História Superior (Cherik) - Capítulo 2


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Categorias X-Men
Personagens Dr. Henry "Hank" McCoy (Fera), Emma Frost (Rainha Branca), Erik Lehnsherr (Magneto), Professor Charles Xavier
Tags Assassino Em Série, Charles Xavier, Cherik, Drama, Invertigação Policial, Magneto, Mistério, Revelaçoes, Romance
Visualizações 37
Palavras 4.175
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), LGBT, Mistério, Policial, Romance e Novela, Suspense, Terror e Horror, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Canibalismo, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Necrofilia, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Heeey, como estão?

Primeiro capitulo pronto, e espero que ele deixe aguns (muitos) pontos de interrogação na cabeça de voces kkkkkk.

Espero que gostem e vejo voces no proximo.

Capítulo 2 - 01


Seattle, estado de Washington; 1986.

Erik acorda com o telefone tocando incessantemente em seu criado mudo. Ele sentia como se tivesse acabado de pegar no sono e, considerando a hora que ele fora dormir e a escuridão no quarto, ele não duvidava que esse fosse exatamente o caso. Ultimamente mesmo com a ajuda do uísque o sono estava se arrastando para chegar até Erik, deixando-o rolando na cama de solteiro de um lado para o outro, escutando a sinfonia de rangidos que a armação da velha mobília fazia sob seu peso. Erik sempre voltava para esse buraco, que lhe estava servindo de residência, esperando que a exaustão e o álcool fossem o suficiente para faze-lo esquecer do quão fino era o colchão e o seu travesseiro; o fazer esquecer dos gritos lascivos de prazer nos quartos ao lado ou até do infernal cricrilar de grilos em sua porta. Erik não via a hora do mês de agosto acabar e o frio do outono matar as criaturas demoníacas (ele tinha certeza que tinha um deles em seu quarto... como diabos eles podiam se esconder tão bem com o barulho que faziam era além da sua compreensão).

 O hotel em que Erik estava hospedado era um daqueles de beira de estrada, onde coisas duvidosas aconteciam e que eram escolhidos por jovens ansiosos e excitados para perderem sua virgindade.

Erik não gostava de admitir que era um motel, o fazia se sentir sujo.

Sem sombra de dúvidas era um lugar dúbio para um policial se hospedar, ainda mais o mais novo chefe do departamento de homicídios. A ironia era audível (e irritante) até em seus pensamentos. Fazia apenas uma semana que ele tinha sido promovido, ele ainda não tinha recebido seu pagamento, mas ainda assim seu salário aumentaria substancialmente e de forma contrária, seu trabalho diminuiria, sendo resumido apenas à administração dos seus subordinados. Só a ideia já era para suficientemente prazerosa. Claro, ele ainda tinha que ler os relatórios sobre os casos e ficar de olho em como as investigações estavam sendo conduzidas, mas ele não tinha mais que lidar com as merdas da rua, ou tentar descobrir quem matou quem e porquê. Isso era trabalho para os detetives, e Erik não era mais um deles.

Era para ele estar feliz.

Era para ele estar em sua maldita cama, com seu maldito travesseiro, ainda se deleitando na deliciosa sensação de ser promovido (de ser reconhecido) e na concepção de que no fim do mês sobraria mais alguns trocados. Era para ele ser capaz de dar boa noite aos seus filhos pessoalmente, e não pela droga de um celular, dá-lhes um beijo na testa enquanto os prendia em um abraço forçado e escutar as reclamações e ameaças típicas de adolescentes quando sujeitos ao afeto dos pais.

Mas não. Nada de calmaria para o doce e inocente Erik. Nada de sucesso profissional sem que a outra parte da sua vida desmorone em cima da sua cabeça.

Ao invés disso, Marya o enxotara de casa, sua própria casa. O expulsara da comodidade da família que ele fundara. Ao invés disso, ele estava em um podre quarto de motel, deitado em um colchão onde sabe-se lá o que já fora derramado nele. Ao invés disso, ele resolvera investigar pessoalmente um caso que ele não precisava (ele não precisava lidar com aqueles corpos, com aqueles doentes filhos de uma puta e seu circo de horrores, com becos sem saída e a sensação de impotência) só para ter o que fazer e esquecer da bagunça que sua vida se tornara. Ao invés disso, ele precisava beber quatro doses de uísque para conseguir dormir sem pesadelos, indo trabalhar com uma ressaca que que só outra dose parecia amenizar.

Erik não era ingênuo, ele sabia que o divórcio era inevitável, que Marya nunca iria perdoa-lo não importa o que ele fizesse ou quanto tempo se passasse. Mas saber isso não significava que ele ressentisse a ideia com menos intensidade. O divorcio significava que ele precisaria arranjar outro lugar para morar e pagar advogado, além de ser submetido as restrições que com certeza Marya faria questão de impor na relação de Erik com seus filhos.

Erik era um homem bem-sucedido para seus trinta anos de idade com duas famílias para sustentar além de si próprio.

Perfeito.

— Alo? — Pergunta Erik atendendo o telefone sem nem olhar quem era.

— Alo, Capitão Lehnsherr? Sou eu, Wyngarde.

Erik imediatamente fica alerta, se sentando abruptamente na cama, a qual reclama ruidosamente com o movimento repentino. Apesar de ele e Jason serem amigos de longa data, existiam poucas razões para o outro o ligar a essa hora. Ainda mais usando um tom formal. Para Erik, eles já tinham passado há muito tempo atrás de firulas como sobrenomes, mas Jason insistia em usa-los quando o assunto era trabalho.

E se o assunto era trabalho. Existia apenas uma razão para Erik receber o telefonema de um detetive em plena madrugada. Apenas um caso que estava na sua lista de “ligue-me a qualquer momento”. Jason era bom no que fazia, quase tão bom quanto Erik, seus palpites estavam quase sempre corretos. Além disso, já fazia três meses... e Erik sabia que iria acontecer de novo.

Os palpites de Erik estavam sempre certos.

— Você acha que é ele? — Pergunta Erik já sabendo a resposta.

— Bem, se não for, nós temos um problema. E se for, nós temos um maior ainda.

— Certo, me diga onde é e eu chegarei em trinta minutos no máximo.

Poucos segundos depois Erik estava saindo pela porta do buraco que pelos últimos três dias funcionava como seu lar. Mesmo que ele o usasse apenas para dormir.

E NEM ISSO ELE CONSEGUIA.

...Porra de motel de merda...

Erik suspira fundo entrando em seu carro. Pelo menos eu não sou o pobre coitado da vítima, pensa ele, levando em conta o que aconteceu da ultima vez... Erik tem certeza que dormir ia se tornar ainda mais difícil. E não vai ser por culpa dos malditos grilos.

 

 

Erik entra no estacionamento da escola luterana de seattle exatamente às 4:30 da manhã. Havia cinco outras viaturas no local, além de uma ambulância. O barulho de sirenes era alto e o perímetro do colégio já estava cercado com a faixa amarela usada pela polícia para impedir a passagem de terceiros. Os peritos e os paramédicos certamente já estavam trabalhando dentro do prédio, procurando pistas que, Erik sabia, seriam difíceis de serem encontradas.

Erik provavelmente tinha pouco tempo para ver a obra com seus próprios olhos antes que eles tivessem que mover o corpo. Não era uma ideia que o agradava, mas ele não tivera a oportunidade de ver o corpo da primeira vítima, como ele fora deixado pelo assassino. Apesar de ter lido sobre no relatório... talvez ver com seus próprios olhos, ali, em primeira mão, o ajudasse, despertasse alguma epifania ou uma merda desse tipo. Ou talvez não (na verdade ele duvidava bastante que fosse fazer mais que lhe dar ânsia de vômito). Mas Erik estava perdido em um mato sem cachorro. Já fazia dois meses que a investigação estava parada. Um mês que ela caíra nas mãos de Erik, e ele tivera de sentar e esperar pelo próximo ataque do assassino porque não tinha uma maldita coisa que ele pudesse fazer (essa fora uma das razões para ele resolver leva-la consigo mesmo após a promoção). Erik não acreditava em superstições ou em sinais divinos, porém, nesse momento ele estava atirando para todos os lados.

O colégio luterano de seattle é uma instituição privada com uma localização inconveniente, do ponto de vista da polícia, e confortável, do ponto de vista das famílias cujo os filhos nela estudavam. A escola era localizada no meio de um bairro de subúrbio, rodeado de casas de classe média alta, com famílias nas quais os pais levantavam cedo para trabalhar e as mães ficavam em casa fazendo trabalhos domésticos e cuidando dos filhos. Famílias presas em uma espiral de rotina, onde cada novo dia se confundia com o próximo e o anterior. Um aglomerado de pessoas que mais se assemelhavam a zumbis esperando ansiosamente para que algo aconteça.

Ao chegar, Erik logo percebe cinco casais em roupões atrás da faixa de contenção, falando com um dos muitos policiais que se encontravam cercando o perímetro. Um dos pais tem sua esposa segura em seus braços enquanto ouvia o policial falar (Erik não lembrava o nome do indivíduo.... talvez começasse com T), com uma expressão franzida em seu rosto enquanto sua esposa ainda parecia horrorizada. Por um segundo Erik se pergunta se o casal era feliz, se a mulher realmente se sentia segura nos braços do seu marido, e se o homem não cansava de tentar inutilmente cercar sua família da violência do mundo real.

Para Erik, era exaustivo. Principalmente em noites assim, quando essa dita realidade o esperava no prédio em sua frente.

Não demoraria muito para mais pessoas aparecerem juntamente com a mídia. E lidar com a mídia era definitivamente um “não” para Erik. Portanto, ele se apressa seguindo em direção à faixa, fazendo um breve contato visual com o policial "T" que parece reconhece-lo. Erik assenti positivamente com a cabeça em direção ao outro que responde da mesma forma. Assim que ele passa da restrição Erik é abordado por outro desconhecido.

— Capitão lehnsherr — Fala o policial. Ele parecia ser jovem, ainda na casa dos vinte. Erik nunca o tinha visto antes, mas era impossível não notar que o garoto era um novato. Ele usava a expressão de alguém que não sabia exatamente como agir nessas situações, a clichê dúvida: se agir de forma profissional seria considerado antipatia ou se ser empático seria antiprofissional. Nada como o costume para te guiar nesses eventos — Policial Marcus, prazer em conhecê-lo — Ele estende a mão e Erik a aperta ceticamente — O detetive Wyngarde disse que viria. Ele mandou leva-lo até o local onde o corpo se encontra.

—  E onde seria esse local, exatamente?

— O ginásio, senhor.

Erik armazena a informação e segue o outro policial. Eles circulam o colégio até uma entrada lateral que levava diretamente ao ginásio. Já na porta peritos trabalhavam analisando o rombo na fechadura. Dentro, as coisas não eram muito diferentes. Vários policiais iam de um lado para outro, tirando fotos, coletando evidencias e lacrando-as em zip locks. Erik diria como um enxame de abelhas ocupadas, se o silencio não fosse uma característica tão presente, como um peso que todos ali arrastavam nas costas. Eles certamente ainda lembravam da primeira vítima e o que a existência de uma segunda significava. Erik reconhece James em seu blazer azul escuro assim que seus olhos varrem o ginásio. Ele estava ao lado de um policial que tirava fotos e conversando com um dos paramédicos, o grupo estava em frente à arquibancada, de costas para Erik, que logo parte em sua direção esquecendo o novato que o trouxera.

— Jason — Fala Erik anunciando sua aproximação.

Jason vira em sua direção dando espaço suficiente para Erik ver o corpo.

Ao vivo e em cores, em sua frente, sentado no ultimo banco da arquibancada.

— Foi ele — Fala Erik, paralisando em sua caminhada, sentindo a certeza reverberar em suas veias e congelar seu sangue. A sua própria voz soando distante até para si mesmo.

— Bem, parece que temos um assassino em série para pegar – Responde Jason.

Mas Erik mal registra a resposta do seu companheiro. Ele sentia-se completamente absorto com a visão em sua frente e suas implicações.

Às vezes, Erik odiava estar certo.

 

 

— Ainda sem testemunhas?

— Sim, Erik foi isso que eu acabei de dizer — Responde Jason levando uma das suas sobrancelhas em desconfiança — Você tomou alguma coisa hoje de manhã? — Pergunta ele deixando claro seu julgamento.

— Eu não estou bêbado, Jason — O que não significava que ele não tinha tomado nada, no momento ele estava tentando lidar com a enxaqueca que a falta de sono misturada ao álcool geravam. Exatamente como ele fizera nos últimos dias. Portanto, ele não via problema com apenas dois goles da bebida. Ele estava completamente lúcido e aspirina parecera perder seu efeito por alguma razão.

— Eu não falei isso — Jason solta um longo suspiro e move-se para fechar a porta do escritório de Erik antes de continuar — Erik, eu sei que você está passando por problemas com... Marya.

— Sério? — Pergunta Erik sarcasticamente. Com um olhar ameaçador ele continua — Tenha cuidado com o que você está insinuando Jason — Jason podia até ser seu amigo, mas Erik sempre fora profissional. Era uma das suas características que o orgulhava.

— O que eu quero dizer é que isso não é mais um caso qualquer. Isso é sério Erik, nós estamos falando de um assassino em série.

— E você acha que eu não sei disso? — Dessa vez é Erik quem suspira profundamente, tentando se controlar para não gritar com o outro. Ele passa uma das mãos em seu rosto exasperado. E daí que ele fizera uma pergunta idiota? Porque Jason estava se apegando tanto a um maldito deslize de atenção?

— Erik, eu não estou tentando lhe falar como você deve agir. Mas se você quer pegar esse cara, você vai precisar estar no seu melhor... Por mais que você goste de fingir o contrário, você é só um humano.

— Esse cara também — Responde Erik encarando o outro. Jason podia até ter uma pontada de razão, porém Erik era teimoso demais para admitir. Além disso, seus problemas não iriam atrapalhar a investigação ou seu desempenho na mesma.

Sua vida emocional nunca entrou no caminho do que ele sabia que tinha de ser feito.

Dessa vez não seria diferente.

Depois de encarar um ao outro por longos segundos, Jason dá o braço a torcer — Todos os detetives do departamento estão trabalhando nesse caso. Mas isso não vai durar para sempre — Diz ele balançando a cabeça — Se ninguém encontrar nada, como aconteceu com a primeira vítima...

— Eu não vou entregar esse caso aos federais, Jason — Era uma questão de orgulho. E é válido ressaltar que usar o adjetivo “orgulhoso” para definir Erik era quase um eufemismo.

— Bem, se continuar assim não vai demorar muito para essa escolha escapar das suas mãos, capitão — Fala Jason se retirando da sala.

As vezes Erik também odiava quando Jason estava certo.

Faziam quatro dias que eles tinham “achado” o corpo. As circunstâncias que cercavam a descoberta do assassinato eram menos que apropriadas para dizer a verdade. Assim como acontecera com a primeira vítima, o departamento de polícia recebera uma ligação naquela noite, avisando o local onde o corpo se encontrava. O autor da ligação não se identificara e, ao ouvir a chamada, Erik tinha certeza que ele estava usando algum tipo de modulador de voz.

Como regra informal, a polícia recebia vários trotes por dia. Portanto, na primeira vez, como o sujeito resolvera não se identificar (por razoes óbvias), a ligação fora inicialmente considerada como uma brincadeira de mau gosto. Até a primeira vítima ser encontrada, dessa vez no sentido literal da palavra, por uma jovem chamada Cindy Hopper e seu namorado.

Inicialmente, quando perceberam que a ligação não era trote, começou-se a se trabalhar com a hipótese de que o próprio assassino fora o autor da mesma. Essa hipótese só era sustentada com como os corpos foram encontrados. Era óbvio que o assassino estava querendo zombar deles.

Era uma hipótese que fazia sentido. Mas depois de escutar a ligação, Erik não conseguira evitar de ficar com uma pulga atrás da orelha. Para ele era simplesmente muito estranho que o assassino entregasse a informação cruamente, sem pegadinhas ou enigmas.

Podia-se argumentar que ele era orgulhoso demais e as ligações eram uma forma de dizer “olha só, nem mesmo com minha ajuda vocês são capazes de me pegar”. O que era uma característica bem comum para psicopatas. Mas ainda assim... Erik sentia mais uma sensação de auto sabotagem que orgulho vindo das ligações. O que já não era uma característica usual de um psicopata.

Claro, tinha sempre a possibilidade de eles estarem lidando com sociopata. Mas para alguém que se auto sabotava, ele fazia um ótimo trabalho cobrindo seus rastros.

Obviamente, a informação sobre a ligaçção não fora repassada para a mídia, ou então eles teriam que lidar com milhares de chamadas como aquela, que certamente não passariam de trotes. E três meses depois... eles recebem outra ligação. Mesma voz, mesma objetividade, mesma urgência.

Mesmo assassino.

Agora que ele atacara uma segunda vez Erik sabia que ele iria continuar. Isso podia significar que uma rotina podia ser criada, com gapes determinados entre os assassinatos. Mas mesmo com essa informação e com a voz continuando a delação de onde os corpos se encontravam, seria trabalhoso tentar rastrear de onde a ligação era feita. Provavelmente os federais eram os únicos com recursos para poderem realizar esse tipo de trabalho.

Além disso, Erik não podia simplesmente esperar o assassino criar uma rotina.

Ele basicamente fizera isso no último mês, e no fundo Erik se sentia razoavelmente culpado. Ele ficara esperando outra vítima. Mesmo que ele soubesse que haveria outra, ele não conseguia deixar de sentir como se ele estivesse desejando que o assassino atacasse novamente. Apenas para ter mais pistas de como pegá-lo.

Porque agora ele tinha dois corpos. Duas pessoas diferentes, mortas por uma razão. Algo em comum nelas despertara o interesse do assassino. E essa mesma coisa o faria agir novamente.

Erik só precisava descobrir o que, de preferencia antes do terceiro corpo aparecer.

O súbito toque do telefone em sua mesa acorda Erik de seus devaneios.

— Alô? — Fala ele atendendo a chamada. Como chefe de departamento lhe fora oferecido para o direito a ter uma secretária. Ele recusara, não achando que uma seria necessário. Em sua opinião, era mais um gasto para o departamento e Erik também não tinha saco para lidar com os problemas que ter uma mulher trabalhando cercada de homens poderia trazer. De qualquer forma, certamente seria um ambiente desconfortável para a mulher em questão.

Além disso, ele não precisava de alguém para atender suas ligações, ou organizar sua agenda. Pelo menos era isso que ele achava.

— Erik — Responde Marya do outro lado da chamada. E pela primeira vez Erik reconsidera a ideia de não ter uma secretária para atender suas ligações.

— E estou muito ocupado, Marya — Erik não queria ter essa conversa, principalmente agora. Ele tinha trabalho a fazer e zero intenção de dar a James a satisfação de estar certo. Dito isso, Erik sabia que a ligação viria querendo ou não. Tinha se passado uma semana completa desde que ele saíra de casa (contra sua vontade), e durante esse meio tempo nem ele nem Marya entrara em contato um com o outro. Erik dizia a si mesmo que Marya precisava de tempo, que se ele fosse atrás o máximo que conseguiria seria outra briga.

Isso era o que ele se dizia. A verdade? Erik não queria lidar com a realidade.

Principalmente porque ele não se sentia completamente culpado. Arrependido? Com certeza, desde o dia que ele recebera a carta de Susanna. Na verdade, ele se sentia culpado por muitas coisas em toda a situação. Ele se sentia culpado por ser um pai capaz de apenas oferecer dinheiro, por não dividir a responsabilidade na criação da criança e acima de tudo, por não conhecer a garota; mas ele não se sentia culpado pelo que Marya queria que ele se sentisse.

Erik não se sentia culpado por ter escondido a verdade durante seu casamento, porque ele simplesmente não tivera outra opção. Para ele, era uma situação preto no branco. Ou Erik contava e Marya não aceitaria o casamento, ou ele não contava e assim, teria a chance de ver ao menos dois dos seus filhos crescerem.

— Você sempre está ocupado para mim, Erik – O tom acusatório pingava das palavras como veneno. Expectável — Eu morreria de velhice se te esperasse ficar disponível.

A cada segundo a ideia de uma secretária soava mais atraente.

— Marya...

— Eu sei. Eu não te liguei para ficar remoendo seus problemas — E mesmo assim Erik sabia que ela o faria sempre que tivesse a oportunidade — Eu pensei exaustivamente nessa última semana sobre os pros e contras da nossa relação e é por isso que estou ligando para dizer que... — Marya pausa dando um longo suspiro, se preparando para o que iria dizer — Eu liguei para pedir o divórcio, Erik.

Erik fica em silêncio, processando o que acabara de ouvir. Não era exatamente uma surpresa. Erik sabia que era apenas uma questão de tempo até que ele recebesse essa ligação. Ele também sabia que aquilo aconteceria independente de ele conseguir evitar Marya ou não. Ainda assim, talvez se ele tivesse uma secretária e conseguisse ignorar a ligação...

Não. É melhor ouvir da boca da mulher com a qual ele passara 16 anos da sua vida que receber a casta de um advogado.

— Você não vai dizer nada? — Pergunta Marya em frente ao longo silêncio do seu esposo. Sua voz sufocada como se algo tivesse constringido sua garganta.

Erik não queria escutar seu choro.

Ele queria dizer “eu quero voltar para casa, faz uma semana que eu não vejo meus filhos e dormir nunca fora tão difícil”, mas ao invés disso, Erik respira fundo antes de responder, engolindo as palavras garganta a baixo, e diz:

— Marya eu escolhi você, eu voltei por você. Se mesmo sabendo disso essa é a sua decisão... eu não acho que eu possa dizer algo mais para faze-la mudar de ideia.

Talvez Marya esperasse escutar o que Erik queria tanto dizer, que ele queria mais uma chance, que o casamento dos dois ainda tinha salvação. Mas Erik também sabia que mesmo que Marya escolhesse reatar o casamento ela poderia até perdoa-lo, mas com certeza nunca esqueceria seu erro, e Erik não estava disposto a passar o resto da vida tendo isso esfregado na sua cara. Sem falar que brigas seriam mais frequentes que não, e esse era um ambiente que Erik considerava tóxico para seus filhos.

Erik entendia a decisão da sua esposa. Ele não a culpava, ele só esperava que as coisas não tivessem chegado nesse ponto.

— Eu só... eu preciso vê-los Marya, por favor — Pedi Erik deixando o sentimento inundar suas palavras, coisa que raramente fazia, mas com seus filhos na conversa, orgulho não parecia mais tão relevante assim.

— Erik... — Ela definitivamente estava chorando agora — Me desculpe, eu não posso...

— Marya. Não faça isso comigo.

— Você acha que é fácil para mim?

— Não, Marya. Mas eles também são meus filhos — Responde Erik começando a perder a paciência.

— Assim como a garota bastarda que você nem ao menos se deu o trabalho de conhecer, Erik. Não me venha com esse papo de pai desolado.

Ounch, pensa Erik. Golpe baixo, considerando que Erik mantivera distancia da garota em prol do seu casamento.

— Isso não é justo Marya! — A conversa tinha escalado relativamente rápido. Os ânimos estavam a flor da pele e nenhum dos dois conseguiam mais manter o tome de voz cortes e maduro.

— Justo? Não é justo, Erik? Você mentiu para mim durante fudendo dezesseis anos seu babaca... Sabe de uma? Vai se fuder, Erik. Vejo você na audição de divórcio.

E com isso Marya desliga o telefone, deixando Erik boquiaberto, sentindo-se injustiçado e furioso. Não era justo Marya jogar aquilo em sua cara, muito menos que ela envolvesse as crianças nos problemas conjugais dos dois. Era um caminho que Erik suspeitava que ela tomaria, mas no fundo ele ainda tinha esperanças que ela agisse como um adulto sobre isso, ainda mais se ele pedisse.

— Droga! — Exclama Erik, serrando os punhos batendo forte o telefone no gancho, fazendo tudo que estava em sua mesa dar um leve salto. Ao menos Jason tinha fechado a porta quando saíra.

Se Marya realmente quisesse dificultar ela poderia não só pedir a guarda integral dos gêmeos, mas também implantar dias ou horas determinadas para que Erik os visse, ou pior, se a mulher decidisse voltar para a casa dos pais em Nova York seria quase impossível para Erik manter contato, mesmo com seu novo salário. Ele não podia aceitar isso.

Ele não podia simplesmente sentar e assistir seus filhos serem levados para longe.

Erik retira o canil prateado da sua gaveta, desenrosca a tampa com mãos tremulas e toma um gole com afinco, como se tivesse encontrado água em meio ao deserto.

O uísque queima sua garganta caminho abaixo, o cheiro agudo de álcool forte em seu nariz, o gosto amargo da bebida marcando com nostalgia seu paladar e a adorável sensação de formigamento e aquecedora do liquido âmbar ao chegar em seu estomago.

Erik fecha os olhos apreciando aquele coquetel de sensações. Tentando forçar sua ira e remorso juntos com a bebida para longe do seu cérebro.

Uma tentativa que resulta no fracasso.

Erik toma outro gole.

O documento que Jason trouxera mais cedo com informações sobre Thomas Watson, o pobre professor da escola luterana que fora encontrado eunuco e decapitado na arquibancada do colégio que ensinava, esquecido dentro de uma pasta cor de pele ao lado do telefone fixo.

Sentindo-se sobrecarregado e frustrado, Erik se levanta, pega seu blazer e sai da delegacia com destino incerto.


Notas Finais


Ps. para voces que estão se perguntando onde Charles está, não se preocupem, tenho quase certeza que no proximo capitulo ele já aparece.


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