História Supernatural Academy - Capítulo 29


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Categorias 5 Seconds Of Summer, One Direction
Personagens Ashton Irwin, Calum Hood, Harry Styles, Liam Payne, Louis Tomlinson, Luke Hemmings, Michael Clifford, Niall Horan, Zayn Malik
Tags 5 Seconds Of Summer, Candice King, Emeraude Toubia, Jennifer Lawrence, Nina Dobrev, One Direction
Visualizações 5
Palavras 3.915
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Aventura, Crossover, Ficção, Luta, Mistério, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Drogas, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 29 - 2 Temporada Parte A


Capítulo 14 

Visão da Izzy 

Estava agora parada na calçada da minha casa, esperando meus amigos chegarem. Já é sexta-feira, e esse fato nos assusta muito. Os dias foram monótonos, estávamos treinando sem parar e preocupados com as táticas de guerra. Enquanto alguns estão nervosos, eu estou animada; treinei a vida toda esperando o dia de realmente usar minhas habilidades. 
Estou totalmente preparada para a guerra e não tenho medo de enfrentar nossos inimigos. Porém, se vivermos, o que eu acho que acontecerá, iremos ter que compensar a matéria perdida, pois dizer que lutávamos por um bem maior não cola com o diretor. Estávamos todos de recuperação em quase todas as matérias. E sinceramente, ninguém se importava com isso. Olhava para o asfalto a minha frente quando Niall surge na velocidade da luz, ou melhor, na sua velocidade de vampiro. 
— Isabelle — ele disse enquanto me beijava, envolvendo seu braço por minha cintura. Ele era o único que eu permitia que me chamasse por meu nome, pois gostava de como soava em seus lábios. Então ele enrijeceu, se lembrando de Alec ao meu lado. Se afastou, porém sem deixar o braço de minha cintura.
— Alec... — Saudou Niall com medo. Acho que seu medo por Alec supera seu medo pela guerra. 
— Horan —  Alec devolveu a saudação, apertando sua mão. 
Me virei ao ouvir os carros de todos chegando. Aos poucos, todos estavam lá. 
— Desculpe, cheguei atrasada? 
Disse uma voz feminina muito familiar e me virei para encarar Nat subindo na calçada com Zayn logo atrás.
— Perdão, é que saímos de casa há uns... dois minutos — ela continuou, debochada. Revirei os olhos, abrindo um sorriso e me virei a todos. 
— Sejam bem-vindos a minha casa. Antes de entrarmos, Alec ditará algumas regras — eu disse.
— Primeiro: Se as portas estão trancadas, é porque não podem entrar. São os escritórios de nossos pais e o porão, onde temos meu arsenal e o laboratório da Izzy — começou Alec.
— Você tem um laboratório? — Law perguntou fascinada. 
— Sim, depois te mostro — respondi piscando. 
— E por último: Não se agarrem nos corredores, meus pais não gostam muito disso — Alec disse por fim.
— Então por que eles têm uma filha como Isabelle? — debochou Mike, mas se calou ao ver a cara de Alec. 
Abri a porta, indicando para que todos passassem.
— No primeiro andar temos a sala de jantar, a cozinha e a lavanderia — eu disse enquanto passávamos pelos cômodos. — Já aqui no segundo andar temos os escritórios e os quartos. 
Os guiei pela escadaria até a porta de uma ala que não era ultilizada há anos, de portas duplas a guardando. Peguei a chave, hesitando em abrir o cadeado. O abri e esperei que meu irmão prosseguisse. 
— Há muito tempo, quando nossos pais saíram da academia, eles precisavam de uma nova fortaleza — ele começou.
— Mas não podia ser em Supernatural Academy agora que estavam fora. Então, minha mãe e meu pai tiveram uma ideia — continuei.
— Construir sua própria fortaleza. Um lugar onde nossa armada pudesse ficar junta e treinar. Um novo lar; um lar com liberdade — Alec disse.
— E onde é? — perguntou Elena, a dúvida no olhar de muitos.
— Você está pisando nele; minha mãe construiu aqui, esse lugar, que gostava de chamar de instituto. — continuei.
— Mas quando a guerra chegou, muitos morreram e os que sobraram se mudaram para formar suas casas com suas famílias — Alec completou.
— Então, nossa mãe adaptou o Instituto, onde agora é minha casa. Onde eu cresci — eu disse.
— Essa ala ficou fechada por muito tempo, mas agora estamos a abrindo novamente. Sejam bem-vindos a seus quartos — Alec disse por fim, escancarando as portas e dando lugar a um corredor cheio de quartos, com mais de centenas deles. 
— Meus pais solicitaram que os casais dormissem em quartos separados, então... — eu disse com tristeza no olhar. 
— Podem escolher — Alec disse saindo do caminho. Eles foram entrando e escolhendo seus quartos.

Visão da Nat 

Escolhi o meu quarto; ele era grande e aconchegante. Ainda estava com medo; a guerra, para bem dizer, é amanhã… será que eu já estou pronta? Algo me diz que essa guerra vai mudar tudo. Fui arrumar minhas coisas no quarto. A cama era de casal igual a do nosso quarto em Supernatural Academy e o quarto tinha uma varanda onde a vista era bem bonita. Perto do criado mudo tinha um baú e optei por guardar minhas armas lá dentro junto com o diário de minha mãe. Como já tinha guardado minhas roupas no clóset, fui tomar um banho para relaxar. Quando saí pensei se teria alguma coisa no diário da mamãe que pudesse dar recomendações da guerra, então o peguei novamente com certo cuidado do baú.

"Querido Diário,

Agora sim estou sentindo a pressão da guerra. Maryse e Robert nos fizeram treinar a semana toda e estou particularmente acabada. Irei treinar mais, é claro, apesar de estar me sentindo forte para a batalha treinar nunca é de mais. Essa é a primeira batalha e espero que ocorra tudo bem, espero que todos se saiam bem. Estamos todos bem treinados, então acho que iremos conseguir. Estou ansiosa para a batalha, nervosa e com medo, mas James disse que tenho que manter a calma".

— Nat — ouvi me chamarem.
Levantei e abri a porta, me dando de cara com Mike. Não aguentei e o abracei.
— Hey, calma. Se estiver nervosa, não precisa ficar assim, você treinou a semana toda e nos horários de descanso — falou fazendo carinho no meu rosto.
Dei espaço para ele entrar.
— Como achou meu quarto? — perguntei.
— Perguntei para a Elena — respondeu se sentando na minha cama. — Vim te chamar para descer. Eu, Zayn e Alec precisamos dar alguns comunicados — falou.
— Pode falar para mim primeiro? — perguntei.
Ele sorriu.
— Não seria justo — me respondeu divertido. — Vamos? — Me deu a mão.
— Vamos — respondi.
Descemos a escada e logo vi Alec e Izzy conversando.
Puxei Mike para pará-lo, porque eu preciso saber de uma vez por todas se tudo o que treinei vale a pena.
— Tenho chances? — soltei.
Recebi olhares curiosos de Izzy, Alec e Mike. 

Visão da Izzy 

Olhei desacreditada para Natasha e soltei um grunhido, com raiva. Depois de todos os treinos, das noites acordada, ela ainda achava que não estava pronta? Soltei meu chicote o lançando na direção dela, que com uma grande velocidade pegou a adaga em um dos compartimentos de seu cinto militar e cortou meu chicote no ar. Levantei o braço para mostrar seu trabalho, o chicote sibilante em torno de mim, enquanto outra parte dele estava no chão. 
— Ainda acha que não está preparada para essa batalha? — perguntei sorrindo. 
— Izzy, me desculpe! — ela pediu arfando e se abaixou para pegar a outra parte do meu chicote caído no chão. 
— Isabelle, você ficou doida! Poderia tê-la matado — Mike disse furioso. 
— Primeiro: não me chame de Isabelle, se não sofrerá as consequências; segundo: Você viu o que ela fez? E terceiro: Ela só morreria se eu arrancasse seu coração — respondi revirando os olhos. 
— Mas...
— Vamos, Michael. Temos um comunicado a dar — Alec disse e então os guiou até a nossa ala de treinamento, onde já estavam todos os outros.
— Muito bem. — Começou Zayn quando nos viu. — Agora é uma fase importante; vamos definir as posições. 
— Na linha de frente irão ficar: Zayn no meio, por ser o líder. Eu à sua direita, como vice-líder. Natasha na outra linha, mas ainda na minha direção. Ao lado dela ficará Elena — continuou Mike.
— Ao lado esquerdo de Zayn, ficarei eu, e Izzy ficará na mesma linha de Nat, na minha direção. Ao lado dela ficará Law, e na linha de fundo ficarão vocês, nossos soldados — completou Alec.
— Agora haverá um último treino, antes de descansarmos para essa batalha — Zayn disse pegando seu punhal.
— Vocês irão tentar derrotar Izzy e depois tentarão passar por mim. Feito isso, poderão descansar — Alec continuou. 
Me posicionei pegando dois punhais, pois a primeira da fila era Nat. 
— Podem começar — disse Zayn indo conversar com Alec.
Nat veio correndo para cima de mim, que deslizei para de baixo de seu corpo, dando-lhe uma rasteira. 
Ela rapidamente se levantou e veio para cima de mim com seus punhais; abaixei desviando, passei um punhal por cima de sua cabeça, que desviou. 
Girei e chutei seu punhal para longe, ela me olhou e foi correndo pegá-lo. 
Deu um giro e os lançou contra mim, de longe. Me movi para desviar de um, porém ao mesmo tempo um de seus punhais cravou em minha perna. 
— Izzy! — ela arfou e correu na minha direção. 
— Muito bem, Nat. Passou no teste, agora vai para o Alec — eu disse lhe entregando seu punhal. 
Todos passaram por mim, ou quase todos. Michael se aproximou com sua katana apoiada nos ombros e peguei uma igual na mesa de armas.
— Quando quiser — ele disse com um sorriso triunfante. Dei de ombros.
Ele veio na minha direção, bloqueei sua katana com a minha, um ruído ecoando pelo pátio onde treinávamos. 
Ele girou, tentando me acertar na perna, mas bloqueei novamente. 
Mike sorriu, derrubando minha katana no chão. Chutei sua arma para a parede, onde ela colidiu com força, a lâmina quebrando e se separando do cabo. 
— Hmm — ele disse enquanto pegava outra Katana e ia treinar com Alec. 
Percebi minha mãe conversando com Nat em um canto, então me concentrei para ouvir a conversa. 
— Já escolheu sua arma? — minha mãe perguntou. 
— Já — Nat respondeu pegando os punhais do bolso da calça. Minha mãe parecia lutar contra uma lágrima. 
— O quê foi? — Nat perguntou percebendo a reação de minha mãe.
— Era o punhal de seu pai — minha mãe respondeu ainda encarando a arma. 
— O quê? — ela perguntou perplexa.
— Não sabia? 
— Não tinha ideia — ela começou e então mostrou o outro punhal — eu escolhi esse aqui, também. 
— Você não escolhe as armas; as armas escolhem você — minha mãe disse, limpando uma lágrima. — Esse era da Lily.  
— O quê? — Nat perguntou enquanto uma lágrima escorria. 
— Os dois são parte de você.

Visão da Nat 

“Os dois são parte de você” .
Foi o que disse a tia Maryse. Não aguentei e me derramei em lágrimas assim como ela e nos abraçamos. 
— Você é muito parecida com ela, Nat. Você e o Zayn. Zayn é como o seu pai e você é toda a sua mãe — começou passando a mão por meus cabelos. — Sua mãe estaria orgulhosa de você, e muito, assim como o seu pai. 
— Está tudo bem? — perguntou Zayn enquanto se aproximava.
— Sim, Zayn. Estava falando o quanto você e sua irmã são parecidos com os seus pais. Eles estariam orgulhosos — ela respondeu passando a mão no rosto de Zayn.
Zayn me abraçou e me deu um beijo na testa.
— Vão descansar — Maryse ordenou.
Estávamos subindo e encontramos o Mike.
— Estava indo te procurar — disse ele descendo as escadas.
— Boa noite mana, boa noite Mike — falou Zayn. — Juízo, Mike.  
— O que houve? — Mike perguntou, entrelaçando sua mão na minha.
— Estava falando com Maryse e acabamos tocando no assunto dos meus pais — comecei. — Ela disse que eles são parte de mim. 
— Meus pais falam a mesma coisa — ele disse sorrindo.
Me toquei de que estávamos indo para a varanda. 
— Eles são parte de você, a mãe da Izzy está certa. E isso é um motivo para lutar com mais garra — continuou quando chegamos na varanda, onde tinha duas mesinhas e uma vista enorme do jardim na parte de trás da casa de Izzy, que eu já conhecia muito bem, pois corria muito com Izzy e Zayn por lá.
— Nat, eu te amo e não quero que nada aconteça com você. Eu estou dizendo que amanhã eu irei lutar por mim, por você, por meus pais e por seus pais também — completou me olhando nos olhos.
— Mike, isso não é justo, você não precisa fazer isso...
— Preciso porque te amo — me cortou, olhando nos meus olhos. — Mesmo que eu precise morrer. 
— NÃO! — o cortei. — Você não pode pensar na sua morte, Mike — falei pegando em seu rosto, os meus olhos já estavam marejados e os dele também. 
— Pode acontecer — falou. 
— Pode acontecer comigo também —  eu acrescentei.
— Não, não com você. Se acontecer eu não vou me perdoar nunca — Mike disse colocando sua mão no meu rosto num gesto carinhoso.
— Eu tenho certeza de que depois da guerra amanhã vai estar todo mundo bem e vivo, e nós vamos rir no futuro porque com certeza vamos repetir essas palavras em outras guerras — falei e rimos.
— Eu te amo, patricinha com sobrenome Malik — Mike me puxou para si.
— Eu também te amo, Clifford — falei e ele me puxou para um beijo. 

Visão da Lawrence

— Essa vai ser uma luta acirrada — afirmo enquanto me posiciono na frente de Izzy, há alguns metros de distância.
— Só depende de você.
Antes mesmo de conseguir firmar o arco em minhas mãos, vejo um dardo vindo na minha direção após sair da balestra que Izzy segura com maestria. Abaixo, por puro reflexo, levando minha mão ao estojo de flechas por cima do ombro, pegando uma e lançando na direção dela. A flecha acertaria um ponto de fácil recuperação no braço de Izzy se ela não tivesse se virado na hora.
Três tiros são dados, me deixando quase sem saída. Me jogo no chão, rolando sobre minhas costas e ficando ajoelhada, logo depois soltando a flecha do arco tensionado. Anos de experiência fazem com que minha flecha acerte seu ombro esquerdo.
Mas não. Eu vi errado. E esse segundo de distração faz com que um dos dardos passe raspando e queimando a pele de meu braço. Uma ruga surge entre minhas sobrancelhas. Uma flecha já está posicionada. Mas Izzy também já me tem em sua mira.
Resolvo pegar outra flecha em meu estojo, sem tirar os olhos das mãos rápidas de minha adversária. Ela atira novamente, mas eu consigo desviar. Agora armo o arco com duas flechas, soltando apenas uma na direção de Izzy. Ela usa a balestra para se proteger, porém a flecha a atravessa e a ponta encosta em seu pescoço, fazendo um rastro de sangue escorrer lentamente por ele. Solto mais uma flecha, que dessa vez atinge seu braço. Izzy a tira da região.
Corro para a mesa e pego um pano para primeiros socorros e amarro em seu braço, estancando o sangue.
— Vou ficar bem em pouco tempo. Pode ir ao Alec. — Izzy chama seu próximo adversário enquanto eu caminho para o outro "nível".
— Arco contra arco? 
— Arco contra arco. — Ele concorda.
Afastados, nós nos encaramos por pouco tempo antes da luta ser iniciada por ele — Alec. Giro meu corpo, mantendo a mira de minha flecha em seu pescoço. O que menos quero agora é acertar a cabeça de alguém, e ele parece pensar a mesma coisa, já que nunca ousa lançar sua flecha cinco centímetros acima de meus ombros. Apesar de difícil, consegui acertá-lo antes de ele me dar o golpe, diferente do que aconteceu durante meu treinamento com sua irmã. Alec pareceu surpreso quando sua camisa ficou manchada de sangue. Nessa altura, eu já tinha um corte mais profundo no ombro e alguns arranhões a mais.
— Foi bom comprovar que você é realmente boa nisso — diz. Ele mesmo cuida do ferimento, sem se importar com a quantidade de sangue que ainda sai de seu corpo.
— Foi uma surpresa até para mim.
Quando o treinamento acaba, fico sentada por um tempo na macia cama de um dos quartos da casa de Izzy. Admito que fiquei impressionada com a casa; grande e aconchegante. Ao entrar, quase me senti em algum sonho parecido com o que tive sobre o labirinto, sem saber o que olhar e onde entrar. Com certeza só este quarto onde me encontro agora consegue ser maior que minha sala e minha cozinha juntas. Era diferente quando ainda tinha a casa de meus pais, mas ainda assim não se comparava com esse edifício aqui.  
Passo a mão pela testa, impedindo as gotículas de suor de escorrerem por meu rosto. Dei tudo de mim nesse treino, como se fosse o último antes da terceira guerra mundial. "Talvez seja a terceira guerra mundial para mim".
Entro no banho, tomando um cuidado especial com meu ombro, mesmo que tenha parado de sangrar há um tempo. Não quero sentir dores que poderia ter evitado antes da batalha. Sangue escorre pelo ralo junto com bolhas cheirosas do shampoo que passei em meus cabelos.
Imagino que já esteja na hora de deitar e aguardar o Sol retornar ao seu posto no céu, indicando que mais um dia passou em nossas vidas.

Visão do Niall 

Estava indo com Izzy para seu quarto até que nos encontramos com Mike e Nat no corredor.
— Mike, Nat — Izzy chamou. — Sei que gostariam de passar a noite juntos então, se perguntarem, eu vi vocês em quartos separados. 
— Obrigada, Izzy — agradeceu Nat indo com Mike para seu quarto. 
Izzy me puxou pela mão até seu quarto e abriu a porta, esperou que eu passasse e a fechou. 
— Então esse é o seu quarto? — eu perguntei sentando na cama e olhando em volta; era tão... Isabelle. 
Tinha seu cheiro por toda parte, até os livros tinham seu toque felino. 
— Vou tomar um banho... me acompanha? — perguntou zombeteira. Arqueei as duas sobrancelhas, pensando na situação.
— Brincaderinha — ela acrescentou ao ver minha reação e entrou no banheiro. 
Minutos depois eu ouvi o chuveiro abrindo e a água caindo no box, escorrendo até o ralo. Alguns minutos mais tarde ouvi o chuveiro fechando e segundos depois a porta abrindo, dela saindo Izzy vestindo apenas uma camisa branca de botões, levemente familiar...
— Essa é a minha camisa? — perguntei, melembrando de onde ela me era familiar.
— Sim, eu roubei — ela disse casualmente, se deitando ao meu lado. 
— Dorme comigo? — perguntou.
— Claro. 
Não perdi tempo trocando de roupa, apenas tirei os sapatos e deitei ao lado dela de jeans e camiseta. Quando ela se aproximou, nossas testas colidiram.
— Ai! — disse Isabelle, indignada. — Você não deveria... ser melhor nisso?— ela perguntou.
— Por quê?
— Naquela noite...— começou.
— Naquela noite a gente não dormiu apenas... — completei.
— Eu sei. Mas eu não durmo, apenas. Com ninguém. Normalmente, não passo a noite. Tipo, nunca — ela disse.
— Você disse que queria...
— Ah, cale a boca — falou e me beijou. Eu adorava a textura de seus lábios suaves, a sensação das mãos em seus cabelos longos e escuros. 
Mas quando ela se pressionou contra mim, também senti o calor do corpo, as longas pernas, a pulsação do sangue... E o estalo dos meus caninos quando saíram. Recuei precipitadamente.
— Agora o quê foi? Não quer me beijar? — perguntou irritada.
— Quero — tentei dizer, mas as presas atrapalharam. Os olhos de Isabelle se arregalaram.
— Ah, está com fome — disse, fez uma pausa e continuou. — Quando foi a última vez que tomou sangue? 
— Ontem — consegui responder.
— Deve se alimentar — sugeriu. — Sabe o que acontece quando não se alimenta. 
— Não tenho sangue aqui, tenho que ir pra casa — eu disse. Ela me pegou pelo braço.
— Não precisa tomar sangue frio de animal. Estou bem aqui. 
O choque das palavras foi como energia passando pelo meu corpo.
— Não está falando sério. 
— Claro que estou. — Ela começou a desabotoar a camisa, exibindo a garganta, a clavícula, o traço fraco das veias visíveis sobre a pele clara. 
A camisa se abriu. O sutiã azul cobria muito mais do que alguns biquínis, mas mesmo assim senti minha boca secar. _Isabelle_ 
— Não quer..? — perguntou.
A peguei pelo pulso.
— Isabelle, não — falei com urgência. — Não consigo me controlar, não consigo controlar o impulso. Posso matá-la. 
Os olhos dela brilharam.
— Não vai. Consegue se conter. 
— Não me contive com Maureen. Mike precisou me arrancar — a lembrei. 
Maureen foi a primeira pessoa que eu matei. Já havia compartilhado a lembrança com Izzy.
— Teria conseguido — ela disse levantando o dedo e pressionando contra meus lábios. — Confio em você.
— Talvez não devesse. 
Ela passou as pernas em volta de meus quadris. Eu queria tanto beijá-la que meu corpo chegava a doer. 
— Isabelle, não consigo. — Fechei os olhos. Ela estava quente e macia em meu colo, provocante, torturante. Minhas presas doíam absurdamente; sentia como se minhas veias tivessem sido torcidas por arame farpado. 
— Não quero que me veja assim. 
— Niall. — Ela tocou tocou minha bochecha gentilmente, virando meu rosto para si. — Este é quem você é...
Escondi o rosto entre os dedos e falei entre eles.
— Não é possível que queira uma coisa dessas. Não é possível que me queira. Minha mãe me botou para fora de casa. Quero dizer, olhe para mim, para o que sou, onde moro, o que faço. Não sou nada — eu disse.
Olhei para ela por entre os dedos. De perto pude ver que ela não tinha olhos negros, mas castanhos bem escuros, com manchas douradas. 
— Nada coisa nenhuma — ela afirmou, se aproximando. — Niall. Por favor. Deixe-me ver seu rosto. 
Com relutância, abaixei a mão.
— Olhe para isto — disse ela, apontando para duas cicatrizes em seu ombro. — Feias, não? 
— Nada em você é feio, Izzy — eu disse, verdadeiramente impressionado. 
— Outras meninas não são cobertas por cicatrizes — afirmou Isabelle com naturalidade. — Mas elas não o incomodam. 
— São parte de você... Não, claro que não me incomodam. 
Isabelle tocou meus lábios com os dedos.
— Ser vampiro é parte de você. 
Ela me puxou para um beijo, estava com os dedos no meu cabelo quando nós dois rolamos de lado, e agora ela estava em baixo e meus braços cheios da suavidade e do calor dela...
Eu enrijeci outra vez, todo o corpo, e Isabelle sentiu. Agarrou meus ombros; ela brilhava na escuridão.
— Vá em frente — ela sussurrou, sentia o coração dela, batendo contra meu peito. — Eu quero. 
— Não. 
As longas e perfeitas pernas de Isabelle me envolveram, os calcanhares se entrelaçando, me segurando. 
— Eu quero — ela disse exibindo a garganta.
— Não tem medo? — sussurrei.
— Tenho, mas quero mesmo assim. 
— Isabelle... Não posso...
A mordi. Meus dentes deslizaram afiados como navalhas para a veia da garganta. Sangue irrompeu na minha boca. Foi diferente de tudo que eu já tinha experimentado. Certamente nunca tinha tido a sensação de que algumas pessoas que mordi tivessem gostado.  Mas Isabelle arquejou, seus olhos se abriram, e o corpo se curvou para mim. Ela acariciava meus cabelos, às vezes passava as mãos em minhas costas, com urgência. 
Calor irradiou dela para mim, acendendo meu corpo de vampiro.
Eu jamais havia sentido ou imaginado nada assim. Foi como se eu estivesse vivendo outra vez. Meu coração se contraiu... Me afastei. Não sabia como, mas me afastei dela, rolando sobre minhas costas. O quarto brilhava, como acontecia nos momentos iniciais após beber sangue humano, vivo. 
— Izzy... — sussurei. Estava com medo de olhar para ela, temendo que ela fosse me olhar com repulsa. 
— O quê?
— Você não me conteve — eu disse. Era metade acusação e metade esperança.
— Não quis contê-lo — respondeu ela. 
Levantei a cabeça olhando para ela. Havia dois ferimentos na garganta de Izzy. Obedecendo a um instinto, me inclinei para frente e lambi sua garganta. Ela estremeceu.
— Niall... — ela começou, bocejando.
Já tinha ouvido falar que bocejo era um sinal de perda de sangue. Entrei em pânico.
— Você está bem? Tomei sangue de mais? Está cansada? Você...
— Estou bem. Você se conteve, e eu sou híbrida. Reponho sangue três vezes mais rápido — ela respondeu.
— Você... — eu mal conseguia me fazer perguntar. — Você gostou? 
— Sim. — A voz dela soou rouca, abafada. — Gostei. 
— Sério? 
Ela riu.
— Não deu para perceber? 
— Pensei que estivesse fingindo. 
Ela se inclinou e olhou para mim com olhos brilhantes. Como olhos podiam ser escuros e brilhantes ao mesmo tempo? 
— Não finjo as coisas, Niall — ela declarou. — Não minto e nem finjo.



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