1. Spirit Fanfics >
  2. Supercorp: New School, New Love >
  3. Capítulo 23 - Ser forte é uma droga

História Supercorp: New School, New Love - Capítulo 24


Escrita por:


Capítulo 24 - Capítulo 23 - Ser forte é uma droga


Lena’s POV

As coisas teriam ficado sob o meu controle se a capitã do time de futebol, Imra, não tivesse entrado na sala de aula como quem acaba de fugir de um incêndio imperioso. A menina jogou a mochila na carteira esquerda ao lado de Kara, girou a cadeira a sua frente para apoiar o peito no encosto e disse, em voz alta:

-Meu Deus, eu fiquei preocupada! – puta que pariu. Que intimidade é essa? – Fui à sua casa e sua irmã me disse que estava com uma gripe insanaaa. Melhorou?

Kara limpou a garganta, deu um sorrisinho fraco e disse:

-Sim, bem melhor. – sua voz saiu baixinha.

-Eu peguei a matéria pra você. – pegou o caderno com pressa, abrindo-o. Nia Nal, do outro lado da sala, virou os olhos.

-Obrigada. – Kara fez um aceno com a cabeça.

-Srta. Ardeen, pode se sentar no seu lugar? – murmurei, ríspida. Assim que o fitei, Kara desviou os olhos, obrigando-se a fixar o caderno.

-Claro, foi mal. – sentou-se ao lado de Kara.

Eu tentei dar a minha aula da maneira mais impassível que conseguisse, mas a simples presença dela afetava toda a minha concentração. Eu me sentia uma aberração na minha própria sala de aula, pelo simples fato de tê-la ali. Fiquei a maior parte do tempo olhando para o quadro branco e apontando coisas em meus slides para evitar qualquer tipo de contato, mas quando me permiti fita-la por alguns segundos, senti o coração apertar e as lágrimas, automaticamente, tomaram os meus olhos.

Não me pergunte como, mas ela percebeu. Digo isso porque inalou o ar de forma profunda, murmurou alguma coisa bem baixinho para o Winn e, erguendo a mão, perguntou:

-Posso ir ao banheiro, por favor?

-Vá. – o tom autoritário novamente me salvou, camuflando toda a enxurrada de sentimentos que estavam em mim.

Kara deixou o ambiente com pressa, sem preocupações em levantar qualquer tipo de questionamento por parte dos alunos.

Kara’s POV

Ser forte é uma droga. Eu queria ser uma menininha de 6 anos que pode correr para o colo da mãe após um ralado feio de uma queda de patinete e ganhar um pirulito. Não a mulher de 17 que tem que lutar contra o mundo para poder ficar ao lado da pessoa que ama. É frustrante. Não consigo sequer encontrar palavras para descrever o que sinto. Só... não sou o bastante pra ela. E isso dói.

Saí correndo da sala quando ouvi as batidas do coração de Lena acelerando ao me fitar. Eu impedi qualquer tipo de contato, porque não queria causa-la ainda mais desconforto, mas parece ter sido em vão. Sei que ela simplesmente adora o quanto as pessoas a temem na escola, então acho que o mínimo que poderia fazer é evitar que eu estrague isso pra ela também.

Tranquei-me na cabine apertada do banheiro e comecei a chorar sem parar, deixando o meu desespero a mostra. Alguns minutos depois, Nia Nal, a estagiária de Cat Grant, bateu a porta delicadamente e disse:

-Kara, quer conversar? – mantinha o tom de voz doce. – Eu posso buscar uma água pra você.

-Não precisa. – falei respirando fundo.

-Eu sei que é por causa da Luthor. – diminuiu o tom de voz. – E-eu vi que ela ficou estranha quando olhou pra você e vi que deu uma resposta ríspida pra quando o Winn perguntou de você e...

Abri a porta, de modo que a menina gentilmente puxou-me para si, abraçando-me.

-Não precisa me explicar, mas posso ser a amiga que te dá um abraço. – voltou a dizer.

-Eu nem sei o que dizer. – minhas lágrimas começaram a inundar sua blusa.

-Tudo bem. Você não precisa dizer nada. – suspirou, acariciando suas costas. – Eu entendo.

(...)

Nia me convenceu a ir com ela tomar um sorvete depois do colégio. Disse que só muita gordura hidrogenada me faria me sentir melhor e começou a conversar sobre tanta coisa que quase não consegui acompanhar. Agora, no tópico “estágio”, explicitava suas tarefas e afazeres.

-A Srta. Grant é bem rígida, mas eu amo. Quero ser repórter quando me formar, então... É uma experiência incrível.

-Não é a toa que é a rainha da mídia, né? – ri, lambendo o sorvete.

-E você, não sente falta de escrever? – questionou. Por essa eu não esperava. Acho que minha feição disse tudo, porque Nia continuou. – Desculpe, o pessoal no colégio fala muito...

-Na verdade eu sinto. – informei, sorrindo. – Mas o jornal do colégio está repleto de pessoas que não quero lidar.

-Aquela Rebekah é um nojo mesmo. – riu, concordando. Nia é uma garota legal. Tem o seu próprio estilo e não dá a mínima pro que as outras pessoas acham dela, o que a faz ter um comportamento muito espontâneo. – A Srta. Grant queria que você fosse trabalhar pra ela, sabia?

-Isso era coisa do filho dela. – gesticulei, bancando a sonsa. – Ele tinha esse comportamento estranho comigo...

-Queria te pegar, Kara. Sempre o achei estranho, sabia? É uma pena que tenha essa síndrome de macho egocêntrico. A reabilitação deve estar complicada! – falou, rindo, como se fosse óbvio pra todo mundo. – Mas... a Luthor definitivamente faz o seu estilo.

-Falando nisso... Como soube sobre nós? – não pude conter minha surpresa.

-Eu vou ser uma repórter, Kara. – olhou-me nos olhos. – Preciso estar atenta às coisas que me cercam. Aliás, qual é a da relação de vocês?

-Como assim? – arqueei as sobrancelhas. Ouch, que pergunta difícil.

-Hummmmm... – colocou a mão sobre o queixo. – Nem você sabe me responder, não é?

-Posso dizer que as coisas saíram do controle pela minha parte. – sentia-me confortável conversando com ela. – Quer dizer, era pra ser algo casual, mas...

Fiquei em silêncio, o que fez Nia fazer uma careta.

-Você está apaixonada! – completou. – É mesmo uma droga.

-O problema é que percebi isso tarde demais...

Lena’s POV

Três semanas se passaram desde a minha decepção com Kara. Nós estamos nos evitando a qualquer custo, o que tem ajudado a manter a máxima sanidade mental possível. O trabalho na L-Corp parecia desinteressante e nada que fizesse era o suficiente. Estou com enxaqueca há dias e simplesmente não consigo curá-la. Minhas ações tem sido automáticas e sem importância.

Na sexta-feira, quando Eve entrou em minha sala, com uma caixa de madeira e um cadeado em sua superfície, senti a primeira emoção diversa de tristeza na semana. Estava curiosa.

-É da sua mãe. – minha secretária murmurou. – Precisa de mais alguma coisa?

-Não, Eve, obrigada. – a loira fechou a porta, deixando-me sozinha.

Respirei fundo, pensando se aquele era o momento correto para abrir a caixa. Quer dizer, nós nunca sabemos o que esperar de Lilian, certo? Abri uma garrafa de whisky, enchi o copo sem delongas e tomei a dose de uma só vez, sentindo-me melhor preparada para encarar o objeto. Ao colocar o dedo no cadeado, com um leitor digital ultra tecnológico, se abriu. Do lado direito da caixa, havia uma carta de envelope branca e uma caixinha.

Peguei o envelope branco em mãos, rolei os olhos pela folha. Era a letra perfeita e inconfundível de Lilian.

Olá, filha.

Se estiver lendo isso, tenha ciência de que as coisas estão piores do que pensei. Deixei a cargo de seu irmão entregar-lhe isso no momento em que achasse correto, porque talvez eu não estivesse em condições para tal depois dos experimentos que fiquei de fazer com ele. Parece que, infelizmente, o momento chegou.

Você e eu sempre tivemos uma relação difícil. Eu, sempre autoritária e querendo sua dedicação extrema, não soube dar o amor que merecia. Você, sem entender que eu realmente te amava, rebelou-se apenas para me provar que era autossuficiente e não precisava de mim para nada.

De fato, não precisa mesmo, Lena, e isso me enche de orgulho. Sei que acha que ser um Luthor é um fardo, mas, se eu pudesse destacar, você é a melhor Luthor que criamos.

 Bem, vamos ao que interessa. Sei que você não quer me ver de novo. Sei que tem a concepção de que eu só questiono as suas escolhas e que nada que você faz é o suficiente. A verdade é que, depois de muito me contestar, acho que você acertou dessa vez.

Fato é que você perdeu a fé na integridade das pessoas após Lex e eu começarmos a caça as bruxas. Eu entendo.  Você acha que seu irmão e eu perdemos as coisas boas que tínhamos dentro de nós, mas não vê que fizemos tudo o que fizemos por amor. Nem quero justificar o nosso mérito por aqui, mas quero que tente, ao menos, olhar pelos nossos olhos.

Sei que tentei obriga-la a ver o mundo do jeito que eu e Lex víamos, mas notei, recentemente, que você não era feliz rodeada desse mundo sobrenatural desgastante.

Não era.

Até agora.

Quer dizer, Kara Danvers é a Supergirl e eu espero que você saiba disso nesse ponto. A história dela se assemelha a do primo, mas, como mulher, é extremamente mais evoluída que ele. As características da criação não negam o berço, no entanto, as diferenças são visíveis. Seu pai me fez notar que ela realmente se importa e foi uma ideia totalmente nova pra mim. Não faz parte da nossa história um Super amando um Luthor, certo? Eu até achei que era uma brincadeira de mau gosto.

Com o choque, pensei a respeito e percebi que, talvez, você fosse o elo que essa família precisava. Não parecem palavras minhas, mas a verdade é que estamos em uma guerra incessante há anos. Seu irmão está exausto. Eu também. Quem sabe você e Kara não precisavam se encontrar para que, finalmente, houvesse paz?

Não que eu seja a favor desses imundos aqui, mas... Depois de tanto, eu respeito a sua opinião. E respeito os seus sentimentos. Se disser que a menina vale a pena, é porque vale mesmo e vou ser a primeira a não questionar. Pode jogar as minhas armas de kryptonita fora, Le.

Seu irmão tem tomado conta de você. Não vai gostar do que vou dizer, mas tem lacaios espalhados pela L-Corp porque ainda preza pelo seu bem-estar. As coisas entre vocês também não são das melhores hoje, mas em um momento difícil como esse, vá vê-lo, por favor. Ele ainda ama você. Você ainda é a bebezinha dele.

Espero que isso não seja um adeus, mas se for... Eu amo você, Lena. Espero que no fim do dia realmente acredite nisso. Na caixinha, está o anel que Lex roubou da nave em que Kal-El veio. Ninguém sabe da existência dele, mas acho que sua nova namorada gostaria mesmo de tê-lo.

Com amor,

Lilian Luthor.”

Deixei com que minhas costas tocassem toda a superfície da cadeira, sem ter qualquer tipo de reação. Sentia o peito pesaroso, os olhos repletos de lágrimas, mas não sabia o que de fato estava sentindo. Depositei meu rosto sobre as mãos, sentindo-me total e completamente perdida e as lágrimas inundaram minhas palmas.  Só parei de chorar quando tocaram meu ombro direito.

-É um momento ruim? – Kara, vestindo o uniforme de heroína, tinha os olhos brilhantes me fitando. Suas palavras, delicadas e cuidadosas, demonstravam que não sabia lidar com a situação. – E-eu queria conversar com você, mas posso voltar outra hora e...

 


Notas Finais


Nem demorei porque quis trazer um pouquinho de entretenimento em meio a esse CAOS que a gente tá vivendo

Obrigada pela leitura, espero que gostem e aguardo comentáriosssssss. O que vc quer que aconteça?


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...