História Suplício - Capítulo 2


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Categorias Naruto
Personagens Fugaku Uchiha, Hanabi Hyuuga, Hinata Hyuuga, Ino Yamanaka, Itachi Uchiha, Izumi Uchiha, Jiraiya, Kiba Inuzuka, Kushina Uzumaki, Mebuki Haruno, Naruto Uzumaki, Sakura Haruno, Sarada Uchiha
Tags Kibaino, Naruhina, Naruto, Romance, Sasusaku
Visualizações 358
Palavras 2.346
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Bom dia!
Para quem não lia a história, sejam bem-vindas! Para quem já era leitora, estou repostando os capítulos para fazer mudanças na história, a princípio as coisas se manterão da mesma forma, exceto que não haverá o casal KibaIno e Hinata surgirá em outro contexto diferente, não será uma mulher de Ird, apenas Sakura. As cenas SS serão mantidas, a não ser pelo fato de que Sakura não possuirá deficiência alguma na fala.
Boa leitura.

Capítulo 2 - Capítulo I - Orfandade


Súplicio

Capítulo I - Orfandade

 

Dentro do transcorrer de semanas, Mikoto, que havia retornado ao seu lar e aos seus estudos, começou a sentir os primeiros sintomas da fecundação, assim como parte de suas irmãs, que também haviam sido semeadas com a vida. Tsunade, sua amiga de infância, era uma das únicas que não havia sido agraciada, contudo, não se sentia mal por isso, estava protegida de qualquer julgamento por ser a primeira na linha de sucessão à Chiyo e ainda se lembrava com fervor da noite que viveu ao lado de um jovem de cabelos brancos, bom humor e mãos safadas, que a tirou do sério e a levou para o melhor dos paraísos numa só noite. Relatos como os da sua amiga loira eram raros, pois geralmente mulheres como elas não recebiam o melhor dos tratamentos, ainda mais pela finalidade de suas presenças naquelas terras.

A morena também pôde compreender em si mesma o que acontecia no corpo feminino ao gerar uma vida, pois como boa curandeira, devia conhecer qualquer mudança que alterasse as condições do metabolismo humano e se maravilhava cada dia mais com cada impulso que sentia em seu ventre, cada gesto vital que seu bebê já demonstrava.

Quando as dores de contrações começaram, uma das parteiras foi chamada e a ajudou a conceber, enquanto orava pela proteção de Frigga. O choro veio momentos depois e a dor a abandonou subitamente, sorriu satisfeita, mas a expressão da mulher não era a mesma:

‒ É um menino. ‒ ao escutar essas palavras, todo o sangue parecia ter sumido de seu corpo.

Tsunade veio ao seu encontro e assim que viu a cena, o sorriso morreu nos lábios da mulher que olhou apreensiva para Mikoto, pois ambas já conheciam as regras. A morena tremia ao pensar que o pequeno ser rosado em seus braços teria mesmo aquele fim. Durante anos vira bebês sendo sacrificados a fim de se obter prosperidade e fertilidade, mas sentir a perda na própria pele, ia muito além do que qualquer compaixão.

O garoto berrava, agitando as pequenas mãos como em uma súplica, ele aquietou-se no momento em que teve acesso ao seio materno, quinze dias eram tudo o que Mikoto tinha antes que o pior acontecesse.

O admirava, encantada pela graciosidade daquele pequeno milagre, já possuía os cabelos negros como os dela, ainda não abrira os olhos, mas sabia que seriam negros como a escuridão, pois os de Fugaku também eram. Imaginou como seria se o Uchiha descobrisse que ela concebera um bebê, não que esperasse alguma reação amorosa, provavelmente o homem já tinha sua própria família, contudo não pôde deixar de imaginar, pois Fugaku parecia ser de fato diferente, ele havia sido sutil e carinhoso, enquanto suas irmãs contavam coisas apavorantes sobre os cavalheiros que encontraram.

Estava decidida, ainda não tinha uma estratégia formulada, mas nada a impediria de tentar, não deixaria que seu pequeno fosse morto diante de seus olhos, iria salvar a vida dele.

Ao longo dos dias, Mikoto recebeu várias condolências como se de fato, tivesse sofrido alguma perda, mas suas irmãs estavam perfeitamente enganadas se pensavam que aquele seria o fim trágico de seu bebê, que a encantava a cada dia mais. Enquanto tratava da ferida deixada pelo cordão umbilical, o enchia de carinhos e naqueles momentos, queria apenas deixá-lo guardado dentro de si novamente, onde ninguém poderia tomá-lo.

O décimo quinto dia estava prestes a chegar. Não havia sido fácil, mas o primeiro passo tinha conseguido cumprir, por sorte ele era uma criança serena e muitos outros bebês haviam nascido naquele período, logo era difícil saber qual deles resmungava de fome ou sono. Nunca imaginou que tivesse a capacidade para enganar daquela forma, talvez fosse o extinto de mãe do qual Chiyo sempre falava, mas por sorte havia caído em um choro sentido, alegando que seu bebê havia falecido e que havia despachado o corpo nas ondas do mar.
Sofria por ter perdido um menino? Não, tinham de pensar que se lamentava por não poder oferecer nada às deusas e antepassadas, o que não deixava de ser uma desonra atribuída às que não deram a luz a meninas.
Na madrugada anterior ao dia do ritual, precisou executar a segunda parte do plano: como a excelente alquimista que era, não foi difícil preparar um elixir que ao ser misturado com as refeições, ou até mesmo com o vinho de suas irmãs, fizessem-nas cair no sono. Utilizou-o apenas nas três que ficavam de sentinela no portão norte, em seguida, vestiu um manto negro que cobrisse toda a sua feição e caminhou com uma miúda trouxa de panos em seus braços.
Pegou um pequeno barco, ajeitou a criança entre os vãos do assento e com apenas um lampião para iluminar seu percurso, pôs-se a remar por aquelas águas profundas. Se não tivesse prestado tanta atenção nas coordenadas durante a viagem nove meses antes, provavelmente ficaria perdida no meio do mar, porém seu plano não aceitava falhas.
Quando chegou ao porto da capital, depois de horas parando para amamentar e hidratar a si própria, desembarcou discretamente. O bebê dormia como um anjo em seus braços, seu intuito era chegar ao interior da cidade, quem sabe encontrar Fugaku no mesmo lugar de antes, era uma ilusão boba, mas não custaria tentar.
Foi então que surpreendeu-se com a presença de um homem, usava um gibão escuro com o emblema do reino num dos braços e suas feições estavam cobertas por uma máscara, seus cabelos prateados ressaltavam-se na noite. Ele a encarava desconfiado, podia ver sua mão na bainha da espada.
Vendo-se sem alternativas, Mikoto parou ali mesmo, plantou um beijo no topo da cabeça do filho e com uma lágrima correndo por seu rosto, o pôs sobre um banco de pedra próximo, em seguida correu às pressas para alcançar o barco novamente, sem nem ao menos ter nomeado o seu pequeno pacotinho de vida.
O homem caminhou até o amontoado de panos deixado pela mulher, viu que algo se mexia lá dentro e se surpreendeu com a descoberta de um bebê.

***

Sentia-se acabada, não só pelo cansaço físico, como também pela sensação de que uma parte de si estivesse faltando, no entanto a noite ainda lhe reservava surpresas, pois Tsunade estava diante de si com os braços cruzados, assim que chegou de volta ao portão norte:
‒ Imagine o tamanho de minha surpresa quando encontrei nossas irmãs desmaiadas, senti o cheiro no resto de vinho que ainda havia em uma das taças e não tive dúvidas de que seria mais uma criação de Mikoto.
‒ Eu… Me desculpe. ‒ pediu.
‒ O que fazia para aqueles lados? Por favor, não me diga que foi se encontrar com um deles.
‒ Não fui encontrar e sim deixá-lo. ‒ seu pranto era nítido. ‒ Preferi abandonar minha cria naquele mundo avesso, ao abandoná-lo nos braços da morte. Não queira me julgar, você nem ao menos deu à luz! ‒ cuspiu as palavras sem conter as lágrimas que teimavam em cair.
Tsunade suspirou, não concordava com o feito de Mikoto, mas a mulher parecia mesmo desesperada, que ninguém soubesse que tinha conhecimento daquilo.
‒ De mim não terá castigo algum, só espero que ore às deusas Mikoto, é a elas que você deve. ‒ concluiu lhe virando as costas.

***

Ilha de Ird - três anos depois.

Era uma manhã tranquila, as aves à beira mar cantavam, comunicando-se para em seguida sobrevoarem as águas cristalinas que cercavam a ilha de Ird, buscando um alvo dentro das mesmas. O sol brilhava, mas o clima era no máximo fresco, visto que estavam na primavera. Mikoto caminhava pela areia, sua missão era encontrar algumas algas que sempre ficavam impregnadas nas pedras perto da encosta.

Nos momentos de solidão como aquele, costumava imaginar hipóteses sobre a vida de seu filho. Idealizava que o menino talvez pudesse ter sido adotado por uma família decente, quem sabe até tivesse irmãos? Rezava com todas as suas forças para que o menino tivesse sobrevivido e jamais sentisse o vazio do abandono, embora a própria houvesse o abandonado, três anos atrás. Com a morte de Chyo, Tsunade assumira a liderança do clã e, apesar de não ter contado a ninguém sobre o seu feito, proibiu expressamente que a mulher voltasse para a capital pelo resto de sua vida.

Parou assim que algo lhe chamou a atenção, correu até a beira da praia onde a viu: uma menina de cabelos de um tom rosa delicado, usava um vestido bege pesado, encardido pela areia, sua pele estava quase roxa e gelada, era pequena, não deveria ter mais do que três ou quatro anos. Tocou-lhe o pescoço e sentiu um pulso fraco, precisava aquecê-la o quanto antes.

A pegou no colo com facilidade e a conduziu para o interior da casa que servia de moradia para todas as mulheres,logo se assemelhava em extensão a um palácio, foi construído pelas próprias com muito capricho feito de pedras brutas e madeira firme. Suas irmãs a observaram intrigadas quando passou por elas, assim que chegou a sua sala, onde costumava preparar os elixires e compostos, deitou-a sobre uma mesa e começou a pressionar seu peito com força, a água tinha de deixar seus pulmões, repetiu os movimentos diversas vezes, estava quase perdendo as esperanças quando a garota enfim tomou fôlego profundamente e começou a tossir o líquido para fora.

Esperou que se recuperasse, então teve a visão de seus olhos: verdes como as fontes mais cristalinas de água que tivera o prazer de contemplar ao longo de sua vida. Pôde reparar em uma pulseira de ouro que estava presa a seu pulso, algo estava gravado nela: Sakura.

‒ Olá pequena Sakura... Você está bem? Sente alguma dor? ‒perguntou docemente, quando a menina a viu, encarou um pouco perdida aquela figura em seus trajes de lã.

Como resposta, a garota pôs a mão sobre o peito, enquanto ainda normalizava sua respiração.

‒ Entendo… Deve ter se afogado por uma longa distância. Lembra-se do que aconteceu?

Sem dizer uma só palavra, a menina pegou um pote que estava próximo e o movimentou, como se simulasse um choque em algo, em seguida um tombo avassalador.

‒ E-Estava em um barco, mamãe pediu que eu me segurasse nela, mas não adiantou. ‒suas feições eram chorosas. ‒ Onde minha mamãe e meu papai estão? ‒indagou, enchendo seus olhos de lágrimas em choro, o que apertou o coração de Mikoto e sem saber o que fazer, apenas a abraçou.

Mais tarde, arranjou-lhe alguns trajes e a cobriu com um manto, só então a levou diante de Tsunade no salão central da casa, a loira observou a menina da cabeça aos pés e por fim, perguntou:

‒ Como foi mesmo que a encontrou?

‒ Estava caminhando na praia quando a avistei na areia. Ela se afogou, pelo que me contou estava à bordo de uma embarcação com os pais, devem ter enfrentado alguma tempestade. ‒ esclareceu, com a menina escondida atrás de si.

‒ Qual a sua idade? ‒ a líder perguntou direto para ela, mas Mikoto precisou encorajá-la para que respondesse, ainda hesitando, a menina mostrou três dedinhos de uma das mãos.

‒ Seu nome é Sakura, é o que está inscrito em uma joia que traz consigo. ‒ a morena anunciou.

‒ Que seja, se assim foi… As deusas no presenteiam com a vida, mesmo que de maneira inconvencional para nós. Renascida em plena primavera, agora será uma de nós, Sakura! ‒ declarou altivamente.

A recém-chegada Sakura não parecia entender muito bem o que aquilo significava, mas também pudera,já que era possuía tão pouca idade. De qualquer forma, um calor tomou conta de Mikoto, sentia que finalmente teria alguém para passar seus ensinamentos e dedicar-se, pois mesmo que todas ali devessem cuidar umas das outras, sabia que seria diferente, era quase como se o mar tivesse lhe devolvido mais um pequeno ponto de vida, enfim, teria uma filha.

 

Não seria fácil sua tarefa com Sakura, introduzi-la a um mundo diferente, livre de homens, crenças e culturas com as quais a menina havia convivido desde o seu nascimento, porém entendia o porquê de Tsunade ter lhe passado aquele papel, não só por ter achado a menina e desde então ter tido mais contato com ela, como também por ser diferente da maioria de suas irmãs. Mikoto embora vivesse a cultura de seu povo, não disseminaria o ódio na cabeça da pequena, como as outras costumavam pregar.

Não tinha muito o que mostrar quanto às práticas, já que menina era muito pequena para exercer esgrima, arco-e- flecha, caçadas ou até mesmo curandeirismo, naquele ponto de sua vida, Sakura só tinha de se preocupar em ser criança e nada mais.

De volta ao seu cômodo de alquimia, assistiu a menina descer de sua cama e parar diante da mesa, onde além dos manuais escritos pela própria Mikoto, havia uma pena, o tinteiro e um bloco de folhas pardas. A morena só observava instigada os gestos da menina que habilmente segurou o objeto, molhou a ponta no tinteiro e pôs-se a traçar linhas aleatórias no papel. Era isso! A primeira lição que teria a ensinar para a criança seria o ato de escrever, já que poucas entre as suas tinham tal conhecimento, logo entusiasmou-se com a ideia e tratou de tagarelar sua nova ideia, mas pôde reparar que em simples riscos a menina havia desenhado sua família, duas pessoas e uma menor entre ambas, compadecida Mikoto pôs-se a consolá-la:

‒ Não fique assim pequena, Ran* levou-os para navegar em suas águas, mas determinou que tu chegasse até nós. Às vezes a árvore da vida se ramifica de tal forma que não somos capazes de compreender. ‒ disse e constatou que talvez a última parte servia mais para si própria do que para a menina.

Seria o começo de uma nova vida para aquela pequena, uma nova geração que se iniciava para dar continuidade à sua, só rezava para que Sakura não tivesse o duro destino igual ao seu, afinal a dor de ter abandonado sua cria ainda a incomodava.

***

*Ran: deusa nórdica dos mares.


Notas Finais


Estou repostando a história com as alterações, pois não estava satisfeita com o enredo e com os outros casais que estavam sendo desenvolvidos. Agradeço a compreensão <3


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