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História Supernatural - The Hunters - Capítulo 88


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Capítulo 88 - Capítulo LXXXVII


Fanfic / Fanfiction Supernatural - The Hunters - Capítulo 88 - Capítulo LXXXVII


A Hasthings continuava com os olhos focados na tela de seu notebook, com os dedos deslizando pelo teclado, em busca de respostas. 

Fazia pouco tempo desde que os Winchesters tinham saído do prédio, a fim de descobrir algo. Principalmente, sobre lendas relacionadas à este antigo casarão. 

E enquanto lia outra notícia de anos atrás, sentiu suas costas doerem por conta da posição que estava. Algo estava começando a incomodá-la e sabia que não era algo apenas físico. 

Audrey ainda não tinha voltado, o lugar era maior do que parecia. A mulher olhava cada lugar com atenção e analisava pontos que pareciam ser mais importes. Até foi atrás de enxofre ou qualquer coisa que pudesse ter relação com Demônios. 

Poderia ser bom, pois ela não havia achado nada. Talvez seja outra criatura, como tinham imaginado. Afinal, por que um Demônio faria algo do tipo? Porque até era possível. 

Seu ponto de partida, tinha sido o lugar exato de onde o corpo foi encontrado. Não havia mais marcas de sangue no carpete de madeira escura e nem sinais de um homicídio recente.

Ela girou no mesmo lugar, se recordando facilmente de como o corpo tinha sido encontrado. E era como se ele estivesse ali, nesse exato momento, ela podia vê-lo.

Com os olhos arregalados e os membros estáticos. Uma poça de sangue se formando em volta de sua cabeça, manchando o velho carpete. 

Audrey inspirou fundo algumas vezes e pensou com calma, já tinha feito isso antes e seria fácil de descobrir. Era só mais um caso. 

Ela se obrigou a olhar para cima, onde estava o segundo andar da casa e depois o terceiro. Era uma altura consideravelmente alta. O teto do casarão já era alto, dando um espaço mais aberto para o ambiente. Mas, foi bem ali que Audrey começou a seguir com a investigação. 

A escada era bem perto do lugar de onde o corpo havia sido encontrado, este e outros dois. Possivelmente, uma queda “ acidental ”. Mas, não para um caçador, algo tinha causado isso. 

Dawson olhou para a escadaria e pulou para o primeiro degrau, subindo pouco a pouco, obrigando sua mente a trabalhar. 

— Traumatismo craniano — ela começou a se recordar do que leu, para chegar em alguma conclusão plausível —, deitado de barriga para cima e com fratura nos membros do corpo. 

Quando chegou no segundo andar, Audrey se inclinou contra a beirada da grade de maneira, pensando numa forma de resolver esse enigma. 

— Não pode ter sido empurrado —  ela ponderou, num sussurro —, ou o corpo estaria mais distante.

Ela fazia isso, analisava cada canto e detalhe, com precisão e calma. Era fácil separar o que óbvio e o que seria mais difícil de descobrir. 

Mas, sua real preocupação, era saber se realmente estava sozinha neste lugar. O que começou deixar dúvida, quando sentiu um calafrio por seu corpo. 

Era como se a temperatura tivesse caído, de repente, e o clima estivesse um pouco abaixo de zero. Dawson se apressou para apertar os próprios braços, numa tentativa fracassada de se manter aquecida por mais um tempo.

Porém, tinha algo errado. Sendo uma caçadora, sabia que esse tipo de coisa não era normal e que, dessa vez estava certa, ela não estava sozinha. 

— Olá. 

Uma voz soou meiga e curiosa atrás de si. Audrey se virou no mesmo instante, se deparando com a mesma garota que passou correndo por eles mais cedo.

Ela segurava a barra do vestido entre os dedos, demonstrando certa vergonha por falar com uma total estranha. 

— Oh, olá — ela se esforçou para sorrir, apesar do frio, e ficou surpresa pela garota não demonstrar nenhuma reação — Você é a Candy, então. Muito prazer. 

— Qual seu nome? — a pequenina demonstrou interesse, com um sorriso nos lábios.

— Audrey. 

— É bonito. Eu gostei dele! 

Candy fez seu sorriso crescer, repentinamente, quando ouviu Audrey dizer seu nome. 

Parecia que ela era aquela doce menina, inocente e curiosa, que questiona tudo em seu caminho. 

— Puxa, obrigada. Eu também gostei do seu nome, é belo — por alguns instantes, ela não sabia o que dizer e se entusiasmou com o ânimo de Candy — Posso te perguntar uma coisa, Candy?

— Pode — a garota continuou sorrindo.

— Você notou algo estranho, nas últimas semanas? 

— Estranho? Como assim? 

Quando a pequenina jogou a cabeça para o lado, Dawson se recordou de Castiel por alguns segundos. 

A típica cara confusa que o anjo fazia com frequência, quando não entendia o assunto. Era como lidar com Castiel, neste momento. 

— Algumas luzes piscando, ou talvez um frio repentino como agora? 

— Isso acontece faz tempo — Candy respondeu, de forma inocente — Mamãe disse que é o termoTeno… 

— Termostato? 

— Isso! — ela sorriu novamente — Mamãe disse que ele está quebrado, mas não faz diferença porque vamos nos mudar. 

Seu semblante ficou triste, de repente. E, mesmo sendo bem mais velha que a garota, compartilhava desse sentimento de deixar seu lar. 

Ela não teve escolha, ao voltar a caçar. Tinha que fazer isso, não lhe restava opções. Mas, pelo menos, Candy iria para uma casa nova, não iria atrás de um Ninho de Vampiros. 

Candy! Onde você está, querida?

Ambas ouviram a voz familiar de Susan. A pequena se inclinou contra a grade e pôde ver sua mãe, no andar debaixo, à sua procura. 

Vamos, temos que empacotar seus brinquedos ainda! 

— Mamãe, eu 'tô aqui! — a garotinha acenou com as mãos, tentando ter sua atenção — Tchau, Audrey! 

— Até depois, Candy! 

A mulher pôde ver a criança descendo as escadas, pulando um degrau ou outro, conforme se aproximava de sua mãe. 

Susan, então, recebeu sua filha de braços abertos e beijou sua testa quando a abraçou. Ela também viu Audrey, encarando as duas, e sorriu de maneira acolhedora para a jovem. 

E quando notou ter sido descoberta, ela acenou de volta e mostrou um sorriso menos tenso do que esperava. 

Não tinha descoberto tanto quanto queria, mas serviria de algo. Ainda tinha muito o que fazer, a pesquisa só estava começando. 

Terminou de avaliar todas as possibilidades e também procurou montar a melhor teoria que podia em sua cabeça — e a que mais fazia sentido. 

— Eu tenho uma boa notícia — Audrey alertou, logo que encostou a porta do quarto — Minha teoria é que todos caíram do terceiro andar, mas é impossível ter certeza, já que ninguém viu e as grades de madeira estarem inteiras. 

— Foi isso que te ensinaram na Universidade de medicina? — Allison abriu um sorriso torto, encarando a caçula.

— Na verdade, foi o que eu aprendi no curso da perícia que fiz — ela devolveu o mesmo sorriso e se sentou com ela à mesa — Mas, isso não vem ao caso. Foi tudo o que pude entender, além da queda de temperatura. 

— Rastreou sinal no EMF? 

— Um pouco. O suficiente, para ser estranho — Audrey continuou explicando, e deixou o dispositivo na mesa, que usou pouco antes de voltar para o quarto — Porém, não achei ectoplasma em lugar algum. Nem nos locais que achei ser a cena do crime, o que é mais estranho ainda.

— Bom, isso é mesmo — Hasthings concordou, fechando a tela do notebook, antes que Audrey pudesse ler algo — A única coisa que nos daria uma pista, seria o EMF. Mas, nenhuma atividade? É difícil acreditar. Falou com alguém?

— Apenas com a menina, a Candy. 

Pacientemente, Allison ouvia tudo o que a Dawson dizia. Todas as suas suposições do que possa ter acontecido e tudo o que a pequena garota havia lhe contado, talvez fosse importante mais tarde.

Mesmo assim, a mais velha insistiu em apertar a mesma tecla e ainda suspeitava que a mudança da família da Susan desencadeou toda a raiva e revolta de alguém que ficara preso no casarão.

— E você, teve algum sucesso? — Audrey mudou de assunto, quando cansou de falar. 

— Não tanto quanto eu gostaria — ela jogou uma pasta no centro da mesa, esperando que a Dawson pegasse — Olhei os registros de óbitos, nos últimos cinquenta anos e não encontrei nada parecido com morte na beirada da escada, muito menos nesse lugar.

— Objeto amaldiçoado pode estar na lista, então?

— Pode ser uma opção —  Allison se debruçou sobre a mesa e começou a gesticular com as mãos — Isso é um hotel, muitas pessoas passam por aqui e acabam deixando algum pertence para trás. Talvez alguém tenha deixado um, só que esqueceu de anotar nas entrelinhas que poderia prender uma alma penada no lugar.

— Hilário, Ali.

— Eu sei, sou mesmo uma graça — ela mostrou seu melhor sorriso, pouco antes de voltar a olhar os registros —, às vezes não dá ‘pra evitar. 

Audrey estendeu os braços, a fim de pegar o notebook que Allison usava. Imaginava que parte das páginas de pesquisa continuava aberta, então poderia ajudá-la a encontrar algo. 

Mas, assim que voltou a abrir a tela, Allison pulou de supetão da cadeira, quando a viu ler o que estava escrito na barra de pesquisa. 

Anjos e Demônios, quais seus poderes e o que são capazes. Mas, não respondia a verdadeira pergunta, escrita na barra de pesquisa: O que o sangue de um Arcanjo pode fazer? 

— Não é o que você está pensando — Allison prontamente disse.

— Então, me explique — a caçula pediu, voltando a mostrar a tela para ela — Por que voltou nesse assunto, Ali? Castiel lhe contou tudo, qual o problema agora?

— Muitos, Auddey, muitos problemas! 

A Hasthings se levantou da cadeira. Socou tão forte a parede, quando parou próxima da janela — parecia ser uma melhor opção, do que encher sua mão de cacos de vidro e sangue. 

— Depois do que Cass me disse, eu comecei a pensar mais sobre isso — contou, sem desviar os olhos da janela — Quer dizer, por que eu? Nunca fiz nada tão importante na minha vida e não tenho ideia do que porque sou a favorita de Michael. Uma vez que ele, praticamente, ordenou que meus pais ficassem juntos, ele sabia que seria eu. 

— Achei que tivesse esquecido isso.

— Não dá ‘pra esquecer. Anjos, Demônios, Arcanjos, tanto faz… São todos idiotas, lutando e destruindo todo o lugar por onde passam. 

Audrey ponderou sobre suas palavras por alguns instantes. Olhou brevemente para a tela do notebook e depois para sua amiga, pensando nas melhores palavras para lhe dizer.

De uma coisa sabia, e não podia deixar Allison lidar com isso sozinha. Se disse tudo isso, certamente Dean não estava sabendo sobre isso. 

— ‘Tá legal — Audrey a olhou —, vamos cuidar desse caso antes. E, depois, eu vou virar quantas madrugadas você precisar, para descobrir a verdade. 

— Você odeia passar a noite trabalhando. Por que faria isso?

— Porque é o que a família faz. 

A Hasthings se permitiu sorrir por poucos segundos, Audrey conseguiu convencê-la e estava mais do que certo que elas iriam descobrir algo. 

Quando Allison voltou a se sentar na cadeira, para levar o trabalho mais a sério, pôde ouvir Audrey suspirar brevemente.

—  E, sim, eu odeio virar a noite trabalhando — comentou, olhando os documentos —, mas não vou deixar você sozinha. Imbecil.

— Sei, sei. Vadia.

Audrey reclinou seu corpo no encosto da cadeira e focou no trabalho, ou no que parecia ser mais importante agora. 

Se Allison realmente estivesse interessada em saber o que houve consigo, era melhor não estar de mãos atadas enquanto salva outras pessoas. 

… 

Sam finalmente voltou para a mesa externa de uma cafeteria, que tinham achado aos arredores do hotel. Seu irmão estava à sua espera, com um jornal da manhã na mesa.

Ele abaixou, assim que avistou o irmão. O caçula ainda não entendia seu irmão, que mesmo com tanta tecnologia, ainda ficava preso em jornais de papel. 

Mas, não é como se estivesse em posição de julgá-lo. Dean não entendia como seu irmão podia ler tantos livros, sem ao menos ser obrigado a isso. 

— Então, alguém disse alguma coisa? — Sam perguntou ao irmão, entregando um copo descartável de café à ele.

— Me olharam como se eu fosse um maluco, Sammy — ele resmungou, levando o copo até os lábios — Merda. Por que é sempre tão difícil alguém ser receptivo?

— Digamos que você pareça um pouco maluco, assim. Ninguém, realmente, gosta de ficar falando quantas pessoas já morreram na própria cidade onde mora, Dean — o caçula explicou, olhando o irmão — Podemos ir até a biblioteca, sempre tem alguém que sabe de algo. 

— É nesse tipo de caso, que eu acho que você e a Ali formam uma ótima dupla.

— Nós somos. E ela é uma companhia melhor que você, quando se trata de livros. 

— Eu não gosto de ir lá. É entediante e muito quieto — o Winchester fez uma careta — Eu gosto de ação, Sam. Ler é uma perda de tempo.

— No momento, você é uma perda de tempo — Sam retrucou — Nunca fale mal de livros, Dean. Não são só livros, são mundos e histórias diferentes. Você se envolve na escrita e pode jurar estar entre os personagens, é algo incrivelmente bom. Muitos usam como válvula de escape, exatamente por isso, para se distrair da triste realidade desse mundo. 

O loiro cerrou os olhos, examinando as palavras do irmão. Que, na verdade, não serviram agora muita coisa.

Ele não gostava de ler, desde sempre. Se não fosse por necessidade, ou para um caso, não iria encostar em um livro por livre e espontânea vontade.

— Chato, chato, chato — ele falou rapidamente, e olhou o jornal — Agora, vamos focar em um plano melhor, por favor.

— Não temos nem um plano A. Quem dirá um B. 

— Podemos pensar em alguma coisa. Confie em mim. 

— Dean, um plano não vai despencar do céu, na sua cabeça — o irmão apontou em sua direção, gesticulando com as mãos — Mas, fosse 'pra cair alguma coisa na sua cabeça, deveria ser juízo! 

— Que engraçado. " Haha " — Dean fez uma careta, diante das palavras de seu irmão. Olhou por cima de seu ombro, por poucos instantes — Sammy, olha ali. Vai, rápido, olha! 

— Olhar o que? 

Uma vez que Sam se virou, usando o encosto da cadeira como auxílio, ele avistou uma mulher. Ela parecia ser mais velha que ambos e estava aos berros com um homem.

Ela dizia coisas sem sentidos e ameaçava avançar em sua direção. Os olhos estavam arregalados e vermelhos, como se tivesse chorado por horas — ou, aos olhos de Dean, estivesse sob efeito de alguma droga. 

Eles se olharam brevemente, não sabiam exatamente o que fazer. O segurança iria chegar logo, era só outra pobre mulher perdida. 

— Foi ela! Eu sei que foi! — a mesma mulher se debateu, quando um garçom tentou segurá-la — Ela matou meu marido! Foi ela! Foi ela! 

— Senhora, por favor, se acalme — o homem suplicou, para não causar incômodo nos restantes dos clientes — Venha comigo, vou acompanhá-la até a saída. 

— Não, me largue!! — a mulher se debateu novamente, aos berros — Você não entende! Foi aquela menina no Casarão West!! 

Os dois irmão se olharam, e no instante seguinte, correram na mesma direção onde a mulher gritava — parecendo estar alucinada. 

Dean apanhou seu distintivo do FBI e mostrou para o garçom, se identificando como um agente. 

O caçula se aproximou, para tentar afastar a mulher dos outros e acalmá-la. 

— Tudo bem — o Winchester acenou —, somos do FBI. 

— Me larguem! Vocês não entendem!! — a mulher se debateu nas mãos de Sam, gritando — Ninguém aqui entende!  

Quando Dean se aproximou, a mulher dobrou o braço e acertou o nariz do mais velho. 

Ele cambaleou para trás com o golpe que levou. Sam puxou os braços da moça para trás, assim ela não poderia machucar mais ninguém. 

— Aí, merda! — Dean gritou, levando as mãos até o rosto — Por que o nariz?! Por que sempre tem que ser meu nariz?! 

— Talvez porque você mereça — o irmão encolheu os ombros.

— Cala a boca, Sam — ele o olhou, com uma careta —, cala a boca. 

— Antes temos que falar com ela. 

Os Winchester olharam para a mulher encolhida na cadeira, com os braços cruzados na frente do peito. 

Agora, ela tinha realmente chorado. A mulher fechou os olhos com força, como se fosse evitar toda a dor que sentia. 

Enquanto o mais velho apertava e massageava o nariz ferido, Sam se concentrou em entrevistar a mulher de uma jeito formal.

Se identificou como agente do FBI e pediu para que acalmasse. O garçom voltou com um copo d'água para ela e um saco de gelo, para o nariz de Dean.

— Obrigado — Sam assentiu para o garçom e se virou para a moça, entregando o copo — Pronto, beba um pouco. Se acalme, e me conte o que aconteceu, senhora…? 

— Marshall. Julie Marshall — ela se apresentou, com a voz trêmula.

— Aí. Ôh, Sam — ele tocou o braço de Sammy, chamando sua atenção — É ela, a mulher do J.J Marshall. A outra pessoa que estava no hotel, com ele! 

Ambos se olharam, suspeitando do que Julie poderia ter visto. A mulher levou o copo até os lábios, com as mãos tremendo. 

Dean afastou o saco de gelo do rosto, para melhor olhar seu irmão. Não sabiam o que fazer com Julie Marshall, mas ela seria uma peça fundamental. 

… 

— Eu já estou ficando cansada — Allison olhou para sua mesa, agora bagunçada, com pilhas de livros e papéis — Espero que os meninos tenham mais sorte que nós. Porque estou presa num beco sem saída.

— Talvez tenhamos olhado pelo ângulo errado — Audrey argumentou, avaliando a papelada —, mas eu também estou ficando cansada. 

— Vou até o saguão, acho que vi aquelas máquinas de salgadinho — Allison se levantou, calçando seus sapatos e ajeitou a blusa, que estava amassada, no corpo — Quer alguma coisa?

— Uma resposta — ela forçou um sorriso no rosto, e suspirou após. 

— Eu volto logo.

A Hasthings soltou uma leve risada, enquanto saía do quarto. Ela desceu até o saguão e viu todas aquelas caixas e pertences sendo empacotados pelos funcionários do casarão. 

Ela assentia para algumas, na intenção de cumprimentá-los. Quando chegou na máquina de salgados, ela usou seu dinheiro e pediu algo para ela e para Audrey. 

— Ah, você deve estar brincando! — ela bateu na máquina, quando viu que seu pacote de salgadinhos não tinha saído — Cara, eu odeio essas merdas! 

Allison se lembrava da máquina de seu bar e que, assim como aquela, todas tem algum truque. 

Ela olhou para os lados, por alguns instantes. Acertou com o punho a máquina, quando notou que estava sozinha. Em questão de segundos, seu pedido havia aparecido no depósito. 

— Fácil como um arremesso livre — ela sorriu orgulhosa, afim de voltar para o quarto.

Susan estava atrás do balcão, aos olhos da caçadora, parecia estar organizando alguma papelada. Muito provável, que seja algo relacionado aos seus últimos hóspedes. 

A Hasthings mostrou um sorriso fraco quando passou por ela, para cumprimentá-la. Susan retribuiu o mesmo sorriso, quando a viu.

Mas, fechou a cara quando olhou para cima.

— Candy, desça daí, filha! 

Ouviu ela brigar com Candy, ao ver a garota com os pés pendurados através do corrimão da escada. 

Olhou em sua direção, e ficou confusa por não ter chamado a atenção da garota ao seu lado, que estava sentada da mesma forma que Candy.

— Não posso, Bonnie quer que eu fique aqui — a garota justificou, mostrando um belo sorriso para sua mãe. 

— Deixe de brincadeiras, Candy — Susan lhe repreendeu, apontando para o chão — Desça daí, antes que se machuque. 

Allison franziu a testa, cada vez mais confusa com a conversa entre mãe e filha. Como Susan pode não estar vendo aquela menina ao lado de sua filha? 

A Hasthings arregalou os olhos, talvez só ela possa ver a garota? Além dela e Candy, ninguém mais parecia notar sua presença. 

Ela apressou o passo, para voltar até o quarto e contar a Audrey. Rezava para que ela e os irmãos pudessem ter visto a mesma garota que ela, ou ficaria ainda mais assustada. 

Ao subir no andar de cima, um calafrio percorreu seu corpo. Como se temperatura tivesse caído absurdamente e sem explicações alguma. 

Moça, pode me ajudar? 

Uma voz fina e calejada falou bem atrás de si. Allison inspirou fundo, tomando coragem para se virar, pois aquela não era a voz da Candy. Além disso, a garota havia acabado de descer as escadas para encontrar a mãe. 

— Moça, por favor — a menina chamou, desesperada — Eu preciso de ajuda. Você pode me ajudar. Então, me ajude. Por favor, moça. Me ajude. 

A garota continuou falando, as súplicas. Quando Allison tomou coragem para se virar, encontrou uma pequena menina. 

Aquela mesma que estava com Candy, mas agora podia ver melhor seus traços. Ela parecia uma boneca de porcela. 

Os cabelos cacheados e loiros, presos em dois rabos de cabelo. O vestido impecável, embora estivesse um pouco amassado. 

Sua pele era pálida, os lábios estavam roxos e ela parecia chorar, como se estivesse assustada. 

— Eu só quero ir embora — a menina continuou choramingando — Por favor, me ajude a ir embora. 

— Se acalme, eu ajudo. Qual seu nome, garota? 

— B-Bonnie. 

— Bonnie, tudo bem — ela sorriu fracamente, sem saber o que dizer — O que aconteceu com você? 

Mas, antes que pudesse responder, sua imagem começou a falhar. Como se um canal de TV estivesse fora do ar, Bonnie começou a desaparecer. 

Enco- a… B-bo-neca. Por… Favor! 

Allison recuou, com medo do que poderia acontecer. Não sabia o que tinha acontecido e nem como essa pobre menina continuava presa neste lugar, mas ela não parecia ser má.

Ela olhou ao redor, para garantir que não tinha ninguém por perto. Se apenas Allison conseguia ver a garota, achariam que ela está louca por falar sozinha no meio do corredor. 

— Audrey, acho que sei o que aconteceu — ela falou, logo que abriu a porta.

A Dawson pulou de supetão da cadeira, para olhar quem havia acabado de entrar. Estava tão focada, que mal percebeu. 

— Porra, Allison! — ela resmungou, inspirando fundo — O hotel está assombrado e você chega, parecendo uma entidade! 

— Eu descobri uma coisa. 

— Manda a bomba. 

Assim que Allison se sentou na cadeira, explicou brevemente o que aconteceu no corredor. Não quis lhe dar detalhes, para não assustá-la.

Mas, havia dito que encontrou Bonnie, era só uma garota assustada que queria ir embora. Ainda podia se lembrar da sua voz fraca e aos prantos. 

A Dawson seguiu sua linha de raciocínio e excluiu a possibilidade de realmente ter sido um assassinato, já que quase todas as suas teorias eram baseadas em crueldade. 

— Isso explica a maneira que os corpos foram encontrados — ela sussurrou para si mesma.

— O que?

— Olha, os corpos caíram de costas — Audrey usou as mãos, para gesticular o acidente —, não havia impressões digitais, porque talvez não existam. Eles se assustaram quando viram a garota, o que explica o ataque cardíaco em um deles. 

— Nem todos sabem lidar bem quando uma coisa dessas acontece — Allison deu os ombros, enquanto ela mesma tentava aceitar o que tinha acabado de acontecer — Enfim, Bonnie comentou sobre uma boneca. Não entendi direito, mas talvez seja o objeto que a mantém presa aqui. 

— Ali, eu sei que ela é só uma menina. Mas… — Audrey a olhou, encolhendo os ombros — Estou tentando ser realista, e se ela realmente os matou? 

— A Bonnie não fez isso — a Hasthings abaixou os olhos, envergonhada — Eu sei disso, porque conheço o olhar de medo, de vergonha, de arrependimento. Ela não quis fazer isso, só queria ir embora, ficar em paz.

Audrey ficou poucos segundos, absorvendo o que sua amiga tinha dito. 

Não queria ser tão direta, mas era melhor lhe dizer a verdade, do que ficar guardando consigo mesma.

— Ainda falamos da Bonnie, ou é sobre você? 

— Do que você está falando, Auddey? — Allison cerrou os olhos, quando ouviu as acusações da caçula.

— Desde que Dominic apareceu, você está diferente. Depois que Leraie se foi, você continua voltando na mesma história — ela contou, se lembrando de todos os momentos mais difíceis, desde que chegou — Muda o disco, Allison. Já chega, já acabou. Você não pode mudar o passado!

— Não se trata do passado — ela a cortou, antes que continuasse seu discurso — E o que acontece agora, ? Você tem a resposta? Porque eu não. Não sei o que pode acontecer, mas se qualquer outra pessoa souber o que Michael fez comigo, isso me transforma em um alvo. Não só eu, mas em todos vocês. E eu quase esqueci, Lúcifer continua fora da jaula, é claro. De quem você acha que ele irá atrás depois? 

Allison suspirou, quando terminou de cuspir todas palavras que estavam presas em sua garganta. 

Ela olhou para a mulher que estava do outro lado da mesa, esperando que ela pudesse dizer algo — mas não sabia o que lhe dizer.

— Eu só quero que isso acabe — ela suspirou, derrotada — Não sei o que sou capaz de fazer, e sinceramente acho que não quero descobrir. 

— Isso não tem um fim, Ali. Eu lamento, de verdade, por tudo o que já aconteceu com você — Audrey abaixou os olhos, torcendo os próprios lábios — O único jeito de lidar com a situação, é ser forte. Não importa o que aconteceu, você ainda é uma caçadora. Tenho certeza que vai resolver isso. 

— Espero que esteja certa. 

A porta se abriu num estrondo, quando Dean chutou a madeira com força. O barulho causou um susto nas duas mulheres e, desta vez, Audrey ergueu seu revólver. 

Ela respirou fundo e abaixou a arma, quando reconheceu os Winchester. Tentava se manter calma, quando na verdade queria explodir de raiva. 

— Por que fez isso?! — Allison franziu a testa, se levantando da cadeira — Bateu a cabeça com muita força, de novo? 

— Quem dera se fosse isso — o caçula entrou no quarto, tirando a própria jaqueta — Nós-

— Eu sou incrível! 

O mais velho abriu um largo sorriso, com duas pastas nas mãos. Ele se aproximou da Hasthings e a beijou de repente. 

O Winchester a soltou, quando perdeu o fôlego. Depois, caminhou até a mesa e largou os papéis ali. 

— O que aconteceu com ele? — a Hasthings questionou Sam, quando o ouviu suspirar. 

— Quem dera se eu pudesse explicar.

— Eu descobri o que aconteceu. Sou genial, vocês deveriam ter me visto antes! 

— Se você estava mais animado antes, eu prefiro essa sua versão de " Dean-alegre " — Audrey arregalou levemente os olhos, e depois olhou para os documentos que Dean achou — Onde achou isso?

— Estava largado no meio da rua, só me esperando — o Winchester mostrou o mesmo sorriso cínico —, acredita?

— Acredito que você está ficando maluco!

Audrey riu levemente com o que leu nos arquivos e depois entregou para que Allison pudesse lê-los. 

Até mesmo o caçula ficou confuso com as palavras de Audrey e esperou paciente, para que elas pudessem explicar melhor a situação. 

Depois de ler os arquivos, Allison lhe contou que haviam se precipitado e que não estavam lidando com um fantasma de um adulto. 

— Mas, eu descobri alguma coisa. Quer dizer, não descobri exatamente… — a Hasthings divagou, e olhou Dean — Enfim, não é exatamente um adulto. É só uma menina, a Bonnie.

— E como você descobriu, Pequena? 

Sam adivinhou os pensamentos do irmão e decidiu perguntar em seu lugar.

E foi quando Audrey falou, tomou o lugar de Allison para explicar. Tentando evitar a situação, mas a mais velha a interrompeu.

— Tudo bem, Auddey — ela sorriu fracamente, para tranquilizá-la —, eu preciso contar isso à eles. É importante. 

— Ali, do que você está falando? — Dean a olhou, com descrença, temia que fosse outra mentira.

— Eu consegui ver a Bonnie. Ela apareceu 'pra mim, chorando e pedindo para que eu pudesse ajudá-la — a Hasthings suspirou, ao se lembrar da imagem — Como… Era como se eu fosse a única capaz de fazer isso. 

— E como era ela? — Sam indagou.

— Como uma boneca de porcelana. Loira, com cachos nas pontas, a pele pálida e o vestido quase perfeito. 

Os irmãos se olharam novamente, dizendo mais coisas em silêncio do que podiam imaginar. 

Todo o tipo de informação que acharam importante, contaram uns aos outros. O caso parecia ser mais difícil do que no começo. 

— Meu Deus, o que houve com seu nariz?! — ela perguntou, espantada, quando viu o hematoma em sua pele.

— Uma coroa chapada me acertou, falou? Podemos ver isso amanhã? — Dean choramingou, deitando com os braços cruzados sob a mesa — Estamos perdidos mesmo, já são duas horas da manhã, e eu-

— " Preciso das minhas quatro horas de sono " — os outros três caçadores completaram a frase do mais velho, em uníssono. 

— Sabemos disso, você adora tocar nesse assunto — a Hasthings abriu um sorriso presunçoso, mas concordou — Mas, já está tarde. Eu encerro aqui. Vamos, eu vou cuidar do seu nariz.

Ela apanhou sua jaqueta e ajudou Dean a se levantar, para irem até seu quarto. 

Rapidamente, ele contou o que houve e a Hasthings fez o que pôde para ajudá-lo. Lhe entregou alguns analgésicos, para não ficar sentindo dor.

Demorou até Allison cair no sono, mas podia ouvir o Winchester bufando contra o travesseiro — mostrando o quão cansado estava. 

Dormiu depois de poucos minutos, enquanto a Hasthings mal podia fechar os olhos. Mas, não eram os pesadelos que a atrapalhavam. Na verdade, misteriosamente, nesse início da noite, não teve nenhum.

 Quando, finalmente, pôde fechar os olhos, inspirou fundo e se acalmou. Acomodada contra os braços de Dean, ela já se sentia melhor. 

Quando voltou a abrir os olhos, Allison se encontrava no mesmo quarto onde estava, há poucos segundos. 

Estava escuro e frio, não podia ouvir um único ruído. Nem mesmo sua própria respiração, era capaz de ouvir. 

Ela olhou a sua volta, mas estava sozinha. Dean tinha sumido e seus pertences também. Sabia que tinha algo errado, ela estava sonhando novamente. 

Moça, estou aqui! 

Ela pôde ouvir um único grito em meio a escuridão e silêncio. Já ti há escutado essa voz, era Bonnie pedindo sua ajuda mais uma vez. 

Allison, por favor, me ajude! — e a garota continuava choramingando, às súplicas — Eu estou aqui! Precisa me achar! 

— Eu não sei onde você está — Allison olhou ao redor, mas ainda estava sozinha — Me dê alguma dica. Volta aqui, não vá ainda! 

A boneca, Allison! a garota falou, mais animada que outras vezes — É a boneca! Allison! Allison! 


Allison! Acorda! 

Dean sacudiu seus ombros, na tentativa de acordá-la. Mas, não adiantava, a Hasthings parecia estar em um sono profundo. 

Um pouco de suor escorria de sua testa, enquanto ela se debatia na cama, como se estivesse lutando com alguém. 

— Allison! — ele a chamou novamente e segurou seu rosto, usando as duas mãos — Fala sério, isso não tem graça! Acorda, Allison!! 

Num pulo, a mulher se sentou na cama. Ela ergueu os punhos e quase o acertou, mas Dean segurou seus punhos antes que outra pessoa acertasse seu nariz. 

— Olhos verdes, um sorriso incrível. Adivinha quem é? — ele falou, tentando brincar — Se acalma, Kiddo. O que aconteceu? Você estava se revirando na cama! 

— Desculpe, não queria te acordar… — ela suspirou, piscando com os olhos rapidamente.

— Com o que você estava sonhando? Você ficava falando " Não, não ", " Volte aqui ". 

Quando se deu conta do que houve e, finalmente, pôde processar a mensagem de Bonnie, seus olhos se arregalaram. 

— A boneca! Eu preciso achar a boneca!





Notas Finais


Olá olá, manas e manos.
Não vou enrolar muito, e fazer logo minha pergunta: o que vocês acham de uma aparição do nosso querido Tio Luh?
Considerando o fato de que os Sessenta e Seis Selos já foram rompidos, na série Lúcifer apareceu pouco tempo depois disso.
Bom, vou estar esperando a opinião de vocês. E peço para que pelo menos alguns me falem o que acham dessa ideia.
Um beijo para quem quer e um abraço para quem não quer ✌🏻😗


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