namorando as escondidas e Kara não conseguia acreditar que uma garota como Lena Luthor queria ficar com uma pateta que nem ela. Lena fazia questão todos os dias de lembrar a namorada o quão incrível ela era. Lena ajudou Kara a superar muitos medos e inclusive a inspirou coragem para pedir a morena em namoro oficialmente.

Kara não conseguia conter o orgulho de ver a morena tão linda desfilar pelo campus com o anel de compromisso em seus dedos.

Kara havia se surpreendido com Lena. Ela não era apenas a garota rica, popular e fútil que muitos pensavam. Por trás de um rostinho bonito existia uma alma extremamente bonita e uma pessoa muito inteligente. Kara havia perdido as contas de quantas vezes havia ficado em transe babando quando estudava com Lena e ela bancava a professora com seus óculos extremamente adoráveis e aquela beleza de outro mundo. Lena fazia engenharia, mas parecia entender sobre todas as profissões. Uma inteligência surreal. Lena Luthor era encantadora de todas as formas possíveis.

 

---+ flashback off.

 

13 dias e Kara continuava em coma. Eu permanecia ali do seu lado naquela sala gélida e solitária de hospital. Dessa vez, Eliza estava ali com Alex, as duas estavam bem apreensivas. Algo havia acontecido naquele dia. Uma coisa boa. Senti meu coração queimar de felicidade. O amor da minha vida havia mexido os dedos e enrugado a testa. Kara estava dando os primeiros sinais que estava despertando do coma.

- E ai doutor? - Perguntou Eliza animada, segurando as mãos de Alex que também demonstrava animação, mesmo diante de tamanha situação.

- Kara deve acordar nas próximas horas ou dias. - Respondeu o doutor com um sorriso no rosto.

- Ai doutor... graças a Deus. - Exclamou Eliza suspirando aliviada abraçando Alex, que derramava pequenas lágrimas de emoção.

Eu e o doutor observamos a cena em família extremamente comovidos. Depois de uns minutos se abraçando, Eliza e Alex se soltaram e o doutor voltou a tomar uma postura mais séria como se fosse dar uma advertência.

- Só peço que quando ela acordar..tenham cautela para lhe informar sobre o que aconteceu com ela… sobre a situação… ela está bem fragilizada pelo acidente e uma notícia trágica pode a fazer piorar. - Exclamou o médico recebendo um olhar confirmador de Alex, assim como uma expressão triste também.

 

----+ flashback on.

- Sabe o que eu estava pensando amor? - Questionou Kara enquanto caminhava de mãos dadas pelo jardim da universidade com Lena.

- O que? - Lena perguntou parando em frente ao corpo da namorada olhando no fundo de seus olhos azuis e dando aquele sorriso caloroso e animado que Kara tanto adorava.

- Já estamos juntas há três anos… Você está prestes a se formar e eu ainda vou ficar nesse lugar por mais 2 anos… - Kara explicava enquanto acariciava o rosto de Lena com uma de suas mãos. Era impossível não querer tocar a morena a todo momento.

- Quem mandou querer ser uma médica. - Lena respondeu interrompendo a fala de Kara e a abraçando para depositar um selinho em seus lábios.

- Você sabe que o meu sonho é salvar vidas… ser uma heroína. - Kara exclamou animadamente deixando outro beijo nos lábios convidativos da morena que continuava agarrada ao seu pescoço.

- Mas você já é minha heroína amor. - Lena respondeu com um biquinho adorável fazendo Kara soltar risadas e depositar mais selinhos em seus lábios.

A coisa evoluiu de selinhos para um beijo caloroso e ardente no meio do jardim. A língua das duas devorava furiosamente uma a outra. As duas permaneceram abraçadas e se atacando sem se preocupar se haviam outras pessoas ali. Já sem fôlego, Kara encerrou o beijo e fitou o rosto da morena, levando o seu olhar para a pequena cicatriz na sua testa.

- Um ato bem heroico isso aqui. - Kara exclamou com ironia tocando com a ponta dos dedos a cicatriz que havia dado a morena, graças ao livro que derrubou em sua cabeça três anos atrás. Mesmo passado tanto tempo, a cicatriz continuava ali bem visível.

- Se não fosse isso eu não teria te conhecido boboba… - Respondeu Lena dando um selinho em Kara que sempre fazia a mesma expressão de culpa adorável quando se lembrava desse ocorrido.

- E nem foi tão ruim assim... você só arruinou meu rosto perfeito. - Lena completou dando um sorriso charmoso.

- Nada consegue arruinar… - Kara prontamente respondeu analisando o rosto e a beleza surreal da morena.

...E essa cicatriz só deixou você mais sexy. - Kara sussurrou no ouvido da morena arrancando uma risada extremamente safada da mesma.

Observando que estavam chamando mais atenção do que deveria, já que havia um grupo irritante de garotos que não paravam de observar as duas ali no meio do jardim, Kara e Lena deram as mãos e saíram andando, para longe dos olhos alheios. Era impossível não olhar duas meninas tão bonitas juntas… aquilo sim era um colírio para os olhos.

Andando pelos corredores, Kara se lembrou do assunto que realmente queria conversar com a namorada aquele dia.

- Mas então… Eu queria sabe… Ter um momento só da gente… Longe dessa universidade… das quatro paredes dos nossos quartos, não que eu esteja reclamando... - Exclamou Kara dando um sorriso malicioso ao lembrar dos momentos bons e quentes que tiveram em seus quartos nos últimos anos.

Por ter rotinas extremamente pesadas na universidade, Kara e Lena não haviam feito muitas coisas juntas fora dali. Só algumas viagens para a casa de suas respectivas famílias no feriados de fim de ano. Kara havia apresentado Lena ao Danvers, assim como Lena havia apresentado Kara ao Luthor’s e nada poderia ter sido mais perfeito. As famílias haviam adorado uma as outras. O destino sempre a favor das duas.

- Podíamos viajar… - Lena sugeriu animada.

- Viajar? - Questionou Kara com uma de suas sobrancelhas levantadas já pensando na hipótese.

- É… meus país tem uma casa ao sul… na Beira da praia. Fica umas doze horas daqui... mas podemos dirigir até lá revezando. - Lena exclamou com entusiasmo abraçando Kara pelo pescoço.

- Do jeito que você dirige mal? Não chegaremos vivas lá. - Kara respondeu divertida recebendo um bico adorável de Lena como resposta, que tratou de beijar.

- Ei… eu sou uma ótima motorista tá? E ótima em muitas outras coisas. - Lena respondeu sugestiva se aproximando propositalmente de Kara que só conseguiu dar um sorriso sacana e beijar a morena com urgência.

De uma coisa Kara tinha razão: não chegaríamos vivas lá!

------

No dia da viagem, as duas já estavam com todas as coisas arrumadas. Haviam conseguido cinco dias de férias da universidade para aproveitarem a companhia uma da outra no local que as esperava. Lena estava animadíssima, mas Kara estava com um pressentimento ruim e já não queria viajar de jeito nenhum.

 

Deus, como eu queria ter dado ouvidos a ela e desistido dessa maldita viagem. Pensava Lena sentada ao lado do leito de hospital onde Kara se encontrava.

 

- Qual é Kara? Nos preparamos há dias para isso… Fizemos todos os trabalhos da universidade adiantados… E foi um milagre meus pais me darem as chaves da casa sem reclamar. - Lena resmungava de braços cruzados com um bico adorável para Kara.

- Eu sei amor… Eu quero muito viajar com você… Aproveitar uns dias longe daqui e ter ver num biquíni minúsculo… - Kara respondeu dando uma risada safada ao mencionar e pensar em Lena Luthor correndo pela praia de biquini, exibindo aquele corpo maravilhoso.

- ...Mas eu estou com um péssimo pressentimento. - Kara completou abraçando Lena que permanecia com uma carinha emburrada.

- Não se preocupe… Vamos dirigir com cuidado, devagar… Ouvindo a nossa playlist que passamos dias escolhendo cada música dedo a dedo e comendo besteiras… E se você quiser não precisamos viajar às 12 horas seguidas… Podemos parar num hotel na Estrada ou sei lá… - Exclamou Lena completamente afoita e animada sendo calada por um beijo caloroso de Kara.

- Tudo bem… você tem razão, não vamos perder isso por nada... Eu te amo tanto… O que eu não faria por você? - Perguntou Kara vendo a namorada dar o sorriso mais lindo do mundo.

-------
 

Elas estavam na estrada e Kara dirigia tranquilamente o carro que havia ganhado de Eliza no aniversário. Velocidade correta, obedecendo direitinho as leis de trânsito.

Elas apreciavam o som tranquilamente e apenas aproveitavam a companhia uma da outra. Mas como nem tudo são rosas e nem perfeito, um maldito embriagado num caminhão tinha que cruzar o caminho delas naquele dia.

 

---+ flashback off.

 

14 dias. Alex estava afoita ao lado da cama da irmã que havia aberto os olhos pela primeira vez em 14 dias depois do acidente. Ansiosa, chamou o médico imediatamente que veio animado pela loira ter despertado.

Kara demorou alguns minutos para processar o que estava acontecendo ali. Olhou para os lados sem entender nada e só viu Alex com uma expressão chorosa.

- Graças a Deus você está bem - Exclamou Alex abraçando a irmã relativamente forte, já que ela choramingou sentindo um pouco de dor, pois estava com o corpo dolorido e cheio de machucados.

- O que está acontecendo? - Perguntou a loira confusa, tentando se recordar de algo arregalando os lindos olhos azuis que eu pensei que nunca mais fosse ver.

- Srta. Danvers, não faça muitos esforços… Vou chamar seus amigos e familiares que estão na ala de visita, certamente irá querer vê-los.- O médico exclamou saindo do quarto rapidamente como se estivesse fugindo de culpa de ter que explicar tudo o que havia acontecido.

Não queria ele ser quem iria dar as notícias a Kara.

Kara ainda continuou com uma expressão confusa e pareceu recobrar a memória aos poucos. Enquanto isso eu acariciava sua mão de leve e exalava felicidade por tê-la acordada.

 

Os amigos e familiares de Kara foram entrando um por um e Kara procurava atentamente com um olhar uma certa pessoa específica. Sua morena dos olhos verdes.

Como quem tivesse tido um choque de realidade, Kara se lembrou exatamente de tudo. O acidente. O caminhão. A batida. Sangue. Choro. O rosto de Lena e os sussurros dizendo que iria ficar tudo bem antes dela desmaiar no carro após a batida. Kara começou a ter um ataque de desespero  e Lena ao seu lado deixou uma lágrima cair por seu rosto.

- Lena… cadê a Lena? Eu quero vê-la… cadê minha namorada? - Kara perguntava desesperada tendo um ataque de pânico enquanto olhava para os lados em desespero.

Todos ali abaixaram a cabeça e alguns começaram a chorar em silêncio.

Eu me aproximei da cama de Kara e segurei em seu braço dizendo.

- Eu estou aqui meu amor, sempre estarei.

- Eu quero a minha Lena. - gritava Kara com lágrimas nos olhos.

- Mas eu estou aqui.

Eu estava apenas espiritualmente. Já que meu corpo morreu naquele acidente. Sim, eu estava morta. Lena Luthor estava morta.

 

Kara dirigia tão tranquilamente que não percebeu a tempo o caminhão que havia invadido a contramão e vinha perigosamente na direção do seu carro em alta velocidade. Quando percebeu já era tarde demais chocando com tudo seu carro no maldito caminhão. Quando Lena despertou após a batida viu Kara com um corte na testa, pois havia batido com tudo no volante do carro e vários outros pequenos ferimentos pelo corpo. Lena chacoalhou a loira desesperada.

- Kara… amor…. Não faz isso comigo... Acorda. - Dizia Lena chorando copiosamente tentando a todo custo acordar Kara.

Kara abriu os olhos com dificuldade sentindo sua visão pesar… Conseguia sentir os carinhos da namorada e sussurros: Vai ficar tudo bem, tenta se manter acordada, por favor… só até alguém vim nos ajudar.

Mas Kara não conseguiu e acabou desmaiando. Lena começou a chorar silenciosamente dentro do carro amassado, mas consegui notar que Kara não tinha ferimentos muitos graves. Mas já não podia dizer o mesmo de si. A dor que sentia era insuportável. Ousou olhar para o seu abdômen e as ferragens do carro haviam ultrapassado seu corpo e a quantidade de sangue ao seu redor eram dez vezes maior do que em Kara. Lena sabia que iria morrer. Talvez tivesse sobrevivido se a ambulância não tivesse sido tão lerda ao atender o chamado de emergência de um acidente gravíssimo na interestadual. Lena sentiu sua visão escurecer e uma luz esquisita invadi-la… Mas antes de se render, permitiu olhar para a loira e dizer:

- Eu sempre estarei com você… Eu te amo. - Disse Lena mesmo que Kara não pudesse ouvir porque estava desmaiada e deu seu último suspiro falecendo ali e se entregando a atraente luz da eternidade.

 

991 qual é a emergência?

Acidente fatal na interestadual… um carro se chocou brutalmente contra um caminhão… pelo amor de Deus, vocês precisam enviar ambulâncias urgentemente para cá.

 



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...