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História Supérfluo - Capítulo 3


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Capítulo 3 - Jeon Jungkook


As pessoas não sabem lidar com o diferente, porque não estão acostumadas com o diferente e acabam se sentindo ameaçadas por ele.


E lá vou eu cobrir a vaga do otário do Lee pela milésima vez. Não entendo porque nunca colocam um dos garçons pra isso, não é como se o restaurante vivesse lotado, ou como se eles não tivessem dinheiro o suficiente para isso. Depois de me trocar rapidamente (colocando o uniforme de garçom e prendendo a plaquinha com meu nome, no bolso da minha camiseta), pego o tablet e respiro profundamente, indo em direção à única mesa que eu não queria de forma alguma atender.

-Peço desculpas em nome do garçom que iria servi-los e do restaurante, pois ocorreram problemas e o mesmo teve que se ausentar. -Explico, parando ao lado da mesa deles e me apresentando. -Eu, Jeon Jungkook, irei servi-los nesta noite.

Eles confirmam em um gesto de cabeça, indicando para eu prosseguir, e aproveito a deixa para entregar o cardápio para cada um. A filha do dono observa o cardápio atentamente e uma breve olhada para seu acompanhante, me faz perceber que o mesmo não está olhando o cardápio e sim, me encarando. Ele não vai pedir nada? Ou será que há algo de errado comigo? Ah por favor, que ele não seja mais um daqueles clientes chatos, que implica com um grãozinho de poeira.

-Eu vou querer a escolha do chefe. -Ela diz me entregando o cardápio e com um lindo sorriso no rosto. -E você, Jung?

Quando termino de anotar o pedido dela, volto meu olhar para o homem (com uma beleza muito atraente) e ele só fala o que vai querer, quando percebe que minha atenção está toda em si.

-Bem, qual prato é o seu favorito? -Sua pergunta (junta com seu sorriso presunçoso) me pegam totalmente desprevenido.

Penso um pouco antes de responder, por sorte, nós (que trabalhamos aqui) podemos experimentar quais pratos quisermos, sem precisar pagar nada e sem ter nosso salário descontado. E como não sou nada bobo, eu provei todos os pratos, desde os mais baratos até os mais caros. Gostei de todos, obviamente, mas tem um...que eu daria de tudo só para comer novamente; a propósito, talvez eu peça para a chef deixar ele preparado para mim, para eu comer mais tarde.

-Sem dúvidas o ravióli de molho branco, recheado com camarão. -Respondo, apontando para o prato no cardápio. Um dos pratos mais baratos que há no restaurante e o melhor. -Além de agradar o estomago, ele possuí uma história muito bonita.

-E qual seria? -O homem sentado à minha frente questiona, com uma voz calma e um pouco rouca (o que não ajuda e nada minha imaginação). -Se puder compartilhar, sou um grande admirador de histórias.

O rosto dele me é familiar, percebo isso agora em que posso parar pra prestar atenção, bem, ele deve ser alguém rico, pois está com a Lana. De qualquer forma, amanhã basta entrar no Twitter para saber quem é este moço (bonito). Deve ser difícil a vida de pessoas famosas, não em questão de dinheiro, obviamente, mas em questão de privacidade; não deve ser legal ter sua privacidade, seu espacinho pessoal, invadido a todo momento e lugar; é, acho que é melhor continuar no anonimato mesmo.

-Bem, a chefe Kim costuma preparar esse prato com um pouquinho de mais amor, que os outros. -Respondo baixinho, para ninguém ouvir, até porque é um grande segredo da Kim. -Porque, na primeira vez em que ela fez esse prato, ele não deu certo. Então, ela foi para jogar fora, nos fundos do restaurante, e acabou encontrando um garotinho perdido e com fome. Ela deu o prato pra ele e o mesmo experimentou, e contou para ela, com os olhinhos brilhando, que aquilo era a melhor coisa que ele havia comido em seus oito anos de vida. E mesmo assim, o pequeno disse que um molhinho gorduroso deixaria a massa menos seca.

Obviamente, a parte bonita da história não posso contar; até porque não é só sobre a chefe; mas irei deixa-los com a primeira parte e sem saber o resto, tendo a certeza de que eles sequer imaginam que há um resto. Ainda é uma história que me deixa muito sensível, porque eu sei que por mais que as coisas tenham melhorado, em comparação a antes, elas ainda continuaram muito difícil. Na verdade, nunca ficou mais fácil, mas dizem que a vida é assim...De qualquer maneira, sempre irei pelo caminho mais fácil.

-Eu me lembro dessa história. -Confessou a Lana e percebo que seu olhar ficou mais amoroso, como se isso fosse possível, porque essa mulher tem um olhar que se assemelha a um abraço quentinho em um dia frio. -Tanto que foi por causa dela que eu só comia esse ravióli e, tristemente, acabei enjoando, mas um dia eu volto a comer ele.

-Vou querer ele, estou precisando de algo gorduroso e que me faça pensar em coisas boas. -Decidi o cliente por fim e me entrega o cardápio. -Chega de pensar em trabalho por hoje.

Sua última frase sai com uma voz arrastada e um pouco rouca, enquanto seus olhos focam nos meus, tentando transmitir alguma mensagem. Por favor, deus, faça esse homem não ser hetero, ou pelo menos bi, é a única coisa que eu peço. Não que eu vá ficar com ele ou tirar uma casquinha, só que, a esperança é a última que morre; pelo menos é o que dizem.

-Vão querer o que como bebida? -Pergunto anotando terminando de anotar o prato dele e já o enviando para a chefe.

-O que você recomenda? -Desta vez, é a Min que pede minha opinião. -Vinho ou champanhe?

Arrumo os dois cardápios embaixo do meu braço e abro a opção de bebidas no tablete, olhando para ver quais bebidas tem. Por mais que para esse prato, eu recomendaria a bebida que o cliente está a fim de beber, preciso saber o que usar como exemplo e não posso pagar o mico de não ter a bebida. Chega de pagar micos por hoje, já me basta a queda que eu levei enquanto tentava fazer o Grand Jeté.

-Na verdade, eu recomendo o que você estiver querendo tomar. -Digo, depois de ver rapidamente todas as bebidas que tem. -Desde cerveja até o vinho mais caro.

-Hoseok, tu dirige hoje. -Ela o informa, revelando para mim o nome que eu preciso para mandar para o Jimin, e em seguida se vira para mim. -Vou querer uma cerveja.

O Jung resmunga algumas coisas, ao mesmo tempo em que eu anoto o pedido dela e o dele (que pediu depois de resmungar), me despeço dizendo que irei voltar com as bebidas e em seguida, os pratos. Caminho de volta para a cozinha e vou em direção às geladeiras, no momento em que me agacho para pegar a garrafa de cerveja, minha coxa dá uma pontada. Merda, que seja só uma dorzinha e nada sério. Pego a garrafa e fico uns segundinhos agachado.

-Tá tudo bem, Jeon? -A voz da chefe preenche o lugar e percebo sua sombra pelo canto do olho.

Ela sempre se importou tanto comigo, ao mesmo tempo em que nunca parou de me dar sermões. Sou muito grato por tudo que ela já fez por mim, acredito que sem ela, eu não seria nem metade do que sou hoje.

-Tá, sim. -Respondo, me levantando e em seguida, pegando a outra garrafa, só que dessa vez, de guaraná. Não entendo porque as de cervejas tem que ficar embaixo. -Só estou um pouco cansado.

-Eu disse pro Lee, não colocar você de garçom. -Avisa, se mostrando frustrada, com os braços cruzados e um biquinho no rosto. A Kim só tem trinta e dois anos, mas ela aparenta ter vinte, talvez a altura dela ajude nisso. -Você já tava trabalhando como vallet, aí ele vai e te muda pra garçom. Isso não faz sentido nenhum.

-Fica tranquila, Kim. -Seguro a ponta das duas garrafas, com uma mão, e coloco a outra sobre o ombro dela, a confortando. -Já estou acostumado com isso, fora que ele sempre me dá um bônus, então, tudo bem.

Ela suspira, ainda brava, e concorda. Me despeço dela, desejando um ótimo trabalho e volto pra parte da cozinha, pegando uma bandeja e colocando sobre ela: as duas garrafas e dois copos, pondo gelo dentro de um deles. Equilibro a bandeja em uma mão e ando calmamente para fora daquele lugar quente e agitado, indo em direção até a mesa a qual estou atendendo. Percebo que o acompanhante de Lana não está na mesa, talvez ele tenha ido ao banheiro.

-Com licença. -Peço tirando a atenção dela de seu celular e coloco as garrafas e os copos na mesa, em seus devidos lugar (a cerveja e o copo sem gelo na frente dela, e o copo com gelo e o refrigerante em frente ao lugar do Jung).

-Muito obrigada, Jungkook. -Ela agradece, depois de eu abrir sua garrafa com o abridor. -Você poderia me fazer um favor? -Confirmo em um gesto de cabeça e ela continua. -Poderia ir lá fora, chamar o Hoseok. Ele havia pedido para eu ir, mas estou tendo que resolver uns assuntos importantes.

Confirmo novamente e ando de volta para o balcão da cozinha, deixando a bandeja lá e indo em direção a entrada do restaurante. Paro a um passo da porta e olho em volta, procurando pelo lindo homem. O vejo perto do canteiro, com um cigarro aceso entre os dedos. Ele leva a droga aos lábios e a inspira, para em seguida expirar a fumaça. Aí que decepção, tão bonitinho...tinha que ter algo de errado. Não podia ser tão perfeito.

-Acredito que você sabe que isso faz mal para a sua saúde, só não consegue parar. -Comento em uma análise generalizada e nada profunda, ao tempo em que paro ao lado dele. -A senhorita Kim, me mandou chamar você, já que as bebidas já foram servidas.

Aviso e me viro, pronto para voltar para dentro, já que disse tudo o que eu precisava dizer. Não há motivos que me façam ficar perto deste homem e prefiro evitar que eu transmita qualquer tipo de sentimento, mesmo que seja só tesão. Ele não parece ser o tipo de cara que arriscaria tudo pelo o que gosta, sequer pelo o que acredita. Além que, ele está acompanhando a Lana e bem, talvez seja mais que um acompanhante.

-Qual seu sonho? -Me questiona de repente, fazendo com que eu pare e olhe para ele. -Fiquei me perguntando isso, já que vi que trabalha como vallet e garçom.

-Desculpe, mas não acho que tenhamos intimidade o suficiente para eu lhe contar isso. -Digo, com toda a sinceridade do mundo e percebendo seu olhar se tornar triste, para em seguida adquirir um ar malicioso.

-Bem...talvez possamos mudar isso. -Diz tão baixo, que quase não ouço. Meu coração acelera, a cada passo que aquele belo homem dá em minha direção. Será que é possível alguém ficar tão bem de terno e com a gravata frouxa? -Vamos lá, coelhinho. Me conte.

Seu corpo fica a centímetros do meu e seu olhar parece estar analisando toda minha alma, de alguma forma acabo me sentindo despido, mesmo que ele tenha ficado com o olhar no meu. Sinto minhas bochechas esquentarem, o que não é um bom sinal, muito pelo contrário. Oh deus, por favor, não me deixe cair nas garras deste homem bonito; sei que já pedi isso antes, mas estou pedindo de novo, porque é urgente!

-Acredito que no meu crachá não está escrito "coelhinho". -Consigo recobrar minha consciência e olho para o objeto no lado esquerdo do meu peito, sabendo que seu olhar está seguindo o meu. -E, melhor mantermos uma certa distância.

-Se você insiste. -Por que sua voz soa tão rouca e grossa? Isso é injusto! E ele ainda faz questão de lançar um sorriso malicioso. Canalha. Seu rosto se aproxima do meu, ao tempo em que encosta sua boca no meu ouvido e sinto sua mão na minha cintura, apenas mostrando sua presença e sem pressão alguma, todos meus pelinhos se arrepiam e sei que ele percebeu isso, por conta de sua risadinha. -De qualquer forma, sabe onde me procurar.

Ele se afasta tão de repente, lança uma piscadinha na minha direção e anda de volta para dentro. Olho ao redor, procurando algum olhar curioso ou algo do tipo, e não encontro nada. Vazio, o lado de fora do restaurante está vazio. Suspiro profundamente, enchendo meus pulmões com o máximo de ar que consigo capturar, tentando me recompor, só que minha mente não me ajuda em nada, pois ela persisti em me levar de volta para o momento que acabou de ocorrer. Ele é tão quente, não penso isso pelo o sentimento que provocou, mas sim pelo seu toque na minha cintura e sua aproximação, isso foi o suficiente para com que eu me sentisse aquecido. E, agora, me vejo querendo o procurar só pela quentura que me passou, afinal, estamos no inverno.



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