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História Supercorp - The Selection - Capítulo 12


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Notas do Autor


Boa leitura :)

Capítulo 12 - Capítulo 12.


A atmosfera de Krypton estava tranquila. Lena permaneceu imóvel por uns instantes, ouvindo o som da respiração de Kara. Estava cada vez mais difícil se encontrarem em um momento calmo e feliz de verdade. Lena aproveitou aquela situação ao máximo.

Desde que a Seleção conta com apenas seis pessoas, a princesa tinha estado mais ansiosa do que no começo, quando as trinta e cinco pessoas chegaram de uma vez. Kara pensava que teria mais tempo para fazer suas escolhas. E Lena reconhecia, que era por causa dela que Kara tinha esse desejo.

Princesa Kara, herdeira do trono de Krypton, gostava de Lena. Kara lhe disse isso na semana passada que se Lena lhe dissesse, sem nenhuma ressalva, que correspondia a esses a sentimentos na mesma intensidade, toda essa história de competição estaria acabada.

Lena imaginava como seria pertencer a Kara. Mas o problema para ela era que: Kara não a pertencia. havia mais outras cinco pessoas – com quem Kara saía e cochichava coisas – e, Lena não sabia o que pensar disso. E também havia o fato de que aceitar Kara significava aceitar a coroa, e Lena ainda pensava nas consequências de ter um Luthor na família Real...

Conforme Kara mexia a cabeça devagar, respirando sobre os cabelos de Lena, ela pensava: como seria se simplesmente amasse Kara?

- Eu realmente gosto de olhar as estrelas. Sabe o que eu descobri quando as vi por um telescópio certa vez?

Elas estavam deitadas sobre uma toalha no jardim. Lena se aconchegou mais para perto da princesa tentando se manter aquecida naquela noite fria.

- Não faço ideia.

- Que, quando vemos as estrelas mais de perto, percebemos que na verdade elas tem cores diferentes.

A princesa disse com bastante empolgação.

- A última vez que que eu olhei de verdade as estrelas foi quando eu estudei astronomia, e não notei isso

- Calma lá. A última vez que você olhou para as estrelas foi para estuda-las? E a diversão?

Lena riu

- Estudar é divertido Kara

- Tão divertido quanto as votações do orçamento e as reuniões do comitê de infraestrutura. Ah, e a definição das estratégias militares, no que, aliás, eu sou péssima.

- E no que mais você é péssima? - Lena perguntou, passando a mão nos cabelos dourados de Kara.

Seu carinho encorajou Kara a mudar de posição e fazer pequenos círculos em seu ombro.

- Por que quer saber isso? – perguntou fingindo irritação.

- Por que você parece ser perfeita em tudo. Seria bom ter uma prova do contrário.

Kara se apoiou sobre um cotovelo e fixou os olhos no rosto de Lena

- Você sabe que não sou.

- Mas está quase lá – Lena respondeu

Seus corpos se tocavam de leve. Joelhos, braços dedos.

Kara balançou a cabeça com um sorriso nos lábios.

- Ok, ok. Não consigo planejar guerras. Sou péssima nisso. E acho que também não sou boa no xadrez...

- Mas você nem tentou

- Eu mal aprendi as regras – Kara disse sorrindo

Lena achou graça se lembrando do dia que ensinara Kara sobre o jogo

- Mais - Lena pediu - No que mais você é ruim?

Kara a abraçou forte, e um segredo brilhou em seus olhos azuis.

- Descobri uma coisa recentemente...

- Conte.

- Descobri que sou um completo fracasso em ficar longe de você. Um problema muito grave.

Lena sorriu

- Você já tentou?

Kara fingiu pensar.

- Bem, não. E não espere que eu vá começar.

Ambas riram baixo, abraçadas. Nesses momentos Lena conseguia facilmente se imaginar assim pelo resto da vida.

O farfalhar das folhas e da grama anunciava a chegada de alguém. Então elas se sentaram para ver quem se aproximava. O guarda contornou a cerca para chegar até elas.

- Alteza - disse, inclinando a cabeça. – Perdão pela intromissão, mas é imprudente permanecer do lado de fora por muito tempo a essa hora da noite. Os rebeldes podem...

- Entendi - Kara concordou com um suspiro. – Já vamos entrar

O guarda saiu, e Kara se virou para Lena

- Outro defeito meu: estou perdendo a paciência com os rebeldes. Estou cansada de lidar com eles.

Kara se levantou e ofereceu a mão para Lena. Lena a segurou e reparou na frustação em seus olhos. Ela compreendia o cansaço da princesa.

Kara recolheu a toalha e começou a sacudi-la. Era claro que não estava feliz com o fim antecipado da noite

- Ei – Lena disse, fazendo-a olhar em seus olhos – Eu me diverti.

Kara concordou com a cabeça.

- É sério – continuou Lena se aproximando. Kara segurou a toalha com uma das mãos e passou o braço livre em volta da cintura de Lena. – Devíamos fazer isso outras vezes. Você podia me dizer quais são as cores de cada estrela, eu realmente não consigo ver diferença de uma para a outra

Kara sorriu triste.

- Gostaria que as coisas fossem mais fáceis as vezes. Normais.

Lena se virou para ela e a abraçou. Kara soltou a toalha e retribuiu o gesto.

- Odeio ter que te revelar isso, Alteza, mas mesmo sem os guardas você está longe de ser normal.

A expressão da princesa ficou mais relaxada

- Você ia gostar mais de mim se eu fosse normal – a princesa falou fazendo biquinho

Lena riu, pois ela ficava extremante fofa

- Sei que é difícil para você acreditar, mas eu realmente gosto de você do jeito que você é. Só preciso de mais...

- Tempo. Eu sei. Vou dar o tempo necessário para você. Só gostaria de ter certeza de que você vai mesmo querer estar ao meu lado quando esse tempo acabar...

Lena desviou o olhar, ela não podia prometer isso a Kara, não até ter certeza absoluta, não poderia nunca partir seu coração. Nesse momento, por exemplo, ela estava tentada a prometer a Kara que ficaria a seu lado no final.

Mas Lena não podia.

- Kara – ela sussurrou, após notar que a princesa estava se sentindo rejeitada por Lena não ter respondido. – Não posso dizer isso. Mas o que posso dizer é que quero estar com você. Quero saber se há possibilidade de existir um...

- Nós? – Kara sugeriu antes mesmo de Lena terminar a frase

Lena sorriu, feliz por ver como tinha sido fácil para a princesa a entender.

- Sim - Lena prosseguiu - Quero saber se há a possibilidade de existir um "nós"

Kara ajeitou os cabelos da morena para trás de seus ombros.

- Acho que as chances são bem altas – a princesa afirmou

- Também penso. Só tempo..., tudo bem?

Kara fez que sim com a cabeça. Parecia mais feliz. E era assim que ambas queriam terminar a noite, com esperança. Bem, talvez com algo mais. Kara mordeu os lábios e se virou para Lena com olhos desejosos.

Sem hesitar nem um segundo, Lena se levantou nas pontas dos pés e beijou a princesa, que se inclinou na intenção de aprofundar o beijo. No entanto, foi um beijo terno e suave, que deixou Lena com a sensação de ser adorada, e Kara com vontade de outro. A princesa poderia ficar ali por horas, mas Lena recuou cedo demais.

- Vamos - disse Lena em tom de brincadeira, enquanto puxava Kara para o palácio. – Melhor entrar antes de os guardas virem atrás de nós com cavalos e lanças.


________________



- Não, Não – respondeu a rainha Alura, rindo – Tive apenas duas madrinhas apesar de a mãe de Zor-El ter sugerido que eu tivesse mais. Só queria minha irmã e minha melhor amiga, que, por acaso, eu conheci na Seleção.

Samantha esticou o pescoço para olhar para Lena e ficou feliz de ver que ela também a olhava. Antes de chegar de chegar ao palácio, Lena acreditava que em uma competição com um prêmio tão grande não haveria como alguém ser simpático, ainda mais dado seu sobrenome. Mas Sam a acolheu logo que se conheceram. Desde então, elas têm estado juntas. Nunca brigaram, a não ser aquelas pequenas discussões.

Umas semanas atrás, Sam comentou que talvez não quisesse ficar com Kara. Quando Lena a pressionou para explicar melhor, Sam se fechou totalmente. Não estava brava com Lena - Lena sabia disso – mas aqueles dias de silêncio a deixaram bem solitária.

- Quero ter sete madrinhas – disse Eve – quer dizer se Kara me escolher e tiver um supercasamento.

- Bom, eu não quero ter um padrinho – replicou Monel – quero todos os olhares voltados para mim.

- Eu gostaria de incorporar algumas tradições da minha família no casamento. – Acrescentou Nia, - o noivo precisa levar presentes para os amigos da noiva como agradecimento por deixarem-na se casar com ele.

- Me lembre de ir no seu casamento! – Soltou James

- Eu também! – exclamou Samantha

- Senhorita Lena, você está tão calada – disse a rainha Alura. O que deseja para o seu casamento?

Lena estava completamente despreparada para responder, suas bochechas coraram.

Ela nunca tinha imaginando nenhum tipo de casamento em toda sua vida, ela nunca pensou que fosse casar.

- Eu nunca pensei muito sobre a ideia de casamento. Mas acho que gostaria de algo mais íntimo, apenas com as pessoas realmente importantes pra mim.

- Que sem graça! - replicou Monel

Lena não se chateou com o comentário, apenas deu de ombros.

- Que bonito – comentou Nia enquanto bebia chá e olhava pela janela.

- Também achei – a rainha concordou com Nia

Logo depois de um tempo, o assunto do casamento morreu, e a rainha os deixou para ir trabalhar nem seu quarto. Monel estacionou em frente ao televisor enorme e os outros começaram a jogar cartas

- Foi divertido – disse Sam, enquanto ela e Lena se sentavam à mesa – Acho que nunca tinha visto a rainha falar tanto.

- Parece que ela está começando a se empolgar – Lena disse

- Ok. Você realmente não tem nenhum plano para seu casamento ou apenas não queria revelar?

- Não tenho mesmo – Lena assegurou – Eu mal cogitava a ideia de casamento. Talvez um casamento arranjado por Lilian, em que ela fizesse questão de tomar conta de tudo...

- Entendi. Chega de estresse, não precisa se preocupar com isso ainda.

A conversa de ambas foi interrompida com o grito de Monel

- Vai! - berrou, batendo o controle remoto no sofá antes de aponta-lo para a TV de novo – Argh!

- Parece que Siobhan reencarnou... – Lena cochichou com Samantha. Ambas observaram Monel bater no controle remoto de novo e de novo até desistir e mudar de canal manualmente.

- Acho que é estresse – Sam comentou – Você notou como Nia ficou mais distante depois da saída dos outros?

Lena fez que sim com a cabeça, e ambas olharam para os três jogando cartas. James sorria ao embaralhar as cartas, enquanto Nia examinava as pontas de seu cabelo. Ela tinha um ar distraído.

- Acho que todos nós estamos sentindo isso – confessou Lena – Ficou muito mais difícil relaxar e curtir o palácio agora que o grupo é tão pequeno.

Monel resmungou algo, e as garotas se viraram para olhá-lo, mas logo voltaram á posição inicial quando ele as pegou espiando.

- Acho que vou ao banheiro – disse Sam, mudando de lugar

- Pensei a mesma coisa. Vamos Juntas? – Lena propôs

Com um sorriso Sam balançou a cabeça para negar.

- Vai na Frente. Vou terminar o chá primeiro.

- Tudo bem. Já volto.

Lena saiu do salão dos selecionados, caminhando devagar pelo corredor magnifico. Estava tão distraída que, ao dobrar uma esquina, trombou com uma guarda.

- Ops! – exclamou

- Perdão, senhorita Luthor. Espero não ter te assustado.

Ela segurou Lena pelos cotovelos para que recuperasse o equilíbrio.

- Não – afirmou – Está tudo bem. Eu devia olhar melhor por onde ando. Obrigada por me segurar, soldada...

- Danvers - completou, fazendo uma breve reverência com a cabeça

Lena percebeu que era a mesma pessoa mulher de cabelos vermelhos e curtos que ela vira no Jornal Oficial oficial, e suspeitou que fosse a irmã que Kara tanto falava.

- Espero que dá próxima vez que nos trombarmos seja apenas no sentido figurado. – Lena brincou arqueando a sobrancelha

- Positivo. Tenha um bom dia. – Alex respondeu com um aceno

- Você também.

Lena voltou e contou a Sam sobre sua trombada vergonhosa com a soldada Danvers. E avisou a ela para olhar por onde anda. Sam soltou uma gargalhada.

Ambas passaram o resto da tarde sentadas perto das janelas, conversando sobre suas casas e os outros selecionados e bebendo chá sob a luz do sol.

Cedo ou tarde a Seleção chegaria ao fim, e embora Lena soubesse que ela e Sam continuariam próximas, sentiria falta de conversar com ela todos os dias. Sam foi a primeira amiga de verdade que Lena fizera e Lena gostaria de tê-la sempre ao seu lado.

Enquanto Lena tentava curtir aquele momento, Sam olhava pela janela com um ar sonhador. Lena tentou imaginar no que ela estaria pensando, mas estava tudo tão sereno que ela não quis perguntar.


______________



As portas da sacada de Kara estavam abertas, assim como a porta que dava para o corredor de modo que seu quarto se enchia da brisa que vinha dos jardins. Kara queria que aquele vento suave fosse um consolo para o monte de trabalho que ela tinha que fazer, mas em vez disso, ele foi uma distração, porque a deixou louca de vontade de estar em qualquer outro lugar que não fosse na frente da escrivaninha.

Kara suspirou e se largou na cadeira, jogando a cabeça para trás.

- Lyra – chamou

- Sim, Alteza? - Respondeu a criada que costurava no canto do quarto.

- Ordeno que descubra uma forma de eu me livrar desse relatório – Disse Kara estendendo preguiçosamente o braço na direção daquelas estatísticas militares sobre a mesa.

A criada riu, tanto por causa da ordem ridícula quanto pela careta que Kara fazia enquanto ordenava.

- Sinto muito Alteza, mas acho que isso ultrapassa meus limites – respondeu Lyra

- O.k. – Kara lamentou, endireitando-se – Terei mesmo que fazer isso sozinha. Vocês são um bando de inúteis. Amanhã pedirei novas criadas. Desta vez é sério.

Tanto Lyra quanto Leslie caíram na gargalhada mais uma vez, e Kara voltou a focar nos números. Ela realmente odiava planejar guerras.

- Alteza? – Leslie chamou atraindo a atenção de Kara

- Sim?

- Por que não pede ajuda a Senhorita Luthor? – A criada disse com um pouco de malícia na voz, e a expressão de Kara mudou totalmente.

- Excelente ideia! – disse se levantando da cadeira e saindo do quarto, tomando cuidado para não correr.

Ao chegar em frente ao quarto de Lena, deu três batidas na porta. Logo a morena abriu com um sorriso no rosto e uma sobrancelha arqueada.

- Deixe me adivinhar... Problemas matemáticos?

- Sim. Espere como? Como adivinhou?

Lena se aproximou retirando uma caneta que estava de trás da orelha da princesa e mostrou a ela

- Acho que apenas li seus pensamentos...

Kara sorriu.

- Podemos ir lá fora, por favor. – Kara disse fazendo biquinho

Lena fechou a porta e a concordou com a cabeça, Kara logo a arrastou pelo corredor indo em direção aos jardins.

Não havia como negar que os jardins tinham se tornado o cantinho delas. Elas iam para lá quase sempre que podiam estar a sós; Kara adorava o ar livre, e Lena adorava a forma como o sol refletia na pele de Kara.

- O que é isso? – Lena perguntou notando a pequena cicatriz sobre a sombracelha de Kara.

- Bem, eu ganhei isso uma vez quando subi num muro para cantar.

- Nunca tinha reparado nisso.

- Te incomoda?

Lena parou e se levantou na ponta dos pés para beijar a pequena cicatriz da princesa.

- Pelo contrário. Acho bonito.

As bochechas de Kara coraram.

- Eu já pesquisei muito sobre várias coisas no mundo. E tenho a disposição a resposta para milhares de perguntas. Mas essa cicatriz? – Lena olhou fundo nos olhos de Kara - Ela é um lembrete de que você sabe cantar lindamente, e aquela voz, eu nunca acharia uma resposta que pudesse explicar quão perfeita ela é. As vezes eu  até penso que a visão de você cantando foi apenas um sonho. Mas com essa marquinha aqui, tenho a prova de que foi real.

Kara corou ao ouvir final da sentença, e Lena também. Havia momentos em que Lena falava de uma maneira impressionante, romântica demais para acreditar. E Kara sempre guardava essas palavras em seu coração, como forma de ter o mínimo de certeza que o que existia entre elas era real.

- Você tem respostas para milhares de perguntas mesmo?

- Com certeza. Me pergunte sobre qualquer coisa. Se eu não souber a resposta não descansarei até encontrar.

- Qualquer coisa?

- Qualquer coisa.

Kara pensava no que poderia perguntar a Lena para deixá-la pasma, que no caso era sua intenção. Pensou em várias coisas científicas, por exemplo como era possível que os aviões voassem, mas Lena com certeza saberia responder a isso...

E então lhe veio uma luz:

- O que é “Halloween” – perguntou

- Halloween?

Lena claramente nunca tinha ouvido falar sobre isso. Kara não ficou surpresa, poucas pessoas tinham acesso a aquela informação.

- Você realmente me pegou de surpresa agora...

- Felizmente, pra sua informação eu acho que tenho a resposta para isso – Kara provocou

- Certo, me diga então Vossa Esperteza Real.

Kara fingiu fazer uma cara feia, e checou as horas.

- Venha. Temos que nos apressar – disse a princesa antes de agarrar o braço de Lena e começar a correr.

Lena tropeçou um pouco nos saltinhos do sapato, mas não fez feio e manteve a passada enquanto Kara a levava de volta ao palácio com um sorriso de orelha a orelha. E Lena adorava a visão.

- Cavalheiros – saudou ao passarem pela porta onde estavam os guardas.

Lena conseguiu chegar até metade da sala, e então seus sapatos a venceram.

- Kara, Pare! – arfou – Eu não aguento mais!

- Vamos, vamos! Você vai adorar – a princesa replicou e puxou o braço da morena enquanto essa diminuía o ritmo.

Kara acabou desacelerando um pouco para acompanhar Lena, mas era claro que estava louca para ir mais rápido.

Seguiram em direção ao corredor norte, próximo da área onde filmavam o Jornal Oficial, mas se embrenharam por uma escada antes de chegarem ate lá. Subiram e subiram, e Lena já não conseguia conter a curiosidade.

- Aonde vamos exatamente?

Kara encarou Lena, seu rosto ficou sério de repente.

- Você precisa jurar que nunca vai mostrar esse quartinho a ninguém. Apenas alguns membros da família e um punhado de guardas sabem que ele existe.

Lena estava mais do que intrigada.

- Juro.

Chegaram ao topo da escadaria. Kara abriu a porta para Lena, pegou sua mão e a conduziu pelo corredor até pararem em frente a uma parede quase totalmente coberta com pinturas magníficas. A princesa olhou para trás, para se certificar de que ninguém estava lá. Em seguida, passou a mão pela moldura do último quadro. Ressoou um clique e o quadro se abriu diante de seus olhos.

O queixo de Lena caiu. Kara sorria.

Por trás da pintura havia uma porta um pouco acima do nível do chão que possuía um pequeno teclado numérico, como o de um telefone. Kara digitou uns números e ambas ouviram um leve bip. A princesa girou a maçaneta e olhou para Lena.

- Vou te ajudar. O degrau é bem alto.

A princesa deu a mão para Lena e fez um gesto para que ela entrasse primeiro.

Lena ficou chocada.

A sala sem janelas estava repleta de estantes carregadas com livros antigos. Duas delas continham livros com fita uma fita vermelha na lombada. Havia também um atlas gigantesco recostado contra uma das paredes, aberto em uma página com o desenho de um país cujo o nome Lena não reconheceu. Sobre uma mesa no meio da sala, havia um punhado de livros que pareciam ter sido manuseados fazia pouco tempo e que ali permaneciam para facilitar uma consulta rápida. Por fim, uma tela grande estava embutida na parede.

- O que significa as fitas vermelhas?

- São os livros proibidos. Únicas cópias remanescentes em Krypton.

Lena se virou para ela, indagando com os olhos o que ela não tinha coragem de pedir em voz alta.

- Sim, você pode olhá-los – falou Kara com uma expressão de quem esperava por esse pedido.

Lena puxou com cuidado um dos livros com medo de que pudesse o destruir. Folheou as páginas, mas se afastou quase na mesma hora. Estava simplesmente impressionada demais.

Lena deu meia volta e se deparou com Kara conversando com o computador.

- Quelex? – Lena perguntou ao ouvir o nome sair da boca de Kara

- Esse é o nome dele, é um tipo de inteligência artificial, criado especialmente para nos dar todas as informações contidas nessa sala.

Poucos segundos depois, a tela respondeu apresentando três tópicos.

- Ah, ótimo! – exclamou Kara – Espere bem aqui.

Lena permaneceu ao lado da mesa enquanto Kara pegava os três livros que revelariam o que era Halloween. Lena estava curiosa, e esperava que não fosse uma coisa idiota.

O primeiro livro definia Halloween como uma festa celta para marcar o fim do verão. O livro dizia que eles acreditavam que os espíritos entravam e saiam do mundo no Halloween, e as pessoas usavam máscaras para afastar os espíritos maus. Mais tarde, ele teria se transformado num feriado laico, mais voltado para as crianças. Elas vestiam fantasias e circulavam pela cidade cantando a fim de ganhar doces. Dai surgiu a frase “gostosuras e travessuras”, já que se não ganhassem gostosuras pregariam uma peça no dono da casa.

A definição do segundo livro era similar, só que mencionava abóboras e cristianismo.

- Este vai ser o mais interessante – afirmou Kara folheando o livro manuscrito muito mais fino que os outros.

- E por quê? - Perguntou Lena enquanto mudava de lado para ver melhor.

- Este é um dos volumes do diário pessoal de Sur-El, meu ascendente mais antigo.

- Posso vê-lo?

- Me deixe encontrar a página que buscamos antes. Veja, tem até uma foto!

Ali, como uma aparição, uma imagem de um passado desconhecido por Lena mostrava um homem, provavelmente o próprio Sur-El com uma expressão serena, mas com ar imponente em um paletó engomado. Ao seu lado, uma mulher sorria para câmera.

Ao redor do casal havia três pessoas. A primeira era uma adolescente, linda e vibrante, com um sorriso rasgado, uma coroa e um vestido de pregas. As outras duas pessoas eram garotos, o primeiro um pouco mais alto que o segundo e ambos fantasiados de personagens. Pareciam a ponto de aprontar alguma coisa. Sob a imagem, havia um registro que saíra do próprio punho de Sur-EL.

"Na expectativa de trazer um pouco de esperança em tempos difíceis, trouxe um feriado extraordinário para que as crianças pudessem se distrair" 

- Por isso não o comemoramos. – Lena disse para Kara

- Sim, o halloween não faz parte da nossa cultura, da cultura Kriptoniana. E faz sentido, já que a cultura é tão importante para nós, embora essa festa pareça um tanto quanto divertida. Sur-El honrou nosso sobrenome ao levar esperança a seus filhos.

- Uau. Quantos diários como esse ainda existem?

Kara apontou para uma prateleira com uma fileira de cadernos parecidos com que elas tinham em mãos.

- Mais ou menos uma dúzia. Ainda temos os livros mais antigos que contam a história antes da monarquia. Antes de Sur-el.

Lena estava impressionada, isso poderia ser considerado como um acervo de livros secretos.

- Obrigada – Lena disse – não dá pra acreditar que tudo isso é real.

Kara estava radiante.

- Você disse que queria conhecer todo nosso acervo... – ela disse sorrindo – Gostaria de ler o resto? – Kara perguntou olhando para o diário.

- Sim, claro! – Lena ficou muito feliz, mas se lembrou que Jonh tinha passado deveres para toda a elite em espécie de relatórios. - Mas não posso ficar aqui. Preciso terminar um relatório. E você precisa voltar ao trabalho.

- Verdade. – Kara disse se lembrando do terrível relatório que a aguardava na escrivaninha, e do fato de ter esquecido totalmente de pedir ajuda para Lena. – Bem, e que tal isto? Você pode levar o livro e ficar com ele por uns dias.

- Tenho autorização para fazer isso? - Lena perguntou maravilhada.

- Não – Kara replicou com um sorriso.

Lena hesitou, com medo do que tinha em mãos. E se o perdesse? E se o estragasse? Com certeza Kara pensava o mesmo. Mas Lena nunca teria outra chance como essa. E ela poderia ser cuidadosa o bastante.

- Tudo bem. Apenas por uma ou duas noites. Depois devolvo direitinho.

- Esconda bem.

Foi o que Lena fez. Aquilo era mais que um livro; era a confiança de Kara. Lena o escondeu em um cofre que ela tinha trago da sua casa para guardar suas joias. Jess nunca limpava aquele cofre. As únicas mãos a tocar o diário seriam as de Lena.


Notas Finais


Que fantasia vocês acham que Lena e Kara usariam em uma festa de Halloween?


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