História Supernatural - The Hunters - Capítulo 43


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Capítulo 43 - Capítulo XXXXII


Fanfic / Fanfiction Supernatural - The Hunters - Capítulo 43 - Capítulo XXXXII

Uma semana depois… 

Branson - Missouri

12 de abril, 2008 - 18:34 PM


As coisas nas últimas semanas têm sido difíceis. Meu irmão começou a falar comigo novamente, mas não parecia querer, parecia estar sendo forçado a isso.

Estávamos viajando até Branson, depois de pesquisar por um tempo, acreditamos que tem um ninho de vampiros por aqui.

Fazia algumas horas que estávamos dirigindo, e a música era o único som que tinha no carro. Eu estava dando uma última olhada no jornal, que falava sobre o caso.

Já havia se passado dois meses, desde o acidente. Nosso pai estava morto, Dean parecia ter mudado completamente. E, para completar, minha melhor amiga não dava notícias há um mês.

Não sei ao certo o que houve entre ela e meu irmão, pois nenhum deles quis me contar sobre o que conversaram. 

- Mais alguma novidade? - meu irmão perguntou, após um bom tempo num silêncio extremo. 

- Nada. Jovens, adultos… Nenhuma ligação, trabalho ou família - dei os ombros, jogando o jornal no banco de trás do carro - Mas, a única coisa igual é que desapareceram após frequentarem o mesmo bar.

- E as vítimas? - Dean questionou, sem desviar os olhos da estrada.

- Homens e mulheres, a idade não bate - expliquei novamente - Causa da morte? Alta perda de sangue, outros por sufocação. 

- E acha que é mesmo um ninho de vampiros? - ele perguntou, desconfiado. Eu o olhei, surpreso, o que mais poderia ser?

- Acho. Há um ano atrás, aconteceu a mesma coisa - contei, me lembrando do que li na internet - Por que, tem outra teoria?

- Não, nada. Só queria confirmar… 

E era desse jeito, que Dean estava agindo durante dois meses. Independente da caça, ou do motivo, ele estava emburrado e pouco preocupado com a criatura.

Ele está bebendo mais do que antes, o que me preocupa. Da última vez, ele saiu do bar, acusando um dos clientes de ser um Metamorfo.

Tive que tirá-lo de lá o mais rápido possível, antes que acabasse preso ou atirando em alguém. Afinal, ele estava armado o tempo todo.

Além disso, a cada noite eu via meu irmão com uma garçonete ou uma mulher qualquer que encontrava no bar. Meu irmão parecia ter voltado ao que era antes.

Estava impossível falar com ele, não importa o que eu fizesse. Nossa primeira parada, foi o último bar que todas as vítimas estiveram.

Nos sentamos em uma das mesas e Dean não perdeu tempo, para pedir uma cerveja e começar a cantar a garçonete. Estávamos aqui em trabalho e ele não conseguia ser profissional.

- Dean, você 'tá me ouvindo? - perguntei a ele, impaciente. Seus olhos estavam voltados para a garçonete com quadris largos que tinha acabado de sair.

- Não, desculpe. O que você disse? - ele finalmente me olhou, mas ainda estava desinteressado - Estava olhando para a garçonete.

Dean levou as mãos para perto do peito, mostrando com as mãos o tamanho dos seios da mulher. Eu suspirei, ele estava realmente impossível.

- Cara, presta atenção - o repreendi. Vi meu irmão revirar os olhos - Aqui foi onde todos eles sumiram, seria legal você prestar atenção.

- Eu estou trabalhando - Dean sorriu e apontou para a mulher que acabara de sair daqui - Aquela mulher pode ser um vampiro. Vou fazer algumas perguntas! 

- Não. Não, Dean - tentei segurar seu braço, mas ele se levantou antes e correu até o balcão - Mas que droga! 

Enquanto meu irmão ficava entretido com a garçonete, eu voltei a ler na internet o que sabiam sobre os assassinatos.

Revirei meu bolso, procurando por um distintivo do FBI. Eu iria ligar na delegacia, dando um nome de agente e assim eu poderia ter mais informações.

Liguei para a delegacia, e dei meu nome como agente federal. Pedi o máximo de informações possíveis, sobre os corpos que encontraram na semana passada.

O delegado me contou que a autópsia estava sendo feita e que, talvez pela manhã, o resultado sairia.

Não era bem essa resposta que eu queria, mas é a única que eu tenho. Agradeci pela ajuda - que não foi muita - e então desliguei. Não teria jeito de qualquer maneira, se for um vampiro, ele vai cometer algum erro.

Meu irmão voltou instantes depois, estava segurando um guardanapo, com algo escrito nele - era fácil de concluir que era o número e o nome da garçonete.

- Então, descobriu alguma coisa? - eu perguntei a ele. Dean sorriu - Isto é, além do número dela. 

- Ah, então não… - seu sorriso se desmanchou, mas ele não deixava de estar animado. Dean guardou o pedaço de papel no bolso da jaqueta e apoiou um braço na mesa - E você, descobriu alguma coisa?

- Liguei para a delegacia, mas a autópsia ainda não saiu - falei a ele, um tanto descontente - Eu pensei em falarmos com algum dos funcionários ou ver as câmeras de segurança.

- Má notícia, maninho - Dean forçou um sorriso no rosto - Aqui não tem câmeras de segurança. Já olhei tudo em volta; nada.

- Então, temos que falar com os funcionários - suspirei fundo, essa era a pior parte.

Por se tratar de um bar, era ainda mais difícil de achá-los. Pra eles, os vampiros, era o lugar perfeito. 

Era muitas pessoas ao mesmo tempo e em várias horas do dia, entram e saem com frequência. Encarei meu irmão, em silêncio, esperava que ele tivesse alguma ideia.

Mas nada, Dean simplesmente não respondeu. Por mais que meu irmão tenha mudado, não foi agora melhor. Ele simplesmente voltou a ser o canalha que era antes.

Suas habilidades na caça estavam péssimas, ele não se concentrava no que eu dizia. Seu único interesse era matar, ódio, raiva, rancor; são as únicas coisas que eu via em seus olhos.

Eu não ficava assustado, muito menos surpreso. De qualquer maneira, eu não queria ver Dean desse jeito. Ele tinha melhorado, mas se fechou como uma rocha.

Até tentei seguir o conselho da Allison, coisa que não durou muito. Eu acabei explodindo, disse a ele que nada estava bem e que, graças a ele e a mim também, eu não via mais minha melhor amiga.

- Ah, eu vou 'pro hotel - suspirei derrotado, pegando minhas coisas e saindo do bar rapidamente.

- Hey, Sammy! - ouvi meu irmão me chamar.

Fui até o Impala, estava prestes a entrar, quando vi meu irmão me seguindo. 

Eu sabia que ele queria evitar o assunto, mas não dava mais. Primeiro, por causa do papai. Depois, o que aconteceu entre ele e a Hasthings - o que eu ainda não tenho ideia do que seja.

- Sam! - ele gritou novamente. Eu me virei para olhá-lo - Qual seu problema, cara?

- Qual o meu problema?! - franzi a testa e bati a porta do carro, caminhando até ele - É sempre muito difícil falar com você! Você não 'tá nem aí, Dean!

- Do que você 'tá falando, Sam?! - Dean me olhou, analisando a expressão em meu rosto.

- Das caçadas. Do papai. De mim. Da Allison!! - cuspi as palavras na sua cara, eu estava farto - Você mudou, cara. E, sinceramente, se eu não te conhecesse diria que você é um idiota! 

- É, muitos dizem isso - meu irmão deu os ombros, indiferente. 

- Cara, uma vez na vida… Pense em alguém, além de você - as palavras saíram de mim, quase rosnando.  

Meu irmão não respondeu, e também não fiquei ali para esperar sua resposta. Entrei no carro, esperando para ir embora.

Quando chegamos no hotel, onde fizemos reserva, meu irmão não dizia nada. Era aquela silêncio novamente, irritante e cansativo.

Dean, ao abrir as portas do quarto, jogou suas coisas na primeira cama que viu e logo depois se deitou nela. 

Me concentrei em pesquisar um pouco mais no caso, pesquisei sobre os assassinatos e desaparecimento. 

Nem me lembro de ter ido dormir, tomei tanto café… E, o pior, é que logo pela manhã teremos que caçar esse ninho de vampiros.

… 

Logo cedo, voltei para o mesmo bar. Como ainda estava vazio, eu me aproximei para fazer perguntas para a bartender que enxugava alguns copos.

Dean estava no hotel, dormindo. Não temos tempo, outra pessoa pode ser morta a qualquer momento. 

- O que vai beber? - a mulher perguntou, assim que me aproximei. 

- Na verdade, estou em serviço - mostrei um distintivo do FBI e depois o guardei. A mulher o examinou com atenção - Pode responder algumas perguntas?

- Claro, o que precisar - ela sorriu largamente e deixou seus afazeres de lado.

- Na semana passada, nove pessoas desapareceram - comecei a explicar, sentado em um banquinho próximo do balcão do bar - E todas estiveram no mesmo lugar, pela última vez; esse bar. 

- Acha que tem um assassino no bar? - a mulher perguntou, dando um sorriso travesso e confuso.

- Talvez sim - dei os ombros, sem deixar a seriedade no meu rosto - Viu algo suspeito, nos últimos dias?

- Na verdade, sim - eu me apoiei no balcão, interessado no assunto - Tem uns homens, que veem ao bar todas as noites. E sempre levam algumas garotas juntas.

- Parecidas com essas? - tirei um pedaço de recorte do jornal, do meu bolso e coloquei sob o balcão, para ela dar uma olhada.

- Acho que sim, tem ideia de quantas pessoas entram e saem daqui? - a mulher respondeu, eu sorri. Finalmente.

Eu agradeci pela ajuda e sai rapidamente. O hotel não era longe e voltei caminhando, da mesma maneira que fui; a pé.

Em pouco tempo, eu já estava na porta do quarto. Ao entrar, meu irmão deu um pulo na cama e olhou ao redor, procurando a direção do som.

- Aonde você foi? - meu irmão perguntou, ainda sonolento. 

- Fui até o bar. E, eu tinha razão, são vampiros - confirmei, me gabando. Meu sorriso aumentou quando Dean revirou os olhos - Tem um ninho. Bem provável, a bartender disse que tem um grupo de pessoas que frequentam o bar todos as noites.

- E o que isso tem de diferente? - o loiro franziu a testa - Sabe quantas pessoas vão a bares todas as noites?

- Ela me disse isso, também - revirei os olhos.

- 'Tá, se você está dizendo - Dean suspirou novamente e coçou os olhos, ainda estava sonolento - Vamos atrás de alguns sanguessugas filhos da mãe. 

… 

Entramos no galpão, após Dean arrombar a porta. As criaturas se viraram na nossa direção, os enormes dentes já estavam a mostra.

Os jovens do ninho atacaram primeiro, enquanto os mais velhos se aproximavam. Tirei o facão da minha cintura, a erguendo no ar e me preparando para revidar.

O primeiro vampiro correu até mim e com um único movimento, sua cabeça caiu no chão e seu corpo logo em seguida.

- Caçadores nojentos… - um deles, o mais velho, esbravejou e acenou para os outros nos atacarem.

Eu me virei, quando senti algo próximo de mim. Degolei outro vampiro, seu corpo caiu nos meus pés. 

Em poucos minutos, todos os vampiros estavam caídos. Dean degolou o último deles, segurando seu rosto para olhá-lo bem nos olhos, e o matou.

Tirei o facão de um dos corpos, quase me desequilibrando. Um deles, havia acertado minha cabeça, eu estava meio zonzo.

- 'Tá legal aí, cara? - Dean perguntou, me segurando por um dos ombros.

- Minha cabeça… - resmunguei, afastando o cabelo do local atingido e passando a mão levemente.

- Com uma cabeça desse tamanho, impossível não bater - ele provocou, dando um largo sorriso. Eu queria rir, se não estivesse doendo - Vamos embora daqui, Sam. Seu cabeça oca.

- Idiota.

Enquanto estávamos voltando para o carro, deixamos as armas no porta-malas. Pisquei algumas vezes, para tentar melhorar minha visão. 

Dean bateu nas minhas costas, como se para chamar minha atenção. Eu o olhei, minha cabeça ainda estava doendo. 

Meu irmão perguntou se estava tudo bem e eu o assegurei, falei que era só uma batidinha de nada. Pedi para irmos embora, eu estava cansado.

Fazia dois meses que estávamos caçando sem parar por algum tempo, pedi para irmos até o Bunker. Apenas para descansar por um tempo, até encontrarmos outro caso - o que não iria demorar tanto assim.

Mas, os planos mudaram rapidamente. No meio do caminho, Bobby me ligou e disse que tinha um serviço para nós - cujo o qual ele não podia resolver sozinho.

Eram algumas horas de viagem e eu pretendia dormir, talvez descansar a cabeça depois dessa pancada.


Pov's Allison Hasthings:

Mais uma vez, voltei para o quarto de hotel totalmente esgotada. Cada parte do meu corpo estava dolorido.

Meus braços não aguentavam, ao menos, segurar a mochila com as armas. Minha mãe estava logo atrás de mim, reclamando o quão cansada estava após a caçada.

No meio do fogo cruzado, quando estavam prestes a ser exorcizados ou mortos, os Demônios deixavam as cascas e chagávamos perto de matá-los.

Ava não estava lá, toda minha raiva e rancor foram gastos com outros demônios. Mas, ainda assim, eu não vou desistir de achá-la. Eu irei matá-la, não tinha dúvidas disso.

- A chave está com você? - perguntei a minha mãe, apalpando meus bolsos.

- Acho que sim… - Maya respondeu com um suspiro, revirando seus bolsos a procura do objeto - Encontrei.

Dei passagem para que ela pudesse abrir e finalmente poderíamos dormir. Enquanto a maçaneta estava prestes a ser virada, ouvi um som estranho vindo de dentro do quarto.

Segurei sua mão, a impedindo de abrir. Tirei um revólver do cós da minha calça e sinalizei para ela fazer o mesmo - tinha algo estranho. 

Maya acenou, eu abri a porta e entramos de uma única vez. Meus olhos vagaram pelo quarto escuro, procurando por alguma coisa ou alguém.

- Olha só, finalmente chegaram - a voz daquele demônio me tirou a atenção, e foi até o canto do quarto.

A luz do abajur se acendeu, no canto do quarto. Bem ao lado da escrivaninha, uma silhueta estava encostada na cadeira estofada do hotel.

- Ava… - murmurei entre dentes. Não reconheci suas feições, mas reconheci a voz enjoada daquele demônio.

- Então, cansaram de correr atrás do próprio rabo? - a mulher se levantou, a qual Ava usava como casca. Pobre coitada. E cruzou os braços - Ou querem continuar com o jogo?

- Na verdade, o que eu queria mesmo, é meter uma bala na sua testa - engatilhei minha arma e apontei para sua cabeça - Mas, relaxa. Não é pessoal, vadia.

- Não sei porquê, mas eu sinto que seja pessoal… - Ava abriu um largo sorriso e começou a caminhar até mim - Anda, puxa o gatilho. Não é o que você mais quer? 

- A gente se contenta com o que tem - cuspi minhas palavras, sem baixar a guarda.

- Ainda acho esse jogo muito injusto - o Demônio comentou vagamente, coçando o queixo - Vamos deixá-lo interessante!

Ava acenou com a mão, meu olhar se voltou diretamente para Maya. Esperava encontrá-la presa contra a parede, mas me enganei.

Quando me virei em sua direção, dois Demônios estavam segurando seus braços. Um deles, pegou sua arma e a jogou longe e depois a desarmou por completo. 

Os dois homens estavam com seus olhos negros, serviam Ava e, com certeza, Leraie. Minha mãe suspirou, eu sabia o quanto ela estava cansada de tudo isso.

O outro Demônio, de cabelos pretos, chutou a parte de trás de seu joelho, a fazendo ficar ajoelhada no chão. 

- Mande aqueles filhos da mãe, soltarem ela, Ava! - pedi seriamente, engolindo seco. 

- Ah, querida, eu queria poder fazer isso… - a mulher choramingou falsamente e olhou para seus homens - Vai, soltem-na.

Olhei brevemente para eles, nem se mexeram. E eu não esperava menos, mas não queria que minha mãe se machucasse.

Não queria perdê-la, logo agora que estávamos nos dando bem.

- Está vendo, Allison? - Ava perguntou novamente, ganhando meu olhar - Eles seguem ordens de alguém superior a mim, não posso fazer nada.

- O que você quer, Ava? - franzi minha testa, só podia ser isso. 

- Ah! Agora você está falando minha língua, Hasthings! - o Demônio comemorou, batendo uma palma e apontou para mim. 

- Desembucha, sua vaca! - ordenei, antes que eu perdesse a paciência - Ou eu…-

- Ou o que? - Ava desafiou, parando tão perto de mim, até sua testa encostar no cano do revólver em minhas mãos - Vai me matar? Puxe o gatilho, Allison… Vai matar uma pessoa inocente, a casca ainda está viva - ela contou, dando um sorriso confiante - Se fizer isso, você não será diferente de mim… Não será diferente de nenhum outro demônio!

- Allison, não faça isso! - ouvi Maya me repreender, eu sabia que ela estava se contorcendo para se soltar - Essa mulher é inocente, não faça isso!

- Vamos, garota! - O demônio me desafiou novamente, dando mais um passo em minha direção, me fazendo recuar - Puxe a porra do gatilho! Como vocês dizem mesmo? Você não passa de um monstro, como eu!

- Me diga o que quer, Ava!! - as palavras saíram tão forte na minha garganta, como se tivesse a rasgado.

Ava começou a rir, era tão cínica. Ah, como eu queria puxar o gatilho… Mas, eu não podia. Eu iria matar uma pessoa inocente, e isso eu não faço.

Por mais que esteja tão perto, bem aqui na minha frente… Respirei fundo e tentei manter minha postura calma.

- Primeiro, largue a arma - ela ordenou, encarando fixamente o revólver em minhas mãos.

Bufei e a travei novamente. A desmontei por inteiro e depois a joguei na cama mais próxima. 

Ouvi a Rogers suspirar, talvez ela saiba como vai acabar e eu também. Contrai minha mandíbula, eu estava tão irritada.

Ava deu a volta e parou atrás de mim, retirou uma pistola do meu tornozelo e o carregou novamente. Essa não era prata, não era sal grosso. Eram balas, para humanos.

- Obrigada pelo presente - ela agradeceu sorridente e jogou a arma para um de seus homens, que manteve próxima a cabeça da minha mãe - Agora, sim. Vamos conversar.

- Fala logo o que é, Ava. 

- Eu só quero deixar uma coisa clara… - o Demônio me encarou, bem de frente. Ergui o queixo, eu iria desafiá-la se precisasse - Minha nova casca está bem ali.

Olhei para onde seu dedo apontava, temendo a direção. Quando olhei por cima do ombro, já era de se esperar que ela falava da minha mãe.

Ava se distanciou de mim e parou na frente da minha mãe, estava próxima de possui-la.

- Espera! - falei de repente, parece ter deixado ela surpresa - Não use ela.

- Allison, não - Maya falou rapidamente, tentando se desvincilhar das mãos dos homens - Nem se atreva, garota!

- Uh… Agora, 'tá interessante - Ava comentou novamente, ignorando os protestos da minha mão - Continue, Allison… Eu tenho os Winchester para matar, ainda. 

Eu engoli seco, estava tão indecisa. Não dá para deixá-la fazer isso, nem com a minha mãe e nem com o meninos.

Mexi minhas mãos, nervosamente. Nem dava para acreditar que eu diria algo assim, eu estava tão irritada comigo quanto essa diabinha.

- Ah… Eu já entendi - Ava começou a rir e apoiou seu braço no meu - Está querendo se sacrificar pela sua mãe? Que fofo… Dá até nojo.

- Ser usada como camisinha de Demônio não é meu passatempo preferido - arqueei minha sobrancelha, empurrando ela para longe de mim - Se você me possuir, não irá machucar minha mãe e nem os Winchester's. E nem mesmo, Bobby Singer.

- 'Tá, 'tá bom - ela revirou os olhos, cruzando os braços na minha frente.

- Allison, olha aqui! - encarei minha mãe por um momento - Não faça isso, Demônios mentem! 

Ao mesmo momento que disse isso, um dos homens acertou um soco em seu queixo. Eu me movi, para ir até ela.

Mas, Ava me impediu. Sua mão foi até meu pescoço e me pressionou contra a parede, tirando meu fôlego.

Já tinha perdido a conta de quantas vezes, já tinha sido enforcada, só essa semana. Tentei me soltar, mas não tive tanta sorte.

- Então, eu tomo conta do seu corpo, mas não irei machucar nenhum dos seus amiguinhos de merda - Ava tentou negociar, mas eu ainda não queria aceitar.

Minha mãe estava certa, Demônios mentem. Poderia ser até pior se eu fizesse isso, porém não podia deixar minha mãe ser morta. 

Nem ela e nem ninguém. Estava prestes a cuspir em sua cara, mandá-la para o inferno.

Porém, acenando com uma das mãos, o Demônio pegou a arma e a engatilhou. Pressionando a arma contra a cabeça da mais velha.

- Me diga, Allison… - pediu Ava, dando um sorriso vitorioso e sombrio - Como vai ser? 

- Eu… 

… 


Pov's Narrador:

O relógio marcava oito horas da manhã. O tic tac do objeto na parede, tirava toda a atenção do Singer. 

Os dias, as semanas haviam se passado… E nada de Allison lhe dar notícias. Fazia quase dois meses, desde a última vez que tinha feito contato com ela.

Sua preocupação estava matando o Singer pouco a pouco. Tomava várias cervejas, whiskies, vodkas… Tentando distrair sua mente de pensamentos ruins.

Imaginava todo tipo de situação que poderia ter acontecido com ela, era ruim. Na verdade, era horrível. Cansativo, e consequentemente, exaustivo.

Um de seus amigos ligou para ele, ontem mesmo, pedindo por ajuda em um de seus casos. Cerca de três lobisomens.

Mas Bobby não podia fazer isso, queria apenas pesquisar e estar em casa para receber sua " filha ", quando ela passasse por aquela porta.

Esperava recebê-la com uma cara de culpada e milhares de desculpas esfarrapadas, por não dar notícias por tanto tempo.

Nem precisaria ser uma boa desculpa, apenas uma. Assim, podia lhe dar uma bronca e depois abraçá-la, daquele jeito paterno e acolhedor.

Mas, por enquanto, nada. Nenhuma ligação, mensagem… Absolutamente, nada. Era como se tivesse desaparecido do mapa.

O que não era possível, pelo menos não por muito tempo. Ainda mais para um caçador, notícias correm rápido nessa vida e a qualquer momento ela estaria de volta.

As batidas na porta de sua casa afastaram seus pensamentos. Bobby ergueu o queixo e tirou uma arma de cima da mesa, caminhando em direção a entrada.

- Hey, Bobby.

- Somos nós, Sam e Dean.

Pôde ouvir a voz dos meninos do outro lado da porta, mas não sabia se realmente eram eles. 

Deixou a arma carregada, bem atrás do seu corpo e abriu a porta de uma vez. Revelou a silhueta dos dois jovens Winchester's.

Dean abriu a boca para cumprimentá-lo, mas rapidamente sentiu um líquido gelado cair em seu rosto. Seus olhos se fecharam automaticamente.

- Água benta. Que lindo - o loiro comentou, após cuspir a água no chão, do lado de fora da casa.

- Somos nós, Bobby - Sam falou novamente, tirado um canivete de prata do bolso e pressionou contra sua mão - Viu? Nada de monstros.

- É bom ver vocês dois… - o mais velho suspirou, acenando para que entrassem.

Bobby rapidamente se virou para eles novamente, viu que entraram e saíram da Armadilha do Diabo facilmente.

- Por que sempre jogam em mim e não no Sam? - Dean resmungou, enquanto usava a barra da blusa xadrez para secar o rosto - Ele é mais alto que eu, e ainda assim, só jogam em mim.

- Força do hábito, Dean - o irmão tocou seu ombro, com um sorriso e se aproximou do Singer - Então, qual o problema, Bobby?

- Ah, nada demais - o mais velho levantou as duas sobrancelhas, de forma irônica - Alguma demônios aqui, outros vampiros ali… Rotina, sabe como é, Sam.

- Ela ainda não te deu notícias? - o Winchester mais novo perguntou a ele, se referindo claramente a Hasthings.

- E você ainda fica surpreso, Sammy? - seu irmão caçoou, com um sorriso divertido no rosto - É a cara dela fazer isso. Só nos avisa, quando precisa de algo.

- Pode ter acontecido alguma coisa, Dean - o Singer pigarreou. A última coisa que precisava era da ironia do Winchester.

- Mesmo que tivesse acontecido, ela iria mentir, né - o loiro deu os ombros, mostrando tal indiferença - Ela não passa de uma mentirosa. A melhor coisa que ela faz é mentir.

- Dean, não fala o que não sabe - Sam tentou repreendê-lo, notando a postura tensa de Bobby - Allison tem seus motivos.

- Oh, sim - o loiro revirou os olhos, sorrindo sarcasticamente - Quando ela mentiu sobre a mãe dela ou quando ela mentiu sobre não ter se machucado. 

- Cale a droga da boca, Dean - Bobby elevou o tom de voz. Os olhos esverdeados do jovem adulto se voltou para o Singer, surpresos - Meça suas palavras quando falar da Allison, garoto.

Bobby estava parado de frente para Dean, perigosamente. Seria quase uma ameaça, se não o conhecesse.

Dean pôde notar o quanto Bobby gostava daquela garota, era realmente um segundo pai para ela e sabia que Allison sentia o mesmo.

Ele a tratava como a filha que sempre quis ter e Allison admirava Bobby como um pai, que fez falta em sua vida quando morreu.

Sam se aproximou e os afastou, não gostava de vê-los assim; sempre brigando um com o outro. Ainda mais sobre essa situação e esse assunto.

Assim como eles, o caçula também estava abalado e preocupado. Perdeu seu pai e depois se distanciou da sua melhor amiga. 

- Não tem como piorar… - Sam suspirou, derrotado. Essa situação acabava com ele.

- Oh, você acha? - Dean arqueou uma sobrancelha, bufando.

Sam estava pronto para retrucar, quando uma batida na porta chamou a atenção dos três caçadores. 

Os irmãos pegaram suas armas, sinalizando para Bobby ir abrir a porta. O mais velho então o fez, mas não antes de pegar seu rifle.

Outra batida na porta, mais forte desta vez. Bobby apressou os passos e acenou com a cabeça, para os meninos prestarem atenção.

- Bobby, sou eu! 

Os olhos dos três se arregalaram, quando ouviram a voz que vinha do outro lado da porta. 

Fina e amarga. Tanto Dean, quanto Bobby e Sam notaram a estranha fiz arrastada da Hasthings. 

- Allison? - o Singer perguntou, logo que abriu a porta.

- Pequena, vem cá - Sam rapidamente se aproximou, quando notou sua amiga toda ferida, mal parava em pé - Deixa eu ver seus machucados.

A Hasthings estava toda machucada, dos pés a cabeça. Havia hematomas e cortes, no rosto, nos braços e até no pescoço.

Sua calça estava rasgada nos joelhos e nas coxas, deixando uma trilha de sangue, indicando onde haviam cortes.

A mulher respirava com dificuldade. Uma de suas mãos estavam manchadas de sangue pressionando a ferida em sua costela - era outra facada.

- Garota, o que houve com você?! - Bobby perguntou apressado, a ajudando pressionar o maior dos ferimentos.

- F-foram demônios… - Allison praticamente cuspiu suas palavras, se engasgando com a própria saliva - Filhos da mãe! - ela exclamou, quando sentiu uma dor ajuda atingir seu peito.

Mas o sorriso em seu rosto não deixou de transparecer. Sam rapidamente correu para pegar gaze e agulhas para dar ponto em todos esses machucados.

No entanto, seu irmão não teve a mesma reação. Dean continuou parado, no meio da sala. Ainda estava atônito com a cena que via; a mulher estava totalmente machucada.

O loiro não teve uma primeira reação, estava observando sua expressão e suas caretas de dor e sofrimento. 

- Dean, pelo amor de Deus, está me ouvindo?! - o grito de Bobby o tirou dos devaneios, fazendo com que despertasse - Vai pegar toalhas, idjit! 

- 'Tá, eu 'tô indo! - exclamou, um pouco antes de sair correndo da sala, indo procurar o que o Singer havia pedido.

 Estava tão perdido, nem parecia que estava ali. Não se lembrava onde Bobby guardava suas coisas, sua mente estava totalmente em branco.

A única coisa que se passava, era o estado da Hasthings. Nunca a tinha visto tão machucada, não tinha ideia de como estava assim e como pôde deixar isso acontecer para não chamá-los.

Depois de alguns minutos, Dean voltou a sala e entregou as toalhas que Bobby havia pedido. A saliva desceu com dificuldade em sua garganta, quando a viu novamente.

Seu irmão estava ocupado demais, tentando pressionar a ferida mais problemática. Não sabia o que fazer, mas queria ajudar.

Ele precisava fazer alguma coisa, não dava para ficar ali; totalmente parado, sem reação. 




Notas Finais


Uia, negociações... O que vocês acham que aconteceu?? 🤔
Dean sem reação ao vê-la toda machucada 🤭

Até breve, Hunters??? 💕😊


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